Dica gastronômica para o feriado em Friburgo

Oca Maloca, Ana Maria Braga e Bar da Amendoeira

Peço licença para dar pitacos na seara dos companheiros Pedro Landim e Janir Júnior, responsáveis pelos blogs Boca no Mundo e Rio de Chinelo, respectivamente. Mas antes, preciso esclarecer aos meus fieis leitores que não, não sou amigo da dona. Não, não comi de graça. Não, não trabalho como assessor de imprensa do lugar, o que torna o relato bem mais interessante.

Aproveitando que teremos mais um feriadão, conto a história de como conheci um dos melhores restaurantes de Friburgo, o Oca Maloca. Após uma ‘pesquisa exploratória’, onde fondues, carneiros e outras iguarias da serra foram provadas, resolvemos experimentar um restaurante alemão, para continuar no clima frio e calórico das montanhas.

Ao chegar na pequena rua Deolinda Thurler, no bairro do Cônego, foi preciso uma manobra para poder estacionar o carro. Neste momento a patroa falou: ‘Pára que eu vi uma foto da Ana Maria Braga’! Impressionante como as mulheres parecem ter um radar para essas coisas. Bem, apesar da minha descrença e de um esboço de protesto, acabamos indo dar uma olhada no (por fora) simples restaurante.

Resultado: acabamos indo lá por dois dias seguidos, experimentando os pastéis (de camarão e camarão com catupiry), com aquela massa caseira e em porções mais que justas, uma lingüiça a metro recheada com queijo que ainda dá água na boca e um macarrão com molho de quatro queijos e camarões simplesmente imperdível. Ainda teve um bacalhau que não me atrevo a tentar explicar sua receita (lascas em molho branco com batatas, azeitonas e cebola, para os curiosos).

‘Começamos há 8 anos com cinco mesas pequenas, um fogão de duas bocas e uma geladeira usada. Em abril de 2005 fui convidada do programa da Ana Maria Braga’, diz a proprietária Jane Valente, explicando a origem da foto que motivou a nossa visita.

A excelência da cozinha segue no serviço. Se foi possível encontrar o vinho selecionado na carta (coisa quase impossível na maioria dos outros restaurantes que fomos na cidade), o serviço ultrapassou em muito as expectativas. Utilizando um sistema onde todos os garçons servem os clientes, não aconteceu aquela demora em esperar ser servido. Grande e simpática sacada.

Até mesmo o nome dos pratos segue o clima descontraído do lugar (que tem um ambiente separado para fondue, evitando fumaça no salão principal), com nomes engraçados, como a Feijoada surda e manca – sem pés ou orelhas de porco.

No fim das contas, nunca fomos ao tal restaurante alemão, mas descobrimos uma pérola da serra que não distribui muitos flyers nos hotéis da cidade. Uma boa pedida para quem for até Friburgo.

Oca Maloca
Rua Deolinda Thurler, 145 – Cônego
Tel: (22) 2519-3137
www.ocamaloca.com.br

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Não posso deixar de comentar a trágica morte de Cézar Rezende, dono do Bar da Amendoeira, em Maria da Graça, assassinado dentro do estabelecimento, no último dia 24. Depois da morte de Juca Ribeiro, dono do Bar do Serafime da disputa pela Tasca do Edgar, na Rua Alice, em Laranjeiras, fica o receio de que bons pés-sujos percam suas identidades e sejam engolidos pelas grandes redes de franquias.

O Bar da Amendoeira (ou Bar Lisbela) era freqüentador de todos os guias de melhores bares do Rio e um dos locais preferidos de todos que iam fazer matérias por lá (que o digam Débora Thomé e o saudoso André Az, que uma vez pautei para irem lá e nunca mais me deixaram em paz para repetir a dose). Tomara que o lugar continue funcionando com o mesmo capricho e cuidado com que Seu Cézar tinha.

Uma perda para todos que gostam da boa gastronomia popular.

Viva o eterno aipim com carne-seca do Amendoeira.

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Beatles remasterizados em estéreo e MONO

A notícia nem é tão mais nova, mas eu precisava de um tempo para assimilar e poder comentar. Toda a coleção dos Beatles será relançada, remasterizada e em Estéreo e MONO.

A Apple (a primeira, a original) e a EMI anunciaram que no dia 09/09/09 (ou 9 de setembro), estarão lançando duas caixas com todos os CDs do grupo remasterizada e com vários mini-documentários (DVD) juntos aos digipacks, com libretos e fotos totalmente produzidos para a nova leva de CDs.

beatlespepperDepois da masterização original feita por George Martin, nos anos 90, e que é bastante irregular e nem sempre seguiu a sonoridade dos lançamentos dos anos 60, finalmente a obra do mais importante grupo pop de todos os tempos ganha um trabalho realmente decente.

