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Paul McCartney atravessa Abbey Road

Foi na segunda-feira (23 de julho) que, da mesma forma que há 49 anos, Paul McCartney saiu da sua casa e, calçando sandálias, foi andando até os estúdios da EMI, em Abbey Road (Londres). Lá, encontrou seus três companheiros de banda e fez uma das fotos mais famosas do mundo. Dessa vez ele repetiu o caminho para realizar um evento promocional do seu próximo disco “Egypt Station” – que será lançado dia 7 de setembro e terá uma canção sobre o Brasil.

Detalhe: ele não foi incomodado no caminho e não foi reconhecido por duas senhoras que atravessaram a faixa de pedestres junto com ele.

Vamos ver quais eventos teremos anos que vem, quando a foto completa 50 anos.

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Paul McCartney lança single e anuncia novo álbum

Disco, chamado Egypt Station, será lançado no dia 7 de setembro

O ex-beatle Paul McCartney é mais um dos dinossauros do rock que apesar de todas as loucuras dos anos 60 e 70 parecem estar em forma e sem indícios de que vão diminuir o ritmo produtivo. Aos 76 anos, Paul, que faz turnês todos os anos, quase sempre incluindo o Brasil no roteiro, acaba de lançar um novo single com dois lados A (‘I Don’t Know‘ e ‘Come On To Me’) e um novo disco, que parece que vai se chamar Egypt Station.

O novo trabalho vem na sequência de New (2013) e pode contar com uma música gravada no e sobre o Brasil.

Será?

 

Depois de Hendrix, o U2 se rende aos Monkees

Críticos musicais e muitos fãs de rock costumam ter atitudes pouco respeitosas por artistas que não eram puramente artistas. Provavelmente o maior exemplo disso são os Monkees, um grupo de atores/músicos contratados para estrelar uma série de TV sobre um grupo pop e que acabaram se tornando uma banda de verdade.

É verdade que, no início da carreira, Davy Jones (voz e percussão), Micky Dolenz (voz e bateria), Peter Tork (baixo, teclado e voz) e Mike Nesmith (voz e guitarra), não compunham ou tocavam nos discos (apenas cantavam), mas com canções escritas por nomes como Carole King, Harry Nilson, David GatesNeil SedakaNeil DiamondJerry Leiber e Mike Stoller, além do impulso de um ótimo programa na TV, não é de se admirar que seus singles e LPs fossem para o topo das paradas.

O que muita gente parece esquecer é que os rapazes eram talentosos (a voz de Micky Dolenz é um exemplo) e que eles nunca representaram ser o que não eram. Na verdade, quando decidiram que queriam mesmo ser uma banda, cavaram a sua sepultura. Pode parecer estranho, mas em 1967 os Monkees eram tão famosos que tinham como ato de abertura de seus shows um tal de Jimy Hendrix. Mais importante: eles foram os artistas que mais venderam discos nos Estados Unidos naquele ano. Repetindo: nem os Beatles, os Rolling Stones, Cream, Simon & Garfunkel ou Bob Dylan. Os maiores vendedores de discos foram os Monkees!

O reconhecimento

Apesar de todo o sucesso, a crença geral é de que só as crianças conhecem o grupo – graças aos filmes do Shrek e da canção I’m a Believer – ou os adultos que reconhecem a dança de Axl Rose, mas essa não é a verdade. No dia 21 de junho de 1997, em Los Angeles, o U2 – já uma das maiores bandas do mundo – fazia mais um show da sua turnê PopMart, na qual o guitarrista The Edge tinha o seu momento de destaque fazendo um karaokê onde a canção mais executada era Daydream Believer, um sucesso dos Monkees, claro. Então, do nada, Davy Jones entra no palco e rouba o show. Porém, mais surpreendente que a reverência de The Edge é ver que toda a plateia conhece a canção.

Viva a boa música!

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

Carl Palmer – Teatro Municipal de Niterói – 26/5/2018

Baterista termina turnê brasileira mostrando energia e que a magia do rock progressivo não morreu

Enquanto a história mostra que bandas de rock sofrem com a perda de seus bateristas (casos do The Who, com Keith Moon, e do Led Zeppelin, com John Bonham), algumas ficam com seu legado a cargo dos donos das baquetas. O Emerson, Lake and Palmer – formado pelos ingleses Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – entra nessa categoria.

Ícone do rock progressivo, a banda tem sua música imortalizada pelo baterista Carl Palmer, que passou pelo Brasil com a sua Carl Palmer’s ELP Legacy Tour 2018, como parte da Top Cat Series, que também trouxe o guitarrista do Genesis, Steve Hackett e o grupo Premiata Forneria Marconi. Na sua última apresentação no país, o músico e seus dois ótimos escudeiros – Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo) – fizeram uma apresentação de gala no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Clássicos

Seguindo um setlist bem próximo das apresentações anteriores, Palmer desfilou uma série de clássicos de seu ex-grupo, mostrando uma vitalidade e força surpreendentes para um senhor de 68 anos e viveu o auge do sexo, drogas e rock and roll. Peças musicais como Trilogy, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e Tarkuso ponto alto da noite -, foram executadas com precisão e muita energia.

Recuperando o fôlego

A energia do baterista era recarregada entre as músicas, quando o britânico aproveitava para contar algumas histórias sobre as canções e sobre o grupo, e ainda recuperava o fôlego antes de atacar furiosamente a sua bateria. Normalmente a parte mais chata de um show de rock fica dividido entre a hora do solo de baixo ou do solo de bateria. Nos dois casos a surpresa foi mais que agradável. Simon Fitzpatrick fez um solo onde incluiu o clássico From the Beginning, com uma técnica de dedilhado (a lá Stanley Jordan) impecáveis. Já Palmer fez seu tour de force durante Fanfare for the Common Man, quase no fim da apresentação, marcada por vários pequenos solos.

Ataque epilético ou músicos cheios de ego e talento?

Há quem diga que o ELP não era apenas a reunião de músicos talentosos tocando música complexa e pretensiosa (no bom sentido). Para muitos o estilo do grupo se aproximava mais de um ataque epilético coletivo, onde cada um tocava de maneira egoísta. Apesar de concordar que musicalmente eles tinham um grande ego (com razão), a química e entrosamento eram inegáveis. A produtividade da banda no início dos anos 70, com a gravação de 5 álbuns de extrema qualidade – Emerson, Lake & Palmer (1970), Tarkus (1971), Pictures at an Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Brain Salad Surgery (1973) – dentro de um período de apenas três anos é típica de uma época onde mesmo as mais complexas produções eram realizadas em uma velocidade impensável para os dias de hoje, assim como alcançar vendas de 48 milhões de discos, nesses tempos de streaming.

Teatro cheio de “combustível”

– Obrigado por terem vindo nos assistir essa noite. Sei dos problemas que vocês estão tendo com combustível e outras coisas. Nós mesmos tivemos uma carreta com equipamento parada em uma estrada e tivemos que alugar alguns equipamentos – falou Palmer para a plateia em certo momento da apresentação.

Se o país sofre com o bloqueio das estradas realizado por caminhoneiros e empresários e com a total falta de habilidade e força do Governo para resolver o problema, o público de Niterói deu uma demonstração de que mesmo com os problemas no transporte e a escassez de gasolina, a boa música vence. O belíssimo Teatro Municipal de Niterói estava praticamente lotado e, tenho certeza, suas paredes – quase bicentenárias – foram revigoradas com uma energia e uma música não muito comum para o local.

No fim das contas, os que não tiveram a oportunidade de assistir ao ELP com os três integrantes ou alguma de suas reencarnações, teve uma boa mostra da magia que a sua música ainda possui.

Ainda há grandes nomes do progressivo vivos e fazendo história. Quem tiver a oportunidade de, por exemplo, assistir ao Yes (com Rick Wakeman), não deve deixar de aproveitá-la, mas quem presenciou o Carl Palmer de 2018 pode se orgulhar de um ídolo que soube envelhecer com a força de um rapaz de vinte e poucos anos.

O show

Abaddon’s Bolero (Emerson, Lake & Palmer cover)
Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tank (Emerson, Lake & Palmer cover)
Knife-Edge (Emerson, Lake & Palmer cover)
Trilogy (Emerson, Lake & Palmer cover)
From the Beginning (+ solo de baixo)
Canario (Emerson, Lake & Palmer cover)
21st Century Schizoid Man (King Crimson cover)
Solo de guitarra
Hoedown (Aaron Copland cover)
Lucky Man (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tarkus (Emerson, Lake & Palmer cover)
Carmina Burana (Carl Orff cover)
Fanfare for the Common Man (Aaron Copland cover)
Solo de bateria
Nutrocker (Pyotr Ilyich Tchaikovsky cover)

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Who Came First faz 45 anos e ganha nova reedição

Who Came First, para muitos o primeiro disco solo de Pete Townshend (o gênio por trás do The Who) fez 45 anos e ganhou uma nova reedição remasterizada e estendida. O disco pode ser considerado uma forçação de barra da gravadora, que juntou demos (a maioria para o abortado projeto Lifehouse, que acabou tendo várias canções servindo como base do LP Who’s Next) e algumas faixas já lançadas por Townshend nos seus dois (verdadeiros) primeiros discos solo – Happy Birthday e I Am, ambos em homenagem ao seu guru: Meher Baba. Esses dois discos chegaram a ser lançados em CD pelo próprio Townshend  – em um box chamado Avatar, que também continha o álbum With Love (1976) e um DVD – em seu (falecido) site. Infelizmente, a edição foi limitada e foram poucos os que conseguiram uma cópia (eu, incluído).

