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Universitários ainda acreditam na vocação

Mesmo com a crise econômica e o alto desemprego no país, jovens ainda acreditam mais na vocação do que nas necessidades do mercado

Que os jovens são sonhadores e idealistas é fato conhecido e que não necessita de nenhuma pesquisa inglesa para comprovar isso. Porém, pesquisa realizada pela Companhia de Estágios | PPM Human Resources mostra que os jovens ainda ignoram as necessidades do mercado em favor de uma possível vocação profissional.

Vocação x Sucesso

A escolha da profissão é algo que vai (normalmente) nos definir pelo resto de nossas vidas. Não é incomum que parentes e amigos influenciem essa decisão, mas hoje —mais que nunca — é preciso levar em conta o atual (e futuro) cenário da nossa economia.

Foram ouvidos mais de 5,4 mil estudantes em todo o país e o idealismo ainda é a principal motivação — para 68% dos entrevistados — na hora de escolher o curso universitário.

Não sou a pessoa mais indicada para criticar quem segue uma profissão mesmo quando ela não é das melhores em termos de remuneração (sou jornalista), mas admito que fiquei impressionado com o resultado do estudo.

Trabalhar no que gosta é sempre uma sensação indescritível, mas é muito melhor quando o mercado valoriza e preserva a sua profissão.

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O mal da ditadura da falta de tolerância

“Se alguém não pensa igual a mim é um idiota, retrógrado e não vale nada”

Não é de hoje que as pessoas reclamam do clima de Fla-Flu e da intolerância que parece ter tomado a sociedade brasileira de assalto. Não importa se o assunto é política, segurança, futebol, direitos individuais ou qualquer outro ponto que possa suscitar uma discussão.

Parece que perdemos a faculdade de ouvir opiniões contrárias, bem ou mal argumentadas, e que podem mostrar um novo ponto de vista e mudar nossas posições. Da mesma forma parece que a hipocrisia está sendo ignorada na maioria das manifestações. São pessoas que usam e compram drogas, mas fazem discursos indignados contra a crescente violência nas grandes cidades. São pessoas que defendem certas correntes políticas mesmo quando seus líderes cometem crimes, lembrando que outros fizeram o mesmo. São pessoas que bradam a importância em acolher pessoas, mas que reclamam quando essas pessoas são levadas para o seu estado/cidade. São pessoas que reclamam da violência policial, mas chegam a cancelar eventos por falta de segurança.

Porém, o que mais me choca é a autoridade com a qual muita gente faz juízos de valor sobre problemas de outros países. Se a coisa já é complicada quando tratamos de problemas domésticos, imagine falar de questões de outros povos. Por exemplo, acho que a saída do Reino Unido da União Europeia é uma burrice, mas entendo perfeitamente as razões que levaram os britânicos a essa decisão, assim como entendo porque gregos e italianos fazem ações para dificultar a entrada de imigrantes em seu território, e porque catalães lutam por sua independência. Claro que sempre há coisas que não conseguimos entender (Trump é uma delas), mas mesmo nesses casos não há como ter uma resposta definitiva, mesmo vivendo no país ou estudando relações internacionais.

Cada um no seu quadrado

A razão para não podermos cravar que a nossa opinião é a correta é simples (repito): nós não vivemos lá e, mesmo quando vivemos, não temos as mesmas referências (culturais, de relacionamento, etc.) dos nativos. Afinal, o que pode explicar que as pessoas gostem de grapefruit, gravy ou carne de rato? O que faz com que haja gente que goste de rap ou polca? O que faz com que alguns povos não gostem de abraços? Com certeza esses povos também devem achar vários de nossos hábitos muito estranhos.

Recentemente, li vários artigos condenando leis e costumes que nos parecem retrógrados. Você sabia que na Nigéria o marido pode bater na esposa para “corrigi-la”? Não sou expert em cultura ou no estudo da sociedade nigeriana – e não acredito que conheça alguém que seja -, mas imagino que essa prática deva fazer algum sentido para eles, já que essa lei não é nada recente e não há nenhum movimento para revogá-la. Você sabia que no Iêmen a lei obriga as mulheres a satisfazer seus maridos na cama, queiram elas ou não? Pode ser um absurdo para os brasileiros “esclarecidos”, mas pode ser lógico para o povo do Iêmen. Simples assim.

Portanto, seja você de direita ou de esquerda, eleitor do Bolsonaro ou do Lula, apreciador de rock ou funkeiro, bebedor de cachaça ou de vinho, flamenguista ou vascaíno, já passou da hora de xingar e desdenhar de quem pensa diferente de você. Pode ser que você descubra que os argumentos do seu adversário são melhores e mais bem fundamentados que os seus.

Palavra do Dia: Esfossilizar

Na vida sempre há ossos para desenterrar. O processo de esfossilizar pode ser doloroso e, algumas vezes, constrangedor, mas quase sempre é muito necessário. Infelizmente (ou felizmente) muita gente consegue passar a sua existência na Terra sem ter seu verdadeiro eu exposto.

Significado:
Desenterrar coisas e/ou objetos muito antigos (fósseis); exumar.
(Etm. es + fossilizar)

Sinônimos:
exumar, desenterrar, dessepultar

Classe gramatical:
verbo transitivo direto

Sílabas:
es-fos-si-li-zar

Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no fim acabamos nos disfarçando para nós mesmos

Estamos tão acostumados a nos disfarçar para os outros, que no fim acabamos nos disfarçando para nós mesmos- François de La Rochefoucauld

O mundo é uma grande ilusão, cheia de fumaça, efeitos especiais e muita enganação. Uma enganação que não é apenas natural, mas encenada no grande picadeiro que a vida proporciona aos que precisam de uma máscara para viverem vidas barulhentas, promiscuas e vazias.

Milhões de amigos e milhões de risadas, não significam nada além de um negro estratagema para encobrir algum sentimento, uma verdade que precisa ficar enterrada e escondida de todos, inclusive de nós mesmos.

Iludir os outros é fácil. Difícil deve ser dormir (e acordar) sabendo que não vai deixar ninguém chegar perto da alma, do ser sem máscara. No fim, quem é a pessoa sem máscara? Ela ainda existe ou já se tornou uma simbiose indivisível do triste ser que habita dentro do corpo?

