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Biografia de Peter Tork, dos Monkees, será lançada em São Paulo e Rio

Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees conta a história de uma das bandas mais subestimadas do rock

O rock é cheio de histórias não contadas (ou mal contadas). O biógrafo Sérgio Farias, que já escreveu um livro sobre John Lennon, conta agora a história dos Monkees, usando como fio condutor a vida do seu baixista/tecladista, Peter Tork.

Love is Understanding – A Vida e a Época de Peter Tork e os Monkees (Chiado Editora) tem lançamento em São Paulo — dia 14 (sexta-feira), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional — e no Rio de Janeiro — dia 18 (terça-feira), na Livraria Books, em Botafogo).

Em breve uma resenha completa do livro!

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Biografia dos Beatles completa 50 anos

Às vésperas do relançamento da versão comemorativa dos 50 anos do Álbum Branco, A Vida dos Beatles, única biografia autorizada dos Beatles, continua uma leitura obrigatória

Os Beatles se separaram oficialmente em 1970. Portanto, é impressionante o efeito que a música e a atitude da banda ainda têm sobre a nossa sociedade.

Vários ótimos (e vários péssimos) livros já foram escritos sobre o grupo, mas um deles continua imprescindível.

The Beatles — que no Brasil teve a sua primeira edição publicada com o título A Vida dos Beatles — é a única biografia autorizada pela banda e a única na qual o autor realmente conviveu com a banda durante sua carreira, presenciando fatos reais e não apenas através de depoimentos de terceiros.

Um pouco de história

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Hunter Davies — hoje um respeitado senhor de 82 anos (que se recupera de uma cirurgia para a colocação de três pontes de safena) e autor de uma série de livros sobre turismo, esportes e, claro, Beatles — era um jovem jornalista trabalhando no Sunday Times, quando recebeu o sinal verde de Brian Epstein para escrever a biografia da maior banda de todos os tempos.

Isso, depois de ter sugerido a Paul McCartney a ideia do livro, em 1966, bem no meio da revolução psicodélica e do início das gravações de Sgt. Pepper’s, mas o OK final aconteceu apenas em 25 de janeiro de 1967, quando Penny Lane e Strawberry Fields Forever já estavam finalizadas.

— Eles sabiam que Pepper seria algo diferente e grande. Paul estava definitivamente no comando. Nesta época, John estava ficando entediado com os Beatles e se tornando preguiçoso — me disse Davies.

Lançado em 30 de setembro, o livro se tornou a única biografia da banda por conta de uma cláusula (sugerida por Brian Epstein) que garantia que nenhum outro escritor teria acesso aos Fab Four por dois anos. Como eles se separaram em 1970…

Fool on the Hill

Dentre as grandes histórias do livro está o dia no qual John falou para Paul gravar uma demo daquela música do cara da montanha e Paul respondeu que não iria esquecer dela. No fim, Fool on the Hill se tornou uma das canções mais conhecidas dos Beatles.

— Passei muitas tardes com eles no estúdio enquanto gravavam Sgt. Pepper’s e também em suas casas, observando Paul e John dando vida as canções. Infelizmente, eu nunca gravei nenhum desses momentos. Escrevi tudo em 30 pequenos cadernos de anotação e, hoje, nem consigo entender minha letra — revelou Davies.

Getting Better

Outro momento que causa inveja aos admiradores da música dos Beatles é a descrição da criação de Getting Better, até hoje uma das histórias citadas por Paul McCartney.

— Eu estava lá desde o início da composição. Eu caminhava com Paul quando ele teve a ideia pela primeira vez. Também estava em Cavendish Avenue (casa de Paul McCartney) quando ele e John escolhiam palavras e rimas para a canção — lembrou o escritor.

Álbum Branco

— Eu fui com eles para a Índia quando eles foram encontrar o Maharishi. As esposas e os rodies foram deixados para trás e eu viajei em um vagão com eles, Mick Jagger e Marianne Faithfull. Foi lá que compuseram a maior parte das canções do Álbum Branco — relembrou.

O disco que agora completa 50 anos é, de muitas maneiras, o ponto de ruptura da banda, principalmente pela presença de uma certa japonesa.

— Eu conheci Yoko antes do John. Um dia (em 1967) ela me ligou dizendo que estava fazendo um filme e se eu toparia participar. O problema é que era um filme sobre bundas nuas. Então, eu inventei uma desculpa e declinei do convite — confessou o jornalista.

Na casa de Hunter Davies (outubro/2013). Foto: Jo Nunes

E, apesar da camaradagem que Giles Martin diz ter encontrado nas fitas que ouviu para produzir a versão comemorativa do Álbum Branco, que sai no próximo dia 9, essa não é a lembrança de Hunter Davies.

— Em 68, o único que parecia ainda estar gostando de ser um beatle era Paul. Ele morava em uma casa perto de Abbey Road enquanto John e Ringo viviam bem mais afastados (em Weybridge) e George em Esher, não muito longe deles —relembrou.

Isso pode explicar tudo o que aconteceu depois e que culminou na separação do grupo.

Rebatendo John Lennon e George Harrison

Na sua famosa entrevista para a revista Rolling Stone (em 1970) John se referiu ao livro de Davies como bullshit (merda).

— Eu liguei para John em 1971, logo depois que a entrevista foi publicada, e ele me disse rindo: “Você me conhece, eu falo as coisas que me vêm à cabeça. Hunt”. Nem Paul ou Ringo tiveram objeções ao livro, embora George tenha ficado contrariado por eu não ter escrito mais sobre suas opiniões sobre o hinduísmo e crenças espirituais, coisas que achei que não se encaixavam no livro — revelou.

Outros livros

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 Hunter Davies é reconhecido hoje pela biografia dos Beatles, mas sua ligação com a banda vai além. Ele escreveu (e ainda escreve) vários outros títulos com relação ao grupo. Dois deles são especialmente relevantes e especiais.

As Letras dos Beatles é o livro onde Davies revela ao mundo uma série de manuscritos com versões (muitas originais) de letras de canções dos Beatles, algumas escritas em guardanapos e até mesmo no verso de cartões de aniversário. São imagens reveladoras.

O outro tem o título de As Cartas de John Lennon (The John Lennon Letters, no original), onde revela uma série de recados, cartas e cartões postais escritos por Lennon para assistentes, amigos e fãs.

Brasileiros em alta

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Em Lennon Letters o Brasil ganha destaque especial em dois momentos distintos. Um quando Davies mostra algumas raridades de Lizzie Bravo — a brasileira que gravou os backing vocals da canção Across the Universe — e quando conta a história de um certo fã carioca para o qual Lennon escreveu três cartões postais entre novembro de 1979 e janeiro de 1980.

