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Mais & Mais – um gol de placa de Ana Petkovic

Filha do ex-craque sérvio Dejan Petkovic lança o clipe de Na Fé, do ótimo CD Mais & Mais

Pode parecer estranho que a filha de um ex-esportista decida seguir pelo caminho da música, mas a escolha da jovem Ana Petkovic foi mais que acertada.

Nascida em Madri, a cantora, que se divide entre o Brasil e a Sérvia, onde mora e estuda, parece decidida a apostar na carreira.

— Como eu moro na Sérvia, durante o ano eu ficava um ou dois meses por aqui. Cada vez que eu vinha eu gravava três ou quatro músicas em uma semana.  Agora, eu passo cerca de sete meses no Brasil e estamos planejando fazer vários shows no Rio e em São Paulo — contou Ana.

Em família

O disco Mais & Mais, lançado no fim do ano passado, segue sendo divulgado, agora com o lançamento do clipe da canção Na Fé (Ana, Línox e Max Viana).

Dirigido por Dado Marietti, o clipe foi rodado no Rio e conta com a participação da irmã (Ines), do namorado (Dusan Zdravkovic), além do próprio Petkovic, tocando um… tromPETe (com direito a todos os trocadilhos possíveis).

— Meu pai é o meu empresário e meu maior fã. Sempre que ele chegava em casa, depois dos treinos ou jogos, ele me pedia para cantar algo novo que eu havia escrito. Ele ama música e sempre vai aos ensaios e shows, mas não interfere no processo criativo. É muito legal ter um pai que apoia tudo — contou Ana.

Gol de placa

Mais & Mais é um daqueles discos onde tudo funciona. A produção de Linux e Max Viana é certeira, dando destaque ao suingue das ótimas composições que fazem parte do repertório.

Navegando entre o soul, pop, blues e jazz, a bela voz de Ana (que em alguns momentos lembra o timbre de uma tal Amy Winehouse) se encaixa perfeitamente na pegada balançada e nas canções mais lentas. Ouça Unforgivable e tire suas conclusões.

— Como tenho um gosto bastante eclético eu sempre coloco dois ou três estilos nas minhas composições — explicou.

O soul e os metais de números como Pensa Bem (Línox/ Max Viana / Ana Petkovic) e Encurralado (Línox e Mauricio Oliveira) mostram uma produção de primeira e, se colocadas ao lado de números mais lentos como Cada Dia (Línox/ Max Viana) e Suenos (Línox/ Max Viana / Ana Petkovic), confirmam o gol de placa da artista.

Jogando nas 11

Outro ponto alto de Mais & Mais é a desenvoltura com a qual Ana muda do português para o inglês ou espanhol, mostrando que é mesmo uma cidadã do mundo.

— Eu morei no Brasil 14 anos. Eu cresci aqui. Mesmo morando na Sérvia eu nunca esqueci a língua. Tenho muitos amigos aqui. É engraçado, que aqui em casa em uma frase nós misturamos três línguas — confidenciou a cantora.

Ídolos surpresa

Uma das revelações mais surpreendentes sobre a versatilidade de Ana Petkovic veio quando perguntada sobre quem são seus ídolos e com quem gostaria de trabalhar.

— Ana Carolina e Alcione são artistas que eu admiro e com as quais gostaria de trabalhar — disparou.

Pelo menos quando comparadas com as canções que fazem parte de Mais & Mais, esses são nomes bem pouco prováveis.

CD campeão

Não há como fugir dos clichês futebolísticos. Afinal, Dejan Petkovic foi craque e marcou belos e decisivos gols pelo Fluminense, Vasco, Real Madrid e outros times de menor expressão pelos quais passou. Sua filha segue o mesmo caminho.

Cotação: **** ½

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

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O “monstro fragmentado” já vai sair da jaula!

Sequência de  Fragmentado (Split), de 2016, e Corpo Fechado (Unbreakable), de 2000, Vidro (Glass) será lançado dia 17 de janeiro de 2019 no Brasil

Segue a alta a expectativa pela chegada do novo filme de M. Night Shyamalan aos cinemas. Vidro (Glass) é uma sequência das histórias de dois de seus filmes de grande destaque — Corpo Fechado (Unbreakable), de 2000, da Touchstone Pictures eFragmentado (Split), de 2016, da Universal — em um novo e explosivo suspense dos quadrinhos.

O novo longa da Buena Vista Brasil chegará aos cinemas em 17 de janeiro de 2019, e acaba de ganhar novo trailer. Aperte o play!

O trailer saiu quentinho do forno, e com legendas!

Bruce Willis retorna como David Dunne Samuel L. Jackson como Elijah Price, também conhecido pelo pseudônimo de Sr. Vidro, ambos do filme De Corpo Fechado (Unbreakable). Vindos de Fragmentado (Split) estão James McAvoy, no papel de Kevin Wendell Crumb e suas múltiplas personalidades, e Anya Taylor-Joy como Casey Cooke — a única sobrevivente de um encontro com a Fera.

Depois da conclusão de Fragmentado (Split)Vidro (Glass) mostra Dunn em uma série de encontros cada vez mais intensos com a figura super-humana conhecida como a Fera, uma das personalidades de Crumb. Enquanto isso, a presença sombria de Price surge como um articulador que guarda segredos críticos para os dois homens.

Completando o elenco estão Spencer Treat Clark e Charlayne Woodard, de Corpo Fechado (Unbreakable), que reprisam seus papéis como o filho de Dunn e a mãe de Price, além d a vencedora do Globo de Ouro, Sarah Paulson (série American Horror Story).

R.I.P. Otis Rush, um dos maiores nomes do blues

Numa sequência de perdas na música, poucos falaram (no Brasil) sobre a morte de Otis Rush, autor de vários clássicos do blues

Um dos grandes nomes do blues, ídolo de músicos como John Mayall, Eric Clapton e Jimmy Page, e autor de clássicos como All Your Love e Double Trouble — gravadas, em vários momentos de sua carreira, por Clapton — Otis Rush morreu no último dia 29.

Com perdas no cenário musical como as de Ângela Maria, Tito Madi e Charles Aznavour, foi pouco o espaço dado pela grande mídia brasileira ao bluseiro, morto aos 84 anos (por complicações de um AVC sofrido em 2003).

Rush iniciou a carreira nos anos 50, inspirado por gente como Muddy Waters e Howlin ‘Wolf, levando uma verta modernidade ao som do blues de Chicago, principalmente com sua ótima técnica na guitarra.

Reconhecimento do outro lado do Atlântico

Otis Rush ganhou reconhecimento mundial nos anos 60, quando John Mayall & the Bluesbreakers (com Eric Clapton na guitarra) gravaram a sua versão de All Your Love (I Miss Loving), em 1966.

Outro momento de reconhecimento da importância e da qualidade da obra de Rush foi a inclusão da canção I Can’t Quit You, Baby no álbum de estreia do Led Zeppelin (1969). Vale lembrar que a mesma canção foi resgatada pelos Rolling Stones em seu álbum Blue and Lonesome (2016).

Prestígio em casa

Rush também influenciou muitos músicos americanos. Stevie Ray Vaughan, por exemplo, deu o nome de Double Trouble para a sua banda. Além disso, a revista Rolling Stone colocou o bluseiro na posição 53 na sua lista dos 100 Melhores Guitarristas de todos os tempos.

R.I.P. Otis Rush

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

RocketMan ganha trailer

Poucos dias após liberar a primeira imagem de Taron Egerton como Elton John, a Paramount Pictures divulgou o primeiro trailer de RocketMan.

