Arquivo da categoria: Reflexões

Receita: Escondidinho de frango e batata baroa

Mais uma receita para um dia frio

F(r)ases da Vida - O Blog do feroli

O escondidinho é um dos pratos mais populares do Brasil. Porém, como a sua origem é incerta – há quem diga que veio do Nordeste, outros que é uma criação de um restaurante do Sudeste e ainda há quem acredite que a receita é uma adaptação da Shepherds’ Pie (receita irlandesa feita com carne moída e purê de batatas) -, as variações são muitas, já que todos se acham meio donos da receita.

O original é aquele com purê de aipim, recheio de carne do sol ou carne seca e gratinado com queijo coalho ou requeijão. Esse que vou postar é feito com base de batata baroa e recheio de frango. Uma mudança não muito radical. Testem e deem suas opiniões.

Ingredientes

5 batatas baroas

100 ml de leite

1 copo de requeijão (pode ser light)

2 peitos de frango

1 lata de tomate sem pele e sem sementes (pelatti)

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O mal da ditadura da falta de tolerância

“Se alguém não pensa igual a mim é um idiota, retrógrado e não vale nada”

Não é de hoje que as pessoas reclamam do clima de Fla-Flu e da intolerância que parece ter tomado a sociedade brasileira de assalto. Não importa se o assunto é política, segurança, futebol, direitos individuais ou qualquer outro ponto que possa suscitar uma discussão.

Parece que perdemos a faculdade de ouvir opiniões contrárias, bem ou mal argumentadas, e que podem mostrar um novo ponto de vista e mudar nossas posições. Da mesma forma parece que a hipocrisia está sendo ignorada na maioria das manifestações. São pessoas que usam e compram drogas, mas fazem discursos indignados contra a crescente violência nas grandes cidades. São pessoas que defendem certas correntes políticas mesmo quando seus líderes cometem crimes, lembrando que outros fizeram o mesmo. São pessoas que bradam a importância em acolher pessoas, mas que reclamam quando essas pessoas são levadas para o seu estado/cidade. São pessoas que reclamam da violência policial, mas chegam a cancelar eventos por falta de segurança.

Porém, o que mais me choca é a autoridade com a qual muita gente faz juízos de valor sobre problemas de outros países. Se a coisa já é complicada quando tratamos de problemas domésticos, imagine falar de questões de outros povos. Por exemplo, acho que a saída do Reino Unido da União Europeia é uma burrice, mas entendo perfeitamente as razões que levaram os britânicos a essa decisão, assim como entendo porque gregos e italianos fazem ações para dificultar a entrada de imigrantes em seu território, e porque catalães lutam por sua independência. Claro que sempre há coisas que não conseguimos entender (Trump é uma delas), mas mesmo nesses casos não há como ter uma resposta definitiva, mesmo vivendo no país ou estudando relações internacionais.

Cada um no seu quadrado

A razão para não podermos cravar que a nossa opinião é a correta é simples (repito): nós não vivemos lá e, mesmo quando vivemos, não temos as mesmas referências (culturais, de relacionamento, etc.) dos nativos. Afinal, o que pode explicar que as pessoas gostem de grapefruit, gravy ou carne de rato? O que faz com que haja gente que goste de rap ou polca? O que faz com que alguns povos não gostem de abraços? Com certeza esses povos também devem achar vários de nossos hábitos muito estranhos.

Recentemente, li vários artigos condenando leis e costumes que nos parecem retrógrados. Você sabia que na Nigéria o marido pode bater na esposa para “corrigi-la”? Não sou expert em cultura ou no estudo da sociedade nigeriana – e não acredito que conheça alguém que seja -, mas imagino que essa prática deva fazer algum sentido para eles, já que essa lei não é nada recente e não há nenhum movimento para revogá-la. Você sabia que no Iêmen a lei obriga as mulheres a satisfazer seus maridos na cama, queiram elas ou não? Pode ser um absurdo para os brasileiros “esclarecidos”, mas pode ser lógico para o povo do Iêmen. Simples assim.

Portanto, seja você de direita ou de esquerda, eleitor do Bolsonaro ou do Lula, apreciador de rock ou funkeiro, bebedor de cachaça ou de vinho, flamenguista ou vascaíno, já passou da hora de xingar e desdenhar de quem pensa diferente de você. Pode ser que você descubra que os argumentos do seu adversário são melhores e mais bem fundamentados que os seus.

Cientista propõe teoria polêmica para explicar como Stonehenge se formou

Interessante…

VIVIMETALIUN

As imponentes rochas de Stonehenge são tão pesadas que a ideia de como elas teriam sido transportadas pelo povo neolítico sempre intrigou cientistas e pesquisadores.

Agora, uma nova teoria controversa sugere que uma geleira, em vez de pessoas, foi o que levou as grandes pedras do oeste do País de Gales até a planície de Salisbury, na Inglaterra, onde hoje se encontra o monumento.

Muitos arqueólogos, no entanto, discordam dessa hipótese, afirmando que ela carece de evidências e subestima as conquistas e a habilidade dos antigos construtores dessa estrutura.

