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Mais & Mais – um gol de placa de Ana Petkovic

Filha do ex-craque sérvio Dejan Petkovic lança o clipe de Na Fé, do ótimo CD Mais & Mais

Pode parecer estranho que a filha de um ex-esportista decida seguir pelo caminho da música, mas a escolha da jovem Ana Petkovic foi mais que acertada.

Nascida em Madri, a cantora, que se divide entre o Brasil e a Sérvia, onde mora e estuda, parece decidida a apostar na carreira.

— Como eu moro na Sérvia, durante o ano eu ficava um ou dois meses por aqui. Cada vez que eu vinha eu gravava três ou quatro músicas em uma semana.  Agora, eu passo cerca de sete meses no Brasil e estamos planejando fazer vários shows no Rio e em São Paulo — contou Ana.

Em família

O disco Mais & Mais, lançado no fim do ano passado, segue sendo divulgado, agora com o lançamento do clipe da canção Na Fé (Ana, Línox e Max Viana).

Dirigido por Dado Marietti, o clipe foi rodado no Rio e conta com a participação da irmã (Ines), do namorado (Dusan Zdravkovic), além do próprio Petkovic, tocando um… tromPETe (com direito a todos os trocadilhos possíveis).

— Meu pai é o meu empresário e meu maior fã. Sempre que ele chegava em casa, depois dos treinos ou jogos, ele me pedia para cantar algo novo que eu havia escrito. Ele ama música e sempre vai aos ensaios e shows, mas não interfere no processo criativo. É muito legal ter um pai que apoia tudo — contou Ana.

Gol de placa

Mais & Mais é um daqueles discos onde tudo funciona. A produção de Linux e Max Viana é certeira, dando destaque ao suingue das ótimas composições que fazem parte do repertório.

Navegando entre o soul, pop, blues e jazz, a bela voz de Ana (que em alguns momentos lembra o timbre de uma tal Amy Winehouse) se encaixa perfeitamente na pegada balançada e nas canções mais lentas. Ouça Unforgivable e tire suas conclusões.

— Como tenho um gosto bastante eclético eu sempre coloco dois ou três estilos nas minhas composições — explicou.

O soul e os metais de números como Pensa Bem (Línox/ Max Viana / Ana Petkovic) e Encurralado (Línox e Mauricio Oliveira) mostram uma produção de primeira e, se colocadas ao lado de números mais lentos como Cada Dia (Línox/ Max Viana) e Suenos (Línox/ Max Viana / Ana Petkovic), confirmam o gol de placa da artista.

Jogando nas 11

Outro ponto alto de Mais & Mais é a desenvoltura com a qual Ana muda do português para o inglês ou espanhol, mostrando que é mesmo uma cidadã do mundo.

— Eu morei no Brasil 14 anos. Eu cresci aqui. Mesmo morando na Sérvia eu nunca esqueci a língua. Tenho muitos amigos aqui. É engraçado, que aqui em casa em uma frase nós misturamos três línguas — confidenciou a cantora.

Ídolos surpresa

Uma das revelações mais surpreendentes sobre a versatilidade de Ana Petkovic veio quando perguntada sobre quem são seus ídolos e com quem gostaria de trabalhar.

— Ana Carolina e Alcione são artistas que eu admiro e com as quais gostaria de trabalhar — disparou.

Pelo menos quando comparadas com as canções que fazem parte de Mais & Mais, esses são nomes bem pouco prováveis.

CD campeão

Não há como fugir dos clichês futebolísticos. Afinal, Dejan Petkovic foi craque e marcou belos e decisivos gols pelo Fluminense, Vasco, Real Madrid e outros times de menor expressão pelos quais passou. Sua filha segue o mesmo caminho.

Cotação: **** ½

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

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Milton Nascimento volta acústico e afinadíssimo

Cantor lança EP acústico com regravações de canções icônicas e divulga clipe da canção Maria, Maria

Um dos maiores talentos e uma das vozes mais privilegiadas da MPB, Milton Nascimento está de volta com o lançamento do EP A Festa, que traz versões acústicas de alguns de seus sucessos.

— Uma das minhas maiores vontades na vida era um dia poder lançar um projeto que tivesse minhas canções num formato mais acústico. E esse momento finalmente chegou! É com muita alegria que agora a gente tá lançando esse EP , com alguns de meus maiores sucessos acompanhado apenas pelo violão do meu maestro, Wilson Lopes, que já toca comigo há muitos anos. Foi tudo feito com muito carinho! — disse Milton.

Para quem acompanhou as duas últimas turnês de Milton, ficava evidente uma certa fragilidade (física e vocal) do artista. A voz, sempre poderosa e afinada, andou dando umas escorregadas, que parece ficaram para trás nestes registros. Uma ótima notícia para os fãs da boa música brasileira.

As canções

O Cio da Terra — Parceria de Milton com Chico Buarque, que fez sua estreia no LP Geraes (1976), O Cio da Terra ganhou um registro onde o arranjo de Wilson Lopes se destaca e dá mais brilho ainda a bela interpretação de Milton.

A nova versão é de uma delicadeza que rivaliza com a qualidade do registro original.

A Festa — Gravada por Maria Rita no seu disco de estreia (2003), A Festa ganha, finalmente, uma versão na voz de seu autor (outra escolha certeira).

Todos que imaginavam como a canção deve ter sido criada vão ficar mais que satisfeitos. Um dos pontos altos do EP.

Pôr do sol e aurora
Norte sul leste oeste
Lua nuvens estrelas e a banda toca
Parece magia e é pura beleza
E essa música sente e parece que a gente
Se enrola corrente e tão de repente você
Tem a mim

Maria, Maria — Uma das mais conhecidas e icônicas composições de Bituca, Maria, Maria é daquelas músicas difíceis de estragar e não seria o seu autor o responsável por fazê-lo. Talvez a necessidade de fazer algo diferente tenha atrapalhado um pouco.

É uma boa versão, mas o formato acústico e as mudanças de clima não melhoraram algo que é mesmo difícil de melhorar.

A canção ganhou um clipe dirigido por Matheus Senra e estrelado pelas atrizes Simone Mazzer, Jéssica Ellen, Zezé Motta, Camila Pitanga, Sophie Charlotte, Georgiana Góes Arianne Botelho.

Beco do Mota — Provavelmente a menos feliz das gravações desse EP. Lançada no LP Milton Nascimento (1969), Beco do Mota não se beneficiou do formato acústico. Não chega a ser um mau registro, mas fica abaixo das demais canções do projeto.

Cuitelinho — Gravada pela primeira vez em 1983, no álbum Milton Nascimento ao Vivo, é o ponto alto do EP.

Composição tradicional, com origem no folclore do Pantanal de Mato Grosso do Sul, Cuitelinho é a prova definitiva de que uma boa música sempre pode ser melhorada. Bituca e Wilson Lopes mostram-se imbatíveis. É de ouvir sem parar.

Aí quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai

A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

Canção da América — Assim como Maria, Maria, Canção da América é uma das marcas registradas de Milton Nascimento. A parceria com Fernando Brant, imortalizada no disco Sentinela (1980), ganha nova vida.

Os backings de Milton (em substituição aos originais do Boca Livre) são lindos. Uma ótima maneira de terminar A Festa.

Cotação **** ½

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Grupo de “Space Rock” lança disco com a participação de Eric Clapton

O Hawkwind, formado em 1969 na Inglaterra, lançou Road To Utopia , o seu 31° disco de estúdio. Tendo passado por diversas vertentes como hard rock, progressivo e rock psicodélico, a banda decidiu recriar várias de suas canções com a participação de uma orquestra.

Com arranjos criados pelo maestro Mike Batt e vários solos de ninguém menos que Eric Clapton (na faixa The Watcher), o Hawkwind consegue reoxigenar algumas canções que ainda mantêm sua força nas versões originais.

Para os que não conhecem a banda, vale uma pesquisada. Para os que já estão familiares com a sua obra, Road To Utopia é um disco interessante e desafiador.

Cotação *** ½

22 Milhas, um longa fraco com cara de franquia

22 Milhas, dirigido por Peter Berg, mistura referências e clichês de vários filmes consagrados

Uma equipe de elite cumprindo uma missão que não pode ser resolvida por mais ninguém; uma ameaça terrorista; uma pessoa que precisa ser levada de um ponto a outro, sendo seguida por assassinos bem armados, e um personagem que pode ou não ser um vilão.

Esse pequeno conjunto de fatores pode parecer familiar, e é.

Sendo assim, fica claro que 22 Milhas, novo longa dirigido por Peter Berg (O Grande Herói e O Dia do Atentado) e estrelado por Mark Wahlberg (Os Infiltrados, Ted e Uma Saída de Mestre), tem um roteiro bem pouco criativo.

Todos com mais de 30 anos já viram todos esses elementos em um grande número de longas que fizeram sucesso e não sei se precisamos de (re)ver tudo isso novamente.

Ah, não esqueçamos das inevitáveis reviravoltas no enredo.

Elenco de peso e edição nervosa

A produção não foi barata. O elenco — no qual ainda encontramos nomes como Lauren Cohan, Iko Uwais, Ronda Rousey e John Malkovich — é bem afiado, mas não consegue tirar a incômoda sensação de déja vu.

A edição e a montagem tentam (com algum sucesso) tornar a ação intensa, embora deixem as cenas um pouco picotadas demais.

A violência também não é pouca e deve agradar boa parte do público dos filmes de ação.

Misturando Bourne, Rambo e Bond

 

O herói interpretado por Wahlberg é uma pessoa cheia de tiques, com pouca interação social e habilidades que lembram Rambo, Jason Bourne e James Bond.

O funcionamento da equipe tem um quê de Missão Impossível e o fim do longa deixa claro a intenção de criar uma nova franquia.

Perseguições de automóveis, pancadaria e tecnologia tentam dar um ar de novidade e emoção ao filme, mas nada funciona muito bem.

Tela Quente

O resultado é um filme nervoso, confuso, com uma história pouco criativa e um gancho que pode levar (tomar que não) a uma continuação. Não chega a ser um desastre, mas é fácil de ser esquecido.

Algum dia, vai ser uma boa Tela Quente  ou Temperatura Máxima.

Cotação: ** ½

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Tony Bennett e Diana Krall: Love Is Here to Stay, um senhor disco

Aos 92 anos, Bennett mostra que ainda domina a arte de escolher bons parceiros e boas canções em mais um disco fundamental, Love Is Here to Stay

Tony Bennett e Diana Krall não são desconhecidos um do outro, muito pelo contrário. Desde 1999 que os dois andam se esbarrando nos palcos e estúdios, tendo lançado canções nos discos Playin’ With My Friends (2001) e Duets: An American Classic (2006).

Em Love Is Here to Stay a dupla esbanja classe em certeiras 12 canções e econômicos 36 minutos, que devem ser aproveitados ao máximo pelo ouvinte, pois não há excessos ou escolhas equivocadas.

Gershwin na veia

A obra criada por George e Ira Gershwin já serviu de combustível para o lançamento de centenas de álbuns. Poucos com a categoria de Love Is Here to Stay, produzido por Dae Bennett e Bill Charlap.

Os arranjos, econômicos e muito elegantes, ficam por conta do Bill Charlap Trio — Bill Charlap (piano), Peter Washington (baixo) e Kenny Washington (bateria) — que faz um trabalho perfeito, destacando as vozes dos dois intérpretes.

Prêmios e recordes

Krall e Bennet são dois artistas reconhecidos pelo público e crítica pela qualidade de seus trabalhos. Os dois já ganharam uma quantidade considerável de prêmios Grammy.

Bennett é o único artista que, com 85 e 88 anos, respectivamente, teve álbuns debutando no primeiro lugar da Billboard, a parada norte-americana — Duets II e Cheek to Cheek (com Lady Gaga).

Diana Krall é a única artista de jazz a ter oito álbuns chegando em primeiro ligar na Billboard na semana de seu lançamento.

Para aumentar ainda mais a quantidade de prêmios de Bennet, Love Is Here to Stay já lhe rendeu mais um. No show de lançamento do disco, na última quarta-feira, 12 de setembro, em Nova York, Bennett foi homenageado pelo Guinness Book (o livro dos recordes).

O cantor, agora, é o artista mais tempo levou para fazer uma regravação de um single. Foram 68 anos e 342 dias (contando do dia 3 de agosto de 2018) entre a primeira vez que gravou Fascinating Rhythm — ainda sob o pseudônimo de Joe Bari — e o novo registro.

Um senhor esperto

Normalmente artistas mais veteranos vão perdendo espaço na mídia e relevância no mercado. Parece que 2018 veio para demolir essa verdade.

Assim como Paul McCartney — que emplacou um disco em 1º lugar na parada após 36 anos — Bennett mostra que qualidade ainda faz a diferença.

Mas não é apenas a longevidade da sua voz que faz de Bennett um fenômeno. Suas escolhas recentes têm sido acertadíssimas.

Desde 2014, quando convidou Lady Gaga para gravar um álbum — o maravilhoso Cheek to Cheek, um dos melhores discos dos últimos 20 anos e que também gerou um ótimo DVD ao vivo — que Bennett só acerta.

Depois disso, lançou The Silver Lining: The Songs of Jerome Kern e o especial de TV — que também virou disco — Tony Bennett Celebrates 90: The Best Is Yet to Come.

Esse especial, que conta com as participações de Andrea Bocelli, Michael Bublé, Aretha Franklin, Billy Joel, Elton John, Diana Krall, Lady Gaga, k.d. lang, Rufus Wainwright e Stevie Wonder, é imperdível.

Levando-se em conta que esses projetos foram propostos por Bennett, vê-se que o homem ainda sabe como se manter no topo.

Muitos pontos altos

Difícil apontar as melhores faixas de Love Is Here to Stay . S’Wonderful, I Got Rhythm, I’ve Got A Crush On You, But Not For Me e Fascinating Rhythm seriam as minhas escolhidas hoje, o que não quer dizer que outras não possam entrar na lista amanhã mesmo.

Se Love Is Here to Stay não tem o vigor de Cheek to Cheek, mostra que Bennett ainda é rei quando se fala em crooner de jazz. Sua voz ainda é potente e impecavelmente afinada. Um fenômeno!

