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Dicas de Viagem – Escócia – Parte IV – Um roteiro dos TOP 10 imperdíveis na capital

Edinburgh Castle

A capital da Escócia é um sonho! Duvido que alguém conheça e não caia de amores. E não interessa se o céu está azul e o sol brilha, ou se é um dia tipicamente escocês, com chuva e muito, muito vento.

Edinburgh é uma cidade linda e cheia de programas maravilhosos para fazer.

Mas o que não dá para perder numa primeira visita?

Para facilitar a vida de quem tem pouco tempo e quer ver só o principal, selecionei dez atrações imperdíveis em Edinburgh. Como já estava prometido uns posts atrás

Tive a chance de apresentar a cidade para alguns amigos, que ficaram curiosos de eu tanto falar. Para eles, costumo dizer, sem medo de errar: a Escócia é dourada.

Edinburgh também!

Apesar de ser bem cosmopolita, é uma cidade pequena para os padrões brasileiros. E para quem já conhece Londres, por exemplo. O que é melhor ainda!

Então, a primeira dica para quem vai é: conheça a cidade a pé!

Com uma arquitetura basicamente vitoriana, a sensação é que as coisas não mudaram muito por ali com o passar dos séculos. É a capital escocesa desde 1492.

Dividida em Old Town e New Town, tem muitas de suas ruas principais ligadas por vielas, ladeiras e escadarias. Por isso, para ir de um lado para o outro, prepare as perninhas para trabalhar!

1 – Castelo de Edimburgo

Construído a 120 metros de altura do nível do mar, o Edinburgh Castle é onipresente. Onde quer que você esteja ali no centro da cidade, ele está te vigiando. A estrutura, que já sofreu várias transformações e reconstruções ao lono do tempo, guarda mais de 1.400 anos de história.

A cidade nasceu em torno no castelo. Isso lá pelo século IX. A Castle Rock, montanha onde a construção foi erguida, é, na verdade, um vulcão extinto que, estima-se, esteve em atividade há uns 340 milhões de anos.

Irado, não?

Visitar o castelo é atravessar toda a história do país e da cidade. Foi moradia preferida dos reis da Escócia até a união com a coroa inglesa, em 1603, e seus dangeons serviram de prisão para os jacobitas, um pouco mais de um século depois. Também teve papel estratégico importante durante a segunda grande guerra para o exército britânico.

Do alto do pátio está uma das mais belas vistas da cidade. No interior, as Joias da Coroa escocesa (Crown Jewels) e a Pedra do Destino (Stone of Destiny), a famosa rocha onde os monarcas eram coroados, levada para Londres e foi devolvida à Escócia em 1996.

Dica de ouro: programe-se para estar no castelo às 13h em ponto. De segunda a sábado, o One O’clock Gun, um canhão que fica no Mills Mount Battery, é acionado — proteja os ouvidos!

2 – Royal Mile

Robert Fergusson

É a rua mais turística e movimentada da cidade. Na verdade, a Royal Mile é uma sucessão de ruas que descem do Castelo até o Palácio de Holyroodhouse.

A extensão entre um e outro é de exatamente uma milha — ou seja, quase dois quilômetros de subidas e descidas cheias de atrações.

Desde os primórdios, foi a rua mais importante da cidade. E mantém seu status. Um status tão importante que estou pensando em fazer um post especial com cada uma das paradas que devem ser feitas ao longo da Royal Mile, para você não perder nem um centímetro desses quase dois quilômetros.

Na foto, a estátua do notável poeta escocês Robert Fergusson, em frente à Kirk of Canongate, construída entre 1688 e 1691, na Old Town.

3 – Palace of Holyroodhouse

Se o Edinburgh Castle era o preferido da realeza escocesa, o Palácio de Holyroodhouse é o favorito da realeza inglesa há gerações. É a residência oficial da Rainha Elizabeth II quando está no país. E está aberta a visitação, para quem tiver um tempinho sobrando.

É possível passear por vários ambientes do palácio em uma visita guiada. Mas apenas quando a família real não está na área. Incluindo a Galeria de Artes da Rainha, que por si só já vale o bilhete.

Mas não deixe de visitar as ruínas da Abadia, nos jardins do palácio, que data de 1128.

4 – Holyrood Park & Arthur’s Seat

Ruínas da St. Anthony’s Chapel

O parque fica bem ao lado do Palácio de Holyroodhouse, com o luxo de ter uma enorme montanha só pra ele. Outro vulcão extinto.

O monte é conhecido como Arthur’s Seat e tem algumas trilhas que levam ao seu topo. As vistas para a cidade são as mais arrasadoras da região. Quem assistiu a Trainspotting 2 vai identificar logo o local.

Trainspotting 2

São 251 metros de altura. Mas a subida é muito mais tranquila do que pode parecer a princípio. E vale muito à pena. A vista é realmente de tirar o fôlego (tanto quanto a subida!), e pode se ver quase toda cidade e muito dos seus arredores.

No parque, as atrações são algumas ruínas e lagos — como a St. Anthony’s Chapel, que data de 100 —, que dão fotos espetaculares para guardar pro resto da vida.

5 – Grassmarket

Last Drop Pub, na Grassmarket. Prisioneiros eram executados em frente ao pub

A praça não fica muito distante da Royal Mile. É cheia de restaurantes e pubs; um lugar bacana para sentar e beber e ver o tempo passar.

Uma informação macabra é que a praça já foi local de execução pública. O nome de alguns pubs por ali fazem referência ao fato e não me deixam mentir.

6 – National Museum of Scotland

É a casa da ovelha Dolly! Tá lá o primeiro clone “britânico” empalhada no museu, que a Dolly é escocesa. O acervo do museu é bem diversificado e vale uma visita.

A melhor parte é a que conta muito da cultura e história do país, mostrando tradições e inovações tecnológicas.

A entrada é gratuita!

7 – Princes Street, Rose Street e Princes Street Gardens

A Princes Street é passagem obrigatória para quem cruza da New Town para a Old Town e vice-versa.

É a rua mais comercial da cidade, tipo um shopping a céu aberto. Lojas famosas como a Jenners, a Galerie Lafayette escocesa, estão ali.

Na rua paralela, a Rose Street é um grande calçadão. Cheia de pubs e restaurantes charmosos, é perfeita para descansar das compras e curtir uma boa refeição.

Se de um lado a Princes Street tem lojas e magazines, do outro fica um belo parque. O Princes Street Gardens tem pequenos cafés para lanches rápidos e diversos banquinhos para descansar — olhe a plaquinha ao sentar!

Passear por ali é uma delícia, sempre com vista para o castelo. Se estiver na cidade durante a primavera, não deixe de procurar pelo Floral Clock. O relógio de flores é o mais antigo do mundo e marca as horas de verdade!

8 – Scott Monument

O monumento que fica na Princes Street é uma homenagem da cidade ao popular escritor escocês Sir Walter Scott.

Sua torre de 61 metros de altura oferece uma vista incrível do centro e do castelo.

Subir os 287 degraus é para os fortes, mas compensa!

9 – The Balmoral

Hotel de luxo em pleno centro da cidade. Pode não ser pro seu bico, mas vale foto, especialmente ao anoitecer, quando seus contornos de arquitetura vitoriana ficam iluminados.

A construção data de 1895, resultado de uma competição financiada pela Scottish Railway para dar um up no turismo local. Do gaélico, The Balmoral significa morada majestosa. Em 1991, depois de ter sido trocado de dono, o hotel foi reinaugurado com presença de ninguém menos que Sir Sean Connery.

Em fevereiro de 2007, J.K. Rowling se trancou no quarto 230 para terminar a saga Harry Potter. Anos mais tarde, a escritora escocesa retornou ao mesmo quarto para ser entrevistada por Oprah.

10 – Calton Hill

Outra das montanhas bem no centro da cidade. A Calton Hill fica na New Town. O acesso é bem fácil, com subida pouco íngreme e com o caminho de pedras.

Para encontrar o acesso, é só seguir pela Regent Road e logo chega lá. O lugar também oferece um linda vista panorâmica da cidade e arredores. Do alto, pode-se ver o Arthur’s Seat e o porto de Leith, além de Portobello Beach.

Alguns dos monumentos mais famosos da cidade, como Dugald Stewart Monument, Nelson Monument e o National Monument, estão no alto do Calton, onde também acontece, tradicionalmente, a festa pagã de Beltane.

Texto de Débora Thomé

PS: A Querida Debinha é escocesa, embora seja do Méier. O que isso significa? Que o Méier deve ser um território escocês perdido no Brasil.

Dicas de Viagem – Escócia I

Dicas de Viagem: Escócia II – Qual é a melhor época do ano para conhecer a Escócia?

Dicas de Viagem – Escócia – Parte III – Afinal, o que não pode ser deixado de fora?

Outros posts sobre viagens e turismo

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Amizade com prazo de validade

Tendo a concordar

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Um dos assuntos que tenho refletido muito são sobre as amizades que deixamos para trás,  volta e meia o facebook me manda notificações de lembranças de posts antigos.

Fico pensando em como as coisas mudam e não nos damos conta, quantas vezes deixamos para fazer aquela ligação para depois e o depois nunca chega, digo isso por mim que sempre penso em dar uma ligadinha para aquele amigo que não falo há tempos e no final do dia acabo esquecendo, não por desleixo e sim pela correria do dia a dia.

Com o passar dos anos os contatos ficam cada vez menos frequentes, os assuntos ficam cada vez mais escassos, a gente vai mudando e nem percebe, até que um belo dia você resolve encontrar aquele amigo sumido e aí começam as mudanças notáveis, vocês já não compartilham os mesmos gostos, nada em comum para conversar e aquele silêncio desagradável no…

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O amor não é para amadores

Não é para amadores mesmo!

Mariel Fernandes

Um dia, tirei foto de um casal distraído. Pamorenso que o amar é assim, acontece aos que se dão por vencidos. E, não precisando mais, abrem mão de ter razão e passam a conversar entre si. Ninguém é feliz sozinho, como diria o poeta? Mesmo, mesmo?  Os amores são para amantes, não para iniciantes, esses que declamam coisas como “não posso viver sem você” e acham que isso é, sei lá, bonitinho. Se alguém me diz isso, antes de terminar a frase, estou a 200 quilômetros de distância e não vou pensar em parar antes de chegar a seguros 400 quilômetros. A não ser que seu amor seja seus pulmões, sim, você pode ser feliz sem ele ou ela. Diria que deve: ninguém encontra um amor que mereça esse nome se antes não for capaz de ser completo sozinho, que essa coisa da metade da laranja é conversa pra…

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Como descobrir um vinho estragado. Dicas, cheiros e cor.

Sabe quando o sommelier faz você degustar um pouco do vinho antes de servir para todo mundo na mesa? É para você provar e ver se a bebida aberta é um vinho estragado ou não. A questão toda é: você sabe identificar um vinho estragado?

Fonte: Como descobrir um vinho estragado. Dicas, cheiros e cor.

Coca-Cola com lata branca pelos ursos polares

A Coca-Cola anunciou hoje que pela primeira vez em sua história usará o branco como principal cor de suas embalagens em lata. A novidade vale apenas para os mercados dos Estados Unidos e Canadá: entre os meses de novembro e fevereiro, a empresa colocará mais de 1,4 bilhão de latas brancas de Coca-Cola nos pontos de vendas.

A ousada ação de marketing da Coca tem um lastro sustentável. É a primeira vez que o tradicional vermelho é trocado por outra cor na embalagem para apoiar uma causa: a da proteção aos ursos polares, mascote da companhia desde 1922.

Toda lata branca de Coca-Cola conterá um código para que o consumidor, caso deseje, efetue uma doação voluntária de US$ 1. A empresa fez uma doação inicial de US$ 2 milhões a World Wide Fund (WWF) – a maior organização independente de proteção à natureza – e pode entregar até mais US$ 1 milhão à entidade, dependendo do sucesso das doações dos consumidores.

Em alinhamento com a promoção da causa, ursos polares estamparão a latinha branca da Coca-Cola.

A embalagem promocional faz parte de uma estratégia para incrementar as vendas no outono e inverno na América do Norte, quando as vendas alcançam o auge durante as festas de final de ano e depois caem vertiginosamente.

Texto do Meio & Mensagem

Manual do Chefe Incompetente

Esse texto eu recebi faz algum tempo e estava aguardando uma data adequada para publicá-lo. Hoje é o dia.

Aposto como você vai reconhecer vários chefes e ex-chefes no texto. Eu vejo cada um….

Se você é chefe, descubra se a carapuça lhe serve. Se é subordinado, aprenda o que NÃO fazer quando chegar sua vez

POR ALESSANDRA FONTANA E MARCIA ROCHA

No dia 11 de setembro passado, a agência de notícias Reuters perdeu alguns funcionários no atentado ao World Trade Center, nos Estados Unidos. Um dos executivos da empresa, que tem escritório em Nova York, estava trabalhando em outro estado quando foi informado que um de seus subordinados havia morrido. Ele lembrou sem dificuldade o nome do profissional e os trabalhos que tinha realizado, mas, curiosamente, não conseguiu se recordar de seu rosto. O executivo ficou consternado ao se dar conta do absurdo da situação – afinal, tratava-se de uma pessoa com quem convivia. Por isso, sua primeira providência quando voltou ao escritório foi dedicar parte do tempo a uma conversa cara a cara com os outros funcionários. Fez isso para ter certeza de que não iria mais esquecer a fisionomia de nenhum deles. Essa história faz parte de uma das palestras do americano Robert Pasick, psicólogo organizacional e professor da Escola de Negócios da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e é um triste retrato de como anda a relação entre chefes e subordinados em pleno século 21. “Não que esse executivo seja um mau chefe, mas é fundamental que um líder se preocupe de verdade com sua equipe”, diz Pasick.

Incompetente no quê?
Na maioria das vezes, quando alguém diz que “fulano é incompetente” está se referindo às habilidades técnicas daquela pessoa. Acontece que saber fazer bem o trabalho é apenas uma das muitas competências que se exigem de um profissional hoje em dia, ainda mais de quem está no comando. No fim do ano passado, a consultoria PricewaterhouseCoopers fez um estudo com 12 empresas do porte da Alcoa, Algar, Natura e BankBoston sobre as dez qualidades mais valorizadas em um executivo que ocupa posto-chave. Entraram na lista pensamento estratégico, criatividade e inovação, e gestão de projetos e de mudanças. Liderança, trabalho em equipe e gestão de pessoas também fizeram parte do pacote – e é exatamente nessas competências que os chefes costumam escorregar. “Tenho a impressão de que as empresas se preocupam apenas com a excelência técnica de seus líderes e não os preparam para se relacionar com as pessoas”, diz a médica do trabalho Margarida Barreto. Outro estudo, feito pela consultoria KPMG no começo deste ano, chegou à seguinte conclusão: mais da metade dos 100 profissionais pesquisados deixou seu emprego por problemas de relacionamento com os superiores. “Quando o assunto é manter o funcionário na empresa, um bom chefe vale mais do que um salário compensador”, afirma Pasick.

Poderosos e imaturos
Sempre houve chefes incompetentes. Talvez eles tenham aumentado em número porque a guerra por talentos criou um problema muito sério nas empresas: na tentativa de reter seus funcionários mais competentes, muitas começaram a acelerar as promoções. “O resultado é que vários profissionais despreparados chegaram ao poder”, diz a consultora Irene Azevedo, da KPMG. O conceito de empregabilidade também deve ser levado em conta para analisar o desempenho de quem está no topo: é muito positivo que cada um se julgue responsável pela própria carreira, mas existem muitos profissionais que são promovidos e ficam à mercê da própria sorte, sem nenhum tipo de apoio da empresa. “É como se o simples fato de virar chefe tornasse a pessoa apta a exercer o cargo”, diz a consultora Maria Aparecida Rhein Schirato, da Rhein Schirato Consultores, e autora do livro O Feitiço das Organizações – Sistemas Imaginários (Editora Atlas). Além disso, os chefes costumam ter responsabilidades demais e autonomia de menos acabando por ficar engessados. Eles – principalmente os gerentes – vivem um papel ambíguo. “Têm de defender os interesses do dono da empresa, mas são empregados como qualquer outro funcionário”, observa Maria Aparecida.

Caçadores de auto-estima
Eis o cenário ideal para o surgimento dos torturadores psicológicos, aqueles chefes que tratam seus subordinados como inferiores. “Esses maus líderes, cada um no seu patamar da pirâmide organizacional, se valem do antigo bordão ‘eu mando, você obedece’ e aniquilam a auto-estima das pessoas”, diz Margarida. De 1996 a 2000, ela fez um levantamento sobre os casos de humilhação no trabalho e chegou a uma triste conclusão: o assédio moral é uma realidade nas empresas brasileiras (para saber mais sobre o assunto, acesse o site http://www.assediomoral.org). Uma das muitas pérolas corporativas que a médica coleciona é o e-mail que o gerente regional de um conhecido banco brasileiro mandou a outros 19 gerentes-gerais, seus subordinados: “Basta! Quem não entregar a lição de casa não vai passar de ano… Se tivermos outro fracasso neste mês, os culpados serão vocês, que não souberam levar seus subordinados a realizar as metas…” Margarida conta também o caso do gerente de uma companhia aérea que tem o hábito de subir na mesa e chamar a equipe de “cambada de incompetentes” e o de empresas que demitem seus funcionários por telegrama ou em reuniões coletivas.

Donos da verdade
Errar é humano e líderes também podem cometer erros, certo? Certíssimo, mas muitos deles erram, sabem disso e mesmo assim se recusam a dar o braço a torcer, com medo de perder a autoridade sobre os subordinados. “O que eles perdem é o respeito da equipe. As pessoas sabem quando estão sendo enganadas”, diz Irene, da KPMG. Se você quer sinceridade dos seus funcionários, deve dar o mesmo a eles. Discurso e ação têm de ser rigorosamente iguais. Senão, pode dizer adeus à confiança da equipe.

Nada de feedback
Deixar para dizer tudo depois é um pecado mortal porque torna a comunicação truncada e afeta o moral e a produção da equipe. As coisas devem ser ditas na hora – sejam elas boas ou ruins. “Se o comentário não for feito logo depois do ocorrido, não surte o efeito desejado”, afirma Maria Aparecida. Você deve elogiar ou chamar a atenção de seus subordinados quando os fatos ainda estão frescos na memória e na emoção deles. Só não vale fazer comentários atravessados, que humilhem o funcionário. Se não gostar de alguma coisa, chame-o para conversar a sós, em tom firme, mas sem deixar a delicadeza de lado.

Supervisores e nada mais
Muitos gestores agem como inspetores de qualidade, ou seja, só se manifestam depois que o trabalho está pronto, quando não há mais nada a fazer. O correto é acompanhar o processo, interferir e dar palpites enquanto as tarefas ainda estão sendo realizadas – afinal, estamos falando de um time. “O líder deve coordenar o trabalho e não apenas supervisioná-lo, como se estivesse à parte do processo”, diz Maria Aparecida.

Indispensáveis e insubstituíveis
Grande parte dos gestores não acredita que formar pessoas faça parte de suas atribuições, imaginando que, assim, vai garantir sua cadeira de chefe. “Eles confundem formar com adestrar”, diz o consultor Pedro Mandelli no livro
Muito Além da Hierarquia (Editora Gente). E formar pessoas dá trabalho, principalmente se a equipe foi treinada apenas para executar tarefas. O pior é que essa história de dar o peixe em vez de ensinar a pescar acaba se propagando para todos os níveis da hierarquia e deixa em evidência outra falha muito comum nas empresas: elas geralmente não preparam sucessores para o alto comando. Há um ditado perfeito para mostrar os riscos de agir assim: “Não seja insubstituível. Quem não pode ser substituído não pode ser promovido”. Se até Jack Welch, o ex-todo-poderoso da GE, preparou um sucessor, por que você não pode fazer o mesmo?

Motivação zero
Chefes que só estão preocupados com a competência técnica da equipe deparam com um problema sério: a falta de entusiasmo do grupo. Também pudera! Como você quer envolvimento e criatividade se está sempre pedindo às pessoas que se limitem a cumprir suas ordens? É seu papel fazer os funcionários se sentir parte fundamental do processo. Caso contrário, prepare-se para viver cercado por um bando de alienados. “Chefes que privatizam o sucesso e socializam os fracassos têm um time desanimado”, comenta Irene, da KPMG.

Toma lá, dá cá
Vânia Ferro, presidente da 3Com, diz que não costuma conversar com a equipe logo depois de uma reunião com seus próprios chefes, principalmente se a pauta do encontro foi a definição de metas e estratégias. Vânia prefere refletir um pouco antes de falar com seus funcionários. Assim, evita passar tensão ao grupo. Vânia é um exemplo a ser copiado! “Um bom chefe sempre se preocupa em filtrar as informações de seus superiores”, diz Irene. Considerando que, exceto o dono da empresa, todos têm um superior e alguém para chefiar, já pensou se você simplesmente se limitar a repassar as broncas que recebe? Trabalhar vira um verdadeiro inferno e, com o tempo, pode ter certeza de que sua produção e a da equipe vão ficar comprometidas. O segredo é aprender a falar a língua dos superiores e a dos subordinados.

Um pouco de psicologia
Alguns psicanalistas vão buscar na infância, na relação com os pais ou com quem assumiu esse papel, a explicação para a maneira como um profissional lida com a autoridade – seja na posição de chefe, seja na de subordinado. No livro The Practical Coach – Management Skills for Everyday Life (Editora Prentice Hall), Paula Caproni cita o trabalho de William Kahn e Kathy Kram, dois pesquisadores da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. Eles descreveram três comportamentos básicos que as pessoas têm em relação ao poder:

interdependente – aparece em indivíduos que foram criados por pais que, desde cedo, se preocupavam com suas necessidades. Para esse profissional, a autoridade é boa – até prova em contrário. Eles confiam em si mesmos e nos outros. Líderes assim costumam ter um ótimo relacionamento com seus subordinados. É comum ouvir deles as seguintes frases: “Não se preocupem, estamos juntos nessa” e “o que vocês acham que podemos fazer para ajudarmos uns aos outros?”

dependente – pais que alternam períodos de carinho com outros de indiferença criam insegurança nos filhos, que ficam sem saber quando podem ou não contar com eles. Ao se tornar chefes, essas pessoas terão a convicção de que devem cuidar da equipe e, com isso, provavelmente manterão seus funcionários sempre dependentes. Caso sejam subordinados, sua marca registrada será a submissão. São daqueles que acham que o chefe está sempre certo.

contradependente – esse comportamento é típico de pessoas que tiveram pais física ou psicologicamente ausentes na infância. Essas pessoas têm uma alta dose de autoconfiança e uma descrença total no mundo que as cerca. Para elas, o chefe é absolutamente dispensável. “Quando estão no comando, não se comprometem com seus subordinados e não dão a eles nenhum apoio”, diz.

Para corrigir padrões negativos de comportamento, encare a convivência entre chefe e subordinado como a relação entre dois seres falíveis. “Quanto mais um profissional sobe na hierarquia, mais dependente se torna dos outros”, afirma. Ou seja, você não é ninguém sem sua equipe e eles precisam do seu apoio para crescer profissionalmente. Como diz Mandelli: “É preciso ser um gestor além da hierarquia”. Então, estamos conversados?

PARA LIDAR COM UM CHEFE DIFÍCIL

Separe o que é seu – Analise cuidadosamente qual ponto de seu trabalho está sendo criticado pelo chefe. “Existem coisas que estão muito mais relacionadas à maneira como ele lida com o poder do que com o próprio funcionário”, diz Maria Aparecida Rhein Schirato, da Rhein Schirato Consultores.

Deixe para amanhã – Se o chefe está num mau dia, fale com ele depois.

Dê e peça feedback o tempo todo – Um sapo aqui, outro lá e, quando você perceber, já engoliu um brejo inteiro. Por isso, resolva as pendências assim que elas aparecerem.

Inclua-se na história – Não acuse o chefe quando for conversar com ele – afinal, o problema é seu também. O melhor é adotar um discurso do tipo “sua ansiedade está fazendo com que eu me desconcentre. Você me faz tantas cobranças que fico sem saber por onde começar”.

Converse no escritório – Já que o assunto é trabalho, a conversa deve ser na empresa mesmo.

Esfrie a cabeça – Se tudo o que você quer é gritar e sair batendo  porta, contenha-se! “Quem age dessa maneira mostra que não é profissional. E um mau chefe vai deitar e rolar com essa situação”, diz Maria Aparecida.

Faça uma limonada – Como é muito difícil encontrar alguém 100% incompetente, veja o que é possível aprender com seu chefe. “Se você tem um líder fraco, pode aproveitar para desenvolver sua autonomia”, diz a consultora Irene Azevedo, da KPMG. Só não entre naquela de ficar reclamando pelos cantos, porque não há nada mais antiprofissional – e chato – do que isso.

Quebre o silêncio – Isso vale principalmente para pessoas que estão sofrendo algum tipo de assédio. Quando for conversar com o chefe, faça-o na presença de uma testemunha. Se não resolver, converse também com o superior dele. “E, se o caso for grave, leve o assunto para fora da empresa, ao sindicato ou a um advogado”, diz a médica do trabalho Margarida Barreto.

DÊ NOME AOS BOIS

Se você está saindo da empresa porque não suportava mais conviver com seu chefe, deve deixar isso claro. Muitas empresas instituíram a entrevista demissional justamente com tal objetivo. No Grupo Algar, por exemplo, elas acontecem desde 1987. Lá, nenhum funcionário se demite ou é demitido sem passar por uma entrevista dessas – a menos que não queira. “Dessas conversas, colhemos informações importantes para nos aprimorarmos na gestão de pessoas”, diz Cícero Penha, vice-presidente de talentos humanos da empresa. Segundo Penha, a transparência faz parte da cultura da Algar e gerentes e diretores encaram as críticas como um instrumento valioso para melhorar seu trabalho.

Agora, se não existe esse recurso na empresa em que você está, o jeito é improvisar. Penha sugere uma conversa com o chefe. “Com a maior calma, exponha seus motivos e explique o que aconteceu”, diz. Segundo ele, é conveniente ter uma conversa idêntica com o responsável pelo departamento de pessoal. Vale também escrever uma carta em duas vias – uma para o chefe e outra para o RH. “A pessoa só não deve sair calada porque falar é o único jeito de mudar essa situação”, diz Penha. Melhor ainda se, além de críticas, o funcionário fizer sugestões. Aí, com certeza, mesmo estando de saída, vai ganhar vários pontos no currículo. “Profissionais que agem assim mostram que têm ética e ainda deixam as portas abertas.”

PECADOS CAPITAIS

Para chegar ao resultado publicado neste ano no Guia Exame 2001 – As 100 Melhores Empresas para Você Trabalhar, o Great Place to Work Institute analisou quase 28 mil questionários. Estas foram as queixas mais freqüentes dos funcionários ao avaliar a atuação de seus chefes:

Não têm um critério justo na hora de promover seus subordinados
• Nunca reconhecem quando alguém faz um bom trabalho ou um esforço extra
• Favorecem alguns funcionários
• Fazem politicagem
• São centralizadores e não envolvem as pessoas em decisões que afetam seu trabalho
• Não dão autonomia ao grupo
• Não sabem distribuir adequadamente as tarefas