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Moz ‘strikes again’!

Compositor e cantor britânico fará dois shows no Brasil em novembro e dezembro, em São Paulo e no Rio

Enquanto escrevo este post especialmente para o Blog do Feroli, Morrissey cancela uma penca de shows da turnê “Low in High School“, do álbum lançado em 2017, o 11º de sua carreira solo. O anúncio foi feito em sua página oficial. A alegação: “problemas logísticos além do controle”. O que afetou as apresentações no Reino Unido e na Europa.

Confira uma das melhores músicas do álbum:

A turnê Latino-Americana, no entanto, está confirmadíssima. O ex-vocalista do The Smiths marcou dois shows no Brasil. No dia 30 de novembro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e em São Paulo, no dia 2 de dezembro, no Espaço das Américas. As vendas de ingressos já foram abertas.

Em apenas cinco dias, o primeiro lote promocional (R$ 170 ingresso solidário pista) para a Fundição Progresso se esgotou. Agora, quem não quer perder a chance de ficar pertinho desse ícone dos anos 1980 já encontrará valores que variam entre R$ 220 (ingresso solidário pista) e R$ 880 (frisa/camarote).

Como comprar seu ingresso para os shows:
smarturl.it/MorrisseySaoPaulo
smarturl.it/MorrisseyRio

‘Why is the last mile the hardest mile?’

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Morrissey, em uma de suas apresentações no ano passado (Crédito: GettyImages)

Steven Patrick Morrissey, o Moz, nunca teve uma extensão vocal privilegiada. Mas compensou (e muito) com seu timbre inconfundível e interpretações cheias de personalidade, que bebem na fonte do iodelei e se equilibram ali entre o característico pedantismo britânico e uma atitude blasé tipicamente francesa.

O resultado de toda essa “alquimia” — duvido você ouvir uma música do Moz e não identificar o cantor logo nas primeiras palavras cantadas — é que o vocalista, nascido em Davyhulme, no noroeste da Inglaterra, há 59 anos, é um dos poucos artistas a ter músicas no “Top 10 de Vendas de Discos do Reino Unido” em três décadas diferentes.

Na estrada desde 1977, Morrissey é uma personagem interessantíssima. Boa parte de sua vida e carreira foram contadas no livro “Autobiografia”, lançado em 2013. O livro entrou na lista dos mais vendidos do Reino Unido, em número um, atingindo a marca das 35 mil cópias apenas na primeira semana.

Vegano ativista (quem lembra do álbum Meat Is Murder, o segundo dos Smiths, lançado em 1985?), celibatário, fã de punk rock, Oscar Wilde e figuras como James Dean, Alain Delon, Joe Dallesandro e Jean Marais. As letras de Morrissey — aparentemente deprimentes, mas muitas vezes cheias de humor mordaz — inspiraram toda uma nova geração indie britpop que surgiu na década de 1990.

Em 1986, quando o The Smiths se apresentou no programa de música britânica The Old Grey Whistle Test, Morrissey usou um aparelho auditivo falso para confortar um fã com deficiência auditiva que tinha vergonha de usar o dispositivo. Frequentemente, usava óculos de aro grosso fornecido pelo Serviço Nacional de Saúde. No palco, a presença de Morrissey com danças desajeitadas e flores chamavam a atenção. Era assim que encorajava jovens ‘tímidos e desajeitados’ a dançar mesmo não sabendo dançar. Isso transformou Morrissey num objeto de culto. Seus shows precisavam de cada vez mais seguranças devido ao número de pessoas que invadiam o palco para tocar no ídolo.

Trecho da Wikipedia

Mas a atual década não tem sido muito gentil com o popstar britânico. Há quatro anos, Morrissey deixou escapar ao jornal espanhol “El Mundo” que foi submetido a tratamentos contra câncer.

Em 2012, numa de suas cada vez mais raras entrevistas, afirmou ter envelhecido muito rapidamente nos últimos anos — hipertenso, reclamou que o remédio para controle de pressão afina seu cabelo “dramaticamente”. Nesse mesmo ano, Morrissey chegou a anunciar uma aposentadoria planejada para 2014.

Mas como ele mesmo deixa subentender na letra de Speedway, só a morte fechará sua adorável boca.

Histórico (quase bizarro) de cancelamentos

Morrissey já se apresentou no Brasil em três ocasiões: 2000, 2012 e 2015. Em 2013, a “perna” da turnê na América Latina foi totalmente cancelada. Incluindo a passagem que faria por aqui. Na ocasião, a produtora responsável (Time For Fun) divulgou nota informando apenas que o cancelamento se deu por “motivos pessoais” do britânico.

morrissey
O polêmico Morrissey

No ano passado, Morrissey cancelou sua apresentação em Paso Robles, na Califórnia, no último minuto — na verdade, o público já esperava há uma hora que ele subisse ao palco — porque estava sentindo muito frio.

Além de ser extremamente polêmico (a revista Rolling Stones montou uma galeria com os insultos do cantor e compositor britânico na sua versão online), Morrissey protagoniza um histórico de cancelamentos que é, no mínimo, absurdo. Rendeu um post que é constantemente atualizado, infelizmente, no site We Heart Music. Uma compilação de cancelamentos que cobre desde 1988 até os dias atuais.

So far: 289 datas canceladas ou adiadas.

Previsão de setlist para os shows do Morrissey em novembro

Este ano, Morrissey subiu 19 vezes em palcos. As setlist têm uma espinha dorsal formada por várias canções que compôs ao lado de Johnny Marr para os quatro discos de estúdio do The Smiths, entre 1982 e 1987.

Um levantamento simples no site Setlist.fm, que reúne 14 setlists dos shows de Morrissey em 2018 —, já dá uma ideia do que podemos esperar para as apresentações de novembro — se o Morrissey não cancelar, of course

Nos links, vídeos das apresentações deste ano. O topete não está mesmo mais lá essas coisa. Mas o gogó continua o mesmo!

  1. Jacky’s Only Happy When She’s Up on the Stage – 14 vezes
  2. Spent the Day in Bed – 13 vezes
    When You Open Your Legs – 13 vezes
  3. Who Will Protect Us From the Police? – 12 vezes
    The Bullfighter Dies – 12 vezes
    I Wish You Lonely – 12 vezes
    World Peace Is None of Your Business – 12 vezes
    Jack the Ripper – 12 vezes
    My Love, I’d Do Anything for You – 12 vezes
    Everyday Is Like Sunday – 12 vezes
    How Soon Is Now? – 12 vezes
    Hold On to Your Friends – 12 vezes
    There Is a Light That Never Goes Out – 12 vezes
    The Boy With The Thorn In His Side – 12 vezes
  4. Munich Air Disaster 1958 – 11 vezes
    Back on the Chain Gang (The Pretenders) – 11 vezes
    If You Don’t Like Me, Don’t Look at Me – 11 vezes
  5. I Bury the Living – 10 vezes
    Suedehead – 10 vezes
    Irish Blood, English Heart – 10 vezes
    Home Is a Question Mark 10 vezes
  6. You’ll Be Gone (Elvis Presley) – 8 vezes
    I Started Something I Couldn’t Finish – 8 vezes
    Cemetry Gates – 8 vezes
  7. First of the Gang to Die – 6 vezes
    Bigmouth Strikes Again – 6 vezes
  8. The Last of the Famous International Playboys – 5 vezes
    This Charming Man  – 5 vezes
    The Queen Is Dead – 5 vezes
  9. Speedway – 4  vezes
    Girlfriend in a coma – 4 vezes
    Shoplifters of the World Unite – 4 vezes
  10. Judy Is a Punk (Ramones) – 3 vezes
    Vicar In A Tutu – 3 vezes
  11. I’m Not Sorry – 2 vezes
    Frankly, Mr. Shankly  – 2 vezes
    I Know It’s Over – 2 vezes
    Never Had No One Ever – 2 vezes
  12. Alone Again (Naturally) (Gilbert O’Sullivan) – 1  vez
    Alma Matters – 1  vez
    Israel – 1  vez
    The Girl from Tel-Aviv Who Wouldn’t Kneel – 1  vez
    All You Need Is Me – 1  vez
    Glamorous Glue – 1  vez
    November Spawned a Monster – 1  vez

 

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João Roberto Kelly comemora seus 80 anos e lança marchinha para a Copa

Aniversário será comemorado com dois shows no Rio de Janeiro

João Roberto Kelly, o Rei das Marchinhas comemorará seus 80 anos, em dois shows que lançarão sua mais recente marchinha para essa Copa do Mundo, em homenagem ao jogador Neymar e o técnico Tite.

No dia 24, dia de São João e seu aniversário, o show será na Sala Municipal Baden Powell, em Copacabana, e terá as participações dos cantores e compositores Neguinho da Beija Flor que ganhou apelido em seu programa na antiga TV Tupi, “Rio Que Dá Samba”, onde Kelly foi o apresentador, e Eduardo Dussek, que gravou algumas marchinhas dele, durante sua carreira. Já no dia 29, dia de São Pedro, a festa será na segunda casa do ‘Rei das Marchinhas’, a Sede do Cordão da Bola Preta, na Lapa e contará com as participações do cantor Makley Matos e da Banda do Cordão da Bola Preta.

Marchinha da Copa

Já encomendei meu sorriso
Dessa vez não vale chorar
Quero ver o mundo gritando
Neymar, Neymar, Neymar

A galera tá ligada
Um novo tempo surgiu
Sonhei com o Tite vibrando
Em cada gol do Brasil

Lançada no final de março, a composição traz palavras de incentivo à Seleção e foi planejada para conquistar a torcida em todo o Brasil. “Marchinha da Copa” já está disponível no Youtube e conta com a participação do próprio compositor:

Segundo Kelly, as marchinhas carnavalescas resistiram ao tempo por não serem datadas. “Alô, Alô, Gilmar”, seu trabalho mais recente envolvendo essa data, não trazia nenhuma referência à festa e, apesar da crítica, não foge da ironia considerada por ele necessária neste gênero. “Tem que ter uma pimentinha”, sugere. Por este motivo, critica o politicamente correto, o que, em sua visão, caminha para o exagero. Ainda assim, destaca que nem os blocos temáticos ignoram esses trabalhos: “Acho que carnaval é para todo mundo. No meio das músicas, sempre tocam marchinhas. Dou a maior força!”, elogia, dizendo ser fã desse tipo de desfile.

Nos shows, além das participações especiais já anunciadas acima, estarão ao lado do João Roberto Kelly que tocará seu piano eletrico, os cantores Gilson Bongil e Manu Santos e os músicos Adilson Werneck (bateria) e Claudio Mateus (contrabaixo).

Certamente sucessos como “A Cabeleira do Zezé” (a primeira do compositor, que estourou em 1964 e segue até hoje como uma das mais executadas nos blocos e bailes de clubes de todo o país); “Mulata Iê-Iê-Iê” , mais conhecida como “Mulata Bossa Nova” (composta em homenagem a 1a mulata a vencer o “Concurso Miss Guanabara de 1965, a Vera Lucia Couto), “Colombina”, “Joga a Chave, Meu Amor”; “Mormaço”, “Rancho da Praça Onze”, ”Paz e Amor”, “Israel”, “Boato”, “Dança do Bole Bole”, “Samba do Teleco – Teco”, na década de 1980, os sucessos “Maria Sapatão”, “Esse Menino é Gay” e “Bota a Camisinha”, lançadas pelo Chacrinha, além das mais atuais “Marcha do Barak OBama”, “Marchinha do Xixi”, “Marchinha do Porcalhão” e a mais atual, “Onde está o Meu Dinheiro” entre tantas outras serão lembradas pelo compositor João Roberto Kelly.