Para ouvir repetidamente.

**** ½

PS: Surpreendentemente, a versão física do disco já foi lançada no Brasil.

Fotos: Gregg Greenwood e Divulgação

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

O “Outro Sol” de Max Viana, filho de Djavan

Max Viana, filho de Djavan faz homenagem ao pai com regravação de Samurai, em disco recheado de ritmos e climas

Ser filho de um dos ícones da música brasileira não deve ser fácil. As comparações são praticamente inevitáveis e a pressão para desenvolver um trabalho de qualidade enormes.

Felizmente, esses fatores não parecem afetar Max Viana, filho de Djavan, que lançou seu quarto álbum, Outro Sol, simultaneamente no Brasil e no Japão (onde a versão física chega ao mercado em novembro). Hoje, o disco pode ser encontrado nas plataformas digitais.

— É um disco que passeia por diversos estilos e explora a riqueza da MPB, que é a música que mais permite falar de tantos gêneros diferentes. Sou de uma época na qual a gente ouvia de tudo no rádio — explicou o músico.

A experiência de ter atuado como guitarrista do pai e já ter trabalhado com gente do calibre de Arlindo Cruz, Luiza Possi, Claudia Leitte, Ana Petkovic e Rappin’ Hood, além do próprio Djavan, é claro, trouxeram uma segurança e experiência que estão visíveis no novo trabalho.

Evoluindo

Produzido pelo próprio Max (assim como os trabalhos anteriores) e Renato Iwai, Outro Sol soa como uma evolução natural dos discos anteriores — o Calçadão (2003), Com Mais Cor (2007) e Um Quadro de Nós Dois (2011) — misturando jazz, soul, funk, samba e pop de maneira muito inspirada.

— Acho que é uma evolução natural. O tempo vai passando e a gente vai apurando algumas coisas. Ele tem umas coisas de arranjo que eu gosto mais, que são mais objetivas. Tem uma escolha de repertório que me grada muito e onde posso ter canções como Outro Sol, que remetem ao meu primeiro disco — revelou Max.

A mistura de influências começa logo na faixa-título (a primeira do disco), que traz aquele suingue dançante que deixa claro o pedigree (no bom sentido) de Max. Essa mesma linha dançante está em Tem Fé e Linha de Frente, fazendo uma trinca de abertura de muito peso.

Mas não são apenas os ritmos dançantes que se destacam em Outro Sol. As baladas Pontos de Partida e Tem Nada Não mostram que o talento de Max vai bem mais além do óbvio.

Tem nada não
Meu bem querer
Eu fico aqui até passar
Seu coração vai aprender a não se machucar

Um dia sol, um dia sem
Nenhum motivo pra nublar
Felicidade um dia vem
Pedindo pra ficar

Fim em alto nível

Se as baladas fazem Outro Sol subir de nível novamente, as duas últimas canções — o samba O Amor Não Acabou e a regravação de Samurai — fecham o disco com aquele velho chavão: “chave de ouro”.

O Amor Não Acabou é daqueles sambas com toques pop que não se ouve muito mais nas rádios. Longe do popularesco, a canção tem a elegância de um Paulinho da Viola, mesclado com uma contemporaneidade do Casuarina.

A parceria com Pretinho da Serrinha e Leandro Fab seria um encerramento perfeito para um ótimo trabalho, mas tem mais!

Samurai

Uma das canções mais conhecidas da MPB e da carreira do pai, Samurai ganha uma nova roupagem, mais balançante ainda, com um toque de modernidade, mas sem cair no pastiche ou soar oportunista.

— Quando estava fechando o repertório, uma pessoa da gravadora de lá perguntou se eu poderia regravar essa canção. Como é uma música muito emblemática do meu pai, não é uma que eu escolheria para gravar. Eles disseram que exatamente por isso eles achavam que seria bacana para apresentar no Japão. Gostei do desafio e meu pai gostou muito, até porque ela é muito diferente da original — revelou.

No fim, Max Viana oferece um trabalho de altíssima qualidade e com uma versatilidade capaz de agradar fãs de (quase) todos os gêneros.

Início, meio e fim

Outro Sol, que ganha edição física no Japão (ainda não há confirmação de seu lançamento no Brasil) é um disco clássico, com uma história própria.

— O streaming mudou um pouco a maneira das pessoas ouvirem música, exatamente por essa opção de ouvir uma faixa aleatória ou na ordem que mais gostar, mas ainda acho que o disco é uma história com início, meio e fim, que deve ser ouvida na sequência concebida pelo autor — explicou o músico.

No outro lado do sol

Aproveitando o lançamento simultâneo no Brasil e no Japão, Max embarca, em dezembro, para uma turnê do outro lado do mundo.

Cotação: ****

Fotos: Marcos Hermes

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

As duas canções extras do novo de Paul McCartney

Get Started e Nothing for Free podem ser encontradas, até agora, nas versões de Egypt Station vendidos na Target (USA), HMV (Inglaterra) e na edição japonesa, em SHM-CD)

Como sempre acontece com os lançamentos de Paul McCartney desde…muito tempo, os álbuns são oferecidos em uma grande variedade de formatos.

Não seria diferente com Egypt Station (leia a crítica aqui) que, além da versão normal em CD e vinil, também tem uma versão dupla (vinil), também pode ser encontrado em versões exclusivas das lojas Target (Estados Unidos) e HMV (Inglaterra), além da edição japonesa, que por lei precisa sempre ter algo extra.

Só para fãs

No caso, o diferencial são duas canções extras: Get Started e Nothing for Free (ouça as duas no fim do post). Normalmente as canções que McCartney escolhe para lados B e como faixas extras são bastante boas. Infelizmente, esse não é o caso.

Nenhuma das duas gravações acrescenta nada ao álbum e são recomendadas apenas para os fãs mais completistas.

Mas essa é apenas a minha opinião. Tire as suas.

Get Started

Nothing for Free

Egypt Station: a crítica do novo disco de Paul McCartney

Em Egypt Station, que foi lançado neste sexta (7), ex-beatle lança disco de inéditas, faz homenagem ao Brasil e leva fãs para uma variada jornada musical

É sempre delicado falar de um novo disco de Paul McCartney. Aos 76 anos, o eterno beatle é, de longe, o maior e mais genial músico vivo.

Ele poderia estar vivendo tranquilamente curtindo as glórias conquistadas, mas o homem não para e continua produzindo muito.

Ainda relevante

Apesar de não ser mais o hitmaker de décadas atrás, McCartney ainda é capaz de oferecer faíscas generosas do talento que nos deu clássicos como Hey Jude, Yesterday, Band on the Run e Mull of Kintyre, entre muitos outros.

Mesmo assim, falar sobre o álbum de um artista que pode ter uma coletânea de quatro CD (Pure McCartney) e ainda deixar coisas boas de fora, é uma senhora responsabilidade.

Ainda mais, quando ele chega depois do bom New, disco pelo qual tenho um carinho especial.

Então, vamos lá!

Viagem conceitual

Egypt Station — o 17° disco solo de Paul (sem contar os álbuns lançados com o Wings e outros projetos) e primeiro disco de inéditas desde New (2013) — teve o título inspirado no nome de pintura de Paul e foi concebido como uma viagem de trem por várias estações e estilos escolhidos pelo maquinista McCartney.

Sendo assim, ouvi-lo na ordem determinada por Paul parece a melhor maneira de entender o novo disco.

Faixa a faixa

1. Opening Station — Uma vinheta de 42s com sons de estações de trem reais e um coral de vozes. Deveria servir como uma espécie de boas-vindas ou bilhete para a viagem musical. Não funciona, mas também não incomoda.

2. I Don’t Know – Uma das duas primeiras canções divulgadas por Paul, é uma balada que fala das inseguranças de uma pessoa comum, o que nem sempre é relacionado a uma personalidade mundial como McCartney.

O piano e o clima lembram um pouco This Never Happened to me Before (do álbum Chaos and Creation in the Backyard). Uma das melhores paradas do novo disco.

— Escrevi essa música depois de um período difícil, que todo mundo passa. Sou eu externando um problema e colocando tudo em uma canção —revelou Macca.

3. Come On to Me — O outro lado do primeiro single de Egypt Station, é um pop/rock com melodia quase chiclete e uma das letras safadinhas que Paul incluiu nesse novo trabalho. Não é brilhante, mas é bem agradável e rendeu a Paul seu primeiro top 10 na Billboard em 20 anos.

4. Happy with You — É Paul sendo bastante pessoal. A canção fala de como ele está feliz (com a atual esposa, Nancy) e como deixou para trás os dias de excessos de drogas e álcool. A melodia é bem característica de McCartney, com um riff de violão que remete vagamente a Blackbird, mas com uma produção que lembra canções do álbum New (2013). Outra boa parada na viagem.

I sat round all day
I used to get stoned
I liked to get wasted
But these days I don‘t
‘Cause I’m happy with you
I got lots of good things to do, ooh yeah

5. Who Cares — Outro pop/rock bastante agradável. Parece uma daquelas músicas que Paul faz com um pé nas costas. Serve para mostrar que ele ainda pode fazer bons vocais com a sua voz de rock.

6. Fuh You — A música mais indecente do disco. Indecente pelo conteúdo da letra, deixo claro. A única composição em parceria (com Ryan Tedder, do OneRepublic) é a mais moderninha do disco. Não é a primeira investida de McCartney no tema (lembram de Hi Hi Hi?), mas é curioso vê-lo querendo apenas sexo, aos 76. Essa é daquelas que vai conquistar fãs e haters na mesma proporção. Velhinho safado!

7. Confidante — Violão e climão folk na primeira parada menos inspirada de Paul. A letra é outra daquelas nas quais Paul abre o coração, dessa vez para falar sobre alguém (amigo ou amor) do passado. Vai ter gente gostando da canção, mas não me tocou.

8. People Want Peace — Vira e mexe Paul saca uma canção pacifista. Normalmente não funciona muito e dessa vez não é diferente. Dispensável.

9. Hand in Hand — Outra balada ao piano. Apesar de menos inspirada que I Don’t Know, não chega a comprometer. É o Egypt Station voltando aos trilhos.

10. Dominoes — Talvez a canção de Egypt Station que mais vai receber opiniões diferentes. Para uns será uma das melhores canções do disco, enquanto outros a considerarão pobre. Fico entre os primeiros. Dominoes é daquelas que me imagino ouvindo daqui a muitos anos.

— Uma das coisas interessantes sobre canções é que muitas vezes elas vêm depois de uma discussão com alguém e ela aparece como uma reação a isso. Essa é a história de Dominoes. É uma canção sobre como as coisas estão bem, mesmo quando não parecem estar — explicou Paul.

11. Back in Brazil — Chegamos ao momento que deve(ria) nos encher de orgulho. Infelizmente a canção — a terceira com conexão com o Brasil (as outras são How Many People, dedicada a Chico Mendes, e Kreen-Akrore, inspirada em um documentário sobre uma tribo indígena brasileira — é um dos momentos mais fracos do disco.

A historinha de uma brasileira que se apaixona por um gringo tem uma levada de piano elétrico que lembra Sérgio Mendes ou a canção Keep Coming Back to Love (lançada por Macca em 1993), mas não chega a lugar nenhum.

Não é bossa nova, samba e nem tem clima de Olodum.

A canção ganhou clipe com imagens gravadas na Bahia, vai ser tocada nos próximos shows no Brasil, mas vai ser rapidamente esquecida.

Uma pena.

12. Do It Now — Outro momento que poderia ser evitado. A música não é terrível, mas fica a impressão de que Paul tem coisa melhor no seu arquivo de composições não lançadas. Não emociona.

13. Caesar Rock — Paul roqueiro de novo. Anima e dá novo fôlego para continuar a viagem. Não chega a ser um clássico, mas agrada. Bom vocal.

14. Despite Repeated Warnings — Tem cara de épico. Com seus quase sete minutos, a canção meio que repete uma estrutura já usada em outros momentos (Band on the Run e Uncle Albert/Admiral Halsey, para citar dois ótimos exemplos).

Suas várias mudanças de clima e ritmos — num estilo ópera-rock — e a sua crítica (velada) ao atual presidente dos Estados Unidos, fazem da canção uma forte candidata a ser lembrada por muitos como um dos momentos memoráveis de Paul McCartney.

Não chego a ser tão otimista, mas reconheço o valor da faixa.

15. Station II — A vinheta que deveria encerrar a viagem é, assim como Opening Station, uma colagem de sons de uma estação de trem. No fim, um riff de guitarra nos leva para…

16. Hunt You Down / Naked / C-Link — Outro medley onde Paul usa o seu talento para juntar diferentes melodias. O poderoso riff de guitarra nos leva para o melhor momento roqueiro de Paul.

Uma ótima maneira de terminar a viagem regular de Egypt Station (há duas outras canções que só estão na versão deluxe do disco).

Ouça as canções extras de Egypt Station neste link.

Nem tão moderno

No fim das contas, a produção de Greg Kurstin — responsável pelo sucesso Hello, de Adele, entre muitos outros — nem deixa o som de Paul McCartney tão moderno (ainda bem). Na verdade, o tom mais moderno parece estar em Fuh You, única faixa onde ele não estava no controle.

Decadência das gravadoras

Enquanto Paul e seu time se esforçam para promover da melhor maneira possível novo trabalho, com aparições em programas de TV, rádio e shows secretos, é triste ver a decadência das grandes gravadoras, que obrigam jornalistas a procurar o material necessário para escrever uma resenha decente em locais alternativos.

A diferença no trabalho de divulgação entre 2013 e 2018 é assombrosa.

Quais versões serão lançadas no Brasil? Sei lá.

Uma viagem que precisa de algumas audições

No fim das contas, Egypt Station é um disco razoável para os padrões de McCartney e bom para o atual cenário musical. Não chega ao nível de Ram (1971), Band on the Run (1973) ou Flaming Pie (1997), mas é bem melhor do que Wild Life (1972), Driving Rain (2001) ou McCartney II (1980). Fica ali, perto de Back to the Egg (1979) e Memory Almost Full (2007).

Aviso: não pare apenas na primeira audição. Egypt Station é daqueles álbuns que parecem pouco interessantes no primeiro momento, mas que vão crescendo mais a cada vez que ouvimos.