Definido como “uma fantasia épica musical, sem censura”, a produção britânica tem direção de Dexter Fletcher (Hotel Babilônia) e será estrelado por Taron Egerton (Kingsman: The Secret Service e Kingsman: O Círculo Dourado).

O filme estreia em março de 2019, durante a turnê de despedida dos palcos de Elton John.

 

Jeff Goldblum vai lançar seu esperado disco de jazz

Astro de A Mosca, Independence Day e Jurassic Park segue o caminho de Hugh Laurie e vai lançar disco de jazz

O ator Jeff Goldblum surpreendeu os fãs ao fazer uma pequena apresentação na estação de trem de St Pancras (em Londres) para promover o disco Jeff Goldblum & The Mildred Snitzer Orchestra- The Capitol Studios Sessions, que será lançado no da 9 de novembro.

Assim como Hugh Laurie (o eterno Dr. House), Goldblum decidiu levar a sério suas habilidades ao piano e sua paixão pelo jazz. O disco terá 14 faixas e duas delas — My Baby Just Cares For Me e Cantaloupe Island — já podem ser conferidas nos serviços de streaming.

O álbum vai trazer clássicos do jazz e convidados da categoria de Imelda May.

The Capitol Studios Sessions Tracklist:

1. Cantaloupe Island
2. Don’t Mess With Mister T (feat. Till Bronner)
3. My Baby Just Cares For Me (feat. Haley Reinhart)
4. Straighten Up And Fly Right (feat. Imelda May & Till Bronner)
5. Jeff Introduces Sarah Silverman (feat. Sarah Silverman)
6. Me And My Shadow (feat. Sarah Silverman & Till Bronner)
7. Nostalgia In Times Square
8. It Never Entered My Mind (feat. Till Bronner)
9. Gee Baby (Aint I Good To You) (feat/ Haley Reinhart)
10. I Wish I Knew (How It Could Feel To Be Free)
11. This Bitter Earth (feat. Imelda May & Till Bronner)
12. Come On-A-My House (feat. Imelda May & Till Bronner)
13. Caravan (feat. Till Bronner)
14. Good Nights

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22 Milhas, um longa fraco com cara de franquia

22 Milhas, dirigido por Peter Berg, mistura referências e clichês de vários filmes consagrados

Uma equipe de elite cumprindo uma missão que não pode ser resolvida por mais ninguém; uma ameaça terrorista; uma pessoa que precisa ser levada de um ponto a outro, sendo seguida por assassinos bem armados, e um personagem que pode ou não ser um vilão.

Esse pequeno conjunto de fatores pode parecer familiar, e é.

Sendo assim, fica claro que 22 Milhas, novo longa dirigido por Peter Berg (O Grande Herói e O Dia do Atentado) e estrelado por Mark Wahlberg (Os Infiltrados, Ted e Uma Saída de Mestre), tem um roteiro bem pouco criativo.

Todos com mais de 30 anos já viram todos esses elementos em um grande número de longas que fizeram sucesso e não sei se precisamos de (re)ver tudo isso novamente.

Ah, não esqueçamos das inevitáveis reviravoltas no enredo.

Elenco de peso e edição nervosa

A produção não foi barata. O elenco — no qual ainda encontramos nomes como Lauren Cohan, Iko Uwais, Ronda Rousey e John Malkovich — é bem afiado, mas não consegue tirar a incômoda sensação de déja vu.

A edição e a montagem tentam (com algum sucesso) tornar a ação intensa, embora deixem as cenas um pouco picotadas demais.

A violência também não é pouca e deve agradar boa parte do público dos filmes de ação.

Misturando Bourne, Rambo e Bond

 

O herói interpretado por Wahlberg é uma pessoa cheia de tiques, com pouca interação social e habilidades que lembram Rambo, Jason Bourne e James Bond.

O funcionamento da equipe tem um quê de Missão Impossível e o fim do longa deixa claro a intenção de criar uma nova franquia.

Perseguições de automóveis, pancadaria e tecnologia tentam dar um ar de novidade e emoção ao filme, mas nada funciona muito bem.

Tela Quente

O resultado é um filme nervoso, confuso, com uma história pouco criativa e um gancho que pode levar (tomar que não) a uma continuação. Não chega a ser um desastre, mas é fácil de ser esquecido.

Algum dia, vai ser uma boa Tela Quente  ou Temperatura Máxima.

Cotação: ** ½

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Tony Bennett e Diana Krall: Love Is Here to Stay, um senhor disco

Aos 92 anos, Bennett mostra que ainda domina a arte de escolher bons parceiros e boas canções em mais um disco fundamental, Love Is Here to Stay

Tony Bennett e Diana Krall não são desconhecidos um do outro, muito pelo contrário. Desde 1999 que os dois andam se esbarrando nos palcos e estúdios, tendo lançado canções nos discos Playin’ With My Friends (2001) e Duets: An American Classic (2006).

Em Love Is Here to Stay a dupla esbanja classe em certeiras 12 canções e econômicos 36 minutos, que devem ser aproveitados ao máximo pelo ouvinte, pois não há excessos ou escolhas equivocadas.

Gershwin na veia

A obra criada por George e Ira Gershwin já serviu de combustível para o lançamento de centenas de álbuns. Poucos com a categoria de Love Is Here to Stay, produzido por Dae Bennett e Bill Charlap.

Os arranjos, econômicos e muito elegantes, ficam por conta do Bill Charlap Trio — Bill Charlap (piano), Peter Washington (baixo) e Kenny Washington (bateria) — que faz um trabalho perfeito, destacando as vozes dos dois intérpretes.

Prêmios e recordes

Krall e Bennet são dois artistas reconhecidos pelo público e crítica pela qualidade de seus trabalhos. Os dois já ganharam uma quantidade considerável de prêmios Grammy.

Bennett é o único artista que, com 85 e 88 anos, respectivamente, teve álbuns debutando no primeiro lugar da Billboard, a parada norte-americana — Duets II e Cheek to Cheek (com Lady Gaga).

Diana Krall é a única artista de jazz a ter oito álbuns chegando em primeiro ligar na Billboard na semana de seu lançamento.

Para aumentar ainda mais a quantidade de prêmios de Bennet, Love Is Here to Stay já lhe rendeu mais um. No show de lançamento do disco, na última quarta-feira, 12 de setembro, em Nova York, Bennett foi homenageado pelo Guinness Book (o livro dos recordes).

O cantor, agora, é o artista mais tempo levou para fazer uma regravação de um single. Foram 68 anos e 342 dias (contando do dia 3 de agosto de 2018) entre a primeira vez que gravou Fascinating Rhythm — ainda sob o pseudônimo de Joe Bari — e o novo registro.

Um senhor esperto

Normalmente artistas mais veteranos vão perdendo espaço na mídia e relevância no mercado. Parece que 2018 veio para demolir essa verdade.

Assim como Paul McCartney — que emplacou um disco em 1º lugar na parada após 36 anos — Bennett mostra que qualidade ainda faz a diferença.

Mas não é apenas a longevidade da sua voz que faz de Bennett um fenômeno. Suas escolhas recentes têm sido acertadíssimas.

Desde 2014, quando convidou Lady Gaga para gravar um álbum — o maravilhoso Cheek to Cheek, um dos melhores discos dos últimos 20 anos e que também gerou um ótimo DVD ao vivo — que Bennett só acerta.