Que Deus nos livre dessa maldição e nos afaste de quem precisa dela para viver suas confortáveis e vazias existências.

Texto produzido em algum momento entre 2007 e 2008.

Amor em pedaços

Love is all we need (?)

Divagações & Pensamentos


(Gostou? veja tamém Folha de papel)…
Juras quebradas
Fotos rasgadas
Papéis queimados

Roupas picotadas
Lençóis manchados
Travesseiro abandonado

Espelhos estilhaçados
Cacos de vidro espalhados
Pulsos cortados

Doce azedado
Corações dilacerados
Amor aos pedaços

(GeraldoCunha/2018)

Ver o post original

Amizade com prazo de validade

Tendo a concordar

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Um dos assuntos que tenho refletido muito são sobre as amizades que deixamos para trás,  volta e meia o facebook me manda notificações de lembranças de posts antigos.

Fico pensando em como as coisas mudam e não nos damos conta, quantas vezes deixamos para fazer aquela ligação para depois e o depois nunca chega, digo isso por mim que sempre penso em dar uma ligadinha para aquele amigo que não falo há tempos e no final do dia acabo esquecendo, não por desleixo e sim pela correria do dia a dia.

Com o passar dos anos os contatos ficam cada vez menos frequentes, os assuntos ficam cada vez mais escassos, a gente vai mudando e nem percebe, até que um belo dia você resolve encontrar aquele amigo sumido e aí começam as mudanças notáveis, vocês já não compartilham os mesmos gostos, nada em comum para conversar e aquele silêncio desagradável no…

Ver o post original 180 mais palavras

Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem – (Eugène Lonesco)

Acreditar, ter convicções e objetivos são algumas das razões que nos fazem evoluir, seguir em frente e, em resumo, viver. Mas, apesar da crença popular, não são os sonhos que unem as pessoas. Na verdade, os sonhos são, na maioria das vezes, solitários. Mesmo que alguns ideais sejam compartilhados, é muito difícil que as ideologias e objetivos sejam os mesmos de outro ser vivo. Sempre há alguma pequena diferença que muda bastante o resultado final da coisa. Por outro lado, o sofrimento e a solidariedade nos momentos de dor são os fatores que realmente unem as pessoas.

Em tempos onde os direitos individuais estão turvos, os posicionamentos políticos acerbados e as relações romântico/amorosas colocadas em segundo plano em nome de uma independência pra lá de contestável, fica a sensação de que as pessoas estão cada vez mais indo para longe uma das outras, mesmo quando agrupados em passeatas em prol deste ou daquele posicionamento.

Tenho saudades do tempo nos quais os dias eram apenas dias e não uma data mundial por alguma coisa qualquer – importante ou não -, dos tempos nos quais uma paquera poderia terminar em namoro e não em ação judicial – praticamente determinando a morte do amor à primeira vista -, dos tempos nos quais você podia brincar com seus amigos da maneira que a intimidade permitisse, educar seus filhos utilizando os métodos que achasse necessário ou pudesse andar pelas ruas das cidades e estádios de futebol sem ter o receio de que pode ser agredido por conta de uma preferência pura e exclusivamente pessoal.

Tenho saudades do tempo nos quais as pessoas gostavam de debater com aqueles que tinham pensamentos e posições opostas às deles – uma prática que sempre eleva o nível de qualquer discussão e serve para, muitas vezes, sedimentar a convicção que tínhamos antes do início da conversa.

Não quero que sejamos unidos apenas pela dor de uma perda ou tragédia. Espero que os sonhos possam ressurgir, como nas palavras e pensamentos do reverendo Martin Luther King Jr., cuja morte completa 50 anos e cujos ideais são seguidos por muito pouca gente. Hoje, não há uma ditadura nos termos governamentais, mas há uma série de ditaduras de pensamento que separam cada vez mais as almas e os corpos. Não quero nem tenho a pretensão de fazer um tratado psicológico da sociedade brasileira (ou mundial), mas respeito cada vez mais mentes como a do professor Eugène Lonesco, que muitos devem conhecer apenas por sua obra ligada ao teatro do absurdo, capazes, gostando ou não do trabalho desenvolvido pela pessoa citada, criarem frases e pensamentos que nos façam refletir.

Palavra do Dia: Pseudo

Não há pseudos amores, pseudo fidelidade ou pseudo comprometimento. Acho que, na verdade, não há pseudos nada. Pseudo é daquelas palavras que dificilmente vem acompanhadas de algo positivo. Sou fã da sua utilização, mas nem um pouco fã dos seus significados.

Significado:

pref. De teor falso; cujo conteúdo não corresponde à realidade.
adj. Gíria. Que é falso, enganoso: ele levava uma pseudo vida.
s.m. e s.f. Alguém que aparenta ser o que não é; geralmente se refere aos pseudointelectuais: ninguém aguenta mais o pseudo da faculdade.
Gram. Acrescenta-se o hífen quando a palavra for iniciada por uma vogal idêntica à vogal do prefixo ou por h.
(Etm. do grego: pseûdos.eos)

Sinônimos:
falso, enganador, errôneo, pseudointelectual

Classe gramatical:
pronome de tratamento

O Oscar está virando um gueto cotista? ou Como o mundo está realmente ficando chato

Hoje é dia de Oscar e a cerimônia, que para mim nunca foi muito justa, vide a quantidade de filmes, atores, atrizes, diretores e até músicas que foram premiados e que não são lembrados, enquanto vários que não receberam a estatueta ficaram imortalizados.

A entrega desta noite parece, infelizmente, que vai estar impregnada do vírus do bomoçismo (sic). Se antes, para ser reconhecido um ator precisava do talento e a estatura de um Sidney Poitier ou um Denzel Washington, agora, parece que o simples fato de ser negro já vale como credencial para ser indicado. O mesmo vale para as mulheres. Não importa a competência ou a qualidade do trabalho realizado. Se é mulher deveria ser indicada e se não ganhar teremos comentários sobre a derrota feminina.

