Arquivo da tag: Reflexão

O mal da ditadura da falta de tolerância

“Se alguém não pensa igual a mim é um idiota, retrógrado e não vale nada”

Não é de hoje que as pessoas reclamam do clima de Fla-Flu e da intolerância que parece ter tomado a sociedade brasileira de assalto. Não importa se o assunto é política, segurança, futebol, direitos individuais ou qualquer outro ponto que possa suscitar uma discussão.

Parece que perdemos a faculdade de ouvir opiniões contrárias, bem ou mal argumentadas, e que podem mostrar um novo ponto de vista e mudar nossas posições. Da mesma forma parece que a hipocrisia está sendo ignorada na maioria das manifestações. São pessoas que usam e compram drogas, mas fazem discursos indignados contra a crescente violência nas grandes cidades. São pessoas que defendem certas correntes políticas mesmo quando seus líderes cometem crimes, lembrando que outros fizeram o mesmo. São pessoas que bradam a importância em acolher pessoas, mas que reclamam quando essas pessoas são levadas para o seu estado/cidade. São pessoas que reclamam da violência policial, mas chegam a cancelar eventos por falta de segurança.

Porém, o que mais me choca é a autoridade com a qual muita gente faz juízos de valor sobre problemas de outros países. Se a coisa já é complicada quando tratamos de problemas domésticos, imagine falar de questões de outros povos. Por exemplo, acho que a saída do Reino Unido da União Europeia é uma burrice, mas entendo perfeitamente as razões que levaram os britânicos a essa decisão, assim como entendo porque gregos e italianos fazem ações para dificultar a entrada de imigrantes em seu território, e porque catalães lutam por sua independência. Claro que sempre há coisas que não conseguimos entender (Trump é uma delas), mas mesmo nesses casos não há como ter uma resposta definitiva, mesmo vivendo no país ou estudando relações internacionais.

Cada um no seu quadrado

A razão para não podermos cravar que a nossa opinião é a correta é simples (repito): nós não vivemos lá e, mesmo quando vivemos, não temos as mesmas referências (culturais, de relacionamento, etc.) dos nativos. Afinal, o que pode explicar que as pessoas gostem de grapefruit, gravy ou carne de rato? O que faz com que haja gente que goste de rap ou polca? O que faz com que alguns povos não gostem de abraços? Com certeza esses povos também devem achar vários de nossos hábitos muito estranhos.

Recentemente, li vários artigos condenando leis e costumes que nos parecem retrógrados. Você sabia que na Nigéria o marido pode bater na esposa para “corrigi-la”? Não sou expert em cultura ou no estudo da sociedade nigeriana – e não acredito que conheça alguém que seja -, mas imagino que essa prática deva fazer algum sentido para eles, já que essa lei não é nada recente e não há nenhum movimento para revogá-la. Você sabia que no Iêmen a lei obriga as mulheres a satisfazer seus maridos na cama, queiram elas ou não? Pode ser um absurdo para os brasileiros “esclarecidos”, mas pode ser lógico para o povo do Iêmen. Simples assim.

Portanto, seja você de direita ou de esquerda, eleitor do Bolsonaro ou do Lula, apreciador de rock ou funkeiro, bebedor de cachaça ou de vinho, flamenguista ou vascaíno, já passou da hora de xingar e desdenhar de quem pensa diferente de você. Pode ser que você descubra que os argumentos do seu adversário são melhores e mais bem fundamentados que os seus.

Anúncios

Palavra do Dia: Esfossilizar

Na vida sempre há ossos para desenterrar. O processo de esfossilizar pode ser doloroso e, algumas vezes, constrangedor, mas quase sempre é muito necessário. Infelizmente (ou felizmente) muita gente consegue passar a sua existência na Terra sem ter seu verdadeiro eu exposto.

Significado:
Desenterrar coisas e/ou objetos muito antigos (fósseis); exumar.
(Etm. es + fossilizar)

Sinônimos:
exumar, desenterrar, dessepultar

Classe gramatical:
verbo transitivo direto

Sílabas:
es-fos-si-li-zar

Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem – (Eugène Lonesco)

Acreditar, ter convicções e objetivos são algumas das razões que nos fazem evoluir, seguir em frente e, em resumo, viver. Mas, apesar da crença popular, não são os sonhos que unem as pessoas. Na verdade, os sonhos são, na maioria das vezes, solitários. Mesmo que alguns ideais sejam compartilhados, é muito difícil que as ideologias e objetivos sejam os mesmos de outro ser vivo. Sempre há alguma pequena diferença que muda bastante o resultado final da coisa. Por outro lado, o sofrimento e a solidariedade nos momentos de dor são os fatores que realmente unem as pessoas.

Em tempos onde os direitos individuais estão turvos, os posicionamentos políticos acerbados e as relações romântico/amorosas colocadas em segundo plano em nome de uma independência pra lá de contestável, fica a sensação de que as pessoas estão cada vez mais indo para longe uma das outras, mesmo quando agrupados em passeatas em prol deste ou daquele posicionamento.

Tenho saudades do tempo nos quais os dias eram apenas dias e não uma data mundial por alguma coisa qualquer – importante ou não -, dos tempos nos quais uma paquera poderia terminar em namoro e não em ação judicial – praticamente determinando a morte do amor à primeira vista -, dos tempos nos quais você podia brincar com seus amigos da maneira que a intimidade permitisse, educar seus filhos utilizando os métodos que achasse necessário ou pudesse andar pelas ruas das cidades e estádios de futebol sem ter o receio de que pode ser agredido por conta de uma preferência pura e exclusivamente pessoal.

Tenho saudades do tempo nos quais as pessoas gostavam de debater com aqueles que tinham pensamentos e posições opostas às deles – uma prática que sempre eleva o nível de qualquer discussão e serve para, muitas vezes, sedimentar a convicção que tínhamos antes do início da conversa.

Não quero que sejamos unidos apenas pela dor de uma perda ou tragédia. Espero que os sonhos possam ressurgir, como nas palavras e pensamentos do reverendo Martin Luther King Jr., cuja morte completa 50 anos e cujos ideais são seguidos por muito pouca gente. Hoje, não há uma ditadura nos termos governamentais, mas há uma série de ditaduras de pensamento que separam cada vez mais as almas e os corpos. Não quero nem tenho a pretensão de fazer um tratado psicológico da sociedade brasileira (ou mundial), mas respeito cada vez mais mentes como a do professor Eugène Lonesco, que muitos devem conhecer apenas por sua obra ligada ao teatro do absurdo, capazes, gostando ou não do trabalho desenvolvido pela pessoa citada, criarem frases e pensamentos que nos façam refletir.

Redes sociais são o futuro do jornalismo?

A discussão pode parecer velha e sem sentido, mas o retorno do Jornal do Brasil às bancas traz de volta dúvidas sobre a viabilidade ou não do jornalismo impresso. Um estudo, com dados de 2015, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism mostrou que 41% dos usuários de internet (de todas as faixas etárias) usam as redes sociais para acessar notícias. Acredito que, mesmo com as recentes mudanças no Facebook e a decisão de alguns meios de comunicação brasileiros de deixarem de promover seus conteúdos nas redes sociais, a tendência desse número é aumentar.