Depois disso, lançou The Silver Lining: The Songs of Jerome Kern e o especial de TV — que também virou disco — Tony Bennett Celebrates 90: The Best Is Yet to Come.

Esse especial, que conta com as participações de Andrea Bocelli, Michael Bublé, Aretha Franklin, Billy Joel, Elton John, Diana Krall, Lady Gaga, k.d. lang, Rufus Wainwright e Stevie Wonder, é imperdível.

Levando-se em conta que esses projetos foram propostos por Bennett, vê-se que o homem ainda sabe como se manter no topo.

Muitos pontos altos

Difícil apontar as melhores faixas de Love Is Here to Stay . S’Wonderful, I Got Rhythm, I’ve Got A Crush On You, But Not For Me e Fascinating Rhythm seriam as minhas escolhidas hoje, o que não quer dizer que outras não possam entrar na lista amanhã mesmo.

Se Love Is Here to Stay não tem o vigor de Cheek to Cheek, mostra que Bennett ainda é rei quando se fala em crooner de jazz. Sua voz ainda é potente e impecavelmente afinada. Um fenômeno!

Para ouvir repetidamente.

**** ½

PS: Surpreendentemente, a versão física do disco já foi lançada no Brasil.

Fotos: Gregg Greenwood e Divulgação

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Spotify lança show de McCartney em Abbey Road

McCartney lança show gravado no estúdio 2 de Abbey Road, teaser da apresentação no Cavern Club e clipe de canção do novo disco

Nas manchetes

Paul McCartney e seu time estão mesmo empenhados em fazer de Egypt Station, lançado no dia 7 de setembro, um sucesso.

Poucas vezes nas últimas décadas Macca esteve tantas vezes nas manchetes. São entrevistas para revistas, jornais, Q&A no Twitter e muitas outras ações. O esforço para levar Paul novamente ao topo das paradas contrasta com a atuação da sua gravadora no Brasil, onde nem se sabe quando haverá o lançamento físico do disco.

Depois de várias ações promocionais bem-sucedidas — o emocionante Carpool Karaoke (que teve milhões de visualizações e ganhou uma versão estendida); a entrevista no seu antigo colégio, em Liverpool; o show secreto na Grand Central Station, em NY.

Agora, Paul e o Spotify lançam Under the Staircase, a apresentação para 150 convidados no estúdio 2 de Abbey Road.

Novo Fuh You

Poucos dias antes do lançamento de Under the Staircase, Paul divulgou o vídeo oficial da canção Fuh You, um dos singles de Egypt Station.

O roteiro pode ser capenga, mas as imagens são fofas.

Cavern Club

Paul esteve em Liverpool e proporcionou para alguns felizardos um concerto surpresa no Cavern Club, onde os Beatles começaram a sua lenda.

Ainda não há data para o lançamento do vídeo, mas é certo que não vai demorar muito para acontecer.

Sob as escadas

Gravado em 23 de julho, mesmo dia no qual voltou a atravessar a faixa de pedestres e ganhar espaço nos noticiários de todo o mundo, o show foi gravado pelo Spotify, em uma parceria inédita.

Gravado sob a supervisão de Giles Martin, filho do 5º beatle Sir George Martin, Under the Staircase é uma experiência única para quem nunca teve a oportunidade de entrar no estúdio ou ouvir as histórias de Sir Paul McCartney.

Se você não é daqueles  que já assistiram dezenas de shows do ex-beatle (no Brasil e, principalmente, no exterior), não se preocupe. Ele sempre guarda alguma novidade para contar.

As canções

São 17 canções e 34 clipes de vídeo (números musicais e histórias). Entre as canções estão:

•    A Hard Day’s Night
•    Love Me Do
•    Drive My Car
•    Got To Get You Into My Life
•    We Can Work It Out
•    I’ve Just Seen A Face
•    Lady Madonna
•    Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band/Helter Skelter
•    Nineteen Hundred And Eighty Five
•    My Valentine
•    Fuh You
•    Come On To Me
•    I’ve Got a Feeling
•    One After 909
•    Ob-La-Di, Ob-La-Da
•    Back In The U.S.S.R.
•    Birthday

Para assistir ao concerto é só ir no Spotify e procurar pela playlist criada para o evento (link aqui).

Aproveitem!

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

O “Outro Sol” de Max Viana, filho de Djavan

Max Viana, filho de Djavan faz homenagem ao pai com regravação de Samurai, em disco recheado de ritmos e climas

Ser filho de um dos ícones da música brasileira não deve ser fácil. As comparações são praticamente inevitáveis e a pressão para desenvolver um trabalho de qualidade enormes.

Felizmente, esses fatores não parecem afetar Max Viana, filho de Djavan, que lançou seu quarto álbum, Outro Sol, simultaneamente no Brasil e no Japão (onde a versão física chega ao mercado em novembro). Hoje, o disco pode ser encontrado nas plataformas digitais.

— É um disco que passeia por diversos estilos e explora a riqueza da MPB, que é a música que mais permite falar de tantos gêneros diferentes. Sou de uma época na qual a gente ouvia de tudo no rádio — explicou o músico.

A experiência de ter atuado como guitarrista do pai e já ter trabalhado com gente do calibre de Arlindo Cruz, Luiza Possi, Claudia Leitte, Ana Petkovic e Rappin’ Hood, além do próprio Djavan, é claro, trouxeram uma segurança e experiência que estão visíveis no novo trabalho.

Evoluindo

Produzido pelo próprio Max (assim como os trabalhos anteriores) e Renato Iwai, Outro Sol soa como uma evolução natural dos discos anteriores — o Calçadão (2003), Com Mais Cor (2007) e Um Quadro de Nós Dois (2011) — misturando jazz, soul, funk, samba e pop de maneira muito inspirada.

— Acho que é uma evolução natural. O tempo vai passando e a gente vai apurando algumas coisas. Ele tem umas coisas de arranjo que eu gosto mais, que são mais objetivas. Tem uma escolha de repertório que me grada muito e onde posso ter canções como Outro Sol, que remetem ao meu primeiro disco — revelou Max.

A mistura de influências começa logo na faixa-título (a primeira do disco), que traz aquele suingue dançante que deixa claro o pedigree (no bom sentido) de Max. Essa mesma linha dançante está em Tem Fé e Linha de Frente, fazendo uma trinca de abertura de muito peso.

Mas não são apenas os ritmos dançantes que se destacam em Outro Sol. As baladas Pontos de Partida e Tem Nada Não mostram que o talento de Max vai bem mais além do óbvio.

Tem nada não
Meu bem querer
Eu fico aqui até passar
Seu coração vai aprender a não se machucar

Um dia sol, um dia sem
Nenhum motivo pra nublar
Felicidade um dia vem
Pedindo pra ficar

Fim em alto nível

Se as baladas fazem Outro Sol subir de nível novamente, as duas últimas canções — o samba O Amor Não Acabou e a regravação de Samurai — fecham o disco com aquele velho chavão: “chave de ouro”.

O Amor Não Acabou é daqueles sambas com toques pop que não se ouve muito mais nas rádios. Longe do popularesco, a canção tem a elegância de um Paulinho da Viola, mesclado com uma contemporaneidade do Casuarina.

A parceria com Pretinho da Serrinha e Leandro Fab seria um encerramento perfeito para um ótimo trabalho, mas tem mais!

Samurai

Uma das canções mais conhecidas da MPB e da carreira do pai, Samurai ganha uma nova roupagem, mais balançante ainda, com um toque de modernidade, mas sem cair no pastiche ou soar oportunista.