A história de Stonehenge

A história de Stonehenge se estende desde 8500 aC, quando pessoas mesolíticas cavaram poços para postes semelhantes a totens no local.

Já os primeiros pilares de pedra foram erguidos por volta de 2500 aC, e rearranjados por pessoas ao longo dos próximos milhares de anos.

O monumento tem dois tipos de pedras principais que vêm de diferentes…

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Palavra do Dia: Esfossilizar

Na vida sempre há ossos para desenterrar. O processo de esfossilizar pode ser doloroso e, algumas vezes, constrangedor, mas quase sempre é muito necessário. Infelizmente (ou felizmente) muita gente consegue passar a sua existência na Terra sem ter seu verdadeiro eu exposto.

Significado:
Desenterrar coisas e/ou objetos muito antigos (fósseis); exumar.
(Etm. es + fossilizar)

Sinônimos:
exumar, desenterrar, dessepultar

Classe gramatical:
verbo transitivo direto

Sílabas:
es-fos-si-li-zar

Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no fim acabamos nos disfarçando para nós mesmos

Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no fim acabamos nos disfarçando para nós mesmos- François de La Rochefoucauld

O mundo é uma grande ilusão, cheia de fumaça, efeitos especiais e muita enganação. Uma enganação que não é apenas natural, mas encenada no grande picadeiro que a vida proporciona aos que precisam de uma máscara para viverem vidas barulhentas, promiscuas e vazias.

Milhões de amigos e milhões de risadas, não significam nada além de um negro estratagema para encobrir algum sentimento, uma verdade que precisa ficar enterrada e escondida de todos, inclusive de nós mesmos.

Iludir os outros é fácil. Difícil deve ser dormir (e acordar) sabendo que não vai deixar ninguém chegar perto da alma, do ser sem máscara. No fim, quem é a pessoa sem máscara? Ela ainda existe ou já se tornou uma simbiose indivisível do triste ser que habita dentro do corpo?

Que Deus nos livre dessa maldição e nos afaste de quem precisa dela para viver suas confortáveis e vazias existências.

Texto produzido em algum momento entre 2007 e 2008.

Pete Townshend: um gênio que completa 70 anos

A idade já não é mesma, mas a genialidade, sim.

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Pete Townshend 70 I Não é incomum chamar uma pessoa de gênio, principalmente na música. Alguns deles – John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Hendrix, Chico Buarque, Paul Simon e Muddy Waters, são mesmo – outros são pessoas super talentosas – Milton Nascimento, Keith Richards e Jack Bruce, por exemplo – e ainda há aqueles que viram deuses – Eric Clapton. Peter Dennis Blandford Townshend, que nesta terça-feira (19 de maio) completa 70 anos, faz parte do time dos gênios.

Para muitos, Pete Townshend é sinônimo de The Who e nada mais. Engano grave! A obra de Townshend não se resume a óperas-rock e clássicos adolescentes como I Can’t Explain ou Anyway, Anyhow, Anywhere. Também não fica apenas nos experimentos eletrônicos de Baba O’Riley ou We Won’t Get Fooled Again, e muito menos se restringe a personagens como Tommy. Ele trabalhou em editoras…

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INTERPOL e Banco do Brasil firmam acordo de cooperação

Estava mais que na hora.

Information Security

Brasília/DF – A INTERPOL e o Banco do Brasil, com apoio e mediação da Polícia Federal, assinaram acordo de cooperação e compartilhamento de informações relacionadas a crimes cibernéticos. A parceria público-privada, consolidada em 7 de maio de 2018, objetiva estabelecer um fluxo contínuo de dados relacionados a ameaças virtuais e proporcionará o fortalecimento das atividades de segurança cibernética adotadas pela INTERPOL e seus 192 países membros.

A partir do acordo assinado, o Banco do Brasil torna-se a primeira instituição financeira das Américas a integrar um seleto grupo de empresas que irão compartilhar informações com a maior e mais importante organização policial internacional. Com a parceria, o Banco do Brasil poderá enviar funcionário ao Complexo Global para Inovação da INTERPOL, em Singapura, local onde irá trabalhar ao lado de especialistas de empresas do ramo tecnológico e financeiro, além de policiais dos países membros da organização.

Durante solenidade realizada no Escritório Central…

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Amor em pedaços

Love is all we need (?)

Divagações & Pensamentos


(Gostou? veja tamém Folha de papel)…
Juras quebradas
Fotos rasgadas
Papéis queimados

Roupas picotadas
Lençóis manchados
Travesseiro abandonado

Espelhos estilhaçados
Cacos de vidro espalhados
Pulsos cortados

Doce azedado
Corações dilacerados
Amor aos pedaços

(GeraldoCunha/2018)

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Amizade com prazo de validade

Tendo a concordar

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Um dos assuntos que tenho refletido muito são sobre as amizades que deixamos para trás,  volta e meia o facebook me manda notificações de lembranças de posts antigos.