Infelizmente a propagação de fake news e a proliferação de veículos com orientações político-partidárias-econômicas e que não são divulgadas abertamente ao público, provocando direcionamentos de pensamento com o intuito de enganar o leitor. O que poderia ser considerado um avanço – assim como aconteceu com o rádio, que aumentou em muito a sua audiência -, no caso do jornalismo precisa ser analisado com muito mais cuidado e atenção.

A tão propagada crise dos veículos de comunicação parece ser muito mais fruto da incompetência dos setores comerciais de cada empresa, que parecem ter muito mais dificuldade em se adaptar ao novo cenário do que todos os outros departamentos (jornalismo, principalmente). Isso me parece estranho, já que ainda é comum encontrar pessoas mais experientes nas redações do que na captação de recursos.

Ser analógico, hoje em dia, é um pecado mortal e parece que o número de pessoas que não se preocupam em analisar os números da audiência e as tendências que devem ser seguidas em suas respectivas atribuições. Não há nenhuma explicação lógica ara que um veículo de comunicação, em ano de Copa do Mundo e eleições, não consiga arrecadar recursos com publicidade. Recursos suficientes para garantir uma vida longa e próspera. É só colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguir algumas regras básicas e lembrar que juventude nem sempre significa modernidade.

Pretos ou pardos são 63,7% dos desocupados

Numa época onde todos os assuntos têm alguma correlação com o politicamente correto, sei que vai aparecer alguém para dizer que os dados da notícia abaixo são preconceituosos. Imagino que também aparecerão os doutores e estudiosos sociais que farão verdadeiros tratados sobre como a sociedade é injusta e impõe restrições às pessoas dessas raças. Bem, vamos deixar claro que a nossa sociedade não é justa (alguma é?), que é preciso melhorar os indicadores sociais no Brasil () e que nem sempre as oportunidades aparecem para todos. Porém, é preciso deixar claro que nem toda mulher que morre é vítima de (argh) feminicídio, que nem todo gay agredido é por conta da sua orientação sexual e que nem todo negro/preto é vítima de racismo.

Precisamos melhorar o Brasil em quase todos os aspectos (Educação, Segurança, Economia), mas precisamos também deixar de lado o pensamento assistencialista e populista que muitos levantam como uma bandeira das mais lógicas e importantes da nossa sociedade. Não vou entrar na discussão política, mas espero que a maioria das pessoas possam interpretar os dados da pesquisa do IBGE sem idealismos político-partidários.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, no terceiro trimestre de 2017, aponta que, dos 13 milhões de brasileiros desocupados, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja 63,7%.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos também era menor: R$1.531, enquanto o dos brancos era de R$2.757.

Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, apenas 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada. Outro dado relevante da pesquisa é que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. É o caso do vigilante Everton Souza, de 35 anos. Ele trabalhava com serviços gerais em uma empresa que presta serviços para órgãos públicos e quem se destacava neste emprego, tinha a oportunidade de fazer um processo seletivo para ser promovido. Após passar por algumas fases, disseram que ele não tinha o perfil para a vaga.

“Eu e mais dois se destacamos, só que só tinha uma vaga. Beleza. Aí nós fizemos a seleção entre nós, fizemos a dinâmica, aí eu saí melhor do que os outros dois camaradas. Só que, quando ele viu, tipo assim, ele olhou para mim e eu acho que ele viu que eu era negro e falou que eu não tinha o perfil adequado para a vaga que eles tinham disponível, sendo que eu tinha sido o melhor de todo o processo seletivo lá que foi feito. Me senti discriminado.”

Fonte: Agência Rádio Mais

Pai do Android acha que o futuro da tecnologia não é o mobile

Sempre acho que esse tipo de previsão é extremamente duvidosa. Pseudo gurus digitais sempre me lembram os economistas em tempos de crise: sempre há um, entre milhares, que acerta, na maioria das vezes por mero acaso. Neste caso específico, a coisa é um pouco diferente, já que a pessoa que faz as previsões tem um senhor pedigree.

Google-AndroidAndy Rubin, o “pai do Android”, acredita que o futuro da tecnologia não está nos dispositivos móveis. Em um discurso feito nesta semana na Califórnia, Estados Unidos, ele revelou que acredita que a nova plataforma de comunicação não deve ser como conhecemos. “O mobile ainda não está indo embora. Mas acredito que em algum ponto do futuro – não nos próximos 10 ou 20 anos – alguma forma de inteligência artificial, por falta de termo melhor, será a próxima plataforma de comunicação.

Rubin criou o Playground, um fundo de capital de risco e incubadora que tem como objetivo descobrir qual é a próxima grande coisa, “o que irá além do celular ou do tablet”, segundo o desenvolvedor. “Quando você gastar todo o seu tempo interagindo com a tela, você tem que começar a pensar em coisas que não têm uma tela”, explicou.

O desenvolvedor aposta ainda que a nova tecnologia será capaz de recolher e analisar todas as informações geradas por dispositivos conectados.

Fonte: Olhar Digital

Waze recebe acesso a dados de criminalidade

Foi uma tragédia, mas é um absurdo colocar a culpa da morte de uma mulher que foi alvejada por uma rajada de balas em uma rua de Niterói no aplicativo Waze. As vítimas cometeram um erro bobo – trocaram avenida por rua – e o GPS os levou para o endereço pedido, que fica no meio de uma favela (comunidade é muito politicamente correto), onde bandidos armados atiram em qualquer um que passe por lá.

Isso é um problema de segurança pública!!

As manchetes falando sobre o Waze foram um exemplo de mau jornalismo e as matérias mostrando os perigos dos aplicativos com GPS foram exemplos de desinformação e falta de apuração. Agora, autoridades do Rio resolvem dar ao Waze informações sobre criminalidade. Não seria melhor dar ao cidadão segurança para andar pelo estado ou acabar com os nomes de ruas e avenidas duplicados?

Waze IIExecutivos do Waze se encontraram nessa semana com autoridades da prefeitura e do estado do Rio de Janeiro dias após o assassinato de Regina Múrmura – ela estava no carro com o marido Francisco quando o aplicativo recomendou um caminho que passava pela comunidade do Caramujo, em Niterói. Alvejados por bala, eles fugiram do local, mas Regina foi atingida e morreu no hospital.

Di-Ann Eisnor, COO global do Waze, recebeu das autoridades uma base de dados pública com estatísticas de crimes, bem como mapas de comunidades da cidade do Rio de Janeiro e imediações. A partir das informações, a ideia é que o aplicativo seja aperfeiçoado – não se sabe, ainda, como.

