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Biografia de Peter Tork, dos Monkees, será lançada em São Paulo e Rio

Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees conta a história de uma das bandas mais subestimadas do rock

O rock é cheio de histórias não contadas (ou mal contadas). O biógrafo Sérgio Farias, que já escreveu um livro sobre John Lennon, conta agora a história dos Monkees, usando como fio condutor a vida do seu baixista/tecladista, Peter Tork.

Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees (Chiado Editora) tem lançamento em São Paulo — dia 14 (sexta-feira), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional — e no Rio de Janeiro — dia 18 (terça-feira), na Livraria Books, em Botafogo).

Em breve uma resenha completa do livro!

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Biografia dos Beatles completa 50 anos

Às vésperas do relançamento da versão comemorativa dos 50 anos do Álbum Branco, A Vida dos Beatles, única biografia autorizada dos Beatles, continua uma leitura obrigatória

Os Beatles se separaram oficialmente em 1970. Portanto, é impressionante o efeito que a música e a atitude da banda ainda têm sobre a nossa sociedade.

Vários ótimos (e vários péssimos) livros já foram escritos sobre o grupo, mas um deles continua imprescindível.

The Beatles — que no Brasil teve a sua primeira edição publicada com o título A Vida dos Beatles — é a única biografia autorizada pela banda e a única na qual o autor realmente conviveu com a banda durante sua carreira, presenciando fatos reais e não apenas através de depoimentos de terceiros.

Um pouco de história

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Hunter Davies — hoje um respeitado senhor de 82 anos (que se recupera de uma cirurgia para a colocação de três pontes de safena) e autor de uma série de livros sobre turismo, esportes e, claro, Beatles — era um jovem jornalista trabalhando no Sunday Times, quando recebeu o sinal verde de Brian Epstein para escrever a biografia da maior banda de todos os tempos.

Isso, depois de ter sugerido a Paul McCartney a ideia do livro, em 1966, bem no meio da revolução psicodélica e do início das gravações de Sgt. Pepper’s, mas o OK final aconteceu apenas em 25 de janeiro de 1967, quando Penny Lane e Strawberry Fields Forever já estavam finalizadas.

— Eles sabiam que Pepper seria algo diferente e grande. Paul estava definitivamente no comando. Nesta época, John estava ficando entediado com os Beatles e se tornando preguiçoso — me disse Davies.

Lançado em 30 de setembro, o livro se tornou a única biografia da banda por conta de uma cláusula (sugerida por Brian Epstein) que garantia que nenhum outro escritor teria acesso aos Fab Four por dois anos. Como eles se separaram em 1970…

Fool on the Hill

Dentre as grandes histórias do livro está o dia no qual John falou para Paul gravar uma demo daquela música do cara da montanha e Paul respondeu que não iria esquecer dela. No fim, Fool on the Hill se tornou uma das canções mais conhecidas dos Beatles.

— Passei muitas tardes com eles no estúdio enquanto gravavam Sgt. Pepper’s e também em suas casas, observando Paul e John dando vida as canções. Infelizmente, eu nunca gravei nenhum desses momentos. Escrevi tudo em 30 pequenos cadernos de anotação e, hoje, nem consigo entender minha letra — revelou Davies.

Getting Better

Outro momento que causa inveja aos admiradores da música dos Beatles é a descrição da criação de Getting Better, até hoje uma das histórias citadas por Paul McCartney.

— Eu estava lá desde o início da composição. Eu caminhava com Paul quando ele teve a ideia pela primeira vez. Também estava em Cavendish Avenue (casa de Paul McCartney) quando ele e John escolhiam palavras e rimas para a canção — lembrou o escritor.

Álbum Branco

— Eu fui com eles para a Índia quando eles foram encontrar o Maharishi. As esposas e os rodies foram deixados para trás e eu viajei em um vagão com eles, Mick Jagger e Marianne Faithfull. Foi lá que compuseram a maior parte das canções do Álbum Branco — relembrou.

O disco que agora completa 50 anos é, de muitas maneiras, o ponto de ruptura da banda, principalmente pela presença de uma certa japonesa.

