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Bohemian Rhapsody – A apoteose da rainha

Bohemian Rhapsody, que chega amanhã aos cinemas, emociona e vai fazer muita gente cantar, apesar de algumas licenças poéticas

Deus salve a rainha!

Provavelmente, mesmo o mais punk dos britânicos se renderá à magia da história do Queen contada no longa Bohemian Rhapsody, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1).

Bohemian Rhapsody é uma celebração exuberante do Queen, sua música e seu extraordinário cantor principal Freddie Mercury, que desafiou estereótipos e quebrou convenções para se tornar um dos artistas mais amados do planeta.

O filme mostra o sucesso meteórico da banda e a sua quase implosão.

Durante esse processo, foi consolidado o legado do grupo, um bando de desajustados.

Bismillah, que filme!

A direção (Dexter Fletcher) é afiada, assim como as atuações de Rami Malek (Freddie Mercury), Ben Hardy (Roger Taylor), Joseph Mazzello (John Deacon) e, principalmente, Gwilym Lee (Brian May).

— Quando você faz Freddie Mercury o dia todo, passa a ser Freddie Mercury — disse Malek em uma de suas entrevistas durante a divulgação de Bohemian Rhapsody.

Mas, se as atuações são irretocáveis (até os gatos têm boas atuações), o figurino maravilhoso, os efeitos especiais super realistas e, óbvio, a trilha sonora é sensacional, por que o filme não é perfeito?

A reposta está no roteiro. Não que ele seja ruim (muito pelo contrário), há ótimas tiradas de um humor tipicamente britânico, mas a necessidade de apresentar um Mercury mais doce e sem falar quase nenhum palavrão e as licenças poéticas/graves erros de cronologia, vão incomodar o fã mais atento.

E olha que Brian May e Roger Taylor estão entre os produtores executivos do filme!

O Brasil, particularmente o Rio de Janeiro, ganha cenas que vão deixar os brasileiros emocionados em saber da importância da apresentação do Rock in Rio (em janeiro de 1985) para a banda. Infelizmente, é aí que acontece o mais grave desses erros de cronologia.

O longa usa o emblemático momento de Love of my life cantado em uníssono no Rock in Rio como mote para a cisão fundamental na vida de Mercury. Porém, o momento é descrito como se tivesse acontecido muitos anos antes da data verdadeira.

Outra licença poética foi alterar a data na qual Mercury revelou aos companheiros que estava com Aids. Talvez para caber tudo nas 2h15min de duração, adiantaram em alguns anos esse evento — Mercury só seria oficialmente diagnosticado em 1987.

Galileo, Galileo, Galileo, Figaro

Até chegar por aqui, Bohemian Rhapsody passou por diversas mudanças. Uma delas, crucial. O ator britânico Sacha Baron Cohen (conhecido por sua atuação em Borat) viveria Mercury inicialmente, sob direção de Bryan Singer. Dexter Fletcher — que era a primeira opção, quando se começou a falar no filme, em 2010 — assumiu a direção e Malek incorporou Mercury.

Mas para quem quer um relato mais preciso da história da banda, melhor ler o livro 40 Years of Queen.  Além da trajetória do Queen,  traz uma boa quantidade de memorabilia. Peça a sua cópia aqui (em inglês).

Live Aid

Já a apresentação no Live Aid — em 13 de julho de 1985 — é o momento usado para unir toda a história. Iniciando e fechando o filme, o show no estádio de Wembley. Ganha um registro quase tão poderoso quanto o da performance verdadeira.

Para quem não lembra (ou sabe), o Queen estava longe de ser uma das atrações principais do evento. Porém, com o tombo de Pete Townshend e uma apresentação burocrática do The Who, os desafinos do Duran Duran, a péssima noite do Led Zeppelin, o microfone desligado de Paul McCartney e a embaraçosa performance de Bob Dylan, Keith Richards e Ron Wood, foram Freddie & Cia e o U2 quem roubaram a cena.

Aliás, o áudio do show é a cereja do bolo da trilha sonora do filme, já que jamais havia sido lançada oficialmente. Mas não deixe de ouvir as outras canções. Você vai correr para elas assim que sair da sessão.