Serão duas caixas: uma em estéreo e outra em MONO! A alegria com o lançamento dos discos com suas mixagens originais em mono é simples de explicar: Nos anos 60 quase ninguém tinha equipamento em estéreo e os Beatles (John, Paul, George e Ringo) NUNCA estiveram presentes em uma sessão de mixagem em estéreo até 1969. Todos os sons que saiam da cabeça e dos instrumentos dos rapazes de Liverpool estavam nos lançamentos monofônicos. As mixagens em estéreo eram feitas por George Martin e/ou algum engenheiro de som e estão longe da qualidade de suas irmãs.

beatlesabbeyHá erros de som, takes diferentes e muita coisa que mesmo o fã menos hard core e que não tenha carteirinha xiita pode notar. Revolver, Sgt. Pepper’s e o Álbum Branco são discos completamente diferentes nas duas versões.

Infelizmente as pessoas acostumaram com o estéreo e – os menos avisados – podem até achar que a caixa em mono será apenas um lançamento caça-níqueis (quando deveria ser o contrário). Os CDs da caixa em estéreo serão lançados separadamente e os da mono, não.

Meu fim de ano será bem mais pobre, graças aos Bealtes.

Leia abaixo o comunicado oficial da Apple.

7th April 2009

Apple Corps Ltd. and EMI Music are delighted to announce the release of the original Beatles catalogue, which has been digitally re-mastered for the first time, for worldwide CD release on Wednesday, September 9, 2009 (9-9-09), the same date as the release of the widely anticipated “The Beatles: Rock Band” video game. Each of the CDs is packaged with replicated original UK album art, including expanded booklets containing original and newly written liner notes and rare photos. For a limited period, each CD will also be embedded with a brief documentary film about the album. On the same date, two new Beatles boxed CD collections will also be released.

beatlesThe albums have been re-mastered by a dedicated team of engineers at EMI’s Abbey Road Studios in London over a four year period utilising state of the art recording technology alongside vintage studio equipment, carefully maintaining the authenticity and integrity of the original analogue recordings. The result of this painstaking process is the highest fidelity the catalogue has seen since its original release.

The collection comprises all 12 Beatles albums in stereo, with track listings and artwork as originally released in the UK, and ‘Magical Mystery Tour,’ which became part of The Beatles’ core catalogue when the CDs were first released in 1987. In addition, the collections ‘Past Masters Vol. I and II’ are now combined as one title, for a total of 14 titles over 16 discs. This will mark the first time that the first four Beatles albums will be available in stereo in their entirety on compact disc. These 14 albums, along with a DVD collection of the documentaries, will also be available for purchase together in a stereo boxed set.

Within each CD’s new packaging, booklets include detailed historical notes along with informative recording notes. With the exception of the ‘Past Masters’ set, newly produced mini-documentaries on the making of each album, directed by Bob Smeaton, are included as QuickTime files on each album. The documentaries contain archival footage, rare photographs and never-before-heard studio chat from The Beatles, offering a unique and very personal insight into the studio atmosphere.

beatles2

A second boxed set has been created with the collector in mind. ‘The Beatles in Mono’ gathers together, in one place, all of the Beatles recordings that were mixed for a mono release. It will contain 10 of the albums with their original mono mixes, plus two further discs of mono masters (covering similar ground to the stereo tracks on ‘Past Masters’). As an added bonus, the mono “Help!” and “Rubber Soul” discs also include the original 1965 stereo mixes, which have not been previously released on CD. These albums will be packaged in mini-vinyl CD replicas of the original sleeves with all original inserts and label designs retained.

Discussions regarding the digital distribution of the catalogue will continue. There is no further information available at this time.

Dúvidas (by segunda a sexta)

Alguns blogs são obrigatórios. Alguns textos são imperdíveis.

Na lista que fica ai do lado direito do blog, há alguns endereços que não podem passar desapercebidos. O segnda a sexta é mantido por cinco coleguinhas e recebe também a colaboração de convidados. Cada semana um tema e vários textos brilhantes pelo mesmo.

Abaixo um exemplo do nível dos textos encontrados por lá.

Será?

Luciene Braga

Ele virou as costas e se foi, depois de acariciar o rosto dela com um afago que ela queria e não permitiria que acabasse.

Saiu pela porta da frente calmamente, enquanto as pernas dela tremiam, mas ela nem notava. Nunca seu olhar foi tão fixo e perdido.

Ele bateu com as mãos fechadas na porta do elevador e até se esqueceu da câmera. Imediatamente transbordou a fúria que jamais deixaria que ela visse. Chorou de tremer nariz, corpo todo e as profundezas da alma dócil de criança, até tapar a boca para não urrar feito animal na jaula. Quando a porta do elevador abriu, suspirou, porque achou que morreria sem ar.

Ela quebrou o telefone com um arremesso olímpico (anos depois, orgulhou-se disso) e só não xingou porque queria uma palavra melhor para levar no espírito ao entrar no quarto e lavar o rosto diante do espelho. Olhar-se virou tarefa estranha. Tentava acompanhar a transformação do rosto para se dizer aquela, mas era duro não ter mais os olhos com brilho.

Ele pisou na rua movimentada de sábado e jurava encontrar chuva, mas o sol queimava anos solares.

Ela titubeou diante da porta. Dura.

Ele corou ao pensar em voltar atrás. Mordeu as falanges da mão, com gosto salgado.

Ela se doeu e caiu no chão do corredor, por onde, de fato, já correra, lembrava-se, dele ou atrás dele, em brincadeira secreta de crianças.

Ele titubeou diante da poça. Sentiria falta do jornaleiro.