— Eu conheci Yoko antes do John. Um dia (em 1967) ela me ligou dizendo que estava fazendo um filme e se eu toparia participar. O problema é que era um filme sobre bundas nuas. Então, eu inventei uma desculpa e declinei do convite — confessou o jornalista.

Na casa de Hunter Davies (outubro/2013). Foto: Jo Nunes

E, apesar da camaradagem que Giles Martin diz ter encontrado nas fitas que ouviu para produzir a versão comemorativa do Álbum Branco, que sai no próximo dia 9, essa não é a lembrança de Hunter Davies.

— Em 68, o único que parecia ainda estar gostando de ser um beatle era Paul. Ele morava em uma casa perto de Abbey Road enquanto John e Ringo viviam bem mais afastados (em Weybridge) e George em Esher, não muito longe deles —relembrou.

Isso pode explicar tudo o que aconteceu depois e que culminou na separação do grupo.

Rebatendo John Lennon e George Harrison

Na sua famosa entrevista para a revista Rolling Stone (em 1970) John se referiu ao livro de Davies como bullshit (merda).

— Eu liguei para John em 1971, logo depois que a entrevista foi publicada, e ele me disse rindo: “Você me conhece, eu falo as coisas que me vêm à cabeça. Hunt”. Nem Paul ou Ringo tiveram objeções ao livro, embora George tenha ficado contrariado por eu não ter escrito mais sobre suas opiniões sobre o hinduísmo e crenças espirituais, coisas que achei que não se encaixavam no livro — revelou.

Outros livros

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 Hunter Davies é reconhecido hoje pela biografia dos Beatles, mas sua ligação com a banda vai além. Ele escreveu (e ainda escreve) vários outros títulos com relação ao grupo. Dois deles são especialmente relevantes e especiais.

As Letras dos Beatles é o livro onde Davies revela ao mundo uma série de manuscritos com versões (muitas originais) de letras de canções dos Beatles, algumas escritas em guardanapos e até mesmo no verso de cartões de aniversário. São imagens reveladoras.

O outro tem o título de As Cartas de John Lennon (The John Lennon Letters, no original), onde revela uma série de recados, cartas e cartões postais escritos por Lennon para assistentes, amigos e fãs.

Brasileiros em alta

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Em Lennon Letters o Brasil ganha destaque especial em dois momentos distintos. Um quando Davies mostra algumas raridades de Lizzie Bravo — a brasileira que gravou os backing vocals da canção Across the Universe — e quando conta a história de um certo fã carioca para o qual Lennon escreveu três cartões postais entre novembro de 1979 e janeiro de 1980.

Vale conferir.

Portanto, se algum fã dos Beatles ainda não leu a biografia autorizada, acredite, ela ainda é leitura obrigatória, mesmo que existam outros títulos mais completos sobre o fenômeno que até hoje influencia o mundo.

Brasileiros incrementam a compra de livros usados

Livros e automóveis são os produtos usados mais adquiridos nos últimos 12 meses, revela estudo da CNDL/SPC Brasil de setembro

Num país onde o índice de leitura é insuficiente e as editoras sofrem com o baixo número de exemplares vendidos, é um alento saber que os livros são os produtos usados mais comprados pelos brasileiros.

Um país se constrói com homens e livros“. A frase — adaptação da sentença de Monteiro Lobato e lema dos comerciais da Biblioteca do Exército — serviu como base para a formação de uma geração que tinha na leitura um dos alicerces da sua educação.

Líder de vendas

Os livros foram responsáveis por 54% das vendas de produtos usados em 2017, na frente até dos automóveis (43%), segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Não sei se isso significa que a população está lendo mais, mas é um dado que deve ser comemorado de qualquer forma. Ainda mais, se levarmos em conta que a maior parte dos produtos colocados à venda no período foi formada por eletrônicos (40%) e smartphones (40%).

A pesquisa mostra que a oportunidade de diminuir gastos e poupar é um dos objetivos da maioria das pessoas que optam pela aquisição de produtos usados. Dentre os que compraram ou venderam produtos usados nos últimos 12 meses, 65% calcularam a economia proporcionada, sendo 41% no caso da compra e 24% com a venda. Entre esses, nove (92%) em cada dez consumidores acreditam que a economia de dinheiro com a compra de usados foi significativa para o bolso. Os sites ou aplicativos especializados e o contato com amigos e conhecidos se destacam entre os principais locais para compra e venda de usados.