Veja os discos do Queen e escolha o seu

Como não querer escutar Don’t Stop Me Now, Somebody To Love, Crazy Little Thing Called Love ou Under Pressure em um looping infinito?

Clássicos

Bohemian Rhapsody (o filme) é também uma celebração da música criada pelo quarteto. Momentos da criação de clássicos como We Will Rock You, Another One Bites the Dust, Bohemian Rhapsody (claro) e outras canções icônicas estão lá.

Com certeza, as salas de cinema farão com que muita gente solte a voz — principalmente os desafinados — em volumes bem maiores que o recomendado, para desespero de quem quiser ouvir Freddie Mercury em todo o seu esplendor.

Pipoca e lenços

O filme não chega até os últimos dias do cantor — para no Live Aid, e apenas cita o que aconteceu depois. Não há nada sobre os discos da última fase da banda. Mas as lágrimas estão garantidas em grande parte das cenas.

Se a pipoca é a companhia inseparável para um bom filme, aconselho comprar também uma embalagem de lenços de papel. Eles serão muito necessários.

Freddie Mercury faleceu em 24 de novembro de 1991, aos 45 anos. Sua última aparição pública foi durante o BrittAwards, em 18 de fevereiro de 1990. Nesse período de um ano, viveu em reclusão, cercado apenas pela família e os amigos mais chegados. Foi na fase terminal da doença que Mercury gravou vocais para o Queen, que lançaria um disco inteiro póstumo.

Fãs tiveram a confirmação da doença a três dias de sua morte, por um comunicado oficial de “Miami” Beach, manager do Queen, feito a pedido do próprio Freddie Mercury.

Impressionante lembrar que já faz tanto tempo.

Deus salve a rainha!

Cotação **** ½

Texto: Fernando de Oliveira e Débora Thomé

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

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Queen + Adam Lambert – Rock in Rio 18/8/2015

Uma crítica nada correta

img-1033734-rock-rio-2015-queenProvavelmente a apresentação do Queen com o vocalista(?) Adam Lambert, no encerramento da primeira noite da edição 2015 do festival, será comentada por muito tempo. Alguns (poucos) gostaram e (muitos) outros detestaram. A biba saída do The Voice/American Idol foi vendida como o cantor escolhido para substituir Freddie Mercury. MENTIRA! Brian May e Roger Taylor já haviam recrutado cantores muito melhores para interpretar as músicas gravadas com o Queen. Fico impressionado como ninguém citou a passagem da banda pelo Brasil em 2008 com o excelente Paul Rodgers mandando ver nos vocais.

queen3A diferença da apresentação de 2015 para a de 2008 é que enquanto Rodgers é um dos melhores vocalistas do rock, com uma carreira consolidada e sem a necessidade de aparecer, o tal Lambert parecia querer aparecer demais, com uma série de clichês vocais e trejeitos que misturavam Prince, George Michael, Michael Jackson e alguns sertanejos universitários, sem conseguir chegar perto de nenhum deles. A afetaçãoque fez o Freddie parecer um Jece Valadão – teve o seu ápice em Killer Queen.

Extremamente constrangedor.

1543700_queenadam_lambert_94_gOs melhores momentos do show ficaram por conta dos ex-integrantes e das aparições no telão do falecido vocalista. A decisão de colocar May para cantar Love of My Life foi felicíssima, já que impediu i assassinato de uma das canções símbolo do festival. Ok, na parte final, com canções mais grandiosas, Biba Lambert se saiu melhor, mas isso teria que acontecer em algum momento mesmo.

Nem vou escrever muito mais porque prefiro esquecer o que aconteceu no palco da Cidade do Rock. Quem puder procure ver os vídeos dos shows de 2008 antes de comentar que estou sendo imbecil.