Fico pensando em como as coisas mudam e não nos damos conta, quantas vezes deixamos para fazer aquela ligação para depois e o depois nunca chega, digo isso por mim que sempre penso em dar uma ligadinha para aquele amigo que não falo há tempos e no final do dia acabo esquecendo, não por desleixo e sim pela correria do dia a dia.

Com o passar dos anos os contatos ficam cada vez menos frequentes, os assuntos ficam cada vez mais escassos, a gente vai mudando e nem percebe, até que um belo dia você resolve encontrar aquele amigo sumido e aí começam as mudanças notáveis, vocês já não compartilham os mesmos gostos, nada em comum para conversar e aquele silêncio desagradável no…

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Numeralha: Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 (III) – Jornal

O jornalismo tem mesmo muitas faces.

Coleguinhas, uni-vos!

Depois de uma parada, volto à numeralha da Pesquisa Brasileira de Mídia – 2016 para revolta de alguns/algumas. Mas isso é importante, juro. É a forma de ver como a informação chega ao distinto público em geral e não apenas a nossa bolhinha. Considere o caso do meio jornal. Em princípio, todo mundo leva a sério este meio, mas será ele tão fundamental assim? Pelos dados tabulados na PBM, nem tanto, se considerarmos quantitativamente.

Antes de começar, uma informação metodológica: a base de respondentes é de 4.665 pessoas, aquelas que leem jornais entre o total de 15.050 entrevistados.

Agora, vamos às tabelas e gráficos, começando por recordar a que mostra por quais meios a população chega às informações:

Como dá para notar, o jornal é o quarto meio em importância em termos de consumo de informação, sendo a fonte principal de apenas 3 em cada 100 pessoas, menos da metade…

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Fuja das tentações, mas devagar, para que elas possam te alcançar…

Ainda está valendo!

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Benjamín Disraeli dizia que Existem pessoas divertidas que não interessam e pessoas interessantes que não divertem. O problema é que nem sempre podemos viver a vida do jeito que queremos. É um ar condicionado com defeito, uma piscina fechada ou uma escada estreita. Sempre tem algo para atrapalhar possíveis voos mais altos.

Tentações sempre vão existir e sempre vão tentar nos fazer colocar obstáculos para o que é verdadeiramente bom, em troca de algum prazer efêmero. Prazeres efêmeros são bons, ótimos, mas não podem acabar com o que verdadeiramente precisaremos em um prazo médio. Afinal, umazinha é só umazinha e pode significar a perda de muita coisa.

Pessoas interessantes e divertidas costumam se supervalorizar e acabam ficando com a companhia de algum animal de estimação ao invés de um ser humano amoroso. Tudo por conta das tentações do ego.

Eu sempre corro das tentações, mas como todos sabem, eu…

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Para 77% dos brasileiros, violência e corrupção afetam a educação no país

A corrupção é, juntamente com a violência, o tema do momento no Brasil. Ela influencia em praticamente todos os aspectos da vida do brasileiro. A (falta) de educação é um dos fatores que fazem a percepção da violência aumentar. Espero, sinceramente, que as eleições deste ano possam ajudar o Brasil a seguir por um rumo melhor.

Dois dos principais problemas enfrentados pelo Brasil, a corrupção e a violência, estão diretamente ligados à baixa qualidade da educação, na opinião de 77% dos brasileiros. É o que revela uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Todos Pela Educação.

De acordo com o balanço, quanto maior o nível de escolaridade dos entrevistados, maior a percepção sobre a relação entre a educação e os níveis de violência. Pessoas com, pelo menos, a quarta série completa, por exemplo, representam 71% dos que acreditam na conexão dos dois aspectos. Esse índice sobe para 82% quando a pergunta é feita para quem tem ensino superior.

Para a coordenadora de projetos do Todos Pela Educação, Vanessa Souto, essa convicção dos brasileiros se remete ao fato de que, com um aumento na qualidade da educação escolar e um comprometimento maior das instituições de ensino, diminuiria o espaço para a violência.

“As pessoas entendem que, uma educação de qualidade traz maiores oportunidades a essas crianças e jovens. Então, uma educação de boa qualidade permite que as crianças e jovens, quando saírem da escola, estejam com aprendizagem adequada, concretizem seus projetos de vida. Isso, com certeza, ajuda a reduzir a questão da violência, porque mais pessoas estariam empregadas, mais pessoas terão uma renda melhor”, afirma a especialista.

O balanço aponta ainda que, seis em cada dez brasileiros concordam total ou parcialmente que a corrupção no Brasil decorre da falta de estrutura na educação.

Na avaliação do diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi, os brasileiros atribuem essa ligação à falta de uma gestão mais comprometida que deve partir, principalmente, dos governantes.

“A população tem uma percepção clara de que há problema de gestão na escola. Então, o problema não é só locativo. É, sobretudo, gerir melhor os recursos que hoje são alocados. Certamente, isso está associado a uma percepção de uma má administração da escola e da corrupção que existe na máquina pública brasileira, que é de domínio amplo”, comenta ele.

