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Bohemian Rhapsody – A apoteose da rainha

Bohemian Rhapsody, que chega amanhã aos cinemas, emociona e vai fazer muita gente cantar, apesar de algumas licenças poéticas

Deus salve a rainha!

Provavelmente, mesmo o mais punk dos britânicos se renderá à magia da história do Queen contada no longa Bohemian Rhapsody, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1).

Bohemian Rhapsody é uma celebração exuberante do Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta.

O filme mostra o sucesso meteórico da banda e a sua quase implosão.

Durante esse processo, foi consolidado o legado do grupo, um bando de desajustados.

Bismillah, que filme!

A direção (Dexter Fletcher) é afiada, assim como as atuações de Rami Malek (Freddie Mercury), Ben Hardy (Roger Taylor), Joseph Mazzello (John Deacon) e, principalmente, Gwilym Lee (Brian May).

— Quando você faz Freddie Mercury o dia todo, passa a ser Freddie Mercury — disse Malek em uma de suas entrevistas durante a divulgação de Bohemian Rhapsody.

Mas, se as atuações são irretocáveis (até os gatos têm boas atuações), o figurino maravilhoso, os efeitos especiais super realistas e, óbvio, a trilha sonora é sensacional, por que o filme não é perfeito?

A reposta está no roteiro. Não que ele seja ruim (muito pelo contrário), há ótimas tiradas de um humor tipicamente britânico, mas a necessidade de apresentar um Mercury mais doce e sem falar quase nenhum palavrão e as licenças poéticas/graves erros de cronologia, vão incomodar o fã mais atento.

E olha que Brian May e Roger Taylor estão entre os produtores executivos do filme!

O Brasil, particularmente o Rio de Janeiro, ganha cenas que vão deixar os brasileiros emocionados em saber da importância da apresentação do Rock in Rio (em janeiro de 1985) para a banda. Infelizmente, é aí que acontece o mais grave desses erros de cronologia.

O longa usa o emblemático momento de Love of my life cantado em uníssono no Rock in Rio como mote para a cisão fundamental na vida de Mercury. Porém, o momento é descrito como se tivesse acontecido muitos anos antes da data verdadeira.

Outra licença poética foi alterar a data na qual Mercury revelou aos companheiros que estava com Aids. Talvez para caber tudo nas 2h15min de duração, adiantaram em alguns anos esse evento — Mercury só seria oficialmente diagnosticado em 1987.

Galileo, Galileo, Galileo, Figaro

Até chegar por aqui, Bohemian Rhapsody passou por diversas mudanças. Uma delas, crucial. O ator britânico Sacha Baron Cohen (conhecido por sua atuação em Borat) viveria Mercury inicialmente, sob direção de Bryan Singer. Dexter Fletcher — que era a primeira opção, quando se começou a falar no filme, em 2010 — assumiu a direção e Malek incorporou Mercury.

Mas para quem quer um relato mais preciso da história da banda, melhor ler o livro 40 Years of Queen.  Além da trajetória do Queen,  traz uma boa quantidade de memorabilia. Peça a sua cópia aqui (em inglês).

Live Aid

Já a apresentação no Live Aid — em 13 de julho de 1985 — é o momento usado para unir toda a história. Iniciando e fechando o filme, o show no estádio de Wembley. Ganha um registro quase tão poderoso quanto o da performance verdadeira.

Para quem não lembra (ou sabe), o Queen estava longe de ser uma das atrações principais do evento. Porém, com o tombo de Pete Townshend e uma apresentação burocrática do The Who, os desafinos do Duran Duran, a péssima noite do Led Zeppelin, o microfone desligado de Paul McCartney e a embaraçosa performance de Bob Dylan, Keith Richards e Ron Wood, foram Freddie & Cia e o U2 quem roubaram a cena.

Aliás, o áudio do show é a cereja do bolo da trilha sonora do filme, já que jamais havia sido lançada oficialmente. Mas não deixe de ouvir as outras canções. Você vai correr para elas assim que sair da sessão.

Veja os discos do Queen e escolha o seu

Como não querer escutar Don’t Stop Me Now, Somebody To Love, Crazy Little Thing Called Love ou Under Pressure em um looping infinito?

Clássicos

Bohemian Rhapsody (o filme) é também uma celebração da música criada pelo quarteto. Momentos da criação de clássicos como We Will Rock You, Another One Bites the Dust, Bohemian Rhapsody (claro) e outras canções icônicas estão lá.