Vale conferir.

Portanto, se algum fã dos Beatles ainda não leu a biografia autorizada, acredite, ela ainda é leitura obrigatória, mesmo que existam outros títulos mais completos sobre o fenômeno que até hoje influencia o mundo.

Brasileiros incrementam a compra de livros usados

Livros e automóveis são os produtos usados mais adquiridos nos últimos 12 meses, revela estudo da CNDL/SPC Brasil de setembro

Num país onde o índice de leitura é insuficiente e as editoras sofrem com o baixo número de exemplares vendidos, é um alento saber que os livros são os produtos usados mais comprados pelos brasileiros.

Um país se constrói com homens e livros“. A frase — adaptação da sentença de Monteiro Lobato e lema dos comerciais da Biblioteca do Exército — serviu como base para a formação de uma geração que tinha na leitura um dos alicerces da sua educação.

Líder de vendas

Os livros foram responsáveis por 54% das vendas de produtos usados em 2017, na frente até dos automóveis (43%), segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Não sei se isso significa que a população está lendo mais, mas é um dado que deve ser comemorado de qualquer forma. Ainda mais, se levarmos em conta que a maior parte dos produtos colocados à venda no período foi formada por eletrônicos (40%) e smartphones (40%).

A pesquisa mostra que a oportunidade de diminuir gastos e poupar é um dos objetivos da maioria das pessoas que optam pela aquisição de produtos usados. Dentre os que compraram ou venderam produtos usados nos últimos 12 meses, 65% calcularam a economia proporcionada, sendo 41% no caso da compra e 24% com a venda. Entre esses, nove (92%) em cada dez consumidores acreditam que a economia de dinheiro com a compra de usados foi significativa para o bolso. Os sites ou aplicativos especializados e o contato com amigos e conhecidos se destacam entre os principais locais para compra e venda de usados.

A pesquisa

A pesquisa ouviu 824 consumidores de ambos os gêneros, todas as classes sociais, capitais do país e acima de 18 anos. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Os Mutantes ganham sua discobiografia

Sessão de autógrafos  aconteceu nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro

Difícil explicar como uma banda como Os Mutantes apareceu no cenário musical brasileiro dos anos 1960, basicamente comportado e elitista, com pitadas de popular.

O som psicodélico, anarquista e único do grupo é agora contado em Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira.  A autoria (em português e inglês) é da jornalista Chris Fuscaldo.

O livro revela detalhes das gravações e das capas que embrulhavam os petardos sonoros contidos naquelas bolachas de vinil — estamos falando dos anos 60 e 70, quando o CD e o streaming não pensavam em existir.

Cinquenta anos de sucesso

O aniversário de 50 anos do lançamento do primeiro disco da banda — Os Mutantes (1968) foi o gatilho para a ideia do livro.

— Em fevereiro, tive um insight de que o primeiro disco deles fez 50 anos. Escrevi tudo em dois meses. A pesquisa foi longa, mas escrever foi fácil — disse a autora.

O livro, com um texto leve e delicioso de ler, serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas.

Hits e obscuridades

Ligados ao Tropicalismo, os Mutantes, se colocam em um espaço único na história musical brasileira. Canções como Ando Meio Desligado, Balada do Louco, Panis et Circenses e Baby, são reconhecidas em todos os cantos do país. Mas como não falar de obscuridades brilhantes como Bat Macumba, Meu Refrigerador não Funciona e Chão de Estrelas?

A criatividade das composições, a inteligência das releituras e a sonoridade única deixaram marcas profundas no desenvolvimento do nosso cenário musical.  Além da inovação tecnológica. Vários de seus instrumentos era fabricados especialmente para eles, ajudando a formatar sons únicos.

Sucesso reconhecido

O trio Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee — mais tarde acrescido dos ótimos Liminha e Dinho Paes Lima — construiu uma obra que é reverenciada em todo o planeta.

Difícil entrar em alguma livraria ou loja de discos na Inglaterra ou Estados Unidos sem encontrar algo relacionado ao grupo.

Gente do calibre de David Byrne, Kurt Cobain e Sean Lennon está entre os fãs da banda, que até hoje arrasta um grande público por onde quer que passe.

— Eu conheci os Mutantes na coletânea que o David Byrne lançou sobre a música brasileira, Everything Is Possible (1999). Foi incrível descobrir que tudo aquilo foi criado por uma só banda — revelou Chris Fuscaldo.

Consultoria de primeira

Com um texto leve e delicioso de ler, Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas e baseado em depoimentos de quem participou de tudo.

— Comecei a fazer a pesquisa em 2002, quando estava na faculdade de jornalismo. Nessa época eu era estagiária no Globo Online, e meu mentor era o Jamari França. Ele fez uma ponte para eu falar com a Rita Lee e, na mesma época, tive acesso ao Sérgio Dias. Ao longo dos anos, fiz várias matérias sobre o grupo — disse Chris Fuscaldo.

Sérgio, aliás, acabou sendo uma espécie de consultor do projeto.

— Fui ver um show dos Mutantes em Ribeirão Preto e acabamos retomando o contato. Depois disso, o Sérgio serviu como fonte para tirar algumas dúvidas que ainda tinha — revelou a autora.

Discobriografia ampliada

Um dos maiores trunfos da publicação é ampliar a discografia do grupo aos álbuns solo lançados com a participação (divulgada ou não) dos membros da banda.

Assim, obras como Loki? (1975) e Esse é o Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas (1972), que são importantíssimos para a compreensão do legado da banda, também ganharam destaque.

Os lançamentos mais recentes — de Technicolor (2000) até Fool Metal Jack (2016) — também estão incluídos. O que torna o livro a obra mais abrangente já escrita sobre a música dos Mutantes.

As histórias sobre as gravações e a produção das capas dos discos são recomendadas para iniciantes e iniciados.

Vaquinha virtual

O projeto foi todo bancado por um crowfunding (vaquinha virtual). O que deu mais liberdade para a autora. Mas também aumentou os riscos da ideia nunca chegar ao papel.

— Eu pensei em levar o livro para uma editora. Mas como eu me coloquei um prazo muito curto para termina-lo, preferi fazer sem o envolvimento delas. Além disso, muitas delas estão com muito problemas financeiros. Achei melhor fazer por mim mesma — explicou.