Di-Ann marcou presença nesta semana no Maximídia. Durante sua apresentação, se demonstrou triste e chocada pelo que aconteceu, e afirmou que o Waze se reuniria com comunidade e autoridades para uma resposta à questão. “O Brasil nos ajudou a entender novos caminhos para o aplicativo no passado e está sendo o mesmo agora”, afirmou – referindo-se, por exemplo, ao mecanismo que evita que carros circulem por zonas de rodízio. Di-Ann argumentou também que muitas pessoas moram em comunidades e o aplicativo não pode deixar de falar sobre os caminhos aos quais elas precisam ir.

Fonte: Meio & Mensagem

Marketing ou intuição?

Revendo a foto que tirei em frente a loja do Everton (rival do Liverpool), fiquei pensando se a sacada foi feita por alguém especializado (um marketeiro) ou foi inventado por alguém normal. Claro que estudar as tendências e o comportamento do seu público é importante, mas sempre lembro que hoje, em 2015, mentes brilhantes jamais iriam permitir que uma churrascaria se chamasse Porcão, por exemplo. De qualquer forma, chamar uma loja que fica localizada em um shopping chamado Liverpool One de Everton Two é sensacional!

Everton 2

Sem paciência com o Brasil

protesto-ponte
Impunidade dá nisso: baderneiros invadem a Ponte Rio-Niterói, param o trânsito, ferram duas cidades e NINGUÉM vai preso. Mensaleiros, corruptos, blackblocks e outros delinquentes se apoiam em pseudas justificativas de protesto para cometerem crimes.

Nesse caso especifico, não importa qual era o motivo do suposto protesto, o que importa é que impediram o ir e vir e prejudicaram milhares de pessoas sem se preocupar com o bem estar coletivo. Gostaria de que uma ambulância com a mãe de um desses “manifestantes” tivesse ficado preso no engarrafamento.

E agora, ninguém é responsável por nada.

Palavra do Dia: Amor

Black LovePara alguns é um peso, uma dor. Para outros é um modo de vida, um objetivo. Há vários tipos de amor, a maioria totalmente impossível de explicar e desprovido de lógica.

Há uma crença de que o amor vive próximo a uma linha tênue de onde existe o ódio. Não sei se esses dois sentimentos são realmente tão próximos, mas tenho certeza de que o amor e o desprezo, sim, infelizmente, vivem bem perto um do outro.

Pobre daqueles que acham que amar é apenas ter liberdade.

Sentimento terno e caloroso de afeto profundo e devoção, o amor faz com que aquele que ama queira o bem d ser amado. A antropóloga Barbara J. King, autora de “O que sentem os animais?”, afirma e exemplifica através de diversos casos narrados no livro, que esses seres, assim como os humanos, também são capazes de sentir amor de diversos tipos: pela família, por amigos, por seus companheiros etc.

Definição: 

(a.mor) [ô]

1. Sentimento que faz alguém querer o bem de outrem ou de alguma coisa [+ a, por : amor (da juventude) à pátria: amor pelos humildes]

2. Afeto profundo, devoção de uma pessoa a outra (amor materno)

3. Sentimento terno e caloroso de uma pessoa por outra, inclusive de natureza física e sexual: “Nossoamor que eu não esqueço…” (Noel Rosa, Último desejo))

4. Relação amorosa: A duquesa tinha vários amores

5. O ato sexual (fazer amor)

6. Inclinação, apego ao que desperta prazer ou empatia (amor à música)

7. Rel. Sentimento de devoção a Deus; VENERAÇÃO

8. O ente objeto do amor: Dalila foi o amor de Sansão

9. Cuidado, zelo, dedicação: Fazer alguma coisa com amor.

10. Mit. Cupido

[F.: Do lat. amor, oris.]

 

Black Love 2Amor ao próximo
1 Sentimento ou exercício da caridade.

Amor à primeira vista
1 Instantâneo interesse amoroso por alguém logo ao primeiro encontro.

Amor carnal
1 O mesmo que amor físico.

Amor cortês
1 Liter. Na literatura medieval, amor nobre, puro e leal de um cavaleiro por uma mulher.

Amorfísico
1 O que busca a satisfação sexual; amor carnal.

 

Amor livre
1 O que prescinde de, e mesmo repudia, convenções morais ou legais.

Amor platônico
1 O que é isento de desejo sexual.: Não se preocupe, farei isso por você de mil amores.

De mil amores
1 Bras. Com o maior prazer, com todo o gosto.

Fazer amor
1 Ter relações sexuais.

Pelo amor de Deus
1 Por favor, por caridade.

Por amor à arte
1 De modo gratuito, desinteressado

Por amor de
1 Por causa de; em atenção a.

Um amor
1 Pop. Pessoa ou coisa muito bonita, graciosa; um encanto; um doce.
2 Pessoa muito gentil, bondosa, simpática; um doce.

A nefasta lógica da política assistencialista e das invasões de propriedades privadas

Invasão Oi VFiquei impressionado (e decepcionado) com a quantidade de gente (boa) que tentou (e tenta) justificar a invasão do prédio da Oi, no Rio de Janeiro, na semana passada. Pior, essa mesma gente – alguns jornalistas e formadores de opinião que respeito – também condenam a “brutalidade” usada no processo de remoção daqueles invasores.

Bem, para início de conversa, vamos deixar claro que a discussão aqui é a invasão de uma propriedade privada e não a falta ou má gestão de políticas públicas. Isso é outra pauta. Não há justificativa lógica para que seja aceita uma atitude dessas em uma sociedade organizada, por mais desigual que ela seja. Não importa quem seja o proprietário ou quão rico ele seja – ter dinheiro e posses, coisas que não tenho, não é um crime – a propriedade privada precisa ser protegida pelo poder público em todas as suas instâncias. Conheço várias pessoas pobres, que já moraram em favelas e em lugares onde valas de esgoto corriam na frente das “casas”, e que nunca precisaram cometer um crime para conseguir uma moradia.  Também tenho relato de casos de gente que tem emprego, paga aluguel e mesmo assim foi para lá, invadir e tentar “se dar bem”.

Invasão Oi IOutro ponto importante e que não devemos perder de vista é que já havia gente alugando barracos, outros com geladeira, fogão e grill (daqueles do George Foreman) vendendo lanches para os outros invasores. Se estas pessoas moravam de favor ou nas ruas, como conseguiram esses eletrodomésticos? Seriam daquela leva de gente que não tem nada, mas perdeu tudo?

Também precisamos parar com a desculpa de que “um pequeno grupo de baderneiros se infiltrou na manifestação”. Pequeno grupo? Será que sempre é um pequeno grupo que ateia fogo, quebra , agride e depreda? Não creio. Esse argumento se dissolve quando verificamos a constância desse MO. Isso vale (principalmente) para as gangues que usam nomes como MST e similares, e que destroem tudo o que veem pela frente em nome da reforma agrária ou outro subterfúgio semântico qualquer que possa encobrir seus crimes.

Invasão Oi IITambém é preciso lembrar que a Polícia Militar não é uma instituição assistencialista. Ela é, por definição e vocação, opressora. E, neste caso específico, representou todos os cidadãos que se sentiram agredidos com mais essa “desordem”, organizada por um bando de cidadãos de baixíssima categoria. Sim, são pessoas que, na sua maioria, merecem o mesmo tratamento chulo que os ladrões pé-de-chinelo que assaltam trabalhadores em ônibus, por exemplo. Esse tipo de pessoa rasteira não merece a mesma consideração dos que realmente lutam para ganhar a vida de modo decente.