Essa tendência não é exclusividade da Festa do Cinema. Vivendo a atual onda de violência que assola o Rio de Janeiro (estado e cidade) fico impressionado como qualquer morte deixa de ser consequência do estúpido estado de desgoverno e impunidade e precisa obrigatoriamente ser enquadrada em alguma categoria. Sendo assim, uma vítima de bala perdida sempre acaba sendo classificada como negra, pobre, gay ou mulher. Sei que existe preconceito e ódio, mas não creio que balas tenham esses sentimentos.

Não há dúvidas de que sempre houve seres humanos com instintos nada bons. A KKK não existe por acaso, os alemães e poloneses (sim, não há lei que vá tirar a parte deles da responsabilidade pelo Holocausto), lembrando que entre eles (alemães e poloneses) também havia judeus (ninguém era inocente), mas a humanidade nunca viveu um momento tão absurdo como hoje.

As minorias merecem ter seus direitos reconhecidos, mas não creio que cotas ou premiações dadas pelo simples fato de alguém ter uma religião, cor ou sexo, deva servir de requisito para nada. Parece um tipo de preconceito das minorias.

Um bom exemplo disso é o filme Pantera Negra, que conta história de um super-herói que é o rei de um país africano. Não paro de ler elogios aos produtores por finalmente realizarem um longa com um super-herói negro. Gente, ele foi criado muitas décadas atrás e, imaginem só, a maioria dos atores é negra! Uau! Peraí, é um país africano, não é mesmo? Então, a lógica é termos atores negros, certo? Esse tipo de elogio me parece tão sem sentido quanto encontrar hordas de guerreiros negões em Asgard. Você até encontra um ou outro, mas é isso: um ou outro. Quanto ao pessoal técnico que trabalhou no filme, a extensa presença de pessoas negras me parece apenas uma decisão oportunista. #prontofalei

Sonho com o dia que tenhamos uma distribuição de renda que permita não termos programas como o Bolsa Família ou Minha Casa, Minha Vida. Sonho com o dia que tenhamos uma educação decente que não necessite de nenhum esquema de cotas para que as pessoas que alguém seja admitido na faculdade e sonho com o dia no qual possamos voltar a viver sem sermos obrigados a conviver como se tudo o que acontece fosse em razão de algum preconceito. Muitas vezes as coisas acontecem porque têm que acontecer.

Bom Oscar para todos.

PS: Acredito que todos temos preconceitos – em maior ou menor escala – o que não gosto é de saber que há gente sendo reprimida por algum desses preconceitos, venham eles das maiorias ou das minorias.

Leia também: Todo fanatismo é ruim, menos o nosso

Pretos ou pardos são 63,7% dos desocupados

Numa época onde todos os assuntos têm alguma correlação com o politicamente correto, sei que vai aparecer alguém para dizer que os dados da notícia abaixo são preconceituosos. Imagino que também aparecerão os doutores e estudiosos sociais que farão verdadeiros tratados sobre como a sociedade é injusta e impõe restrições às pessoas dessas raças. Bem, vamos deixar claro que a nossa sociedade não é justa (alguma é?), que é preciso melhorar os indicadores sociais no Brasil () e que nem sempre as oportunidades aparecem para todos. Porém, é preciso deixar claro que nem toda mulher que morre é vítima de (argh) feminicídio, que nem todo gay agredido é por conta da sua orientação sexual e que nem todo negro/preto é vítima de racismo.

Precisamos melhorar o Brasil em quase todos os aspectos (Educação, Segurança, Economia), mas precisamos também deixar de lado o pensamento assistencialista e populista que muitos levantam como uma bandeira das mais lógicas e importantes da nossa sociedade. Não vou entrar na discussão política, mas espero que a maioria das pessoas possam interpretar os dados da pesquisa do IBGE sem idealismos político-partidários.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, no terceiro trimestre de 2017, aponta que, dos 13 milhões de brasileiros desocupados, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja 63,7%.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos também era menor: R$1.531, enquanto o dos brancos era de R$2.757.

Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, apenas 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada. Outro dado relevante da pesquisa é que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. É o caso do vigilante Everton Souza, de 35 anos. Ele trabalhava com serviços gerais em uma empresa que presta serviços para órgãos públicos e quem se destacava neste emprego, tinha a oportunidade de fazer um processo seletivo para ser promovido. Após passar por algumas fases, disseram que ele não tinha o perfil para a vaga.

“Eu e mais dois se destacamos, só que só tinha uma vaga. Beleza. Aí nós fizemos a seleção entre nós, fizemos a dinâmica, aí eu saí melhor do que os outros dois camaradas. Só que, quando ele viu, tipo assim, ele olhou para mim e eu acho que ele viu que eu era negro e falou que eu não tinha o perfil adequado para a vaga que eles tinham disponível, sendo que eu tinha sido o melhor de todo o processo seletivo lá que foi feito. Me senti discriminado.”

Fonte: Agência Rádio Mais

Palavra do Dia – Superficialidade

Muitos seres humanos têm por característica a superficialidade, seja por falta de conteúdo, como um mecanismo de proteção ou por opção de vida. A superficialidade pode ser expressada de várias maneiras e, normalmente, é encoberta por uma atitude proativa e cheia de segurança.

O superficial pode ser detectado nas amizades – afinal, ter milhões de amigos que são levados para festas em casa não significa que sejam confiáveis -, nos relacionamentos – aqueles que acontecem após um cruzar de olhos em um ônibus ou avião e não nos que são baseados em entrega e troca -, em caixas – sejam elas cheias de bolas de gude ou camisinhas – ou na incontrolável necessidade de demonstrar que a alma é livre e sem destino.

Não vamos confundir superficialidade com dissimulação (são coisas bem diferentes). Fico triste toda vez que vejo uma pessoa fugir de algo apenas por conta da falta de comprometimento e medo de algo que fuja do que pode ser considerado raso. Para muitos, se abrir é um verdadeiro tormento e se expor é algo que pode dar aos outros a chance de conhecer o que se esconde lá no fundo do seu ser.

Para manter a capa de superficialidade muitos riem (muito e alto), outros precisam manter a popularidade. Mas a superficialidade pode estar também na música, na política ou no estilo de vida. Nem sempre ser superficial é ruim. Há casos nos quais pode até ser uma boa tática de sobrevivência, mas sejamos honestos, é muito desagradável ver pessoas sendo enganadas por uma linda e superficial camada de personalidade.