A autora

Chris Fuscaldo é jornalista, pesquisadora e já trabalhou nos jornais O Globo e Extra, e na revista Rolling Stone. Em 2015, fez a pesquisa do livro Rock in Rio 30 Anos e, em 2016, lançou a Discobiografia Legionária (Ed. LeYa), sobre o Legião Urban. Ano passado, soltou a voz no CD Mundo Ficção.

A trajetória da autora (que conheço desde que era estagiária) segue um caminho muito desprezado país: o da preservação da nossa história.

— É isso que tento fazer na minha vida profissional. Preservar a memória da música brasileira. O que não é fácil — explicou.

Lançamento (Rio de Janeiro)

O lançamento da Discobiografia Mutante aconteceu na sexta-feira (31/8) no Sebo Baratos, na Rua Paulino Fernandes, 15 – Botafogo – às 19h.

Foi ótimo!

Serviço

Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira
Livro bilíngue Português / Inglês
243 páginas
Autora: Chris Fuscaldo
Editora: Garota FM Books
Preço: R$ 80,00

Site para compra: http://chrisfuscaldo.com.br/discobiografia-mutante/

Fotos: Divulgação, reprodução e Tatynne Lauria

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Dica para a Copa: Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético

O título é longo – Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar) -, mas a leitura é boa para quem já está na Rússia, ainda vai viajar ou vai ficar acompanhando a Copa por aqui mesmo.

O livro narra as aventuras de Zizo Asnis – escritor gaúcho de guias de viagem – que visitou vários países da ex-União Soviética, como a Bielorrússia e seguindo por Moldávia, Ucrânia e, Rússia, além de Mongólia e China.

O texto é leve, bem-humorado e vai ser uma boa companhia para os intervalos entre os jogos.

Alguns trechos do livro


Chernobyl

“Entrar nesses locais é a parte mais chocante da visita. Não tem como não se comover. Diferentemente de um museu, onde se tem acesso a informações, fotos, documentos, aqui não há nada escrito, fotografado, documentado, mas há evidência de vidas – vidas vividas e bruscamente interrompidas, como raramente se pode testemunhar.”

Cazaquistão

“E o que eu sabia do Cazaquistão? Fazia parte da União Soviética. Tinha montanhas. Tinha uns prédios modernos meio bizarros. E tinha Borat, o segundo melhor jornalista do glorioso país Cazaquistão! Enfim, um destino perfeito, ainda mais estando a poucas horas da fronteira. Só havia um possível problema: eu não tinha o visto. Não há consulado do país no Brasil, e não havia tempo hábil para solicitar em nenhum local durante esta viagem. Entretanto, eu vislumbrava duas chances: conseguir o visto na fronteira, eventualmente pagando uma taxa de ágio (e espero que ágio não seja eufemismo para propina) ou eu ser dispensado do visto. No site do Governo do Cazaquistão, informava sobre a necessidade de brasileiros portarem o visto, mas havia uma informação secundária, numa página mais escondida, que dispensava o visto de brasileiros (acho que a isenção era para diplomatas, mas não estava claro). Mesmo que aquilo tenha me parecido um erro, resolvi arriscar. E mais: constatei que argentinos não precisavam de visto para o Cazaquistão. Como assim? Por que cidadãos da Argentina não precisam e os do Brasil, sim? Considerei aquilo um ultraje diplomático que eu não iria aceitar, e assim, munido de todos os motivos do mundo, eu estava a caminho do território cazaque – sem visto”.

Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar)

Preço – R$ 39,90
Páginas – 192
Compra através do link

A última balada de Wilde (by André Machado)

Edição de 1921 do poema, editado por Robert Ross (foto minha, eu tenho o livro)

Num país como o nosso, com prisões superlotadas e volta e meia palcos de rebeliões e chacinas, é válido lembrar um dos mais famosos textos que denunciaram a dura realidade das prisões inglesas no século XIX — o longo poema “A balada do cárcere de Reading“, de Oscar Wilde, cuja publicação completou 120 anos no último dia 13 de fevereiro.

Condenado por sua homossexualidade a dois anos de prisão com trabalhos forçados a partir de 1895, Wilde viu sua vida ruir: foi à falência (seus bens foram leiloados às pressas antes mesmo do julgamento final), nunca mais pôde ver os filhos e tornou-se um pária. Um dos diretores do presídio de Reading, onde cumpriu a maior parte da pena, previu que o regime de trabalhos forçados a que o escritor foi submetido o deixaria alquebrado e o levaria à morte em poucos anos. De fato: Wilde morreu pobre e esquecido em Paris três anos e meio após sair da cadeia.

Edição de 1904 do poema (domínio público)

Enquanto estava em Reading, Wilde soube que um soldado de um regimento de cavalaria real, Charles Thomas Woolridge, seria enforcado por matar a esposa (cortou-lhe a garganta), o que lhe causou profunda impressão. Teria sido um crime passional. A execução ocorreu em julho de 1896, e o escritor foi libertado no ano seguinte, mudando-se para um chalé em Berneval-sur-mer, na França. Ali começou a rascunhar a balada, que se tornaria sua mais célebre obra em versos.

Dedicado ao soldado enforcado, o poema descreve as sofríveis condições na prisão, o clima de medo e solidão, a rotina de labuta e privações, e chega ao auge com a estrofe:

“Todos os homens matam o que amam

Seja por todos isto ouvido,

Alguns o fazem com acerbo olhar,

Outros com frases de lisonja,

O covarde assassina com um beijo,

O bravo mata com um punhal!”

(Tradução de Oscar Mendes)

Dedicatória de Wilde ao Major Nelson, diretor que o tratou melhor em Reading. Lê-se:"[ao] Major Nelson, do autor, em reconhecimento de muitos atos de delicadeza e gentileza". Note o C.3.3, número da cela de Wilde, com que foram assinadas as primeiras edições (reprodução)

Com tais versos, Wilde se compara ao cavalariano enforcado, mas em seu caso foi de sua própria vida social e liberdade que ele deu cabo, ao tentar processar o marquês de Queensberry, pai de seu amante, Alfred Douglas, e ver o governo britânico se voltar contra si.

O poema, última obra literária do escritor irlandês, teve seu esboço inicial escrito em apenas 12 dias, segundo o biógrafo Richard Ellmann. Depois foi revisado e aumentado. No total são 109 estrofes com seis versos cada uma, alternados entre oito e seis sílabas. Mas uma versão com 63 estrofes também apareceu em edições póstumas, editadas por Robert Ross, melhor amigo, amante e testamenteiro literário de Wilde. Numa reedição de 1921 de “Selected poems – Oscar Wilde“, originalmente publicada em 17 de agosto de 1911, Ross apresenta as versões completa e a condensada, indicando que a última deriva “do esboço original. Ela foi incluída para beneficiar récitas cujas plateias acharam o poema muito longo para declamação”. (Uma leitura magistral do texto em inglês está no YouTube. O poema original em inglês pode ser encontrado aqui.