Lucchesi destaca ainda que, para a população, as melhorias da qualidade da educação viriam com uma melhor gestão escolar, com a valorização do professor, um cuidado maior com o aprendizado do aluno e mais atenção com a firmação da cidadania.

Insatisfação

O balanço divulgado mostra também que, em quatro anos, a insatisfação com a educação no país aumentou. Em relação às escolas públicas, cerca de 26% dos entrevistados considera o ensino no nível médio como ruim ou péssimo. O deputado Caio Narcio (PSDB-MG), titular da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados acredita que o cenário poderia ser outro se os professores fossem mais valorizados.

“Não há educação sem professores motivados. São professores que, geralmente lecionam por vocação, fazem isso com muito esforço e dedicação, mas que são mal remunerados”, ressalta o congressista.

A pesquisa feita pela CNI, juntamente com o Todos Pela Educação foi realizada pelo Ibope Inteligência. Os entrevistados foram ouvidos entre os dias 15 e 20 de setembro de 2017, em 126 municípios brasileiros.

Fonte: Agência do Rádio Mais

Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem – (Eugène Lonesco)

Acreditar, ter convicções e objetivos são algumas das razões que nos fazem evoluir, seguir em frente e, em resumo, viver. Mas, apesar da crença popular, não são os sonhos que unem as pessoas. Na verdade, os sonhos são, na maioria das vezes, solitários. Mesmo que alguns ideais sejam compartilhados, é muito difícil que as ideologias e objetivos sejam os mesmos de outro ser vivo. Sempre há alguma pequena diferença que muda bastante o resultado final da coisa. Por outro lado, o sofrimento e a solidariedade nos momentos de dor são os fatores que realmente unem as pessoas.

Em tempos onde os direitos individuais estão turvos, os posicionamentos políticos acerbados e as relações romântico/amorosas colocadas em segundo plano em nome de uma independência pra lá de contestável, fica a sensação de que as pessoas estão cada vez mais indo para longe uma das outras, mesmo quando agrupados em passeatas em prol deste ou daquele posicionamento.

Tenho saudades do tempo nos quais os dias eram apenas dias e não uma data mundial por alguma coisa qualquer – importante ou não -, dos tempos nos quais uma paquera poderia terminar em namoro e não em ação judicial – praticamente determinando a morte do amor à primeira vista -, dos tempos nos quais você podia brincar com seus amigos da maneira que a intimidade permitisse, educar seus filhos utilizando os métodos que achasse necessário ou pudesse andar pelas ruas das cidades e estádios de futebol sem ter o receio de que pode ser agredido por conta de uma preferência pura e exclusivamente pessoal.

Tenho saudades do tempo nos quais as pessoas gostavam de debater com aqueles que tinham pensamentos e posições opostas às deles – uma prática que sempre eleva o nível de qualquer discussão e serve para, muitas vezes, sedimentar a convicção que tínhamos antes do início da conversa.

Não quero que sejamos unidos apenas pela dor de uma perda ou tragédia. Espero que os sonhos possam ressurgir, como nas palavras e pensamentos do reverendo Martin Luther King Jr., cuja morte completa 50 anos e cujos ideais são seguidos por muito pouca gente. Hoje, não há uma ditadura nos termos governamentais, mas há uma série de ditaduras de pensamento que separam cada vez mais as almas e os corpos. Não quero nem tenho a pretensão de fazer um tratado psicológico da sociedade brasileira (ou mundial), mas respeito cada vez mais mentes como a do professor Eugène Lonesco, que muitos devem conhecer apenas por sua obra ligada ao teatro do absurdo, capazes, gostando ou não do trabalho desenvolvido pela pessoa citada, criarem frases e pensamentos que nos façam refletir.

Gol oferece nova linha de vinhos e espumante Miolo no serviço de bordo da classe Gol Premium

Uma boa notícia para quem anda na classe Premium da Gol: desde fevereiro a empresa está oferecendo aos clientes uma taça de espumante da linha Seival (da Miolo), como welcome drink. Além do espumante, vinhos tintos (da uva tempranillo) e brancos (sauvingnon blanc) foram incorporados ao cardápio de bebidas das rotas internacionais.

Infelizmente, esses mimos não estão ao alcance dos mortais da classe econômica. Quem sabe um dia…

Saudade é não poder voltar

Belas palavras

Divagações & Pensamentos


(Gostou? veja também de 2014: impuro e virtuoso)
É sombra que não se alcança.
Fumaça que se dissipa com o vento.
É vento que sopra o arrepio na nuca.
Calafrio em quarto escuro.
É desejo que não pode ser atendido.
Realidade escapando entre os dedos.
Uma cama vazia.

É sentir a presença na ausência.
Reflexo abandonando o espelho.
É roupa suja que foi largada.
Passos que vão sendo apagados.
É silêncio que se ouve mais que grito.
Murmúrios que se vão abafando.
Uma porta trancada.