Definição

superficialidade:

s.f. Superficialismo; condição ou qualidade do que é superficial, básico, elementar, pouco profundo: a superficialidade dos comentários na internet.

Observação ou análise feita sem reflexão, sem profundidade: os políticos se mantiveram em superficialidades.

Caráter do que não é profundo, daquilo que se situa na superfície.

(Etm. superficial + i + dade)


Sinônimos
:

superficialismo

Classe gramatical:

substantivo feminino

Citações:

“Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo.” – Fernando Pessoa

“Nada é mais insondável do que a superficialidade da mulher.” – Karl Kraus

*Esse texto foi escrito entre 2007 e 2008

A pisada de bola do Extra no caso Alex Muralha

Este é outro assunto velho, mas, agora, que o ano acabou e o Brasileirão também, posso escrever sem que o ódio que reina no Brasil apareça por aqui (espero). O caso é a capa do jornal Extra, publicada no dia 1 de setembro de 2017, onde havia um comunicado onde o jornal avisava que não chamaria mais o goleiro Muralha pelo apelido.

Todo mundo tem o direito de errar e os (então) responsáveis pelo jornal erraram feio ao atiçar ainda mais os ânimos nada amistosos da torcida contra o atleta. Mas, o pior mesmo, foi ver que os responsáveis não admitiram o erro e disseram que o que fizeram foi uma piada e que piadas não devem ser explicadas. Bem, se uma piada precisa ser explicada é porque, no mínimo, ela não foi boa. A jogada pode até ter tido alguma lógica se a ideia era vender jornais ou gerar polêmica, mas eu ainda acredito que os jornais precisam informar, mesmo que com uma certa dose de humor, o que está longe de ser o caso.

Já que se fala muito nas mudanças que o jornalismo precisa fazer para sobreviver, tinha que escrever algo sobre esse episódio lamentável. Para deixar o meu pensamento ainda mais claro, reproduzo o editorial do Comunique-se sobre esse caso (publicado em 4 de setembro de 2017).

 

Todo mundo ganhou (menos o bom jornalismo)

No mundo do jornalismo e do futebol brasileiro, o último fim de semana foi marcado pela ação do diário Extra, do Grupo Globo, em noticiar que deixará de se referir ao goleiro do Flamengo pelo apelido de Muralha. A decisão tomada pelo popular veículo de comunicação foi alvo de críticas de internautas e jornalistas (até de profissionais de dentro da Globo). Muitos avaliaram que, na edição veiculada na sexta-feira, 1º de setembro, o impresso cometeu uma “bola fora” ao colocar a “informação” sobre Alex Muralha na primeira página e com teor semelhante a de pautas relacionadas a criminosos que tomam conta do Rio de Janeiro, estado que o mesmo título definiu estar em guerra, com direito a criação de editoria especial.

Para qualquer pessoa com um pouco de bom senso, seja ela profissional da comunicação ou não, fica nítido que o jornal errou no tom  ao se referir ao arqueiro flamenguista. Convenhamos, ao transformar as falhas do atleta em sua manchete principal e garantir que, por ora, o apelido “Muralha” não aparecerá em suas páginas, o diário carioca dá margem para se tornar alvo de críticas vazias semelhantes. Com o episódio, do qual por duas vezes os responsáveis pela publicação fizeram questão de colocar como uma simples “brincadeira” e pedir (de forma bem tímida) desculpas, o goleiro Alex Muralha, a diretoria do Flamengo, torcedores e quaisquer outras pessoas têm todo o direito de virem a público e dizer que não consideram como jornalismo o produto entregue pelo Extra.

Caímos no assunto jornalismo. Afinal, conforme o título deste editorial do Portal Comunique-se, o bom jornalismo foi o único elemento envolvido na história que perdeu. Pode parecer irônico, mas até o Extra, protagonista da “brincadeira” desnecessária, chega a esta semana com saldo positivo. Certamente, a edição que colocou o jogador de futebol como se fosse um foragido da polícia vendeu mais exemplares do que edições anteriores. No Facebook, graças ao conjunto de algoritmos que parece cada vez mais valorizar polêmicas em vez de conteúdos relevantes, a marca não tem do que reclamar.

A foto com a imagem da primeira página de sexta tem até o fim da tarde desta segunda-feira, 4 mil reações, 943 compartilhamentos e 1,5 comentários (a maioria criticando a postura adotada, mas o Facebook não se importa com isso). Sem polêmica ou piada idiota, a postagem com os destaques do dia anterior tem números bem menores: 133 reações, 32 compartilhamentos e 10 comentários.

Alex Muralha (seguiremos respeitando o nome “artístico” adotado pelo profissional) sai dessa história contando com o apoio de torcedores do Flamengo, que chegaram a pedir que ele fosse barrado para a final da Copa do Brasil. Possivelmente, o fato de ter sido acolhido pelo grupo de jogadores do Mengo fará com que o atleta tenha mais segurança no confronto que vale título. Uma coisa, porém, é fato, até a equipe do Portal Comunique-se, que não acompanha tão de perto as disputas futebolísticas, sabe que o goleiro estava em má fase técnica. Algo que deixou de ser notícia por causa da ação do Extra.

Cronistas esportivos pararam de falar do desempenho do arqueiro para demonstrar apoio ao ser humano. Aliás, a imprensa desportiva – principalmente a online – também ganhou, pois conquistou cliques com o desdobramento: reprodução da nota oficial de Muralha e o posicionamento por parte da diretoria do Flamengo. Os dirigentes do clube são outros vitoriosos do contexto; afinal, venderam para a mídia os valores éticos que regem a atual administração.

Entre vendagem em banca acima do normal, crescimento do alcance e engajamento no Facebook, um goleiro que vê sua má fase desaparecer do noticiário esportivo, sites atrás de mais cliques e cartolas que adoram um espaço na mídia, é simples constatar que o anúncio do Extra só fez um elemento ser derrotado (e de goleada): o bom jornalismo. Até porque, segundo a própria publicação, piadas sem graça merecem mais espaço numa primeira página.