Essenciais: I Don’t KnowDominoes, Come on to Me e Despite Repeated Warnings.

Para pular: Back in Brazil, Do it Now, Opening Station e Station II.

Cotação: *** ½

Paul e o Brasil

Paul McCartney e o Brasil têm uma forte ligação desde 1990, data da primeira visita de Paul ao país.

Naquele ano, McCartney e banda fizeram duas apresentações no Maracanã e conseguiram quebrar o que até hoje, segundo o livro Guinness, é o recorde de  publico para a apresentação de um único artista (184 mil pessoas, no dia 21 de abril).

Depois disso, Paul voltou ao Brasil em 1993, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2017.

Durante essas apresentações, Paul experimentou músicas que jamais havia tocado ao vivo, resgatou antigos sucessos e até foi atacado por gafanhotos.

É ou não é uma relação especial? Portanto, nada mais justo que fazer mais uma música inspirada no país.

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – 25/8

Cantora estreou no Rio a versão estendida do Tributo a Wilson Baptista, show que confirma a excelência na escolha dos seus projetos

Mônica Salmaso é, provavelmente, a dona da mais bela voz do Brasil, e Wilson Baptista (3 de julho de 1913 – 7 de julho de 1968) é um compositor com uma das mais ricas obras do samba. Embora muita gente, como é comum na falta de memória que aflige o país, não ligue o nome às composições. A junção do talento dos dois criou um espetáculo imperdível: Tributo a Wilson Baptista.

A apresentação deste sábado (25/8) no Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro, serviu não só para celebrar as canções de Baptista como para apresentá-las ao público mais jovem.

Elegância acima de tudo

Obras-primas como Acertei no Milhar, Boca de Siri e Lá Vem a Mangueira, só para citar algumas, ganharam leituras delicadas e elegantes. Como tudo tocado por Salmaso.

Acompanhada de Paulo Aragão (violão), Luca Raele (clarinete) e Teco Cardoso (saxofone e flauta), a cantora trouxe para o seu universo a obra de Baptista, sem desfigurar a essência de nenhuma das canções.

Outro destaque da noite foi a indisfarçável alegria da intérprete com o roteiro do espetáculo, o público presente, os arranjos das canções e a história de Wilson Baptista.

— Gostaria de ressaltar a minha felicidade com o público que foi ao show. Fomos muito bem acolhidos, isso foi muito especial pra gente! Voltei pra casa muito feliz! De verdade! — agradeceu por e-mail uma supersimpática Mônica Salmaso.

Histórias deliciosas

Além dos belíssimos sambas pinçados das mais de 600 composições de Baptista, Mônica Salmaso costurou o roteiro com deliciosas histórias tiradas da biografia Wilson Batista – O samba foi sua glória!, escrita por Rodrigo Alzuguir e lançada em 2014.

Os causos contados entre as músicas serviram como deliciosos links para contextualizar o momento histórico das composições.

Além disso, histórias onde os personagens são figuras do calibre de Moreira da Silva, Ataulfo Alves e Noel Rosa (com quem Baptista teve uma rixa histórica e que rendeu vários clássicos), jamais serão desinteressantes.

As histórias, vale o registro, dão chance de vermos uma Mônica Salmaso descontraída e engraçada como poucas vezes.

— Este projeto tem o diferencial de ser contextualizado na história do Wilson Baptista e por isso ter mais falas. O que me tira um pouco da minha zona de conforto, por um lado. Mas ao mesmo tempo ajuda no aproveitamento da escuta das canções — explicou a intérprete.

Respeito do público

O envolvimento dos músicos e da cantora criaram um clima mágico que se irradiou por todo o Teatro Rival. A plateia, durante praticamente todo o show, se manteve com uma atitude de reverência. Difícil descobrir se para o espetáculo, as canções de Baptista ou o conjunto da obra.

Os longos aplausos, a atenção ao ouvir as histórias sobre as canções apresentadas e o silêncio poderoso que permitia ouvir cada nota e cada nuance dos sons vindos do palco mostraram que o poder da (boa) música, como repito sempre, é atemporal.

— Agora estamos entrando na fase de arredondar o show. Tirar excessos (principalmente nas falas). Gosto dessa ordem e do repertório. Sinto que o show está bem amarrado — explicou Mônica.

Planos

Lançar um CD ou DVD do projeto são possibilidades não descartadas pela artista.

— Pensamos em gravar e fazer um material pra exibição em TV ou vídeos em capítulos para a internet… Mas são ideias que começaram agora. O que eu quero mesmo é fazer este show mais vezes — disse a cantora.

Quem puder assistir a uma apresentação desse show não deve deixar a oportunidade passar. Ou vai se arrepender.

Show

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – Teatro Rival Petrobras – 25/8

Cotação: *****

Fotos: Jo Nunes e Divulgação
Vídeos: Jo Nunes — Oh! Seu Oscar, A Mulher do Seu Oscar, Acertei no Milhar e Meu Mundo é Hoje (Eu Sou Assim).

Imagine, de John Lennon, ganha versão com seis discos

Clássico, lançado em 1971, será (re)lançado novamente em edição de luxo. The Ultimate Collection traz 135 faixas e um livro contando a história do álbum. São 4 CDs e 2 blu-ray áudio

O fim de 2018 promete ser recheado de novidades para os fãs de rock e dos Beatles, em particular.

Além do lançamento do novo disco de Paul McCartneyEgypt Station, em 7 de setembro — e da edição comemorativa do Álbum Branco — com detalhes e data ainda não divulgados — foi anunciado hoje (23) o lançamento de mais uma edição do disco Imagine, de John Lennon, no dia 5 de outubro.

A história

Imagine foi o segundo disco solo de Lennon. Gravado ainda na Inglaterra, mas com overdubs e a mixagem feitos em Nova York, o álbum é a obra mais conhecida do ex-beatle, muito provavelmente por conta da sua canção-título.

Suas econômicas dez canções foram produzidas por Phil Spector, o mesmo responsável pelo disco anterior — John Lennon/Plastic Ono Band —, alguns singles do músico, o triplo All Things Must Pass (George Harrison) e pelo malfadado último LP dos Beatles, Let it Be.

Embora alguns prefiram o estilo mais cru e menos produzido do Plastic Ono Band —na época um fracasso comercial — foi com Imagine que Lennon conseguiu fazer dinheiro e conquistar sucesso em várias partes do mundo.

Apesar de mais suave, o disco não é composto apenas pela faixa-título e canções de amor — Oh My Love, Jealous Guy e Oh Yoko! —, mas também tem seu lado malvado, com How Do You Sleep?, um dos ataques mais ferozes já feitos na história do rock.

A pobre vítima, Paul McCartney, deve ter ficado bastante chateado, apesar de Lennon sempre dizer que ele não ficou.

— Se eu não puder brigar com meu melhor amigo, com quem eu vou poder? — disse John em uma entrevista, em 1971.

A lista de músicos que participaram das gravações é de respeito. George Harrison, Jim Gordon, Nicky Hopkins, Klaus Voormann, Bobby Keys, além de Joey Molland e Tom Evans, do Badfinger, entre outros.

O álbum chegou ao 1° lugar em quase todo o mundo e, em 2012, foi escolhido pela revista Rolling Stone como o 80° melhor disco de todos os tempos. Nada mal.

 

Versão definitiva?

A chamada Ultimate Deep Listening Experience pretende (imagina-se) ser a versão definitiva de um dos discos mais esmiuçados e relançados da história. Imagine já foi relançado (pelo menos) em 1987, 2000, 2010, 2011 e 2014, além de ter faixas e outtakes espalhados por várias caixas contendo a obra do artista.

Também não podemos esquecer o filme produzido por Lennon sobre o disco e os vários documentários subsequentes lançados ao longo dos anos — dois deles serão relançados pela Eagle Rock.

A nova edição trará outtakes, demos e um disco com versões evolutivas das canções, mostrando o caminho que percorreram, das demos até a versão comercial. Há mixagens 5.1 e até mesmo uma velha Quad Mix.

O material será, na sua maioria, já conhecido dos fãs mais hardcore, mas sempre há algo guardado para surpreender a todos. As versões evolutivas, principalmente — talvez ao ledo da mixagem 5.1 — são o que mais atiçam a curiosidade dos colecionadores. Ouvir como uma canção é transformada é sempre uma experiência reveladora.

Não foram esquecidos os singles e seus respectivos lados B. Power To The People, Do The Oz e Happy Xmas (War Is Over), por exemplo, estão lá, devidamente remixados e com som atualizado.

Desde 2016

O trabalho na Ultimate Collection não começou agora. Desde 2016, Yoko vem preparando o projeto ao lado do engenheiro Paul Hicks, em Abbey Road. Portanto, é de se acreditar que a coisa esteja prá lá de caprichada.

Livro

O livro Imagine é outro projeto que vem sendo trabalhado há alguns anos. São 320 páginas contando a história da produção do disco e prometendo ter 80% de fotos inéditas em seu conteúdo.

Ele também vai ser vendido separadamente e terá três versões: a normal, uma especial (com 176 páginas extras) e uma edição para colecionadores, autografada por Yoko Ono.

Sinceramente, deve ser lindo de morrer, mas duvido que conte algo que já não saibamos sobre o mais famoso dos discos solo de Lennon.

Os filmes

Junto com os áudios, o feliz comprador encontrará uma versão restaurada do filme Imagine, produzido por John & Yoko, em 1971. O segundo filme — Gimme Some Truth — será (re)lançado separadamente, também em outubro. Todos com som remasterizado.

As versões

Se você chegou até aqui, deve estar preocupado em ter que gastar uma fortuna pelo novo Imagine. A boa notícia é que serão vários sabores para escolher. Há um CD simples, um duplo, a caixa com 4 CDs e 2 blu-ray e a obrigatória versão em vinil (duplo).

Os preços variam entre US$ 18 e US$ 103. Em tempos de dólar acima dos R$ 4, o jeito é rezar para o câmbio baixar até outubro.

Por que mais um Imagine?

Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares. Apesar da pequena produção (em termos quantitativos) de Lennon, ainda há muita coisa para ser lançada, tanto em áudio, quanto em vídeo. O problema, é que Yoko sempre dá preferência aos projetos nos quais ela participou.

Portanto, os álbuns produzidos no Lost Weekend, quando John se separou de Yoko e namorou a secretária May Pang, parecem que não vão ter muita chance de receber um tratamento parecido com o de Imagine ou Double Fantasy.

Resta aos fãs continuarem a cavar as novidades no underground e torcer para que, um dia, toda a obra de Lennon seja tratada da forma que merece.

Ficha técnica

135 canções
61 faixas em estéreo
45 faixas em 5.1 Surround Sound
10 faixas em Quadrasonic
17 faixas em mono
2 Easter Eggs (?)
Mixagens originais produzidas por John & Yoko e Phil Spector
2016-2018 Remixes produzidos by Yoko Ono
Mixado por Paul Hicks at Abbey Road Studios & Sear Sound

As faixas

Imagine – The Ultimate Edition: 6-disc Super Deluxe Edition

Disc: 1

Remixed Stereo Album

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Remixed Singles and Extras

11. Power To The People
12. Well… (Baby Please Don’t Go)
13. God Save Us
14. Do The Oz
15. God Save Oz
16. Happy Xmas (War Is Over)

Disc: 2

Elements Mixes

1. Imagine (strings only)
2. Jealous Guy (piano, bass & drums)
3. Oh My Love (vocals only)
4. How? (strings only)

Album Outtakes

5. Imagine (demo)
6. Imagine (take 1)
7. Crippled Inside (take 3)
8. Crippled Inside (take 6 – alt guitar solo)
9. Jealous Guy (take 9)
10. It’s So Hard (take 6)
11. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 11)
12. Gimme Some Truth (take 4)
13. Oh My Love (take 6)
14. How Do You Sleep? (takes 1 & 2)
15. How? (take 31)
16. Oh Yoko! (Bahamas 1969)

Singles Outtakes

17. Power To The People (take 7)
18. God Save Us (demo)
19. Do The Oz (take 3)
20. Happy Xmas (War Is Over) (alt mix)

Disc: 3

Extended Album Tracks and Raw

1. Imagine (take 10)
2. Crippled Inside (take 6)
3. Jealous Guy (take 29)
4. It’s So Hard (take 11)
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth (take 4 – extended)
7. Oh My Love (take 20)
8. How Do You Sleep? (take 11 – extended)
9. How? (take 40)
10. Oh Yoko! (take 1 extended)

Outtakes Live

11. Imagine (take 1)
12. Jealous Guy (take 11)
13. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 21)
14. How Do You Sleep? (take 1)
15. How Do You Sleep? (takes 5 & 6)

Disc: 4

Evolution (from demo to final mix)

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Disc 5 – Blu-ray audio #1:

Remixed Stereo Album, Singles, Extras, 5.1., Quadrasonic & Outtakes

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!
11. Power To The People
12. Well… (Baby Please Don’t Go)
13. God Save Us
14. Do The Oz
15. God Save Oz
16. Happy Xmas (War Is Over)
17. Imagine (Quadrasonic Mix)
18. Crippled Inside (Quadrasonic Mix)
19. Jealous Guy (Quadrasonic Mix)
20. It’s So Hard (Quadrasonic Mix)
21. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (Quadrasonic Mix)
22. Gimme Some Truth (Quadrasonic Mix)
23. Oh My Love (Quadrasonic Mix)
24. How Do You Sleep? (Quadrasonic Mix)
25. How? (Quadrasonic Mix)
26. Oh Yoko! (Quadrasonic Mix)
27. Imagine (demo)
28. Imagine (take 1)
29. Crippled Inside (take 3)
30. Crippled Inside (take 6 alt guitar solo)
31. Jealous Guy (take 9)
32. It’s So Hard (take 6)
33. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 11)
34. Gimme Some Truth (take 4)
35. Oh My Love (take 6)
36. How Do You Sleep? (takes 1 & 2)
37. How? (take 31)
38. Oh Yoko! (Bahamas 1969)
39. Power To The People (take 7)
40. God Save Us (demo)
41. Do The Oz (take 3)
42. Happy Xmas (War Is Over) (alt mix)