É importante deixar claro que não estou discutindo déficit habitacional ou o valor de qualquer programa assistencial do governo (em qualquer instância). Que faltam casas e que os mais pobres merecem um “incentivo” financeiro pra que possam sustentar suas famílias. Porém, esses programas não podem fechar os olhos aos muitos que o recebem sem precisar. São fraudes e mais fraudes que só servem para sugar o dinheiro do contribuinte. Contribuinte que já subsidia as tarifas sociais de água, energia e telefone para muitos que moram em favelas. Ok, é justo. Mas é justo existir tarifa social para TV por assinatura? Eu pago impostos e mereço uma tarifa social, um desconto desses. Pessoas com (alegado) menor poder aquisitivo não deveriam ser incentivados a gastar seus recursos com supérfluos como esse.

Invasão Oi IIIA falta de critérios na distribuição de benefícios e o total descontrole no cadastramento de famílias no Minha Casa, Minha Vida, só para citar um caso, faz com que existam imóveis sendo “dados” para pessoas que jamais aceitarão viver em locais mais afastados e que vendem seus imóveis para obter algum lucro. Pensar que os invasores da Oi aceitariam imóveis no “interior” de Nova Iguaçu – novamente apenas um exemplo – é, no mínimo, uma tremenda ingenuidade. Imaginar que aqueles que têm emprego e que se aventuram numa empreitada desonesta como essa são apenas pessoas desassistidas é mais que ingenuidade, é burrice.

Não acho certo que a polícia trate de maneira desrespeitosa gente humilde. Não acho que o uso da força seja necessário em todos os casos, mas também não me iludo de que não há outra saída quando uma maioria de desordeiros delinquentes se mistura com a minoria pacífica e honesta.

Invasão Oi IVA manifestação realizada por cerca de 400 pessoas em frente ao prédio da Prefeitura, exigindo que fossem cadastrados em algum programa habitacional – afinal, perderam suas casas patrocinadas pela Oi – é a prova de que o intuito da invasão era apenas se dar bem. Se aquelas pessoas são moradoras de rua eu sou um milionário da indústria de tecnologia.

A lógica nefasta de que todos precisam e merecem estar incluídos em algum tipo de programa assistencial é nojento e agride qualquer cidadão que trabalha e paga seus (altos) impostos. Não é porque os governos são corruptos, gerem mal os seus recursos e beneficiam os mais ricos e poderosos que devemos ver com olhos mais condescendentes crimes como os praticados por essa gentalha espalhada em todo o Brasil.

Não sou rico, mas adoraria ser. Portanto, se querem igualdade social e melhores condições para todos? Votem em pessoas decentes e cobrem que os realmente necessitados recebam a ajuda devida.

As “incoerência” da telefonia celular no país da Copa

celulares xing-lingO Brasil é mesmo um país muito peculiar, não importa sob qual aspecto olharmos. Um dos últimos exemplos é a série de situações que envolvem a telefonia celular no país e na época da Copa do Mundo. Que o Brasil é um dos maiores países em volume de aparelhos pré-pagos no mundo não é novidade. Que a qualidade do serviço é precária até mesmo nas grandes cidades, também. Mas o que impressiona é a total falta de foco de autoridades na condução de políticas e ações que realmente venham se traduzir em alguma melhora no serviço ou benefício ao consumidor.

Na mesma época na qual autoridades anunciam que celulares não testados pelos órgãos competentes (Anatel), uma outra série de problemas bate a nossa porta, sem maior preocupação dessas mesmas autoridades. Primeiro vamos deixar claro que só os muito inocentes podem acreditar que essa censura aos aparelhos Xing-Ling tem relação com o bem estar e com a segurança dos consumidores. Como sempre acontece, uma cortina de fumaça é levantada para encobrir ações que visam apenas defender interesses econômicos sob a bandeira do bem estar social. Que os aparelhos Xing-Ling devem ser combatidos – por conta da má qualidade – ninguém discute, mas seria muito mais importante para o brasileiro que se fiscalizasse a qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras e as razões para que os aparelhos vendidos por aqui sejam tão caros.

Na Europa, por exemplo, é possível comprar um chip 4G com validade de 1 mês por meros R$ 40. Caso prefira um combo com um aparelho (médio), fica por aproximadamente R$ 350. Esses preços nos fazem pensar o porquê de um smartphone médio custar mais de R$ 1 mil e dos planos de internet (longe de entregarem o 3G prometido) sejam tão caros. O capitalismo é ótimo, mas a fiscalização é sempre necessária.

xing-ling-de-respeitoOutro ponto interessante desse bloqueio é o timing. Ele acontece (em fase de testes) exatamente na época que o Brasil vai receber milhares de turistas por conta da Copa do Mundo. Podem até dizer que esse bloqueio só irá acontecer efetivamente após o torneio, mas essa é apenas uma meia verdade. Meia verdade porque vários aparelhos vendidos na Europa e nos Estados Unidos não foram analisados pela Anatel ou porque muitos deles não operam nas frequências usadas no Brasil. Pior, nem nos estádios – que precisariam de pelo menos 90 dias para que o sistema fosse implantado – ele vai funcionar, já que alguns serão entregues a menos de um mês do início da competição.

“O leilão da faixa de 2,5 GHZ ocorrido em 2012, que inaugurou a era 4G no Brasil, teve como principal objetivo cumprir uma exigência da Fifa para a Copa do Mundo. Tal cobrança, bastante razoável assevere-se, tem como fundamento garantir que os torcedores pudessem compartilhar os melhores lances do evento com seus amigos mundo afora.

Arena PantanalDizer que o Brasil não cumpriu a exigência não podemos, pois há 4G nos estádios, só que não disponível aos torcedores – de muitos países do mundo – conforme era a intenção da Fifa. Explico. A faixa de frequências de 2,5 Ghz não é utilizada pela maioria dos países da Europa, nem por países como os EUA, por exemplo. Não bastasse esse fato, agora o bloqueio de celulares pode atingir inclusive consumidores daqui que adquiriram equipamentos nos EUA e Europa, compatíveis com o 3G brasileiro.

O Governo Federal prejudicou a indústria brasileira, usuária da faixa de 450 mhz e criou uma hipervalorização das frequências do 4G, encareceu a conta do consumidor e inviabilizou que muitos dos celulares de estrangeiros funcionem na Copa do Mundo”, explica Adriano Fachini, residente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

Pelo jeito, o governo está preocupado com a saúde financeira de empresas como a Motorola, Samsung e similares, e não com salvar alguma pequena parte da organização do mundial e da imagem do nosso país.

complexo-penitenciário-de-BanguA coisa fica ainda mais surreal se pensarmos que onde os celulares e smartphones não deveriam funcionar (dentro dos presídios, por exemplo) o seu uso é mais eficiente do que dentro de muitos lares espalhados nas grandes capitais do Brasil. Falam em “falta de vontade política” – uma expressão que nunca desceu pela garganta -, mas acho que falta mesmo é vontade (ponto).