É angústia pelo que não foi dito.
Arrependimento que não permite o perdão.
É uma toalha sobre a cama molhada.
Espelho ainda embaçado.
É solidão depois de uma madrugada.
Liberdade de quem não se quer liberto.
Um chaveiro deixado.

É explosão contida de sentimento.
Garrafa pela metade.
É fogueira que queima sem chama.
Lareira com fogo apagado.
É olhar que se fixa no teto.

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Malware infecta mais de 400 mil PCs através de brecha em app de torrent

Um alerta par quem usa torrents

Information Security

De acordo com um relatório da Microsoft, mais de 400 mil PCs foram infectados globalmente por um malware chamado “Dofoil” e suas variantes. Nesse caso, a ameaça estava sendo usada para minerar criptomoedas com o poder computacional dos dispositivos das vítimas. A infecção aconteceu por meio de uma brecha de segurança do MediaGet, um cliente de torrent para a rede do BitTorrent. O app na verdade distribuiu o malware através de uma atualização, a qual continha o código malicioso embutida.

A Microsoft não especificou como o Dofoil foi parar dentro do código do app de torrent, e não sabemos se a desenvolvedora da ferramenta estava de alguma forma envolvida no esquema ou se foi apenas uma vítima de hackers. Seja como for, boa parte dos computadores afetados eram de usuários na Rússia, Ucrânia e Turquia.

Distribuição massiva

De acordo com a Microsoft, o malware começou a ser distribuído…

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Palavra do Dia: Pseudo

Não há pseudos amores, pseudo fidelidade ou pseudo comprometimento. Acho que, na verdade, não há pseudos nada. Pseudo é daquelas palavras que dificilmente vem acompanhadas de algo positivo. Sou fã da sua utilização, mas nem um pouco fã dos seus significados.

Significado:

pref. De teor falso; cujo conteúdo não corresponde à realidade.
adj. Gíria. Que é falso, enganoso: ele levava uma pseudo vida.
s.m. e s.f. Alguém que aparenta ser o que não é; geralmente se refere aos pseudointelectuais: ninguém aguenta mais o pseudo da faculdade.
Gram. Acrescenta-se o hífen quando a palavra for iniciada por uma vogal idêntica à vogal do prefixo ou por h.
(Etm. do grego: pseûdos.eos)

Sinônimos:
falso, enganador, errôneo, pseudointelectual

Classe gramatical:
pronome de tratamento

Oração para os sem-música

Uma lembrança para tempos de música ruim

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Deus tenha piedade dos que não têm uma melodia para rir
Uma música para lembrar
Uma canção para sonhar

Perdoai os que não têm uma música para chorar
Uma canção para se envergonhar
Uma melodia para trabalhar

Tenha piedade dos que não têm uma canção para amar
Uma melodia para se isolar
Uma música para trabalhar

Orai pelos que só tem batidas monotônicas dentro do coração
(esses, não têm mesmo direito ao perdão)

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O Oscar está virando um gueto cotista? ou Como o mundo está realmente ficando chato

Hoje é dia de Oscar e a cerimônia, que para mim nunca foi muito justa, vide a quantidade de filmes, atores, atrizes, diretores e até músicas que foram premiados e que não são lembrados, enquanto vários que não receberam a estatueta ficaram imortalizados.

A entrega desta noite parece, infelizmente, que vai estar impregnada do vírus do bomoçismo (sic). Se antes, para ser reconhecido um ator precisava do talento e a estatura de um Sidney Poitier ou um Denzel Washington, agora, parece que o simples fato de ser negro já vale como credencial para ser indicado. O mesmo vale para as mulheres. Não importa a competência ou a qualidade do trabalho realizado. Se é mulher deveria ser indicada e se não ganhar teremos comentários sobre a derrota feminina.

Essa tendência não é exclusividade da Festa do Cinema. Vivendo a atual onda de violência que assola o Rio de Janeiro (estado e cidade) fico impressionado como qualquer morte deixa de ser consequência do estúpido estado de desgoverno e impunidade e precisa obrigatoriamente ser enquadrada em alguma categoria. Sendo assim, uma vítima de bala perdida sempre acaba sendo classificada como negra, pobre, gay ou mulher. Sei que existe preconceito e ódio, mas não creio que balas tenham esses sentimentos.

Não há dúvidas de que sempre houve seres humanos com instintos nada bons. A KKK não existe por acaso, os alemães e poloneses (sim, não há lei que vá tirar a parte deles da responsabilidade pelo Holocausto), lembrando que entre eles (alemães e poloneses) também havia judeus (ninguém era inocente), mas a humanidade nunca viveu um momento tão absurdo como hoje.

As minorias merecem ter seus direitos reconhecidos, mas não creio que cotas ou premiações dadas pelo simples fato de alguém ter uma religião, cor ou sexo, deva servir de requisito para nada. Parece um tipo de preconceito das minorias.