Com certeza, as salas de cinema farão com que muita gente solte a voz — principalmente os desafinados — em volumes bem maiores que o recomendado, para desespero de quem quiser ouvir Freddie Mercury em todo o seu esplendor.

Pipoca e lenços

O filme não chega até os últimos dias do cantor — para no Live Aid, e apenas cita o que aconteceu depois. Não há nada sobre os discos da última fase da banda. Mas as lágrimas estão garantidas em grande parte das cenas.

Se a pipoca é a companhia inseparável para um bom filme, aconselho comprar também uma embalagem de lenços de papel. Eles serão muito necessários.

Freddie Mercury faleceu em 24 de novembro de 1991, aos 45 anos. Sua última aparição pública foi durante o BrittAwards, em 18 de fevereiro de 1990. Nesse período de um ano, viveu em reclusão, cercado apenas pela família e os amigos mais chegados. Foi na fase terminal da doença que Mercury gravou vocais para o Queen, que lançaria um disco inteiro póstumo.

Fãs tiveram a confirmação da doença a três dias de sua morte, por um comunicado oficial de “Miami” Beach, manager do Queen, feito a pedido do próprio Freddie Mercury.

Impressionante lembrar que já faz tanto tempo.

Deus salve a rainha!

Cotação **** ½

Texto: Fernando de Oliveira e Débora Thomé

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

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Queen – outra crítica politicamente incorreta

Atenção: Para ler uma crítica puramente musical, leia meu texto no Dia Online. Saiba também como é o novo CD do Queen: The Cosmos Rocks.

Ag. NewsA semana tinha começado com um (bom) show de outra “banda do passado” – o Duran Duran – que, apesar dos esforços do último disco, com participações de queridinhos da indústria musical dos tempos de hoje, não conseguiu fazer decolar o CD. O que funcionou mesmo foram os antigos sucessos.

Ficava a dúvida: Se o Duran Duran não conseguiu lotar o Vivo Rio, será que o Queen (sem Freddie Mercury, óbvio) conseguiria lotar a Arena Multiuso (ou HSBC, como queiram), um local muito maior? Será que conseguiriam se livrar de apenas serem um ato nostálgico?

A resposta começou a ficar clara ao chegar nas proximidades do autódromo e deparar com um imenso engarrafamento. Não lotou, mas tinha pelo menos uma 4x mais gente que no show dos Durans, isso com o preço do ingresso chegando até R$ 400!

Ag. NewsSei que é injusto comparar o peso e a história do Queen com os Durans, mas temos que ter algum parâmetro. Os súditos da “Rainha” trouxeram um show de rock como se espera um. Bom som (que podia estar um pouco mais alto), luzes, telão, ótimos músicos de apoio e músicas para todos os gostos.

A seqüência inicial (cheia de sucessos), foi o que era preciso para se ter a certeza de que ninguém ousaria reclamar de Paul Rodgers, cantor competentíssimo (que faz o vocal da minha versão preferida de These Arms of Mine, de Ottis Reading) e que está na estrada há mais tempo que o próprio Queen. Rodgers é mais roqueiro, tem boa presença de palco e conseguiu demarcar seu lugar na banda, no show e no coração do público.

A emoção e alegria eram visíveis nos rostos de Rodgers (que sorria, agradecia e mandava beijos e acenos o tempo todo), de Roger Taylor (que chegou a ficar surpreso quando o público cantou 39 quase na sua totalidade) e Bran May (que chorou após Love of My Life e no fim do show, quando não conseguia segurar nenhuma lágrima).

“Ainda lembro de vocês cantando esta canção nos anos 80…Vamos cantar pelos amigos que estão ausentes. Vamos cantar por Freddie Mercury”, disse antes de Love of My Life.

Ag. NewsO que poderia ficar piegas (a própria Love of My Life) acabou sendo uma homenagem justa e na medida certa. As aparições de Mercury em Bijou e  Bohemian Rhapsody em nada soaram oportunistas. As músicas do Queen são patrimônios e a banda (mesmo sem John Deacon) cuida delas com carinho e respeito, e ainda mostram que há como viver convivendo com elementos do passado. Mostraram que o show e a vida podem continuar, sem ter que esquecer ou deixar de lado momentos, coisas ou pessoas do passado . Mostraram que é possível construir um futuro diferente e feliz apenas mudando aquilo que é preciso mudar.