A segurança no Rio (apenas para me prender a cidade com mais visibilidade do país) é colocada em cheque e as autoridades de segurança admitem que ordens para crimes e ataques a alvos policiais vêm de presídios. Penso se não seria mais importante cuidar desse problema do que procurar proteger a indústria (nem tão) nacional.

Mas, como sempre, existe a possibilidade da minha opinião estar totalmente errada (sqn).

Quando todos são responsáveis por uma tragédia

As imagens do esmagamento e morte de um ciclista em São Paulo – esmagado entre uma carreta e um ônibus depois de fazer uma manobra irresponsável (clique aqui e veja o vídeo) – e o caso da queda de uma menina no aeroporto do Galeão, no Rio, acabam gerando reações que parecem descabidas, contra o motorista da carreta (que não parou para socorrer o ciclista, muito provavelmente porque nem viu o que aconteceu) e da administração do aeroporto, quando parece óbvio que houve negligência dos pais em cuidar dos filhos.Ciclista imprensado

Bem, vamos deixar uma coisa clara: esse não é um texto para aliviar a barra de ninguém, apenas para tentar dividir as responsabilidades. No caso do acidente de trânsito, fica claro que o ciclista entrou numa de “vão me deixar passar” e se deu mal. Claro que na maioria das vezes os motoristas não respeitam ciclistas e motos (motoqueiros e motociclistas, para deixar todos felizes), mas é preciso ver que esses condutores de veículos leves também parecem desconhecer as regras de trânsito e acham que trafegar entre os carros é um direito adquirido. Afinal, demonizar uma parte ou outra não ajuda em nada na melhoria da nossa cidadania.

Já o caso da menina que caiu do terceiro andar do Galeão, fica clara a falta de atenção dos pais em relação ao comportamento da criança. Que o aeroporto é ridículo, mal conservado e cheio de armadilhas (em vários aspectos), qualquer pessoa que já tenha viajado para o exterior sabe, mas que as evidências nos levam a crer que a menina estava totalmente solta e sem qualquer supervisão, é clara. Não sei se os pais são daqueles que acham que tudo que os filhos fazem lindo e que uma vez ou outra dão um gritinho para mostrar algum tipo de autoridade, mas é preciso investigar, já que acidentes podem acontecer em escadas rolantes, escadas, shopping centers e praticamente qualquer lugar onde deixem crianças sem supervisão.

Esse desabafo é contra o péssimo hábito de se transformar as vítimas em mártires. Sempre lembro o caso da morte do filho da atriz Cissa Guimarães. O atropelador estava trafegando dentro de um túnel que estava fechado e atropelou o rapaz, que andava de skate dentro do mesmo túnel que estava FECHADO! Culpados? Bem, as duas partes estavam igualmente erradas e sugerir a troca do nome do túnel para homenagear o morto é algo que soa como “vamos homenagear um transgressor“. Pode ser uma realidade dura, um comentário cruel, mas é a realidade.

Gente, vamos responsabilizar os responsáveis e não apenas quem queremos que seja culpado.

Palavra do Dia: Amor

Amor eternoO amor é um sentimento terno e caloroso de uma pessoa por outra, inclusive de natureza física e sexual. No último capítulo do livro “Vínculos”, Marcia Esteves Agostinho afirma que o amor é mais do que um sentimento, mas um ato de vontade, uma decisão madura e uma atitude responsável. Ainda de acordo com a autora, o amor é criador e pressupõe um projeto – um futuro com o outro – e o realiza. Por isso, o amor também é história.

Mas, amor, acima de tudo, é aquela coisa inexplicável que estamos sempre procurando, sempre querendo manter, sempre querendo sentir e repartir, mesmo que ele nos faça sofrer, já que ele sempre nos faz sorrir.

Piegas? Pode até ser, mas essa é a realidade.

Definição:

(a.mor) [ô]
sm.

1. Sentimento que faz alguém querer o bem de outrem ou de alguma coisa [+ a, por : amor (da juventude) à pátria: amor pelos humildes]
2. Afeto profundo, devoção de uma pessoa a outra (amor materno)
3. Sentimento terno e caloroso de uma pessoa por outra, inclusive de natureza física e sexual: “Nosso amor que eu não esqueço…” (Noel Rosa, Último desejo))
4. Relação amorosa: A duquesa tinha vários amores
5. O ato sexual (fazer amor)
6. Inclinação, apego ao que desperta prazer ou empatia (amor à música)
7. Rel. Sentimento de devoção a Deus; VENERAÇÃO
8. O ente objeto do amor: Dalila foi o amor de Sansão
9. Cuidado, zelo, dedicação: Fazer alguma coisa com amor.
10. Mit. Cupido
[F.: Do lat. amor, oris.]


Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved

Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved

Love is you
You and me
Love is knowing
We can be

Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved

Adeus Perimetral

Perimetral 4Agora que a poeira (com e sem trocadilho) baixou, resta apenas a certeza de que sem o Viaduto da Perimetral (feio ou bonito), o trânsito do Rio entra em uma fase de longa agonia, ainda maior do que a normalmente enfrentada pelo carioca.

A demolição tem vários prós e contras, mas fica claro que ela não deveria ter sido concretizada sem termos um verdadeiro sistema de transportes coletivos. Nossa frota de ônibus é mal distribuída e pessimamente conservada, o metrô não vai quase de lugar algum até o nada e os trens e barcas…melhor nem comentar.

Foi-se uma obra, ficou a poeira e o caos (e algumas vigas de aço que sempre podem sumir misteriosamente.

Fotos: Beth Santos

Dia do Gordo – um recadinho atrasado

Elefante com minissaiaVocê sabe que tem algo errado quando alguém que tem um corpinho digno de ser exposto no zoológico acha que pode se vestir como a Mary Quant. Pior ainda quando acha que o QI é elevado.

 

PS: Se não sabe quem é Mary Quant, pede pra cagar e sai de fininho!

Nunca tenha vergonha de dizer não

Aprenda a dizer nãoDizer “não“, acredite, faz bem na maioria dois casos. Melhor um “não verdadeiro” e sincero do que um “sim” relutante ou, pior, um silêncio que não diz nada e ainda pode ser considerado desprezo, falta de consideração. Nunca imagine que o silêncio vai agradar. Lembrem-se: um favor só pode ser concedido ou negado, e em ambos dos casos, o pedinte não tem o direito de ficar magoado. Se a proposta foi ilegal, imoral ou engordar (e você não queira topar) diga NÃO!

A lógica é simples, aprenda a dizer não, sem ter culpa, mas tenha sempre em mente que o sim pode lhe trazer prazeres que jamais imaginou.

*Pequeno texto escrito na década dos anos 2000.