Blu-ray Disc 1 – Imagine – The Ultimate Mixes
Remixed Stereo Album, Singles, Extras & Outtakes

Imagine – The Album
Remix in 5.1 & Stereo 24-96
1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Singles & Extras
Remix in 5.1 & Stereo 24-96
1. Power To The People
2. Well… (Baby Please Don’t Go)
3. God Save Us (Bill Elliot vocal)
4. Do The Oz
5. God Save Oz (John Lennon vocal)
6. Happy Xmas (War Is Over)

The Out-takes
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96

1. Imagine (demo)
2. Imagine (take 1)
3. Crippled Inside (take 3)
4. Crippled Inside (take 6 alt guitar solo)
5. Jealous Guy (take 9)
6. It’s So Hard (take 6)
7. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 11)
8. Gimme Some Truth (take 4)
9. Oh My Love (take 6)
10. How Do You Sleep? (takes 1 & 2)
11. How? (take 31)
12. Oh Yoko! (Bahamas 1969)
13. Power To The People (take 7)
14. God Save Us (demo)
15. Do The Oz (take 3)
16. Happy Xmas (War Is Over) (alt mix)

The Quadrasonic Mixes
Remastered in Quad 4.0 24-96
Original 1971 Quadsonic Album Remastered

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Blu-ray Disc 2 – In The Studio and Deeper Listening

The Raw Studio Mixes – Extended Album Versions – Live
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
Experience, in immersive Surround Sound, the moment John and The Plastic Ono Band record each song live, from a sonic soundstage at the center of Ascot Sound Studios at John & Yoko’s home in Tittenhurst

1. Imagine (take 10)
2. Crippled Inside (take 6)
3. Jealous Guy (take 29)
4. It’s So Hard (take 11)
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 4 – extended)
6. Gimme Some Truth (take 4 – extended)
7. Oh My Love (take 20)
8. How Do You Sleep? (take 11 – extended)
9. How? (take 40)
10. Oh Yoko! (take 1 – extended)

The Raw Studio Mixes – Out-takes – Live
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
1. Imagine (take 1)
2. Crippled Inside (take 2)
3. Crippled Inside (take 6 alt guitar solo)
4. Jealous Guy (take 11)
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 21)
6. How Do You Sleep? (take 1)
7. How Do You Sleep? (takes 5 & 6)
8. How? (takes 7-10)
9. How? (take 40 alt vocal)
10. Oh Yoko! (take 1 tracking vocal)

The Elements Mixes
From the Master Multitracks
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
Mixes from elements of the original multitracks that demonstrate some of the instrumentations from ‘behind the scenes’

1. Imagine (strings)
2. Crippled Inside (upright bass & drums)
3. Jealous Guy (piano, bass & drums)
4. It’s So Hard (strings)
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (guitar, bass & drums)
6. Gimme Some Truth (electric piano & guitar)
7. Oh My Love (vocals)
8. How Do You Sleep? (strings)
9. How? (strings)
10. Oh Yoko! (acoustic)

The Evolution Documentary
New Mix in Mono 24-96
The story of the songs from demo to master in rehearsals, studio chat and mixed multitrack elements

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!
11. Power To The People
12. Well… (Baby Please Don’t Go)
13. God Save Us/God Save Oz
14. Do The Oz
15. Happy Xmas (War Is Over)
16. Tittenhurst Park

Imagine John & Yoko – The Elliot Mintz Interviews
New Mix in Mono 24-96
Tribute by DJ and family friend Elliot Mintz featuring revealing, philosophical, honest and humorous interviews with John & Yoko.

Imagine – 2LP vinyl

LP 1 – Imagine 2018 remix

1 Imagine
2 Crippled Inside
3 Jealous Guy
4 It’s So Hard
5 I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6 Gimme Some Truth
7 Oh My Love
8 How Do You Sleep?
9 How?
10 Oh Yoko!

LP 2 – Outtakes

1 Imagine (Original demo recorded at Ascot)
2 Imagine (Take 1)
3 Crippled Inside (Take 3)
4 Crippled Inside (Take 6 alternate guitar solo)
5 Jealous Guy (Take 9)
6 It’s So Hard (Take 6)
7 I Don’t Wanna Be A Soldier (Take 25)
8 Gimme Some Truth (Take 4)
9 Oh My Love (Take 6)
10 How Do You Sleep? (Takes 1 & 2)
11 How? (Take 31)
12 Oh Yoko! (from Bed Peace footage – Sheraton Hotel, Bahamas 1969)

Imagine – The Ultimate Edition: 2CD Deluxe Edition

Disc: 1

Remixed Stereo Album

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Remixed Singles and Extras

11. Power To The People
12. Well… (Baby Please Don’t Go)
13. God Save Us
14. Do The Oz
15. God Save Oz
16. Happy Xmas (War Is Over)

Disc: 2

Elements Mixes

1. Imagine (strings only)
2. Jealous Guy (piano, bass & drums)
3. Oh My Love (vocals only)
4. How? (strings only)

Album Outtakes

5. Imagine (demo)
6. Imagine (take 1)
7. Crippled Inside (take 3)
8. Crippled Inside (take 6 – alt guitar solo)
9. Jealous Guy (take 9)
10. It’s So Hard (take 6)
11. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 11)
12. Gimme Some Truth (take 4)
13. Oh My Love (take 6)
14. How Do You Sleep? (takes 1 & 2)
15. How? (take 31)
16. Oh Yoko! (Bahamas 1969)

Singles Outtakes

17. Power To The People (take 7)
18. God Save Us (demo)
19. Do The Oz (take 3)
20. Happy Xmas (War Is Over) (alt mix)

Imagine – The Ultimate Edition: single CD

Remixed Stereo Album

1. Imagine
2. Crippled Inside
3. Jealous Guy
4. It’s So Hard
5. I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
6. Gimme Some Truth
7. Oh My Love
8. How Do You Sleep?
9. How?
10. Oh Yoko!

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Leia também: Eric Clapton vai lançar disco de Natal com toques de blues

Phil Collins ganha nova caixa e mostra que não está morto

Plays Well With Others, coletânea com 4 CDs, cobre a carreira do arroz de festa Phil Collins como convidado de outros artistas

Não faz muito tempo Phil Collins ganhou uma caixa que trazia seus oito CDs solo remasterizados e por um preço ridiculamente barato (£9) – Take A look At Me Now… The Complete Studio Collection. Agora, Tio Phil vai ganhar outra caixa com suas aventuras em discos de outros artistas.

Plays Well With Others chega ao mercado no dia 28 de setembro e já está com a pré-venda aberta por módicas £22 na Amazon inglesa. Vale fazer a pre-order. Detalhe: não há informações sobre se ela será lançada no Brasil.

 

Onipresente

Quem viveu os anos 80 sabe que Phil Collins era onipresente. Quando não era com o Genesis, Phil podia ser ouvido solo ou ajudando artistas como Brian Eno, John Cale, Eric Clapton, Tears For Fears, Howard Jones, Paul McCartney, Adam Ant e quem mais requisitasse sua presença.

São 59 faixas divididas por eras (começando pela década de 1970, seguindo até 2011, com um disco bônus ao vivo). Interessante ver que Phil conseguiu autorização para incluir Angry, faixa que gravou com Pete Townshend para o disco Press to Play, de Paul McCartney, com quem Collins acabou criando um grande mal-estar depois do lançamento da sua autobiografia (que será resenhada em breve).

— Algumas pessoas dirão que vivi uma vida cheia de charme. Eu fiz o que eu quis fazer na maior parte dela e fui bem pago por uma coisa que faria de graça: tocar bateria. Durante esse tempo eu toquei com muitos dos meus heróis e alguns deles viraram grandes amigos. Nesses quatro CDs você vai encontrar uma pequena amostra desses momentos. Agradeço aos artistas por me deixarem fazer essa caixa, o que não foi fácil — diz Phil no material promocional da caixa.

Tempo vago

A quantidade de faixas, projetos e artistas incluídos em Plays Well With Others impressiona e confirma a fama de arroz de festa do baterista — figurinha fácil também em shows beneficentes e programas de TV — ainda mais se levarmos em conta que tudo foi feito nos intervalos das gravações e shows com o Genesis e da carreira solo.

Esses intervalos permitiram que Collins produzisse e até mesmo excursionasse com alguns desses artistas. Sua parceria com Eric Clapton, para citar um exemplo, gerou o ótimo e subestimado Behind the Sun e o esquecível August, além de uma turnê (1986).

Tudo isso sem contar com a tour de force que o baterista protagonizou no Live Aid, quando tocou em Londres, pegou um Concorde e ainda tocou nos EUA (com Clapton e o Led Zeppelin).

Destaques

Algumas faixas se destacam, seja pela qualidade, seja pelos nomes envolvidos. No quesito qualidade eu destaco No One Is To Blame (de Howard Jones), Woman In Chains (do Tears for Fears), Intruder (de Peter Gabriel) e Do They Know It’s Christmas (Feed The World) — do Band Aid e que se encaixa nas duas categorias.

Já falando em nomes, os destaques são, além das já citadas Angry e Do They Know It’s Christmas (Feed The World), Lead Me To The Water (de Gary Brooker), Hero (de David Crosby), Just Like A Prisoner (de Eric Clapton) e Pledge Pin (de Robert Plant).

No geral, a qualidade das canções é muito boa e deveria fazer muita gente repensar no que foram os anos 80, principalmente quando deixamos de lado as baterias eletrônicas.

Ao vivo

O disco bônus traz registros ao vivo, com destaque para as apresentações no Jubileu de Ouro da Rainha (Party at the Palace) e os shows onde dividiu o palco com Tony Bennett, George HarrisonRingo Starr e outros superastros.

Cotação: **** ½

Disco 1: 1969 – 1982

“Guide Me Orion” – Flaming Youth
“Knights (Reprise)” – Peter Banks
“Don’t You Feel It” – Eugene Wallace
“I Can’t Remember, But Yes” – Argent
“Over Fire Island” – Brian Eno
“Savannah Woman” – Tommy Bolin
“Pablo Picasso” – John Cale
“Nuclear Burn” – Brand X
“No-One Receiving” – Brian Eno
“Home” – Rod Argent
“M386” – Brian Eno
“And So To F” – Brand X
“North Star” – Robert Fripp
“Sweet Little Mystery” – John Martyn
“Intruder” – Peter Gabriel
“I Know There’s Something Going On” – Frida
“Pledge Pin” – Robert Plant
“Lead Me To The Water” – Gary Brooker

Disco 2: 1982 – 1991

“In The Mood”‘ – Robert Plant
“Island Dreamer” – Al Di Meola
“Puss ‘n’ Boots” – Adam Ant
“Walking On The Chinese Wall” – Philip Bailey
“Do They Know It’s Christmas (Feed The World)” – Band Aid
“Just Like A Prisoner” – Eric Clapton
“Because Of You” – Philip Bailey
“Watching The World” – Chaka Khan
“No One Is To Blame” (Phil Collins version) – Howard Jones
“If Leaving Me Is Easy” – The Isley Brothers
“Angry” – Paul McCartney
“Loco In Acapulco’ – Four Tops
“Walking On Air” – Stephen Bishop
“Hall Light” – Stephen Bishop
“Woman In Chains” – Tears For Fears
“Burn Down The Mission” – Phil Collins

Disco 3: 1991 – 2011

“No Son Of Mine” – Genesis
“Could’ve Been Me” – John Martyn
“Hero” – David Crosby
“Ways To Cry” – John Martyn
“I’ve Been Trying” – Phil Collins
“Do Nothing ‘Till You Hear From Me” – Quincy Jones
“Why Can’t It Wait Til Morning” – Fourplay
“Suzanne” – John Martyn
“Looking For An Angel” – Laura Pausini
“Golden Slumbers / Carry That Weight / The End” – George Martin
“In The Air Tonite” – Lil’ Kim featuring Phil Collins
“Welcome” – Phil Collins
“Can’t Turn Back The Years” – John Martyn

Disco 4: Ao Vivo 1981 – 2002

“In The Air Tonight” (Live At The Secret Policeman’s Other Ball) – Phil Collins
“While My Guitar Gently Weeps” – George Harrison
“You Win Again” – The Bee Gees
“There’ll Be Some Changes Made” – Phil Collins and Tony Bennett
“Stormy Weather” – Phil Collins and Quincy Jones
“Chips And Salsa” – The Phil Collins Big Band
“Birdland” – Phil Collins with The Buddy Rich Big Band
“Pick Up The Pieces” (Live At The Montreux Jazz Festival 1998) – The Phil Collins Big Band
“Layla” (Live At Party At The Palace, 3 June 2002) – Eric Clapton
“Why” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Annie Lennox
“Everything I Do (I Do It For You)” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Bryan Adams
“With A Little Help From My Friends” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Joe Cocker

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia.

Jards Macalé, muitíssimo bem e ao vivo

Artista ganha box com gravações ao vivo feitas entre 1977 e 1983. Muitas delas inéditas

Jards Macalé é o tipo de artista que não pode ser ouvido com pouca atenção. Nada nele ou em sua trajetória é óbvio. Por isso, sempre demanda um tempo maior para fazer a crítica de qualquer um de seus discos. Ainda mais quando são quatro, sendo três deles inéditos.

O box Jards Macalé ao vivo resgata registros históricos. Como o do show de lançamento do disco Contrastes (1977).

Lançado pelo selo Discobertas, capitaneado pelo pesquisador Marcelo Fróes, traz, ainda, uma rara apresentação: para os internos do Presídio da Papuda, em Brasília, em 11 de setembro de 1978.

— Esse projeto é decorrência do trabalho no acervo de Macalé. Faltava fazer esse box com shows memoráveis e que conta como ele se afastou das gravadoras e tornou-se independente — explica Fróes.

Documento histórico

A caixa ainda traz A volta para Vitória, gravado no Teatro Carlos Gomes, em 1981. E também o encontro ao vivo em estúdio com o percussionista Naná Vasconcelos (Let´s Play That, de 1983).

Como a maioria dos registros históricos — algumas das gravações vieram do acervo particular de Macalé —, a qualidade de som não se compara com a qualidade e importância das performances. O que não importa muito.