Campeão do Carnaval

Kelly é líder absoluto há mais de 10 anos do ranking do Ecad dos autores com maior rendimento no carnaval.

Serviço

João Roberto Kelly: 80 ANOS

Dia 24 de Junho 2018 – Domingo 19h.
Participações especiais de Eduardo Dussek e Neguinho da Beija Flor
Local: Sala Municipal Baden Powell (Av. Nossa Senhora de Copacabana 360 – Copacabana)
Ingresso: R$ 70,00 / R$ 35,00 (moradores de Copacabana, estudantes, jovens até 21 anos e acima de 60 anos, passageiros do MetroRio e Assinantes de O Globo)

Dia 29 Junho 2018 – Sexta Feira a partir das 19h.
Participação especial do cantor Makley Matos e a Banda do Cordão da Bola Preta.
Local: Sede do Cordão da Bola Preta (Rua da Relação 03 – esquina com a Rua do Lavradio – Centro – Reservas pelo tel. 21- 2240-8049)
Ingresso: R$ 35,00 (preço único com direito a mesa)

Eduardo Dussek esbanja humor e ritmo – Niterói – 13/6/18

Cantor encantou a plateia no Teatro da UFF

O Tao de Dussek é PH*dd*! O ator/compositor/cantor entrega sempre um caminhão de alegria para suas plateias e não foi diferente na última quarta-feira (13), na sua apresentação no Show das 4, projeto que leva grandes nomes ao Teatro da UFF, em Niterói, sempre às 16h.

Comemorando 40 anos de carreira (completados ano passado) e com uma carreira musical que abrange vários ritmos e tendências – nada de sertanejo ou pagode, deixo claro -, Eduardo Dussek continua em forma musicalmente e no humor afiado, mesmo lutando há mais de uma década contra o mal de Parkinson.

 

Fazendo um show sem roteiro e escolhendo as canções de acordo com o seu humor (e o do público), Dussek ainda é uma usina de força. Para o pessoal mais jovem, ele desfila marchinhas e sucessos autorais que muitos nem devem conhecer ou saber que são de sua autoria – Seu tipo (gravada por Ney Matogrosso), por exemplo. Para os mais velhos, recorda pérolas como Nostradamus, Cabelos Negros e Barrados no Baile.

A comemoração segue dia 20 com uma apresentação no Teatro Riachuelo, no centro do Rio, que vai contar com a participação especial de Silvia Machete.

Fotos e vídeo: Jo Nunes

Greve dos caminhoneiros muda datas do festival de jazz e blues de Rio das Ostras

O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival vai acontecer entre os dias 15 a 17 de junho. As novas datas dos shows serão divulgadas na próxima semana.

O bloqueio das estradas e o desabastecimento de combustíveis causaram uma série de transtornos ao povo brasileiro e afetaram até mesmo o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, que aconteceria de hoje (31) até o dia 3 de junho (no feriadão de Corpus Christi), teve que alterar as suas datas, passando para o período de 15 a 17 de junho. No último dia do festival o público poderá assistir a estreia do Brasil em um telão que será instalado na Lagoa de Iriry.

– Temos mais de 70% das atrações confirmadas para as novas datas. Stanley Jordan e Armandinho, Banda Black Rio, Marlon Sette, Rosa Marya Colin e Jefferson Gonçalves, Azymuth e DJ Nuts, Igor Prado & Just Groove, Fred Sun Walk & The Dog Brothers, Amaro Freitas e Big Gilson – conta Stenio Mattos, diretor do Festival.

A nova programação será divulgada na próxima semana, no site do festival.

Abaixo a nota oficial da produção da Prefeitura de Rio das Ostras:

É com bastante tristeza que viemos anunciar em nota oficial que o Rio das Ostras Jazz & Blues será realizado em nova data: 15 a 17 de junho.

A mudança se deu em função da gravidade do desabastecimento de combustíveis e seus reflexos no município. Em nota oficial, a Prefeitura de Rio das Ostras informa que a decisão foi tomada em conjunto com a produção do evento, representantes de hotéis, pousadas e restaurantes da cidade, durante uma reunião na tarde desta segunda-feira (28).

Ainda segundo a Prefeitura, o festival é de grande importância cultural e econômica para o município.

Para a produção do Festival, o adiamento torna-se necessário para garantir a qualidade do festival. Nós da produção não nos sentiríamos a vontade em manter o festival sem as condições ideais de infraestrutura, diz Stenio Mattos, diretor do Festival. Pedimos desculpas pelo transtorno, contamos com a compreensão de todos e esperamos vocês no dia 15 para comemorarmos finalmente os nossos 15 anos!

 

Carl Palmer – Teatro Municipal de Niterói – 26/5/2018

Baterista termina turnê brasileira mostrando energia e que a magia do rock progressivo não morreu

Enquanto a história mostra que bandas de rock sofrem com a perda de seus bateristas (casos do The Who, com Keith Moon, e do Led Zeppelin, com John Bonham), algumas ficam com seu legado a cargo dos donos das baquetas. O Emerson, Lake and Palmer – formado pelos ingleses Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – entra nessa categoria.

Ícone do rock progressivo, a banda tem sua música imortalizada pelo baterista Carl Palmer, que passou pelo Brasil com a sua Carl Palmer’s ELP Legacy Tour 2018, como parte da Top Cat Series, que também trouxe o guitarrista do Genesis, Steve Hackett e o grupo Premiata Forneria Marconi. Na sua última apresentação no país, o músico e seus dois ótimos escudeiros – Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo) – fizeram uma apresentação de gala no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Clássicos

Seguindo um setlist bem próximo das apresentações anteriores, Palmer desfilou uma série de clássicos de seu ex-grupo, mostrando uma vitalidade e força surpreendentes para um senhor de 68 anos e viveu o auge do sexo, drogas e rock and roll. Peças musicais como Trilogy, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e Tarkuso ponto alto da noite -, foram executadas com precisão e muita energia.

Recuperando o fôlego

A energia do baterista era recarregada entre as músicas, quando o britânico aproveitava para contar algumas histórias sobre as canções e sobre o grupo, e ainda recuperava o fôlego antes de atacar furiosamente a sua bateria. Normalmente a parte mais chata de um show de rock fica dividido entre a hora do solo de baixo ou do solo de bateria. Nos dois casos a surpresa foi mais que agradável. Simon Fitzpatrick fez um solo onde incluiu o clássico From the Beginning, com uma técnica de dedilhado (a lá Stanley Jordan) impecáveis. Já Palmer fez seu tour de force durante Fanfare for the Common Man, quase no fim da apresentação, marcada por vários pequenos solos.

Ataque epilético ou músicos cheios de ego e talento?

Há quem diga que o ELP não era apenas a reunião de músicos talentosos tocando música complexa e pretensiosa (no bom sentido). Para muitos o estilo do grupo se aproximava mais de um ataque epilético coletivo, onde cada um tocava de maneira egoísta. Apesar de concordar que musicalmente eles tinham um grande ego (com razão), a química e entrosamento eram inegáveis. A produtividade da banda no início dos anos 70, com a gravação de 5 álbuns de extrema qualidade – Emerson, Lake & Palmer (1970), Tarkus (1971), Pictures at an Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Brain Salad Surgery (1973) – dentro de um período de apenas três anos é típica de uma época onde mesmo as mais complexas produções eram realizadas em uma velocidade impensável para os dias de hoje, assim como alcançar vendas de 48 milhões de discos, nesses tempos de streaming.

Teatro cheio de “combustível”

– Obrigado por terem vindo nos assistir essa noite. Sei dos problemas que vocês estão tendo com combustível e outras coisas. Nós mesmos tivemos uma carreta com equipamento parada em uma estrada e tivemos que alugar alguns equipamentos – falou Palmer para a plateia em certo momento da apresentação.

Se o país sofre com o bloqueio das estradas realizado por caminhoneiros e empresários e com a total falta de habilidade e força do Governo para resolver o problema, o público de Niterói deu uma demonstração de que mesmo com os problemas no transporte e a escassez de gasolina, a boa música vence. O belíssimo Teatro Municipal de Niterói estava praticamente lotado e, tenho certeza, suas paredes – quase bicentenárias – foram revigoradas com uma energia e uma música não muito comum para o local.

No fim das contas, os que não tiveram a oportunidade de assistir ao ELP com os três integrantes ou alguma de suas reencarnações, teve uma boa mostra da magia que a sua música ainda possui.

Ainda há grandes nomes do progressivo vivos e fazendo história. Quem tiver a oportunidade de, por exemplo, assistir ao Yes (com Rick Wakeman), não deve deixar de aproveitá-la, mas quem presenciou o Carl Palmer de 2018 pode se orgulhar de um ídolo que soube envelhecer com a força de um rapaz de vinte e poucos anos.

O show

Abaddon’s Bolero (Emerson, Lake & Palmer cover)
Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tank (Emerson, Lake & Palmer cover)
Knife-Edge (Emerson, Lake & Palmer cover)
Trilogy (Emerson, Lake & Palmer cover)
From the Beginning (+ solo de baixo)
Canario (Emerson, Lake & Palmer cover)
21st Century Schizoid Man (King Crimson cover)
Solo de guitarra
Hoedown (Aaron Copland cover)
Lucky Man (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tarkus (Emerson, Lake & Palmer cover)
Carmina Burana (Carl Orff cover)
Fanfare for the Common Man (Aaron Copland cover)
Solo de bateria
Nutrocker (Pyotr Ilyich Tchaikovsky cover)

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Rio das Ostras volta a sediar festival de jazz e blues

Festival volta ao calendário da cidade após um ano de ausência e ganha edição carioca, em setembro

Depois de um ano de ausência por conta da crise econômica que se abateu sobre o estado do Rio e seus municípios, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival chega a sua 15ª edição, entre os dias 31 de maio e 3 de junho, no feriado de Corpus Christi. Esse ano, apesar do cenário ainda pouco favorável, o evento traz grandes nomes (nacionais e internacionais) na sua escalação de shows, inteiramente grátis.

– Ano passado não tivemos como realizar o festival, mas esse ano, mesmo com uma verba menor e quase sem nenhum patrocínio, conseguimos montar uma estrutura que faz jus ao padrão do festival. Teremos nomes como o Stanley Jordan (que se apresenta ao lado de Armandinho), a Banda Black Rio, Rosa Marya Colin, Azymuth, Big Gilson, Amaro Freitas e Leon Beal Jr., só para citar alguns – explica Stenio Mattos, criador e produtor do festival.

Grandes nomes

Desde a sua primeira edição (2003) o festival trouxe nomes de peso ao país, se consolidando como um dos principais eventos do mundo. Logo na estreia o naipe de artistas que se apresentaram nos palcos do evento (hoje, são três) trazia Nuno Mindelis, Blues Etílicos, Baseado em Blues, Yamandú Costa e Kenny Brown, só para citar alguns.

– Durante todos esses anos conseguimos trazer gente do calibre do Stanley Clark, Ron Carter, Coco Montoya, John Mayall & the Bluesbreakers, T.M. Stevens e Al Jarreau, que foi um gentleman e fez questão de vir tocar no festival, fazendo uma de suas últimas apresentações – lembra Mattos.

Além da volta do festival em Rio das Ostras, uma outra boa notícia é que o evento vai ganhar uma edição carioca, entre os dias 7 e 9 de setembro, como parte do projeto Reage Rio, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados.