Wilde em 1897 em Nápoles, após sair da prisão (reprodução) Ross também nota que a balada representou a volta de Wilde à poesia após 16 anos mergulhado em prosa e teatro, com a notável exceção de “A esfinge”, de 1894. O poema foi inicialmente publicado pelo editor Leonard Smithers sem o nome do autor e com o pseudônimo C.3.3, que indicava a cela onde Wilde ficava. Só após sete edições seu nome foi revelado, e mesmo assim ao lado do C.3.3, entre parênteses, na folha de rosto. Segundo Ellmann, entre 1898 e 1899 foram vendidas cerca de 4.100 cópias (até a sexta edição). Uma tradução francesa feita por Henry Davray saiu ainda no final de 1898.

“Estou tão feliz com o sucesso de meu poema na Inglaterra”, escreveu Wilde a um amigo. “Mas é o meu canto de cisne, e sinto ter de partir com um grito de dor; mas a Vida que tanto amei — amei demais — me dilacerou como um tigre (…). Não creio que escreverei novamente; la joie de vivre se foi.”

Dito e (não) feito. A chama wildeana se apagou em novembro de 1900 em Paris. Mas “A Balada…” permanece. Dela saiu o próprio epitáfio de Wilde: “Por ele se encherá de alheia lágrima/ A urna partida da compaixão,/ porque por ele chorarão os proscritos/ E os proscritos sempre choram“.

 

Sobre o autor

André Machado é jornalista, rockeiro, bluseiro, amante da boa literatura e uma das pessoas mais especiais que já conheci. Difícil encontrar algo que ele não faça bem.

Trilogia de Matías Molina pretende contar história dos jornais brasileiros

Ainda não li nenhum trecho, mas desde já recomendo.

molina-livroO jornalista Matías Molina colocará no mercado três livros sobre a história dos jornais brasileiros. O tema das obras é resultado de décadas de pesquisa. Com o trabalho, o autor pretende abarcar toda a história da imprensa no país, desde suas primeiras manifestações no Brasil colônia até os dias atuais. O primeiro volume da série, intitulado História dos Jornais do Brasil – Da Era Colonial à Regência (1500-1840), será lançado em 10 de março.

O primeiro livro chega ao mercado com 536 páginas e fala sobre a imprensa no período colonial, tempo em que o Rio de Janeiro era sede da Corte, e se estende até a época da Independência. A história de que os jornais foram palco de disputas políticas será contada.

Editado pela Companhia das Letras, o volume traz epílogo com análise dos fatores que condicionaram o desenvolvimento da imprensa no país e ajudam a explicar a baixa penetração dos jornais na sociedade brasileira. A segunda obra vai falar sobre os jornais do Rio de Janeiro até o início do século XXI. O terceiro livro conta a história dos impressos de São Paulo no mesmo período.

Molina tem em seu currículo passagens pela Editora Abril, onde foi editor-chefe do grupo de revistas técnicas e lançou a revista Exame, pela Folha, como editor de Economia, e pela Gazeta Mercantil. No mercado editorial, é autor do livro Os melhores jornais do mundo.

Fonte: Comunique-se

Google e Barnes & Noble unem forças

Será que teremos isso aqui algum dia? Acho que enquanto dependermos dos Correios, não.

barnes-and-noble-booksellersNão é só o Walmart.com que está com a Amazon em sua alça de mira. O Google e a Barnes & Noble firmaram um acordo na área de distribuição de livros. A partir dessa semana, quem comprar obras impressas no Google Shopping Express receberá seu produto no mesmo dia. A informação é do jornal The New York Times.

O serviço estará disponível inicialmente para compradores residentes em Manhattan, na região Oeste de Los Angeles e na baía de São Francisco. O novo sistema de entregas usará o suporte das unidades físicas da rede de livrarias.

A parceria, que poderá ajudar a desenvolver a operação online da Barnes & Noble – que fechou 63 lojas nos últimos cinco anos –, foi divulgada um dia após a Amazon confirmar a ampliação do seu serviço de entrega no mesmo dia para outras seis cidades (Baltimore, Dallas, Indianápolis, Nova York, Filadélfia e Washington).

E-commerce com entregas no mesmo dia criado pelo Google em 2013, o Google Shopping Express está disponível apenas para algumas regiões dos Estados Unidos. Em alguns locais, a entrega é feita em um dia. O site abrange lojas como Cole Hardware, Costco, Google Play, Guitar Center, L’Occitane, Nob Hill Foods, Staples, Target e Walgreens.

Fonte: Meio & Mensagem

Saraiva apresenta leitor de livros digitais Lev

saraiva-levA Saraiva anunciou nessa terça-feira 5 o lançamento de seu leitor de livros digitais Lev. A coletiva de imprensa, realizada na loja do Ibirapuera, contou com a presença do apresentador Zeca Camargo, parceiro da livraria, que lançou no ano passado um livro somente na versão digital, em que fala sobre seus 50 anos. O dispositivo chega para ampliar o portfólio de conteúdo digital do grupo em duas versões, com e sem luz.

“O Lev é um instrumento facilitador, mais direto e mais acessível”, comenta Zeca Camargo sobre a experiência de leitura no novo e-reader. Segundo ele, o leitor mudou e a maneira de ler livros também. E esse é o mote da Saraiva, “O livro não mudou. Quem mudou foi o leitor”.

A empresa ingressou no segmento com o Saraiva Digital Reader, lançado em 2010, e que já conta com mais de quatro milhões de downloads. “Com esse novo dispositivo, temos uma estratégia de longo prazo com foco em oferecer a melhor experiência para o cliente, uma experiência única, ampliando cada vez mais o acesso aos conteúdos digitais”, afirma Michel Levy, CEO do Grupo Saraiva.

O Lev foi desenvolvido em parceria com a Bookeen, líder europeu em dispositivos para leitura, e o Centro de Estudos Avançados do Recife (C.E.S.A.R), que trabalhou em conjunto com a equipe da Saraiva na criação do software e integração com a biblioteca de livros digitais e da loja.

Em quatro anos, segundo Deric Guilhen, diretor de produtos digitais da Saraiva, a rede aumentou o número de editoras parceiras de 40 para 600. Ele ainda explica o nome do novo produto. “Lev vem de leveza, que propicia o conforto da leitura. Ele pesa 190 gramas. E também de levar, pois o dispositivo engloba toda a biblioteca sincronizada na nuvem”, relata. Apesar de não divulgar valores, a Saraiva informou que um de seus maiores investimentos foi a integração da plataforma, que também aceita documentos PDF.