O vexame do trem-bala e dos metrôs no Brasil

Eurostar_at_St_Pancras_railway_station
O Eurostar faz a ligação entre Londres e Paris

O Brasil é mesmo um país com o qual a palavra planejamento não combina. Na maioria das vezes apenas por falta de competência, em outras por ter que ficar abaixo dos interesses político/econômicos de algum grupo de pessoas. O caso do adiamento do leilão para o trem-bala que ligaria Rio e São Paulo é apenas mais um triste capítulo dessa infindável história de falta de visão.

Para começar, este é um projeto que só foi posto para andar por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, quando todo o transporte ferroviário-metroviário deveria ser a principal prioridade do Governo no que diz respeito a projetos de mobilidade, já que nossas estradas e rodovias, mesmo as privatizadas, já não suportam o fluxo e a demanda de tráfego que passa por elas. Infelizmente, as “prioridades” do Governo mudam toda vez que algum fato novo acontece ou que a pressão de políticos, opinião pública ou empresários vai contra suas ideias iniciais.

mapa-metro-londresO trem-bala já nasceu praticamente morto por conta do seu trajeto e das inimagináveis 11 estações que foram programadas para existir. Pior – pelo jeito essa palavra vai aparecer muitas vezes nesse texto -, com esse novo adiamento, já iremos ter gasto (informação do jornal O Globo) R$ 1 bilhão, mesmo que ele nunca seja saia do papel. Só esse gasto já serve para deixar ainda mais aberta a ferida da desconfiança e da corrupção. Gente: R$ 1 bilhão em estudos de viabilidade?

Só para citar o exemplo mais famoso e próximo da nossa realidade, o Eurostar (que faz a ligação Londres-Paris) tem, além das estações terminais, mais quatro paradas e sua passagem pode sair (dependendo do dia e horário) por pouco mais de R$ 150. Nosso ex-trem teria (segundo estudos) um precinho até mais caro, por um serviço que teria muito menos atrativos do que o Eurostar (lembrando que a Inglaterra é uma ilha e o principal meio de transporte é o avião que, embora mais rápido, tem a desvantagem de sair e chegar a aeroportos bem mais afastados dos centros das capitais do que as gares de trem).

Portanto, bye bye trem bala. Bye bye ligação decente entre o Galeão e qualquer lugar (mesmo que São Paulo).

mapa-metro-paris-francaOs metrôs

Já o caso dos metrôs (e vou me permitir ficar só com os exemplos de Rio e São Paulo) é de chorar. Enquanto os sistemas de Londres e Paris (centenários e, portanto, criados com muito menos tecnologia do que nos dias de hoje) podem ser considerados “organismos vivos” (evoluindo constantemente, até mesmo com o fechamento e abertura de estações em intervalos razoavelmente curtos), nossos sistemas são inacreditavelmente ineficientes e burros, desde a elaboração de seu traçado.

mapa-metro-Rio-de-janeiro-001Quem já viajou sabe que tanto na capital inglesa, quanto na francesa, é possível chegar a praticamente todos os lugares por debaixo da terra e mesmo quando algum acidente ou problema técnico acontece, jamais há um colapso do sistema, como o que vimos no Rio durante a Jornada Mundial da Juventude. A razão? Simples: o traçado das linhas. Na Europa os metrôs foram imaginados em quadrantes (zonas), algo que, com um pouco de boa vontade, pode ser dividido em retângulos onde as diversas linhas se entroncam em vários trechos, impedindo que tudo pare apenas porque a porta de uma composição parou de funcionar, por exemplo. Já no Brasil, foram desenhadas linhas retas, onde qualquer chiclete jogado nos trilhos pode impedir o ir e vir de centenas de milhares de pessoas. Simples, não?

Nossas autoridades, engenheiros, empresários e demais envolvidos nesse projeto parecem usar uma lógica que só pode ser a do lucro (obras mais caras, tarifas mais caras, etc) para que esse modelo se justifique. Uma ligeira comparação nos traçados me deixa com água nos olhos. Isso, sem contar que o Rio é um dos únicos lugares no mundo no qual comprar um bilhete unitário ou bilhetes para vários dias e viagens tem o mesmo custo.

Vou ali enxugar o choro e já volto.

Cabral e seu dia de Garotinho

cabral-e-garotinhoA declaração do governador do Rio de Janeiro de que “organizações internacionais” estavam (ou estão) incentivando a baderna e o quebra-quebra no Rio de Janeiro me lembrou em muito a decisão do então pré-candidato a presidência da República Anthony Garotinho, em fazer uma greve de fome por estar sendo perseguido politicamente. Patético!

O mais incrível dessa declaração é que, ao contrário do ex-governador, que não ouvia ninguém, nem mesmo as pessoas que ele contratava para fazer assessoramento político, o atual governante do é uma pessoa bem mais “aberta” e que tem uma equipe de assessores no qual (eca) ele confia. Pior, falou essa besteira depois de ter feito (em minha opinião) uma jogada arriscada, porém inteligentíssima, ao deixar a polícia prostrada observando os bandidos quebrarem o Leblon, mudando o foco de todas as críticas contra a “truculência” da polícia, para a necessidade de ter alguma atitude firme, que não permita que bandidos tomem conta da cidade.

O momento é delicado para o político que comanda o Palácio Guanabara (para os que confundem, esse é o que fica ao lado da sede do Fluminense!) e, com uma sucessão vindo por ai, a posição de seu candidato (o vice-governador Pezão) também se complica.

Esse, com certeza, é um jogo de xadrez no qual frases como “o governador segue adiante/avante, exercendo sua função de governar”, não cabem.

Jornalistas estão com formação política débil

sindicato-2O texto abaixo é cheio de verdades e meias verdades. Que o senso crítico dos jornalistas parece estar indo pelo ralo, eu concordo. Que a maioria não é sindicalizada é fato, e que as condições de trabalho vêm se deteriorando, é incontestável. Porém, não adianta ser filiado a algum partido político ou ser membro de alguma chapa do seu sindicato para ter uma visão crítica do que acontece.

Alguns anos atrás um “patrão” disse que pensava em me pagar um curso sobre política e sindicalismo. O comentário, feito em tom sarcástico, me fez rir, diante da paixão apartidária e do ranço sindicalista obsoleto que reinava na ocasião. Como já disse algumas vezes nesse espaço, nem mesmo os “especialistas” sabem explicar alguns fatos políticos – como as manifestações que aconteceram no país nas últimas semanas, já que as dos últimos dias, coincidentemente organizadas por sindicatos e centrais sindicais foram de uma falta de adesão constrangedora – e, alguns deles, ainda parecem querer reviver os tempos nos quais sequestrar um embaixador era um ato que tinha algum valor.

As pessoas parecem não entender que reivindicar mudanças ou melhorias passa longe de uma panfletagem peseudo-esquerdista e ofensiva. Outro dia li uma publicação de um sindicato onde, em quatro páginas, eles fechavam todas as portas para um acordo para a categoria, já que davam porrada em todos os atores que poderiam se tornar aliados.

Não fazer parte das fileiras de algum partido e não participar como membro em alguma chapa sindical não é algo que defenda religiosamente – tudo é uma questão de oportunidade -, mas realmente gostaria que as mentes se abrissem, que cursos de reciclagem política fossem realizados e que os egos e ranços ficassem escondidos naquela última gaveta do móvel que fica guardado na garagem.