Jovens talentos

Se grande parte do público é atraído pelos nomes conhecidos e consagrados, o Festival também é palco para que jovens talentos mostrem o seu trabalho e conquistem novos fãs. Este ano, uma das grandes apostas é o pianista Amaro Freitas. Vencedor do Prêmio MIMO Instrumental de 2016, o pernambucano promete um show autoral, baseado no seu álbum de estreia, Sangue Negro (2016), mas com algumas novidades.

 

– Pretendo mostrar canções que vão entrar no meu próximo disco, que ainda não tem data para ser lançado, mas que pode acontecer ainda este ano – revela Amaro.

Com uma técnica apurada e improvisos com toques regionais, Amaro (de apenas 26 anos) considera a apresentação na Região dos Lagos uma experiência diferente.

– Normalmente toco mais em pubs e teatros. Grandes festivais como o de Rio das Ostras permitem estar em contato direto com a massa. É um desafio, assim como é um desafio viver somente de música no Brasil – conta o músico.

Amaro se apresenta no palco principal no dia 1 de junho.

 

Confira a programação completa da 15ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia.

 

 

Rosa Marya Colin – 19 de maio de 2018 – Festival Tudo Blues – Teatro da UFF (Niterói)

Música boa é atemporal! Dito isso, qualquer coisa que seja dita sobre a voz e o repertório da apresentação da cantora Rosa Marya Colin, na sexta-feira (18 de maio) no Teatro da UFF, como parte do Festival Tudo Blues, pode parecer supérfluo, mas não é. Acompanhada de uma banda de primeira – Flavinho Santos (bateria), Samir Aranha (contrabaixo) e Eduardo Ponti (guitarra) – e com a participação mais que especial do mestre da gaita, Jefferson Gonçalves.

O repertório foi um luxo, com clássicos do rock, soul e rithym and blues, como Precious Lord, St Louis Blues, Summertime, Sunshine of Your Love, The Weight e, claro, California Dreamin’, fizeram parte da apresentação. Com arranjos elegantemente certeiros e usando a gaita de Jefferson Gonçalves de maneira inteligente, não servindo apenas como instrumento de solo, a cantora fez uma apresentação empolgante.

Rosa Maria, cuja carreira iniciou nos anos 60, mas que estourou mesmo em 1998, com a gravação de California Dreamin’ para um comercial de TV, está em plena forma. Sua voz afinadíssima e potente, e sua imagem (quase uma Nina Simone) nos transportam para uma Lousiana imaginária, que se mistura com uma Londres psicodélica e alguma igreja do Harlen.

Quem perdeu o show (veja o vídeo completo abaixo) ainda pode se programar para ir até Rio das Ostras, onde a cantora se apresenta no dia 2 de junho (de graça), na 15ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

O Festival Tudo Blues segue até o dia 27 de maio, no Teatro da UFF, com shows de El84 Rock’n’ Blues Band (24), Ticão Freitas (25), Blues Etílicos (26) e The Al Pratt Blues Session (27).

 

Bebedouro – Zé Renato – Um disco cheio de elegância e suingue

Zé Renato, um dos artistas mais produtivos da nossa música e dono de uma das mais belas vozes do país, lançou, no início do ano, o seu 14º disco solo, Bebedouro. O disco autoral, que ganhou um show de lançamento no Rio de Janeiro apenas agora em abril, é uma pérola de elegância nos arranjos, belas melodias e uma pitada caprichada de suingue.

O disco

Seguindo por alguns caminhos conhecidos, com melodias intrincadas e riffs de violão que remetem a composições de seus discos anteriores, mas também trilhando por sonoridades não tão comuns em suas composições, Zé Renato mostra que é possível produzir muito e manter um altíssimo padrão de qualidade. Com parcerias que vão desde nomes habituais no universo do compositor (Joyce) e ótimas aquisições (Moacyr Luz e João Cavalcanti), Bebedouro leva o ouvinte para uma viagem onde o samba, a MBP, o jazz, o sambalanço e até o rock progressivo se incorporam de maneira harmoniosa.

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro), que abre o álbum, dá um toque rural a uma composição que, em conjunto com os vocais do grupo Subversos, deixa claro que Zé Renato não afrouxou na escolha do repertório, escolha dos (ótimos) músicos que o acompanham, na produção e nos arranjos. Sacopenapan (parceria com Joyce) vem uma homenagem ao tão maltratado Rio de Janeiro, cidade que os dois compositores escolheram para viver. Destaque para o belíssimo trabalho de Cristóvão Bastos, ao piano.

Sacopenapan
Lagoa, montanha e mar, brilhando pela manhã
Feito coração, areias e manguezais, miragem na escuridão

Sacopenapan
A água que me banhou, banhou meu amor também
Luz que iluminou o todo me criou, a gente que eu quero bem

Quando eu era criança eu só queria te viver
A vida foi me levando pelo mundo
E o mundo eu fui percorrer

Voltei pra Sacopenapan
Aldeia de onde eu vim, caminho do meu lugar
Meu quintal sem fim, que nasce em Copacabana e acaba no Humaitá

Mas não é só de Rio de Janeiro que Zé Renato bebe nas suas composições. A samba/bossa nova Vamos Curtir o Amor, uma belíssima parceria com Moraes Moreira, que dá uma canja recitando parte da letra, é um dos pontos altos do repertório. Detalhe que, segundo o cantor, essa foi uma das parcerias mais rápidas da sua vida, resultante do encontro em um aeroporto. Dentro do avião, antes da decolagem, o músico baiano avisou: “Acabei de te mandar uma letra” e a canção ficou pronta naquele mesmo dia.

O amor é sim, explosivo
Diferente da amizade
Inunda se for preciso, é feito um rio que invade
Afoga tudo que é queixa, quando se esvai ele deixa
A sombra de uma saudade

O amor é irresponsável
É o veneno da serpente
Tira onda de saudável e deixa a gente doente
O amor eu sempre aposto
O amor é assim exigente e é assim que eu gosto

O amor é irresistível e não tem dia nem hora
O amor é quase impossível e gosta do aqui e agora
No amor eu me amarro
O amor é o combustível que eu preciso pro meu carro
De que matéria foi feito a ciência ainda não sabe
Vamos curtir o amor antes que ele se acabe

Seguindo as parcerias e participações, Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti), canção com o clima característico da família Caymmi com as cantigas de outras épocas, ganha o timbre grave de Dori Caymmi dividindo o registro com a clareza aguda do cantor do Boca Livre.

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam) traz um clima mais calmo, num samba a moda antiga, que faz muita falta nas rádios e paradas de hoje. É daquelas que ligam a chave do túnel do tempo, para épocas bem mais criativas que a atual.

Com, segundo o autor, influências de Joni Mitchell e o Edu Lobo, Noite – outra parceria com Joyce – se estrutura baseada em outro marcante riff de violão e no poderoso som dos sopros. Um dos pontos mais altos do disco.

Náufrago (Zé Renato e Nei Lopes) transporta o ouvinte os mares calmos e cheios de melancolia de Cabo Verde, numa bela homenagem à cantora Cesária Évora (1941-2011), que Zé ouviu em um bar de jazz em Nova York e se tornou um fã de imediato.

Se Bebedouro mantém um alto padrão de qualidade nas composições que podem ser consideradas dentro do universo comum de Zé Renato, as duas últimas canções do disco – aliás, se há um defeito gritante no álbum é a sua curta duração: parcos 37 minutos e apenas 9 canções – levam o álbum para um outro nível e deixam um gosto (meio amargo) de quero mais. Agogô (parceria com Moacyr Luz) e Pedra do Mar (outra parceira com Paulo César Pinheiro). São nessas composições que Zé Renato injeta um suingue que nem sempre encontrados em sua obra.

O destaque é mesmo Agogô – totalmente inspirada no sungue da Banda Black Rio -, um dos sambas mais inspirados dessa década, comprovando o ótimo momento tanto de Zé quanto do sambista-trabalhador Moacyr Luz, é daquelas canções que têm tudo para entrar no rol dos clássicos do cancioneiro do autor de Toada.

Dá licença, faz favor que eu vou ficar em Madureira
Agogô
Eu sou cria de Silas de Oliveira

Jacaré, Jardim de Alá
Um Deus dará, num dá bobeira
Agogô
Carnaval num termina na quarta-feira

Berimbau me confirmou, o bicho pegou
É maré cheia
Agogô
Arrastão vem descendo na ladeira

Zazueira de Benjor
A moçada sambando a noite inteira
Agogô
Eu sou dessa aquarela brasileira

Esse samba vai pra você e pra quem quiser curtir
Esse samba quer alegria, ver você sorrir
Esse samba tem liberdade, é o que me importa
Banda Black Rio, o suingue carioca

Se havia alguma dúvida de que ser produtivo não impede que um artista mantenha um alto padrão de qualidade, Zé Renato desmonta a teoria com o ótimo Bebedouro. “De vez em quando, preciso mostrar que também sei fazer umas musiquinhas”, diz em tom de brincadeira.

Zé, musiquinhas?

Cotação – Excelente (4 estrelas)

 

Bebedouro – o show

O palco do Teatro Riachuelo, onde tempos atrás funcionava o cinema Palácio, no Passeio Público, foi o local escolhido para o lançamento carioca do disco Bebedouro (em 3/4). O local, com toda a imponência dos antigos cinemas de rua, é lindo, embora não tenha na acústica a sua melhor qualidade. O que poderia ser um problema passou praticamente despercebido pela qualidade do repertório e da banda que acompanhou Zé Renato nesse lançamento – Cristóvão Bastos (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Jamil Joanes (baixo), Kiko Freitas (bateria) e os irmãos Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete).

O repertório, que além das canções de Bebedouro, incluiu Zé Kétti, Egberto Gismonti e Edu Lobo, entre outros, se mostrou bem amarrado e deu mais força ainda as composições do novo trabalho. Desde os primeiros acordes de Agogô – que também fechou o show antes do bis – ficou a certeza de que Zé Renato fez escolhas baseadas na qualidade e com o intuito de deixar a plateia embevecida. Os arranjos que já soavam ótimos nas versões de estúdio, ganharam um tom de big band ainda mais nítido, mesmo nos momentos mais intimistas.

Fora do repertório do disco, Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa) e Toada (Na direção do dia), se destacaram. O sucesso do Boca Livre, aqui em versão violão e trompete, soou nova e fresca, e ainda se transformou em uma singela homenagem a vereadora Marielle Franco, que por um dia foi a morena da canção.

A luxuosa participação de João Cavalcanti – filho de Lenine e ex-Casuarina – foi cirúrgica, dando um balanço extra a Samba e Nada Mais e a A Voz do Morro (outra de Zé Kétti). Até mesmo o momento instrumental reservado para a banda (Amphibious, de Moacir Santos), que poderia soar deslocado, se inseriu perfeitamente no universo de referências musicais criado por Zé Renato.

Infelizmente não há nada planejado para esse show – provavelmente os 40 anos do Boca Livre devem ser o foco dos próximos meses, com (tomara) a reedição dos primeiros discos do grupo e o lançamento de um novo álbum – que merecia ter uma vida longa pelos palcos do Brasil e não apenas poucas apresentações. Os amantes da boa música que tiverem a oportunidade de comparecer a uma das próximas (será?) apresentações, não devem perder a chance de, por pouco mais de 90 minutos, assistirem a uma partida onde todas as jogadas são de craque.