O leitor digital será vendido em todas as lojas da Saraiva e nos sites da livraria e do Walmart.com, parceiro do grupo. O leitor já vem com 14 títulos gratuitos, quatro deles na lista dos mais vendidos. O produto é compatível com um acervo de mais de 30 mil obras em português e 450 mil em língua estrangeira. Desses livros, 65% são de interesses gerais; os demais são da categoria de CTP (científicos, técnicos e profissionais).

O Lev chega ao mercado com tela touch screen HD de 6 polegadas, bateria que dura até três semanas e memória de 4 GB, que permite armazenar cerca de 4 mil livros. A versão sem luz sairá por R$ 299 e a com luz por R$ 479, mas até dia 31 de agosto, terá preço promocional de R$ 399.

Fonte: ProXXIma

Livros para o Dia do Rock

Há vários ótimos livros sobre astros de rock no mercado. Indico as biografias de Eric Clapton e Pete Townshend e o Man On the Run (que conta a trajetória de Paul McCartney nos anos 70). Porém, não poderia deixar de citar os bons títulos da editora Nossa Cultura.

Abaixo os releases dos três últimos lançamentos.

Livro Caro MorriseyBruce: No livro, o autor Peter Ames Carlin engloba a amplitude da carreira assombrosa de Bruce Springsteen e explora o íntimo de um homem que conseguiu redefinir gerações de música. Obrigatório para os fãs, BRUCE é uma biografia minuciosamente pesquisada, de leitura quase compulsiva, sobre um dos artistas mais complexos e fascinantes da história da música norte-americana.

Ficha técnica – Bruce
Editora: Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-119-4
Tradução: Paulo Roberto Maciel Santos
Páginas: 518 Páginas
Formato: 16 x 23
Preço: R$ 59,00

Caro Morrissey: Raymond despeja no papel as desgraças de sua vida numa série de cartas a seu ídolo, o ex-astro dos Smiths, Morrissey. Corre o ano de 1991 e a banda ainda é uma lembrança viva (como até hoje) no coração de fãs como Raymond. Raymond Marks, pois, é um menino normal, de uma família normal, do norte da Inglaterra. Até que, às margens do Canal de Rochdale, jogando o inocente jogo do caça-moscas, Raymond começa a derrocada trágica – mas sempre cômica – de seus anos de adolescência, e a vida dele e de sua mãe nunca mais vai ser a mesma. A Raymond só resta pegar a estrada e, a cada parada, abrir o caderno em que escreve suas letras e, naquelas páginas quase todas em branco, confessar tudo – a história completa da sua tragicômica vida – sempre começando por: “Caro Morrissey…”

Ficha Técnica – Caro Mossissey
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-806-6113-2
Formato: 15 x 23
Páginas: 364 páginas
Preço: R$ 55,00

A batalha pela alma dos BeatlesA batalha pela alma dos Beatles: Nesta cativante narrativa, Peter Doggett documenta os dramas humanos da rica e envolvente história do império criativo e financeiro dos Beatles, formado para salvaguardar seus interesses, mas fadado a controlar suas vidas. Da tragédia até o retorno triunfal, dos confrontos judiciais aos sucessos nas paradas, A Batalha pela Alma dos Beatles retrata a história não contada de uma banda e de um legado que nunca serão esquecidos.

Ficha Técnica – A batalha pela alma dos Beatles
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-095-1
Formato: 16 x 22,7
Páginas: 512 páginas
Preço: R$ 59,90

O homem deu nome a todos os bichos: A voz rouca de Bob Dylan somada à batida marcante da música Man Gave Names to All the Animals, em português O homem deu nome a todos os bichos, conquistou pessoas de todas as idades pelo mundo a fora. Nela, Dylan descreve e nomeia diversos bichos e brinca com as características marcantes de cada um. Publicada pela editora Nossa Cultura, a obra é toda ilustrada pelos desenhos de Jim Arnosky que misturam a natureza com o lúdico e conquistam o leitor pelo seu humor e detalhismo. Acompanhado de um CD com a canção original, o livro O homem deu nome a todos os bichos promete propiciar uma experiência única que irá divertir e ensinar toda a família.

Ficha Técnica – O homem deu nome a todos os bichos
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-096-8
Páginas: 32 Páginas
Formato: 24,8 x 28,5
Preço: R$ 43,00

Crítica: 1973 – O ano que reinventou a MPB

1973capalivroSe vivemos uma época onde as fitas cassetes são desconhecidas, os festivais de música acabaram, os CDs estão virando história e os LPs – aqueles bolachões feitos de vinil – voltaram a moda, nada melhor do que um olhar crítico sobre a época onde os LPs eram verdadeiramente as estrelas da indústria fonográfica, muito antes dos WalkMan, iPods e etc. Foi com a intenção de contextualizar a produção musical brasileira em um dos anos mais importantes de sua história que o jornalista Célio Albuquerque organizou o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB” (Editora Sonora), que terá lançamento em Niterói na próxima terça-feira.

Para quem é muito jovem ou nunca se preocupou em conferir os anos nos quais seus discos preferidos foram lançados, um lembrete: 1973, ainda sob forte ditadura e muita censura, foi o ano dos Secos e Molhados, do primeiro disco de Raul Seixas, de Clementina de Jesus e seu “Marinheiro Só” e do debut de Luiz Melodia, só para citar alguns dos 50 títulos revistos pela obra.

Os textos, escritos com liberdade por nomes como Antônio Carlos Miguel, Silvio Essinger, Pedro Só, Rildo Hora, Tavito, Roberto Muggiati e Moacyr Luz, entre muitos outros, dão visões diferentes para cada um dos discos. Alguns em tom mais de crítica musical, outros em clima de memórias nostálgicas e alguns como sinceros depoimentos de quem participou dessa história.

SecoseMolhados1973Como toda lista de “melhores”, a do livro também tem suas polêmicas, a começar pelo próprio ano escolhido. É verdade que 1973 produziu alguma obras que até hoje se mantém atuais e seminais para nossa história musical, mas talvez seja um exagero disser que foi “O ano que reinventou a MPB”, já que um ano antes, apenas para citar um exemplo, foram lançados o Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges) e Acabou Chorare (Novos Baianos), o que põe em cheque o status de reinvenção do ano seguinte. Mesmo entre os títulos analisados (até mesmo alguns que não chegaram ao mercado) podemos perguntar sobre a ausência do disco de Roberto Carlos que, apesar de realmente não ser dos mais inspirados do Rei, conta com canções como Proposta, uma das mais populares de seu repertório, lembrando que Roberto construiu nesta década o seu “reinado”.