Ela abraçou as pernas e mordeu os joelhos. Salgados.

Ele entrou no carro e ligou o rádio. Dolby.

Ela tomou um banho e se perguntou se algum dia deixaria de sentir aquela dor. Alívio.

Ele questionou se um dia voltaria a falar. Tossiu.

Não mudaram de cidade, mas ela havia mudado completamente.

Ela guarda um cartão. Ele, um isqueiro.

Não havia dúvida que não eram feitos um para o outro.

O amor. Não sabem aonde foi pirar.

Um dia, uma cartomante tocou no assunto. Não fosse por isso, ele nem se lembraria. Mas resolveu ligar para ela e contar. Ela estava no teatro e marcou com ele na pizzaria em frente. Estranhou estar tão disponível. Sorte? Azar? Brincadeira? Gincana? Punheta? Arte? Palpite? Euforia? Drogas? Ousadia????

Quando se viram, duvidaram.

Quem foi que falou que acabou o rock’n’roll?

* Celso Blues Boy ao vivo no Teatro Rival – 24/04/09

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PQPQ..é o maior guitarrista do Brasil’! O grito entoado pelo público que esteve no primeiro dos dois shows de Celso Blues Boy no Teatro Rival, no Centro do Rio, deixa clara a forma do músico. O guitarrista, que já tocou e gravou com artistas do primeiro time do blues mundial, como B.B.King, fez mais um par de shows para lançar o CD/DVD Quem foi que falou que acabou o rock’n’roll?, gravado ao vivo no Circo Voador, em 2007, em uma noite chuvosa e sem que o público fosse avisado previamente.

Lembre como foi a gravação

celsobb1Além de uma apresentação que teve uma energia tão grande quanto o registro do CD/DVD – que estavam sendo vendidos por um precinho camarada e são sempre presentes de bom gosto – Celso aproveitou para mostrar que o Rival (casa acostumada com samba e MPB) também é um ótimo palco para as lamentações e amores perdidos do blues, como a alegria do bom e velho rock’n’roll.

A guitarra afiada, as baforadas no cigarro e as várias latinhas de cerveja consumidas durante a apresentação são a mistura perfeita para a apresentação de um dos mais brilhantes músicos nacionais e que, estranhamente, é pouco utilizado como músico de estúdio por outros cantores (a) e grupos. Faltam solos na música brasileira.

Vale citar a excelente participação do gaitista Jefferson Gonçalves.

O deuses do blues ficaram felizes.

Nota: 9,5

* Texto originalmente publicado no Mistura Interativa

Super-heróis invadem os cinemas

wolverine5Hoje teve cabine do novo filme dos X-Men (X-Men Origens: Wolverine, que estreia dia 30). Não é ruim, mas também está longe de ser maravilhoso (leia minha crítica no Dia Online) e merece a ida ao cinema (esqueça as versões piratas que vazaram na net e que já estão nos camelôs). Deve fazer sucesso entre os fãs dos mutantes e os fãs do protagonista, Hugh Jackman.

Entretanto, a melhor notícia do mundo Marvel é a confirmação da produção e de grande parte do elenco de Homem de Ferro 2 e das datas de lançament0 de Thor, Capitão América e Os Vingadores (saiba de tudo no Mistura Interativa).

Os fãs do Capitão Asa agradecem e aguardam que Stan Lee e os executivos da indústria entendam que Namor merece um filme, assim como O Demolidor merece uma segunda chance.

A foto abaixo é da bela Scarlett Johansson, que viverá a Viúva Negra no novo Homem de Ferro.

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Tablóide: Bom ou ruim?

Mudanças acontecem sempre. No jornalismo, tudo parece (recentemente) estar relacionado com a palavra tablóide, que tem sua origem no inglês ‘tabloid’, designando um formato de jornal de tamanho menor que o padrão. O termo pode designar ainda um jornal de tendências sensacionalistas.

O dicionário diz:

adjetivo de dois gêneros.

1. Bras. Que tem forma de pastilha.

2. Jorn. Diz-se de jornal de tamanho menor que o jornal padrão, ger. dedicado a assuntos restritos (esporte, política, humor, vida dos bairros etc.) e às vezes de tendências sensacionalistas.

substantivo masculino

3. Esse jornal.: Comprou um tabloide de esportes pela manhã

Obama rouba médico de House

Pelo jeito o mundo de Barack Obama vai mesmo ser outro. O primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos vai mostrando coragem na montagem de sua equipe. A última aquisição surpreendeu todos os fãs do seriado House (exibido aqui pelo Universal Channel). Kal Penn, que encarnava o doutor Lawrence Kutner, um dos mais interessantes personagens do programa, pediu para deixar a produção para se dedicar ao convite que recebeu para trabalhar na Casa Branca. Penn vai trabalhar no escritório que cuida do contato com o público (uma espécie de relações públicas).

A morte de Kutner foi ao ar no episódio 20 da temporada – ainda inédito no Brasil – causou espanto nos fãs e, aparentemente, terá impacto grande em vários personagens, incluindo o próprio House. Para não estragar totalmente a surpresa, não conto como ele vai morrer (pesquisem).