Repertório

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

Sacopenapan (Zé Renato e Joyce Moreno)

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno)

Ano Zero (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro)

Repente (Edu Lobo e José Carlos Capinam)

Uma Vez, Um Caso (Edu Lobo e Cacaso)

Carinhosa (Zé Renato e Otto)

Vamos Curtir o Amor (Zé Renato e Moraes Moreira)

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam)

Diz Que Fui Por Aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha)

Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Mulato (João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa e Cacaso)

Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho)

O Amor em Paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Tua Cantiga (Cristovão Bastos e Chico Buarque)

Amphibious (Moacir Santos) – instrumental

Navegantes (Zé Renato e Nei Lopes)

Ânima (Zé Renato e Milton Nascimento)

Pedra de Mar (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

A Voz do Morro (Zé Kétti) – com João Cavalcanti

Bis:

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno) – com João Cavalcanti

Fotos: Jo Nunes e Marcelo Castello Branco
Vídeos do show Bebedouro em São Paulo (22 de janeiro de 2018) por Fatuca Ferreira

Steve Hackett – Vivo Rio – 23-03-2018 – O lado progressivo do Genesis

A música do Genesis parece mesmo estar em conjunção com o Brasil. Depois da visita e do lançamento da biografia de Phil Collins, que apresentou alguns dos sucessos da fase pop do grupo, outro ex-integrante da banda se apresentou no Rio: o guitarrista Steve Hackett (que esteve no Genesis até 1977) é um dos pilares que fez do grupo um dos ícones do rock progressivo dos anos 70. O show de Hackett, que faz parte do Top Cat Concert Series, projeto iniciado ano passado, que trouxe Renaissance e 10.000 Maniacs ao Brasil e que ainda vai proporcionar aos cariocas shows de Carl Palmer (25 de maio) e do grupo Pemiata Forneria Marconi (21 de abril), sempre no Vivo Rio – também haverá apresentações dos artistas em Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

Começando pontualmente – com meros dez minutos de atraso – Hackett, simpático e até arriscando algumas palavras e frases em português, deu a maioria do público que praticamente lotou o Vivo Rio o que ele queria: música de qualidade, um show de técnica e uma chance de voltar para um tempo onde a música era bem mais complexa, em uma apresentação de mais de 2h30.

Seguindo à risca o roteiro do show anterior (em São Paulo), Hackett e banda – competentíssima – Roger King (teclados), Gary O’Toole (Bateria e percussão), Rob Townsend (saxofones e flautas), Jonas Reingold (baixo e violão de 12 cordas) e Nad Sylvan (vocais – emulando muito bem os timbres de Peter Gabriel) passaram por todas as fases da carreira do guitarrista, deixando, como não poderia de ser, suas canções da fase do Genesis para o final de tirar o fôlego de todos os que gostam de rock progressivo.

Depois de assistir, em menos de seis meses, dois ícones do progressivo – Yes (com Rick Wakeman) e, agora, Hackett) – fica claro que sempre vai haver espaço para música de boa qualidade. Pode ser que não se vendam mais milhares de discos, está claro que canções de 12 minutos não tocavam e continuarão a não tocar nas rádios, mas ouvir arranjos intrincados e cuidadosamente pensados, dá outro sentido ao prazer de ouvir música.

Com um domínio absurdo da guitarra e de seus recursos, Steve Hackett pode até não passar a emoção alcançada por alguns guitarristas de blues, por exemplo, mas retira do instrumento sons limpos e que fazem a viagem musical chegar longe.

Hoje (24 de março) Hackett se apresenta no Teatro Municipal de Niterói, um dos lugares mais bonitos do Rio (e do Brasil) para espetáculos. Imagino que o clima mais aconchegante do teatro pode criar uma atmosfera muito mais propícia para a sua música que o Vivo Rio que, apesar de ser uma ótima casa, sofre com a má educação do público.

No show de ontem, foi inacreditável a quantidade de gente que levantou no meio do show. Dava a impressão de que estavam bebendo cerveja demais ou estavam de saco cheio achando que veriam canções da fase pop do Genesis ou então que a comida servida estava estragada e as idas ao banheiro eram inevitáveis.

De qualquer forma, é muito bom ver que o rock (não importa a vertente) ainda é capaz de levar, apesar dos preços, um ótimo público aos palcos do Rio, ajudando a livrar a cidade da ditadura do samba e da bossa nova.

PS: Agora resta esperar o fim da turnê de Collins e a decisão dos membros do Genesis sobre uma turnê em comemoração aos 50 anos da banda.

Setlist

Please Don’t Touch
Every Day
Behind the Smoke
El Niño
In the Skeleton Gallery
When the Heart Rules the Mind
Icarus Ascending
Shadow of the Hierophant
Dancing With the Moonlit Knight (Genesis song)
One for the Vine (Genesis song)
Inside and Out (Genesis song)
The Fountain of Salmacis (Genesis song)
Firth of Fifth (Genesis song)
The Musical Box (Genesis song)
Supper’s Ready (Genesis song)

Bis:
Los Endos (Genesis song)

PS”: Há um código para a compra de ingressos com desconto (ROCKPROGRESSIVO). Aproveitem.

Fotos: Fernando de Oliveira
Vídeo: Jo Nunes

Agenda de Shows internacionais no Rio de Janeiro em 2018

Phil Collins – Maracanã – 22/2/2018

Classic Quadrophenia Live – NY, 10/09/17

O dia 10 de setembro de 2017 vai ficar marcado para sempre na minha vida (pessoal e profissional). Neste dia, Jo Nunes me proporcionou a oportunidade de ir até o Metropolitan Opera House de Nova York para assistir ao último dos artistas que faziam parte da minha lista obrigatória para ver antes de morrer: Pete Townshend. Era o último que faltava antes de (se quiser) me aposentar da vida de concertos musicais.

Já tendo assistido gente como Les Paul (o inventor da guitarra), Eric Clapton (uma meia dúzia de vezes), Elton John (outra meia dúzia de vezes), Paul McCartney (umas duas dezenas de vezes), Steve Winwood, Brian Wilson, Police, Roger Waters, Sting, Rolling Stones, John Mayall, Supertramp, Tears for Fears, Oasis, Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Albert King, Dr. John, B. B. King, Robert Cray, Buddy Guy, Johnny Rivers, Johnny Winter, Bajofondo, Gothan Project, Roger Hodgson, Ron Carter, T.M. Stevens, Coco Montoya, Jethro Tull, Van Halen, Ringo Starr, Micky Dolenz, Bruce Springsteen, Yes, Chuck Berry, Al Jarreou, Madonna, U2, Dione Warwick, Rod Stewart, Cindy Lauper, Pearl Jam, Kiss, Jeff Healey, Al Di Meola, José Feliciano, Iron Maiden, Scorpions, Steve Wonder, Air Suply e, sem modéstia, muitos outros, ficava faltando apenas Pete Townshend para completar a minha lista antes da aposentadoria. E falo de Pete e não necessariamente do The Who.

Admito que tinha poucas esperanças em conseguir estar na plateia de um show do guitarrista até que o empresário da banda deu uma entrevista para uma das rádios da BBC (em meados de 2017) informando que a banda iria tocar na América do Sul. Isso, em conjunto com o anúncio de Townshend que iria se afastar por um ano de qualquer atividade musical, deixou o comparecimento a um show do Who obrigatório. Porém, antes disso, uma viagem para Nova York – essa história ainda vai ser contada em uma série de posts – iria proporcionar uma experiência única: assistir Pete Townshend participando da versão sinfônica do disco/ópera rock, com direito as participações de Billy Idol, Alfie Boe, uma orquestra de 90 músicos, um coro de 40 vozes, além de uma banda de rock. O presente, proporcionado pela minha noiva Jo Nunes nunca vai sair da minha memória, mesmo que não tenha conseguido ver boa parte do espetáculo por conta da enorme e absurda quantidade de lágrimas derramadas (ainda bem que tudo foi filmado e gravado).

A expectativa

Quem ouviu a versão de estúdio do Classic Quadrophenia não teria grandes expectativas sobre o show. As canções são ótimas, mas perderam muito da sua força. Já o vídeo da apresentação no Royal Albert Hall é bem melhor, mas não faz jus ao que foi apresentado ao vivo em NY e, provavelmente no próprio RAH.

O show

Só entrar no Metropolitan Opera House – onde um mineiro nos atendeu na lojinha da casa de espetáculos – já foi uma emoção. Localizada no Lincoln Center, um dos locais de visita obrigatória em NY – onde existem escolas de teatro, dança, galeria de arte, etc – a casa estava tomada por um público bastante diferente dos de óperas. Eram pessoas com camisas do Who ou outras bandas e até algumas vestidas com ternos ou casacos elegantes, mas a maioria era mesmo de rockers.

O lugar é lindo e a acústica já podia ser conferida apenas pelo som das conversas da plateia e no momento da afinação dos instrumentos da orquestra. Dividido em dois atos, o show, que não deve ser mais apresentado, teve os arranjos criados por Rachel Fuller (atual mulher de Townshend). Pete, nesses shows em NY, participou como o pai, o avô e ainda tocou violão em canções como Drowned e I’m One. Alfie Boe, que cantou a maioria das músicas, fez um trabalho brilhante e em que nada lembrava Roger Daltrey (deixo claro que isso é um grande elogio), trazendo uma identidade própria para suas interpretações. Billy Idol (velho amigo de Townshend) também esteve ótimo, parecendo se divertir muito e sabendo de cor todas as letras (inclusive as partes de Boe e Townshend).

Ouvir uma orquestra de 90 peças e um coral de 40 vozes sempre vai ser uma experiência mágica. Ainda mais quando todos os participantes parecem estar se divertindo. Como já disse, não tive como ver muita coisa da primeira parte do show (apenas ouvi), mas a segunda parte (quando estava mais recomposto) mostrou que o ingresso (muito mais barato que assistir a gravação do DVD de um artista brasileiro) foi um dinheiro muito bem investido.

Os pontos altos? 5:15, Love, Reign O’er Me, The Real Me e todas as participações de Townshend.

Voltei par o hotel com os olhos inchados e a alma leve.

Obrigado, Jo. Nunca poderei retribuir o bastante.

PS: Quem puder deve assistir ao DVD.

 

Concert for George é relançado

No dia 25 de fevereiro se comemora o aniversário de George Harrison, que completaria 75 anos em 2018. Foram muitas as lembranças e homenagens ao músico em publicações e nas redes sociais e, para marcar a data, foi relançado o que pode ser considerado um dos melhores concertos-tributo de todos os tempos: Concert for George.

Poderia perder um tempo explicando quem foi George Harrison, mas se alguém nunca ouviu falar dos Beatles ou escutou canções como Here Comes the Sun, My Sweet Lord, Something, Love Comes to Everyone ou Taxman, melhor se atualizar ou parar de ler por aqui.

O show – organizado pela viúva e pelo filho do ex-beatle (Olivia e Dhani) e tendo como diretor musical o amigo Eric Clapton– teve por objetivo celebrar a obra de Harrison, um ano após a sua morte. Realizado no Royal Albert Hall, em Londres, em novembro de 2002, Concert for George reuniu um elenco estrelar de amigos de George que incluía gente do calibre de Ray Cooper, Tom Petty, Billy Preston, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Jeff Lynne, Klaus Voormann, os ex-beatles Ringo Starr e Paul McCartney, além de Eric Clapton e da banda que acompanhou Harrison em sua turnê pelo Japão em 1991, entre muitos outros, como os membros do Monty Phyton.

Lançado originalmente em 2002, Concert for George ganhou novas edições – inclusive em vinil – remasterizadas e ampliadas. Por que ver e ouvir Concert for George? Porque a celebração musical ultrapassa o conceito de homenagem e dos shows-reunião onde cada artista chega, canta sua canção e se vai, sem ensaio ou coerência. Eric Clapton fez três semanas de ensaio (o que causou até alguns atritos com outros astros) e produziu um setlist muito bem amarrado e tocado por gente que realmente conviveu e amou Harrison, o que proporcionou momentos verdadeiramente emocionantes, como Something (que foi a estréia da versão que Paul McCartney toca até hoje em seus shows) e Joe Brown fechando o show com I’ll See You in My Dreams (uma canção que não foi escrita por Harrison, mas que deixa lagrima nos olhos).