Alguns dos textos são deliciosamente envolventes, outros mais informativos, mas em todas as resenhas há um quê de admiração, de reverência (justa) ao que foi produzido. Uma pena que não seja tão fácil reunir todo esse material em CD ou em formato digital, pois ouvir cada um dos discos escolhidos para compor o livro seria um complemento perfeito para o leitor/ouvinte com menos de 40 anos.

Bom saber que ainda há espaço e pessoas com disposição para resgatar nossa história, seja ela de qual setor for. Como diz o prólogo do livro:”os autores não pretendem fornecer explicações… mas sim abordar a certeza absoluta do mistério que envolverá para sempre 1973 – O ano que reinventou a MPB”.

 Serviço:

Lançamento: 1973 – O ano que reinventou a MPB
Local: Livraria Gutenberg, Rua Cel. Moreira Cesar 211 loja 101, Icaraí
Horário: 17h

A (chata) polêmica das biografias não autorizadas

Roberto Carlos em DetalhesSaio de férias e fico, na medida do possível, acompanhando a surreal discussão sobre as biografias. Sendo um devorador deste estilo literário (autorizada ou não) e tendo entrevistado recentemente dois dos maiores biógrafos do mundo, ainda me surpreendo com a posição de certos artistas e da nossa Justiça, que permite que uma obra seja recolhida por que o objeto do texto não gostou de algo que foi revelado.

As autobiografias têm um valor inestimável, já que alguns aspectos e incidentes só podem ser explicados por quem estava lá. Porém, como todos sabem e, quero acreditar, tenha sido o caso recente de Chico Buarque, a memória trai.

Infelizmente, por conta de uma posição radical e “censurista” do rei Roberto Carlos, e que ganhou o apoio de vários nomes da música, aparentemente por conta de um apoio na questão dos royalties – mas isso é outra história – parece ter-se aberto um abismo entre liberdade de expressão e privacidade. Proibir a divulgação de qualquer fato é censura (ponto). Privacidade é algo que uma figura pública deveria saber que não tem. Pode até conseguir esconder melhor sua  vida, mas se quiser tranquilidade, não entre para o mundo artístico ou não faça (nunca) nada do que se possa arrepender.

Man on the runA impressão que fica é a de que há uma inundação de biografias não autorizadas e que expõem uma série de inverdades sobre nossos astros e estrelas (da música, principalmente), o que é uma inverdade. Um amigo até me disse: “Quem iria escrever uma biografia do Djavan, por exemplo? Pior, quem iria LER uma biografia do Djavan?”. Mas, gostos a parte, a vida de certos personagens fazem parte da história do país. Como falar em jovem guarda sem citar Roberto e Erasmo, ou como falar de tropicália sem Gil, Mutantes ou Caetano? A simples ideia de que nada pode ser publicado sem o “consentimento” dessas pessoas é uma distorção de qualquer conceito moral e lógico que possa existir.

A discussão também serviu para amplificar o coeficiente de escrotidão de certas pessoas, como a Sra que foi até um programa de TV e tentou constranger uma jornalista, falando de sua homossexualidade – como se ela mesmo não possa ser lembrada de nada parecido em sua passagem pela Terra. A repercussão do episódio foi tão ruim e a receptividade do público (que ficou ao lado da liberdade de expressão) foram tão fortes que foi preciso um “recuo estratégico” e até mesmo uma “entrevista Seinfield” – aquela que não diz nada – de Roberto Carlos ao Fantástico foi preparada, para tentar “amenizar” a situação.

eric-clapton-biografiaQue qualquer um tem o direito de se proteger de calúnias e difamações, mas, mais que isso, todos têm o direito de divulgar qualquer fato que possa ter relevância na história de alguém ou de algum movimento cultural. Resta definir o que é calúnia e como esse ressarcimento vai acontecer. Tirar uma obra das prateleiras é pura e simplesmente uma atitude arbitrariamente censurista.

Uma vez Erasmo Carlos me disse: “Tem coisas que só Roberto e Erasmo podem sabem. Quem fez o que. E tem vezes que nem nós mesmos lembramos”.

É isso, Erasmo. Pode ser que vocês não lembrem de muitas outras coisas, mas que um amigo, amante, músico, ex-amigo, empresário, porteiro ou qualquer outra pessoa, tenha lembranças que divirjam das suas e que podem até estar mais corretas. Quem, com mais de 30 anos, nunca passou por um evento no qual a sua memória vai de encontro com a de outros que testemunharam o mesmo fato? Você confia 100% na sua versão? Jura?

layla-bookSó no último mês li três biografias (por acaso, todas não autorizadas), com fatos que se repetem nas três obras, mas sempre com testemunhos diferentes, de personagens que vivenciaram o acontecido. Se há incorreções em algumas (ou todas) elas? Provavelmente sim, mas isso não indica desonestidade do autor ou dos entrevistados. Imagine se não houvesse uma biografia não autorizada de Eric Clapton, por exemplo, já que ele mesmo escreveu na sua auto, que não lembra de muita coisa que aconteceu em meados da década de 70.

Pelo menos vimos que a sociedade se posicionou ao lado da liberdade e que figuras escrotas tiveram que sair da linha de frente, já que não têm nível para poder discutir com um mínimo de educação o assunto.

Que o STF tenha uma posição simplesmente democrática e constitucional sobre o assunto.

Agora chega, né?

Johnny Cash ganha autobiografia

Com uma vida marcada por altos e baixo, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June, ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash

CashJohnny Cash, um dos principais nomes da country music norte-americana, um dos principais artistas da Sun Records, o mesmo selo de nomes como Carl Perkins e um tal de Elvis Presley, volta aos holofotes. Com uma vida marcada por altos e baixos e muitas confusões, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June (2006), ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash.