Um bom exemplo disso é o filme Pantera Negra, que conta história de um super-herói que é o rei de um país africano. Não paro de ler elogios aos produtores por finalmente realizarem um longa com um super-herói negro. Gente, ele foi criado muitas décadas atrás e, imaginem só, a maioria dos atores é negra! Uau! Peraí, é um país africano, não é mesmo? Então, a lógica é termos atores negros, certo? Esse tipo de elogio me parece tão sem sentido quanto encontrar hordas de guerreiros negões em Asgard. Você até encontra um ou outro, mas é isso: um ou outro. Quanto ao pessoal técnico que trabalhou no filme, a extensa presença de pessoas negras me parece apenas uma decisão oportunista. #prontofalei

Sonho com o dia que tenhamos uma distribuição de renda que permita não termos programas como o Bolsa Família ou Minha Casa, Minha Vida. Sonho com o dia que tenhamos uma educação decente que não necessite de nenhum esquema de cotas para que as pessoas que alguém seja admitido na faculdade e sonho com o dia no qual possamos voltar a viver sem sermos obrigados a conviver como se tudo o que acontece fosse em razão de algum preconceito. Muitas vezes as coisas acontecem porque têm que acontecer.

Bom Oscar para todos.

PS: Acredito que todos temos preconceitos – em maior ou menor escala – o que não gosto é de saber que há gente sendo reprimida por algum desses preconceitos, venham eles das maiorias ou das minorias.

Leia também: Todo fanatismo é ruim, menos o nosso

Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer

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Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazerTácito

Essa é daquelas verdades incontestáveis. Das que confirmam os maus instintos do ser humano. Nada pior que dever algo para alguém, um favor. Melhor manter a raiva, o ódio. Quem disse que quero ser seu amigo?

Mais fácil nunca mais perguntar, citar, pensar, do que lembrar de que pode dever algo, de que alguma parte sua pode não ser só sua. Revidar uma agressão é tarefa rápida, muito planejada e bastante prazerosa.

Olhar para a parede e ver que não existe aquele buraco, assar uma massa longe do fogão, relaxar com uma taça de espumante nas borbulhas quentes. Tudo pode ser um fardo.

Dever um favor é algo que deveríamos ter a permissão de esquecer. Não importa o quanto chovia naquela tarde ou quantos não…

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Redes sociais são o futuro do jornalismo?

A discussão pode parecer velha e sem sentido, mas o retorno do Jornal do Brasil às bancas traz de volta dúvidas sobre a viabilidade ou não do jornalismo impresso. Um estudo, com dados de 2015, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism mostrou que 41% dos usuários de internet (de todas as faixas etárias) usam as redes sociais para acessar notícias. Acredito que, mesmo com as recentes mudanças no Facebook e a decisão de alguns meios de comunicação brasileiros de deixarem de promover seus conteúdos nas redes sociais, a tendência desse número é aumentar.

Infelizmente a propagação de fake news e a proliferação de veículos com orientações político-partidárias-econômicas e que não são divulgadas abertamente ao público, provocando direcionamentos de pensamento com o intuito de enganar o leitor. O que poderia ser considerado um avanço – assim como aconteceu com o rádio, que aumentou em muito a sua audiência -, no caso do jornalismo precisa ser analisado com muito mais cuidado e atenção.

A tão propagada crise dos veículos de comunicação parece ser muito mais fruto da incompetência dos setores comerciais de cada empresa, que parecem ter muito mais dificuldade em se adaptar ao novo cenário do que todos os outros departamentos (jornalismo, principalmente). Isso me parece estranho, já que ainda é comum encontrar pessoas mais experientes nas redações do que na captação de recursos.

Ser analógico, hoje em dia, é um pecado mortal e parece que o número de pessoas que não se preocupam em analisar os números da audiência e as tendências que devem ser seguidas em suas respectivas atribuições. Não há nenhuma explicação lógica ara que um veículo de comunicação, em ano de Copa do Mundo e eleições, não consiga arrecadar recursos com publicidade. Recursos suficientes para garantir uma vida longa e próspera. É só colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguir algumas regras básicas e lembrar que juventude nem sempre significa modernidade.

Pretos ou pardos são 63,7% dos desocupados

Numa época onde todos os assuntos têm alguma correlação com o politicamente correto, sei que vai aparecer alguém para dizer que os dados da notícia abaixo são preconceituosos. Imagino que também aparecerão os doutores e estudiosos sociais que farão verdadeiros tratados sobre como a sociedade é injusta e impõe restrições às pessoas dessas raças. Bem, vamos deixar claro que a nossa sociedade não é justa (alguma é?), que é preciso melhorar os indicadores sociais no Brasil () e que nem sempre as oportunidades aparecem para todos. Porém, é preciso deixar claro que nem toda mulher que morre é vítima de (argh) feminicídio, que nem todo gay agredido é por conta da sua orientação sexual e que nem todo negro/preto é vítima de racismo.