Fotos: Ag.News

“Vovôs” do rock ganham lançamentos históricos

Grupos de rock dos anos 60 e 70 se destacam nos lançamentos e mostram que boa música não tem idade. Led Zeppelin, Rolling Stones e Queen estão entre eles

Led-ZeppelinMesmo com o vigor da juventude pulsando em veias juvenis e cheias de energia, foram alguns dos grupos mais consagrados das décadas de 60 e 70 os protagonistas de grandes lançamentos atuais. E, boa notícia para os atrasadinhos, seus lançamentos continuam em catálogo, garantindo doses intensas de solos de guitarras e canções clássicas. Led Zeppelin, Rolling Stones, Queen, Cream, The Who e a inusitada dobradinha Paul McCartney & Nirvana, se destacaram em registros audiovisuais que mostram que boa música não tem idade.

Provavelmente o lançamento de mais impacto no Olimpo do rock clássico, o CD/DVD Celebration Day (Warner), do Led Zeppelin, gravado durante a última apresentação da banda – com Jason Bonham segurando as baquetas no lugar do pai, John Bonham -, em 10 de dezembro de 2007 na 02 Arena, em Londres, como parte do show em tributo ao fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun (1923 – 2006), é a prova de que o bom e velho rock’n’roll dos anos 70 ficaria muito melhor com a tecnologia atual, que permite que as apresentações se transformem em experiências quase sinfônicas.

Led Zeppelin IIO filme, que chegou a ser exibido nos cinemas, inclusive no Brasil, mostra uma banda ainda com cacife para lotar arenas e estádios em qualquer lugar do planeta. As rugas de Robert Plant e os cabelos brancos de Jimmy Page não deixam dúvidas de que o tempo passou, mas, mesmo com canções sendo tocadas alguns tons abaixo, Plant, Page e o baixista John Paul Jones desfilam 16 canções como um craque do passado usando equipamento moderno. Ou seja, jogando muito mais que os pseudo craques de hoje, mesmo com a ausência do mão pesada John Bonham.

O show está disponível em CD, DVD e Blu-ray, som 5.1 e inclui a maioria dos clássicos da banda como Black Dog, Stairway To Heaven e Rock and Roll.

O canto do cisne da Nata

cream-live-at-the-royal-albert-hall-import-blu-ray-lacrado_MLB-F-205595534_5625Em 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker tocavam juntos o que seria (até então) o último concerto do Cream, grupo que, ao lado do Jimmy Hendrix Experience, elevou o conceito de power trio a um patamar icônico. Os músicos, seus talentos e seus egos eram enormes (e com razão). Em apenas três anos de vida, o grupo lançou discos brilhantes (Disrealy Gears), canções inesquecíveis (Sunshine of Your Love e White Room) e viveu muitas brigas internas, principalmente entre Baker e Bruce.

O tempo passou, cada um seguiu o seu caminho e, em maio de 2005, Clapton reuniu os ex-companheiros para uma série de quatro shows no Royal Albert Hall, em Londres – mesmo local da apresentação final, em 1968. O registro dessas apresentações chega em versão Blu-ray em Cream Live at the Royal Albert Hall (ST2). O filme mostra muito possivelmente a última grande performance de Clapton, que parece um pouco acomodado nos últimos trabalhos, mas precisa suar a camisa e gastar sua Fender para não ser engolido pelo virtuosismo dos companheiros de banda.

As mudanças são visíveis na bateria de Baker (com menos elementos, mas ainda poderosa), na saúde de Bruce (que precisou fazer um transplante de fígado após ser diagnosticado com um câncer) e nos cabelos de Clapton. Musicalmente, o trio resgata a magia das jams e solos que os tornaram referência. Canções como I’m so Glad, White Room, Badge e Crossroads, soam melhores do que nunca. Em algumas delas, o baixo de Bruce, a bateria de Baker e a guitarra de Clapton soam até melhor que nas canções originais!

Infelizmente, os problemas pessoais nunca foram superados e, segundo Ginger Baker, não há chance desses shows se repetirem. Uma pena, já que Live at the Royal Albert Hall mostra que grandes músicos inspiram uns aos outros.

Stones comemoram 50 anos com documentário sobre turnê de 1965

STONES_3_ Um dos membros da Santíssima Trindade do rock inglês (juntamente com os Beatles e o The Who), os Rolling Stones comemoram os 50 anos de carreira com uma coletânea, duas canções inéditas, uma turnê e o lançamento de vários vídeos, incluindo o documentário Charlie is my Darling (Universal), que mostra a banda em sua turnê pela Irlanda, em setembro de 1965, logo após o lançamento de (I can’t get no) Satisfaction.