Lançado originalmente em 1972, Who Came First era composto por apenas nove faixas. Dessas, Townshend não compôs três delas, participou como músico em duas e não teve nenhuma participação em uma (Forever’s No Time at All, cantada por Billie Nicholls e com instrumentação por conta de Caleb Quaye). Portanto, considerar esse um disco solo tem lá suas controvérsias.

Versão definitiva?

Dito isso, vamos ao relançamento. De um disco de nove faixas, Who Came First se transformou em um CD duplo, com mais 17 faixas, oito delas inéditas. Estas inéditas, juntamente com as originais Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, já valeriam a compra. Se esse relançamento é a versão definitiva? Em termos de qualidade de som, sim. Em termos de conteúdo, talvez. Desta vez o álbum – que já havia sido alvo de relançamentos nos anos 90 e em 2006 – foi remasterizado a partir das fitas máster por Jon Astley, colaborador de longa data de Towshend e que foi o responsável pelas (controversas) remixagens dos álbuns do Who. O som é muito superior ao das versões anteriores, mas ainda há material que poderia ter feito parte do setlist, mas foi deixado de fora (Lantern Cabin, por exemplo), além de vários outros demos que podem ser encontradas na Lifehouse Chronicles, uma caixa de seis CDs que Townshend lançou em 2000 e que também foi lançada em edição limitada e está fora de catálogo.

A edição de 45 anos também conta com novas liner notes escritas pelo próprio Townshend, uma reprodução do poster que acompanhava o LP original e um livreto de 24 páginas com fotos de Townshend e Meher Baba no estúdio de gravação, tornando o lançamento bastante relevante para os fãs de carteirinha e para os que apenas conhecem o básico da obra do guitarrista.

Pontos altos

Além das já citadas Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, There’s a Heartache Following Me e Parvardigar são os pontos altos do disco original. Já o segundo CD oferece aos fãs pérolas como uma nova edição do demo de The Seeker, uma versão instrumental de Baba O’Reilly (com mais de 9 minutos de duração) e duas canções que parecem um pouco fora de contexto: a versão de Evolution, cantada no memorial de Ronnie Lane, em 2014, e Drowned, gravada na Índia, em 1976.

Mas, o verdadeiro ponto alto é a qualidade de som. A nova edição (mesmo em streaming) deixa no chinelo todos os relançamentos anteriores – fiz a comparação. Desta vez Astley fez um trabalho exemplar. O som está mais alto e muito mais claro, melhor até do que o encontrado nas versões da série Scoop, na qual Townshend despejou grande parte dos seus demos.

A edição comemorativa dos 45 anos de lançamento do Who Came First deve ser a última (espero), já que não faz sentido obrigar os fãs a comprarem um material já amplamente divulgado. O lançamento – da Universal Music – ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Só nos resta encomendar lá fora (a Amazon inglesa está com um bom preço) e torcer para que a sua encomenda não seja roubada no meio do caminho.

Que venham os relançamentos dos demais álbuns solo de Townshend.

As faixas

CD 1
1. “Pure and Easy”
2. “Evolution”
3. “Forever’s No Time At All”
4. “Let’s See Action”
5. “Time Is Passing”
6. “There’s a Heartache Following Me”
7. ” “Sheraton Gibson”
8. “Content”
9. “Parvardigar”

CD2
1. “His Hands”
2. “The Seeker” (2017 edit)
3. “Day Of Silence”
4. “Sleeping Dog”
5. “Mary Jane” (Stage A Version)
6. “I Always Say” (2017 Edit)
7. “Begin The Beguine” (2017 edit)
8. “Baba O’Reilly” (Instrumental)
9. “The Love Man” (Stage C)*
10. “Content” (Stage A)*
11. “Day Of Silence” (Alternate Version)*
12. “Parvardigar” (Alternate take)*
13. “Nothing Is Everything”*
14. “There’s A Fortune In Those Hills”*
15. “Meher Baba In Italy”*
16. “Drowned” (live in India)*
17. “Evolution” (live at Ronnie Lane Memorial)
(* Versões ou canções inéditas)

Leia também: Documentário escancara os demônios e os dramas da vida de Eric Clapton

Bebedouro – Zé Renato – Um disco cheio de elegância e suingue

Zé Renato, um dos artistas mais produtivos da nossa música e dono de uma das mais belas vozes do país, lançou, no início do ano, o seu 14º disco solo, Bebedouro. O disco autoral, que ganhou um show de lançamento no Rio de Janeiro apenas agora em abril, é uma pérola de elegância nos arranjos, belas melodias e uma pitada caprichada de suingue.

O disco

Seguindo por alguns caminhos conhecidos, com melodias intrincadas e riffs de violão que remetem a composições de seus discos anteriores, mas também trilhando por sonoridades não tão comuns em suas composições, Zé Renato mostra que é possível produzir muito e manter um altíssimo padrão de qualidade. Com parcerias que vão desde nomes habituais no universo do compositor (Joyce) e ótimas aquisições (Moacyr Luz e João Cavalcanti), Bebedouro leva o ouvinte para uma viagem onde o samba, a MBP, o jazz, o sambalanço e até o rock progressivo se incorporam de maneira harmoniosa.

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro), que abre o álbum, dá um toque rural a uma composição que, em conjunto com os vocais do grupo Subversos, deixa claro que Zé Renato não afrouxou na escolha do repertório, escolha dos (ótimos) músicos que o acompanham, na produção e nos arranjos. Sacopenapan (parceria com Joyce) vem uma homenagem ao tão maltratado Rio de Janeiro, cidade que os dois compositores escolheram para viver. Destaque para o belíssimo trabalho de Cristóvão Bastos, ao piano.

Sacopenapan
Lagoa, montanha e mar, brilhando pela manhã
Feito coração, areias e manguezais, miragem na escuridão

Sacopenapan
A água que me banhou, banhou meu amor também
Luz que iluminou o todo me criou, a gente que eu quero bem

Quando eu era criança eu só queria te viver
A vida foi me levando pelo mundo
E o mundo eu fui percorrer

Voltei pra Sacopenapan
Aldeia de onde eu vim, caminho do meu lugar
Meu quintal sem fim, que nasce em Copacabana e acaba no Humaitá

Mas não é só de Rio de Janeiro que Zé Renato bebe nas suas composições. A samba/bossa nova Vamos Curtir o Amor, uma belíssima parceria com Moraes Moreira, que dá uma canja recitando parte da letra, é um dos pontos altos do repertório. Detalhe que, segundo o cantor, essa foi uma das parcerias mais rápidas da sua vida, resultante do encontro em um aeroporto. Dentro do avião, antes da decolagem, o músico baiano avisou: “Acabei de te mandar uma letra” e a canção ficou pronta naquele mesmo dia.

O amor é sim, explosivo
Diferente da amizade
Inunda se for preciso, é feito um rio que invade
Afoga tudo que é queixa, quando se esvai ele deixa
A sombra de uma saudade

O amor é irresponsável
É o veneno da serpente
Tira onda de saudável e deixa a gente doente
O amor eu sempre aposto
O amor é assim exigente e é assim que eu gosto

O amor é irresistível e não tem dia nem hora
O amor é quase impossível e gosta do aqui e agora
No amor eu me amarro
O amor é o combustível que eu preciso pro meu carro
De que matéria foi feito a ciência ainda não sabe
Vamos curtir o amor antes que ele se acabe

Seguindo as parcerias e participações, Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti), canção com o clima característico da família Caymmi com as cantigas de outras épocas, ganha o timbre grave de Dori Caymmi dividindo o registro com a clareza aguda do cantor do Boca Livre.

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam) traz um clima mais calmo, num samba a moda antiga, que faz muita falta nas rádios e paradas de hoje. É daquelas que ligam a chave do túnel do tempo, para épocas bem mais criativas que a atual.

Com, segundo o autor, influências de Joni Mitchell e o Edu Lobo, Noite – outra parceria com Joyce – se estrutura baseada em outro marcante riff de violão e no poderoso som dos sopros. Um dos pontos mais altos do disco.

Náufrago (Zé Renato e Nei Lopes) transporta o ouvinte os mares calmos e cheios de melancolia de Cabo Verde, numa bela homenagem à cantora Cesária Évora (1941-2011), que Zé ouviu em um bar de jazz em Nova York e se tornou um fã de imediato.

Se Bebedouro mantém um alto padrão de qualidade nas composições que podem ser consideradas dentro do universo comum de Zé Renato, as duas últimas canções do disco – aliás, se há um defeito gritante no álbum é a sua curta duração: parcos 37 minutos e apenas 9 canções – levam o álbum para um outro nível e deixam um gosto (meio amargo) de quero mais. Agogô (parceria com Moacyr Luz) e Pedra do Mar (outra parceira com Paulo César Pinheiro). São nessas composições que Zé Renato injeta um suingue que nem sempre encontrados em sua obra.