O livro, escrito em parceria com o jornalista Patrick Carr e publicado pela Editora Leya, é praticamente uma leitura obrigatória para quem gosta de saber dos bastidores da vida dos astros da música, embora alguns episódios possam estar um tanto amenizados, embora o vício em anfetaminas, por exemplo, não tenha sido deixado de lado, já que teve papel importante em vários momentos da carreira do músico, que também se aventurou pelo cinema e apresentou um programa na TV. Belo registro de uma das figuras mais icônicas da música norte-americana.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Biografia de Noel Rosa é reeditada

capa-LivroNoel-FINAL3-splash.inddNo Tempo de Noel Rosa (Editora Sonora), livro que conta a história de um dos maiores sambistas de todos os tempos e que colocou o bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, definitivamente no mapa do samba e que estava fora de catálogo há mais de 30 anos, volta às prateleiras das livrarias (físicas e virtuais). Escrito por Almirante, outro ícone do samba e um dos primeiros pesquisadores musicais do País, No Tempo de Noel Rosa é uma verdadeira viagem pela vida de Noel por Henrique Foréis Domingues (nome verdadeiro de Almirante) e pela criação do ritmo que se tornou a marca registrada do Rio de Janeiro e do Brasil.

Autor de sucessos como Com que Roupa?, Conversa de Botequim, Filosofia e Feitiço da Vila, Noel teve em sua breve existência (morreu com 26 anos, em 1937, por causa de uma tuberculose) uma importância tão grande que inspirou as calçadas musicais do bairro onde viveu, Vila Isabel, e que são uma atração e um patrimônio da música brasileira até hoje.

No Tempo de Noel Rosa é a chance de conhecer a vida de um mestre do samba, pesquisada e contada por outro mestre.

Leitura imperdível!

As Cartas de John Lennon (e os meus postais também)

Dia 9 de outubro de 1940 é a data de nascimento de John Lennon, que estaria completando seus 72 anos de vida, caso não tivesse sido vítima de um louco em dezembro de 1980. Para comemorar a data, está chegando as livrarias inglesas um livro chamado The John Lennon Letters. A publicação, ideia do autor da biografia autorizada dos Beatles (A Vida dos Beatles), o jornalista inglês  Hunter Davies, reúne mais de 200 cartas e cartões postais escritos por Lennon.

O importante para nós, que vivemos neste país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, é que dois brasileiros estão representados no livro com correspondências enviadas por Lennon. Por coincidência, os dois nasceram e vivem no Rio de Janeiro: Lizzie Bravo (a fã que fez backing na canção Across the Universe) e este jornalista que vos fala.

Quem quiser reler a história dos cartões que Lennon enviou para mim pode clicar aqui.

O livro, que tem a chancela de Yoko Ono, será editado em 15 idiomas inclusive o português, onde sai pela Editora Planeta com o título de As Cartas de John Lennon -, além dos países de língua inglesa. A maioria desses lançamentos agora em outubro.

Reprodução da versão brasileira do livro The John Lennon Letters

Aproveitando a ocasião, publico abaixo uma pequena entrevista com Hunter Davies, sobre o novo livro e sobre a biografia dos Beatles.

Mr. Davies, como foi o tempo que passou com os Beatles enquanto preparava a biografia?

Foi fantástico. O ano de 1967 foi realmente especial para ele e para todos ligados em música. Eu conto essa história toda na última atualização da biografia (em meados dos anos 80).

Seu livro é “bem limpo” em alguns aspectos. Você gostaria de reescrever algo ou contar alguma história mais picante que tenha ficado fora do livro?

Ele não foi considerado “limpo” na época (1968). Todas as críticas, especialmente nos Estados Unidos,disseram que era o livro mais revelador já escrito sobre estrelas pop. Ele incluía a palavra “fuck”, dizia que o Brian Epstein era um gay solteiro, tinha histórias do John roubando quando era criança, etc. As pessoas ficara chocadas naquele tempo. Eu só não inclui nada sobre sexo com groupies – embora todos soubessem disso – porque cada um deles tinha esposa ou namoradas e resolvi poupá-las.

Reprodução da versão brasileira do livro The John Lennon Letters

Caso fosse escrever o livro novamente, ainda deixaria de fora essa parte sobre sexo. Eu só gostaria de ter alado mais sobre a música deles e usado um gravador  – já que eu presenciei muito mais sessões de gravação e ensaio que  as que usei no texto final. Imagino quanto essas fitas não valeriam hoje. Eu só fiz anotações.

Sempre soube que você e Paul McCartney eram amigos. Porém, li uma entrevista dele em 1986 na qual ele fala de você de uma maneira não muito elogiosa. O que aconteceu?

Por favor me mande uma cópia do que o Paul disse. Eu não lembro de ter visto isso. *

*Após enviar a entrevista da Musician de outubro de 1986, Davies disse que as reclamações de Paul não eram procedentes.

Como foi que Yoko chegou até você para escrever esse novo livro?

Na verdade eu fui até a Yoko. Foi tudo ideia minha, mas ela me deu sua benção e permissão, como detentora dos copyrights, sem o qual isso não seria possível.

Mas ela não forneceu nenhuma correspondência do John.

Alguma história o deixou surpreso enquanto preparava o The John Lennon Letters?

Não consigo lembrar de nenhuma grande revelação. São apenas cartas que mostram várias partes da personalidade de john.

E o que achou de encontrar dois brasileiros com correspondências enviadas por Lennon?

Foi uma surpresa muito agradável ter duas pessoas do Brasil com tanta coisa enviada por ele.

Você já escreveu livros sobre ferrovias, a história do futebol e os Beatles, claro. Sobre quais assuntos você gostaria de escrever no futuro?

Gostaria de escrever mais sobre a história do futebol.

Quantas cartas você conseguiu recolher e qual foi o critério para publicá-las?

No total eu consegui 300, mas eu ultrapassei o conceito de cartas, incluindo também cartões postais (como o seu), além de alguns bilhetes e anotações.

É isso! Depois digam o que acharam do livro.

Elton John – A Biografia – por David Buckley

Grande nome dos anos 70, compositor de algumas das mais belas melodias do século passado, responsável por alguns dos mais inspirados discos de todos os tempos e dono das paradas de sucesso na era pós-Beatles, o hoje Sir Elton John é uma figura rica (em vários sentidos) e sempre difícil de entender na sua totalidade. O jornalista David Buckley teve uma boa ideia ao fazer a sua biografia do artista – Elton John – A Biografia (Companhia Editora Nacional) – tendo como ponto principal os lançamentos de álbuns e singles, ao invés de algum evento que marcasse sua vida. Dessa maneira, o livro, em suas quase 400 páginas, traça um perfil do músico com base na sua face mais importante: a música.

Como toda biografia não autorizada, o livro se baseia em entrevista com amigos e colaboradores para criar a imagem de Elton. O colaborador mais importante para a feitura do livro foi o letrista Gary Osborne, que substituiu Bernie Taupin durante o fim dos anos 70 e boa parte dos 80, fase bem menos brilhante do pianista.