Os quatro shows de Macalé

Presídio da Papuda

Dos quatro shows, o mais interessante é o gravado no Presídio da Papuda (1978). Macalé desfila uma série de canções do repertório do também genial Moreira da Silva, com quem excursionava na época.

Jards Macalé Canta no Presídio é uma deliciosa, despretensiosa e improvisada homenagem ao mestre do samba de breque.

Acertei no Milhar, Olha o Padilha e Sim ou Não, valem deixar de lado qualquer deficiência na qualidade de áudio. Macalé & Cia aparecem em plena forma. E aparentam estarem se divertindo em divertir uma plateia nada comum.

Os comentários entre as canções são uma debochada viagem, assim como cantar Vara Criminal para os internos. Impagavelmente imperdível!

Contrastes ao Vivo

Contrastes ao Vivo marca o lançamento do disco homônimo. Foi gravado no Teatro Teresa Rachel, em Copacabana (atual Teatro NET Rio).

Nele, vemos um Macalé mais sério. Porém, não menos anárquico e maldito, com suas harmonias complexas e acordes dissonantes e surpreendentes saindo do seu violão.

São 22 canções (CD duplo) no formato banquinho e violão, em um registro bem mais profissional que o captado no presídio.

O trabalho de edição e masterização realça a qualidade das canções e da ótima nterpretação do artista.

A Volta para Vitória

A Volta para Vitória (1981) ajuda a compor um quadro melódico, louco e lírico de Macalé. Logo na abertura, A Melhor Coisa do Mundo (Jards Macalé/Xico Chaves) é um ótimo exemplo dessa mistura. Assim como a ode bossanoviana Chega de Saudade (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes), que fecha o disco.

No meio dele, o escrachado samba de breque Tira os Óculos e Recolhe o Homem, parceria de Jards e Moreira da Silva. Conta a história da prisão de Macalé, anos antes, por ter cantado músicas que não estavam no roteiro dos censores — coisas da ditadura militar.

Estava deitado no meu apartamento
Dormindo tranquilamente
Entregue aos braços de Morfeu
Quando chegou um fariseu…
Um só não, eram uns dez ou vinte, espadaúdos
Homens que davam a impressão
De terreno de dez de frente
Por vinte e quatro de fundos
Que foi dizendo: “levanta que está na hora
A hora é esta, vamo logo, sem demora”
Fiquei atônito e liguei pra Morengueira
Que estava hospedado naquele mesmo hotel
E fui dizendo: “ó Kid, venha cá!
O homem quer me conversar!”
Eu vou cumprir com meu papel
É seu destino, está escrito lá no céu…
A esta altura, pobre do meu coração:
Lá embaixo me esperava, de porta aberta, um camburão
E lá fui eu, com meu irmão Moreira
Fomos cantando, levando na brincadeira…

Let’s Play That

O CD que fecha a caixa é, talvez, o menos interessante, Let’s Play That. Não pela sua qualidade, mas por já ter sido lançado em 1994, apesar de ter sido gravado em 1983, num climão de jam session no estúdio, entre Macalé e o percussionista Naná Vasconcelos (1944-2016).

Nesse registro, a qualidade de som é impecável e os desempenhos, inspirados. Tudo bancado por um dos sócios do Ponto Frio!

Uma história estranha para um disco que merecia mesmo ser (re)descoberto.

— Eu e o Naná sempre quisemos gravar um disco juntos. Eu o conheci em “Gotham City“, no Maracanãzinho; a gente estava ensaiando, tal e coisa, aí de repente, de cima do palco eu olhei e vi, tinha aquele cara ali, já fazendo percussão: “Posso entrar nessa?”. Eu disse: “Esteja à vontade”. Foi aí que nós nos conhecemos e fizemos uma grande amizade — revela Macalé.

Let’s Play That traz composições solo e parcerias com Xico Chaves, Jorge Mautner e Fausto Nilo, entre outros. A excelência dos músicos é genialmente espalhada pelas dez faixas do álbum.

Mais uma vez, a elegância dissonante de Macalé se faz protagonista. Dessa vez com a luxuosa companhia da percussão louca de Naná Vasconcelos. O disco é tão diferente que talvez a música menosincomum se chame Estranha (Jards Macalé/Xico Chaves).

Quando eu nasci
Um anjo louco
Um anjo solto
Um anjo torto, muito
Veio ler a minha mão
Não era um anjo barroco
Era um anjo muito solto, solto, solto
Doido, doido
Com asas de avião
E eis que o anjo me disse
Apertando a minha mão
Entre o sorriso de dente
Vá, bicho, desafinar o coro dos contentes

Let’s play that

Para ouvir com atenção e reverência

Jards Macalé ao vivo reúne 53 faixas. Abraça um período dos mais ricos na trajetória de um dos artistas mais inquietos e criativos da nossa música.

Os shows contidos nessa caixa são daquelas obras para serem ouvidas com atenção, reverência e muito respeito.

Como já citei, a qualidade de som pode não ser 100% perfeita. Mas isso acaba dando um charme e valor ainda maiores aos registros.

O legado de Jards Macalé

Macalé já foi tema de outra (ótima) caixa do selo Discobertas (Anos 70). Lançada em 2016, que reúne seus dois primeiros discos, recheados com alguns demos e faixas ao vivo. Traz também outros dois CDs com gravações raras, muitas vezes tiradas de velhas fitas cassete.

Porém, o legado de Macalé vai além da sua própria obra autoral. Ele foi o responsável, por exemplo, pelos arranjos do ótimo Transa, gravado por Caetano Veloso durante o seu exílio em Londres.

Sua trajetória já foi alvo de dois documentários. Infelizmente, falta um registro mais histórico e pessoal da carreira do senhor Jards Anet da Silva. Aos 75 anos, ele tem muita história para contar. E muita gente quer e precisa ouvir.

O resgate do seu legado musical nos últimos anos vem conquistando uma legião de jovens fãs. Não se fazia ideia de que um som tão inovador pudesse ser produzido numa década (para eles) tão distante.

Tomara que esse resgate continue. E que Macalé não pare de produzir.

Cotação: ****

PS: Macalé é um apelido dado por conta da falta de habilidade do jovem Jards no futebol. Os amigos o comparavam a um jogador do Botafogo chamado Macalé, que podia jogar muito ou ser o perna de pau das partidas. No caso de Jards, na maioria das vezes, o perna de pau.

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Casuarina volta forte com o álbum +100

Grupo carioca reúne bambas como Martinho da Vila e Lecy Brandão e mostra que a saída de João Cavalcanti não diminuiu o apetite musical da banda

Já faz tempo que os meninos do CasuarinaDaniel Montes (violão de sete cordas e vocais), Gabriel Azevedo (voz e percussão), João Fernando (bandolim, violão e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho, banjo e vocais) – não são mais meninos. O grupo, criado em 2001, chega ao 8° álbum (+100) sem a participação de João Cavalcanti, que até então era o principal vocalista e compositor do grupo. Mas se muitos ficaram preocupados com o efeito da saída do filho de Lenine na sonoridade do agora quarteto, podem se despreocupar: +100 é um dos melhores (se não o melhor) disco do grupo.

O samba chegou diferente
E agora é para ficar
Vem que a batucada tá quente
E a gente é de firmar

É bom pra curar a dor
Tem ginga que vem de lá
Trago no pandeiro a fé de um orixá

– A saída do João já era uma coisa esperada e, claro, teve um impacto sobre o grupo, mas tem sido uma mudança positiva. Isso nos tirou da zona de conforto e estão todos mais participativos. São 16 anos juntos e a saída reforçou a nossa condição de grupo, culminando com o lançamento do +100 – conta Gabriel Azevedo, principal vocalista do Casuarina.

Convidados de luxo

Leo Aversa

Cria da Lapa, no Rio de Janeiro, o Casuarina se consolidou depois de dois ótimos álbuns lançados pelo selo Biscoito Fino – Casuarina (2005) e Certidão (2007) -, o mesmo por onde gravaram +100, e parece que a volta a velha casa fez bem aos rapazes. Deixando de fora o lado autoral, o grupo peneirou um repertório extremamente inspirado e ainda recheou o álbum com algumas participações mais que especiais, como Lecy Brandão (Herança de Partideiro) e Martinho da Vila (Tempo Bom na Maré), além de Geraldo Azevedo (Embira) e Criolo (Quero Mais Um Samba).

– Tivemos essas quatro participações, mas Tempo Bom na Maré, com o Martinho, ficou exatamente da maneira que imaginamos. Além disso, ele é um cara que dignifica o samba e dá essa chancela de qualidade ao disco. Foi um sonho concretizado – confessa Gabriel.

Meu amor quando sorri é o tempo bom na Maré
Rede na beira do mar, fruta madura no pé
Água doce no riacho, lua cheia no céu
Camarão frito no tacho, sereno beijando o chapéu
Samba no pé da fogueira, mel de engenho no licor
É a vitória do sonho, vida vivida sem dor

Fôlego renovado

Foto: Leo AversaCom um título que remete aos 100 anos do samba (completados em 2017), o novo trabalho mostra que, se o presente da Lapa anda incerto, com os problemas econômicos do país e a insegurança e violência que assolam o Rio de Janeiro, o futuro do samba oriundo da região está mais que garantido. Com arranjos que unem simplicidade e sofisticação, e um trabalho vocal de primeira, +100 renova o fôlego do grupo.

Sambões, ritmos africanos e até forró estão na mistura que faz do novo trabalho casuarinense um prazer de ouvir. As 12 canções levam o ouvinte – seja ele amante do ritmo que for – por uma estrada pela qual não há como não trafegar com alegria.

– A gente vinha fazendo um show em homenagem ao centenário do samba e pensamos em gravar o disco novo baseado no repertório do show, mas achamos melhor apontar para frente e interpretar só com sambas inéditos. Isso reaproximou a gente da galera do samba, da qual nos afastamos um pouco nos dois últimos discos – No Passo de Caymmi (2014), um projeto totalmente conceitual e 7 (2016), um álbum autoral – explica Azevedo.

Força para a Lapa

Um dos principais polos de criação de novos talentos do samba, a Lapa, conforme já citado nesse texto, padece com os problemas do Rio de Janeiro (cidade e estado)

– A Lapa está sofrendo muito com o que está acontecendo com a cidade. Fizemos uma temporada lá em dezembro e janeiro e a coisa não está muito boa por lá. Tem muita casa fechando por conta da violência e da insegurança. Precisamos dar uma força para não deixar essa bela história morrer – diz o músico.

Até rapper vira sambista

Em um lançamento marcado pela sonoridade da percussão, com um repertório de novos sambas de primeira, o nome de Criolo pode até parecer um tanto deslocado, mas o rapper fecha o disco dividindo a faixa Quero Mais um Samba, mostrando que também caminha bem pela passarela do samba.

No fim das contas, +100 reforça a importância do Casuarina na cena do samba e da música brasileira. O disco também mostra que ainda há muita gente produzindo música boa e que a mistura do novo com nomes tradicionais é uma fórmula que vai sempre valorizar os trabalhos bem elaborados.

Nota: **** ½

Fotos: Leo Aversa e Diogo Montes

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Homem-Formiga e Vespa protagonizam o filme mais engraçado da Marvel

Filme, com estreia marcada para o dia 5 de julho, diverte adultos e crianças

Quem acompanha o Universo Marvel está acostumado com a atmosfera sombria dos filmes do Thor, a moralidade dos longas do Capitão América, do carisma do Homem de Ferro e a grandeza dos encontros dos Vingadores. Para balancear esse universo, tivemos o filme que introduziu na gangue o Homem-Formiga, leve e com uma dose de humor infantil bastante destacada, bem ao estilo da Disney, dona da Marvel.

O novo longa do herói, agora com uma companheira de primeira linha, volta a reunir o mesmo elenco – Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas e Michael Peña – agora com os reforços luxuosos e de peso de Michelle Pfeiffer e Laurence Fishburne. O diretor Peyton Reed (o mesmo do primeiro filme) aproveita bem o roteiro e injeta doses cavalares de humor. Mesmo as cenas mais sérias são recheadas de alguma piadinha ou referência que vão fazer o público rir.

Para quem acompanha ou não a saga dos heróis Marvel

Claro que há algumas subtramas e citações que só serão compreendidas por quem segue os filmes da Marvel, mas mesmo quem não viu nenhum dos lançamentos do estúdio vai se divertir, o que qualifica o longa para se tornar um campeão de bilheteria, mesmo que não na mesma escala do Pantera Negra ou dos Vingadores.

A história, que se desenrola após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil e em paralelo aos eventos de Vingadores: Guerra Infinita, nem importa tanto, embora deva se conectar com a próxima aventura dos Vingadores.

Coadjuvantes de luxo

Ter a sempre bela Michelle Pfeiffer e o competente Laurence Fishburne no elenco vai elevar a expectativa de boa parte do público, mas quem rouba a cena é Michael Peña, cujo personagem – o melhor amigo de Scott Lang/Homem-Formiga – ganhou muito destaque e é o responsável por alguns dos melhores momentos cômicos do roteiro. O papel de Peña se sobrepõe até ao da vila, interpretada por Hannah John-Kamen. Já Michelle Pfeiffer, que vive Janet Van Dyne – a Vespa original, esposa do Dr. Hank Pym (Michael Douglas) e mãe da nova Vespa (Evangeline Lilly) – faz parte da trama principal do filme, mas merecia um fim melhor (se é que o que acontece é o fim). O papel do personagem protagonizado por Laurence Fishburne é o mais fraco de todos, parecendo mal construído e ambíguo demais. Há mais personagens, mas, sinceramente, não fazem lá muita diferença.

Mais que um filme-tampão

O que poderia ser facilmente classificado como um filme-tampão para preencher o vácuo entre os Vingadores 3 (Guerra Infinita) e 4 (ainda sem título), acaba se tornando um belo programa, graças ao acerto da direção, o ótimo elenco, a química entre os dois protagonistas e a óbvia ideia de não se levar muito a sério.

Se você achava que Guardiões da Galáxia foi bom e engraçado, não deixe de ir ao cinema conferir Homem-Formiga e a Vespa. É um programão!

Procurei não dar muitos spoilers, mas não posso deixar de avisar para não sair da sala de projeção antes de assistir as duas cenas extras que são exibidas durante os créditos do filme.