Redação SP Sportv

Redação Sportv IQue o jornalismo é, muitas vezes, bairrista, é fato. Que os coleguinhas paulistas são os campeões no bairrismo também é fato – talvez pelo estado ser o mais rico do País -, mas é uma pena que o Redação Sportv, programa matinal do canal de esportes da Globosat, tenha se perdido desde que o Marcelo Barreto deixou o seu comando. É triste ver em um dia que temos Vasco x Flamengo, um programa que desde a escalada até a escolha dos convidados dá total prioridade ao jogo entre Santos e Corinthians, que, sejamos francos, é bem menos importante que o embate carioca.

CAPA TIMES VASCO X FLAA culpa não é só do apresentador/comandante do programa. É de toda a equipe que deixa que as origens do seu comandante se sobreponha ao óbvio peso de cada pauta. O tempo reservado para cada parte do programa, além dos comentários sobre, por exemplo, os melhores narradores do rádio brasileiro chega a ser impressionantemente triste.

Seria ótimo, pelo menos uma vez, assistir ao sempre excelente Carlos Cereto fechando o programa, o que significaria que o futebol de São Paulo só teve um bloco na grade do Redação.

#revolta

Sem resposta e sem desculpa

Algumas vezes uma música não ouvida por muito tempo nos traz lembranças de tempos e pessoas que merecem mesmo ficar no passado.

Viva o presente!

No Reply (Lennon/McCartney)

Egoísmo XIThis happened once before
When I came to your door, no reply
They said it wasn’t you
But I saw you peep through your window

I saw the light, I saw the light
I know that you saw me
‘Cause I looked up to see your face

I tried to telephone
They said that you were not home, that’s a lie
‘Cause I know where you’ve been
I saw you walk in your door

I nearly died, I nearly died
‘Cause you walked hand in hand
With another man in my place

Egoísmo XIIIf I were you I’d realize that I
Love you more than any other guy
And I’ll forgive the lies that I
Heard before when you gave me no reply

I’ve tried to telephone
They said you were not home, that’s a lie
‘Cause I know where you’ve been
I saw her walk in your door

I nearly died, I nearly died
‘Cause you walked hand in hand
With another man in my place
No reply, no reply

http://www.dailymotion.com/video/x2oym1n

A culpa é do foie gras

Foie Gras Pierre Champion IIA companheira Roberta Carvalho diz há anos que O Mundo É Estranho, e o Brasil parece fazer questão de ter um lugar de destaque nesse bizarro ranking de estranhamento. Seguindo as boas práticas do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, o atual prefeito de São Paulo – Fernando Haddad – resolveu criar um factoide para tentar tirar o foco do mar de lama, corrupção e crise que toma conta do país: sancionou a lei que proíbe a produção e a venda de foie gras na cidade de São Paulo.

Foie Gras Pierre ChampionComo todos sabemos, o foie gras é uma iguaria que faz parte da cesta básica de todo brasileiro, do mais rico ao mais humilde, e essa proibição deve causar um grande impacto nos hábitos alimentares da população, podendo gerar passeatas e grandes manifestações por conta da proibição.

Haddad disse (eu ouvi) que estudou muito a questão antes de decidir pela aprovação da lei. Bom saber que o prefeito da mais rica cidade do país prefere gastar seu tempo com uma questão primordial como essa do que perder tempo procurando soluções para a Saúde, o Transporte Público ou a Segurança, assuntos muito menos importantes.

Foie Gras Pierre Champion IIIAlguns vão dizer que esse texto tem conotação política, mas, na verdade, é apenas um veículo para expressar a minha indignação. Afinal, sempre lembro com carinho da loja de foie gras da Rue Mouffetard, lá naquela feia cidade europeia.

Viva os gansos!

Questões sociais em pauta: Déficit Habitacional e invasões

invasão sem teto IIO Brasil é um país peculiar. Essa frase – que repito faz mais de duas décadas – parece cada vez mais atual, principalmente quando entram em pauta assuntos como política, violência e políticas públicas.

Nos últimos meses, os noticiários têm mostrado mais e mais casos de violência e crimes graves praticados por menores e confusões em reintegrações de posse, o que faz com que muitas opiniões divergentes venham a público. Porém, o que mais surpreende é que as pessoas não cansam de (con)fundir questões totalmente independentes para cimentar seus pensamentos. Mais estranho ainda é que pessoas pseudamente esclarecidas (algumas que eu respeito muito) usem lógicas dignas dos nossos piores políticos para justificar suas posições. Vou me ater apenas ao problema das invasões de prédios e terrenos por foras da lei travestidos de população carente. Sei que só por usar o termo foras da lei já serei massacrado, mas não há outra designação melhor para essas pessoas.

Vamos deixar uma coisa clara: há realmente um grande déficit habitacional e é grande o número de pessoas que vivem em condições sub-humanas. Entretanto, também é de conhecimento de todos que é grande o número de oportunistas que se juntam a essas pessoas de bem para conseguir lucros, vendendo as habitações que ganham ou executando ações ainda mais revoltantes.

invasão sem teto IHá (sempre há) especialistas que aparecem com expressões como “esse prédio não está cumprindo o seu papel social”, para justificar invasões ilegais, se bem que toda invasão é ilegal! O problema dessas pessoas é que elas deturpam a função de um bem privado. Nenhum prédio tem função social. Caso os governos achem que ele está sendo utilizado de forma inapropriada, podem aumentar o IPTU, aplicar multas ou até mesmo desapropriar, mas jamais podem obrigar um proprietário a abrir mão de seu bem para qualquer utilização que não seja de seu interesse. Os proprietários podem até derrubar uma construção, já que é deles, certo?

Acho engraçado essas gangues travestidas de movimentos sociais exigirem moradias em locais nobres. Ninguém aceita ir morar nos subúrbios ou longe das regiões onde o poder aquisitivo e a valorização dos terrenos sejam maiores. Não dá nem mesmo para alegar que nessas regiões mais afastadas as condições de segurança e infraestrutura são ruins, já que isso acontece em todo o país, inclusive nas áreas nobres das grandes cidades.