Segundo os produtores da série – David Shore e Katie Jacobs – nenhum outro personagem irá substituir Kutner, nem mesmo os velhos membros da equipe de House, Chase e Cameron. Aliás, parece que o casal vai voltar a ter uma presença mais constante na trama. Há rumores de que House pode finalmente chegar junto de Cuddy e formar um casal. Será?

De um jeito ou de outro, o que parece uma grande baixa, foi bem superada no episódio 21 (que também já foi ao ar lá fora). O maior peso do casal Chase/Cameron e uma recuperação total de Wilson (o oncologista e único amigo de House) prometem manter o altíssimo nível da série do médico mais politicamente incorreto de todos os tempos.

É aguardar passar no Brasil.

Um conto sobre a rejeição

c:\fiction\historiadeamor.exe

Ele estava em seu segundo casamento quando a conheceu (o primeiro fora com uma velha amiga que o abandonara ao decidir estudar em Londres). A segunda mulher salvara-lhe a vida e, durante algum tempo, viveram uma paixão tórrida de infindáveis bebedeiras no Lamas e bestialidades num aprazível hotel próximo dali.

Mas o tempo foi passando e o tesão diminuindo. Até que ambos puseram placas em seus respectivos púbis: “R.I.P.”, diziam. E ele retirou-se para o trabalho, para não pensar. Um dia ela apareceu, num evento motivacional desses bem imbecis, piores que qualquer culto. Carinhosa, afável, sorriso fácil, um jeito de menina impossível de passar despercebido. O tesômetro acusou a mudança de paradigma.

Ficou sem vê-la por um ano e nove meses, quando deu com ela numa conferência do Lucchesi. Saíram dali para um chope, esticado até as primeiras horas da manhã. Falaram de tudo: literatura, música, família, objetivos, desejos, desilusões, viagens. Apaixonaram-se, ele mais do que ela.

Como disse mesmo o Wilde? Ah, sim: há duas tragédias na vida: uma é não conseguir o que se quer; a outra, consegui-lo. Ele passara anos rezando fervorosamente por uma paixão, por algo que o tirasse do marasmo. E ela veio — mas não o quis. Ele declarou-se desajeitadamente a princípio, ela pediu tempo. Meses depois, ela teve uma grande desilusão e recorreu a sua companhia para sentir-se querida. A visão de suas lágrimas o comoveu e ele sentiu uma onda de ternura e desejo invadi-lo, tomando-lhe até o último capilar. Escreveu-lhe então como uma torrente; depois arrastou-a consigo para um bar e não hesitou, dizendo-lhe que desejava ser seu homem para o bem ou para o mal, que largaria tudo a um comando seu.

Ela chorou um pouco, mas ainda assim resistiu. Confessou que amava outro, disse-lhe que não sabia o que responder. Ele não desistiu, dizendo a si mesmo que a dúvida significava uma chance. Mas, novamente, o tempo foi passando e, de cada vez que a encontrava, ela estava com uma companhia diferente (sem deixar de fazer charme para os outros, ele incluído). Ele foi percebendo que seu jeito afável era fruto da insegurança; que ela sutilmente agradava a todos para se sentir desejada, “cozinhando” em fogo brando os que não haviam sido eleitos; que o jeito de menina revelava grande imaturidade. Apesar (ou por causa) de todas essas constatações, uma raiva sinuosa foi crescendo em suas vísceras, tomando pouco a pouco o estômago, a laringe e por fim seus dentes, que passaram a conferir um gosto plúmbeo à torta de limão que ele tanto amava.

Uma noite, numa festa, viu-a beijar outro. E perdeu o sono nas duas madrugadas subseqüentes. Então, decidiu que ela não existia mais para ele: repetiu isso insistentemente nas semanas seguintes diante do espelho até que, quando a viu de novo, logrou ignorá-la com absoluto êxito. Ela estranhou, mas nada disse. Entretanto, no que isso passou a ser o padrão em todos os encontros, percebeu como o desprezo dele descia lépido pela escala Kelvin. E mudou. De uma hora para outra, queria-o perto dela, buscava seu conselho, tentava fazê-lo rir — tudo em vão. Ele gradualmente reduzira suas reações perto dela ao mínimo necessário para a sobrevivência. Mal respirava. Aos poucos tornou-se um gadget tamanho família, sem fio, com cada gesto devidamente controlado pelas instruções via software que circulavam por sua cabeça.

A insegurança dela não conseguiu suportar tamanha afronta. Humilhou-se: pediu-lhe perdão, suplicou que dissesse alguma coisa.

Impassível, ele voltou-se e, olhar distante, ouviu-se respondendo:

— Há um erro de disco irrecuperável no arquivo: coração.doc.

Ato contínuo, deu Alt+F4 com o polegar na ponta do nariz e o indicador na testa, arrotou e caiu fulminado no chão.

Back On My Feet

(McCartney/MacManus)

macs1How many days will the wet weather last?
I want to know will the clouds
When they roll back
Reveal a man in an old mac
Living on a park bench
Sitting on his own?