Futuro dos heróis desaparecidos

Tenho a impressão – e deixo claro que não é uma opinião baseada em informações – que os executivos da Marvel e da Disney guardam alguma surpresa para os fãs. Não é possível que eles mantenham o script onde um grande número de personagens foi dizimado na última aventura dos Vingadores. Há uma deixa dada pelo Dr. Estranho que me deixa com a pulga atrás da orelha e o destino do Homem-Formiga parece ter ligação com essa deixa.

Boa diversão!

Cotação: **** ½

Fotos: Divulgação

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Erasmo Carlos continua acreditando no amor

…amor é isso, novo álbum do Tremendão, traz parcerias com Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Tim Maia!

Quem disse que rockeiro não pode ser romântico? Erasmo Carlos é a prova viva de que rock e amor combinam. Responsável por grande parte das mais conhecidas canções de amor do país (compostas em parceria com o amigo Roberto Carlos) e depois de três discos de estúdio voltados mais para as guitarras, mas sem perder a gentileza – Rock n’ Roll (2007), Sexo (2011) e Gigante Gentil (2014) – o Tremendão vira o jogo e lança …amor é isso, baseado em e-mails com poesias que escreveu para a mulher, Fernanda Passos, durante os oito anos de namoro do casal.

O resultado, além das composições solo de Erasmo, é uma coleção de ótimas parcerias – Marisa Monte, Dadi, Samuel Rosa, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Emicida e Tim Maia – e presentes de amigos como Marcelo Camelo e Nando Reis, formando um repertório de altíssima qualidade, que fala sobre todas as faces do mais intenso dos sentimentos e passeia por vários estilos, não ficando preso apenas as baladas.

Paixão e inocência

Já na primeira canção – Convite para nascer de novo (Erasmo Carlos / Marisa Monte / Dadi), o ouvinte é levado a deixar a tristeza de lado e abraçar a oportunidade de uma nova paixão.

Houve um tempo em que eu chorava quase todo dia / Dando linha a uma vida extremamente chata / Com a vontade disponível de não existir… / Houve um tempo em que eu morava com minha tristeza / Era amigo e confidente das manhãs sem sol / Prisioneiro de mim mesmo, sem poder fugir… // De repente, o infinito de uma coisa boa / Começou devagarinho a orbitar em mim / Como num conto de fadas dos Irmãos Grimm… / Era um universo puro de uma pessoa / Que me viu um mundo morto portador de vida / Como um beija-flor perdido no próprio jardim… //

Mas se as letras dão o norte do disco, o instrumental também merece destaque. O baixo de Dadi, os violões e guitarras de Luiz Lopes, e os backings de Pedro Dias e Luiz Lopes, dão peso e unidade ao material pinçado por Erasmo. A faixa-título é um ótimo exemplo disso, com um arranjo delicado onde se destacam os violões e a ótima melodia.

Uma alegria de luz, o orgasmo da arte / Um sonho, uma ardência na alma / Uma dor, uma sorte / Mais que uma oferta egoísta e possessiva / Uma canção de ninar em carne viva… // Um universo inteiro de prazer no céu / A ressonância da paz no coração do seio / Nobre ilusão do horizonte da febre sem fim / E o som da banda avisando que o show é assim…

Sempre moderno

O romantismo não pode ser considerado uma novidade na carreira de Erasmo e mesmo assim ele ainda consegue encontrar formas de se manter novo e atualizado. Uma das surpresas do disco é a sua parceria com Emicida, que também faz uma participação vocal em Termos e Condições, faixa que fala sobre tecnologia e que é um dos destaques do disco. Até mesmo as semelhanças com trabalhos anteriores (Carlos Erasmo e A Banda dos Contentes) soam atuais e trazem um frescor reconhecível ao novo trabalho.

Erasmo pensou mesmo em tudo. O CD está sendo vendido (no site da Som Livre) com um lápis para que as pessoas possam expressar sua própria opinião sobre o que é o amor, já que o sentimento tem significados diferentes para cada alma.

Homenagem ao amigo

Se o sexo já foi tema de um disco recente, o amor expressado nas faixas de …amor é isso é daqueles que todos deveríamos querer viver: intenso, traidor, romântico, idealista e sem fim. Mesmo as canções onde o sentimento veio por conta de uma amizade – como a versão que Erasmo fez para a canção New Love, do companheiro de infância Tim Maia – têm um saboroso toque de inocência.

Eu amei / Todo o amor / Que eu tinha pra amar / O que eu não sabia / É que ela não me amava… / Eu chorei / Toda a dor / Que eu tinha pra chorar / E o pranto que eu chorava / Não fez ela voltar… / Foi então / Que a vida entre o cinza e o azul / Me mostrou / A beleza do mundo em você / Me pergunto / Se eu tenho alguma chance / De contar com seu amor nesse romance… / Ôôô love / Meu novo love / Foi tão bom achar você…

Muitos altos

Toda a unanimidade é burra, já diria Nelson Rodrigues, e dizer que …amor é isso é um trabalho perfeito seria muita pretensão, mas os altos são tantos que mesmo os mais exigentes vão se dobrar a qualidade das (12) canções e da produção (Pupillo). Convite para nascer de novo, Novo sentido, Novo Love e Parece que foi hoje, fazem os 50 minutos do álbum passarem muito mais rápido do que o normal, como num jogo de futebol bem jogado, que sempre passa mais rápido do que uma pelada.

Erasmo Carlos continua produzindo em um ritmo e com uma qualidade que impressionam, principalmente se compararmos com a preguiça do seu velho parceiro. Com …amar é isso, Erasmo deixa a estrada livre para mais canções e álbuns.

Graças a Deus!

Cotação: ****


Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Eduardo Dussek esbanja humor e ritmo – Niterói – 13/6/18

Cantor encantou a plateia no Teatro da UFF

O Tao de Dussek é PH*dd*! O ator/compositor/cantor entrega sempre um caminhão de alegria para suas plateias e não foi diferente na última quarta-feira (13), na sua apresentação no Show das 4, projeto que leva grandes nomes ao Teatro da UFF, em Niterói, sempre às 16h.

Comemorando 40 anos de carreira (completados ano passado) e com uma carreira musical que abrange vários ritmos e tendências – nada de sertanejo ou pagode, deixo claro -, Eduardo Dussek continua em forma musicalmente e no humor afiado, mesmo lutando há mais de uma década contra o mal de Parkinson.

 

Fazendo um show sem roteiro e escolhendo as canções de acordo com o seu humor (e o do público), Dussek ainda é uma usina de força. Para o pessoal mais jovem, ele desfila marchinhas e sucessos autorais que muitos nem devem conhecer ou saber que são de sua autoria – Seu tipo (gravada por Ney Matogrosso), por exemplo. Para os mais velhos, recorda pérolas como Nostradamus, Cabelos Negros e Barrados no Baile.

A comemoração segue dia 20 com uma apresentação no Teatro Riachuelo, no centro do Rio, que vai contar com a participação especial de Silvia Machete.

Fotos e vídeo: Jo Nunes

Roger Daltrey aposta no soul e se dá bem

As Long as I Have You traz canções originais e outras que inspiraram Daltrey na sua juventude

Uma das vozes mais marcantes do rock em todos os tempos, Roger Daltrey lança o seu 9º disco solo – ou 10º, se considerarmos o excelente Going Back Home (2014), feito em parceria com Wilko Johnson – dessa vez apostando no soul e no R&B, e se sai muito bem. Daltrey, que já passeou pelo e sempre será lembrado pelo trabalho com o The Who, mostra que, aos 74 anos, ainda tem muita lenha para queimar. A voz continua potente e afinada (apesar de algumas oitavas mais baixa) e ele consegue imprimir uma emoção genuína em todas as faixas.

Com a nobre presença do violão de Pete Townshend em sete das 11 faixas do disco, o frontman do The Who nos proporciona uma viagem por canções que fazem parte da sua vida desde jovem e por novas composições como Certified Rose, escrita para sua filha. Mas os destaques ficam mesmo com as regravações de How Far (Stephen Stills), Into My Arms (Nick Cave) e, principalmente, a faixa-título. As Long as I Have You é, inclusive, uma das canções que os High Nunbers (que depois se tornariam o The Who) tocavam em seus shows.

– Esse é um retorno ao tempo no qual Pete ainda não havia começado a compor, um tempo quando éramos uma banda de adolescentes tocando soul music para pequenas plateias em bailes de igreja – conta Daltrey.

Clima Who By Numbers

Townshend é, aliás, responsável por um clima Who by Numbers. How Far, por exemplo, poderia muito bem ter sido gravada pelo quarteto britânico em meados dos anos 70. Mas se o violão de Townshend remete aos anos 70, a inclusão de backing vocals gospel e o uso de metais em alguns arranjos fazem o disco soar denso e com a força de ícones como Otis Redding, que não é citado, mas está lá, em espírito.

Foto: Jo Nunes

O peso grave da voz de Daltrey é presença em números como Into My Arms, mas como mostrou na sua passagem pelo Brasil ano passado, ela ainda é versátil e potente o suficiente para segurar as canções mais balançadas, mostrando uma força e suingue bem maiores que os demonstrados no bom Endless Wire (2006), do The Who, e o já citado Going Back Home.

Mas nem tudo são flores. You Haven’t Done Nothing (Stevie Wonder) é um daqueles momentos que poderiam e deveriam ser evitados. Parece que faltou alguém avisar que ela destoa do resto do álbum, soando forçada e sem acrescentar nada ao disco ou a sua versão original.

Rumo ao topo

As Long as I Have You é uma prova de que o que é bom ainda faz sucesso. O disco – lançado no Brasil em CD e disponível nas plataformas de streaming – já alcançou o 3º lugar nas paradas britânicas, na frente até do moderninho Drake. Segundo as previsões, o álbum deve alcançar o topo até o início da próxima semana.

Coração: ****

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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“Novo” Barão Vermelho revisita “velhos” sucessos

Carl Palmer – Teatro Municipal de Niterói – 26/5/2018

Baterista termina turnê brasileira mostrando energia e que a magia do rock progressivo não morreu

Enquanto a história mostra que bandas de rock sofrem com a perda de seus bateristas (casos do The Who, com Keith Moon, e do Led Zeppelin, com John Bonham), algumas ficam com seu legado a cargo dos donos das baquetas. O Emerson, Lake and Palmer – formado pelos ingleses Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – entra nessa categoria.

Ícone do rock progressivo, a banda tem sua música imortalizada pelo baterista Carl Palmer, que passou pelo Brasil com a sua Carl Palmer’s ELP Legacy Tour 2018, como parte da Top Cat Series, que também trouxe o guitarrista do Genesis, Steve Hackett e o grupo Premiata Forneria Marconi. Na sua última apresentação no país, o músico e seus dois ótimos escudeiros – Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo) – fizeram uma apresentação de gala no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Clássicos

Seguindo um setlist bem próximo das apresentações anteriores, Palmer desfilou uma série de clássicos de seu ex-grupo, mostrando uma vitalidade e força surpreendentes para um senhor de 68 anos e viveu o auge do sexo, drogas e rock and roll. Peças musicais como Trilogy, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e Tarkuso ponto alto da noite -, foram executadas com precisão e muita energia.

Recuperando o fôlego

A energia do baterista era recarregada entre as músicas, quando o britânico aproveitava para contar algumas histórias sobre as canções e sobre o grupo, e ainda recuperava o fôlego antes de atacar furiosamente a sua bateria. Normalmente a parte mais chata de um show de rock fica dividido entre a hora do solo de baixo ou do solo de bateria. Nos dois casos a surpresa foi mais que agradável. Simon Fitzpatrick fez um solo onde incluiu o clássico From the Beginning, com uma técnica de dedilhado (a lá Stanley Jordan) impecáveis. Já Palmer fez seu tour de force durante Fanfare for the Common Man, quase no fim da apresentação, marcada por vários pequenos solos.

Ataque epilético ou músicos cheios de ego e talento?

Há quem diga que o ELP não era apenas a reunião de músicos talentosos tocando música complexa e pretensiosa (no bom sentido). Para muitos o estilo do grupo se aproximava mais de um ataque epilético coletivo, onde cada um tocava de maneira egoísta. Apesar de concordar que musicalmente eles tinham um grande ego (com razão), a química e entrosamento eram inegáveis. A produtividade da banda no início dos anos 70, com a gravação de 5 álbuns de extrema qualidade – Emerson, Lake & Palmer (1970), Tarkus (1971), Pictures at an Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Brain Salad Surgery (1973) – dentro de um período de apenas três anos é típica de uma época onde mesmo as mais complexas produções eram realizadas em uma velocidade impensável para os dias de hoje, assim como alcançar vendas de 48 milhões de discos, nesses tempos de streaming.

Teatro cheio de “combustível”

– Obrigado por terem vindo nos assistir essa noite. Sei dos problemas que vocês estão tendo com combustível e outras coisas. Nós mesmos tivemos uma carreta com equipamento parada em uma estrada e tivemos que alugar alguns equipamentos – falou Palmer para a plateia em certo momento da apresentação.

Se o país sofre com o bloqueio das estradas realizado por caminhoneiros e empresários e com a total falta de habilidade e força do Governo para resolver o problema, o público de Niterói deu uma demonstração de que mesmo com os problemas no transporte e a escassez de gasolina, a boa música vence. O belíssimo Teatro Municipal de Niterói estava praticamente lotado e, tenho certeza, suas paredes – quase bicentenárias – foram revigoradas com uma energia e uma música não muito comum para o local.

No fim das contas, os que não tiveram a oportunidade de assistir ao ELP com os três integrantes ou alguma de suas reencarnações, teve uma boa mostra da magia que a sua música ainda possui.

Ainda há grandes nomes do progressivo vivos e fazendo história. Quem tiver a oportunidade de, por exemplo, assistir ao Yes (com Rick Wakeman), não deve deixar de aproveitá-la, mas quem presenciou o Carl Palmer de 2018 pode se orgulhar de um ídolo que soube envelhecer com a força de um rapaz de vinte e poucos anos.