O filme mostra cenas dos shows da banda, quando a segurança era mínima e permitia que fãs chegassem até os músicos e literalmente tirassem a banda do palco. Há entrevistas com cada um dos membros – Charlie Watts, Bill Wyman, Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards -, mas o melhor mesmo são as cenas onde os Stones são mostrados na intimidade dos quartos de hotel, brincando e mostrando que eram antenados com os lançamentos dos rivais (cantarolam canções dos Beatles, entre outros). Engraçado também ver o desconforto de Jones com a condição de astro pop, embora fosse impossível prever o fim trágico de sua história, poucos anos depois.

Charlie is my Darling é uma espécie de A Hard Day’s Night (Os Reis do Iê-Iê-Iê), com uma trilha sonora onde se destacam Play with fire, The Last Time, Time is on my side e Satisfaction.

The Who demolidor

The Who Live in Texas coverOutro da Santíssima Trindade Inglesa, o The Who Pete Townshend (vocais, guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo e vocais) e Keith Moon (bateria, percussão e vocais) – é representado pelo ótimo DVD Live in Texas ‘75 (ST2).

Se o Led Zeppelin de 2007 já não tinha seu bate estacas, o The Who de 1975 está completo, com o mais louco e criativo baterista de todos os tempos, mais Townshend em grande forma (e com cabelos) e Daltrey chegando aos agudos que já ficaram mesmo no passado. Chega a ser covardia comparar as apresentações – tanto em termos de desempenho, quanto de qualidade de som e imagem -, já que foram gravados com décadas de diferença, mas a batalha é boa.

Substitute, I Can’t Explain e Squeeze Box, no mesmo set de My Generation, Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again. Não tem como dar errado. Guitarras sendo destruídas, baterias demolidas e uma banda tocando apenas o melhor e mais barulhento rock de sua época. Se a filmagem não é um primor em termos técnicos (lembrem-se que estamos falando de um concerto gravado em 1975), o que a banda faz no palco é de deixar qualquer grupo da nova geração inglesa com vergonha de suas caras e bocas. Dinamite pura!

A Rainha em Budapeste

Queen hungarian rhapsodyOutro concerto de rock que chegou às telonas em 2012 foi o Hungarian Rhapsody – Queen Live in Budapest (Universal). Na verdade, Hungarian Rhapsody (ao contrário de Live at Wembley) é um documentário sobre um concerto e não o registro de um show do Queen, o que pode deixar um ou outro fã um pouco decepcionado, mas vale como complemento do registro dos shows de Wembley.

Gravado durante a Kind of Magic Tour, o DVD mostra Freddie Mercury, John Deacon, Brian May e Roger Taylor no melhor da forma e com um repertório matador, com hits como Under Pressure, Who Wants to Live Forever, Love of My Life, Crazy Little Thing Called Love e We Are the Champions, entre muitos outros.

Não importa se você achava o som do grupo pop demais, não há como negar o talento de Mercury em comandar uma plateia de mais de 30 mil pessoas. Hungarian Rhapsody pode não estar no patamar de um Last Waltz, mas dá um banho na maioria dos documentários de rock atuais.

O beatle no Nirvana

paul-mccartney-nirvana-1212Para terminar, uma mistura inusitada. Paul McCartney e os sobreviventes do Nirvana se reuniram para gravar uma canção, que foi apresentada em primeira mão no concerto em prol das vítimas da tempestade Sandy, em 12/12/12. Cut Me Some Slack (disponível na iTunes Store por US$ 1,29) traz um McCartney com vocal raivoso e Dave Grohl arrebentando na bateria, ao lado de um inspirado Krist Novoselic. O trio também apresentou a canção ao vivo durante um episódio do programa, causando furor nos fãs da banda, já que Grohl e Novoselic não tocavam juntos fazia mais de 20 anos.

Os jovens têm todo o direito de terem seus ídolos, mas mesmo o menos saudosista rockeiro da humanidade não tem como deixar de admitir que os velhinhos batem um bolão!







Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Discografia do Queen é remasterizada – Parte I

Queen, Queen II, Sheer Heart Attack, A Night At The Opera e A Day At The Races

Todos os discos lançados pelo Queen (com Freddie Mercury) estão sendo relançados desde início do ano pela Universal e chegando ao mercado em edições duplas, sempre com um EP com canções bônus que vão desde outtakes, ensaios até canções inéditas e versões ao vivo.

Até mesmo as duas coletâneas da banda ganharam sua versão com som melhorado. Mas o que conta mesmo são os discos de carreira. A primeira leva de lançamentos aconteceu em março e incluía os 5 primeiros álbuns lançados pela banda – Queen, Queen II, Sheer Heart Attack, A Night At The Opera e A Day At The Races.

A recente febre de remasterizações mostra que os executivos das gravadoras e os artistas finalmente se alinharam ao gosto do público, deixando para trás os tempos nos quais o ideal era remixar tudo e criar novas obras a partir de trabalhos já consolidados. Agora, pega-se os tapes originais, usa-se um pouco de noise reduction e dá-se brilho ao que já fora maltratado em edições anteriores: o som.

No caso do Queen, onde backings e baixo têm tanta importância quando as guitarras e a voz de Freddie Mercury, o tratamento dado aos primeiros discos fez quase um milagre. Tudo soa claro, cristalino e sem qualquer sinal de distorção.

Queen (1973) – O debut do Queen – com um disco com o mesmo nome da banda – está longe de ser um clássico. Em 1973 o Queen ainda procurava o seu som e ainda se ajustava a presença de John Deacon, que viria a se transformar em peça fundamental na construção do som e do sucesso do grupo. Keep Yourself Alive, Liar e Seven Seas of Rhye estão entre as preferidas dos fãs e faziam parte dos primeiros concertos da banda. Mas nada de impressionar.

O material extra – demos que o grupo apresentava para as gravadoras em busca de um contrato – mostra algum potencial, mas também ajudam a entender o porquê de tantas negativas.

Queen II (1974) – Mais pesado que o disco de estreia, mas ainda longe do glamour operístico dos grandes momentos de glória, Queen II nunca esteve entre os meus favoritos, mas a versão de Seven Seas of Rhye lançada aqui é extremamente superior ao take do disco anterior.

O EP bônus traz duas versões de See What a Fool I’ve Been e uma instrumental de Seven Seas como destaques.

Sheer Heart Attack (1974) – Produto de uma época no qual os artistas não viam problemas em lançar dois discos e vários singles no mesmo ano, Sheer Heart Attack é mais um avanço na identidade musical do Queen, que se preparava para grandes mudanças e para ser catapultado ao sucesso. O disco produziu bons singles (Killer Queen, Now I’m Here) e favoritas do palco (In the Lap of the Gods… Revisited). Um disco muito mais próximo do que viria a ser considerado som do Queen.

Infelizmente os bônus incluídos nessa edição (faixas ao vivo e gravações na BBC), não acrescentam muito ao pacote.

A Night at the Opera (1975) – Para muitos o grande disco do Queen. Com um título inspirado em um filme dos Irmãos Marx, o álbum dá realmente um grande salto de qualidade em relação aos trabalhos prévios da banda. É neste disco que encontramos os clássicos You’re My Best Friend, ’39, Love of My Life e Bohemian Rhapsody.  Como nos outros discos da série, o som é simplesmente fantástico e vale ser conferido. Nunca a voz de Freddie esteve tão clara, porém a falta de informações sobre a gravação do disco e a pobreza das faixas extras (remixes, versões ao vivo e uma versão a cappella de Bohemian Rhapsody) é de uma pobreza constrangedora, comprometendo o conjunto da obra. Somente a versão de Keep Yourself Alive vale o trabalho de ouvir o segundo CD.

O disco foi o primeiro a chegar ao topo das paradas inglesas, embora só tenha chegado em 4º na Billboard. Bohemian Rhapsody fez sucesso nos dois lados do Atlântico, solidificando o sucesso do Queen, que só aumentaria nos anos seguintes.