— Quando estava fechando o repertório, uma pessoa da gravadora de lá perguntou se eu poderia regravar essa canção. Como é uma música muito emblemática do meu pai, não é uma que eu escolheria para gravar. Eles disseram que exatamente por isso eles achavam que seria bacana para apresentar no Japão. Gostei do desafio e meu pai gostou muito, até porque ela é muito diferente da original — revelou.

No fim, Max Viana oferece um trabalho de altíssima qualidade e com uma versatilidade capaz de agradar fãs de (quase) todos os gêneros.

Início, meio e fim

Outro Sol, que ganha edição física no Japão (ainda não há confirmação de seu lançamento no Brasil) é um disco clássico, com uma história própria.

— O streaming mudou um pouco a maneira das pessoas ouvirem música, exatamente por essa opção de ouvir uma faixa aleatória ou na ordem que mais gostar, mas ainda acho que o disco é uma história com início, meio e fim, que deve ser ouvida na sequência concebida pelo autor — explicou o músico.

No outro lado do sol

Aproveitando o lançamento simultâneo no Brasil e no Japão, Max embarca, em dezembro, para uma turnê do outro lado do mundo.

Cotação: ****

Fotos: Marcos Hermes

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Elton John inicia mais uma turnê de despedida

A Farewell Yellow Brick Road teve seu início no sábado (8) em Allentown, na Pennsylvania. Turnê de Elton John terá mais de 300 shows e vai durar três anos

Sir Elton John é um veterano com muitos prêmios na prateleira e uma carreira recheada de clássicos. Foi o rei das paradas na década de 70 e manteve-se ativo e relevante por quase cinco décadas. Agora, parece que, aos 71 anos, ele vai mesmo pendurar as chuteiras.

— Gostaria de agradecer do fundo do meu coração por tudo o que vocês me deram nesses últimos 50 anos. Tenho a mais bela família de todas e eu realmente preciso passar mais tempo com eles. Eu sei que vocês vão entender isso, já que a maioria de vocês tem seus próprios filhos. Eu só quero que vocês saibam a razão pela qual estou fazendo essa turnê —explicou Elton durante o show.

Veja a primeira imagem de RocketMan, filme que vai contar a trajetória de Elton

Três anos de despedida

Anunciada em janeiro, a Farewell Yellow Brick Road está programada para ter mais de 300 datas, com shows em todos os continentes e duração de três anos. O Brasil vai estar no roteiro (embora ainda sem data definida) e podemos esperar mais uma inclusão de Skyline Pigeon no repertório.

Clássicos e números menos conhecidos

Acompanhado de um grupo formado por craques — alguns deles fazendo parte das bandas do músico desde 1968 e início dos anos 70 — Elton fez o que se espera dele: desfilou grande parte de seus sucessos e pinçou algumas obscuridades (veja o setlist no fim do texto).

Um show que reúne Ray Cooper, Dave Johnstone e Nilgel Olson no mesmo palco, não pode dar errado. Uma apresentação onde são interpretados números como Tiny Dancer, Someone Saved My Life Tonight, Don’t Let The Sun Go Down On Me e Your Song, só pode deixar o público extasiado.

Agora é esperar que o Rocket Man aterrisse no Brasil.

O setlist

Bennie and the Jets
All the Girls Love Alice
I Guess That’s Why They Call It the Blues
Border Song
Tiny Dancer
Philadelphia Freedom
Indian Sunset
Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)
Take Me to the Pilot
Someone Saved My Life Tonight
Levon
Candle in the Wind

Intervalo

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Burn Down the Mission
Believe
Daniel
Sad Songs (Say So Much)
Don’t Let the Sun Go Down on Me
The Bitch Is Back
I’m Still Standing
Crocodile Rock
Saturday Night’s Alright for Fighting

Bis

Your Song
Goodbye Yellow Brick Road

Silvio Caldas inglês?

Reginald Kenneth Dwight nunca foi uma pessoa fácil. Seus chiliques são famosos e, assim como o nosso Silvio Caldas, seus anúncios de despedida dos palcos não foram poucos.

Abaixo alguns das mais famosas histórias de despedida de Elton John.

1977 (Wembley Stadium)

O primeiro dos anúncios de despedida aconteceu em novembro de 1977, antes de tocar (apropriadamente) Sorry Seems to be the Hardest World. A ideia não durou muito e dois anos depois ele já estava de volta aos estúdios e aos palcos.

1984 — turnê do disco Breaking Hearts

Drogas e uma extensa turnê parecem ter, novamente, esgotado o músico. Depois problemas em vários shows — teve de receber oxigênio durante uma apresentação no Madison Square Garden — Elton decidiu que esta seria a sua “última grande turnê e rock and roll”.

No entanto, um ano depois, Elton estava firme e forte nos palcos do mundo para promover seu álbum Ice on Fire.

2010 — em entrevista a revista GQ

Elton disse que, aos 63 anos, estava se sentindo velho e que não podia mais concorrer com os astros mais jovens.

— Eu não consigo mais escrever canções pop. Eu não posso mais sentar e fazer uma verdadeira canção de rock — disse.

Bem, em 2013, lá estava ele novamente na estrada para promover o disco The Diving Board, passando inclusive pelo Brasil (em 2014). Leia a crítica aqui.

2014 — no Festival de Carcassone, na França

No dia 15 de julho de 2014, durante a sua apresentação no Festival de Carcassone, na França, Elton disparou: “nada mais de shows, nada mais de música, nada mais de canções”.

Porém, apenas um dia depois, o músico disse ao tabloide The Mirror que “estava brincando” (e estava).

Será que essa será mesmo a sua última turnê?

Fotos: Ben Gibson

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – 25/8

Cantora estreou no Rio a versão estendida do Tributo a Wilson Baptista, show que confirma a excelência na escolha dos seus projetos

Mônica Salmaso é, provavelmente, a dona da mais bela voz do Brasil, e Wilson Baptista (3 de julho de 1913 – 7 de julho de 1968) é um compositor com uma das mais ricas obras do samba. Embora muita gente, como é comum na falta de memória que aflige o país, não ligue o nome às composições. A junção do talento dos dois criou um espetáculo imperdível: Tributo a Wilson Baptista.

A apresentação deste sábado (25/8) no Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro, serviu não só para celebrar as canções de Baptista como para apresentá-las ao público mais jovem.

Elegância acima de tudo

Obras-primas como Acertei no Milhar, Boca de Siri e Lá Vem a Mangueira, só para citar algumas, ganharam leituras delicadas e elegantes. Como tudo tocado por Salmaso.

Acompanhada de Paulo Aragão (violão), Luca Raele (clarinete) e Teco Cardoso (saxofone e flauta), a cantora trouxe para o seu universo a obra de Baptista, sem desfigurar a essência de nenhuma das canções.

Outro destaque da noite foi a indisfarçável alegria da intérprete com o roteiro do espetáculo, o público presente, os arranjos das canções e a história de Wilson Baptista.

— Gostaria de ressaltar a minha felicidade com o público que foi ao show. Fomos muito bem acolhidos, isso foi muito especial pra gente! Voltei pra casa muito feliz! De verdade! — agradeceu por e-mail uma supersimpática Mônica Salmaso.

Histórias deliciosas

Além dos belíssimos sambas pinçados das mais de 600 composições de Baptista, Mônica Salmaso costurou o roteiro com deliciosas histórias tiradas da biografia Wilson Batista – O samba foi sua glória!, escrita por Rodrigo Alzuguir e lançada em 2014.