Há muita gente boa na política como no sindicalismo, mas também há muitos picaretas e sem noção de que o mundo e as pessoas mudaram e que a luta de uma categoria não passa por discursos inflamados e cheios de vácuo em seus conteúdos.

Nos últimos anos, muitas coisas mudaram na profissão do jornalista. Entre elas, a formação política e a postura crítica, que foram prejudicadas. A afirmação é resultado do estudo feito pela professora e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), Roseli Fígaro, junto com os doutorandos Rafael Grohmann e Cláudia Nonato. Segundo Roseli, os profissionais de imprensa são majoritariamente não sindicalizados, de formação política débil e com pouca capacidade de análise.

A pesquisa completa, que começou a ser feita em 2010, será lançada no próximo mês. Matéria da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) revela que as conclusões qualitativas foram as que mais espantaram os pesquisadores. Em resumo, apontam para formação humanística fraca e foco muito claro na técnica por parte dos profissionais. De acordo com o pesquisador Grohman, o que mais chocou foi o depoimento de uma das entrevistadas ao dizer que o curso de jornalismo não poderia ensinar nada mais do que a empresa já tinha feito.

Além disso, há baixa presença do debate do jornalista enquanto profissional nas universidades. “O jornalista poucas vezes se pensa enquanto trabalhador, ele é o super-herói, o salvador da pátria. Acho que o maior crédito do nosso livro é provocar essa discussão. A classe dos jornalistas está trabalhando muito e não está olhando direito para essas questões tão fundamentais”, afirma Grohmann.

Por outro lado, a pesquisa mostra que existe precarização das condições de trabalho e pouco engajamento. “Acredito que isso se dê pela atual situação de empregabilidade e pela precarização desses laços, que tornam a questão da sindicalização e da organização muito frágeis”, explica Roseli.

O estudo ouviu 538 jornalistas no estado de São Paulo por meio de quatro tipos de amostra: profissionais abordados por redes sociais (principalmente via e-mail), profissionais do Sindicato dos Jornalistas, colaboradores contratados por grande empresa editorial e freelancers.

Fonte: Comunique-se

Os excessos das manifestações no Rio e em São Paulo

brasil-protesto-onibus-passe-livre-20130613-10-size-460Como todos no Brasil, venho acompanhando as “manifestações” contra o aumento das passagens em várias capitais do país, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Na manhã de hoje vi cenas da “repressão violenta” da polícia e ouvi relatos e comentários que me deixaram preocupado e envergonhado ao mesmo tempo.

Primeiro, foram os comentários e declarações de membros dos “protestos” (sim, entre aspas e em itálico), que insistiam (sem a menor convicção) de que toda aquela confusão era apenas por conta do aumento das passagens dos ônibus, que faz sentido destruir coletivos, bancas de jornal, estabelecimentos comerciais e atrapalhar a vida de quem trabalhou o dia inteiro. Como diz o Ricardo Boechat: “vai protestar na frente da casa do prefeito, do governador ou da mãe deles e não atrapalhando o funcionamento (já precário) das cidades”. Depois, os protestos indignados de jornalistas e sociólogos de que houve excessos por parte da polícia, que jornalistas haviam sido detidos e alguns feridos.

MENORES COLOCAM FOGO EM ÔNIBUS NA ZONA LESTEBem, vamos aos fatos que pude constatar.

– Os “protestos” têm motivações muito mais profundas do que apenas o aumento das passagens. Há boas motivações – como a verdadeira indignação, não contra o preço, mas contra a qualidade dos serviços de transporte que nos são oferecidos – e as más motivações – como a disputa política de uma eleição que só acontece no fim do próximo ano e o “prazer” de participar de um ato (de vandalismo).

– Houve excessos de ambas as partes. Que a nossa polícia é despreparada, não deveria ser preciso lembrar, mas achar que atirar bombas incendiárias, destruir ônibus, atear fogo em lixo que foi espalhado nas ruas após a destruição das latas onde estavam depositados, não seria alvo de repressão é de uma ingenuidade ímpar. Como disse o Marcelo Janot: “É natural que, na primeira vez em que um povo que passa décadas sendo vilipendiado pelo poder público finalmente deixa de lado sua tão notória “cordialidade”, haja exageros na forma de se manifestar. É como um bebê aprendendo a andar. Mas é com a prática que se aprende“. O problema é que nessas passeatas sempre tem alguns marginais, como os que se infiltram na pele de torcedores de times ditos populares, apenas para extravazar sua violência e má índole.

Spray de pimenta em cinegrafista– A atitude de muitos coleguinhas (repórteres e fotógrafos) foi de dar vergonha. Claro que somos loucos e muitas vezes nos colocamos em locais e posições que são perigosas, mas algumas cenas que vi – principalmente a de um fotógrafo que derrubou e depois chutou o capacete de um policial e foi detido – foram de amargar. Claro que também há fotos e registros de policiais jogando spray de pimenta em cinegrafistas, mas via de regram quem fica no meio dos manifestantes não pode reclamar de que foi alvo de balas de borracha, cacetadas ou bombas de efeito moral, assim como não é admissível corporativismo e tentativa de fazer drama com essa situação, como visto em algumas redes de TV ligadas a grupos religiosos.

Sempre reclamamos da passividade do brasileiro, de que ele só se organiza mesmo para shows e festas, mas acho mesmo – concordando mais uma vez com o Janot – que falta costume em promover esse tipo de ato. Juro que não me lembro desse tipo de confusão nas manifestações pelas eleições diretas ou pela queda do Collor. Se aconteceram, foram muito menores em relação ao número de pessoas nas ruas. Reclamar da Polícia Militar é uma idiotice. Eles estão lá para cumprir ordens e dispersar esse tipo de ação, esteja ela certa ou errada. É o braço dos governos e, ao primeiro sinal de “provocação“, partem mesmo para cima.

11jun2013---estudantes-protestam-contra-aumenta-da-tarifa-de-onibus-e-metro-em-sao-paulo-sp-durante-manifestacao-na-noite-desta-terca-feira-na-avenida-paulista-zona-central-da-cidade-o-valor-da-1371062946723_1920x1080No caso de São Paulo, vale lembrar que no primeiro dia de protestos um PM foi atacado e quase linchado pelos “manifestantes“. Achar que eles não estariam mais propensos em meter a porrada em quem quer que seja é, digo mais uma vez, de uma ingenuidade absurda.

Outra coisa que me preocupa é ter lido alguns cartazes ameaçando não permitirem a realização da Copa das Confederações, com mais manifestações como as que temos visto. Gente, isso vai dar merda! Imagine alguém atirando uma pedra, digamos, no ônibus da delegação da Espanha. Nada impede que aconteça uma morte por conta de uma “ameaça terrorista” como a desse ato.