A Day at the Races (1976) – Outro título retirado de um filme dos Irmãos Marx. Outro blockbuster recheado de canções que se tornariam clássicos. Canções como Somebody to Love e Tie Your Mother Down, fizeram com que o disco liderasse as paradas inglesas e fosse bem na americana.  Embora não tão coeso quanto A Night at the Opera, o álbum ainda trazia muita música de qualidade como You Take My Breath Away e Good Old-Fashioned Lover Boy, deixando claro que o Queen não era apenas uma banda de bons singles.

Novamente o material do EP extra é desprezível.

To be continued…

Mais videos do Queen

O show foi ótimo e achei muitos vídeos feitos por Márcio Duarte Lopes e colocados lá no seu Orkut. Confiram os ótimos momentos (principalmente de Roger Taylor).

I’m in Love With My Car

Montagem da bateria de Roger Taylor

39

A Kind of Magic

Under Pressure

All Right Now

Bohemian Rhapsody

Tie your mother down


Queen – outra crítica politicamente incorreta

Atenção: Para ler uma crítica puramente musical, leia meu texto no Dia Online. Saiba também como é o novo CD do Queen: The Cosmos Rocks.

Ag. NewsA semana tinha começado com um (bom) show de outra “banda do passado” – o Duran Duran – que, apesar dos esforços do último disco, com participações de queridinhos da indústria musical dos tempos de hoje, não conseguiu fazer decolar o CD. O que funcionou mesmo foram os antigos sucessos.

Ficava a dúvida: Se o Duran Duran não conseguiu lotar o Vivo Rio, será que o Queen (sem Freddie Mercury, óbvio) conseguiria lotar a Arena Multiuso (ou HSBC, como queiram), um local muito maior? Será que conseguiriam se livrar de apenas serem um ato nostálgico?

A resposta começou a ficar clara ao chegar nas proximidades do autódromo e deparar com um imenso engarrafamento. Não lotou, mas tinha pelo menos uma 4x mais gente que no show dos Durans, isso com o preço do ingresso chegando até R$ 400!

Ag. NewsSei que é injusto comparar o peso e a história do Queen com os Durans, mas temos que ter algum parâmetro. Os súditos da “Rainha” trouxeram um show de rock como se espera um. Bom som (que podia estar um pouco mais alto), luzes, telão, ótimos músicos de apoio e músicas para todos os gostos.

A seqüência inicial (cheia de sucessos), foi o que era preciso para se ter a certeza de que ninguém ousaria reclamar de Paul Rodgers, cantor competentíssimo (que faz o vocal da minha versão preferida de These Arms of Mine, de Ottis Reading) e que está na estrada há mais tempo que o próprio Queen. Rodgers é mais roqueiro, tem boa presença de palco e conseguiu demarcar seu lugar na banda, no show e no coração do público.

A emoção e alegria eram visíveis nos rostos de Rodgers (que sorria, agradecia e mandava beijos e acenos o tempo todo), de Roger Taylor (que chegou a ficar surpreso quando o público cantou 39 quase na sua totalidade) e Bran May (que chorou após Love of My Life e no fim do show, quando não conseguia segurar nenhuma lágrima).

“Ainda lembro de vocês cantando esta canção nos anos 80…Vamos cantar pelos amigos que estão ausentes. Vamos cantar por Freddie Mercury”, disse antes de Love of My Life.

Ag. NewsO que poderia ficar piegas (a própria Love of My Life) acabou sendo uma homenagem justa e na medida certa. As aparições de Mercury em Bijou e  Bohemian Rhapsody em nada soaram oportunistas. As músicas do Queen são patrimônios e a banda (mesmo sem John Deacon) cuida delas com carinho e respeito, e ainda mostram que há como viver convivendo com elementos do passado. Mostraram que o show e a vida podem continuar, sem ter que esquecer ou deixar de lado momentos, coisas ou pessoas do passado . Mostraram que é possível construir um futuro diferente e feliz apenas mudando aquilo que é preciso mudar.

Provavelmente o melhor show internacional de 2008.