O destaque é mesmo Agogô – totalmente inspirada no sungue da Banda Black Rio -, um dos sambas mais inspirados dessa década, comprovando o ótimo momento tanto de Zé quanto do sambista-trabalhador Moacyr Luz, é daquelas canções que têm tudo para entrar no rol dos clássicos do cancioneiro do autor de Toada.

Dá licença, faz favor que eu vou ficar em Madureira
Agogô
Eu sou cria de Silas de Oliveira

Jacaré, Jardim de Alá
Um Deus dará, num dá bobeira
Agogô
Carnaval num termina na quarta-feira

Berimbau me confirmou, o bicho pegou
É maré cheia
Agogô
Arrastão vem descendo na ladeira

Zazueira de Benjor
A moçada sambando a noite inteira
Agogô
Eu sou dessa aquarela brasileira

Esse samba vai pra você e pra quem quiser curtir
Esse samba quer alegria, ver você sorrir
Esse samba tem liberdade, é o que me importa
Banda Black Rio, o suingue carioca

Se havia alguma dúvida de que ser produtivo não impede que um artista mantenha um alto padrão de qualidade, Zé Renato desmonta a teoria com o ótimo Bebedouro. “De vez em quando, preciso mostrar que também sei fazer umas musiquinhas”, diz em tom de brincadeira.

Zé, musiquinhas?

Cotação – Excelente (4 estrelas)

 

Bebedouro – o show

O palco do Teatro Riachuelo, onde tempos atrás funcionava o cinema Palácio, no Passeio Público, foi o local escolhido para o lançamento carioca do disco Bebedouro (em 3/4). O local, com toda a imponência dos antigos cinemas de rua, é lindo, embora não tenha na acústica a sua melhor qualidade. O que poderia ser um problema passou praticamente despercebido pela qualidade do repertório e da banda que acompanhou Zé Renato nesse lançamento – Cristóvão Bastos (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Jamil Joanes (baixo), Kiko Freitas (bateria) e os irmãos Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete).

O repertório, que além das canções de Bebedouro, incluiu Zé Kétti, Egberto Gismonti e Edu Lobo, entre outros, se mostrou bem amarrado e deu mais força ainda as composições do novo trabalho. Desde os primeiros acordes de Agogô – que também fechou o show antes do bis – ficou a certeza de que Zé Renato fez escolhas baseadas na qualidade e com o intuito de deixar a plateia embevecida. Os arranjos que já soavam ótimos nas versões de estúdio, ganharam um tom de big band ainda mais nítido, mesmo nos momentos mais intimistas.

Fora do repertório do disco, Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa) e Toada (Na direção do dia), se destacaram. O sucesso do Boca Livre, aqui em versão violão e trompete, soou nova e fresca, e ainda se transformou em uma singela homenagem a vereadora Marielle Franco, que por um dia foi a morena da canção.

A luxuosa participação de João Cavalcanti – filho de Lenine e ex-Casuarina – foi cirúrgica, dando um balanço extra a Samba e Nada Mais e a A Voz do Morro (outra de Zé Kétti). Até mesmo o momento instrumental reservado para a banda (Amphibious, de Moacir Santos), que poderia soar deslocado, se inseriu perfeitamente no universo de referências musicais criado por Zé Renato.

Infelizmente não há nada planejado para esse show – provavelmente os 40 anos do Boca Livre devem ser o foco dos próximos meses, com (tomara) a reedição dos primeiros discos do grupo e o lançamento de um novo álbum – que merecia ter uma vida longa pelos palcos do Brasil e não apenas poucas apresentações. Os amantes da boa música que tiverem a oportunidade de comparecer a uma das próximas (será?) apresentações, não devem perder a chance de, por pouco mais de 90 minutos, assistirem a uma partida onde todas as jogadas são de craque.

Repertório

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

Sacopenapan (Zé Renato e Joyce Moreno)

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno)

Ano Zero (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro)

Repente (Edu Lobo e José Carlos Capinam)

Uma Vez, Um Caso (Edu Lobo e Cacaso)

Carinhosa (Zé Renato e Otto)

Vamos Curtir o Amor (Zé Renato e Moraes Moreira)

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam)

Diz Que Fui Por Aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha)

Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Mulato (João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa e Cacaso)

Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho)

O Amor em Paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Tua Cantiga (Cristovão Bastos e Chico Buarque)

Amphibious (Moacir Santos) – instrumental

Navegantes (Zé Renato e Nei Lopes)

Ânima (Zé Renato e Milton Nascimento)

Pedra de Mar (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

A Voz do Morro (Zé Kétti) – com João Cavalcanti

Bis:

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno) – com João Cavalcanti

Fotos: Jo Nunes e Marcelo Castello Branco
Vídeos do show Bebedouro em São Paulo (22 de janeiro de 2018) por Fatuca Ferreira

Wendy’s no Super Bowl

O Super Bowl é a maior audiência esportiva da TV americana e os espaços comerciais são os mais caros do mundo. Alguns anúncios são criativos, outros convencionais, mas, em 2018, o que mais me chamou a atenção foi o comercial do Wendy’s, uma cadeia de fast food que usa hambúrgueres quadrados e cheios de gordura. Pena que ela não esteja representada no Rio de Janeiro

Spotify começa e veicular vídeos em parceria com emissoras

Sinceramente, não sei se gostei da notícia ou não.

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O Spotify irá veicular vídeos em sua plataforma, que até então só transmitia músicas em streaming. De acordo com Daniel Ek, fundador do serviço, o conteúdo incluído será fruto de parcerias com Vice News, BBC, NBC, MTV, Comedy Central e TED. “Inserir vídeos em nossa plataforma era algo inevitável, a ideia é que com esse conteúdo as pessoas passem a ouvir mais música.” O app vai oferecer vídeos e podcasts com base nos interesses dos usuários, assim como ocorre com o acervo de canções disponibilizadas pela ferramenta.

Ek também revelou outras novidades no serviço, como o Spotify Running, que adapta o estilo da música ao ritmo dos passos ou da corrida do usuário, e o Running Originals, pacote de seis músicas originais criadas para corredores.

Fonte: ProXXIma

Pete Townshend: um gênio que completa 70 anos

Pete Townshend 70 I
Não é incomum chamar uma pessoa de gênio, principalmente na música. Alguns deles – John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Hendrix, Chico Buarque, Paul Simon e Muddy Waters, são mesmo – outros são pessoas super talentosas – Milton Nascimento, Keith Richards e Jack Bruce, por exemplo – e ainda há aqueles que viram deuses – Eric Clapton. Peter Dennis Blandford Townshend, que nesta terça-feira (19 de maio) completa 70 anos, faz parte do time dos gênios.

Para muitos, Pete Townshend é sinônimo de The Who e nada mais. Engano grave! A obra de Townshend não se resume a óperas-rock e clássicos adolescentes como I Can’t Explain ou Anyway, Anyhow, Anywhere. Também não fica apenas nos experimentos eletrônicos de Baba O’Riley ou We Won’t Get Fooled Again, e muito menos se restringe a personagens como Tommy. Ele trabalhou em editoras, teve um dos melhores websites do mundo e aventurou em muitos outros caminhos artísticos.

Para comemorar a data há o lançamento de uma nova coletânea com canções de sua discografia solo e duas novas composições. Mas disso falamos mais adiante.

Pete Townshend 70 IIITownshend não tinha um parceiro. Ele é/era uma fusão de personalidades – que em outras bandas eram representadas por duplas como Lennon e McCartney e Jagger e Richards. Portanto, sua evolução é impressionante. Do rapaz que escrevia canções para o público Mod até o homem que expunha suas amarguras em canções como Slit Skirts, do álbum All The Best Cowboys Have Chinese Eyes.

Se discos como Quadrophenia, Tommy, Who’s Next e Who By Numbers, são sempre lembrados quando se fala de Townshend, é a excelência de sua carreira solo que gostaria de destacar (é muito fácil falar do The Who, até mesmo para quem conhece a banda apenas pelas aberturas da série CSI). Pode parecer estranho que esse narigudo de voz anasalada se arriscasse em trabalhos sem a segurança do vozeirão de Roger Daltrey ou do talento do amigo John Entwistle, mas quem conhece algum dos demos que ele entregava a banda sabe que as canções já vinham praticamente perfeitas e que em algumas delas (Love Reign O’er Me, para citar um exemplo) seus vocais eram (quase) tão bons quanto os de Daltrey.

A força do seu talento também pode ser medida pela quantidade de nomes que aceitaram fazer parte de seus projetos ou que o recrutaram. Eric Clapton, Paul McCartney, David Gilmour, Charlie Watts, Phil Collins, Paul WellerBill Wyman, Nina Simone, John Lee Hooker e muitos outros. Só fera!

Carreira solo

Se o seu primeiro disco – Who Came First (1972) – é um apanhado de demos do abortado projeto Lifehouse (que acabou tendo canções aproveitadas no clássico Who’s Next) e de músicas que gravou para o seu mestre espiritual (Meher Baba), o resto de sua produção solo mostrou que o The Who não era o veículo apropriado para muitas de suas composições.