HGorge era considerado por todos os amigos uma pessoa cheia de humor, apesar de ter um lado ranzinza, principalmente em relação ao grupo que o catapultou para a fama e suas canções refletiam isso, indo da melancolia extrema ao escracho. Foi o beatle que fez mais sucesso nos primeiros anos após a separação do grupo e, apesar de uma certa preguiça na produção de álbuns, deixou um legado que vai durar por muitos anos.
Concert for George já está sendo vendido lá fora e pode ser encontrado nas Amazons da vida.

Arrependimento

Dizem que não devemos nos arrepender de nossas ações. MENTIRA! No início de 2002 – ainda sob o impacto do 11 de setembro – fiz uma viagem para a Inglaterra e os Estados Unidos. Com a impressão de que o mundo poderia acabar ou entrar em uma guerra, gastei e conheci razoavelmente bem cidades emblemáticas como Londres, Liverpool e Nova York.

De volta ao Brasil, ao trabalho e à realidade, fiquei sabendo do concerto, que poderia me fazer concretizar alguns sonhos (assistir um show no Royal Albert Hall, ver Paul McCartney novamente, ver Ringo Starr pela primeira vez e ouvir canções que dificilmente seriam tocadas novamente). Bem, no dia da venda de ingressos eu consegui chegar até a última tela de compra e, no último segundo, decidi não finalizar o processo (BURRO!). Pesou o fato de ainda estar pagando a viagem do início do ano e de ser difícil explicar para o então-imbecil-chefe que iria viajar de novo.

É, me arrependo muito dessa decisão.

As canções da edição em CD:

Disco 1

1. “Sarve Shaam” (traditional)
2. “Your Eyes (Sitar Solo)” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar
3. “The Inner Light” Jeff Lynne, Dhani Harrison and Anoushka Shankar4. “Arpan” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar

Disco 2

1. “I Want to Tell You” Jeff Lynne
2. “If I Needed Someone” Eric Clapton
3. “Old Brown Shoe” Gary Brooker
4. “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)” Jeff Lynne
5. “Beware of Darkness” Eric Clapton
6. “Here Comes the Sun” Joe Brown
7. “That’s the Way It Goes” Joe Brown
8. “Taxman” Tom Petty and the Heartbreakers
9. “I Need You” Tom Petty and the Heartbreakers
10. “Handle With Care” Tom Petty and the Heartbreakers with Jeff Lynne and Dhani Harrison
11. “Isn’t It a Pity” Billy Preston & Eric Clapton
12. “Photograph” Ringo Starr
13. “Honey Don’t” Ringo Starr
14. “For You Blue” Paul McCartney

As versões originais

 

As versões do show

Phil Collins – Maracanã – 22/2/2018 (by Débora Thomé)

“I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I’ve been waiting for this moment for all my life, oh Lord
Can you feel it coming in the air tonight, oh Lord, oh Lord”

Dia 22 de fevereiro de 2018, guardem essa data: foi o dia em que o hitmaker Phil Collins atingiu 40 mil pessoas em cheio, de uma só vez, sem nem levantar da cadeira. Mas poderia ter sido mais, digamos assim, destruidor, caso o popstar britânico tivesse consultado minha página no Facebook — como “fizeram”, bem recentemente, os compatriotas do The Who.

(Explico. Sofro de alta-ansiedade-pré-mega-shows. O gatilho é a compra do ingresso; pesquiso setlists, assisto a shows, documentários e entrevistas antigos no YouTube, pesquiso a vida do artista/banda no Google, compro biografias. Mergulho de cabeça quando me interessa. Os mais recentes “music divings” desse tipo foram Rod Stewart, The Who e Phil Collins. Consulta às minhas sugestões de setlist não passa de uma brincadeira, que virou uma enorme coincidência no caso do The Who.

E apesar de ter sido tudo lindo, maravilhoso, tio Phil meteu um pequeno engodo em geral. Não mentiu quando disse que a voz está em dia, apesar das limitações físicas. Nem um pouco; está tinindo mesmo o gogó. Mas não cumpriu o prometido, que era trazer um show maior para o público brasileiro, que aguarda esse encontro desde 1980.

O safadjenho cortou a “parada técnica” — a turnê realizada em 2017 teve shows divididos em dois sets, com um video engraçadíneo de autozoação no intervalo — e limou uma música de cada set. Ou seja. Em vez de marcar um gol de placa em pleno Maracanã, resolveu fazer “o técnico maluco do Framengo*” e mexeu errado.

Só que ele acusou o golpe, que eu vi. Tomou um susto quando, mesmo sem querer, já garrou a gente pelos cabelos nos primeiros acordes da balada arrasa-quarteirão Against all odds. Dali do meio-campo, quer dizer, da pista, eu olhava aqueles celularzinhos todos acesos, balançando no anel do Maraca naquele efeito maravilhosamente brega e pensava “nossa, esse cara fez essa música por absoluta encomenda, como pode?”.

Moro em frente ao estádio. Fui brindada com dois shows, porque rolou ensaio (aquilo não foi passagem de som, não) na quarta à noite, e anotei o setlist para preparar meu coraçãozinho. Segunda música, outro sucesso balada; estava batendo com o ensaio, eu feliz e esperançosa. Na terceira veio o drible pro lado errado. CADÊ One more night, cacete? Quase ouvi o Galvão gritar PRA FOOOOOOOOOOOOORAAAAAAAAAAAAA no sistema de som da Suderj que mora dentro da minha cabeça.

Mas ok, emendou I missed again e tinha muito jogo pela frente. Mas aí ele me mete as desnecessárias Hang in long enough e Wake up call em sequência, e o time perdeu um pouco o ritmo.

Sério. Consegui até avançar mais no meio do público, que abriu um clarão nessa hora. Só que talento é talento, né. Para não deixar escapar o controle sobre a turba, que pulou no colo do cara nas primeiras músicas, ele me manda um clássico do Genesis.

Juro pra vocês: houve um momento, durante a execução de Throwing it all away, em que vi Phil Collins abrir um sorrisão enquanto a torcida (ops!) a plateia cantava o refrão a plenos pulmões, aquele monte de mãozinha batendo palmas pra cima. Show de bola. E foi só alegria dali até o fim, apesar de eu ter considerado desnecessário Dance into the light na sequência final dançante.

Se ele presta atenção em mim tinha incluído dois petardos ali naquela meiuca, para lavar a alma e correr pro abraço! Enfim, como ele mesmo canta, “it’s just another day for you and me in paradise“. Para quem vai assistir aos shows em São Paulo (dias 24 e 25) ou Porto Alegre (dia 27), desejo apenas que ele leia este post e faça os devidos (e pequenos, vamos combinar) ajustes!

COMO ENSAIOU

– Against all odds
– Another day in paradise
One more night
– Wake up call
– Follow you, follow me
Can’t turn back the years
– I missed again
– Hang in long enough
– Separate lives
I don’t care anymore
– Something happened on the way to heaven
You know what I mean
– In the air tonight
– You can’t hurry love
– Dance into the light
Don’t lose my number
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

COMO FOI

– Against all odds
– Another day in paradise
– I missed again
Hang in long enough
Wake up call
– Throwing it all away
– Follow you, follow me
– Only you know and I know
– Separate lives
– Something happened on the way to heaven
– In the air tonight
– You can’t hurry love
Dance into the light
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

O QUE EU SONHAVA PRESENCIAR

– Against all odds
– Another day in paradise
– One more night
– Tonight, tonight, tonight
– Follow you, follow me
– Land of confusion
– I missed again
– I wish it would rain down
– A groovy kind of love
– I don’t care anymore
– Something happened on the way to heaven
– You know what I mean
– In the air tonight
– You can’t hurry love
– I cannot believe it’s true
– Don’t lose my number
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

* Mudança feita pelo editor do site, que é limpinho.

Sobre a autora: Débora Thomé é jornalista talentosa, escocesa por opção e amiga por toda  vida. Como não pude ir ao show, escalei essa  enviada mais que especial.

Fotos: Marcos Serra Lima

Fotos da galeria: Marcos Hermes

Agenda de shows internacionais no Rio de Janeiro em 2018

Atualizado em 20/6Cypress Hill

Seguindo a tradição do blog, segue uma lista com os shows já confirmados na cidade. Caso tenha algum acréscimo, deixe um comentário ou envie um e-mail para blogdoferoli@gmail.com


Janeiro

24 Mayer Hawthorne (Blue Note)

25 Phoenix (Circo Voador)


Fevereiro

1 Ibeyi (Circo Voador)

Jack Broadbent (Blue Note)

10 Jack Broadbent (Blue Note)

22 Phil Collins (Maracanã)

22 Pretenders (Maracanã) *Abrindo para Phil Collins

25 Foo Fighters (Maracanã)

25 Queens of the Stone (Maracanã) *Abrindo para Foo Fighters

 

Março

10 John Pizzarelli (Othon Palace Hotel)

11 Epica (Circo Voador)

13 Michael Bolton (Vivo Rio)

16 Air Suply (Vivo Rio)

18 Kate Perry (Parque Olímpico)

20 Zarah Larsson e Oh Wonder (Circo Voador)

21 Pearl Jam (Maracanã)

22 The National e Spoon (Circo Voador)

22 Imagine Dragons (KM de Vantagens Hall)

23 Wiz Khalifa + Mac Miller (KM de Vantagens Hall)

23 Steve Hackett (Vivo Rio)

28 David Bryne (KM de Vantagens Hall)

 

Abril

12 Jorge Drexler (Theatro Municipal)

20 Radiohead (Parque Olímpico) – Parte do Soundhearts Festival

20 Flying Lotus (Parque Olímpico) – Parte do Soundhearts Festival

20 Junun e Aldo The Band (Parque Olímpico) – Parte do Soundhearts Festival

20 Ozzy Osbourne (Apoteose)

21 Premiata Forneria Marconi (Vivo Rio)

29 Glenn Hughes (Circo Voador)

30 Alexandra Jackson (Teatro Rival)

 

Maio

10 Jason Derulo (KM de Vantagens Hall)

10 Thundercat (Circo Voador)

10 Orquestra Buena Vista Social Club (Vivo Rio)

12 Erasure (Vivo Rio)

14 The Kooks (Vivo Rio)

18 Kasabian (KM de Vantagens Hall)

18 The Congos e The Slackers

19 Rita Pavone (Vivo Rio)

25 Carl Palmer (Vivo Rio)

27 Harry Styles (Jeunesse Arena)

30 Simple Plan (Circo Voador)

 

Junho

The Manhattans (Vivo Rio)

7 Halsey (Vivo Rio)

23 Call the Police (Vivo Rio)

 

Julho

25 Flow (Tijuca Tênis Club)

 

 Outubro

Vance Joy (Circo Voador)

11 Cypress Hill (Hub RJ)

24 Roger Waters (Maracanã)

Novembro

Loreena McKennitt (KM de Vantagens Hall)

14 MGMT (Circo  Voador)

 

Queen + Adam Lambert – Rock in Rio 18/8/2015

Uma crítica nada correta

img-1033734-rock-rio-2015-queenProvavelmente a apresentação do Queen com o vocalista(?) Adam Lambert, no encerramento da primeira noite da edição 2015 do festival, será comentada por muito tempo. Alguns (poucos) gostaram e (muitos) outros detestaram. A biba saída do The Voice/American Idol foi vendida como o cantor escolhido para substituir Freddie Mercury. MENTIRA! Brian May e Roger Taylor já haviam recrutado cantores muito melhores para interpretar as músicas gravadas com o Queen. Fico impressionado como ninguém citou a passagem da banda pelo Brasil em 2008 com o excelente Paul Rodgers mandando ver nos vocais.

queen3A diferença da apresentação de 2015 para a de 2008 é que enquanto Rodgers é um dos melhores vocalistas do rock, com uma carreira consolidada e sem a necessidade de aparecer, o tal Lambert parecia querer aparecer demais, com uma série de clichês vocais e trejeitos que misturavam Prince, George Michael, Michael Jackson e alguns sertanejos universitários, sem conseguir chegar perto de nenhum deles. A afetaçãoque fez o Freddie parecer um Jece Valadão – teve o seu ápice em Killer Queen.