Pontos altos:

O set de Brian May e Roger Taylor na rampa que cortava a platéia;
A montagem do kit de bateria de Roger durante o seu solo (a bateria foi montada enquanto ele tocava);
A inclusão de músicas do A Night At the Opera (como 39 e I’m in Love With My Car);
A Arena (ótima acústica e ótimas dependências):
A boa forma da guitarra de May,
A presença de palco de Paul Rodgers.

Pontos fracos:

O preço (abusivo para o Brasil);
O volume do som (poderia ter alguns decibéis a mais),
A Arena (looonnggeee demais e tudo e com um estacionamento difícil de chegar).

Love of My Life

39

Bohemian Rhapsody

Algumas fotos tiradas por mim (fotos profissionais você encontra no Dia Online).

Duas letras para parar, ler e pensar:

Love of My Life (Freddie Mercury)

Love of my life, you’ve hurt me
You’ve broken my heart, now you leave me.
Love of my life can’t you see,

Bring it back bring it back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

Love of my life dont leave me,
You’ve stolen my love, you now desert me,
Love of my life can’t you see,

Bring it back bring it back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

You will remember
When this is blown over,
And everythings all by the way,
When I grow older,
I will be there at your side,
To remind you how I still love you
I still love you.

Hurry back hurry back,
Don’t take it away from me,
Because you don’t know
What it means to me.

The Show must go on (Queen)

Empty spaces – what are we living for?
Abandoned places – I guess we know the score..
On and on!
Does anybody know what we are looking for?

Another hero – another mindless crime.
Behind the curtain, in the pantomime.
Hold the line!
Does anybody want to take it anymore?
The Show must go on!
The Show must go on!
Inside my heart is breaking,
My make-up may be flaking,
But my smile, still, stays on!

Whatever happens, I’ll leave it all to chance.
Another heartache – another failed romance.
On and on!
Does anybody know what we are living for?
I guess i’m learning
I must be warmer now..
I’ll soon be turning round the corner now.
Outside the dawn is breaking,
But inside in the dark I’m aching to be free!

The Show must go on!
The Show must go on! Yeah!
Ooh! Inside my heart is breaking!
My make-up may be flaking!
But my smile, still, stays on!
Yeah! oh oh oh

My soul is painted like the wings of butterflies,
Fairy tales of yesterday, will grow but never die,
I can fly, my friends!

The Show must go on! Yeah!
The Show must go on!
I’ll face it with a grin!
I’m never giving in!
On with the show!

I’ll top the bill!
I’ll overkill!
I have to find the will to carry on!
On with the,
On with the show!

The Show must go on.

Ouça as músicas do F(r)ases da Vida

play-musicasdavida-playlist

O novo Queen


Após muitas audições e um tremendo cuidado para não deixar o lado fã gritar mais alto, escrevi sobre o novo disco do Queen – agora também sem o baixista John Deacon. The Cosmos Rocks é um bastante decente disco de rock e um fraco disco do Queen.

Pena que eles só vão tocar em São Paulo.

Leia a crítica completa no Mistura Interativa.

O novo e o velho Queen

Estou ouvindo o novo CD do Queen sem o Freddie Mercury, claro. Ainda esta semana devo colocar uma crítica no Dia Online e aviso aqui também (para um dos meus três leitores). Não há como não lembrar da voz, talento e presença de Mercury.

Abaixo a letra e o clipe de uma das belas músicas que o Queen gravou.

Save Me

It started off so well
They said we made a perfect pair
I clothed myself in your glory and your love
How I loved you,
How I cried…
The years of care and loyalty
Were nothing but a sham it seems
The years belie we lived a lie
I love you ‘til I die
Save me, save me, save me
I can’t face this life alone
Save me, save me, save me…
I’m naked and I’m far from home

The slate will soon be clean
I’ll erase the memories
To start again with somebody new
Was it all wasted,
All that love?
I hang my head and I advertise
A soul for sale or rent
I have no heart I’m cold inside
I have no real intent
Save me, save me, save me
I can’t face this life alone
Save me, save me, ooooohhhhh…
I’m naked and I’m far from home

Each night I cry I still believe the lie
I’ll love you, ‘till I die

Save me, save me, oh, save me
Don’t let me face my life alone
Save me, save me, ooh…
I’m naked and I’m far from home