Pete Townshend on stage in New York, February 2013Rough Mix (1977), gravado em parceria com Ronnie Lane (do Small Faces), já mostrava que o talento de Pete não podia ficar preso nas paredes do The Who. A maioria das canções tinham um elemento folk e mesmo as mais pops (Keep Me Turning) não se encaixariam no rock de Keith Moon & Cia. Difícil imaginar que uma melodia e um arranjo tão melodicamente intricado como o de Street in the City pudesse fazer parte de algum dos álbuns de uma das bandas mais barulhentas do mundo.

Em 1980 Townshend lança aquele que ele mesmo considera seu primeiro disco solo e que, para muita gente boa, é seu melhor disco (discordo): Empty Glass, um disco cheio de álcool, solos de guitarra e uma boa dose de raiva. A maioria das canções foi composta e gravada na mesma época que o The Who preparava o material para o disco Face Dances, o que deixa muito claro que a esta altura da vida Townshend (mesmo que inconscientemente) já separava seu melhor material para si e não mais para sua banda. Surpreendentemente o single de maior sucesso do disco (Let My Love Open The Door) é uma canção de amor que não representa o espírito do disco, recheado de bons rocks como Gonna Get Ya, Cat’s in the Cupboard, Jools and Jim e a canção-título.

Pete Townshend All the best cowboys have chinese eyesEntão chega o ano de 1982 e com ele All The Best Cowboys Have Chinese Eyes, o trabalho mais profundo e bem produzido pelo artista até então. O disco veio acompanhado do lançamento de um vídeo (VHS) com clipes das canções Prelude, Face Dances, Pt. 2, Communication, Uniforms, Stardom in Acton, Exquisitely Bored e Slit Skirts. Era a época da MTV.

O disco foi um dos que mais causou impacto na minha vida, primeiro pelas melodias e arranjos (não sabia inglês naquela época) e depois pelas letras. Até hoje tenho certeza de que o segundo verso de Slit Skirts foi escrito para mim.

Let me tell you some more about myself, you know I’m sitting at home just now.
The big events of the day are passed and the late TV shows have come around.
I’m number one in the home team, but I still feel unfulfilled.
A silent voice in her broken heart complaining that I’m unskilled.

And I know that when she thinks of me, she thinks of me as him,
But, unlike me, she don’t work off her frustration in the gym.

Recriminations fester and the past can never change
A woman’s expectations run from both ends of the range

Once she walked with untamed lovers’ face between her legs
Now he’s cooled and stifled and it’s she who has to beg

http://www.youtube.com/watch?v=q1D_XNYTUGg

Mas a qualidade do material de Chinese Eyes é a comprovação da genialidade ambiciosa de Townshend (que foi massacrado pelos críticos por ser muito pretensioso). Todas as canções são de um nível tão alto que é praticamente impossível destacar alguma. Um disco para se levar para uma ilha deserta!

Pete Townshend 70 IIDepois de Chinese Eyes Pete ainda lançou White City: A Novel (1985), The Iron Man: The Musical by Pete Townshend (1989) e Psychoderelict (1993), voltando a flertar com a ópera-rock, teatro, literatura e até mesmo retomando o personagem principal do abortado e já mencionado projeto Lifehouse. Nesses discos há melodias letras e arranjos que poderiam criar um ótimo álbum duplo, já que em todos eles há momentos onde a inspiração não mantém a mesma pegada, mas músicas como Give Blood, Face the Face, Secondhand Love, White City Fighting, A Friend Is a Friend, Was There Life, A Fool Says…, English Boy, Let’s Get Pretentious, I Want That Thing, Predictable e Fake it, precisam ser citadas.

Além dos discos de carreira, Pete fez a felicidade dos fãs abrindo seus arquivos e lançando uma série de discos com demos e canções inéditas chamados Scoop. São três volumes até agora e ainda há muito para ser revelado. Scoop (1983) e Another Scoop (1987) têm algumas preciosidades imperdíveis.

Coletânea e novas canções

PeteTownshend-Truancy-front
Como disse no início do texto, uma nova coletânea – Truancy: The Very Best of Pete Townshend – que traz 15 sucessos e duas novas composições de Townshend chega ao mercado no fim do mês. A seleção pode até ser questionável – Street in the City e Slit Skirts ficaram de fora, por exemplo -, mas a remasterização feita em Abbey Road promete um ganho na qualidade de som bastante considerável. Outra boa notícia é que esse lançamento é só o primeiro de uma série que vai rever toda a discografia solo do criador de Tommy, que deve chegar ao mercado no ano que vem.

Tracklist 

Pure And Easy (from Who Came First)

Sheraton Gibson (from Who Came First)

Let’s See Action (Nothing Is Everything) (from Who Came First)

My Baby Gives It Away (from Rough Mix)

A Heart To Hang On To (from Rough Mix)

Keep Me Turning (from Rough Mix)

Let My Love Open The Door (from Empty Glass)

Rough Boys (from Empty Glass)

The Sea Refuses No River (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

Face Dances (Pt. 2) (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

White City Fighting (from White City)

Face The Face (from White City)

I Won’t Run Anymore (from The Iron Man)

English Boy (from Psychoderelict)

You Came Back (from Scoop)

Guantanamo (Inédita)*

How Can I Help You (Inédita)*

Provavelmente Pete Townshend será sempre lembrado pelo seu legado com o The Who (com que continua gravando e fazendo shows pelo mundo), mas quem quiser realmente entender a grandeza de sua obra os Spotifys da vida estão aí para ajudar.

Ainda sonho com o dia de ver Townshend no palco (no Brasil ou em qualquer lugar).

Não olhe para trás e a importância de John Lennon

Não Olhe Para Trás IO filme Não Olhe Para Trás, estrelado pelo grande Al Pacino e que ainda está em cartaz em alguns cinemas do Rio de Janeiro, me faz pensar em como uma carta de um ídolo pode mudar a nossa vida. O longa está longe de ser uma obra-prima, mas tem elementos que tocam muita gente, em especial este que vos escreve.

A história gira em torno de Danny Collins, um cantor de pop/rock/folk que vive de sucessos do passado e que sempre viveu num estilo um pouco caricato do rock star dos anos 70, com muitas mulheres e drogas, e que descobre que, em 1971, John Lennon leu uma entrevista sua e escreveu uma carta para ele com elogios e até mesmo com o número de telefone para um possível bate-papo. O problema é que esta carta nunca foi entregue e Danny só soube da sua existência agora, 40 anos depois do ocorrido. Esse evento serve como pano de fundo para que ele tente melhorar a sua vida, um tema mais que batido, mas que é bem conduzido pelo diretor Dan Fogelman.

Não Olhe Para Trás IIOutro ponto alto do filme é a ótima atuação do elenco de apoio –  Christopher Plummer, Annette Bening, Bobby Cannavale e Jennifer Garner – que mesmo com algumas falas e cenas não muito bem construídas consegue manter a bola quicando em bom nível.

O que me tocou mais no filme foi, é claro, a coincidência de também ter recebido correspondências escritas pelo ex-Beatle e pensar na possibilidade de que alguma dessas correspondências pudesse ter se extraviado por conta de um carteiro desleixado ou de algum outro evento.

carinha LennonVer aquele desenho característico que Lennon usava quase como assinatura emocionou, principalmente pelo fato de poder olhar para alguns deles todos os dias. Imaginar o quão a minha vida seria diferente sem esses cartões postais é algo desafiador, mas ainda bem que não é preciso.

Agora, é só resolverem fazer um roteiro sobre essa minha história!

Ah, voltando ao filme: é razoável, mas inesquecível para mim.

Coca-Cola Life chegará em massa aos EUA – Brasil fica de fora da novidade

Coca LifeBurocracia e regras mal feitas geralmente não geram bons resultados. Falta de um mínimo de visão também. Dito isso, vamos ao que realmente interessa: em tempos onde todos se preocupam com o bem estar, vida saudável e em consumir alimentos menos nocivos à saúde, o Ministério da Agricultura barra um refrigerante que parece ser uma alternativa aos sabores tradicionais (com muito açúcar) e aos diets/light, que são compostos por substâncias muitas vezes controversas.

O caso poderia passar batido caso não tivesse o nome Coca-Cola. O refrigerante em questão é a Coca-Cola Life, que vem com uma mistura de açúcar com extrato de folhas de stevia, um adoçante natural. A bebida já existe até em países vizinhos como a Argentina e Chile.

Não sei se o goto é bom ou ruim, mas tenho certeza que privar os brasileiros que consomem refrigerantes de uma opção mais saudável não é inteligente.

Leia a matéria abaixo e entenda mais a questão.

Coca-Life3-1024x771Os consumidores começaram a ver a Coca-Cola Life, dona de uma embalagem verde que a diferencia, nas prateleiras das lojas dos Estados Unidos nesta semana, afirmou a Coca-Cola.