Cut the rain as it runs down the glass
Eventually through the lightning and thunder
We see a man going under
This is how it happens
This is what he said

I don’t need love
Though temptation is sweet
Give me your hand
‘Til I’m back on me feet
You’re always telling me about my misery
I’ve seen things you will never see
Don’t pity me

Focus in on the breath of a man
Who takes a brown paper bag
From his knapsack
Between his whispers and wise cracks
He’s looking for permission
Screaming at the sky

I don’t need love
though temptation is sweet
Give me your hand
‘Til I’m back on me feet
You’re always telling me about my misery
I’ve seen things you will never see
Don’t pity me

macs2I’ll be right again
Be upright without you
I’ll stand up again
Kick up a fuss again too

Cut back again to a girl walking by
Until the feet that are all shoes and no socks
Climb an invisible soap box
Laughing at the traffic
Shouting at the world

I don’t need love
though temptation is sweet
Give me your hand
‘Til I’m back on me feet
You’re always telling me about my misery
I’ve seen things you will never see
Don’t pity me

I’ll stand up again
Kick up a fuss again too
I’ll be right again
Be upright without you

We see a life through the eyes of a man
As he live and he dies
By a simple tattoo

I’ll be back again
When I land on my feet
I’ll stand up again
Kick up a fuss again, wouldn’t you

Well there you go, though we tried hard to know him
It’s there on his face
He’s a case where there’s clearly no hope

Give me your hand again
‘Til I land again

His face starts to fade
As we pull down the shade
And the picture we made
Is in glorious cinemascope

I’ll be back…

I’ve Got A Rock ‘n’ Roll Heart – Se fosse sempre assim…..

I’ve Got A Rock ‘n’ Roll Heart
by Troy Seals, Eddie Setser and Steve Diamond

I’ve got a feeling we could be serious, girl;
Right at this moment, I could promise you the world.
Before we go crazy, before we explode,
There’s something ‘bout me, baby, you got to know,
You got to know.

I get off on ’57 Chevys;
I get off on screaming guitar.
Like the way it hits me every time it hits me.
I’ve got a rock and roll, I’ve got a rock and roll heart.

Feels like we’re falling into the arms of the night,
So if you’re not ready, don’t be holdin’ me so tight.
I guess there’s nothing left for me to explain;
Here’s what you’re gettin’ and I don’t want to change,
I don’t want to change.

I don’t need to glitter, no Hollywood,
All you got to do is lay it down and you lay it down good.

The B-52’s: Bifecomtutu na festa Ploc

b52aApesar da crise, devo admitir que 2009 está me surpreendendo em muitas áreas, principalmente a musical. O show dos veteranos discotequeiros-newaveiros do The B-52’s foi mais uma boa surpresa.

Os DJs que animavam o pequeno público antes do show eram uma pista de que os anos 80 estavam de volta, mas que pagar mais de R$ 160 para ver o B-52’s poderia ser um pouco demais. O público era bem pequeno e não chegava a lotar metade do Citibank Claro-Metropolitan Hall. Era gente com aqueles cabelos coloridos estranhos usados pelas vocalistas do grupo, camisetas, gente carregando LPs (sim, Lps) da banda,etc. Uma festa Ploc na Barra.

O quarteto, formado por Kate Pierson (vocais), Cindy Wilson (vocais), Fred Schneider (vocais) e Keith Strickland (guitarra), entrou no palco, com pouco mais de 30 minutos de atraso, e confirmou a impressão de que o show é uma grande festa, sem a preocupação com figurinos ou efeitos especiais. Para ter uma idéia, Kate Pierson -aquela que um dia foi gatinha de cabelos coloridos – usava uma meia arrastão com um fio puxado (acabaram de me corrigir: um BURACO) e que não era proposital. O resto dos figurinos, também eram apenas roupas comuns.

Um aposto: O tempo passa para todo mundo. As duas vocalistas, que arrancaram suspiros de muita gente no primeiro Rock in Rio, são hoje respeitáveis senhoras barangas. A voz é a mesma, mas o corpo…quanta diferença! Até mesmo Fred Schneider, que, embora em melhor estado que as companheiras de palco, não consegue esconder as marcas do tempo. É, todos envelhecemos.

b52bO bom é que a música ainda diverte. Todas as caras e bocas continuam lá, os hits (sim, lembrei que eles também mais que um hit). O povo (including me) dançou, pulou, cantou (tudo com bastante espaço) e ainda pôde ficar na beira do palco.

Gente, o preço pode ser proibitivo, mas os shows internacionais têm sido sensacionais.

PS: A certeza de que o show tinha acabado veio quando a baixista da banda pegou a sua bolsa (sim, BOLSA!) e saiu do palco. Será que lá dentro tinha um vale-transporte para ela ir de ônibus até São Paulo, onde seria o próximo concerto?

Vocês já viram alguém levar bolsa para o palco? BIZARRO!

Justiça pune casal por sexo barulhento

O mundo anda mesmo muito perigoso. Há sempre alguém fazendo algo que não deve. Olhem a notícia publicada hoke no Dia Online.

Que vizinhos filhos da p…..

Justiça pune casal por sexo barulhento

Rio – A Justiça puniu o casal britânico Caroline e Steve Cartwright por fazer ‘sexo barulhento’.

Processados por vizinhos incomodados, eles terão que pagar o equivalente a R$ 1,6 mil de multa.