Os causos contados entre as músicas serviram como deliciosos links para contextualizar o momento histórico das composições.

Além disso, histórias onde os personagens são figuras do calibre de Moreira da Silva, Ataulfo Alves e Noel Rosa (com quem Baptista teve uma rixa histórica e que rendeu vários clássicos), jamais serão desinteressantes.

As histórias, vale o registro, dão chance de vermos uma Mônica Salmaso descontraída e engraçada como poucas vezes.

— Este projeto tem o diferencial de ser contextualizado na história do Wilson Baptista e por isso ter mais falas. O que me tira um pouco da minha zona de conforto, por um lado. Mas ao mesmo tempo ajuda no aproveitamento da escuta das canções — explicou a intérprete.

Respeito do público

O envolvimento dos músicos e da cantora criaram um clima mágico que se irradiou por todo o Teatro Rival. A plateia, durante praticamente todo o show, se manteve com uma atitude de reverência. Difícil descobrir se para o espetáculo, as canções de Baptista ou o conjunto da obra.

Os longos aplausos, a atenção ao ouvir as histórias sobre as canções apresentadas e o silêncio poderoso que permitia ouvir cada nota e cada nuance dos sons vindos do palco mostraram que o poder da (boa) música, como repito sempre, é atemporal.

— Agora estamos entrando na fase de arredondar o show. Tirar excessos (principalmente nas falas). Gosto dessa ordem e do repertório. Sinto que o show está bem amarrado — explicou Mônica.

Planos

Lançar um CD ou DVD do projeto são possibilidades não descartadas pela artista.

— Pensamos em gravar e fazer um material pra exibição em TV ou vídeos em capítulos para a internet… Mas são ideias que começaram agora. O que eu quero mesmo é fazer este show mais vezes — disse a cantora.

Quem puder assistir a uma apresentação desse show não deve deixar a oportunidade passar. Ou vai se arrepender.

Show

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – Teatro Rival Petrobras – 25/8

Cotação: *****

Fotos: Jo Nunes e Divulgação
Vídeos: Jo Nunes — Oh! Seu Oscar, A Mulher do Seu Oscar, Acertei no Milhar e Meu Mundo é Hoje (Eu Sou Assim).

Hey Jude, dos Beatles, completa 50 anos de sucesso

Música composta por Paul McCartney para o filho de John Lennon é uma das canções mais conhecidas da história do rock e ganhou uma linda homenagem do público durante o show do ex-beatle no Rio de Janeiro, em 2011

Hey Jude, don’t make it bad, take a sad song and make it better… Quem não conhece estes versos?

O épico de mais de 7 minutos, lançado pelos Beatles há exatamente 50 anos (neste domingo, 26 de agosto), é um dos grandes momentos da carreira de Paul McCartney.

A história

Em 1968, John Lennon já havia deixado a mulher, Cynthia, e o filho, Julian, e se envolvido com a futura esposa, Yoko Ono.

Paul, sempre muito ligado à família e às crianças, dirigia para fazer uma visita ao ex-clã de Lennon quando começou a cantarolar uma mensagem para Julian. Daí surgiram a melodia e os versos iniciais de Hey Jude (Hey Jules, don’t make it bad…).

Depois de alguns ajustes na letra e um certo desentendimento com George Harrison (que queria fazer um contraponto na guitarra após cada verso cantado por Paul) o que surgiu foi uma das mais belas melodias já criadas pelo homem.

O melhor público

Desde 1989 que Paul McCartney resgatou a canção em seus shows. Foram centenas de execuções, cada uma com o coro do público se sobressaindo com a regência de um sempre orgulhoso McCartney.

Porém, em 2011, no Engenhão, no Rio de Janeiro, Paul e sua banda foram surpreendidos por uma homenagem do público que jamais tinham visto antes.

De maneira totalmente espontânea, membros do público que estavam na pista vip fizeram cartazes com a palavra Na, que foram erguidas na parte final da canção.

As expressões de surpresa são indisfarçáveis (veja o vídeo abaixo) e a ideia foi, depois, copiada em várias partes do globo, mas sem o mesmo impacto e beleza da realizada pelos cariocas.

Delicie-se com a versão original e a sensacional participação do público no Rio.

A canção definitiva de Steve Winwood

Can’t Find My Way Home reúne tudo o que Steve Winwood faz de melhor. Composição, lançada no único LP do supergrupo Blind Faith, é obrigatória em todo show do músico

Todo grande artista tem a sua música definitiva. É assim com Elton John(Your Song), Paul McCartney (Yesterday) ou Paul Simon (Bridge Over Troubled Water), para citar alguns.

Não é diferente com o inglês Stephen Lawrence Winwood, que desde jovem já era responável por canções do calibre de Gimme Some Lovin’ e Dear Mr. Fantasy.

Porém, foi ao se unir a Eric Clapton, Ginger Baker e Ric Grech, formando o Blind Faith, em 1969, que Winwood criou sua mais clássica canção.

Clássico do rock

Can’t Find My Way Home é daquelas composições sem defeitos. Belíssima melodia, letra sensível, arranjo delicado – enriquecido pelo violão de Eric Clapton – e um vocal arrebatador.

Winwood é daqueles artistas capazes de criar e gravar clássicos sozinho, mas a breve companhia de Clapton, Baker e Grech, fez bem a ele. Eles até tentaram uma versão elétrica, mas fizeram bem em abandoná-la.

Não adianta ficar falando sobre a música. Melhor ouvir e ver por sí mesmo.

Come down off your throne and leave your body alone
Somebody must change
You are the reason I’ve been waiting all these years
Somebody holds the key
Well, I’m near the end and I just ain’t got the time
And I’m wasted and I can’t find my way home
I can’t find my way home
But I can’t find my way home
But I can’t find my way home
But I can’t find my way home
Still I can’t find my way home
And I’ve done nothing wrong
But I can’t find my way home

You Bring The Summer — The Monkees

Não é de hoje que deixo clara a minha admiração pela obra dos Monkees. Suas canções eram compostas por alguns dos maiores talentos musicais da época (e de todos os tempos) e os músicos que as gravavam eram a nata dos que transitavam nos estúdios de gravação.

O último disco da banda — Good Times (2016) — é mais um bom exemplo de que a fórmula continua funcionando muito bem. You Bring The Summer é um dos muitos highlights do CD e o vídeo promocional é pra lá de simpático.

You Bring The Summer (Andy Partridge)

I’ll bring the chips
and the dips
and root beer
Even though dark purple
rain clouds are near
When you come around
you bring the Summer

I’ll lay the basket and blanket out neat
Even though weathermen
say there’ll be sleet
When you come around
you bring the Summer

Summer poorer sad old snowman
freezing in his room
Summer from your clear blue skies
will melt away the winters gloom

I’ll bring the sun cream
and beach volleyball
Even though there is no sand here at all
When you come around
you bring the Summer

When you come around
you bring the summer

Summer poorer sad old Jack Frost
trying to warm his toes
Summer from your golden smile
will paint the snow drops pinky rose

The birds and the bees will fly around me
even though we’re deep in January
When you come around
you bring the Summer

I know with one bound
you bring the Summer

When you come around

Summer baby
you bring the Summer
you bring the Summer around

Summer baby
you bring the Summer
you bring the Summer around

Summer baby
you bring the Summer
you bring the Summer around
(Baby!)