A versão de cola com calorias reduzidas, adoçada com açúcar de cana e stevia, já foi lançada na Argentina (veja comerciais abaixo), Chile e Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos, o produto será inicialmente distribuído em unidades do The Fresh Market na Georgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e partes da Flórida. A Life estará disponível nacionalmente em outubro, garantiu a companhia.

A Coca planeja realizar fortes ações de sampling do novo produto, com mais de quatro mil eventos planejados pelo país. A Life também será promovida pela rede de painéis digitais da Coca-Cola. Uma porta-voz da marca se recusou a dar detalhes sobre os planos de marketing da marca ou relacionamento com agências.

“Fundamentalmente, queremos ser líderes nesse segmento emergente e a Life é nosso primeiro esforço para tornar isso realidade”, declarou Andy McMillin, vice-presidente da marca Coca-Cola para a América do Norte, referindo-se ao desejo dos consumidores por refrigerantes de baixa caloria.

Fonte: Meio & Mensagem

Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale – Crítica

Eric-Clapton-JJ-Cale-The-BreezeAs circunstâncias foram tristes – a morte do grande JJ Cale (26 de julho de 2013) -, mas o resultado foi absolutamente brilhante. Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale é, disparado, o melhor trabalho de Eric Clapton, em estúdio, em mais de uma década (no mínimo). A preguiça que se via em seus últimos trabalhos ficou para trás e a vontade de homenagear um de seus grandes heróis simplesmente fez Slowhand se mexer para criar um disco digno.

Para esse tributo, Clapton convocou uma seleção de primeira. Para reproduzir o cantar calmo, sussurrado, até meio preguiçoso de Cale e seu timbre de guitarra, estão no disco nomes como Tom Petty, John Mayer, Willie Nelson, Albert Lee, Derek Trucks, David Lindley, Doyle Bramhall II, Don Preston, Jim Keltner, Nathan East e Mark Knopfler, entre outros.

As 16 canções (há uma edição Deluxe com as versões originais de Cale), mostram a força e a personalidade de um dos maiores compositores norte-americanos e que, surpreendentemente, não é tão conhecido assim em seu país.

“Eu estava ciente do fato que ele é mais conhecido na Europa e no resto do mundo do que nos Estados Unidos. Isso é ruim, mas também significa que eu tenho uma oportunidade de apresentá-lo as pessoas através das canções que eu gravei”, conta Clapton.


Quem é JJ Cale 

Só para situar aqueles que não sabem quem é JJ Cale e qual a sua importância na obra de Clapton, é preciso dizer que dois dos maiores sucessos do Deus Da Guitarra são de autoria dele (After Midnight e Cocaine) e que outra das canções mais conhecidas do guitarrista teve sua inspiração nas composições e acordes de Cale (Lay Down Sally).

Só as canções citadas no parágrafo anterior já deveriam ser suficientes para despertar os menos avisados, mas a carreira de John Weldon Cale é muito mais rica – procurem ouvir o disco Naturally (1972) e vocês entenderão o que digo -, mas a idolatria de Clapton era tão grande que ele chegou a dividir um álbum com Cale (The Road to Escondido, de 2006), simplesmente indispensável.


Uma homenagem digna

Clapton and CaleMas se The Road to Escondido é indispensável, faltarão adjetivos para descrever esse Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale. Ele é disparado o disco onde Clapton ficou menos confortável nos últimos tempos, o que é uma ótima notícia, já que o maior pecado de seus discos recentes tem sido uma preguiça confortável, uma sensação de que ele prefere ficar na sua zona de conforto e não se arriscar, que não produz música do padrão que sabemos que ele pode criar.

Como o próprio Clapton disse, eles só tinham duas opções: fazer um disco com leituras livres das canções de Cale ou produzir um álbum tentando reproduzir a sonoridade do guitarrista de Tulsa. Questões logísticas acabaram fazendo com que a segunda opção fosse a escolhida.

Os pontos altos são muitos, a começar pela canção que dá nome ao disco e que foi lançada originalmente no disco Naturally – citado anteriormente. Call Me The Breeze é daquelas típicas canções de estrada, que lembra muito os velhos filmes de perseguição de automóveis, como Comboio ou Agarra-me se Puderes, e que deixam o ouvinte com vontade de quero mais.

Aliás, a maioria das canções do álbum é marcada por uma economia (em duração e solos) que pode até incomodar um pouco aqueles que veem espaço para voos maiores. Porém, essa economia era uma das marcas registradas de JJ. Clapton fez bem em mantê-la.

Outros dois grandes momentos do disco são: Train To Nowhere (com Mark Knopfler e Don White) e Crying Eyes (com Christine Lakeland e Derek Trucks). Mas essa escolha de canções foi difícil e acredito que será bem diferente para cada ouvinte.

 

Resumindo: esse é daqueles lançamentos que não temos o direito de não ter.


Versão Deluxe

 

deluxe2Para os colecionadores uma boa (ou má) notícia: a versão Deluxe, que custa meros US$ 100, parece bem mais interessante que a lançada para o último álbum. A gravadora Surfdog parece que absorveu bem as críticas dos fãs/colecionadores e resolveu criar um pacote realmente atraente, apesar do preço. É a velha combinação de livro, CD, pendrive com versões digitais das canções, incluindo um álbum extra com as gravações originais de JJ Cale e a primeira versão de After Midnight, lançada somente em single e até agora nunca editada em CD.

Confira o vídeo sobre essa edição e a tracklist.

CD TRACKLISTS:

Eric Clapton & Friends -The Breeze (An Appreciation of JJ Cale)

Call Me The Breeze

Rock And Roll Records (feat. Tom Petty)

Someday (feat. Mark Knopfler)

Lies (feat. John Mayer)

Sensitive Kind (feat. Don White)

Cajun Moon

Magnolia (feat. John Mayer)

I Got The Same Old Blues (feat. Tom Petty)

Songbird (feat. Willie Nelson)

Since You Said Goodbye

I’ll Be There (If You Ever Want Me) (feat. Don White)

The Old Man And Me (feat. Tom Petty)

Train To Nowhere (feat. Mark Knopfler and Don White)

Starbound (feat. Willie Nelson and Derek Trucks)

Don’t Wait (feat. John Mayer)

Crying Eyes (feat. Christine Lakeland and Derek Trucks)

JJ Cale – Originals

Call Me The Breeze

Rock And Roll Records

Someday (Unreleased Demo)

Lies

Sensitive Kind

Cajun Moon

Magnolia

I Got The Same Old Blues

Songbird (Unreleased Demo)

Since You Said Goodbye

I’ll Be There (If You Ever Want Me)

The Old Man And Me

Train To Nowhere (Unreleased Demo)

Starbound

Don’t Wait

Crying Eyes

After Midnight (Original 1966 Version)

Deluxe Edition CD Box Set includes:
• Collectible edition box featuring image of JJ Cale’s iconic Harmony guitar
• Collector’s CD of Eric Clapton & Friends The Breeze (An Appreciation of JJ Cale)
• Collector’s CD of JJ Cale’s original versions from The Breeze. Including three unreleased songs.
• Also includes the original version of JJ’s “After Midnight” – not released since 1966
• One-of-a-kind custom JJ Cale USB Turnbuckle. Loaded with Eric Clapton & Friends The Breeze Hi-Definition tracks, MP3s of all songs featured on the 2 CDs, and Extensive Video Interview with Eric Clapton
• Six 8.5×11 Lithographs
• 20 page 9×12 book includes:
-Extended Liner notes
-Lyrics
-Exclusive Photos

PS: O disco estreou no número 2 da parada inglesa!

PS”: Você pode ouvir três faixas do disco na playlist do F(r)ases, no menu direito do blog.

McCartney Archive Collection – Venus and Mars e At Speed of Sound

VM_deluxe_2_of_5Desde 2010 que Paul McCartney resolveu olhar para trás e dar ao seu catálogo com o Wings um cuidado que deixou todos os fãs felizes e bem mais pobres. Os discos – relançados através da McCartney Archive Collection, que, além de trazerem um vasto material inédito, ainda são complementados com vídeos e livros de primeira linha em suas versões superdeluxe. Desde o pontapé inicial com o disco Band on the Run (1973), já foram resgatados os discos McCartney (1970), Ram (1971), Wings Over America (1976) e McCartney II (1980). Agora chegou a vez dos discos Venus and Mars (1975) e Speed of Sound (1976).

Os dois discos serão lançados ao mesmo tempo – 22 de setembro (UK) e 23 de setembro (USA) – e seguem o mesmo caminho dos títulos anteriores. Porém, talvez por preferência pessoal ou simplesmente por ser mesmo mais interessante e inspirado, a chegada do Venus and Mars causa bem mais ansiedade, seja pela qualidade das canções e pelo melhor material bônus, ou seja, por ser um dos discos com pior mixagem no catálogo de Sir Paul.

SOS_deluxe_2_of_5Os dois discos formaram a base do repertório para a turnê pelos Estados Unidos e que gerou o Wings Over America, além de consolidar o Wings como uma das grandes forças criativas e bem sucedidas nas paradas da década de 70. Canções como Letting Go, Rock Show, Silly Love Songs e Let ‘Em In, são instantaneamente reconhecidas por qualquer um que conheça minimamente o som que era tocado naquela época ou nas FMs “adultas” de hoje.