Extremamente constrangedor.

1543700_queenadam_lambert_94_gOs melhores momentos do show ficaram por conta dos ex-integrantes e das aparições no telão do falecido vocalista. A decisão de colocar May para cantar Love of My Life foi felicíssima, já que impediu i assassinato de uma das canções símbolo do festival. Ok, na parte final, com canções mais grandiosas, Biba Lambert se saiu melhor, mas isso teria que acontecer em algum momento mesmo.

Nem vou escrever muito mais porque prefiro esquecer o que aconteceu no palco da Cidade do Rock. Quem puder procure ver os vídeos dos shows de 2008 antes de comentar que estou sendo imbecil.

Fotos: Ag.News

She’s a Mystery to Me

Bela versão do U2 para a canção que Bono e The Edge entregaram para Roy Orbison gravar.

 

2789_2[1]Darkness falls and she will take me by the hand
Take me to some twilight land
Where all but love is grey
Where I can’t find my way
Without her as my guide

Night falls I’m cast beneath her spell
Daylight comes our heaven’s turns to hell
Am I left to burn
and burn eternally

She’s a mystery to me
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl

In the night of love words tangled in her hair
Words soon to disappear
A love so sharp it cut like switchblade to my heart
words tearing me apart
She tears again my bleeding heart
I want to run she’s pulling me apart
Fallen angel cries
And I just melt away
She’s a mystery to me
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl

hqdefault[1]Haunted by her side it’s the darkness in her eyes
That so enslaves me
But if my love is blind then I don’t want to see
She’s a mystery to me

Night falls I’m cast beneath her spell
Daylight comes our heaven’s turns to hell
Am I left to burn
and burn eternally

She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl
She’s a Mystery Girl

Link: http://www.vagalume.com.br/roy-orbison/shes-a-mystery-to-me.html#ixzz3XIuEoRY3

Foo Fighters – Maracanã – 25/01/15

Foo in Rio IIA primeira catarse musical do templo do futebol

O Foo Fighters é daquelas bandas adoradas por muitos, mas que geralmente não reúne um público grande o suficiente para lotar um estádio. Bem, isso lá nos Estados Unidos e na Europa, porque na América Latina o grupo vive um sonho embalado por multidões que cantam do primeiro ao último minuto de suas apresentações.

Depois de terem passado por Chile e Argentina, Porto Alegre e São Paulo, Dave Grohl & Cia desembarcaram no (novo) Maracanã para, segundo palavras do próprio, o maior show de suas carreiras.

Foo in Rio IIINão foi a primeira passagem pela Cidade Maravilhosa, mas, provavelmente, será daquelas que ninguém que esteve no estádio vai esquecer. Até o calor senegalês que insiste em atingir a cidade deu uma trégua, ajudando na animação do público que (quase) lotou o Maraca (45 mil pessoas).

Foram 2h30 de porrada, com breves intervalos mais melódicos. Rock com muitas guitarras, atitudes, Mother Fuckers e animação. A apresentação do Foo Fighters lembra um pouco as do O Rappa – muita música, força e nada de bis – o que deixa a plateia ligada em 220v o tempo todo.

Foo in Rio IO repertório não mudou muito em relação ao apresentado nos concertos anteriores dessa turnê sul-americana (com e sem hífen), mas a energia foi maior, sem dúvida.

Ficou longe dos 184 mil colocados por Sir Paul McCartney no (velho) Maracanã, em 1990, mas Dave – camarada de Macca – vai poder contar a ele que também fez seu show inesquecível no Rio de Janeiro.

Goste deles ou não, não dá para ignorá-los.


O repertório
:

Something From Nothing

The Pretender

Learn to Fly

Breakout

Arlandria

Generator

My Hero

Congregation

Walk

Cold Day in the Sun

In the Clear

I’ll Stick Around

Monkey Wrench

Skin and Bones

Wheels

Times Like These

Detroit Rock City

Miss You

Tie Your Mother Down

Under Pressure

All My Life

These Days

Rope

Outside

Best of You

Everlong

Boca Livre – Teatro Rival – 23/01/15

Boca Livre Jo 2015 IIIO (meu) debut musical de 2015 não poderia ter sido melhor: boa música, belas melodias, ótimas vozes e excelentes companhias.

Um show do Boca Livre é sempre garantia de qualidade, mesmo quando algum dos seus componentes não pareça estar num de seus melhores dias. Afinal, qualquer um deles derrapando é melhor do que a grande maioria dos cantores em seus melhores dias.

O repertório seguiu a linha campeã de mesclar canções do último disco com clássicos do grupo e algumas favoritas de palco. Assim, canções como Amigos, First Circle, Toada, Quem Tem a Viola, Mistérios e I Need You (aquela dos Beatles), seguem em um roteiro bem amarrado.

Boca Livre feroli 2015O Rival – quase a casa do Boca – tem a atmosfera perfeita para esse tipo de show. Lá é possível encontrar uma pateia que sabe quando deve cantar e quando deve fazer silêncio e desfrutar dos belos sons que vêm do palco. Nada de gente gritando por essa ou aquela música (no fim, estavam todas lá). Perfeito.

Se você gosta de grupos vocais, não perca a chance de ver um dos melhores do mundo cantando em português.

Vida longa ao Boca Livre.

Fotos: Fernando de Oliveira, Jo Nunes e Francisco Ribeiro.

Paul McCartney – Brasil 2014

Os rumores se confirmaram: Paul McCartney dia 12 de novembro na HSBC Arena.

Out There TourDesde 2010 que Sir Paul McCartney vem brindando os brasileiros com sua presença e sua música. Ele já passou pelo Recife (duas vezes), Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Goiânia e Belo Horizonte, por exemplo. Porém, para essa nova fase da turnê Out There (que foi iniciada no Brasil ano passado), Paul está exagerando (no bom sentido). Já há shows confirmados em Cariacica (Espírito Santo), Brasília, São Paulo (duas apresentações) e no Rio de Janeiro na aconchegante HSBC Arena.

Serão os primeiros shows após o lançamento das novas versões de seus discos Venus and Mars (1975) e Wings at Speed of Sound (1976). São grandes as chances de novidades no repertório, que já contará com as canções do disco NEW, de 2013, e que nunca foram tocadas em palcos brasileiros.

Bem, segue abaixo a lista de shows confirmados até agora e um vídeo gravado por Paul para o show do Espírito Santo.

A diversão e o rombo nas finanças são garantidos para todos!

Mais informações aqui!

Segunda – 10 de novembro: Estádio Kléber Andrade – Vitória
Quarta – 12 de novembro: HSBC Arena – Rio de Janeiro
Domingo – 23 de novembro: Estádio Nacional – Brasilia
Terça – 25 de novembro: Allianz Parque – São Paulo
Quarta – 26 de novembro: Allianz Parque – São Paulo 

Erasmo Carlos – Vivo Rio – 24/5/2014

Uma noite para não esquecer

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9403A perda recente de um filho, a transmissão ao vivo pela TV (fechada) e toda a onda de solidariedade e de mensagens de carinho que emanaram de todos os lados já faziam prever uma apresentação cheia de emoção do Tremendão Gigante Gentil Erasmo Carlos, que fazia o lançamento do seu novo trabalho (Gigante Gentil) no Rio de Janeiro.

O Vivo Rio tinha um clima de solidariedade e com sua capacidade quase completa, misturava famosos, fãs e jornalistas famosos (como você pode ver em várias fotos), curiosos em ver como estaria o Tremendão. Com a obrigação de cumprir o horário da TV, Erasmo e banda – Luís Lopes (violão e guitarra), Pedro Dias (baixo), Rike Frainer (baterista), José Lourenço (teclados), Billy Brandão e Rogério Percy (guitarras), além da participação especial de Ana de Oliveira (violino) – entraram no palco pouco depois das 22h, mandando logo a canção que dá nome ao novo disco, recheada de guitarras e de peso. Logo nesse primeiro número foi possível notar que a voz do Gigante – que nunca foi um cantor de primeira linha – não estava em um bom dia. Essa sensação foi até menos sentida pela plateia presente ao Vivo Rio, mas o som nítido e a melhor mixagem do Multishow não deram trégua ao artista.

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9411Mas se o Tremendão não estava em um dia de boa voz, sua banda mostrou que é uma máquina mais que azeitada. Os vocais dos ex (e ainda) Filhos da Judith (Luís e Pedro) continuam afinadíssimos e as guitarras de Billy e Rogério davam um quê rock’n’roll mesmo nas canções mais pop do repertório de Erasmo.

O show

Por falar em Erasmo, ele continua mostrando a mesma falta de conforto no palco, uma espécie de Art Garfunkel do rock brasileiro. O repertório, que incluiu várias músicas da nova safra, mantinha uma estrutura bastante próxima das últimas apresentações das turnês Rock’n’Roll e Sexo. Algumas canções ausentes fizeram falta, como Filho Único e Panorama Ecológico, mas as mudanças no setlist mantiveram o ótimo nível das composições, tarefa fácil para alguém que fez uma quantidade enorme de canções que estão carimbadas no DNA da música popular. Mulher (Sexo Frágil), Gatinha Manhosa, Quero que vá Tudo Para o Inferno, Mesmo Que Seja Eu e Sentado A Beira do Caminho, são bons exemplos de músicas que todo mundo conhece, gosta e canta.

As novas canções

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9514Se o novo Gigante Gentil não tem a força do disco Rock’n’Roll, as novas canções incluídas no show não deixam o pique cair em nenhum momento. Se a faixa-título abre o show em alto astral, músicas como 50 Tons de Cor, Amor na Rede e Sentimentos Complicados (parceria inédita de Erasmo e Caetano Veloso), mostram que o Tremendão ainda é um compositor de mão cheia, mesmo depois de 50 anos de carreia e mais de 70 de idade. Um velhinho porreta!

Outro destaque do show, além do repertório, são as animações que ilustram o espetáculo. Nada comparado ao que foi visto com Marisa Monte, mas Erasmo conseguiu entrosar melodias e harmonias com alguns desenhos animados de primeira categoria e que só fortalecem a performance do artista.

Um final cheio de emoção

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9347A noite corria bem, com tudo dentro do script – os comentários, as piadas, etc – até que perto do fim do show, durante a música É Preciso Saber Viver, o inevitável aconteceu: Erasmo desabou em um choro mais do que compreensível.

No fim, a festa de arromba acabou servindo para exorcizar os momentos ruins vividos nos últimos dias e deixar caro que o show deve continuar e que Erasmo ainda tem muito para dar a nossa música, principalmente como compositor.

A citação ao filho Gugu a letra de Festa de Arromba e as últimas palavras do show deixaram claro que a noite era especial.

“Obrigado a todos! Obrigado, Gugu! Te amo, porra!!”

Obrigado a você, Erasmo. Vida longa e próspera!