Summer baby
you bring the Summer
you bring the Summer around

Summer baby
you bring the Summer
you bring the Summer around

Doyle Bramhall II divulga canção com a participação de Eric Clapton

Músico lança Everything You Need, parte do CD Shades, que será lançado em 5 de outubro. Faixa conta com a participação de Eric Clapton

O guitarrista de blues Doyle Bramhall II, um dos fieis escudeiros do Slowhand Eric Clapton, vai lançar um novo CD — chamado Shades — recheado de convidados especiais como Norah Jones, Greyhounds e, claro, Clapton.

Aperitivo

Para esquentar o apetite dos fãs — seus e dos convidados — Bramhall divulgou um lyric vídeo da canção Everything You Need, exatamente a faixa na qual Clapton faz sua aparição.

Shades, o quarto álbum do músico e o primeiro após um intervalo de 15 anos, será lançado no dia 5 de outubro e já está em pré-venda.

Track List

1. Love And Pain
2. Hammer Ring
3. Everything You Need (feat. Eric Clapton)
4. London To Tokyo
5. Searching For Love (feat. Norah Jones)
6. Live Forever (feat. Greyhounds)
7. Break Apart To Mend
8. She’ll Come Around
9. The Night
10. Parvanah
11. Consciousness
12. Going Going Gone (feat. Tedeschi Trucks Band)

Esse texto também foi publicado na Revista Ambrosia

Paul McCartney divulga nova música

Fuh You faz parte do novo disco do ex-beatle, Egypt Station, que será lançado no dia 7 de setembro.

Conheça também as canções Come on to Me e I Don’t Know

Abaixo a lista das canções de Egypt Station

01. Opening Station
02. I Don’t Know
03. Come On to Me
04. Happy With You
05. Who Cares
06. Fuh You
07. Confidante
08. People Want Peace
09. Hand in Hand
10. Dominoes
11. Back in Brazil
12. Do It Now
13. Caesar Rock
14. Despite Repeated Warnings
15. Station II
16. Hunt You Down / Naked / C-Link

Detonautas divulgam novo vídeo de Por Onde Você Anda?

Lucas Lucco atua como cantor, ator e divide direção no clipe que tem a atriz Ana Isabela Godinho como seu par romântico

Ainda aproveitando o sucesso da nova versão de Por Onde Você Anda?, conforme já publicado aqui no F(r)ases da Vida, o Detonautas Roque Clube e o cantor Lucas Lucco divulgaram um novo vídeo clipe para a canção.

Ficha Técnica

Videoclipe Por Onde Você Anda?

Detonautas Roque Clube, participação Lucas Lucco
Gravado em junho de 2018 no Studio Siriguela
Direção: Fred Siqueira e Lucas Lucco
Ass. Direção: Polly Stemut
Atriz: Ana Isabel Godinho
Montagem: Isaac Metanoia
Finalização e Color: Rafa Pereira
Makup: Leandro Ferreira

Fotos: Marcel Bianchi

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Paul McCartney atravessa Abbey Road

Foi na segunda-feira (23 de julho) que, da mesma forma que há 49 anos, Paul McCartney saiu da sua casa e, calçando sandálias, foi andando até os estúdios da EMI, em Abbey Road (Londres). Lá, encontrou seus três companheiros de banda e fez uma das fotos mais famosas do mundo. Dessa vez ele repetiu o caminho para realizar um evento promocional do seu próximo disco “Egypt Station” – que será lançado dia 7 de setembro e terá uma canção sobre o Brasil.

Detalhe: ele não foi incomodado no caminho e não foi reconhecido por duas senhoras que atravessaram a faixa de pedestres junto com ele.

Vamos ver quais eventos teremos anos que vem, quando a foto completa 50 anos.

Detonautas Roque Clube lança nova versão de Por Onde Você Anda?

A veterana banda Detonautas faz releitura com o cantor mineiro Lucas Lucco

Formada em 1997, o Detonautas Roque Clube surfa na onda do sucesso do álbum VI (2017) – que alcançou a marca de seis milhões de streams apenas no Spotify – e da faixa Por Onde Você Anda?, regravada com a participação do cantor e compositor mineiro Lucas Lucco.

– Estamos em ação com a turnê VI. Começamos a produzir versões de músicas desse último álbum com participações especialíssimas, como a do Lucas Lucco e em breve teremos mais convidados. Lançamos uma camisa comemorativa dos 20 anos da banda, junto com certificado de autenticidade assinado por todos nós, mais adesivos, que foi um grande sucesso, ficou à venda por apenas uma semana e os fãs e admiradores garantiram mais de 300 camisas – comemora Renato Rocha.

Sucesso nas redes

Detonautas

Tico Santa Cruz (vocal), Renato Rocha (guitarra), Fábio Brasil (bateria), DJ Cleston (percussão e programações), Phil (guitarra) e André Macca (baixo), construíram uma carreira onde o social, os protestos, a violência, o amor e a indignação sempre tiveram papel de destaque, e esse ainda parece ser um dos nortes da banda. O Detonautas está entre os artistas do rock nacional mais ouvidos no Spotify, com mais de 420 mil seguidores e 1 milhão de ouvintes por mês. O grupo também movimenta mais de 10 milhões de pessoas nas plataformas digitais e em suas redes sociais.

– É muito importante para nós essa linha direta com nossos fãs e sempre usamos a internet para estreitar essa relação. É nosso principal veículo de disseminação de conteúdo – conta Rocha.

Mesmo com o sucesso nas plataformas de streaming a banda não abandonou os fãs que ainda querem guardar CDs em suas coleções.

– Fizemos uma tiragem pequena de duas mil unidades em CD para atender aos fãs que ainda fazem questão de ter o material físico e para trabalhar com a imprensa. Todos nós usamos streaming e ouvimos os álbuns na íntegra quando é de nosso interesse. É possível ouvir o álbum do jeito que o artista concebeu nas plataformas de streaming. O modo aleatório é ótimo para descobrir novas bandas e artistas também – revela o guitarrista.

A nova Por Onde Você Anda?

Tico e Lucas

Quem ouviu a versão do disco VI, com as guitarras e a bateria em destaque e uma pegada mais rock, pode até se surpreender como com algumas pequenas mudanças – principalmente o destaque nos violões – e o acréscimo de uma nova voz podem fazer tanta diferença. A nova versão é mais pop e possui uma personalidade própria. A combinação das vozes de Tico e Lucas Lucco é matadora, parecendo que foram feitas uma para a outra e dando uma suavidade ainda mais triste a canção.

Difícil dizer qual a melhor versão, mas desconfio que a maioria dos fãs escolherá essa releitura.

Os dias ficaram estranhos
Até o cachorro percebeu
A chuva que molhava a planta
Encontrei um laço seu

Por onde você anda agora
Que não lembra mais de mim
Convivo com sua memória
Sentimento que me faz pensar, ah, ah

Por que você não quebra o silêncio?
Me diz o que que eu posso fazer?
Tô me sentindo muito sozinho

Se pelo menos eu pudesse te encontrar
E te pedir perdão
Pra mim já dava bom

Pensando em tudo que vivemos
É impossível não lembrar
Os banhos que tomamos juntos, até o dia clarear
O vidro do carro embaçado
O cheiro do seu edredom
As noites que passei em claro
Sentimento que me faz pensar, ah, ah

Mas, depois de tantos anos de estrada, sucesso e reconhecimento, quais as ambições da banda?

– Continuar produzindo música relevante e levar as pessoas aos shows. É no palco que a mágica acontece e é onde nos sentimos inteiros e vivos – conclui Renato.