O show

Abaddon’s Bolero (Emerson, Lake & Palmer cover)
Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tank (Emerson, Lake & Palmer cover)
Knife-Edge (Emerson, Lake & Palmer cover)
Trilogy (Emerson, Lake & Palmer cover)
From the Beginning (+ solo de baixo)
Canario (Emerson, Lake & Palmer cover)
21st Century Schizoid Man (King Crimson cover)
Solo de guitarra
Hoedown (Aaron Copland cover)
Lucky Man (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tarkus (Emerson, Lake & Palmer cover)
Carmina Burana (Carl Orff cover)
Fanfare for the Common Man (Aaron Copland cover)
Solo de bateria
Nutrocker (Pyotr Ilyich Tchaikovsky cover)

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“Novo” Barão Vermelho revisita “velhos” sucessos

O Barão Vermelho, conjunto que catapultou Cazuza e Frejat para o rol dos grandes nomes da música nacional com sucessos como Pro Dia Nascer Feliz e Bete Balanço, aprendeu a se adaptar a perda dos dois líderes e segue com uma nova formação, preparando um novo disco de inéditas e regravando alguns dos clássicos da banda.

Pense e Dance, Pro Dia Nascer Feliz, Meus Bons Amigos, Puro Êxtase, Tão longe de tudo, Billy Negão e Eu Queria Ter Uma Bomba, foram gravadas no fim de 2017, por Maurício Barros (teclados), Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Suricato (vocal e guitarra) e Rodrigo Santos (baixo), que também deixou o grupo. Já sem o baixista, o grupo ainda recriou versões acústicas de Por você e Brasil, formando o projeto Barão Pra Sempre, disponível nas plataformas de streaming.

– Escolhemos músicas que seguem relevantes para a banda e para o nosso público. Também foi uma forma de mostrar que várias músicas do repertório do grupo são de autoria dos integrantes da atual formação, que já cont

ribuem como compositores desde o primeiro disco – explica Maurício Barros.

Renovando o público

Muitas bandas acabam perdendo o rumo e a relevância muitas vezes pela incapacidade de renovar o seu público. Esse, definitivamente, não parece ser o caso do Barão Vermelho. Se a ban

da segue sendo um dos ícones do boom do rock brasileiro nos anos 80, as apresentações sempre lotadas, com público de todas as idades, comprovam o fôlego do Barão.

– A renovação é constante, muito aparente com a garotada, que vem ouvindo pela influência dos pais, assistindo documentários e agora tem a possibilidade de nos ver ao vivo e fazer com que o Barão faça parte da vida dela- diz Fernando Magalhães.

Novo disco

Enquanto seguem com uma agenda lotada de shows pelo Brasil, os membros do Barão também se preparam para o lançamento de um novo disco, que deve ser lançado ainda este ano.

– Estamos no processo de compor e gravar um material inédito e novo para lançarmos no segundo semestre. O disco será totalmente autoral – conta Fernando Magalhães.

O novo projeto – ainda sem título – promete ser um marco para a consolidação do som grupo na fase pós-Frejat e Rodrigo Santos.

– Neste disco vamos focar na nova formação tanto na parte autoral como na execução – complementa Guto Goffi, descartando a possibilidade de participações dos ex-integrantes.

A nova fase do Barão Vermelho pode ajudar na renovação do pouco divulgado rock nacional.

Vida longa ao Barão!

 

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Han Solo: Uma História Star Wars – apenas uma boa diversão

Filme conta a história do personagem imortalizado por Harrison Ford. Diverte, mas não empolga

Han Solo: Uma História Star Wars, chega as telonas brasileiras nesta quinta bombardeado por uma série de opiniões divergentes. Se por um lado a direção precisa de Ron Howard não pode receber muitas críticas, a escolha do elenco causa polêmica, principalmente a do protagonista Alden Ehrenreich, que faz um Han Solo longe do original de Harrison Ford.

A história

A ideia do longa é mostrar a origem de Solo, o início de sua amizade com Chewbacca, e como tomou a Millenium Falcon do dono Lando Calrissian (Donald Glover). Ou seja, não é um filme para os não iniciados, se é que eles ainda existem. Os demais personagens da história são fracos. Nenhum deles consegue trazer nada de peso para a história e não merecem ser lembrados em mais nenhum momento da saga.

O novo Solo

Seguir os passos de Harrison Ford não é tarefa fácil e Alden Ehrenreich não é muito feliz. Enquanto alguns argumentam que a ideia não era imitar Ford, mas criar um novo Han Solo – pode ser, mas preferiria ver uma atuação mais parecida com a de Chris Pine, recriando todos os trejeitos do James T. Kirk original, fazendo com que o novo capitão da Enterprise se tornasse uma boa xerox do interpretado por William Shatner – a maior parte da plateia sai do cinema com uma sensação estranha de que algo não está certo.

No fim das contas o longa diverte, mas fica longe de ser memorável e não deve chegar nem perto dos sucessos emplacados pela Marvel.

Han Solo: Um História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)
Direção: Ron Howard
Elenco: Alden Ehrenreich, Emilia Clarke, Donald Glover
Duração: 2h 15 min
Classificação: 12 anos

Rosa Marya Colin – 19 de maio de 2018 – Festival Tudo Blues – Teatro da UFF (Niterói)

Música boa é atemporal! Dito isso, qualquer coisa que seja dita sobre a voz e o repertório da apresentação da cantora Rosa Marya Colin, na sexta-feira (18 de maio) no Teatro da UFF, como parte do Festival Tudo Blues, pode parecer supérfluo, mas não é. Acompanhada de uma banda de primeira – Flavinho Santos (bateria), Samir Aranha (contrabaixo) e Eduardo Ponti (guitarra) – e com a participação mais que especial do mestre da gaita, Jefferson Gonçalves.

O repertório foi um luxo, com clássicos do rock, soul e rithym and blues, como Precious Lord, St Louis Blues, Summertime, Sunshine of Your Love, The Weight e, claro, California Dreamin’, fizeram parte da apresentação. Com arranjos elegantemente certeiros e usando a gaita de Jefferson Gonçalves de maneira inteligente, não servindo apenas como instrumento de solo, a cantora fez uma apresentação empolgante.

Rosa Maria, cuja carreira iniciou nos anos 60, mas que estourou mesmo em 1998, com a gravação de California Dreamin’ para um comercial de TV, está em plena forma. Sua voz afinadíssima e potente, e sua imagem (quase uma Nina Simone) nos transportam para uma Lousiana imaginária, que se mistura com uma Londres psicodélica e alguma igreja do Harlen.

Quem perdeu o show (veja o vídeo completo abaixo) ainda pode se programar para ir até Rio das Ostras, onde a cantora se apresenta no dia 2 de junho (de graça), na 15ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

O Festival Tudo Blues segue até o dia 27 de maio, no Teatro da UFF, com shows de El84 Rock’n’ Blues Band (24), Ticão Freitas (25), Blues Etílicos (26) e The Al Pratt Blues Session (27).

 

Big Gilson, ícone do blues brasileiro, comemora 30 anos de carreira

O blues brasileiro nunca teve o mesmo espaço na mídia que outros ritmos como a bossa nova, o pagode ou o sertanejo. Pode até ser que o som criado nas plantações de algodão do Sul dos Estados Unidos no século XIX não seja visto como algo natural para o brasileiro. Mas um país que já teve (e tem) artistas do calibre de Celso Blues Boy, Baseado em Blues, Blues Etílicos e Big Gilson não pode relegar a qualidade da música produzida por essas bandas.

Gilson Szrajbman, o Big Gilson, guitarrista, cantor, compositor e um dos maiores nomes do gênero do Brasil, já tendo tocado e recebido elogios do mestre B.B. King, que disse: “Quando vejo um jovem tocando blues tão bem assim e tão longe da América, sinto que minha missão nesta vida está cumprida”, completa 30 anos de estrada com uma série de shows e um disco autoral.

Fundador do grupo Big Alambik, responsável por ótimos trabalhos como Blues special reserve (1993) e Black Coffee (1995) — que infelizmente estão perdidos, já que não estão disponíveis no formato físico ou nos serviços de streaming —, Big Gilson se apresenta no Blue Note RJ, no dia 18. O show mescla canções do seu 13º disco, o ótimo XXX, e sucessos da carreira solo.

Movido a desafios

Big Gilson, que além do Blue Note, também sobe no palco do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, no dia 31, segue o conselho de Muddy Waters e está sempre em movimento para não deixar o limo crescer.

– Não gosto de seguir a maré. Sou movido a desafios. Estou preparando um DVD desse show, que gravei no Mississippi Delta Blues Festival (em Caxias do Sul, RS), no fim do ano passado. As apresentações do Blue Note e do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (no fim de maio) serão praticamente prévias desse DVD, com algumas músicas extras. O bom dessas apresentações é que eu já sei quais músicas funcionam ao vivo, deixando o setlist bastante poderoso. Há algumas canções clássicas que faço versões que as deixam com a minha cara, soando praticamente novas – explica o guitarrista.

Sempre repaginado, sempre renovando

Gilson é daqueles músicos que muitas vezes é mais reconhecido lá fora que no Brasil, já tendo tocado com alguns dos maiores nomes do blues.

– Faço muitos shows lá fora e até já tive convites para morar no exterior. Tive a sorte de viver grandes momentos, mas, pra mim, o highlight da minha carreira foi quando fui convidado para abrir o show do Johnny Winter, que é o meu mentor guitarrístico, que foi quem me inspirou a empunhar uma guitarra, e tocar com ele. Também foi inesquecível tocar com o Mick Taylor, subir no palco do clube do Buddy Guy – com ele na plateia – e abrir shows do Chuck Berry, no B.B. King Club, em Nova York (infelizmente recém-fechado) – conta.

Com as mudanças na indústria da fonográfica, viver de música no Brasil não é fácil. Viver tocando blues é mais difícil ainda, já que o estilo fica fora da grande mídia.

– O mercado, tanto lá fora quanto aqui está difícil. Blues nunca foi fácil, mas tem uma característica muito interessante: o público é fiel. Aqui no Brasil estão acontecendo muitos festivais e até mesmo os eventos de Food Truck travestidos de festivais ajudam a mostrar a música para um público diferente. O problema maior é mesmo a renovação do público. Por isso os festivais são importantes – diz Gilson, que acredita na renovação do estilo.

– O Joe Bonamassa é o top do momento, mas vira e mexe aparece alguém de quem eu nunca tinha ouvido falar e que arrebenta. Infelizmente, nem tudo chega ao nosso alcance. O próprio John Meyer, que é o Eric Clapton da atualidade, misturando o blues, o pop e o rock, tudo muito bem, ajuda a manter acesa a chama do blues. Quem gosta de música boa, gosta de música boa. Não adianta – sentencia.

O disco

XXX é o 13º disco de Big Gilson e mostra que o bluseiro caprichou na comemoração de seus 30 anos de carreira. Cantado totalmente em português (embora com alguns números instrumentais), XXX é explosivo, misturando rock e blues, como na faixa de abertura (Hey Você) e na também roqueira Xamã do Raul.

– Parti do zero nas composições para este disco. Tudo nele é material inteiramente novo. Seria muito mais fácil fazer um Best of ou regravar clássicos do blues, mas queria algo novo para mim e para o meu público– conta Gilson.

Mas o CD é eclético. Há até baladas (Canto), mas sempre baseadas em ótimos riffs de guitarra. A produção de Bacalhau Baca (ex-baterista dos Autoramas e Planet Hemp), as letras do parceiro Leão Leibovich e os convidados especiais – Jefferson Gonçalves (gaita), Sergio Rocha (guitarra) e do produtor Bacalhau Baca (bateria), entre outros – dá mais peso ainda a celebração musical de Big Gilson.

Disponível nas plataformas musicais e em algumas das ainda existentes lojas que vendem CD, XXX é daquelas obras que merecem ser ouvidas, seja pela excelência na execução, seja pelo momento histórico da carreira de um músico que pode ser considerado um orgulho nacional.

Fotos: Jo Nunes e Divulgação

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

Elton John ganha dois discos-tributo

Revamp: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin e Restoration: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin, já estão disponíveis em streaming

Sir Elton John, um dos mais conhecidos artistas pop do mundo e seu letrista, Bernie Taupin, ganharam mais dois discos-tributo a sua obra: Revamp e Restoration, lançados após o anúncio de que Elton vai se aposentar dos palcos, reuniram astros do pop atual e da música country, com resultados bastante irregulares. Essa não é a primeira vez que a obra dos compositores é revista por outros astros. Antes de Coldplay, Q Tip, Demi Lovato, The Killers, Queens of the Stone Age, Mumford and Sons, Florence and the Machin, Mary J. Blige, Ed Sheeran, Lady Gaga, Sam Smith, Pink and Logic, Alessia Cara, Willie Nelson e uma surpreendente Miley Cyrus, entre outros, tentarem reler as canções da dupla, um outro grupo de artistas fez o mesmo em 1991, no bom Two Rooms: Celebrating the Songs of Elton John & Bernie Taupin, que reuniu um naipe de astros de mais peso como Eric Clapton, Sting, The Who, Rod Stewart, Phil Collins, The Beach Boys, Joe Cocker e Tina Turner, para citar apenas alguns nomes.

Voltando a 2018, Revamp tem uma pegada mais pop, enquanto Restoration vai pela linha country. Claro que é difícil reinterpretar canções que já são clássicos e acrescentar um pouco da sua personalidade a elas. Louvo o esforço do Coldplay (We All Fall in Love Sometimes) ou Q-Tip e Demi Lovato (Don’t Go Breaking My Heart), mas o resultado acabou soando superproduzido e sem a profundidade que, imagino, tenha sido a ideia dos intérpretes. Mas se o Coldplay não conseguiu entregar a melancolia desejada na balada escolhida, pior foi Ed Sheeran, que escolheu fazer uma versão acústica de Candle in the Wind e acabou soando um pastiche malfeito da versão que o próprio Elton lançou na caixa comemorativa dos 40 anos do álbum Goodbye Yellow Brick Road (2014). Mas nem tudo está perdido, Miley Cyrus vai muito bem em Don’t Let The Sun Go Down On Me e Lady Gaga consegue – apesar de algumas críticas (injustas) – deixar sua marca em uma boa versão de Your Song, que não faz feio se comparada com as interpretadas por Billy Paul ou Al Jarreau. Outros ficaram no meio do caminho, alguns mais para o lado bom – The Killers, com uma versão semi-golspel de Mona Lisas And Mad Hatters – e outros para o lado ruim – Sam Smith e a sua versão melosa de Daniel.