A pesquisa

A pesquisa ouviu 824 consumidores de ambos os gêneros, todas as classes sociais, capitais do país e acima de 18 anos. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Os Mutantes ganham sua discobiografia

Sessão de autógrafos  aconteceu nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro

Difícil explicar como uma banda como Os Mutantes apareceu no cenário musical brasileiro dos anos 1960, basicamente comportado e elitista, com pitadas de popular.

O som psicodélico, anarquista e único do grupo é agora contado em Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira.  A autoria (em português e inglês) é da jornalista Chris Fuscaldo.

O livro revela detalhes das gravações e das capas que embrulhavam os petardos sonoros contidos naquelas bolachas de vinil — estamos falando dos anos 60 e 70, quando o CD e o streaming não pensavam em existir.

Cinquenta anos de sucesso

O aniversário de 50 anos do lançamento do primeiro disco da banda — Os Mutantes (1968) foi o gatilho para a ideia do livro.

— Em fevereiro, tive um insight de que o primeiro disco deles fez 50 anos. Escrevi tudo em dois meses. A pesquisa foi longa, mas escrever foi fácil — disse a autora.

O livro, com um texto leve e delicioso de ler, serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas.

Hits e obscuridades

Ligados ao Tropicalismo, os Mutantes, se colocam em um espaço único na história musical brasileira. Canções como Ando Meio Desligado, Balada do Louco, Panis et Circenses e Baby, são reconhecidas em todos os cantos do país. Mas como não falar de obscuridades brilhantes como Bat Macumba, Meu Refrigerador não Funciona e Chão de Estrelas?

A criatividade das composições, a inteligência das releituras e a sonoridade única deixaram marcas profundas no desenvolvimento do nosso cenário musical.  Além da inovação tecnológica. Vários de seus instrumentos era fabricados especialmente para eles, ajudando a formatar sons únicos.

Sucesso reconhecido

O trio Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee — mais tarde acrescido dos ótimos Liminha e Dinho Paes Lima — construiu uma obra que é reverenciada em todo o planeta.

Difícil entrar em alguma livraria ou loja de discos na Inglaterra ou Estados Unidos sem encontrar algo relacionado ao grupo.

Gente do calibre de David Byrne, Kurt Cobain e Sean Lennon está entre os fãs da banda, que até hoje arrasta um grande público por onde quer que passe.

— Eu conheci os Mutantes na coletânea que o David Byrne lançou sobre a música brasileira, Everything Is Possible (1999). Foi incrível descobrir que tudo aquilo foi criado por uma só banda — revelou Chris Fuscaldo.

Consultoria de primeira

Com um texto leve e delicioso de ler, Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas e baseado em depoimentos de quem participou de tudo.

— Comecei a fazer a pesquisa em 2002, quando estava na faculdade de jornalismo. Nessa época eu era estagiária no Globo Online, e meu mentor era o Jamari França. Ele fez uma ponte para eu falar com a Rita Lee e, na mesma época, tive acesso ao Sérgio Dias. Ao longo dos anos, fiz várias matérias sobre o grupo — disse Chris Fuscaldo.

Sérgio, aliás, acabou sendo uma espécie de consultor do projeto.

— Fui ver um show dos Mutantes em Ribeirão Preto e acabamos retomando o contato. Depois disso, o Sérgio serviu como fonte para tirar algumas dúvidas que ainda tinha — revelou a autora.

Discobriografia ampliada

Um dos maiores trunfos da publicação é ampliar a discografia do grupo aos álbuns solo lançados com a participação (divulgada ou não) dos membros da banda.

Assim, obras como Loki? (1975) e Esse é o Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas (1972), que são importantíssimos para a compreensão do legado da banda, também ganharam destaque.

Os lançamentos mais recentes — de Technicolor (2000) até Fool Metal Jack (2016) — também estão incluídos. O que torna o livro a obra mais abrangente já escrita sobre a música dos Mutantes.