 

Quase reatando com Lennon e gravando com John Bonham 

Se Venus and Mars tem o climão de New Orleans (onde foi gravado quase na totalidade) e entrou para a história como o momento mais próximo de ter a parceria Lennon e McCartney reatada, Speed of Sound solidificou a volta de McCartney como força comercial.

Os highlights do material bônus são:  Going To New Orleans (My Carnival), Let’s Love, Baby Face e 4th Of July, do Venus and Mars; e Must Do Something About It (com Paul no vocal) , She’s My Baby (demo) e Beware My Love (com John Bonham na bateria), do Speed of Sound; todas nunca lançadas oficialmente.

 

Além disso, as filmagens das gravações da canção My Carnival e as cenas de Paul e Linda no Mardi Grass prometem.

Abaixo os setlists dos dois lançamentos em seus vários formatos (CD duplo, vinil duplo, box deluxe e versão digital).

PS: Os preços ainda podem variar muito nestes momentos de pre-order, mas pode esperar algo em torno dos US$ 100.

 

VENUS AND MARS

VM_deluxeCD 1 – Remastered Album

1.        Venus and Mars
2.        Rock Show
3.        Love In Song
4.        You Gave Me The Answer
5.        Magneto and Titanium Man
6.        Letting Go
7.        Venus and Mars – Reprise
8.        Spirits Of Ancient Egypt
9.        Medicine Jar
10.      Call Me Back Again
11.      Listen To What The Man Said
12.      Treat Her Gently – Lonely Old People
13.      Crossroads

 

vnmT568-8CD 2 – Bonus Audio

1.        Junior’s Farm
2.        Sally G
3.        Walking In The Park With Eloise
4.        Bridge On The River Suite
5.        My Carnival
6.        Going To New Orleans (My Carnival)
7.        Hey Diddle [Ernie Winfrey Mix]
8.        Let’s Love
9.        Soily [from One Hand Clapping]
10.      Baby Face [from One Hand Clapping]
11.      Lunch Box/Odd Sox
12.      4th Of July
13.      Rock Show [Old Version]
14.      Letting Go [Single Edit]
DVD – Bonus Film

1.        Recording My Carnival
2.        Bon Voyageur
3.        Wings At Elstree
4.        Venus and Mars TV Ad

 

SPEED OF SOUND

 

SOS_deluxeCD 1 – Remastered Album

 

1.         Let ‘Em In
2.         The Note You Never Wrote
3.         She’s My Baby
4.         Beware My Love
5.         Wino Junko
6.         Silly Love Songs
7.         Cook Of The House
8.         Time To Hide
9.         Must Do Something About It
10.      San Ferry Anne
11.       Warm And Beautiful

 


CD 2 – Bonus Audio

 

1.         Silly Love Songs [Demo]
2.         She’s My Baby [Demo]
3.         Message To Joe
4.         Beware My Love [John Bonham Version]
5.         Must Do Something About It [Paul’s Version]
6.         Let ‘Em In [Demo]
atsosMPL76455-47.         Warm And Beautiful [Instrumental Demo]

 

DVD – Bonus Film

 

1.          Silly Love Songs Music Video
2.          Wings Over Wembley
3.          Wings In Venice

R.I.P. James Garner

James Garner - Arquivo ConfidencialAlguns atores são inesquecíveis, muitas vezes mais por nossa memória afetiva do que pelo seu talento. James Garner era um desses casos. Embora tenha protagonizado ótimas sérias como Marverick (1957 – 1962) e Arquivo Confidencial (1974 – 1980) e alguns bons filmes – Victor ou Victoria (1982); O Romance de Murphy (1985) e Cowboys do Espaço (2000) – Garner sempre manteve aquele ar de canastrão simpático, o que lhe dava um charme especial para interpretar papéis cômicos.

James GarnerA sua morte – assim como a de David Niven – é para ser lamentada por todos os que acham que cinema e televisão são, antes de tudo, entretenimento. Garner era a síntese do descompromisso (ou compromisso em divertir).

Vou lembrar com saudades dos episódios de Arquivo Confidencial que assisti quando era um adolescente.

R.I.P. James Garner

Paul McCartney na América do Sul (e eu em vídeo)

Eu e Paul no Chile

*Adicionado o show de Montevidéu

Depois de visitas anuais iniciadas em 2010, parece que Paul McCartney vai dar um descanso aos bolsos de seus fãs brasileiros em 2014 (pelo menos até a Copa). Até o momento já foram confirmados shows no Chile, Peru, Equador e Costa Rica. Além dessas apresentações, ainda há chance dele se apresentar no Uruguai (show confirmado para o dia 19 de abril).

Como sempre acontece, Paul gravou mensagens para convocar os fãs para seus shows. O interessante é que na chamada do Chile o primeiro frame mostra a minha imagem com a camisa do Liverpool (de novo). Já estou pensando em cobrar direito de imagem.

Abaixo as datas e os vídeos que Paul fez para cada apresentação.

19 de abril – Estádio CentenárioMontevidéu – Uruguai
21 e 22 de abril
– Arena Movistar – Santiago – Chile
25 de abril – Estádio Nacional – Lima – Peru
28 de abril – Estádio de Liga – Quito – Equador
1 de maio – Estádio Nacional – San Jose – Costa Rica

Os vídeos:

Chile e eu

Peru

Equador

Costa Rica

Uruguai

Van Morrison ajuda ex-guitarrista de Paul McCartney

Henry McCullough shot on locationHenry McCullough, de 70 anos, recrutado por Paul McCartney para ser o primeiro guitarrista da sua banda pós-Beatles, Wings, sofreu um ataque do coração em 2012 que ocasionou perda de oxigênio no cérebro, deixando-o em uma cadeira de rodas e sem conseguir falar pelo resto da vida. Ao contrário do que poderia se esperar, não foi Paul, mas sim o também músico Van Morrison quem ajudou a família do guitarrista, financiando uma reforma na casa onde McCullough e sua esposa vivem.

Van Morrison pode até não ter muito talento (há controvérsias), mas, com certeza, tem um bom coração.

Para quem não sabe quem é McCullough, é dele o solo da canção My Love (um dos grandes sucessos do Wings) e da frase “I don’t know, I was really drunk at the time”, ouvida no fim da canção Money, do Pink Floyd.

PS: Todas as piadas internas sobre “Van” foram para o amigo Antonio Carlos Ramos.

Recordações do show de Elton John no Rio – 19/2/14

DSC04987Reuni alguns vídeos do show de Elton John na HSBC Arena e resolvi compartilhá-los.

Padrão Jo Nunes de qualidade.

PS: Detalhe para o inglês perfeito da plateia no refrão de Crocodile Rock.

Grammy 2014 – O ano do Daft Punk e de Paul McCartney

indicados-grammy-2014A 56ª cerimônia de entrega dos prêmios Grammy confirmou a tendência mundial de criar eventos onde o maior número possível de artistas vá para casa com algum troféu. Foram 82 categorias, dominadas por nomes como Jay Z, Lorde e os robôs do Daft Punk. Houve também uma certa overdose de Bruno Mars e a certeza de que a música perdeu o rumo em algum momento da história.

Uma das coisas inexplicáveis da cerimônia foi o pouco espaço dado ao cantor e ator LL Cool J, que já havia feito um bom trabalho como mestre de cerimônias em outras edições, mas que foi um mero coadjuvante este ano. Mesmo assim, no geral o Grammy foi bastante agradável, opinião que é contestada por muita gente que apenas gosta de música, mas não é tão ligada ao assunto.

Paul McCartney Grammy Awards 2014Pontos altos: as vitórias do Daft Punk, a apresentação inspirada no Cirque du Soleil de Pink, a beleza de Taylor Swift e Julia Roberts e alguns segmentos musicais, principalmente quando comandados por veteranos. Stevie Wonder, Willie Nelson, Carole King, Ringo Starr e Sir Paul McCartney, são a prova daquela perda de rumo que citei no primeiro parágrafo. Perto deles, as atrações mais atuais pareceram pálidas e até mesmo Madonna não segurou bem a onda.

Velhinhos se destacam

Como acontece todos os anos, vários das mais de 80 estatuetas são distribuídas em uma cerimônia que acontece antes da festa principal que é transmitida pela TV. É nesta premiação que alguns dos prêmios mais importantes para quem gosta mesmo de música são conhecidos. Este ano, embora pouca gente tenha visto, artistas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Ben Harper e Charlie Musselwhite.

Beyonce-JayZ-GRAMMYSó neste pré-Grammy Paul McCartney já saiu com quatro Grammy por seus trabalhos solo e com os Wings, além de ter contribuído em muito para o ganho pelo projeto Sound City (Melhor Trilha Sonora). Com isso, podemos considerar que Macca já chegava na cerimônia com cinco prêmios e ainda ganharia mais um pelos 50 anos da chegada dos Beatles aos EUA, além de estar na briga pelo Grammy de melhor canção de rock. Como ele também levou esse, foi para casa com um total de seis prêmios, o melhor desempenho de sua carreira e de toda a cerimônia.