Precisamos melhorar o Brasil em quase todos os aspectos (Educação, Segurança, Economia), mas precisamos também deixar de lado o pensamento assistencialista e populista que muitos levantam como uma bandeira das mais lógicas e importantes da nossa sociedade. Não vou entrar na discussão política, mas espero que a maioria das pessoas possam interpretar os dados da pesquisa do IBGE sem idealismos político-partidários.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, no terceiro trimestre de 2017, aponta que, dos 13 milhões de brasileiros desocupados, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja 63,7%.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos também era menor: R$1.531, enquanto o dos brancos era de R$2.757.

Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, apenas 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada. Outro dado relevante da pesquisa é que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. É o caso do vigilante Everton Souza, de 35 anos. Ele trabalhava com serviços gerais em uma empresa que presta serviços para órgãos públicos e quem se destacava neste emprego, tinha a oportunidade de fazer um processo seletivo para ser promovido. Após passar por algumas fases, disseram que ele não tinha o perfil para a vaga.

“Eu e mais dois se destacamos, só que só tinha uma vaga. Beleza. Aí nós fizemos a seleção entre nós, fizemos a dinâmica, aí eu saí melhor do que os outros dois camaradas. Só que, quando ele viu, tipo assim, ele olhou para mim e eu acho que ele viu que eu era negro e falou que eu não tinha o perfil adequado para a vaga que eles tinham disponível, sendo que eu tinha sido o melhor de todo o processo seletivo lá que foi feito. Me senti discriminado.”

Fonte: Agência Rádio Mais

Palavra do Dia – Superficialidade

Muitos seres humanos têm por característica a superficialidade, seja por falta de conteúdo, como um mecanismo de proteção ou por opção de vida. A superficialidade pode ser expressada de várias maneiras e, normalmente, é encoberta por uma atitude proativa e cheia de segurança.

O superficial pode ser detectado nas amizades – afinal, ter milhões de amigos que são levados para festas em casa não significa que sejam confiáveis -, nos relacionamentos – aqueles que acontecem após um cruzar de olhos em um ônibus ou avião e não nos que são baseados em entrega e troca -, em caixas – sejam elas cheias de bolas de gude ou camisinhas – ou na incontrolável necessidade de demonstrar que a alma é livre e sem destino.

Não vamos confundir superficialidade com dissimulação (são coisas bem diferentes). Fico triste toda vez que vejo uma pessoa fugir de algo apenas por conta da falta de comprometimento e medo de algo que fuja do que pode ser considerado raso. Para muitos, se abrir é um verdadeiro tormento e se expor é algo que pode dar aos outros a chance de conhecer o que se esconde lá no fundo do seu ser.

Para manter a capa de superficialidade muitos riem (muito e alto), outros precisam manter a popularidade. Mas a superficialidade pode estar também na música, na política ou no estilo de vida. Nem sempre ser superficial é ruim. Há casos nos quais pode até ser uma boa tática de sobrevivência, mas sejamos honestos, é muito desagradável ver pessoas sendo enganadas por uma linda e superficial camada de personalidade.

Definição

superficialidade:

s.f. Superficialismo; condição ou qualidade do que é superficial, básico, elementar, pouco profundo: a superficialidade dos comentários na internet.

Observação ou análise feita sem reflexão, sem profundidade: os políticos se mantiveram em superficialidades.

Caráter do que não é profundo, daquilo que se situa na superfície.

(Etm. superficial + i + dade)


Sinônimos
:

superficialismo

Classe gramatical:

substantivo feminino

Citações:

“Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo.” – Fernando Pessoa

“Nada é mais insondável do que a superficialidade da mulher.” – Karl Kraus

*Esse texto foi escrito entre 2007 e 2008

Viagem: Onde estão os acordos de céus abertos?

 

Se há uma coisa que atrapalha o brasileiro na hora de viajar é o preço das passagens. A falta de concorrência e, por conseguinte, de empresas Low Budget nos deixam em uma posição incômoda na hora de tentar adequar o orçamento aos desejos turísticos. Por isso fiquei intrigado ao ler que empresas aéreas – incluindo algumas brasileiras – são favoráveis a desregulamentação do setor e da assinatura de acordos de céus abertos – que permitem que o fim do limite de voos de um país para o outro, desde que as empresas tenham aeronaves em condições de fazer o trajeto e que haja espaço no aeroporto de destino para a chegada do avião.

Para se ter uma ideia, o Brasil não tem um acordo desse tipo com seus maiores parceiros turísticos, Argentina e Estados Unidos, mas tem com o Quênia e o Chile! Ou seja: ou mudamos algo ou continuaremos pagando caro na hora de viajar. Ok, mesmo com os preços atuais continua sendo mais barato ir para a Europa ou EUA do que para Fernando de Noronha, mas, convenhamos, ainda é muito pouco.

A pisada de bola do Extra no caso Alex Muralha

Este é outro assunto velho, mas, agora, que o ano acabou e o Brasileirão também, posso escrever sem que o ódio que reina no Brasil apareça por aqui (espero). O caso é a capa do jornal Extra, publicada no dia 1 de setembro de 2017, onde havia um comunicado onde o jornal avisava que não chamaria mais o goleiro Muralha pelo apelido.