Provavelmente o melhor show internacional de 2008.

Pontos altos:

O set de Brian May e Roger Taylor na rampa que cortava a platéia;
A montagem do kit de bateria de Roger durante o seu solo (a bateria foi montada enquanto ele tocava);
A inclusão de músicas do A Night At the Opera (como 39 e I’m in Love With My Car);
A Arena (ótima acústica e ótimas dependências):
A boa forma da guitarra de May,
A presença de palco de Paul Rodgers.

Pontos fracos:

O preço (abusivo para o Brasil);
O volume do som (poderia ter alguns decibéis a mais),
A Arena (looonnggeee demais e tudo e com um estacionamento difícil de chegar).

Love of My Life

39

Bohemian Rhapsody

Algumas fotos tiradas por mim (fotos profissionais você encontra no Dia Online).

Duas letras para parar, ler e pensar:

Love of My Life (Freddie Mercury)

Love of my life, you’ve hurt me
You’ve broken my heart, now you leave me.
Love of my life can’t you see,

Bring it back bring it back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

Love of my life dont leave me,
You’ve stolen my love, you now desert me,
Love of my life can’t you see,

Bring it back bring it back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

You will remember
When this is blown over,
And everythings all by the way,
When I grow older,
I will be there at your side,
To remind you how I still love you
I still love you.

Hurry back hurry back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

The Show must go on (Queen)

Empty spaces – what are we living for?
Abandoned places – I guess we know the score..
On and on!
Does anybody know what we are looking for?

Another hero – another mindless crime.
Behind the curtain, in the pantomime.
Hold the line!
Does anybody want to take it anymore?
The Show must go on!
The Show must go on!
Inside my heart is breaking,
My make-up may be flaking,
But my smile, still, stays on!

Whatever happens, I’ll leave it all to chance.
Another heartache – another failed romance.
On and on!
Does anybody know what we are living for?
I guess i’m learning
I must be warmer now..
I’ll soon be turning round the corner now.
Outside the dawn is breaking,
But inside in the dark I’m aching to be free!

The Show must go on!
The Show must go on! Yeah!
Ooh! Inside my heart is breaking!
My make-up may be flaking!
But my smile, still, stays on!
Yeah! oh oh oh

My soul is painted like the wings of butterflies,
Fairy tales of yesterday, will grow but never die,
I can fly, my friends!

The Show must go on! Yeah!
The Show must go on!
I’ll face it with a grin!
I’m never giving in!
On with the show!

I’ll top the bill!
I’ll overkill!
I have to find the will to carry on!
On with the,
On with the show!

The Show must go on.

Ouça as músicas do F(r)ases da Vida

play-musicasdavida-playlist

O novo Queen


Após muitas audições e um tremendo cuidado para não deixar o lado fã gritar mais alto, escrevi sobre o novo disco do Queen – agora também sem o baixista John Deacon. The Cosmos Rocks é um bastante decente disco de rock e um fraco disco do Queen.

Pena que eles só vão tocar em São Paulo.

Leia a crítica completa no Mistura Interativa.

O novo e o velho Queen

Estou ouvindo o novo CD do Queen sem o Freddie Mercury, claro. Ainda esta semana devo colocar uma crítica no Dia Online e aviso aqui também (para um dos meus três leitores). Não há como não lembrar da voz, talento e presença de Mercury.

Abaixo a letra e o clipe de uma das belas músicas que o Queen gravou.

Save Me

It started off so well
They said we made a perfect pair
I clothed myself in your glory and your love
How I loved you,
How I cried…
The years of care and loyalty
Were nothing but a sham it seems
The years belie we lived a lie
I love you ‘til I die
Save me, save me, save me
I can’t face this life alone
Save me, save me, save me…
I’m naked and I’m far from home

The slate will soon be clean
I’ll erase the memories
To start again with somebody new
Was it all wasted,
All that love?
I hang my head and I advertise
A soul for sale or rent
I have no heart I’m cold inside
I have no real intent
Save me, save me, save me
I can’t face this life alone
Save me, save me, ooooohhhhh…
I’m naked and I’m far from home

Each night I cry I still believe the lie
I’ll love you, ‘till I die

Save me, save me, oh, save me
Don’t let me face my life alone
Save me, save me, ooh…
I’m naked and I’m far from home