Uma vizinha gravou áudio da gritaria para mostrar no tribunal e outra, mesmo parcialmente surda, disse não conseguir dormir.

House x Duran Duran

13Em novembro de 2008 escrevi uma crítica elogiando o show do Duran Duran no Vivo Rio. Depois, resolvi escrever o lado B do show, um texto menos comportado e contando alguns outros detalhes da apresentação. Foi uma chuva de críticas totalmente bizarras e que me fizeram desconfiar muito da capacidade de leitura e da inteligência dos fãs da banda.

Rendeu muito tráfego, mas, sinceramente, muito pouca coisa se salvou do que foi escrito pelos pseudo fãs. Pseudo fãs, porque após uma mini maratona de House acabei descobrindo que, em 2009, não há mais fãs da banda. A revelação foi feita durante uma das famosas metáforas de House sobre as doenças, quando tenta explicar o porquê do backstage de um show da banda estar vazio. Nessa hora, 13 responde: ‘Porque estamos em 2009 e não existem mais fãs deles’!

Será que teremos um boicote por partes dos duranies brasileiros.  Será que eles sabem inglês ou conseguirão entender a ironia do comentário?

House é foda!

Jornalista é corno?

corno1Que vida de jornalista é estranha, quase todo mundo sabe. Que os horários loucos, a propensão para a boemia e uma certa tendência mente aberta para relacionamentos, acaba fazendo com que a maioria dos casais acabe tendo como companheiros outros jornalistas, médicos (as) ou enfermeiros (as).

Apesar disso – e de saber que todos e todas são kanalhas – ser jornalista nunca significou ser corno (pelo menos não um corno manso, sabido). Agora, parece que oficialmente a coisa está mudando, pelo menos em Rondônia. A Associação dos Cornos de Rondônia (Ascron) tem nos principais cargos da sua diretoria…jornalistas!

“O jornalista acaba esquecendo a mulher em casa. Alguém tem que dar carinho a ela”. A provocação parte de Pedro Soares, presidente da entidade, que hoje conta com mais de 8 mil associados.

Entre os benefícios dos associados estão o serviço de cabeleireiro especializado em polimento no chifre.  Muito estranho!

corno2É fato que não confio nas jornalistas, embora admita que elas sabem esconder bem suas escapulidas quando querem, embora também mintam muito – e bem – até mesmo quando dizem que é apenas para não magoar. Na verdade, não confio nos jornalistas também (eu incluído) e na maioria dos seres humanos (e vários inumanos), mastambém não vou dar o mole de me mudar para Rondônia.

Leia a matéria completa do Comunique-se

E tem gente de outras profissões que faz de tudo para ser chamado de jornalista. Gente estranha e com um ego sem noção, né não?

Um Caetano sem progresso

Considerações sobre Zii e Zie

ziiezie1bCaetano Veloso é mesmo um ser inquieto. Capaz de melodias intrincadas, harmonias elaboradas e de criar músicas pop simples e diretas, o baiano, hoje um respeitável senhor de 66 anos, chega para o lançamento de Zii e Zie (disco de inéditas que já teve vários títulos e acabou com dois subtítulos – Transambas e Transrocks), sucessor de (2006) e, provavelmente um dos mais democráticos da história da MPB.

A idéia de fazer uma Obra em Progresso e apresentar canções e arranjos à medida em que iam sendo preparados, levou Caetano a criar um blog – descontinuado no momento do lançamento oficial do disco -onde todos podiam opinar e o compositor exercitar seu lado cronista/escritor.

Lembre como foram os shows e a gravação do DVD da Obra em Progresso

Visivelmente alegres e satisfeitos com o resultado de seu trabalho, Caetano e a bandaCê Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo e piano Fender Rhodes) e Marcelo Callado (bateria) – enfrentaram um pequeno batalhão de repórteres nesta terça (14/4) no bar de um hotel do Leblon, um dos temas do álbum.

A expectativa de um trabalho ainda mais surpreendente, criada após os elogios ao (superestimado) disco de rock de Caetano, infelizmente, não deve se concretizar. Zii e Zie (tios e tias, em italiano), título que teve como inspiração secundária os versos em falso italiano da música Sun King (Beatles), sofre com uma safra de canções pouco inspiradas e arranjos pseudo rock, que pareceram engessados com o formado da banda (bateria, guitarra e baixo).

Leia a crítica de Mauro Ferreira

Que houve progresso desde a primeira apresentação das novas canções é fato, mas os riffs de guitarra (algumas harmonias monotônicas) e o andamento bastante parecido dos números, causam uma certa decepção.

O álbum segue irregular nas suas 13 faixas .  Se há o apelo alegre e sensual de A Cor Amarela, também há a dispensável Lobão Tem Razão e a longa Perdeu (que é a preferida de vários coleguinhas). Base de Guantánamo e Falso Leblon também tem seus momentos, mas não decolam.

Veja trechos da coletiva de Caetano

Zii e Zie sai com uma tiragem de apenas 10 mil CDs, que é muito pouco para um Caetano Veloso, mesmo em tempos de crise e sendo um trabalho que não chega a fazer jus ao talento do artista.