É estranho ver imagens de invasões e ouvir depoimentos de pessoas que tem geladeira, freezer, dois televisores, computador e outros equipamentos, reclamando de que não tem para onde ir. Deve mesmo ser difícil encontrar um lugar onde não se paga aluguel, luz, gás e água, e ainda ter espaço para colocar todos esses pertences. Sempre fico pensando de onde essa gente veio e como um morador de rua pode ter geladeira e freezer. Deve haver uma explicação lógica. Vou perguntas aos especialistas.

invasão sem teto IIIEnquanto o país chafurda em escândalos, desgoverno e crise econômica, fica mesmo difícil esperar que nossos congressistas e governantes se debrucem sobre o assunto, que vem sendo ignorado por décadas e, portanto, não é culpa do governo A ou B.  Resta esperar que a ordem e o direito de propriedade sejam protegidos e que as soluções para o déficit habitacional voltem a ser tema de estudos nos gabinetes dos palácios e sedes de governos. Resta também esperar que todas as manifestações que tenham por objetivo prejudicar a população dessas cidades sejam coibidas e que as cidades não virem reféns desses grupos.

Atualização de último minuto

A moda agora é morar na Avenida Paulista, principal via da cidade de São Paulo, a maior do país. A justificativa para a montagem de barracas e acomodação das pessoas? “Aqui é mais seguro”, dizem os invasores.

Fecha o pano.

PS: Qual a solução ideal para o problema? Não sei. Mas sei que temos que exigir que as leis sejam cumpridas (por pior que elas sejam).

Olimpíada do Rio terá centro para evitar ataques

A violência dispara, a polícia parece impotente e a população se divide sobre a diminuição da maioridade penal. A Fifa, CBF e o futebol em geral afundados em escândalos e as Olimpíadas chegando….

Olimpíadas e violência no RioPalco dos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil se prepara para o evento em diversas frentes. Entre a construção dos equipamentos olímpicos e da infraestrutura do Rio de Janeiro (RJ) para receber atletas e turistas de todos os cantos do globo, a segurança é uma das agendas principais da organização.

Uma frente importante desse esforço é a defesa cibernética. O responsável pela montagem do aparato da área será o Exército. Para executar a tarefa, o Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro (CDCiber) contará com 200 especialistas, militares e técnicos, para atuar durante a Olimpíada.

A atenção, segundo o órgão, é para o risco de sites públicos e privados serem invadidos e terem informações roubadas por hackers devido ao baixo grau de maturidade em segurança da informação de alguns sítios. Os portais privados não são de responsabilidade governamental, mas receberão apoio técnico, caso sejam alvos de ataques cibernéticos.

O esquema de proteção é uma ampliação do que foi utilizado durante a Copa do Mundo de 2014. Na época, cem militares estiveram espalhados pelas 12 cidades-sede do evento. Além da proteção, os centros monitoravam redes sociais para evitar protestos violentos ou ação de terroristas.

Fonte: Agência Gestão CT&I

Perigo invisível: vírus ajudam criminosos a saquear caixas eletrônicos

664887-Como-evitar-golpes-no-cartão-de-crédito.1-600x600[1]O release abaixo me fez refletir em como a tecnologia pode ajudar a canalhice e a desonestidade. Recentemente fizeram saques indevidos na conta da minha mãe, que é aposentada. Resultado: o Banco Itaú se recusou a devolver o dinheiro porque “os saques foram feitos com o cartão e senha”. Ora bola, claro que foram. Indevidos, criminosos, mas foram com cartão e senha!

Ah, e eles cobram um “seguro” contra esse tipo de golpe. Fantástico!

Ameaças virtuais sofisticadas já desviaram mais de US$ 1 bilhão desde 2013

O crescimento do uso da tecnologia facilitou o desenvolvimento de soluções de proteção às contas bancárias e, consequentemente, proteção aos usuários. Só no Brasil, os bancos brasileiros gastam em torno de R$ 9 bilhões ao ano para proteger suas agências, principalmente os caixas eletrônicos, que se tornaram alvos frequentes de ataques e roubos nos últimos anos.

itau[1]Entretanto, uma nova forma de roubar dinheiro dessas máquinas tem se tornado muito comum. Softwares que permitem aos criminosos assumir o controle de caixas eletrônicos têm causado prejuízos às instituições financeiras e aos seus clientes, que, muitas vezes, são utilizados como instrumento para a fraude.

O software permite que, com a rede da instituição financeira infectada, o criminoso assuma o controle de caixas eletrônicos e programe o equipamento para liberar o dinheiro em um horário preestabelecido. Um comparsa, então, vai até o local, recolhe as notas e vai embora, concluindo a operação sem qualquer barulho ou fumaça.

O software (conhecido como Carbanak) já foi usado por gangues para atacar uma centena de bancos em pelo menos 30 países, incluindo o Brasil. A estimativa é que US$ 1 bilhão tenha sido desviado desde 2013.

Fonte: RMA Comunicação

Cheio de defeitos, mas com bom gosto

Van Gogh HaymakingVira e mexe somos acometidos por autoavaliações que nos fazem refletir sobre nossos (muitos) defeitos. Esses defeitos definem muitas de nossas ações e os rumos que tomamos. Para compensar temos que pensar no que temos de bom. No meu caso, o bom gosto para música e para as artes.

Viva Van Gogh, meu gênio preferido das imagens!

 

Cinco anos da tragédia do Morro do Bumba

Bumba EBC IIaHoje faz cinco anos da tragédia do Morro do Bumba, quando casas construídas sobre um lixão foram soterradas pelo “morro” que desabou durante uma forte chuva. Estive lá durante a primeira noite/madrugada, quando os trabalhos de resgate ainda tentavam encontrar sobreviventes.

O número de mortos nunca foi (e acho que nunca será) precisado, mas isso nem é o que me deixa mais triste. O triste mesmo é saber que depois de todo esse tempo nenhuma família recebeu as prometidas casas/apartamentos, até porque prédios foram construídos e depois demolidos, por conta das rachaduras que apareceram antes mesmo (graças a Deus) de alguém ocupar os imóveis.

Bumba EBC IIISobre a cobertura, posso dizer que foi doída e cansativa. As lembranças mais fortes são as escavadeiras encontrando partes de casas, carros e partes de corpos, o forte odor, a chuva incessante e a dor de todos que estavam lá, além da solidariedade dos moradores das redondezas com todos, inclusive os jornalistas.