Fotos: Fabiano Santos e divulgação

Paul McCartney lança single e anuncia novo álbum

Disco, chamado Egypt Station, será lançado no dia 7 de setembro

O ex-beatle Paul McCartney é mais um dos dinossauros do rock que apesar de todas as loucuras dos anos 60 e 70 parecem estar em forma e sem indícios de que vão diminuir o ritmo produtivo. Aos 76 anos, Paul, que faz turnês todos os anos, quase sempre incluindo o Brasil no roteiro, acaba de lançar um novo single com dois lados A (‘I Don’t Know‘ e ‘Come On To Me’) e um novo disco, que parece que vai se chamar Egypt Station.

O novo trabalho vem na sequência de New (2013) e pode contar com uma música gravada no e sobre o Brasil.

Será?

 

Erasmo Carlos continua acreditando no amor

…amor é isso, novo álbum do Tremendão, traz parcerias com Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Tim Maia!

Quem disse que rockeiro não pode ser romântico? Erasmo Carlos é a prova viva de que rock e amor combinam. Responsável por grande parte das mais conhecidas canções de amor do país (compostas em parceria com o amigo Roberto Carlos) e depois de três discos de estúdio voltados mais para as guitarras, mas sem perder a gentileza – Rock n’ Roll (2007), Sexo (2011) e Gigante Gentil (2014) – o Tremendão vira o jogo e lança …amor é isso, baseado em e-mails com poesias que escreveu para a mulher, Fernanda Passos, durante os oito anos de namoro do casal.

O resultado, além das composições solo de Erasmo, é uma coleção de ótimas parcerias – Marisa Monte, Dadi, Samuel Rosa, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Emicida e Tim Maia – e presentes de amigos como Marcelo Camelo e Nando Reis, formando um repertório de altíssima qualidade, que fala sobre todas as faces do mais intenso dos sentimentos e passeia por vários estilos, não ficando preso apenas as baladas.

Paixão e inocência

Já na primeira canção – Convite para nascer de novo (Erasmo Carlos / Marisa Monte / Dadi), o ouvinte é levado a deixar a tristeza de lado e abraçar a oportunidade de uma nova paixão.

Houve um tempo em que eu chorava quase todo dia / Dando linha a uma vida extremamente chata / Com a vontade disponível de não existir… / Houve um tempo em que eu morava com minha tristeza / Era amigo e confidente das manhãs sem sol / Prisioneiro de mim mesmo, sem poder fugir… // De repente, o infinito de uma coisa boa / Começou devagarinho a orbitar em mim / Como num conto de fadas dos Irmãos Grimm… / Era um universo puro de uma pessoa / Que me viu um mundo morto portador de vida / Como um beija-flor perdido no próprio jardim… //

Mas se as letras dão o norte do disco, o instrumental também merece destaque. O baixo de Dadi, os violões e guitarras de Luiz Lopes, e os backings de Pedro Dias e Luiz Lopes, dão peso e unidade ao material pinçado por Erasmo. A faixa-título é um ótimo exemplo disso, com um arranjo delicado onde se destacam os violões e a ótima melodia.

Uma alegria de luz, o orgasmo da arte / Um sonho, uma ardência na alma / Uma dor, uma sorte / Mais que uma oferta egoísta e possessiva / Uma canção de ninar em carne viva… // Um universo inteiro de prazer no céu / A ressonância da paz no coração do seio / Nobre ilusão do horizonte da febre sem fim / E o som da banda avisando que o show é assim…

Sempre moderno

O romantismo não pode ser considerado uma novidade na carreira de Erasmo e mesmo assim ele ainda consegue encontrar formas de se manter novo e atualizado. Uma das surpresas do disco é a sua parceria com Emicida, que também faz uma participação vocal em Termos e Condições, faixa que fala sobre tecnologia e que é um dos destaques do disco. Até mesmo as semelhanças com trabalhos anteriores (Carlos Erasmo e A Banda dos Contentes) soam atuais e trazem um frescor reconhecível ao novo trabalho.

Erasmo pensou mesmo em tudo. O CD está sendo vendido (no site da Som Livre) com um lápis para que as pessoas possam expressar sua própria opinião sobre o que é o amor, já que o sentimento tem significados diferentes para cada alma.

Homenagem ao amigo

Se o sexo já foi tema de um disco recente, o amor expressado nas faixas de …amor é isso é daqueles que todos deveríamos querer viver: intenso, traidor, romântico, idealista e sem fim. Mesmo as canções onde o sentimento veio por conta de uma amizade – como a versão que Erasmo fez para a canção New Love, do companheiro de infância Tim Maia – têm um saboroso toque de inocência.

Eu amei / Todo o amor / Que eu tinha pra amar / O que eu não sabia / É que ela não me amava… / Eu chorei / Toda a dor / Que eu tinha pra chorar / E o pranto que eu chorava / Não fez ela voltar… / Foi então / Que a vida entre o cinza e o azul / Me mostrou / A beleza do mundo em você / Me pergunto / Se eu tenho alguma chance / De contar com seu amor nesse romance… / Ôôô love / Meu novo love / Foi tão bom achar você…

Muitos altos

Toda a unanimidade é burra, já diria Nelson Rodrigues, e dizer que …amor é isso é um trabalho perfeito seria muita pretensão, mas os altos são tantos que mesmo os mais exigentes vão se dobrar a qualidade das (12) canções e da produção (Pupillo). Convite para nascer de novo, Novo sentido, Novo Love e Parece que foi hoje, fazem os 50 minutos do álbum passarem muito mais rápido do que o normal, como num jogo de futebol bem jogado, que sempre passa mais rápido do que uma pelada.

Erasmo Carlos continua produzindo em um ritmo e com uma qualidade que impressionam, principalmente se compararmos com a preguiça do seu velho parceiro. Com …amar é isso, Erasmo deixa a estrada livre para mais canções e álbuns.

Graças a Deus!

Cotação: ****


Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Depois de Hendrix, o U2 se rende aos Monkees

Críticos musicais e muitos fãs de rock costumam ter atitudes pouco respeitosas por artistas que não eram puramente artistas. Provavelmente o maior exemplo disso são os Monkees, um grupo de atores/músicos contratados para estrelar uma série de TV sobre um grupo pop e que acabaram se tornando uma banda de verdade.

É verdade que, no início da carreira, Davy Jones (voz e percussão), Micky Dolenz (voz e bateria), Peter Tork (baixo, teclado e voz) e Mike Nesmith (voz e guitarra), não compunham ou tocavam nos discos (apenas cantavam), mas com canções escritas por nomes como Carole King, Harry Nilson, David GatesNeil SedakaNeil DiamondJerry Leiber e Mike Stoller, além do impulso de um ótimo programa na TV, não é de se admirar que seus singles e LPs fossem para o topo das paradas.

O que muita gente parece esquecer é que os rapazes eram talentosos (a voz de Micky Dolenz é um exemplo) e que eles nunca representaram ser o que não eram. Na verdade, quando decidiram que queriam mesmo ser uma banda, cavaram a sua sepultura. Pode parecer estranho, mas em 1967 os Monkees eram tão famosos que tinham como ato de abertura de seus shows um tal de Jimy Hendrix. Mais importante: eles foram os artistas que mais venderam discos nos Estados Unidos naquele ano. Repetindo: nem os Beatles, os Rolling Stones, Cream, Simon & Garfunkel ou Bob Dylan. Os maiores vendedores de discos foram os Monkees!