Nunca fui de direita, mas nunca fui fã de radicalismo e baderna. Se nossos governantes são ladrões, incompetentes, safados mesmo, vamos mostrar nossa indignação nas próximas eleições ou vamos causar transtornos a ele e não aos pobres que precisam enfrentar um busão depois de um dia cansativo de trabalho.

Depois querem que sejamos ecologicamente corretos

Bomba de gasolinaPor conta do irritante e ridículo comercial que tenta convencer os consumidores a encher o tanque de seus automóveis com álcool

Pausa para conferir o diálogo entre um publicitário e um funcionário público sobre a mudança no nome do álcool

Publicitário: “Precisamos trocar o nome desse produto. Álcool é muito brasileiro e lembra bebida, que como você sabe, não combina com direção. É politicamente incorreto”.

Funcionário público: “É, você tem razão.”

Publicitário: “Temos que fazer com que o Brasil se transforme em um player importante nessa área. É preciso um nome globalizado, moderno e que permita um crossmedia eficiente”.

Funcionário público: “Mas isso vai custar caro, esse crossmedia?”

Álcool x EtanolPublicitário: “Não se preocupe com isso. Tem verba publicitária da Petrobras, do Ministério das Minas e Energia, das Cidades, da Agricultura, dos Transportes, além de vários outros órgãos que vão adorar colocar dinheiro nessa ideia”.

Funcionário público: “Verdade, tem muito dinheiro sendo gasto em bobagens como casas populares e incentivo a indústria. O que o povo vai lembrar é dessas coisas de Copa do Mundo, Olimpíadas e dessas mudanças que têm relação com carro.”

Publicitário: “Acho que devemos chamar o Álcool de Etanol. Esse e o nome usado nos Estados Unidos, não faz o menor sentido para os brasileiros – o que é bom – e ainda vai ajudar na hora de vendermos o produto pra lá.”

Funcionário público: “Vender? A gente não consegue nem mesmo produzir para o consumo interno na entressafra. Como é que vamos vender pra alguém?”

papel-recicladoPublicitário: “Cala a boca e assina essa autorização, que a gente vai ficar rico!”

Fim da pausa para conferir o diálogo entre um publicitário e um funcionário público sobre a mudança no nome do álcool

…fico pensando como um país com tantos recursos naturais possa ser tão negligente na hora de convencer sua população em não destruir (muito) a natureza. Negligência de governantes e governados.

Além de não dizer que o álcool é mais caro que a gasolina (em termos de autonomia), o anúncio não cita que já usamos uma gasolina batizada com álcool, para ajudar o meio ambiente e os bolsos dos produtores de cana de açúcar.

Lixeira de ruaMas não é só nessa área que ser ecologicamente correto é caro. Tente comprar um bloquinho (para usar um exemplo bem jornalístico) ou qualquer coisa produzida com papel reciclado. É, pelo menos, três vezes mais caro do que o feito com papel comum. Experimente tentar encontrar uma lata de lixo onde possa separar os detritos de papel dos de vidro ou qualquer outro material. Não existe isso nas nossas ruas.

Pergunte ao seu síndico – seja ele contra ou a favor da reciclagem – como é complicado organizar a coleta seletiva. São os moradores que não ajudam, as empresas de coleta que jogam a responsabilidade para as cooperativas e a total falta de transparência do destino desse lixo.

Dizem que apenas 4% do lixo carioca é reciclado. De quem é a culpa? Até quando teremos que pagar mais caro por coisas que ajudam o planeta? É mais caro porque vende menos ou vende menos porque é mais caro? Tostines?

Enquanto não respondem, vamos acabando com o nosso lugar de viver.

Reciclagem para motoristas e motociclistas

Carros 2 - O filmeNão sei o que as autoridades responsáveis pela emissão das Carteiras Nacionais de Habilitação pensam, nem mesmo o que as autoridades responsáveis pela fiscalização do trânsito pensam e, para falar a verdade, nem sei se as autoridades pensam, mas para nós, motoristas, não aguentamos mais os problemas causados por motoristas e motoqueiros (sim, motoqueiros) mal educados ou que simplesmente ignoram as regras básicas de trânsito, simplesmente por não terem ideia do que são essas regras. São motoristas andando em marcha lenta nas pistas de alta velocidade, gente ultrapassando pela direita, na contra mão, passando por cima de olhos de gato para cortar caminho e, pior, sempre com motoristas medrosos e ainda mais mal educados dando passagem para esse tipo de gente em nome da “gentileza no trânsito”.

Se fosse um país sério, mais da metade dos motoristas estaria de volta aos bancos das autoescolas, que também precisam de reciclagem.

Medo dos estádios da Copa

Cobertura Fonte NovaSe tinha algo sobre o qual não pairava nenhuma dúvida na minha mente era de que os estádios construídos para a Copa do Mundo estariam funcionando plenamente e que esse seria um item com os quais os brasileiros não precisariam se preocupar. Porém, os últimos acontecimentos já me deixam dúvidas de que eles podem acabar se tornando um grande mico para o país.

O que vi no Mineirão – falta de iluminação do lado de fora do estádio, encanamento de esgoto jorrando merda (literalmente) pelos corredores e engarrafamento monstro na saída do estádio -, aliado aos relatos da falta de infraestrutura no entorno do Castelão, até mesmo com ruas inacabadas, os problemas relatados por coleguinhas no Mané Garrincha – a mesma falta de iluminação externa encontrada no Mineirão, cadeiras numeradas inexistentes e total falta de informações para os torcedores de como encontrar seus lugares, deixam a gente assustado. Isso, sem contar no imenso canteiro de obras que existe no entorno do Maracanã e o inacreditável e inaceitável problema com a cobertura da Fonte Nova, que já teve problemas com menos de 1 semana de uso, por conta de uma chuva!

Merda no MineirãoO fechamento do Engenhão e a queda de uma grade no estádio do Grêmio (arena é um termo que não faz sentido ser usado por aqui), já deixavam dúvidas sobre a qualidade dos projetos, dos materiais utilizados nas construções e da seriedade dos responsáveis pelos clubes em relação à segurança dos torcedores.

Incrível pensar que nenhum dos novos e caríssimos estádios tenha uma cobertura retrátil, o que poderia minimizar os problemas com chuvas e ventos, embora pudesse criar novos “defeitos“. Essa “quebra” na Fonte Nova (que poderia ter ferido muita gente, caso ocorresse em dia de jogo) é motivo mais que suficiente para que todos (governantes, imprensa, empreiteiros e torcedores) liguem o alerta vermelho.

Um desempenho pífio da seleção pode ser aceitável, não ter aeroportos, ruas, rodovias e um sistema de transporte viário decente (nem vamos falar de metrô), também pode ser tolerado, mas estádios novos caindo na cabeça das pessoas é inadmissível.

Que Deus nos ajude.

Um dia triste

Hoje eu deveria estar confortavelmente sentado no Royal Albert Hall para assistir a um dos concertos de Eric Clapton, que está comemorando 50 anos de carreira. Viagem cancelada, ingressos vendidos e uma tristeza profunda na alma.

Mais tarde conto aqui como foi o show que perdi.

EC Ticket