As histórias sobre as gravações e a produção das capas dos discos são recomendadas para iniciantes e iniciados.

Vaquinha virtual

O projeto foi todo bancado por um crowfunding (vaquinha virtual). O que deu mais liberdade para a autora. Mas também aumentou os riscos da ideia nunca chegar ao papel.

— Eu pensei em levar o livro para uma editora. Mas como eu me coloquei um prazo muito curto para termina-lo, preferi fazer sem o envolvimento delas. Além disso, muitas delas estão com muito problemas financeiros. Achei melhor fazer por mim mesma — explicou.

A autora

Chris Fuscaldo é jornalista, pesquisadora e já trabalhou nos jornais O Globo e Extra, e na revista Rolling Stone. Em 2015, fez a pesquisa do livro Rock in Rio 30 Anos e, em 2016, lançou a Discobiografia Legionária (Ed. LeYa), sobre o Legião Urban. Ano passado, soltou a voz no CD Mundo Ficção.

A trajetória da autora (que conheço desde que era estagiária) segue um caminho muito desprezado país: o da preservação da nossa história.

— É isso que tento fazer na minha vida profissional. Preservar a memória da música brasileira. O que não é fácil — explicou.

Lançamento (Rio de Janeiro)

O lançamento da Discobiografia Mutante aconteceu na sexta-feira (31/8) no Sebo Baratos, na Rua Paulino Fernandes, 15 – Botafogo – às 19h.

Foi ótimo!

Serviço

Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira
Livro bilíngue Português / Inglês
243 páginas
Autora: Chris Fuscaldo
Editora: Garota FM Books
Preço: R$ 80,00

Site para compra: http://chrisfuscaldo.com.br/discobiografia-mutante/

Fotos: Divulgação, reprodução e Tatynne Lauria

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Dica para a Copa: Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético

O título é longo – Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar) -, mas a leitura é boa para quem já está na Rússia, ainda vai viajar ou vai ficar acompanhando a Copa por aqui mesmo.

O livro narra as aventuras de Zizo Asnis – escritor gaúcho de guias de viagem – que visitou vários países da ex-União Soviética, como a Bielorrússia e seguindo por Moldávia, Ucrânia e, Rússia, além de Mongólia e China.

O texto é leve, bem-humorado e vai ser uma boa companhia para os intervalos entre os jogos.

Alguns trechos do livro


Chernobyl

“Entrar nesses locais é a parte mais chocante da visita. Não tem como não se comover. Diferentemente de um museu, onde se tem acesso a informações, fotos, documentos, aqui não há nada escrito, fotografado, documentado, mas há evidência de vidas – vidas vividas e bruscamente interrompidas, como raramente se pode testemunhar.”

Cazaquistão

“E o que eu sabia do Cazaquistão? Fazia parte da União Soviética. Tinha montanhas. Tinha uns prédios modernos meio bizarros. E tinha Borat, o segundo melhor jornalista do glorioso país Cazaquistão! Enfim, um destino perfeito, ainda mais estando a poucas horas da fronteira. Só havia um possível problema: eu não tinha o visto. Não há consulado do país no Brasil, e não havia tempo hábil para solicitar em nenhum local durante esta viagem. Entretanto, eu vislumbrava duas chances: conseguir o visto na fronteira, eventualmente pagando uma taxa de ágio (e espero que ágio não seja eufemismo para propina) ou eu ser dispensado do visto. No site do Governo do Cazaquistão, informava sobre a necessidade de brasileiros portarem o visto, mas havia uma informação secundária, numa página mais escondida, que dispensava o visto de brasileiros (acho que a isenção era para diplomatas, mas não estava claro). Mesmo que aquilo tenha me parecido um erro, resolvi arriscar. E mais: constatei que argentinos não precisavam de visto para o Cazaquistão. Como assim? Por que cidadãos da Argentina não precisam e os do Brasil, sim? Considerei aquilo um ultraje diplomático que eu não iria aceitar, e assim, munido de todos os motivos do mundo, eu estava a caminho do território cazaque – sem visto”.

Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar)

Preço – R$ 39,90
Páginas – 192
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