Torço para que nunca tenhamos que cobrir um fato como esse que não foi uma tragédia natural, ao contrário do que aconteceu na Região Serrana do Rio, em 2011.

Força para todos os que ainda esperam um local digno para viver. Promessa de nossos governantes.

 

Fotos: EBC

Marketing ou intuição?

Revendo a foto que tirei em frente a loja do Everton (rival do Liverpool), fiquei pensando se a sacada foi feita por alguém especializado (um marketeiro) ou foi inventado por alguém normal. Claro que estudar as tendências e o comportamento do seu público é importante, mas sempre lembro que hoje, em 2015, mentes brilhantes jamais iriam permitir que uma churrascaria se chamasse Porcão, por exemplo. De qualquer forma, chamar uma loja que fica localizada em um shopping chamado Liverpool One de Everton Two é sensacional!

Everton 2

A influência do digital na vida dos brasileiros

Sempre digo que o Brasil é um país muito peculiar. O gosto do brasileiro pela internet e pelas redes sociais é imenso e, diria eu, surpreendente para um país ainda pobre, assim como é surpreendente o medo do comércio online. O estudo abaixo tem algumas informações interessantes.

Brazil onlineProtestos registrados e compartilhados nas redes sociais, influência do futebol, e-commerce em alta e força da TV vinculada à internet. Características do comportamento digital brasileiro foram mapeadas no estudo Digilats JWT 2013, realizado pela JWT ao longo do ano passado e início deste, em nove países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Porto Rico e Venezuela. “Em cada um dos mercados analisados pela pesquisa foram entrevistados mil adultos usuários de internet. O resultado do estudo é uma combinação dos dados com interpretações das áreas de estratégia dos diferentes mercados em que atuamos”, afirma Patrice Lamiral, diretor de design de serviços da JWT.

Entre as conclusões comparativas, fica nítida a afinidade dos brasileiros com as plataformas sociais conectadas. Em comparação com os demais países avaliados, as principais diferenças dos brasileiros, segundo o relatório, são:

  1. Brasileiros passam mais tempo assistindo à TV enquanto estão online

A TV no Brasil tem um papel muito importante. A publicidade na TV ainda representa 68% do total de gastos com marketing, o terceiro maior percentual no mundo. “Na maioria dos países desenvolvidos, o surgimento do digital fez com que o percentual de publicidade na TV caísse bem abaixo de 50% (38% nos EUA, 42% no Japão, 27% no Reino Unido). Um único canal de TV — a TV Globo — detém mais de 50% de toda a receita de TV no Brasil. É justo dizer que a audiência das novelas diárias equivale à audiência de um Super Bowl quase todos os dias”, diz o estudo.

 

  1. As críticas são mais importantes no Brasil que em outros países da América Latina

Os brasileiros estão mais inclinados a lê-las… e a criá-las. Os brasileiros querem ser ouvidos… e querem ouvir as experiências de outros. “Antes de 2013, o Brasil não era exatamente um lugar onde você imaginaria que as pessoas protestassem nas ruas. Obviamente, isso está mudando. À medida que a classe média cresce, os brasileiros estão exigindo mais dos produtos e serviços que compram”, afirma a JWT no relatório.

 

  1. Os brasileiros são os menos dispostos a trocar qualquer coisa por valor online

“Isto pode ser explicado pelo Jeitinho Brasileiro, um jeito muito peculiar com que cada brasileiro lida com todos os aspectos de suas vidas diárias — da resolução de problemas às interações sociais — que invoca a criatividade das pessoas para superar a adversidade. Em geral, o Jeitinho é positivo. Mas, às vezes – quando não causa dano direto a outros — os brasileiros encontram maneiras não convencionais – algumas vezes ilegais – de tirar vantagem”, diz o estudo. Como resultado, a pirataria se tornou um problema no Brasil.

 

De música, filmes e TV a cabo a cosméticos, os brasileiros invocam o “Jeitinho” para obter produtos e serviços. Assim, quando se trata de pagar ou de ter que compartilhar informações pessoais em troca de conteúdo online.

 

  1. Socialmente abertos, mas preocupados com a privacidade

“Os brasileiros se preocupam com a privacidade e com o excesso de exposição online. De fato, o Brasil é uma cultura governada por interações sociais e, portanto, estar conectado é crucial para se sentir socialmente incluído. As redes sociais fazem parte da rotina dos brasileiros, com 76% acessando-as diariamente. Este uso levou uma porção significativa dos brasileiros (dois em cada cinco) a ficarem “viciados” na web. Não é surpresa que este sentimento seja encabeçado pelos jovens”, analisa o documento.

 

E-commerce

O Brasil também se destaca na área em relação aos demais mercados avaliados pela JWT. Segundo o estudo, os brasileiros fazem mais pesquisa online antes de fazerem uma compra. Ainda de acordo com o documento, os internautas nacionais têm menos pontos de contato para pesquisa off-line do que qualquer outro país na região. Além disso, lojas exclusivamente online são mais populares no Brasil do que no resto da América Latina.

 

O que os resultados sinalizam para o mercado

 

Esteja online

A penetração da internet no Brasil ainda está abaixo da média regional, mas obviamente mostra potencial para um crescimento muito rápido, principalmente impulsionada pela explosão do acesso móvel. Ainda existem muitos desafios de infraestrutura, mas para as marcas, é fundamental estar online e oferecer respostas rápidas ao consumidor.

 

Tenha mobilidade

Com mais celulares conectados, as marcas precisarão investir em interfaces e adaptar seu conteúdo às telas menores. O sentimento geral é que o comportamento e necessidades do consumidor estão mudando rapidamente e as marcas estão lutando para acompanhar. Oferecer as ferramentas e aplicativos certos aos consumidores certamente impulsionará as vendas.

 

Privilegie o conteúdo

Como em muitos outros países, o conteúdo é uma importante alavanca para o envolvimento no Brasil. A questão agora é: Como conseguir o conteúdo certo, na hora certa, na tela certa? Ter uma equipe dedicada internamente e dentro da sua agência é uma solução. Alguns marqueteiros podem contratar profissionais com habilidades jornalísticas, outros estão testando soluções de crowdsourcing ou fazendo parcerias com empresas de mídia. Os custos de produção são um desafio chave, mas também precisamos pensar a respeito de estratégias ideais de distribuição.