Fotos: Ricardo Nunes

Paul McCartney anuncia novos shows

Depois de oficializar uma série de concertos na América do Sul, México e Costa Rica, Sir Paul McCartney confirma apresentações no Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos, em maio,  junho e julho. Pelo jeito a plha do velhinho (que avisa que mais datas serão confirmadas em breve) não acaba unca (aleluia!).

 

As datas

17 e 18 de maio – National Stadium, Tóquio
24 de maio: Yanmar Stadium Nagai, Osaka
28 de maio:  Jamsil Sports Complex Main Stadium, Coréia do Sul
19 de junho: The Smoothie King Center, Nova Orleans
26 de junho: Yum! Center, Louisville, KY
5 de julho: Times Union Center, Albany, NY
7 de julo: Consol Energy Center, Pittsburgh, PA

 

Recordações do show de Elton John no Rio – 19/2/14

DSC04987Reuni alguns vídeos do show de Elton John na HSBC Arena e resolvi compartilhá-los.

Padrão Jo Nunes de qualidade.

PS: Detalhe para o inglês perfeito da plateia no refrão de Crocodile Rock.

Elton John – HSBC Arena – 19/2/2014 – Crítica

1059707_Elton_John_49_gElton John faz parte daquele naipe de artistas que podem fazer ótimos shows com quase 2h30 e ainda deixar de fora uma boa série de sucessos. Foi isso o que aconteceu na noite desta quarta-feira na HSBC Arena, na Barra da Tijuca. Elton e banda – Kim Bullard (teclados), John Mahon (percussão), Matt Bissonette (baixo), Davey Johnstone (guitarras, banjo, etc) e Nigel Olson (bateria) – subiram ao palco para apresentar a perna sul americana da turnê Follow de Yellow Brick Road, que comemora os 40 anos do disco Goodbye Yellow Brick Road.

Dificuldades para chegar até a Barra

Mas, antes de falar do show, é preciso destacar que boa parte das pessoas que chegaram atrasadas (mesmo com o início do espetáculo ter começado também atrasado) sofreram com o grande canteiro de obras que se transformou a cidade, em praticamente todos os bairros. Para piorar, sinalização é algo que parece não fazer parte do vocabulário das autoridades responsáveis pelo trânsito. Se para um carioca a coisa é complicada, imagine para um estrangeiro na Copa!

Simpatia e um caminhão de hits

1059689_Elton_John_32_gElton não é um desconhecido do público carioca. Desde 1995 ele vem visitando a cidade (e o país), com shows sempre de boa qualidade. Apesar de não ter mais uma banda tão brilhante quanto a da primeira apresentação, Elton fez seu melhor show na cidade, basicamente por conta do repertório e do seu ótimo humor. Ele esbanjou sorrisos, autógrafos, tirou até foto com um fã no palco, esteve falante e interagiu bem com a plateia Isso fez toda a diferença.

Vestindo um casaco azul com brilhantes e a inscrição Madman Across the Water nas costas (título de um de seus discos), Elton deixou o público de joelhos logo nos primeiros acordes de Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding, a primeira das muitas canções de Goodbye Yellow Brick Road que iria apresentar.

VEJA VÍDEOS DA APRESENTAÇÃO

Dando preferência ao material produzido nos anos 70, Sir Elton Hercules John foi desfilando canções e sucessos de praticamente todos os álbuns que produziu naquela década. Lá estiveram, por exemplo, Levon e Tiny Dancer (Madman Across the Water), Mona Lisas and Mad Hatters e Rocket Man (Honky Château) e Someone Saved My Life Tonight (Captain Fantastic and the Brown Dirty Cowboys). Mas foi mesmo o material de GYBR que fez a diferença. Poucas vezes um disco teve tantos sucessos (Candle in the Wind, Bennie and the Jets, Saturday Night’s Alright for Fighting, Goodbye Yellow Brick Road, etc) e poucas vezes tantas músicas de qualidade que não foram hits apenas por “falta de tempo” (All The Girls Love Alice, The Ballad Of Danny Bailey (1903-34), I’ve Seen That Movie Too, Harmony, e por ai vai…).Infelizmente nem todas puderam ser tocadas (ou o show teria 4h de duração), mas a qualidade do resto do material preencheu essa lacuna. Até mesmo Home Again (a solitária canção do seu último disco Diving Board) poderia se encaixar perfeitamente na produção da sua fase de ouro.

Skyline Pigeon com banda

1059701_Elton_John_43_gSempre imagino o que deve passar pela cabeça de Elton e dos músicos com a recepção que a canção Skyline Pigeon, que segundo uma coletânea do cantor é uma das suas mais obscuras músicas. Se em 1995 ele ignorou a força dessa melodia, desde 2009 que ela é presença certa no setlist dos shows no Brasil (e só no Brasil, que fique bem claro). Porém, dessa vez, a boa nova foi que ela não se limitou a Elton e o piano. Toda a banda (muito bem ensaiada) participou do momento que a maioria do público presente na Arena vai lembrar para o resto da vida. Público que, na sua grande maioria, tinha mais de 40 anos, já que, talvez pelos preços praticados, pouquíssimos jovens e crianças deram as caras na Barra da Tijuca.

As poucas alterações no setlist foram positivas – talvez apenas a exclusão de Oceans Away e I’ve Seen That Movie Too provoquem alguma lamentação – e a plateia carioca pode acreditar que os elogios feitos a ela foram sinceros. Tão sinceros quanto os dela pela existência de um artista dessa envergadura e com esse talento para emocionar e para fazer você sentir vontade de dançar. Philadelphia Freedom e o fechamento do primeiro ato, com Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll) e Saturday Night’s Alright for Fighting, não me deixam mentir.

Ave Elton, Dave e Nigel. É um privilégio poder dividir o mesmo espaço com vocês  e poder ouvi-los tocar.

1059697_Elton_John_3_gSetlist:

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Bennie and the Jets
Candle in the Wind
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Holiday Inn
Mona Lisas and Mad Hatters
Believe
Philadelphia Freedom
Goodbye Yellow Brick Road
Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)
Hey Ahab
I Guess That’s Why They Call It the Blues
The One
Skyline Pigeon
Someone Saved My Life Tonight
Sad Songs (Say So Much)
All the Girls Love Alice
Home Again
Don’t Let the Sun Go Down on Me
I’m Still Standing
The Bitch Is Back
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)
Saturday Night’s Alright for Fighting

Bis:
Your Song
Crocodile Rock

Fotos: AgNews

Já é Carnaval: Elton John faz show no Rio ou Following the Yellow Brick Road

Músico relança disco icônico, faz apresentação no Rio e tem show exibido no cinema

GYBR pre orderPoucos são os mortais que não conhecem alguma das canções de Sir Elton John. O músico, que dominou as paradas nos anos 1970 e que segue fazendo sucesso até hoje, volta ao Brasil para mais uma série de shows – no Rio a apresentação acontece na quarta-feira (19), na HSBC Arena – seguindo as comemorações pelos 40 anos do lançamento do seu disco mais bem sucedido em termos comerciais: Goodbye Yellow Brick Road, de 1973.

Como pode-se notar, Sir Elton está um pouco atrasado na celebração do sucesso do álbum, mas isso em nada diminui a importância do seu legado – nele estão canções de sucesso como Candle in the Wind, Bennie and the Jets, Saturday Night’s Alright for Fighting, além da faixa-título e de músicas que se transformaram em favoritas do público e de Elton como Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding, Roy Rogers e Harmony. Mas, antes tarde do que nunca. Para saciar os fãs, serão lançadas várias versões remasterizadas do álbum, com destaque para uma super deluxe version, que virá com o disco remasterizado, um CD com canções lançadas em compactos, demos e versões gravadas por artistas da nova geração.

Para completar, um mês após a apresentação na HSBC Arena, uma das apresentações realizadas em Las Vegas para a turnê The Million Dollar Piano vai ser apresentada em alguns cinemas do Brasil (no Rio as exibições acontecem no UCI New York City Center, no Cinemark Downtown e no Cinemark Botafogo, dando uma chance extra aos que não conseguiram ingresso para vê-lo cara a cara, de assistir um de seus shows pagando bem menos e com som 5.1.

0001418_goodbye-yellow-brick-road-super-deluxe_300Show de sucessos

Acompanhado por uma banda onde se destacam o baterista Nigel Olson (que o acompanha desde os anos 60) e o guitarrista Dave Johnstone (que embarcou no grupo nos anos 70), Elton vem ao Brasil com a turnê Follow the Yellow Brick Road e promete um espetáculo recheado de grandes sucessos, canções do disco Goodbye Yellow Brick Road (veja o setlist no fim do texto) – normalmente dez das 17 músicas do disco são tocadas – além de algumas do ótimo The Diving Board, lançado no fim do ano passado. O setlist usual (27 músicas) ainda deve ser engordado por Skyline Pigeon, o maior sucesso de Elton no Brasil e uma canção praticamente desconhecida no resto do planeta. Com isso, o cantor garante que todos os seus admiradores, sejam eles de que faixa etária forem, fiquem satisfeitos, não importa se prefiram os anos 70 (Rocket Man), os 80 (I’m Still Standing) os 90 (The One) ou seus lançamentos mais recentes (Hey Ahab e Oceans Away), em um repertório que promete ser o melhor desde seu primeiro concerto na cidade, no longínquo 1995, com a turnê do disco Made in England.

Portanto, com show ao vivo, outro projetado nos cinemas e mais o relançamento (ainda sem data no Brasil) da edição de comemoração dos 40 anos de Goodbye Yellow Brick Road, os fãs de Elton John podem se preparar para uma semana cheia de atividades.

Serviço:

Elton John: Follow the Yellow Brick Road
Local:HSBC Arena
Data: Quarta-feira (19/2)
Preços: Entre R$ 220 e R$ 550

Provável setlist:

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Bennie and the Jets
Candle in the Wind
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Holiday Inn
Mona Lisas and Mad Hatters
Believe
Philadelphia Freedom
Goodbye Yellow Brick Road
I’ve Seen That Movie Too
Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)
Hey Ahab
I Guess That’s Why They Call It the Blues
The One
Oceans Away
Someone Saved My Life Tonight
Sad Songs (Say So Much)
All the Girls Love Alice
Sorry Seems to Be the Hardest Word
Don’t Let the Sun Go Down on Me
I’m Still Standing
The Bitch Is Back
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)
Saturday Night’s Alright for Fighting

Bis:

Your Song
Crocodile Rock

elton_john-goodbye_yellow_brick_road-frontalMais uma versão de Goodbye Yellow Brick Road

Como citei no início deste texto, mais uma versão de GYBR está para chegar ao mercado. Desta vez serão 4 CDs e 1 DVD para contar a história desde trabalho, que encontrou Elton e o parceiro Bernie Taupin no auge da criatividade. Criatividade tão em alta que até mesmo um single (Harmony) teve que ser cancelado, já que, na época do seu lançamento, Elton & Cia já tinham um novo disco pronto para ser lançado.