O reconhecimento

Apesar de todo o sucesso, a crença geral é de que só as crianças conhecem o grupo – graças aos filmes do Shrek e da canção I’m a Believer – ou os adultos que reconhecem a dança de Axl Rose, mas essa não é a verdade. No dia 21 de junho de 1997, em Los Angeles, o U2 – já uma das maiores bandas do mundo – fazia mais um show da sua turnê PopMart, na qual o guitarrista The Edge tinha o seu momento de destaque fazendo um karaokê onde a canção mais executada era Daydream Believer, um sucesso dos Monkees, claro. Então, do nada, Davy Jones entra no palco e rouba o show. Porém, mais surpreendente que a reverência de The Edge é ver que toda a plateia conhece a canção.

Viva a boa música!

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

Carl Palmer – Teatro Municipal de Niterói – 26/5/2018

Baterista termina turnê brasileira mostrando energia e que a magia do rock progressivo não morreu

Enquanto a história mostra que bandas de rock sofrem com a perda de seus bateristas (casos do The Who, com Keith Moon, e do Led Zeppelin, com John Bonham), algumas ficam com seu legado a cargo dos donos das baquetas. O Emerson, Lake and Palmer – formado pelos ingleses Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – entra nessa categoria.

Ícone do rock progressivo, a banda tem sua música imortalizada pelo baterista Carl Palmer, que passou pelo Brasil com a sua Carl Palmer’s ELP Legacy Tour 2018, como parte da Top Cat Series, que também trouxe o guitarrista do Genesis, Steve Hackett e o grupo Premiata Forneria Marconi. Na sua última apresentação no país, o músico e seus dois ótimos escudeiros – Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo) – fizeram uma apresentação de gala no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Clássicos

Seguindo um setlist bem próximo das apresentações anteriores, Palmer desfilou uma série de clássicos de seu ex-grupo, mostrando uma vitalidade e força surpreendentes para um senhor de 68 anos e viveu o auge do sexo, drogas e rock and roll. Peças musicais como Trilogy, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e Tarkuso ponto alto da noite -, foram executadas com precisão e muita energia.

Recuperando o fôlego

A energia do baterista era recarregada entre as músicas, quando o britânico aproveitava para contar algumas histórias sobre as canções e sobre o grupo, e ainda recuperava o fôlego antes de atacar furiosamente a sua bateria. Normalmente a parte mais chata de um show de rock fica dividido entre a hora do solo de baixo ou do solo de bateria. Nos dois casos a surpresa foi mais que agradável. Simon Fitzpatrick fez um solo onde incluiu o clássico From the Beginning, com uma técnica de dedilhado (a lá Stanley Jordan) impecáveis. Já Palmer fez seu tour de force durante Fanfare for the Common Man, quase no fim da apresentação, marcada por vários pequenos solos.

Ataque epilético ou músicos cheios de ego e talento?

Há quem diga que o ELP não era apenas a reunião de músicos talentosos tocando música complexa e pretensiosa (no bom sentido). Para muitos o estilo do grupo se aproximava mais de um ataque epilético coletivo, onde cada um tocava de maneira egoísta. Apesar de concordar que musicalmente eles tinham um grande ego (com razão), a química e entrosamento eram inegáveis. A produtividade da banda no início dos anos 70, com a gravação de 5 álbuns de extrema qualidade – Emerson, Lake & Palmer (1970), Tarkus (1971), Pictures at an Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Brain Salad Surgery (1973) – dentro de um período de apenas três anos é típica de uma época onde mesmo as mais complexas produções eram realizadas em uma velocidade impensável para os dias de hoje, assim como alcançar vendas de 48 milhões de discos, nesses tempos de streaming.

Teatro cheio de “combustível”

– Obrigado por terem vindo nos assistir essa noite. Sei dos problemas que vocês estão tendo com combustível e outras coisas. Nós mesmos tivemos uma carreta com equipamento parada em uma estrada e tivemos que alugar alguns equipamentos – falou Palmer para a plateia em certo momento da apresentação.

Se o país sofre com o bloqueio das estradas realizado por caminhoneiros e empresários e com a total falta de habilidade e força do Governo para resolver o problema, o público de Niterói deu uma demonstração de que mesmo com os problemas no transporte e a escassez de gasolina, a boa música vence. O belíssimo Teatro Municipal de Niterói estava praticamente lotado e, tenho certeza, suas paredes – quase bicentenárias – foram revigoradas com uma energia e uma música não muito comum para o local.

No fim das contas, os que não tiveram a oportunidade de assistir ao ELP com os três integrantes ou alguma de suas reencarnações, teve uma boa mostra da magia que a sua música ainda possui.

Ainda há grandes nomes do progressivo vivos e fazendo história. Quem tiver a oportunidade de, por exemplo, assistir ao Yes (com Rick Wakeman), não deve deixar de aproveitá-la, mas quem presenciou o Carl Palmer de 2018 pode se orgulhar de um ídolo que soube envelhecer com a força de um rapaz de vinte e poucos anos.

O show

Abaddon’s Bolero (Emerson, Lake & Palmer cover)
Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tank (Emerson, Lake & Palmer cover)
Knife-Edge (Emerson, Lake & Palmer cover)
Trilogy (Emerson, Lake & Palmer cover)
From the Beginning (+ solo de baixo)
Canario (Emerson, Lake & Palmer cover)
21st Century Schizoid Man (King Crimson cover)
Solo de guitarra
Hoedown (Aaron Copland cover)
Lucky Man (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tarkus (Emerson, Lake & Palmer cover)
Carmina Burana (Carl Orff cover)
Fanfare for the Common Man (Aaron Copland cover)
Solo de bateria
Nutrocker (Pyotr Ilyich Tchaikovsky cover)

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Rosa Marya Colin – 19 de maio de 2018 – Festival Tudo Blues – Teatro da UFF (Niterói)

Música boa é atemporal! Dito isso, qualquer coisa que seja dita sobre a voz e o repertório da apresentação da cantora Rosa Marya Colin, na sexta-feira (18 de maio) no Teatro da UFF, como parte do Festival Tudo Blues, pode parecer supérfluo, mas não é. Acompanhada de uma banda de primeira – Flavinho Santos (bateria), Samir Aranha (contrabaixo) e Eduardo Ponti (guitarra) – e com a participação mais que especial do mestre da gaita, Jefferson Gonçalves.

O repertório foi um luxo, com clássicos do rock, soul e rithym and blues, como Precious Lord, St Louis Blues, Summertime, Sunshine of Your Love, The Weight e, claro, California Dreamin’, fizeram parte da apresentação. Com arranjos elegantemente certeiros e usando a gaita de Jefferson Gonçalves de maneira inteligente, não servindo apenas como instrumento de solo, a cantora fez uma apresentação empolgante.

Rosa Maria, cuja carreira iniciou nos anos 60, mas que estourou mesmo em 1998, com a gravação de California Dreamin’ para um comercial de TV, está em plena forma. Sua voz afinadíssima e potente, e sua imagem (quase uma Nina Simone) nos transportam para uma Lousiana imaginária, que se mistura com uma Londres psicodélica e alguma igreja do Harlen.

Quem perdeu o show (veja o vídeo completo abaixo) ainda pode se programar para ir até Rio das Ostras, onde a cantora se apresenta no dia 2 de junho (de graça), na 15ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

O Festival Tudo Blues segue até o dia 27 de maio, no Teatro da UFF, com shows de El84 Rock’n’ Blues Band (24), Ticão Freitas (25), Blues Etílicos (26) e The Al Pratt Blues Session (27).