Todo mundo tem o direito de errar e os (então) responsáveis pelo jornal erraram feio ao atiçar ainda mais os ânimos nada amistosos da torcida contra o atleta. Mas, o pior mesmo, foi ver que os responsáveis não admitiram o erro e disseram que o que fizeram foi uma piada e que piadas não devem ser explicadas. Bem, se uma piada precisa ser explicada é porque, no mínimo, ela não foi boa. A jogada pode até ter tido alguma lógica se a ideia era vender jornais ou gerar polêmica, mas eu ainda acredito que os jornais precisam informar, mesmo que com uma certa dose de humor, o que está longe de ser o caso.

Já que se fala muito nas mudanças que o jornalismo precisa fazer para sobreviver, tinha que escrever algo sobre esse episódio lamentável. Para deixar o meu pensamento ainda mais claro, reproduzo o editorial do Comunique-se sobre esse caso (publicado em 4 de setembro de 2017).

 

Todo mundo ganhou (menos o bom jornalismo)

No mundo do jornalismo e do futebol brasileiro, o último fim de semana foi marcado pela ação do diário Extra, do Grupo Globo, em noticiar que deixará de se referir ao goleiro do Flamengo pelo apelido de Muralha. A decisão tomada pelo popular veículo de comunicação foi alvo de críticas de internautas e jornalistas (até de profissionais de dentro da Globo). Muitos avaliaram que, na edição veiculada na sexta-feira, 1º de setembro, o impresso cometeu uma “bola fora” ao colocar a “informação” sobre Alex Muralha na primeira página e com teor semelhante a de pautas relacionadas a criminosos que tomam conta do Rio de Janeiro, estado que o mesmo título definiu estar em guerra, com direito a criação de editoria especial.

Para qualquer pessoa com um pouco de bom senso, seja ela profissional da comunicação ou não, fica nítido que o jornal errou no tom  ao se referir ao arqueiro flamenguista. Convenhamos, ao transformar as falhas do atleta em sua manchete principal e garantir que, por ora, o apelido “Muralha” não aparecerá em suas páginas, o diário carioca dá margem para se tornar alvo de críticas vazias semelhantes. Com o episódio, do qual por duas vezes os responsáveis pela publicação fizeram questão de colocar como uma simples “brincadeira” e pedir (de forma bem tímida) desculpas, o goleiro Alex Muralha, a diretoria do Flamengo, torcedores e quaisquer outras pessoas têm todo o direito de virem a público e dizer que não consideram como jornalismo o produto entregue pelo Extra.

Caímos no assunto jornalismo. Afinal, conforme o título deste editorial do Portal Comunique-se, o bom jornalismo foi o único elemento envolvido na história que perdeu. Pode parecer irônico, mas até o Extra, protagonista da “brincadeira” desnecessária, chega a esta semana com saldo positivo. Certamente, a edição que colocou o jogador de futebol como se fosse um foragido da polícia vendeu mais exemplares do que edições anteriores. No Facebook, graças ao conjunto de algoritmos que parece cada vez mais valorizar polêmicas em vez de conteúdos relevantes, a marca não tem do que reclamar.

A foto com a imagem da primeira página de sexta tem até o fim da tarde desta segunda-feira, 4 mil reações, 943 compartilhamentos e 1,5 comentários (a maioria criticando a postura adotada, mas o Facebook não se importa com isso). Sem polêmica ou piada idiota, a postagem com os destaques do dia anterior tem números bem menores: 133 reações, 32 compartilhamentos e 10 comentários.

Alex Muralha (seguiremos respeitando o nome “artístico” adotado pelo profissional) sai dessa história contando com o apoio de torcedores do Flamengo, que chegaram a pedir que ele fosse barrado para a final da Copa do Brasil. Possivelmente, o fato de ter sido acolhido pelo grupo de jogadores do Mengo fará com que o atleta tenha mais segurança no confronto que vale título. Uma coisa, porém, é fato, até a equipe do Portal Comunique-se, que não acompanha tão de perto as disputas futebolísticas, sabe que o goleiro estava em má fase técnica. Algo que deixou de ser notícia por causa da ação do Extra.

Cronistas esportivos pararam de falar do desempenho do arqueiro para demonstrar apoio ao ser humano. Aliás, a imprensa desportiva – principalmente a online – também ganhou, pois conquistou cliques com o desdobramento: reprodução da nota oficial de Muralha e o posicionamento por parte da diretoria do Flamengo. Os dirigentes do clube são outros vitoriosos do contexto; afinal, venderam para a mídia os valores éticos que regem a atual administração.

Entre vendagem em banca acima do normal, crescimento do alcance e engajamento no Facebook, um goleiro que vê sua má fase desaparecer do noticiário esportivo, sites atrás de mais cliques e cartolas que adoram um espaço na mídia, é simples constatar que o anúncio do Extra só fez um elemento ser derrotado (e de goleada): o bom jornalismo. Até porque, segundo a própria publicação, piadas sem graça merecem mais espaço numa primeira página.