Boas apresentações

As performances musicais foram acima da média. Carole King, a gangue de veteranos músicos country, a bela homenagem ao falecido Don Everly e a sensacional aparição de Nile Rodgers, Pharrell Williams e Stevie Wonder, com o Daft Punk, que pôs todo mundo para dançar. Carole King mostrou que ainda é uma grande compositora/intérprete e que os ex-beatles mantêm a magia, mesmo quando tocando uma canção que não faz jus ao que a banda produziu nos anos 60.O grand finale também manteve o alto astral. Dave Grohl, Queens of the Stone Age, Nine Inch Nails e Lindsay Buckingham, do Fleetwood Mac, mandaram muito bem.

PinkÉ difícil condensa uma festa desse tamanho em poucas palavras, mas o Grammy, depois de um período muito fraco, deu a volta por cima e passa novamente a valorizar (na maioria das vezes) os melhores em cada categoria.

Alguns dos pontos altos da premiação

Melhor Performance de Rock: Imagine Dragons – Radioactive

Melhor Performance de Metal: Black Sabbath – God Is Dead?

Melhor Canção de Rock: Nirvana / Paul McCartney – Cut Me Some Slack

Melhor Álbum de Rock: Led Zeppelin – Celebration Day

Melhor Álbum de Blues: Ben Harper with Charlie Musselwhite – Get Up!

Melhor Trilha Sonora: Dave Grohl & co – Sound City – Reel To Reel

Melhor Caixa ou Edição Limitada: Paul McCartney & Wings – Wings Over America (Deluxe Edition)

Melhor Álbum Histórico: Rolling Stones – Charlie Is My Darling, and Bill Withers – The Complete Sussex And Columbia Albums

Melhor Álbum Surround: Paul McCartney – Live Kisses

Melhor Filme Musical: Paul McCartney – Live Kisses

Confira aqui todos os vencedores

 

 

 

DVD conta a história dos Eagles

eagles-blog480A maioria das pessoas não sabe, mas o disco mais vendido nos Estados Unidos no Século XX não foi Thriller, de Michael Jackson, mas sim Their Greatest Hits (1971–1975), dos Eagles. Thriller é o disco mais vendido da história, mas contando apenas os Estados Unidos, perde para o grupo hoje formado por Glenn Frey, Don Henley, Joe Walsh e Timothy B. Schmit, mas que também teve em sua linha de frente Bernie Leadon, Randy Meisner e Don Felder.

HistoryoftheEaglesO DVD (duplo) History of the Eagles – The Story of an American Band, conta, desde o seu início, a saga dos criadores de canções como Take It to the Limit, Life in the Fast Lane e, claro, Hotel California. Além do documentário – dividido em duas partes – o DVD ainda conta com a histórica apresentação da banda no Capital Center, em 1977.

Ao contrário da maioria das biografias oficiais – termo em voga – o filme não esconde os desentendimentos entre os membros da banda e revela até um áudio onde, durante uma apresentação, alguns deles praticamente marcam uma briga para depois do concerto. Outro ponto alto do documentário é contar com depoimentos de todos os músicos que fizeram parte do grupo, além do seu empresário (Irving Azoff), um dos grandes responsáveis pelo sucesso e reaproximação da banda, após sua separação, em 1980.

the-eagles-8Apesar do grande sucesso, os Eagles – confirmando o título de banda norte-americana – só foi conhecer os palcos da Europa depois de ter resolvido voltar a ativa, em 1994. Mas, para eles, o que importa é que venderam milhões de discos, fazem parte do Hall da Fama do Rock, criaram canções que jamais sairão da mente das pessoas e ficaram muito, muito ricos. Hoje, eles ainda fazem turnês e, embora seu último trabalho de estúdio tenha sido o apenas razoável Long Road Out of Eden (2007), seus concertos continuam lotando em todos os lugares pelos quais passam.

Se você nunca prestou atenção neles, essa é a hora de conhecer um dos pesos pesados do rock nos anos 70.

http://vimeo.com/26099738

Jack Johnson – From Here to Now to You ou Músicas para Ouvir Deitado em uma Rede

Jack Johnson - From Here to Now to YouO havaiano Jack Johnson chega ao seu sexto álbum relaxando enquanto vê as ondas deitado confortavelmente em uma rede na beira de alguma praia. Pelo menos é essa a impressão que temos ao ouvir From Here to Now to You, que longe da surf music original dos Beach Boys, segue a onda segura de canções acústicas com cheiro de praia. E olha que nem é preciso saber nadar, surfar ou ser rato de praia, para navegar no som de Johnson.

O sol brilha nas 12 faixas do disco, deixando de lado quase todo sinal de eletricidade encontrado em To the Sea (2010). O primeiro single do disco (I Got You) tem a cara e a personalidade de tudo o que se ouve no álbum: melodia agradável, guiada no assobio, com um arranjo sem frescuras. Nem mesmo a presença da guitarra de Ben Harper, em Change, muda o rumo da jangada do artista.

Da abertura (a já citada I Got You) até o término (com a ótima Home), podemos colocar os óculos escuros, fechar os olhos e aproveitar a brisa ao som de Washing Dishes, Never Fade ou Radiate. Jack Johnson pode até não voltar a pegar a onda mais alta da sua vida, embora From Here to Now to You não tenha feito feio nas paradas mundo afora.

Barry Gibb – O2 Arena – 3/10/2013

Barry Gibb ISei que já faz tempo e que uma crítica sobre esse show poderia ser considerada dispensável. Porém, como esse foi o último show do ex-Bee Gees até o momento e como o concerto coroou um dia inesquecível (entrevistei Sir Paul, lembram?), além de ter tido uma carga emocional acima da média, vale o registro.

A última noite da The Mythology Tour, a primeira sem a presença de seus irmãos e sem o nome Bee Gees nos cartazes, foi recheada de emoção. Talvez por contar com a presença de vários parentes e amigos na plateia e até mesmo gente vindo do Japão e da Alemanha especialmente para vê-lo, seja pela presença da sobrinha (Samantha) e do filho (Stephen) no palco com ele, além, claro, das lembranças dos irmãos e família, tive até medo de que o astro da noite não conseguisse terminar a apresentação, tantos foram os momentos nos quais chorou e teve dificuldade para completar as canções.

Mas vamos começar do começo.

A O2 Arena

Barry Gibb IILondres é uma cidade que se reinventa a cada ano, a cada dia. A construção da O2 Arena – onde também funciona um museu do rock – é um dos exemplos de modernização que se encaixa na tradição. Localizada perto da London Bridge, a arena é, para quem mora no Rio, extremamente parecida com a HSBC Arena, com a pequena diferença de que você sai do metrô ou do terminal de ônibus, dá uns 5 passos e está no local do show, sem sofrer nem mesmo com uma chuva, caso ela aconteça.

O espaço (amplo) é bem sinalizado e conta com uma quantidade inimaginável de pessoas para orientar o público (pensando em padrões brasileiros). Outro destaque é que mesmo os locais mais baratos e que deveriam ter uma visão pior, permitem uma experiência muito satisfatória. Claro que, comprados aos 44 do segundo tempo, só consegui ingressos com uma visão lateral do palco, que me surpreendeu pela qualidade e conforto. Some-se bares e banheiros impecáveis, e temos um espaço dos mais adequados para shows para até 20 mil pessoas.

O show

Barry Gibb IIIBarry entrou no palco carregando nos ombros o legado dos Bee Gees e, como vocalista da maior parte dos grandes sucessos da banda, a responsabilidade de manter a bola quicando. A presença de parente e amigos, que, teoricamente, poderia facilitar as coisas, acabou transformando a noite em um emaranhado de emoções difíceis de segurar. O repertório, recheado de hits, seguia a gangorra habitual dos grandes astros, mesclando baladas com canções mais agitadas.

Abrindo com Jive Talkin’, Lonely Days e You Should Be Dancing, o cantor deixou claro que iria jogar pesado, não dando chance para que alguém pudesse sair do clima do concerto. How Can You Mend a Broken Heart? e How Deep Is Your Love? seguiram mantendo o teor emocional, que se acentuou de maneira realmente comovente quando ele começou a cantar I Started a Joke, que contou com a segunda parte sendo interpretada (no telão) pelo irmão Robin. Se Barry já havia chorado algumas vezes antes desse momento, nessa hora grande parte da plateia não aguentou e caiu nas lágrimas. Porém, o momento mais comovente aconteceu mesmo na última canção da noite* (Words) que dedicou a esposa e quase não conseguiu finalizar, já que a emoção e um coro inacreditavelmente afinado do público quase não permitiram que Barry cantasse. Arrepiante.

Barry Gibb IVAinda tive a grata surpresa de saber que o filho de um Bee Gees é metaleiro e que sua sobrinha tem voz para pensar em seguir a carreira dos tios e do pai., o que tornou a noite mais única ainda. Aliás, pouco antes das 22h uma cena estranha para mim aconteceu. Hordas de pessoas levantaram e SAÍRAM da Arena. Isso, no meio do show! Seria algo relacionado com o horário de funcionamento do metrô ou dos ônibus? Será que só eu estava gostando da apresentação? Estaria o local pegando fogo? Paul McCartney estava fazendo um concerto surpresa do lado de fora? Não. Era apenas a chegada do horário limite para a venda de bebidas. Cerca de 5 minutos após a debandada, as mesmas horas de pessoas (agora munidas de muitos e grandes copos) voltavam para os seus lugares. Foi engraçado.