Mas se o disco pop tem mais baixos que altos, a reunião de astros do country faz de Restoration uma experiência bem mais agradável. Com apenas uma canção repetida do disco pop (Mona Lisas and Mad Hatters) e só um artista presente nos dois tributos (Miley Cyrus) o disco segue bem mais coeso, tanto em termos de repertório quanto em termos de qualidade. Miley Cyrus manda bem novamente, embora The Bitch Is Back não se encaixe bem no conceito do álbum, e Willie Nelson faz uma ótima Border Song. Outros destaques ficam por conta de Rhonda Vincent e Dolly Parton (Please) e a bela versão de This Train Don’t Stop There Anymore, interpretada por Rosanne Cash e Emmylou Harris.

No geral, os dois discos soam excessivos – seria muito melhor se escolhessem as melhores faixas e tivessem colocado em um único álbum -, mas não chegam a ser um crime contra o patrimônio do pop internacional. A ideia de homenagear Elton John e Bernie Taupin sempre merece aplausos, mesmo que sirva para lembrar como são boas as gravações originais.

PS: Os dois álbuns não têm previsão de lançamento em formato físico no Brasil.

As canções

Revamp:

01. Bennie and The Jets — Elton John, P!nk, Logic
02. We All Fall In Love Sometimes — Coldplay
03. I Guess That’s Why They Call It The Blues — Alessia Cara
04. Candle In The Wind — Ed Sheeran
05. Tiny Dancer — Florence And The Machine
06. Someone Saved My Life Tonight — Mumford and Sons
07. Sorry Seems To Be The Hardest Word — Mary J. Blige
08. Don’t Go Breaking My Heart — Q Tip feat. Demi Lovato
09. Mona Lisas And Mad Hatters — The Killers
10. Daniel — Sam Smith
11. Don’t Let The Sun Go Down On Me — Miley Cyrus
12. Your Song — Lady Gaga
13. Goodbye Yellow Brick Road — Queens of the Stone Age

Restoration:
01. Rocket Man – Little Big Town
02. Mona Lisas And Mad Hatters – Maren Morris
03. Sacrifice – Don Henley and Vince Gill
04. Take Me To The Pilot – Brothers Osborne
05. My Father’s Gun – Miranda Lambert
06. I Want Love – Chris Stapleton
07. Honky Cat – Lee Ann Womack
08. Roy Rogers – Kacey Musgraves
09. Please – Rhonda Vincent and Dolly Parton
10. The Bitch Is Back – Miley Cyrus
11. Sad Songs (Say So Much) – Dierks Bentley
12. This Train Don’t Stop – Rosanne Cash and Emmylou Harris
13. Border Song – Willie Nelson

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Who Came First faz 45 anos e ganha nova reedição

Who Came First, para muitos o primeiro disco solo de Pete Townshend (o gênio por trás do The Who) fez 45 anos e ganhou uma nova reedição remasterizada e estendida. O disco pode ser considerado uma forçação de barra da gravadora, que juntou demos (a maioria para o abortado projeto Lifehouse, que acabou tendo várias canções servindo como base do LP Who’s Next) e algumas faixas já lançadas por Townshend nos seus dois (verdadeiros) primeiros discos solo – Happy Birthday e I Am, ambos em homenagem ao seu guru: Meher Baba. Esses dois discos chegaram a ser lançados em CD pelo próprio Townshend  – em um box chamado Avatar, que também continha o álbum With Love (1976) e um DVD – em seu (falecido) site. Infelizmente, a edição foi limitada e foram poucos os que conseguiram uma cópia (eu, incluído).

Lançado originalmente em 1972, Who Came First era composto por apenas nove faixas. Dessas, Townshend não compôs três delas, participou como músico em duas e não teve nenhuma participação em uma (Forever’s No Time at All, cantada por Billie Nicholls e com instrumentação por conta de Caleb Quaye). Portanto, considerar esse um disco solo tem lá suas controvérsias.

Versão definitiva?

Dito isso, vamos ao relançamento. De um disco de nove faixas, Who Came First se transformou em um CD duplo, com mais 17 faixas, oito delas inéditas. Estas inéditas, juntamente com as originais Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, já valeriam a compra. Se esse relançamento é a versão definitiva? Em termos de qualidade de som, sim. Em termos de conteúdo, talvez. Desta vez o álbum – que já havia sido alvo de relançamentos nos anos 90 e em 2006 – foi remasterizado a partir das fitas máster por Jon Astley, colaborador de longa data de Towshend e que foi o responsável pelas (controversas) remixagens dos álbuns do Who. O som é muito superior ao das versões anteriores, mas ainda há material que poderia ter feito parte do setlist, mas foi deixado de fora (Lantern Cabin, por exemplo), além de vários outros demos que podem ser encontradas na Lifehouse Chronicles, uma caixa de seis CDs que Townshend lançou em 2000 e que também foi lançada em edição limitada e está fora de catálogo.

A edição de 45 anos também conta com novas liner notes escritas pelo próprio Townshend, uma reprodução do poster que acompanhava o LP original e um livreto de 24 páginas com fotos de Townshend e Meher Baba no estúdio de gravação, tornando o lançamento bastante relevante para os fãs de carteirinha e para os que apenas conhecem o básico da obra do guitarrista.

Pontos altos

Além das já citadas Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, There’s a Heartache Following Me e Parvardigar são os pontos altos do disco original. Já o segundo CD oferece aos fãs pérolas como uma nova edição do demo de The Seeker, uma versão instrumental de Baba O’Reilly (com mais de 9 minutos de duração) e duas canções que parecem um pouco fora de contexto: a versão de Evolution, cantada no memorial de Ronnie Lane, em 2014, e Drowned, gravada na Índia, em 1976.

Mas, o verdadeiro ponto alto é a qualidade de som. A nova edição (mesmo em streaming) deixa no chinelo todos os relançamentos anteriores – fiz a comparação. Desta vez Astley fez um trabalho exemplar. O som está mais alto e muito mais claro, melhor até do que o encontrado nas versões da série Scoop, na qual Townshend despejou grande parte dos seus demos.

A edição comemorativa dos 45 anos de lançamento do Who Came First deve ser a última (espero), já que não faz sentido obrigar os fãs a comprarem um material já amplamente divulgado. O lançamento – da Universal Music – ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Só nos resta encomendar lá fora (a Amazon inglesa está com um bom preço) e torcer para que a sua encomenda não seja roubada no meio do caminho.

Que venham os relançamentos dos demais álbuns solo de Townshend.

As faixas

CD 1
1. “Pure and Easy”
2. “Evolution”
3. “Forever’s No Time At All”
4. “Let’s See Action”
5. “Time Is Passing”
6. “There’s a Heartache Following Me”
7. ” “Sheraton Gibson”
8. “Content”
9. “Parvardigar”

CD2
1. “His Hands”
2. “The Seeker” (2017 edit)
3. “Day Of Silence”
4. “Sleeping Dog”
5. “Mary Jane” (Stage A Version)
6. “I Always Say” (2017 Edit)
7. “Begin The Beguine” (2017 edit)
8. “Baba O’Reilly” (Instrumental)
9. “The Love Man” (Stage C)*
10. “Content” (Stage A)*
11. “Day Of Silence” (Alternate Version)*
12. “Parvardigar” (Alternate take)*
13. “Nothing Is Everything”*
14. “There’s A Fortune In Those Hills”*
15. “Meher Baba In Italy”*
16. “Drowned” (live in India)*
17. “Evolution” (live at Ronnie Lane Memorial)
(* Versões ou canções inéditas)

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Documentário escancara os demônios e os dramas da vida de Eric Clapton

Life in 12 Bars, que foi exibido nos cinemas lá de fora e chega nas lojas em junho, emociona até mesmo quem não é fã do guitarrista



Eric Clapton
é um dos músicos mais famosos e talentosos do mundo. Já compôs canções que se tornaram clássicos do rock, já ganhou vários prêmios e amou várias mulheres. Porém, teve uma vida cheia de baixos e agora, depois dos 70 anos, decidiu abrir o coração em um documentário onde, mais que narrar sua carreira, conta sobre suas mágoas, seus vícios (álcool e drogas) e seus traumas. Life in 12 Bars (Vida em 12 compassos, em tradução livre) serve como um belo complemento para alguma das inúmeras biografias do músico e confirma que ele é mesmo um sobrevivente.

O filme, dirigido pela diretora e produtora vencedora do Oscar, Lili Fini Zanuck, teve como base uma série de entrevistas onde Clapton falou sem reservas sobre tudo. Por isso, talvez, a música fique em uma espécie de segundo plano, embora o próprio Clapton seja categórico: “A música me salvou”. O foco principal fica mesmo na vida do artista, desde a infância, quando foi abandonado pela mãe, criado pelos avós – ele passou boa parte da infância achando que a irmã era a sua mãe e só foi conhecer a mãe já grandinho -, até o family man dos dias de hoje, passando pelas loucuras dos anos 60 e 70 e pela morte do filho Connor, em 1991.

Vícios

Se os anos 60 foram a época da maconha e do LSD, os anos 70 foram a época – para Clapton – da heroína e do álcool. Embora amplamente divulgado, é diferente ler sobre os efeitos da droga em Clapton e ver e ouvir esses efeitos. Em uma entrevista, com a voz totalmente chapada, ele diz odiar a vida e que não vai ficar por aqui (na Terra) por muito tempo. Mais angustiante ainda é ver cenas de Clapton cheirando cocaína e bêbado no palco e fora dele, em um estado muito mais deplorável do que quando usava heroína. Os absurdos comentários racistas – que não são mostrados no documentário, que apenas apresenta recortes de jornais sobre o assunto – e o comportamento errático do músico, mostram a razão dessa década ser praticamente ignorada na maioria das biografias. Ele simplesmente não lembra de muita coisa.

Porém, em termos de vício, podemos dizer que tudo começou com uma mulher: Pattie Boyd/Layla/Harrison. A então mulher do beatle George Harrison, melhor amigo de Clapton, e dona de algum borogodó poderoso – vale lembrar que ela foi a inspiração para canções como Something, Layla, Wonderful Tonight e Breathe On Merevirou a cabeça do guitarrista, que mergulhou na heroína e acabou produzindo o seu melhor trabalho: Layla and Other Assorted Love Songs, um grito desesperado de amor, que acabou não surtindo efeito e só piorou a vida do Deus da Guitarra.

Música

Como citei anteriormente, Life in 12 Bars serve como complemento as biografias de Clapton, principalmente no que se refere a sua carreira. Há alguns momentos e outtakes interessantes da sua carreira com o Cream e, principalmente, sobre o processo de criação do primeiro e único álbum do Derek and the Dominos. Todo o resto – inclusive o encontro com Hendrix – é pincelado de maneira reverencial, mas que não dá a devida profundidade que sua música merece. Vários discos são apenas citados e outros totalmente ignorados, o que torna o documentário capenga nesse sentido.

A trilha sonora do documentário, que também será lançada em junho, traz algumas boas novidades, entre elas a versão completa do sucesso I Shot the Sheriff e duas mixagens feitas pelo próprio Clapton para canções do seu primeiro disco solo, embora também fique mais restrita aos primeiros anos da carreira do guitarrista. Mesmo assim, fica claro que ainda há muita coisa inédita nos arquivos do guitarrista. Outro ponto para a trilha sonora é trazer algumas participações de Clapton em discos de gente como os Beatles e Aretha Franklin.

Drama e emoção

Se a carreira musical é usada como uma estada secundária, fica impossível não se emocionar com momentos como o do nascimento do primeiro filho, Connor, de como Clapton nutriu e germinou o espírito paterno e de como a trágica morte do menino afetou para sempre a sua vida e, muito provavelmente, o manteve vivo. O momento no qual Clapton fica em casa lendo cartas de condolências e acaba descobrindo um tesouro do filho, é daqueles que fazem com que qualquer ser humano minimamente normal fique com os olhos cheios d’água. E se a primeira cena do documentário – uma mensagem de vídeo gravada no dia da morte do amigo e ídolo B. B. King – parece fora de contexto, a última cena do documentário faz tudo se encaixar.

Life in 12 Bars tem muitas qualidades e defeitos. Pode não ser o documentário definitivo sobre a carreira de um dos maiores nomes do rock e do blues de todos os tempos, mas é definitiva para alguém que precisava exorcizar tudo, exorcizar todos os fantasmas e demônios que tornaram possível se tornar um bom pai, marido e pessoa.

O CD, DVD e Blu-ray tem lançamento programado para o dia 8 de junho – sem previsão de lançamento no Brasil – e (tomara) deve trazer alguns extras que podem enriquecer ainda mais a obra.

Clapton ganha show-tributo pelos 73 anos no Rio de Janeiro (13/04/18)

Big Gilson, provavelmente o maior expoente do blues nacional, e a Clapton Tribute BandCharles Zanol (vocal), Pedro Leão (baixo), Rubens Achilles, (guitarra) e Gil Eduardo (bateria) – celebraram a carreira do Deus da Guitarra em show no Teatro Rival. Com um repertório que percorreu toda a carreira de Clapton, a banda mostrou momentos afiados (Badge e I Shot the Sheriff) e alguns menos inspirados (Old Love). A (excelente) banda Oldstock, que abriu a noite, fez uma ótima mistura de rock clássico e blues e aqueceu a plateia para que Big Gilson & Cia transformassem o Rival em um autêntico bar de blues de Chicago.
Os 73 anos de Clapton, completados no dia 30 de março, foram muito bem comemorados. Que muitas outras comemorações ainda aconteçam.

 

As músicas do show

Key to the Highway (acústico)
Nobody Knows You When You’re Down and Out
Before You Accuse Me
Blues Before Sunrise
Tell the Truth
Riding With the King
Bad Love
Have You Ever Loved a Woman?
Badge
Old Love
I Shot the Sheriff
Tearing Us Apart
Cocaine

Bis
Layla

PS: Uma versão desse texto também foi publicado na Revista Ambrosia