Fonte: ProXXIma

Confira sete coisas que você não deve dizer ao pedir demissão de um emprego (ou que deve)

Pé na bundaAlgumas vezes gosto de publicar aqui alguns textos que vão diretamente contra muitos de meus pensamentos. Já disse que não coloco em alta consideração as ideias dos profissionais de RH (sorry, folks) e as dicas abaixo são daquelas altamente contestáveis. Afinal, você acredita que as empresas farão o mesmo com você (principalmente a primeira frase)?

A especialista em carreira, Dana Manciagli, explica que as pessoas comumente se arrependem durante a demissão por estarem agitados, nervosos ou inconscientes das consequências que uma palavra mal colocada pode vir a ter.

Confira abaixo uma lista com coisas que você não deve dizer ao pedir demissão:

“Estou deixando o emprego…hoje”

Nunca saia sem oferecer um tempo amplo para a companhia completar os procedimentos da transição.

“Esta é a pior empresa para a qual já trabalhei”

Aqui, a especialista fala que você está anulando qualquer possibilidade de voltar para a empresa, ou fazer com que aquela companhia tenha boas referências a seu respeito.

“Você não sabe gerir pessoas”

Insultos não levam a lugar algum, diz Dana. E também, segundo ela, são necessárias duas pessoas para se ter uma boa relação gestor-empregado.

“Ninguém é feliz aqui”

Não tente sugerir que as coisas estão indo mal pra você, mesmo que estejam.

“O valor pago pela empresa não é competitivo com o mercado”

Não faça isto questão de dinheiro. Mesmo que seja, tal atitude não será vista de modo positivo na sua carreira futura.

“Estou preocupado com o futuro da empresa”

“Eu não tinha nada para fazer”

Isto acaba soando como falta de iniciativa.

Fonte: Agência IN

O mapa eleitoral brasileiro – Governadores 2014 (1° Turno)

mapa dos governadores 2014Esse é mais um daqueles textos da série “Especialistas eleitorais comentam”, que andam infestando as redes sociais (embora esse seja escrito para um blog). Que me desculpe os coleguinhas que acham que podem interpretar o “recado das urnas”, mas não creio que eles ou qualquer outro ser vivo possa compreender o que aconteceu após esse 1º turno e a eleição de senadores e deputados.

O que me deixou mais feliz foi a constatação – que espero estar certa – de que o brasileiro se liga muito mais em pessoas do que em partidos. A prova disso é a divisão de forças nos governos estaduais. O PMDB acabou com quatro estados, o PT com 3, o PSDB com 2 e PSB, PDT, PSD e PCdoB com um cada. Claro que ainda faltam as definições do segundo turno e as mudanças que podem acontecer nessa divisão de forças, mas é uma tendência.

Aliás, tendência é um conceito que não foi muito exercido nessas eleições. A disparidade entre os eleitos varia (de análise para análise) entre esquizofrenia e diversidade. Só para lembrar alguns fatos, mais de 70% da população disseram que queriam mudanças, mas acabou votando nos filhos e netos de figuras carimbadas, além de nomes como Collor. Ou seja, não dá para entender muito (e eu nem citei os dois candidatos que vão para o 2° turno das eleições presidenciais).

Outro ponto interessante – apenas para ficar no universo do Rio de Janeiro – é a diferença de postura e orientação dos dois deputados (estadual e federal) campeões de voto no estado: Marcelo Freixo (PSOL) e Jair Bolsonaro (PP), respectivamente.

Se o povo mudou de ideia ou não encontrou alternativas verdadeiras, não sei. Sei que – novamente no Rio – o número de abstenções, votos brancos e nulos foi surpreendente e maior que a soma de muitos dos votos obtidos pelos principais candidatos ao governo do estado.

Esquizofrenia? Diversidade? Não sei.

* Veja como ficou o mapa final das eleições para governador.

Gentileza no Trânsito III

ponte_rio_niteroiJá faz algum tempo que a expressão gentileza no trânsito ganhou um status quase de mantra e de lei. O assunto já foi abordado por mim aqui, mas a atual situação do Rio de Janeiro (um verdadeiro canteiro de obras em todas as suas regiões) faz com que eu volte ao assunto.

Caros, conforme podem ver nos meus textos anteriores (links abaixo), não sou contra a gentileza, apenas acho que precisamos deixar claro o que é gentileza. Porém, antes mesmo disso, é preciso deixar claro algumas regrinhas básicas que todos os motoristas/motoqueiros/motociclistas deviam saber.

  • Carros e motos devem seguir as regras de trânsito. Isso significa que:
    1. Todos os veículos precisam trafegar em uma faixa e não ficar ziguezagueando;
    2. Todos podem trafegar em qualquer velocidade (mesmo acima das permitidas), porém é imperativo lembrar que a faixa da esquerda é reservada apenas para ultrapassagens e veículos em alta velocidade. Portanto, se quiser andar devagar vá sempre pela pista da direita;
    3. Faixas exclusivas para ônibus, BRTs e outros existem para que sejam respeitadas. Quem trafega por elas merece ser punido/multado;
    4. É sempre prudente manter uma distância segura do veículo que vai na sua frente, porém distância segura é sempre menor do que ô tamanho de um caminhão ou ônibus.
    5. Dirigir enviando mensagens pelo smartphone não é permitido;
    6. Seta não é habeas corpus para entrar na frente de ninguém.

Posto isso, uma conclusão: gentileza no trânsito não é dar passagem para quicar em anda ziguezagueando nas vias expressas, para quem burla os engarrafamentos usando as faixas exclusivas ou acostamentos e calçadas.

Gentileza no trânsito não é ficar distraído com seu telefone enquanto o trânsito se arrasta e outros motoristas tomam a sua frente, prejudicando aqueles que vêm atrás de você. Gentileza é respeitar os que seguem as regras e que estão atrás de você sofrendo com o engarrafamento e a falta de velocidade do nosso trânsito, é não fechar cruzamentos ou avançar sinais.

Está cada vez mais difícil sentir prazer atrás de um volante.

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