Fotos: Divulgação / João Laet e Fernando Young

Nicole Assustadora V

sad-girl“Te esperar não sei
Ma te perder já é
Não sei mais do ontem
que dirá do amanhã
Mas hoje posso dizer
Que você não vai nem vem
Você já era
Você já foi
Foi meu grande amor
Mas não mereceu
E ainda vai sentir
O que perdeu
O que ganhou
Não te sufoco mais
Nem a mim também
Hoje quero ser feliz
você já me fez assim
Mas não faz mais
Só me faz pensar
Que a vida é sem sentido
De tantos caminhos
Que podemos seguir
Hoje tento apenas existir
E te agradeço por me amar
E por me fazer chorar
E hoje poder sorrir
Hoje sei que sou livre
E você?

Esses ingleses maravilhosos e suas pesquisas voadoras VI

email1Checar e-mail com freqüência pode ser sinal de estresse.

Sério? E para quem trabalha com o e-mail aberto e aquela janelinha chata do Notes avisando sempre que chega uma mensagem?

Lembro de um diálogo dentro de um elevador, no qual alguém perguntava se haviam lido o seu e-mail e que era importante. Responderam que não e, antes de saírem, foram aconselhados a lerem, porque era muito importante (mas não o suficiente para que fosse falado ao vivo). E-mails podem ser viciantes, assim como quase tudo na Internet.

Na boa, vamos relaxar e aproveitar essa seqüência de sextas-feira vésperas de feriado. 😉

Saiba tudo sobre o estudo no Dia Online.

André Machado – Minicontos do desconforto – 1

Não encontrei com o Barba no show do Kiss – o que foi uma pena – mas deixo aqui mais uma homenagem ao imenso talento desse amigo e colega de profissão.

Minicontos do desconforto – 1

O quê?, perguntou ele quando ela anunciou que estava indo embora de vez. Ela não respondeu. Ele finalmente desviou o olhar da TV e perguntou por quê. Ela riu e disse apenas, “Você é um relógio tão perfeito que não se pode nem acertá-lo para um horário de verão.” E se foi.

Semana Santa em Friburgo I – Noel e os Beatles

Feriadão, muita coisa para ver, descobrir e aproveitar. Ai, em um momento mágico, cruzo com uma Rural Willys toda cheia de adesivos e cartazes anunciando Noel canta Beatles. Neste momento os hormônios e o DNA beatlemaníaco falou mais forte e tanto eu quanto a bela companheira cometemos a loucura de, em meio a uma via expressa, emparelharmos e perguntarmos onde seria o show. Devia ter lembrado que uma Rural Willys não podia ser um bom presságio, mas ignorei.

Noel, um simpático coroa, lá pelos seus 60 e poucos anos, parece ter ficado alegre. Nos seguiu até o restaurante onde íamos (que merece um belo post, aliás) e nosentregou um cartão com o endereço e telefone do hotel onde iria tocar.

O lugar era no topo do mundo (no mau sentido). Uma estradinha safada, escura, ruim e que cabia apenas um carro de cada vez levava até o local onde só mesmo os Beatles podem nos levar.

Acho que já dá para imaginar como foi o resto. Noel é uma figura simpática, a noite gerou histórias inesquecíveis e a certeza de que hotel fazenda é para gente estranha. Muito estranha.

Kiss mostra a cara

Os coleguinhas Débora Thomé e Bernado Araújo até compararam o show do Kiss com um desfile de escola de samba. Mas foi bem mais (e melhor) que isso. Teve até princípio de incêndio após o show (fogos de artifício demais).

Abaixo o texto que publiquei no Dia Online.

Kiss na Apoteose: Rock sem máscara

O ‘Pé D’água’ que caiu por cerca de três músicas serviu apenas para tirar a máscara de muita gente que foi até a Praça da Apoteose ver o show do Kiss. Só isso. Os veteranos – que não escondem a idade nem no nome da turnê: Alive 35 – acabaram com qualquer dúvida de que sabem como agradar uma platéia. Mais, fizeram um dos melhores shows da Apoteose em todos os tempos.

‘Com greve de ônibus ou não, eu não poderia deixar de vir. Depois vejo como faço para voltar para casa’, disse Rômulo Pereira da Silva, que junto com alguns amigos saiu de Nova Iguaçu com um grupo de amigos, todos de cara pintada.

Madonna? Quem achava que os efeitos especiais e dançarinos usados pela musa pop foram o máximo deveria ter visto o Kiss. Muitos fogos de artifício (muitos MESMO!) e papel picado fizeram um dos momentos mais bonitos da noite, em Rock And Roll All Nite. Lembrou a cena de Cafú erguendo a Copa do Mundo em 2002. Simples, eficiente e inesquecível. Sem contar que a música é muito melhor.

Se o show do Rio perdeu uma canção por conta da chuva (onde Paul Stanley iria passear em um tipo de teleférico), sobrou uma animação que não esteve presente em São Paulo, na noite anterior. Gene Simmons mostrava a língua a todo momento, cuspiu fogo, sangrou pela boca e comandou a galera como um verdadeiro imperador (palavra da moda); Paul Stanley falou com o público praticamente entre todas as canções e ainda deu uma de Pete Townshend, ao quebrar uma guitarra no palco; Eric Singer (bateria) e Tommy Thayer (guitarra) também tiveram seus momentos solo, para mostrar que não têm nada de bobos.