Quem nasceu no Brasil tem uma relação diferente com o disco Goodbye Yellow Brick Road. Lançado em todo o mundo como um LP duplo, o álbum foi, por decisão de algum brilhante diretor de gravadora, reduzido a um álbum simples nesse país tropical. Mutilado de maneira impiedosa e sem qualquer tipo de aviso ao desavisado e desarmado consumidor, o brasileiro só foi ter contato com a versão completa do disco quando do lançamento da sua primeira prensagem em CD. Pior, antes disso, um outro disco Frankenstein, chamado One Day At a Time, foi colocado no mercado, com algumas músicas que haviam sido editadas em compactos, sobras do GYBR original e outras canções de diversas fontes. Como a primeira prensagem brasileira e o One Day At a Time ainda não completavam o quebra-cabeças e a primeira versão em CD era tosca – dois CDs com um som péssimo e uma falta de cuidado gráfico que destacava o libreto que acompanhava o disco, impresso em preto e branco – o fã ou colecionador brasileiro que não tivesse recursos para pagar os caros discos de vinil importados ficava com a ideia de um produto de segunda categoria, apesar de todas as ótimas canções contidas nele.

lp-elton-johnone-day-at-a-time1976Depois veio a versão em CD simples (completa) e a remasterizada, que trouxeram ganhos incontestáveis no quesito som. Mas, como colecionador sofre, ainda houve uma outra versão deluxe, em SACD, com alguns demos e mixagens até então exclusivas (que, ainda bem, foram incluídas nessa nova super deluxe) e que deixaram muitos de cabelos brancos, seja pelo preço ou pelo equipamento necessário para reproduzi-la de maneira adequada. Claro que ao completar 30 anos do lançamento original uma nova versão (dessa vez em CD comum) chegou ao mercado com parte do material citado. Mais dinheiro, senhoras e senhores, para os cofres da combalida indústria fonográfica.

Como a data de lançamento está marcada para 24 de março, não tenho como avaliar novos ganhos na qualidade sonora do disco, mas fica a esperança de que essa seja a verdadeira versão definitiva de Goodbye Yellow Brick Road.

PS: Ainda está sendo preparado um documentário sobre a banda que acompanhou Elton na década de 70, que parece ser muito interessante. Pelo jeito o poço é mesmo sem fundo.

Setlist da versão super deluxe de Goodbye Yellow Brick Road:

Disc One:

Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding
Candle In The Wind
Bennie And The Jets
Goodbye Yellow Brick Road
This Song Has No Title
Grey Seal
Jamaica Jerk Off
I’ve Seen that Movie Too
Sweet Painted Lady
The Ballad Of Danny Bailey (1909-34)
Dirty Little Girl
All the Girls Love Alice
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock’n’Roll)
Saturday Night’s Alright For Fighting
Roy Rogers
Social Disease
Harmony

Disc Two:

Candle In The Wind – Ed Sheeran (3:22)
Bennie and the Jets – Miguel (5:10)
Goodbye Yellow Brick Road – Hunter Hayes (3:15)
Grey Seal – The Band Perry (3:48)
Sweet Painted Lady – John Grant (3:58)
All The Girls Love Alice – Emili Sande (3:40)
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock And Roll) – Imelda May (2:51)
Saturday Night’s Alright For Fighting – Fall Out Boy (3:42)
Harmony – Zac Brown Band (2:55)
Grey Seal (piano demo) – Elton John (3:20)
Grey Seal (1970 Original) – Elton John (3:37)
Jack Rabbit – Elton John (1:51)
Whenever You’re Ready (We’ll Go Steady) – Elton John (2:52)
Screw You (Young Man Blues) – Elton John (4:43)
Candle In The Wind (Acoustic) – Elton John (3:52)
Step Into Christmas – Elton John (4:10)
Ho Ho Ho (Who’d Be A Turkey At Christmas?) (4:04)
Philadelphia Freedom – Elton John (5:21)
Pinball Wizard – Elton John (5:15)

Disc 3: BBC Elton John Hammersmith Odeon 22nd December 1973

Funeral For A Friend
Love Lies Bleeding
Candle In The Wind
Hercules
Rocket Man
Bennie And The Jets
Daniel
This Song Has No Title
Honky Cat

Disc 4: BBC Elton John Hammersmith Odeon 22nd December 1973

Goodbye Yellow Brick Road
The Ballad Of Danny Bailey
Elderberry Wine
Rudolph The Red-Nosed Reindeer
I’ve Seen That Movie Too
All The Girls Love Alice
Crocodile Rock
Your Song
Saturday Night’s Alright For Fighting

DVD Disc 5:

Bryan Forbes’ 1973 film Elton John and Bernie Taupin Say Goodbye To Norma Jean and Other Things (45 minutes)

Agenda de shows internacionais no Rio em 2014

Elton John TicketO ano de 2014 começou de maneira atípica e o tradicional post com a lista de shows internacionais que acontecem na cidade do Rio de Janeiro foi uma das vítimas dessa atipicidade. Entretanto, não dá para deixar de lado esse serviço de utilidade pública. Assim, excluo o mês de janeiro (onde bons shows – Carl Palmer, por exemplo) aconteceram e partimos com tudo de fevereiro em diante. As atrações prometem, com veteranos como Elton John e o Guns N’ Roses se destacando na multidão.

A lista será atualizada sempre que alguma novidade for confirmada e qualquer informação é sempre bem vinda (mande seu comentário).

Atualizado em 29 de outubro –

Quem está certo:

1 de fevereiro: PFM (CCBB)

1 de fevereiro: Jorge Drexler (Miranda)

5 de fevereiro: Billy Paul (Miranda)

5 de fevereiro: Bad Religion (Circo Voador)

8 de fevereiro: Kamelot (Circo Voador)

19 de fevereiro: Elton John (HSBC Arena)

20 de fevereiro: The Piano Guys (Vivo Rio)

20 de março: ZAZ (Circo Voador)

13 de março: Jack Johnson (HSBC Arena)

14 de março: Information Society (Circo Voador)

15 de março: Avenged Sevenfold (HSBC Arena)

20 de março: Guns N’ Roses (HSBC Arena)

20 de março: Hugh Laurie (Citibank Hall)

21 de março: Joan Baez (Teatro Bradesco)

23 de março: All You Need is Love & Orchestra (Vivo Rio)

25 de março: Uli John Roth (Teatro Rival)

27 de março: Yanni (Vivo Rio)

28 de março: Jagwar Ma (Miranda)

30 de março: Alan Parsons (Vivo Rio)

4 de abril: Arcade Fire (Citibank Hall)

6 de abril: Nine Inch Nails (Citibank Hall) – CANCELADO

9 de abril: Ron Carter (Espaço Tom Jobim)

10 de abril: Macy Gray (Circo Voador)

10 de abril: Warrel Dane (Circo Voador)

12 de abril: Rick Astley (Circo Voador)

25 de março: Focus (Teatro Rival)

20 de abril: Misfits (Circo Voador)

27 de abril: Demi Lovato (Citibank Hall)

28 de abril: Demi Lovato (Citibank Hall)

2 de maio: Avril Lavigne (Citibank Hall)

10 de maio: Marilion (Vivo Rio)

11 de maio: Eddie Vedder (Citibank Hall)

11 de maio: Eddie Vedder (Citibank Hall)

16 de maio: Amon Amarth (Circo Voador)

27 de maio: Jesus & Mary Chains (Vivo Open Air)

27 de maio: Mario Biondi (Miranda)

30 de maio: Bobby McFerrin (Vivo Rio)

30 de maio: Patty Austin (Miranda)

31 de maio: Yo La Tengo (Circo Voador)

1 de junho: Korpiklaani & Tyr (Teatro Odisseía)

8 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

9 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

10 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

15 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

16 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

17 de agosto: Rio das Ostras Blues & Jazz Festival (vários palcos)

18 de agosto: Allen Toussaint e Mia Borders (Oi Casa Grande)

21 de agosto: Eric Gales (Teatro Rival)

4 de setembro: God is an Astronaut e Alcest (Teatro Rival)

5 de setembro: Fates Warning e Swallow the Sun (Teatro Rival)

14 de setembro: Tarja (Circo Voador)

16 de setembro: Omar Coleman (Teatro Rival)

26 de setembro: Julio Iglesias (Citibank Hall)

28 de setembro: Miley Cyrus (Praça da Apoteose)

2 de outubro: Franz Ferdinand (Vivo Rio)

5 de outubro: R5 (Citibank Hall)

18 de outubro: Roger Hodgson (Vivo Rio)

18 de outubro: 30 Seconds To Mars (Fundição Progresso)

19 de outubro: Jon Anderson (Vivo Rio)

27 de outubro: Beirut (Vivo Rio)

29 de outubro: Rick Wakeman (Teatro Bradesco)

1 de novembro: Echo & The Bunnymen (Fundição Progresso)

11 de novembro: Morcheeba (Citibank Hall)

30 de outubro: Playing For Change (Fundição Progresso)

12 de novembro: Paul McCartney (HSBC Arena)

16 de novembro: Jason Derulo (Citibank Hall)

28 de novembro: The Lumineers (Vivo Rio)

28 de novembro: Jake Bugg (Citibank Hall)

Relembre os shows internacionais que passaram pelo Rio em 2013!

O Rock in Rio 2013 visto de casa

Rock in Riop - Bruce Springsteen IAgora que o Rock in Rio terminou, é chegada àquela hora em que todo mundo dá a sua opinião sobre o que foi bom e o que foi rui no festival. Depois de muito tempo, assisti tudo pela TV e admito que foi uma experiência bastante boa, apesar dos apresentadores e da péssima mixagem do som do Multishow.

O primeiro fim de semana do RIR foi, musicalmente, quase esquecível. Uma ou outra atração do Palco Sunset não caiu na rasteirice pop escalada para o palco principal. Ok, tivemos Thity Seconds to Mars e Muse, mas nada que compensasse Ivete e Beyoncé, que podem ter seu público, mas não tem qualquer relação com a marca Rock in Rio. A Homenagem a Cazuza? Uma pena. Melhor o rever o Tributo a Raul Seixas. Living Colour também mandou bem, assim como o encontro dos Autoramas com B Negão, sem contar o reencontro de Ivan Lins e George Benson, que estiveram na primeira edição do RIR, Benson fechando a noite de maior público da história do evento (250 mil pessoas). Mas o que valeu estava mesmo na segunda semana.

Rock in Riop - Bruce Springsteen IIOs primeiros shows da segunda semana foram pesados e, tirando a papagaiada desse tal Ghost B.C., Alice in Chains e Metallica fizeram a alegria dos que gostam de guitarras altas e distorcidas. Na sexta, foi o dia do rock farofa do hoje sem voz Bon Jovi, um dos mais populares artistas dessa edição e de um Frejat que, mais uma vez, colocou a galera pra dançar, com seu show ultra competente. Porém, seja lá por qual razão, a programação do sábado (21) foi absurdamente superior a dos outros dias. No Sunset: Lenine, Moraes Moreira, Pepeu e Roberta Sá, além de Fernanda Abreu. No principal: Skank, John Mayer e o The Boss Bruce Springsteen que, repito pela enésima vez, nunca foi um de meus artistas favoritos, mas fez o melhor show do RIR 2013. Não sei se orientado por alguém que já tenha vindo tocar no Brasil várias vezes – lembro que ele e Paul McCartney tiveram o som cortado durante um show em Londres por passarem do horário permitido -, mas a verdade é que ele usou todos os trunfos para deixar o público aos seus pés. Foi para a galera (literalmente), falou várias palavras em português e ainda por cima cantou uma música de Raul Seixas (Sociedade Alternativa) em português! Juntando isso ao seu show básico de quase 3h, Bruce deixou todo mundo pra trás e ainda prometeu voltar “very, very soon“!

Rock in Riop - Bruce Springsteen IIIA última noite teve Iron Maiden. Eddie & Cia mandaram mais uma vez muito bem, mas receberam menos atenção da mídia do que o encontro entre Zé Ramalho e Sepultura, o Zépultura!

Fim de festa e até 2015.

PS: Muita gente pode não gostar do Skank, mas os caras têm um show que mexe com a plateia e faz qualquer grupo que entre depois ter que suar muito a camisa para superá-los!

Fotos: Marcelo Feitosa