Infelizmente o website de Barry Gibb está desatualizado e não há informações sobre novas datas. Esse é o tipo de concerto que cairia muito bem em um festival brasileiro.

* Ainda houve a apresentação de Massachusetts, com os Bee Gees no telão.

O setlist

Jive Talkin’
Lonely Days
You Should Be Dancing
First of May
To Love Somebody
How Can You Mend a Broken Heart? (com Samantha Gibb)
How Deep Is Your Love?
On Time (vocal de Stephen Gibb)
I’ve Gotta Get a Message to You
Morning of My Life
New York Mining Disaster 1941
Run to Me
With the Sun in My Eyes
Every Christian Lion Hearted Man Will Show You (com Stephen Gibb)
I Started a Joke (com Robin Gibb)
Spicks and Specks
Chain Reaction (vocal de Samantha Gibb)
Islands in the Stream
Guilty
Woman in Love (vocal de Beth Cohen)
Too Much Heaven
Fight the Good Fight
(vocal Stephen Gibb)
Stayin’ Alive
If I Can’t Have You (vocal de Samantha Gibb)
Night Fever
More Than a Woman
Immortality

Bis:
Ordinary Lives
Words
Massachusetts

Fotos: Fernando de Oliveira e Jo Nunes

Vídeos: Jo Nunes

The Diving Board – Elton John em grande estilo

Elton John - The Diving BoardAlguns artistas se destacam não apenas pelo sucesso comercial, pelo trabalho de qualidade, mas também pelo longevidade. Sir Elton John é um deles. Apesar do tempo de grande fazedor de sucessos já ter passado, de sua voz ter perdido quase que totalmente os agudos e seus álbuns mais recentes tenham sofrido com escolhas duvidosas de repertório e uma dose acima do recomendável de pretensão, ninguém duvida de que Elton ainda é capaz de criar boas melodias para acompanhar os sempre belos e densos poemas escritos por Bernie Taupin. Talvez faltasse encarar o desafio da modernidade olhando para trás, sem querer soar solene. The Diving Board – 31° álbum de estúdio do ex-Capitão Fantástico – consegue soar relevante, moderno e com ecos do melhor da produção musical do pianista nas décadas de 70 e 80.

Posso até correr o risco de soar repetitivo, mas The Diving Board guarda semelhanças (em produção e relevância) com New, disco lançado a pouco por outro Sir, Paul McCartney. Os dois álbuns foram lançados após um razoável tempo longe dos estúdios (mais no caso de Elton) e contaram com uma ótima produção, para poder destacar o talento dos artistas, colocando-os em conexão com suas qualidades e deficiências atuais.

EltonJohnStreamimage._V358412848_Depois de vários discos onde as intenções foram melhores que os resultados – Peachtree Road (2004), The Captain & the Kid (2006) e The Union, com Leon Russell (2010) – Elton parece ter redescoberto que valorizar o básico sempre lhe fez bem. Na verdade, desde Songs from the West Coast (2001) o músico não lançava uma coleção de canções com tanta qualidade e coerência. Logo na faixa de abertura, Oceans Away – uma homenagem ao pai de Bernie, que foi um veterano herói de guerra -, onde apenas a voz e o piano de Elton dão peso a uma melodia e a uma linha de piano que muito bem poderiam estar em Goodbye Yellow Brick Road ou em algum dos discos que lançou no início dos anos 80, graças a produção de T-Bone Burnett, que conseguiu trabalhar a voz de Elton e fazê-la soar décadas mais jovem e fazer com que sua banda (sem os membros originais/tradicionais) soasse como há muito não fazia. O pandeiro de Ray Cooper está lá, mesmo não sendo tocado por ele!

Os mais novos podem não saber – e o próprio Elton parece ter esquecido – o quão bom ele é ao piano. A Town Called Jubilee é um dos momentos onde o talento como pianista se destaca e deixa claro que quando bem orientado e focado, ele ainda pode jogar em altíssimo nível. Até mesmo os três temas instrumentais – Dream #1, Dream #2 e Dream #3 – têm uma aura que foi se diluindo em produções cheias de sintetizadores, teclados elétricos e baterias eletrônicas, que não tem espaço aqui.

Elton-John-1024x819Não há mais Saturday Night’s Alright For Fighting, Candle in the Wind ou Your Song. As canções estão mais mid-tempo e, na verdade, é até mesmo difícil pensar em uma canção de The Diving Board que se encaixe na definição de single. Mesmo assim, do início ao fim, com a belíssima música-título, o disco segue de maneira que deixa os fãs mais antigos com a (boa) sensação de que podem reconhecer traços de arranjos e melodias antigas em alguns pontos específicos de cada faixa e permite aos mais jovens entender o porquê dele ter alcançado um prestígio e fama que se mantém por mais de 40 anos.

A versão lançada no Brasil é a deluxe, que incluí, além das 15 faixas do disco normal, mais quatro gravadas ao vivo nos estúdios da Capitol, nos Estados Unidos, onde fica clara a diferença entre a produção de estúdio e a verdade de uma apresentação ao vivo.

Mas depois de todos esses elogios fica a pergunta: Quão bom é esse disco? Bem, ele é melhor que Blue Moves e A Single Man, mas pior que qualquer outro disco da década de 70. É superior a Too Low for Zero e Breaking Hearts, assim como é bem mais inspirado que Songs from the West Coast (mesmo sem singles de sucesso).

Animaram-se?

 

‘Help!’ chega em alta definição às prateleiras brasileiras

PrintO longa-metragem Help!, lançado em 1965, dirigido por Richard Lester e estrelando os Beatles, volta em formato Blu-ray, som 5.1 e recheado de extras. Se no ano anterior a primeira experiência do grupo de Liverpool no cinema – A Hard Day’s Night (no Brasil, Os Reis do iê-iê-iê), foi filmado em preto e branco, com locações simples e baratas e mostrava um dia fictício na vida da banda, que ainda era um fenômeno local, Help! já encontra a banda em outro estágio da carreira. Em 1965, os Beatles já haviam conquistado os Estados Unidos e já eram uma potência grande o suficiente para merecerem um filme colorido, com locações nas Bahamas e nos Alpes Austríacos, apesar de manter o mesmo núcleo de trabalho de A Hard Day’s Night (diretor, produtor e astros).

O filme tem uma trama bem mais elaborada – um dos anéis usados por Ringo Starr é alvo de um ritual por parte de um grupo de religiosos, que persegue o baterista -, boas doses de humor e uma trilha sonora das mais inspiradas da história do cinema. O trabalho de restauração da imagem e o som 5.1 são brilhantes e os extras trazem um documentário sobre as filmagens, um outro sobre o processo de restauração do filme, cenas não usadas, os trailers oficiais usados nos cinemas e muito mais para agradar os fãs de carteirinha e os de primeira viagem.

Beatles HelpA experiência de ver o filme em Blu-ray é simplesmente única e ouvir canções como Help!, The Night Before, You’re Going to Lose That Girl e Ticket to Ride em som 5.1 atordoa. Os completistas podem até reclamar que a trilha original (em mono) deveria fazer parte do pacote. Mas, embora uma reivindicação justa, ela em nada diminui o valor do lançamento, bem cuidado em cada pequeno detalhe.

Quem nunca viu um dos filmes dos Beatles, Help! é a escolha mais certeira. Já para quem viu todos e já comprou as recentes reedições de A Hard Day’s Night, Magical Mystery Tour, Yellow Submarine e ainda espero a chegada do derradeiro registro em filme (Let it Be), Help! apresenta-se como um caprichadíssimo lançamento do filme mais bem produzido dos Fab Four.

Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense



She & Him lança novo álbum e cria um pop nostálgico de qualidade

A dupla está de volta com Volume 3, trabalho que consolida o talento de M. Ward e Zooey Deschanel. O disco é recheado de citações ao som da década de 1960

She-Him-Volume-3O duo She & Him – formado pelo cantor, produtor e guitarrista M. Ward e a cantora e compositora Zooey Deschanel – lança seu quarto álbum (o terceiro autoral): Volume 3, distribuído no Brasil pelo selo Lab 344. As 11 canções – todas compostas por Zooey Deschanel – são uma evolução do som apresentado nos volumes 1 e 2, com o som pop do início dos anos 60 ainda servindo como grande inspiração. Há momentos onde podemos reconhecer o som dos Beatles e algumas harmonias dos Beach Boys, tudo isso com um toque de modernidade que já serviria como passaporte para ser catalogado como um dos bons lançamentos do ano. Mas o que realmente impressiona é a qualidade das composições de Zooey e a precisa produção de Ward. A união da dupla cria um bolo pop/nostálgico, sem soar saudosista.

Para os que se entusiasmam com a falta de inspiração melódica da música atual, She & Him dá uma aula de como um bom disco pop deve soar: com melodia, harmonia e boas letras.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense