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Jorge Vercillo ao Vivo no Ceará

Cantor e compositor fala sobre o CD e DVD ‘Luar de Sol’, que tem a música ‘Face de Narciso’ como carro-chefe

jorgevercilloluarAlguns nomes se destacam no cenário musical, seja por sua sensibilidade, criatividade ou trabalho de marketing. No caso de Jorge Vercillo, criatividade e sensibilidade se sobrepõem ao marketing. Sendo assim, falar de seu último trabalho – o CD e DVD Luar de Sol ao Vivo no Ceará – é oportuno, mesmo que um dos destaques do álbum, a canção Face de Narciso, já não esteja em cartaz com a novela Flor do Caribe, que terminou recentemente.

Vercillo falou  sobre o novo trabalho, que já conquistou plateias de todo o País.

O trabalho segue um caminho mais incomum, com várias canções de menor “apelo radiofônico”. Por que essa decisão?

São as minhas músicas preferidas que estão nesse DVD. Pude resgatar de antigos CDs algumas delas (como Raiou e Olhos de Nunca Mais ou Apesar de Cigano) que sempre foram queridas pelo meu público e ainda não tiveram um registro audiovisual. Esse trabalho traz à tona a minha musicalidade brasileira e nordestina. Face de Narciso tem uma levada de maracatu lento misturado com uma sonoridade de rock progressivo do Yes.

O repertório do novo show privilegia canções com sotaque mais brasileiro e nordestino, que não tinham tocado em rádio, mas muito conhecidas pelos fãs, como Numa Corrente de Verão em parceria com Marcos Valle, o samba ternário Raiou (Jorge Vercillo), Apesar de Cigano (Altay Veloso/Aladim Texeira), a arabesca Oração Yoshua (Jorge Vercillo / Paulo Feital).

O DVD mostra uma descontração feliz. Você gosta de se ver em vídeo, prefere apenas se ouvir ou não tem o hábito de revisar seus trabalhos depois de lançados?

Gosto de me ver sim, mas meu filho Victor, de seis anos, escuta tanto para tocar bateria em cima do arranjo que não aguento mais (risos). Ele está estudando bateria e o ídolo dele é o Claudio Infante, grande músico que tem tocado conosco.

Como gostaria que os fãs encarassem o Luar de Sol?

A ideia é que o público se surpreenda com conteúdo novo, mas se identifique com os sucessos novos e antigos que estão presentes.

O DVD registra 29 canções do show filmado em 18 de setembro de 2012, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza (CE), e é um dos registros mais genuínos já feitos pelo artista.

Recomendado!

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A ‘Dança’ de Jeff

Capa CD_Jeff AltaO cantor e compositor Jeff apresenta seu segundo disco solo Dança, com um naipe de participações mais que especiais. Com um som girando em torno da percussão, Jeff se aproveita das presenças de Marcos Suzano, Robertinho Silva, Pirulito e Adriano Sampaio, para criar um batuque próprio.

Como destaque estão canções como Ritual, Noite Carioca e São João, onde o cantor mostra que tem personalidade e talento para misturar Olodum, axé, Maranhão, maracatu, Angola, Guiné, Morro Azul e Rio Grande do Sul, entre muitas outras influências.

Mas, embora calcado no som da percussão, Dança tem arranjos que não se prendem ao comum. Desde a faixa que abre o CD (Ritual) até o último segundo de O Poeta das Quadras (que fecha o trabalho), o ouvinte pode encontrar surpresas que tornam o disco uma delícia de ser ouvido.

Kanye West – ‘Yeezus’

kanye-west-yeezus-artwork-officialRap é um ritmo que divide opiniões e infla egos, de fãs e artistas. Yeezus, sexto e novo disco de Kanye West, é cheio de pistas de que seu ego não tem nada de pequeno. Pelo menos, o disco mostra que ele tem talento suficiente para ser marrento. Talvez o ponto baixo do disco seja a capa (ou a falta dela), o que também pode ser considerado um ato egocêntrico de quem acha que não precisa se mostrar. Há apenas um adesivo na parte traseira da caixa do CD com os créditos das canções.

O álbum conta com a participação do Daft Punk – aumentando ainda mais o peso autobiográfico da canção I’m God (Eu Sou Deus) – e de outros convidados, realçando as inquietudes sociais e demais bandeiras do rap/hip hop. Yeezus pode não ter uma cara, mas é uma pancada sonora.

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Beale Street lança primeiro DVD

CAPA DVD BEALE STREET (2)Blues é uma paixão e fazer blues no Brasil não é para qualquer um. Por isso, fico feliz sempre que vejo um artista do gênero produzindo e lutando para manter viva a chama de um dos mais tradicionais e interessantes ritmos do mundo.

O power trio carioca Beale Street, uma das bandas de blues mais ocupadas do País, lança o seu primeiro DVD, com um repertório composto apenas por canções autorais e em português, sempre um perigo para qualquer artista. Formada por Ivan Mariz (Guitarra e vocal), Cesar Lago (baixo e vocal) e Beto Werther (bateria e vocal), a banda mostra força nesse Ao Vivo no Espaço Cultural Escola Sesc.

Para tornar o projeto ainda mais especial, o grupo conta com a participação de alunos da Escola SESC de Ensino Médio, todos na faixa dos 16 anos, em cinco das 11 canções do DVD, encorpando ainda mais o som da banda. Como não poderia deixar de ser, as músicas do Beale Street falam de coisas bem cariocas, como Primavera em Ipanema, e ícones do blues, como os Campos de Algodão.

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O último do Alice in Chains

Alice-In-Chains-The-Devil-Put-Dinosaurs-HereThe Devil Put Dinosaurs Here, mais recente registro de estúdio da banda norte-americana Alice in Chains, uma das atrações desta quinta-feira no Palco Mundo do Rock in Rio, reafirma que o grupo está longe de pendurar as chuteiras.

Quinto disco de estúdio e o segundo depois da morte do vocalista Layne Staley, The Devil Put Dinosaurs Here mantém a identidade do grupo na era pós-Staley – iniciada com Black Gives Way to Blue, de 2009.

Quem for ao Rock in Rio e ouvir antes ao disco, vai entender que o grupo não está de brincadeira logo na primeira faixa, Hollow, cheia de energia e com aquele tom heavy metal alternativo. Mas há muito mais para curtir e recuperar o rock que dá nome ao festival do qual farão parte. A faixa-título e a ótima Breath On A Window fazem o disco tocar, deixando um gostinho de quero uma faixa extra no ar.

Para quem não aguentava mais ver e ouvir artistas com repertórios que passavam longe do verdadeiro rock no RIR, Jerry Cantrell (vocais e guitarras), William DuVall (vocais e guitarras), Sean Kinney (bateria) e Mike Inez (baixo) devem chegar arrebentando para colocar as coisas no seu devido lugar. O Alice in Chains pode até ser classificada como uma banda veterana, mas ainda tem muita energia para queimar.

Bianca Gismonti – DNA de categoria

layoutdigiBianca_corte2.inddFilha do multinstrumentista Egberto Gismonti, a pianista cantora e compositora Bianca Gismonti lança seu primeiro trabalho solo – Sonhos de Nascimento (Biscoito Fino) – comprovando que o DBA musical faz toda a diferença. Mesclando temas instrumentais com canções letradas, Bianca demonstra segurança vocal e um domínio estupendo do piano, o que deve deixar o clã Gismonti bastante orgulhoso.

Os temas de Sonhos de Nascimento (como a ótima faixa de abertura – Festa no Carmo) não deixam de citar de alguma forma o som do pai, no melhor dos sentidos. Em alguns momentos (Filha de Acari) lembrando a cantora Joyce, e em outros dialogando com a voz e a percussão de Nana Vasconcelos (O Vôo de Hanuman), Bianca Gismonti marca com estilo o seu primeiro voo solo.

Mais um bom título lançado neste bom ano de 2013.

James Brown destruindo tudo no seu palco preferido

jamesbrownbestofJames Brown era um dínamo no palco. O rei do soul e do verdadeiro (e bom) funk incendiava toda e qualquer apresentação, não importando onde fosse o show, mesmo quando a idade já pesava ou as condições técnicas não ajudavam. Porém, era no palco do Apollo Theater, no Harlem, em Nova York, que o artista parecia se sentir mais energizado. A prova disso foram os quatro álbuns ao vivo que Brown lançou com registros feitos no Apollo – Live at the Apollo (1963), Live at the Apollo vol. II (1968), Revolution of the mind – Recorded live at the Apollo vol. III (1971) e Live at the Apollo 1995. Agora, para comemorar os 50 anos do lançamento do primeiro destes álbuns, a Universal Music despeja no mercado a (ótima) coletânea Best of live at the Apollo: 50th anniversary, que ainda traz dois registros inéditos gravados em 1972 para um disco que jamais foi lançado. Raridade total!

Best of live at the Apollo: 50th anniversary é perfeito para aqueles que ouvem a palavra funk e se arrepiam de medo (ou nojo). James Brown e sua banda (The Famous Flames) colocam fogo em tudo e todos nas 12 faixas do CD.

Feliz Sex Machine para todos.

 

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Os Lobos voltam a uivar

Considerada a maior banda niteroiense dos anos 60 e 70, o grupo Lobos, está de volta com nova formação, mas fiel à sonoridade psicodélica que os consagrou pelo País

Os Lobos IVOs que nasceram durante as décadas de 60 e 70 e que acham que a música brasileira da época se resumia ao movimento da jovem guarda, tropicália ou bossa bova, ritmos que encontraram seus principais expoentes no Rio e em São Paulo, podem se surpreender com o nome Os Lobos. Já os mais velhos, que viveram bem essa época, provavelmente vão se alegrar com a lembrança do nome, que é sinônimo de boa música.

Fundada por Cássio Tucunduva, a banda, que já contou em sua formação com nomes como Dalto – aquele Muito Estranho – e que teve grande sucesso com canções como Fanny, Cabine Classe A e Miragem, recentemente foi redescoberta pelos jornalistas Ana Maria Bahiana e José Emilio Rondeau, que utilizaram a sua música como tema do casal de protagonistas do filme 1972, volta aos palcos de Niterói com uma apresentação no Theatro Municipal, na próxima sexta-feira, dia 6.

Os Lobos IIICom um som que mistura, entre outros, Beatles, Byrds e Mutantes, Os Lobos foram (e são), provavelmente, a banda de maior destaque no cenário musical vinda desse lado da Baia de Guanabara, participando de festivais e até defendendo uma canção do então desconhecido Raul Seixas (Eu Sou Eu, Nicori é o Diabo). O grupo gravou alguns singles de sucesso e um LP  antológico – Miragem, de 1972 – que, agora, é relançado com faixas bônus pelo selo Discobertas, do pesquisador Marcelo Fróes.

O disco, uma viagem rock-psicodélica por influências tropicalistas, pode ser equiparado ao melhor dos Mutantes, mostrando que já naquela época o rock brasilis made in Niterói era de primeira qualidade, e não merecia todo o tempo em que ficou fora de catálogo. “O que nós fazíamos na época era o que a maioria das bandas fazia (amavam os Beatles e os Stones). Cada um tinha uma influência. Nossas músicas, mesmo as mais rock, tem algo de harmonia que é um pouco diferente, a lá The Mammas & The Papas. E, claro, nós parecemos um puco com Mutantes porque nós somos da mesma época, com algumas letras viajantes, som psicodélico e também tínhamos uma voz feminina”, explica Cássio Tucunduva, guitarrista, vocalista e um dos fundadores do grupo.

Os Lobos IApesar do sucesso nas rádios e da possibilidade de alcançar um prestigio nacional e internacional que rivalizasse com a banda formada por Rita Lee e os irmãos Antunes, Os Lobos se separaram no início dos anos 70, deixando para trás um futuro promissor. Uma reunião ainda aconteceu em 1991, quando o grupo se juntou para gravar um disco e inaugurar o selo Niterói Discos, patrocinado pela prefeitura, mas a volta definitiva só veio mesmo a acontecer em 2013. “Banda de rock sempre briga e com Os Lobos não foi diferente. Houve muita guerra de egos, já que éramos muito jovens e não tínhamos um Brian Epstein (empresário dos Beatles) para segurar a nossa onda. Fizemos  discos com repercussão, vários programas da TV com nomes como Elis Regina, etc, mas a gente não se dava conta do que representávamos”, explica Cássio.

Capa LOBOS-okA formação que sobe ao palco do Municipal de Niterói conta com dois integrantes originais – Cássio e o vocalista Antonio Quintella – e um apanhado de músicos mais jovens – Denise Pinaud (voz), Rogério Fernandes (baixo), Danielli Espinoso (teclado) e Francesco Nizzardelli (bateria) – que dão sangue novo ao som do grupo, apesar do repertório do show ser quase que totalmente calcado nas canções do álbum Miragem e nos singles anteriores. “Os membros do grupo original já estavam com as profissões consolidadas e foi difícil reunir todo mundo. Escolhemos a dedo os membros da nova banda, conta Antonio Quintella, o outro integrante da primeira formação que subirá ao palco do Municipal.

O espetáculo dessa sexta promete ser uma viagem no tempo, com canções interpretadas com seus arranjos originais, um bom teste para ver se a magia dos Lobos ainda encanta.

“O show vai ser baseado nas músicas antigas, com arranjos originais. Fiz uma versão pra Drive My Car (O Lobo te Ama), dos Beatles, que será a única inédita do show. A intenção é mesmo celebrar a volta e mostrar o som que nos deu destaque no cenário nacional”, diz Cássio.

1Estrada e novas canções

Mas os planos para a volta dos Lobos são bem mais ambiciosos. No horizonte, existe a ideia de uma grande turnê, além do lançamento de um CD com novas composições.

“Montei um estúdio em casa e pretendo fazer coisas novas e releituras das canções antigas. Tem coisas minhas e do Dalto que não foram lançadas e são boas. Há muito material guardado. Além disso, estamos fazendo contatos com empresários para fazer uma turnê longa no Brasil e exterior” revela Tucunduva.

 

Serviço
O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua XV de Novembro, 35 – Centro de Niterói. Às 21 horas.
Ingresso: R$ 30 inteira e R$ 15 meia entrada.
Censura: Livre.
Telefone: 2620-1624.

Fotos: Evelen Gouvêa

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Johnny Cash ganha autobiografia

Com uma vida marcada por altos e baixo, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June, ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash

CashJohnny Cash, um dos principais nomes da country music norte-americana, um dos principais artistas da Sun Records, o mesmo selo de nomes como Carl Perkins e um tal de Elvis Presley, volta aos holofotes. Com uma vida marcada por altos e baixos e muitas confusões, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June (2006), ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash.

O livro, escrito em parceria com o jornalista Patrick Carr e publicado pela Editora Leya, é praticamente uma leitura obrigatória para quem gosta de saber dos bastidores da vida dos astros da música, embora alguns episódios possam estar um tanto amenizados, embora o vício em anfetaminas, por exemplo, não tenha sido deixado de lado, já que teve papel importante em vários momentos da carreira do músico, que também se aventurou pelo cinema e apresentou um programa na TV. Belo registro de uma das figuras mais icônicas da música norte-americana.

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Nunca tem fim: um direto de esquerda do O Rappa

O Rappa Nunca Tem Fim...Nunca Tem Fim…, o primeiro disco de inéditas do grupo em cinco anos é um soco certeiro de esquerda, daqueles de nocautear o mais sólidos dos ouvintes. Já na capa do disco Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias e Marcelo Lobato, aparecem com traços de super-heróis, deixando a dica de que a banda continua com toda a força.

Se o som é a mesma porrada sonora característica dos álbuns e shows anteriores, as letras estão muito menos reflexivas e complexas. Parece que essa é a principal consequência da ausência de Marcelo Yuka, responsável por grande parte das letras da banda, que agora recorreu a parceiros da antiga, como Marcos Lobato e Lula Queiroga.

As dez faixas, que não incluem o jingle Vem pra Rua, gravado para o comercial de uma montadora de automóveis e que acabaou virando tema das manifestações que explodiram pelo país em junho, seguem o passo firme da discografia da banda, de maneira até mais satisfatória do que o irregular 7 Vezes.

Destaque para O Horizonte É Logo Alí, Anjos (Pra Quem Tem Fé) e Um Dia Lindo (que conta com a participação de Edi Rock, dos Racionais MCs).

O início da Rainha Rita Lee

tres-tons-de-ritaColeção ‘Tons’ relança ‘Build Up’, ‘Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida’ e ‘Atrás do porto tem uma cidade’, os três primeiros discos solos da roqueira

Assim como Erasmo Carlos pode ser considerado o pai do rock no Brasil, não há dúvidas de que Rita Lee é a sua Rainha. Debochada, irreverente, alegre e sempre ousada, Rita, que ultimamente anda calada, sem dar declarações e longe das redes sociais por conta de um entrevero com alguns PMs de Sergipe, em um de seus shows em 2012, ela tem seus três primeiros discos solo relançados na coleção Tons, da Universal Music.

Build Up (1970), Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida (1972) e Atrás do porto tem uma cidade (1974), formam um conjunto sonoro ainda longe do que viria a consagrar Rita em meados da década de 70 em diante. Musicalmente, Build Up é uma salada mista produzida por Arnaldo Baptista e que tem como destaque a faixa José. Já Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida é, na verdade, um disco dos Mutantes, embora creditado somente a Rita. Talvez por isso seja o mais interessante musicalmente, podendo ser considerado o último trabalho da banda com a sua formação original, já com as influências do rock progressivo, que iria calcar a produção dos Mutantes pós-Rita. Para fechar a caixa, Atrás do porto tem uma cidade, primeiro registro de estúdio de Rita com o grupo Tutti Frutti, fiéis escudeiros da Ovelha Negra nos anos 70, e já aponta para o mix pop/rock que iria nortear o sucesso radiofônico da cantora.

Simplesmente essencial!

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João Senise estreia com clássicos americanos

Filho do flautista e saxofonista Mauro Senise, João arriscou ao criar novas versões de clássicos americanos

João SeniseComo se não bastasse ser filho do flautista e saxofonista Mauro Senise e afilhado do pianista Gilson Peranzzetta, João Senise é um cantor de mão cheia e que soube aproveitar as diversas participações especiais e um repertório calcado em clássicos do cancionário norte-americano, para criar um álbum de estreia – Just in Time – de primeira linha.

A escolha foi tão certeira quanto arriscada, pois, afinal, criar novas versões para temas tão conhecidos como All of Me ou Cheek to Cheek, por exemplo, é sempre uma tarefa perigosa. Porém, o piano de Peranzzetta, o sax do pai Senise e mais as vozes de Sofia Vaz e Ivan Lins, assim como o contrabaixo de Zeca Assumpção e a bateria de João Cortez, entre outros, criam uma atmosfera perfeita para a voz aveludada de João.

Mas Just in Time é mais do que apenas recriações de clássicos norte-americanos. Até agora, o melhor disco de estreia do ano.

Coletânea “Violão Ibérico” comprova a qualidade de instrumentistas brasileiros

Violão Ibérico, que teve origem após o lançamento do livro homônimo do jornalista espanhol Carlos Galilea, reúne canções de mestres que levaram o violão ao Olimpo

Violão IbéricoHá algumas verdades incontestáveis na música brasileira. Uma delas é que o País é um celeiro de cantoras, outra de que o samba é o ritmo mais recorrente e que o violão é o instrumento mais nobre e bem tocado dos usados na MPB. A coletânea Violão Ibérico, que teve origem após o lançamento do livro homônimo do jornalista espanhol Carlos Galilea, reúne canções de mestres que levaram o violão ao Olimpo. Baden Powell (É de Lei), Raphael Rabello (Graúna), Yamandu Costa (El Negro Del Bianco) e Guinga (Cheio de Dedos) já valeriam a compra do disco, mas há muito mais nas 12 faixas do CD.

A coleção ainda contou com a benção de outro grande instrumentista brasileiro, Turíbio Santos, que, infelizmente, não está representado musicalmente no disco, mas escreveu um belo texto sobre o projeto e sobre o instrumento.

O violão se basta. Ele é polifônico e tem linda sonoridade. O violão bem tocado inspira compositores a copiarem a orquestra dentro do violão”.

Chega ao Brasil ‘Blurred Lines’, novo álbum de Robin Thicke

Sucesso do álbum, que já conquistou o topo da Billboard, é trilhado por um caminho já desbravado por outros artistas como Michael Jackson e Justin Timberlake

Robin-Thicke-Blurred-Lines-Album-CoverBlurred Lines, sexto disco de estúdio de Robin Thicke é um típico caso de sucesso trilhado por um caminho já desbravado por outros artistas. O estrondoso êxito do álbum – primeiro lugar na Billboard, Inglaterra e Escócia – só pode ser explicado por uma carência de novidades que realmente valham a pena.

O artista, que formatou sua carreira no R&B e já escreveu canções para pesos pesados da indústria fonográfica como Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Usher e Mary J. Blige, parece ter colocado Justin Timberlake e Michael Jackson em um liquidificador e adicionado um pouco de açúcar para criar as canções do CD. Dançante e animado são boas definições para Blurred Lines, mas não explicam o sucesso comercial.

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Joe Bonamassa: A “Esperança Branca” do blues

Confira a entrevista que o guitarrista me concedeu (por e-mail).

Joe Bonamassa IO blues, assim como o boxe, o samba e as modalidades de corrida no atletismo, é um campo dominado por pessoas da raça negra. Vez ou outra surge um nome de destaque que acaba ganhando o apelido de “A Nova Esperança Branca“. Da mesma forma que aconteceu com gente como Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, o guitarrista Joe Bonamassa é o nome da vez e volta a se apresentar hoje para a plateia carioca no Vivo Rio.

Desde o lançamento de seu primeiro disco solo – A New Day Yesterday (2000) – já se passaram 13 anos, mais dez discos de estúdio, cinco discos ao vivo, quatro DVDs, um grande número de prêmios e colaborações com artistas como  B.B. King, Eric Clapton, Beth Hart, Paul Rodgers e Leslie West. Com dois lançamentos recentes – um ao vivo – An Acoustic Evening at The Vienna Opera House (2013), e outro de estúdio – Driving Towards the Daylight (2012) – o músico continua sua trajetória de sucesso.

Admirado por bluseiros brasileiros, como o também guitarrista de blues Big Gilson – “O Joe Bonamassa é incrível. Sem dúvida o maior nome do blues contemporâneo da atualidade”, Bonamassa, ao contrario da maioria dos bluseiros, foge da normalidade e ao invés de grandes nomes do blues americano, como Howlin’ Wolf ou Muddy Waters, diz que os discos que mais o influenciaram foram John Mayall & the Bluesbreakers with Eric Clapton, Rory Gallagher Irish Tour e Goodbye (do Cream).

Essa não é a sua primeira vez no Brasil. Você mantém algum contato com músicos brasileiros?

JB – Renato Neto (tecladista e produtor) é um dos meus músicos favoritos em todo o mundo, se não for o favorito! Nós tocamos juntos na banda Rock Candy Funk Party (que interpreta clássicos dos anos 70 e 80) e foi ótimo.

Joe Bonamassa IIAlguma lembrança dos shows que já fez no Brasil?

JB – Grandes fãs e ótimos palcos.

Depois da canção Further on up the Road (gravada no disco at Royal Albert Hall), com Eric Clapton, você disse: “Essa é a coisa mais legal que eu já fiz na minha vida”. O que Clapton significa para você?

JB – Eric foi e é tão generoso com o seu tempo e seu talento…Aqueles seis minutos significaram o mundo para mim. Eu jamais poderei retribuir o que ele fez.

Quais artistas novos você costuma ouvir?

JB Joanne Shaw Taylor e Robert Cray– ele ainda é razoavelmente novo.

E quem é o seu guitarrista preferido da nova geração?

JB – Joanne é a minha favorita, porque ela compõe realmente bem e faz grandes solos. Não são muitos os que fazem isso.

Infelizmente, muitos dos grandes nomes do blues estão envelhecendo ou morrendo. Você vê um futuro para o blues?

Joe Bonamassa IIIJB – Se algum jovem pega uma guitarra ou escreve uma canção de blues que signifique algo para as outras pessoas, tudo bem.. Caso contrário, estamos ferrados (risos).

Alguns nomes desapareceram depois de fazerem muito sucesso (Robert Cray, por exemplo). Como você explica o seu sucesso por tanto tempo?

JB – Não consigo explicar esse sucesso. Honestamente, esses últimos cinco anos tem sido como um tornado.

Você se considera um dos artistas que têm a responsabilidade de levar o blues para as novas gerações?

JB – Eu me considero responsável por eu mesmo e pela música que eu faço. Fora isso, melhor deixar a internet fazer o julgamento.

Joe Bonamassa IVComo um guitarrista como você (que é mais “elétrico“) viu a “onda acústica” dos anos 90?

JB – Yeah… Eu adoro esse tipo de música, somente gosto mais de uma Les Paul.

Qual foi o melhor show que já assistiu?

JBBB King no Hampton Beach Casino Ballroom, em 1991. Eu fiz a abertura do show e quando ele cantou Guess Who em sol menor, eu chorei. Foi a melhor música que eu já ouvi.

O que você espera do show no Rio?

JB – Barulho e solos com muitas notas.

Alguma mensagem para os fãs brasileiros?

JB – Obrigado! O que mais eu posso dizer?

Serviço:
Joe Bonamassa
Local – Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Data: 11 de agosto (domingo)
Horário: 20h
Preço: De R$ 180 a R$ 500



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Retorno dos Beach Boys rende álbum ao vivo

CD duplo traz 41 faixas da turnê realizada pelo quinteto em comemoração aos 50 anos da banda

bboys50thA breve reunião de Brian Wilson, Al Jardine, Mike Love, Bruce Johnston e Dave Marks, que resultou no sensacional álbum That’s Why God Made the Radio e uma curta turnê comemorando os 50 anos do grupo, também foi perpetuada com o lançamento do DVD e Blu-ray Live in Concert – The 50th Anniversary Tour (leia aqui a crítica do DVD). Agora é a vez do registro em CD da turnê, com o CD de mesmo nome. Se o filme da turnê trazia 21 canções, o CD (duplo) é bem mais abrangente, oferecendo 41 faixas do longo catálogo da banda. Infelizmente, apesar das harmonias ainda terem alguma magia, o som do CD não esconde a fragilidade das vozes de Mike Love e de Brian. A mixagem também não privilegia as guitarras e deixa as harmonias vocais um tanto indefinidas.

Pode até ser que a atitude mesquinha de Mike Love de demitir Brian, Al e Dave e seguir pelo mundo usando o nome The Beach Boys pelos quatro cantos do mundo, influencie na hora de ouvir este The 50th Anniversary Tour.

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She & Him lança novo álbum e cria um pop nostálgico de qualidade

A dupla está de volta com Volume 3, trabalho que consolida o talento de M. Ward e Zooey Deschanel. O disco é recheado de citações ao som da década de 1960

She-Him-Volume-3O duo She & Him – formado pelo cantor, produtor e guitarrista M. Ward e a cantora e compositora Zooey Deschanel – lança seu quarto álbum (o terceiro autoral): Volume 3, distribuído no Brasil pelo selo Lab 344. As 11 canções – todas compostas por Zooey Deschanel – são uma evolução do som apresentado nos volumes 1 e 2, com o som pop do início dos anos 60 ainda servindo como grande inspiração. Há momentos onde podemos reconhecer o som dos Beatles e algumas harmonias dos Beach Boys, tudo isso com um toque de modernidade que já serviria como passaporte para ser catalogado como um dos bons lançamentos do ano. Mas o que realmente impressiona é a qualidade das composições de Zooey e a precisa produção de Ward. A união da dupla cria um bolo pop/nostálgico, sem soar saudosista.

Para os que se entusiasmam com a falta de inspiração melódica da música atual, She & Him dá uma aula de como um bom disco pop deve soar: com melodia, harmonia e boas letras.

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Lu Oliveira lança seu primeiro CD, ‘Sou Eu’

Produção do álbum é assinada por Zé Renato

Capa CD Sou Eu - Lu OliveiraNiteroiense (carioca de coração), leonina, vascaína e portelense, a ex-publicitária Lu Oliveira, lança seu CD de estreia, Sou Eu, cercada de ótimas expectativas e a produção de ninguém menos do que Zé Renato, um dos cantores e compositores mais elegantes da sua geração – e também integrante do grupo vocal Boca Livre -, o que já sinalizaria como uma artista de respeito. Porém, se alguma dúvida pairava sobre o trabalho de Lu, os textos de João Pimentel e Roberto Menescal sobre ela servem para aumentar ainda mais a expectativa sobre o seu trabalho.

Desde a primeira faixa – Sou Eu (Luanne) – até a última – Delírio dos Mortais – fica claro o cuidado com a escolha do repertório, que passa por autores como Moacyr Luz, Dori Caymmi, Edu Lobo e Chico Buarque, João Donato e o próprio Zé Renato.

A elegância dos arranjos e as interpretações de Lu, principalmente em números como Mulata (Maurício Coutinho/Rui Aragão) e Delírio dos Mortais (Djavan), onde mostra segurança e personalidade, oscilam um pouco de faixa para faixa.

Marcado principalmente pelo samba, Sou Eu é daqueles trabalhos que impressionam pela ótima produção e pelos arranjos pra lá de elegantes. Lu Oliveira acertou em quase tudo nesse álbum de estreia.

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Steve Vai está de volta

The Story of the Light é lançado após oito anos sem um disco de estúdio

storyoflight_finalUm dos mais virtuosos guitarristas do rock, Steve Vai volta, depois de oito anos, com o álbum The Story of the Light, que conta a segunda parte da trilogia iniciada com o álbum Real Illusions: Reflections (2005).

O hiato entre os dois trabalhos pode até dificultar o entendimento da história – que já é um tanto louca, mas que nem importa tanto. “As canções são todas baseadas nos personagens da história, mas não estão na ordem certa. A terceira parte dessa trilogia, que eu farei algum dia, será similar”, explica Vai.

Com a técnica apurada, Vai desfila seu leque de distorções, dedilhados, riffs e solos, que o fizeram vender mais de 15 milhões de discos durante a carreira. Os arranjos, onde sintetizadores também ganham destaque, criam uma atmosfera um tanto épica em torno das canções.

Vai canta em algumas das faixas, recebe convidados em outras e, como não poderia deixar de ser, usa sua guitarra como vocalista em alguns instrumentais bastante interessantes, como Velorum. Caso alguém encontre similaridades entre o som de Steve Vai e o de outro ícone da guitarra, Ed Van Halen, vale lembrar que Vai apareceu para o mundo como guitarrista da banda de David Lee Roth, o eterno frontman do Van Halen.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Amy Grant volta com sensibilidade

Cantora lança o disco – How Mercy Looks From Here

amy-grant-amygrant_howmercylooksfromhere_20130409 (1)Com a Jornada Mundial da Juventude recém-iniciada, o novo disco da cantora e atriz norte-americana Amy GrantHow Mercy Looks From Here (EMI) – cai como uma luva para embalar os dias que comemoram a vinda do Papa Francisco ao Brasil. Amy, que já vendeu milhões de discos ao redor do mundo e ganhou até uma estrela na calçada da fama, dedica o álbum a sua mãe, Gloria Napier Grant, morta recentemente e que serviu de inspiração para muitas das canções, sempre com um cunho religioso, mesmo as com um ritmo mais alegre.

O disco é recheado de convidados, com destaque para James Taylor (Don’t Try So Hard) e Carole King (Our Time is Now). A voz de Taylor, principalmente, encaixa muito bem na temática da canção e rendeu um single que ajudou o álbum a emplacar o primeiro lugar na parada de discos cristãos da Billboard norte-americana.

A produção de Marshall Altman e o elenco de convidados não deixa que o disco caia na mesmice dos temas religiosos. How Mercy Looks From Here é, antes de mais nada, uma obra musical, e das boas!

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense.

O ‘Motel Maravilha’ de Rodrigo Santos

Rodrigo Santos - Motel MaravilhaO baixista do Barão Vermelho, Rodrigo Santos, aproveita a nova parada do grupo para retomar a sua carreira solo com o lançamento de Motel Maravilha, seu primeiro lançamento desde Waiting on a Friend (2010), quando regravou canções de grandes nomes do rock e do DVD Ao Vivo em Ipanema, quando fez um balanço da carreira.

São 11 músicas – todas elas de autoria ou coautoria de Rodrigo. Surpreendentemente, nenhuma das composições tem como parceiro o amigo Frejat.

“Na verdade, não rolou com nenhum dos Barões, mesmo sendo o Frejat meu parceiro mais constante. Não tivemos muito tempo para isso, ensaiamos a pampa, fizemos muita divulgação e 25 shows da turnê, num curto espaço de tempo. Ainda assim, quase entrou uma parceria minha com Guto e cheguei a mandar uma letra para o Frejat aos 48 do segundo tempo, mas não conseguimos ir adiante, pois a banda parou em abril. Não quis misturar tanto as coisas também. Se rolasse seria natural, mas vim mostrando na estrada para cada um deles as canções que iam ficando prontas e escutando as opiniões deles, foi bem bacana!”, conta Rodrigo.

O destaque do disco, que tem pegada pop/rock da boa, é a música Me Dá Um Dia a Mais, que foi escrita com o ex-Police Andy Summers, que também toca guitarra na faixa.

“Tenho várias composições com o Andy, mas resolvi colocar apenas uma, para dar mais espaço para o que produzi com outros parceiros também”, explica.

Motel Maravilha chega com uma capa tão colorida quanto o seu conteúdo: pra cima, pessoal e cheio de amor. Rodrigo Santos pode não ser um cantor tão seguro quanto Frejat, mas sua alegria contagia e transforma Motel Maravilha em um bom disco para quem gosta de rock.

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Ouvindo a voz do povo, Joyce Moreno lança seu novo CD, ‘Tudo’

Depois de lançar CD no Japão, cantora traz para o Brasil seu mais novo trabalho, que reúne canções inéditas e recentes da artista. Projeto é o primeiro de inéditas em uma década

digipak TUDO.inddDona de uma das carreiras musicais mais singulares dentre os artistas brasileiros, com vários trabalhos lançados no exterior, onde passa boa parte do tempo excursionando, Joyce Moreno, sempre lembrada por sucessos como Clareana, Feminina, Monsieur Binot e Da Cor Brasileira, lança Tudo, seu primeiro CD de inéditas em uma década, depois de uma consulta ao público que lota seus shows.

“Eu tinha dois trabalhos novos por lançar, ambos recém-saídos no exterior: Rio, um disco solo com canções sobre a cidade, e Tudo, meu primeiro CD totalmente autoral depois de Banda Maluca, de 2003. Tive que fazer essa “Escolha de Sofia” e não queria tomar a decisão sozinha. Então, distribuía papeizinhos para que as pessoas votassem. Fiquei super contente que o público tenha escolhido Tudo, que talvez fosse mesmo a minha opção. As pessoas parecem estar um pouco cheias de ouvir regravações, por mais legais que elas sejam”, explica a cantora.

Em ótima forma

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.Tudo, que foi lançado primeiro no Japão e é distribuído pela gravadora Biscoito Fino no Brasil, mostra uma Joyce em ótima forma, tanto como compositora, quanto como intérprete. Trata-se de um trabalho que resume a obra da cantora, sem ser apenas uma releitura de sua obra.

“Na verdade Tudo foi gravado para mim e não para o mercado japonês. Ele foi feito de uma forma independente e o Japão pulou na frente na hora de lançar. Esse disco é todo composto por músicas recentes, compostas nos últimos dois anos. Às vezes, passa um tempo até arrumar as canções que façam um buquê”, conta Joyce.

O repertório reúne parceiros como Nelson Motta (Estado de Graça), Paulo César Pinheiro (Quero Ouvir João e Dor de Amor é Água), Zé Renato (Pra Você Gostar de Mim) e Teresa Cristina (Sem Poder Dançar), além de composições próprias. E é uma dessas canções solo, o baião/galopada Boiou, que mais chama a atenção no ótimo conjunto de Tudo.

“A maior parte das músicas desse disco eu já tocava no Brasil mesmo antes do lançamento e todas foram muito bem aceitas e as pessoas saiam assobiando as melodias. Mas realmente Boiou é a que tem a melhor conexão com o público”, confirma Joyce.

Mas quase tudo no álbum merece destaque. As duas canções com a participação de Zé Renato – a parceria Pra Você Gostar de Mim e o dueto em Dor de Amor É Água -, são exemplos da excelência do conteúdo do disco.

Vida Dupla

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.Mas, mesmo com o reconhecimento da crítica e o sucesso de público, sobreviver de música no Brasil não é das tarefas mais fáceis segundo a artista.

“Não dá, de jeito nenhum, para viver só da venda de CDs e muito menos com direito autoral. Pra mim, o que realmente tem funcionado são os 25 anos de uma vida dupla. Aqui no Brasil eu sou o Bruce Wayne e lá sou o Batman. Faço praticamente todos os meus projetos de forma independente, o que me permite uma liberdade criativa, mas também dificulta muito na hora de fechar datas para shows, por exemplo. Sou do tempo em que a gente fazia um show e, se lotasse, todos recebiam o seu dinheiro e saiam satisfeitos. Hoje, se não tiver um patrocínio, nem lotando alguma casa por um mês a gente consegue, sequer, cobrir os custos de produção. Se você não está inscrito em alguma lei de incentivo, você sofre muito. E eu sou totalmente fora da lei”, explica.

Por conta dessa vida dupla, Joyce ainda não tem datas fechadas para lançar seu CD por essas bandas.

“Esse mês (julho) vou para a estrada, começando pelo Japão, e só depois vou tocar por aqui. O Rio tem um problema muito sério de casas de espetáculos. É uma oferta muito pequena de espaços para um número muito grande de artistas”, conclui.

Mesmo com tantos afazeres, Joyce não para.

“Tem o Rio, que está pronto para ser lançado, tem um projeto com o Zé Renato só de parcerias nossas e, além disso, há a possibilidade do selo Discobertas lançar uma caixa com vários discos meus da década de 80. É esperar para ver”, conclui.

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Fotos: Divulgação

Stereophonics em novo trabalho

stereophonics-graffiti-on-the-trainsO novo CD do grupo britânico StereophonicsGraffiti on the train (Lab 344) – traz a banda com um som que não foge muito do seu ótimo rock, mas com letras bem mais adultas que os discos anteriores. Formado atualmente pelo guitarrista e vocalista Kelly Jones, o baixista Richard Jones, o baterista Jamie Morrison e o guitarrista Adam Zindani, o Stereophonics está na estrada desde 1997, quando lançou Word Gets Around, conquistando o respeito de roqueiros de peso como Pete Townshend, do The Who.

Kelly Jones & Cia. mostram que, mesmo contrariando muitos críticos descolados da Inglaterra, evoluir musicalmente não significa uma mudança radical de rumo. As canções Indian Summer e Graffiti on the Train fizeram bonito na parada indie inglesa e ainda abocanharam o top 50 da parada regular, o que não é pouco.

Os vocais de Jones e os temas – que passam pela morte e por relacionamentos mal-sucedidos – já são uma boa razão para ouvir o disco, mas é no som das guitarras que reside o maior apelo de Graffiti on the train.

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A voz é dela – Ellen Oléria

3_Ellen_Oleria_Foto_Diego_Bresani_Estudio_CaliforniaQuando subiu ao palco do ‘The Voice Brasil’, no início de setembro do ano passado, a cantora e compositora Ellen Oléria não imaginava que sua vida iria sofrer uma mudança tão grande. Interpretando a canção Carta a Mãe África, do rapper brasiliense GOG, a mulata de óculos gigantes conquistou o público com seu carisma e talento. A potência vocal foi tamanha que os jurados da primeira versão brasileira do programa aplaudiram, elogiaram e disputaram o passe da candidata que, hoje, declara que não imaginava que ganharia a disputa com tantos talentos apresentados.

“Só soube que ganharia quando foi anunciado (risos). Eu falei que a torcida maior era a da Cláudia Leite. Meu olho ficou branco na hora que anunciaram. Minha Iris sumiu”, disse a cantora.

Na ocasião, Ellen disputava o favoritismo com Ludmillah Anjos, quando ganhou com 39% dos votos. Antes disso, ela participou das semifinais com Maria Chrisina, Ju Moraes e Liah Soares.

Sem certeza da vitória, ela revela que a intenção de participar do programa de talentos era a projeção que seu trabalho poderia alcançar. Para ela, a TV é uma vitrine poderosa, como formadora de opinião, porém, não esperava a grande repercussão que suas apresentações geravam.

“Foi brutal. Depois de dois minutos e meio, teve gente que me encontrava, se emocionava nas ruas (e foi bem mais de um) e chorava. Diziam que lembravam da mãe, etc”, revela a artista.

Com escolhas de canções que mexiam com a emoção das pessoas, Ellen seguiu durante o programa como uma das favoritas para o prêmio final. Durante suas apresentações, os telespectadores se manifestavam pelas redes sociais com incentivo e apoio à cantora.

Mas engana-se quem acredita que após o The Voice Brasil, Ellen descansou. Pelo contrário. Além dos preparativos para o primeiro trabalho, a cantora se apresentou, antes mesmo da grande final, na Universidade de Brasília. Como parte do prêmio, ela subiu ao palco do réveillon de Copacabana e fez o show da virada e, mais recentemente, brilhou durante a Parada do Orgulho Gay da capital paulista.

O primeiro CD

Capa_CD_Ellen_OleriaIntitulado simplesmente Ellen Oléria, o primeiro trabalho da mais nova voz do Brasil conta com 12 canções, sendo 5 de autoria ou co-autoria da própria artista. O repertório mescla as canções autorais com algumas das músicas que Ellen interpretou no programa.

“Chegamos a esse resultado depois de muita discussão. O repertório acabou ficando muito colorido e muito mais rico do que ficaria se somente eu tivesse escolhido as canções. A coisa ficou cheia de oxigênio, já que as músicas não tinham mais a restrição do tempo de 1min30seg. A gravadora também foi muito gentil em dar espaço para a minha safra autoral e ainda tive a oportunidade de indicar dois compositores da minha cidade – Paulo Djorge e Ricardo Ribeiro, autores da faixa Me Leva.

Como destaques podem ser pinçadas a faixa de abertura – Intuição, de Alceu Valença -, Aqui é o País do Futebol – de Milton Nascimento e Fernando Brant, e que conta com a participação do mentor Carlinhos Brown -, Geminiana – de autoria de Ellen – e a sua excelente versão para o clássico de Hermes de Aquino, Nuvem Passageira.

A colaboração com Carlinhos Brown pode parecer discreta, mas foi fundamental para a finalização do disco.

“Tenho aprendido [com Carlinhos Brown]. Antes mesmo dele me conhecer, eu já andava do lado dele (risos). Com ele eu aprendi a gostar da Marisa Monte, por exemplo. Eu admiro esse “Omelete Man”, por tudo o que ele faz e implementa na sociedade”, diz.

A quantidade de canções conhecidas – Maria, Maria; Taj Mahal, Zumbi, etc – reforçam o caráter interpretativo do CD, que conta com arranjos na medida para dar ainda mais brilho a voz de Ellen, embora o mais importante mesmo seja a força das interpretações. Cada faixa é cheia de personalidade, mostrando uma cantora que nem de longe aparenta ser uma artista de um só momento. Ellen Oléria chegou para ficar e seu disco de estréia já se coloca como um dos melhores lançamentos do ano.

Mais novidades

Para alegrar ainda mais os fãs de Ellen e do The Voice Brasil, a cantora ainda revela que há mais para ser ouvido logo.

“Durante o processo de gravação do disco, eu e o Pedro (Martins) fizemos uma outra canção que vou lançar pela internet e que se chama Mundo Virou. Ela foi escrita em abril e fala desse momento político do país. Foi uma antevisão que fala sobre a felicidade como conceito coletivo e até mesmo de violência policial”.

A letra da canção, disponível no Facebook de Ellen, diz: “Deixo no rosto aquele sorriso/ Porque é preciso felicidade como um conceito coletivo/ Bala, empurrão, fumaça e polícia”. Pelo jeito, a moça é mesmo bem mais do que uma bela voz.

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Autoria: André Ricardo e Fernando de Oliveira

Hoje é dia de Rock, bebê

rock-starsNeste sábado, comemora-se o Dia Mundial do Rock, que, curiosamente, é muito mais lembrado no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. São vários os shows programados para reverenciar o mais contestador dos ritmos.

A ideia de criar uma data para o rock aconteceu depois da realização do Live Aid (1985), o megaconcerto idealizado pelo músico irlandês Bob Geldof para ajudar a população da Etiópia. Apesar de não ter sido o primeiro concerto a reunir grandes estrelas em prol de uma causa humanista, a grandiosidade do Live Aid – que reuniu nomes como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton e Black Sabbath, entre outros – transformou os padrões dos festivais de rock, como o Rock in Rio, realizado no mesmo ano.

De Bill Haley aos Beatles, passando por Elvis e a invasão inglesa

The BeatlesÉ difícil descobrir quem é o verdadeiro pai do rock, mas convencionou-se que o americano Bill Halley – intérprete de clássicos como Rock Around the Clock, See You Later, Alligator e Shake, Rattle and Roll – foi o primeiro artista do gênero, com o lançamento, em 1953, de Rock Around the Clock. Mas, se a paternidade do rock também é disputada por nomes como Little Richard e Chuck Berry, o trono de Rei do Rock tem um único e incontestável dono: Elvis Presley (1935-1977).

Elvis causou impacto em todo o mundo, com seu estilo de dança sugestivamente erótico e uma série de sucessos que consolidaram o ritmo, considerado por muitos, à época, coisa do diabo! That’s All Right, Blue Moon of Kentucky e Heartbreak Hotel, entre muitas outras, foram o combustível para uma revolução que aconteceria em uma ilha do outro lado do Atlântico.

A “invasão inglesa”, liderada pelos Beatles, acabou transformando o rock em arte e trazendo novos elementos para o gênero que se mostrou ser muito mais que uma moda passageira. Com eles vieram nomes como The Who, The Rolling Stones, Cream, Led Zeppelin e até mesmo um certo guitarrista chamado Jimi Hendrix.

Hoje, talvez os maiores nomes do rock sejam veteranos, pois, como acontece com todas as coisas, há sempre um momento de entressafra. Entretanto, há sempre bons valores munidos de guitarras para perpetuar a “espécie”.

Mais que um ritmo

Elvis Presley“Pra mim, o rock significa um compromisso com a música e a atitude. Eu sempre fui pelo lado que engloba o rock de uma maneira plural e com compromisso com o conceito da obra como um todo, que ia de Raul Seixas a Crosby, Stills, Nash & Young. Mais do que as levadas do Led Zeppellin, eu gostava das letras e melodias de Bob Dylan ou John Lennon. Mas, no final, tudo se convergia a Beatles e Rolling Stones (risos). Vivo e respiro rock até hoje, não o heavy metal ou o rock progressivo, mas o rock inglês de suingue, levadas, letras boas e melodias precisas”, diz Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho.

E, pelo jeito, nada mais em conexão com a situação atual do País do que o bom e velho rock.
“O rock é contestação. Ele é o tipo de música que sempre permite questionar o caminho que estamos tomando. O rock sempre esteve ligado aos momentos de mudança, como um elemento de não aceitar um caminho imposto por alguém”, explica Bruno Gouveia, vocalista da banda Biquíni Cavadão.

Para ouvir, dançar, cantar e se divertir

Para comemorar o 13 de julho, alguns palcos de Niterói e do Rio de Janeiro estão em ritmo “rock´n´roll”, com uma programação toda voltada ao gênero, pra fã nenhum botar defeito.

A Fundição Progresso promove o festival Pop Rock Brasil, que reúne ícones do rock nacional como os Paralamas do Sucesso, Biquíni Cavadão e Plebe Rude.

Rolling Stones 60sOutra boa opção é o Bar do Meio, em Piratininga, onde as bandas Mustang´65 e Analfa se apresentarão a partir das 22 horas.

E, finalmente, há a opção da festa pelo Dia Mundial do Rock no Bar Convés, no Gragoatá, que contará apenas com apresentações de bandas da cidade – Mírah, Madc, Os Clodoaldos, The Fraktal, Nardones Horrorpunke. Nos intervalos, o som fica por conta da Maldita 3.0, que vai tocar clássicos do gênero.

Roteiro no Rio e em Niterói para roqueiro nenhum botar defeito

POP ROCK BRASIL – Paralamas do Sucesso, BiquÍni Cavadão e Plebe Rude

Local: Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24 – Lapa – Rio de Janeiro)
Informações e venda de ingressos: http://www.fundicaoprogresso.com.br/compreseuingresso
Abertura da casa: 22h
Início do show: 23h
Capacidade: 4.000 pessoas
Tel para informações: (21) 3212-0800
E-mail: contatofundicaoprogresso@gmail.com.br
Classificação etária: 18 anos
Preços: R$ 40 (meia 1° lote pista comum) R$ 80 (meia 1° lote pista premium)

RockStarsFesta pelo Dia Mundial do Rock

Dia 13 de julho de 2013 a partir das 21h
Shows a partir das 22h com Mírah, Mad´C, Os Clodoaldos, Nardones e The Fraktal.
Espaço Convés – Rua Coronel Tamarindo 137 Gragoatá, Niterói. Telefone 3026-6321
Ingressos: R$ 20 (com camiseta de banda paga apenas R$ 10)
Censura 18 anos

Dia do Rock

Atrações: Bandas Mustang´65 e Analfa
O Bar do Meio fica na Av. Almirante Tamandaré nº 810 – Piratininga – Niterói – Rio de Janeiro. Horário: às 22h. Censura: 18 anos. Ingressos – Pista 1º lote – R$ 25 (apresentando carteira de estudante) – Promocional solidário: R$ 30 (apresentando 1 kg de alimento não perecível). Inteira: R$ 50. Preço sujeito a alteração sem aviso prévio.


Ese texto também foi publicado no jornal O Fluminense