O show, que desfilou o melhor do grupo na década de 70 e outras poucas coisas mais recentes, começou com uma homenagem ao The Who, de Pete Townshend e Roger Daltrey. Uma enorme bandeira com o nome do Kiss cai do palco após o fim da canção Won’t Get Fooled Again, que acabou sendo tocada durante a execução de Lick it up.

‘Quer saber…. pagaria mais 350 para ver mais’, gritava Augusto Cesar Ramos, de 40 anos, que comemorava como uma criança a chance de ter visto dois shows do Kiss, já que foi até São Paulo só para ver o grupo.

Fim de noite e milhares de clones de Paul Stanley e Gene Simmons foram para casa felizes (alguns com a maquiagem intacta apesar da chuva). Na quarta-feira a cidade se transformou em um grande baile de máscaras regado a rock’n’roll.

Confira o setlist do Kiss:
Deuce
Strutter
Got To Choose
Hotter Than Hell
Nothin’ To Lose
C’mon and Love Me
Parasite
She
Tommy Thayer solo
Watchin’ You
100,000 Years
Eric Singer solo
Cold Gin
Let Me Go, Rock ‘N’ Roll
Black Diamond
Rock And Roll All Nite

Bis
Shout It Out Loud
Lick It Up
Won’t Get Fooled Again
Gene Simmons Solo
I Love It Loud
I Was Made For Lovin’ You
Detroit Rock City

Fotos: Ag. News

A sina dos mentirosos

Os mentirosos não ganham senão uma coisa: é não serem acreditados mesmo quando dizem a verdade.

small-black-hintNão resta dúvidas de que alguns se convencem de que a vida é para ser vivida enganando a si próprio e aos outros. É a velha tática de repetir a mentira até torná-la verdade. É aquela velha história de repetir sempre: ‘Eu estou muito feliz‘.

O problema é que quando for verdade (assim como alguma angúsita) vai ser difícil fazer com que acreditem, ou será que esse povo realmente acha que todos são babacas?

Claro que há mesmo os de má índole (que morram!), mas normalmente esse evento acomete os que tem personalidade fraca e que precisam mostrar força e fé.

Não é o ideal, mas é tão bom saber quais as suas lutas, angústias e tristezas. Acho que detectá-las e mostrá-las ao mundo é uma demonstração de força.

Clapton: Uma autobiografia capenga

layla-bookBiografias são sempre interessantes. Autobiografias algumas vezes deixam a desejar. Acabei de ler a de Eric Clapton e fiquei com sentimentos divididos. Se por um lado é bom saber o ponto de vista dele sobre o relacionamento com Patty Harrison-Clapton-LaylaBoyd – que também escreveu um livro sobre a sua (dela) vida – fica uma certa decepção sobre a falta de menção ou apenas um ou poucos parágrafos sobre eventos importantes da carreira do guitarrista.

Como disse, autobiografias são complexas. Elas costumam esconder alguns defeitos de personalidade e/ou decisões questionáveis. No caso de Eric Clapton a coisa piora um pouco. Não poderíamos mesmo esperar muito mais de alguém que passou praticamente duas décadas e meia totalmente afundado em heroína e álcool. A (falta) de memória de Clapton torna o livro recomendado apenas para quem já conhece a carreira do artista e alguns episódios da sua vida.

São detalhes demais sobre momentos e lugares que são importantes apenas na visão da pessoa Clapton enquanto discos e shows que marcaram sua carreira são quase que completamente ignorados. Algumas vezes apenas uma frase é dita sobre um projeto específico e personagens aparecem do nada para ganharem o status de grande amigo ou velho amigo.

Portanto, se você quer conhecer mais sobre a carreira e música do artista Eric Clapton, recomendo o Survivor, de Ray Coleman, uma biografia autorizada e bem mais rica (em inglês).

Agora é partir para a leitura da versão da mulher que inspirou Layla, Wonderful Tonight, Isn‘t it a Pity, Same Old Blues e Behind the Sun, para citar algumas belas canções.

Kiss: Dia de máscaras na Apoteose

kiss3Nunca fui um grande fã do Kiss. Não guardo grandes memórias dos seus shows (embora tenha visto na TV). As maquiagens, a voz de Paul Stanley podem ser ok, mas é mesmo a cara de maluco e a enorme língua de Gene Simmons que chama a atenção (mais até que a música, embora muitos amigos discordem).

Hoje tem show na Praça da Apoteose e tudo conspira para que seja uma bela apresentação (tomara que não chova), apesar do preço – pista vip R$ 350.

Os caras já venderam milhões de discos e até rola um reality show bem parecido com o de Ozzy Osborne.  Em São Paulo, o Terra destacou os efeitos especiais usados durante o concerto: Colunas de fogo, fogos de artifício saindo da guitarra, sangue, chuvas de papel picado e vôos sobre a platéia, foram alguns dos efeitos citados, além das cuspidelas de fogo de Simmons.

Vamos ver se o grupo ainda mantém a vitalidade e o humor de outras décadas nessa Alive 35 Tour. Conto tudo depois.