O livro cobre todas as fases do artista, mas – talvez seu único pecado – perde muito mais tempo na década de 70, quando seu contrato o obrigava a lançar dois discos por ano e todos com muito sucesso nas paradas. Como essa foi a fase de ouro de Elton fica claro que deveria ser bem explorada, mas alguns lançamentos dos anos 80 e 90 ganharam tão pouco espaço que poderiam virar apenas um verbete. Citar suas canções de sucesso ou o título de seus discos pós-anos 70 poderia aumentar esse texto em mais um ou dois parágrafos, mas seria supérfulo (para essa discografia, leia o livro).

Elton John continua na ativa até hoje e, apesar de sua voz e sua criatividade nunca mais terem sido as mesmas, mantém seu nome nos holofotes de alguma maneira. Seus últimos discos até apresentam faíscas daquilo que foi produzido nos anos 70, mas os dias de Capitão Fantástico ficaram mesmo para trás.

Elton John – A Biografia é recomendado não apenas para quem quiser entender melhor o que foi o fenômeno Elton John, mas também para ter uma ideia do cenário musical das décadas de 70 e 80 (principalmente). Há um apêndice com a colocação nas paradas americanas e inglesas de todos os álbuns e singles lançados por ele, com colocação e tempo que ficaram entre os títulos mais vendidos.

PS: O livro tenta explicar a personalidade um tanto complexa e um tanto depressiva de Elton, seus abusos com drogas e incertezas sexuais. Mas isso, fica sempre (ainda bem) em segundo plano.

Livros sobre Erasmo Carlos, Elton John e Dave Grohl

Em época de Flip, quando só se fala de leitura, livros, enredos e roteiros, decidi colocar em dia os posts sobre alguns livros de música devorados nos últimos meses. Ler é sempre um prazer, mas a correria do dia a dia e a quantidade de textos para produzir podem emperrar um pouco a produtividade na hora de comentar essas publicações.

Erasmo Carlos, Elton John e David Grohl são os alvos de três livros que se sobressaem no mar de biografias e histórias contadas sobre grandes astros do rock (nacional ou internacional).

Sobre a leitura mais recente – Dave Grohl – Nada a Perder (Edições Ideal) – já publiquei um post. O livro é bem feito e em nada faz falta a ausência de fotos (vale o que está escrito), então, amanhã e segunda posto minhas impressões sobre Minha Fama de Mau – biografia de Erasmo Carlos com texto do companheiro Leonardo Lichote – e Elton John – A Biografia, escrito por David Buckley.

Do Nirvana ao Foo Fighters, a carreira de Dave Grohl é contada em livro

São poucas as histórias de um baterista que se transforma em guitarrista, band leader ou artista solo de sucesso. Phil Collins e Lobão são exemplos raros de artistas que começaram segurando as baquetas e o ritmo de uma banda e se sobressaíram como nomes de destaque no cenário musical. Dave Grohl é uma dessas raras figuras e o livro Dave Grohl – Nada a Perder (Edições Ideal), escrito por Michael Heatley, que já escreveu mais de 30 biografias de artistas do porte de John Lennon e Deep Purple, conta toda a vida do músico.

Quem pensa que tudo começou com o encontro com Kurt Cobain e sua entrada no Nirvana ou que seus recentes trabalhos e aparições ao lado de gente como Paul McCartney, David Bowie e Garbage são o ápice de sua carreira, está enganado. Ainda há muito para acontecer, mas é importante entender as razões e circunstâncias que levaram David a ter o reconhecimento e respeito que desfruta nos dias de hoje.

O livro traça, em ordem cronológica, a trajetória do garoto nascido em Springfield, na Virgínia – nenhuma relação com os Simpsons -, passando por todas as suas aventuras e tentativas musicais até chegar ao estrelato. Um dos destaques da publicação é a ampla e cuidadosa discografia e videografia, que registram desde a primeira fita cassete que gravou até o mais recente disco do Foo Fighthers, Wasting Light, lançado em 2011.

Mas o livro não fica apenas nos momentos felizes e inspirados de Grohl. Por não ser uma biografia autorizada, Heatley também conta histórias curiosas e algumas boas polêmicas criadas pelo músico. Além disso, o livro está recheado de depoimentos de gente muito importante sobre o talento e as habilidades do roqueiro. Outro ponto positivo é a divisão de espaço entre os vários momentos da vida de Grohl. Diferente de outros livros, Nada a Perder não fica centrado no período com o Nirvana. Assim como na vida real, essa fase ganha um espaço editorial condizente com o tempo que Grohl esteve na banda, meros três anos e meio.

Pode ser que David Grohl ainda não tenha a importância histórica de um Ringo Starr, Don Henley ou Levon Helm, bateristas que marcaram época em bandas como Eagles, The Band e The Beatles, mas fica claro que sua trajetória ainda vai ter muitos capítulos e que ele ainda pode evoluir e produzir muito mais.

Fãs do Queen ganham presentes

Coincidindo com o aniversário de 30 anos da primeira vinda do Queen ao Brasil – no estádio do Morumbi, em 1981 – os fãs brasileiros da banda formada por Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor ganham um punhado de ótimos presentes para o Natal. Durante todo o ano de 2011 a Universal, gravadora que detém o catálogo do grupo, colocou no mercado versões remasterizadas de todos os álbuns da banda, com uma boa quantidade de material inédito.

Álbuns clássicos como A Night at the Opera, A Day at the Races, The Game, News of the World e Jazz, ganharam nova vida e até mesmo os títulos menos inspirados (mas nem por isso descartáveis) como Hot Space e A Kind of Magic ficam bem mais interessantes com o tratamento acústico recebido. E um punhado de gravações ao vivo e versões inéditas de várias canções. A última leva de lançamentos, que engloba os álbuns da parte final da carreira (The Works, A Kind of Magic, The Miracle, Innuendo e Made in Heaven), chegaram às lojas no fim de outubro e valem o investimento.

Além do legado musical renovado, o Queen ainda ganhou um livro que conta sua história de maneira ilustrada e bem colorida. Queen – História ilustrada da maior banda de rock de todos os tempos (Globo Livros), do jornalista inglês Phil Sutcliffe – que já trabalhou em publicações como a Q Magazine e Mojo, além de ter escrito biografias para outras bandas importantes na história do rock, como The Police e AC/DC – conta a trajetória do grupo através de entrevistas feitas pelo autor com os membros da banda e diversos colaboradores e amigos do grupo. O livro conta com um vasto material visual, que inclui mais de 500 imagens de shows, além de itens de memorabilia, como cartazes de apresentações, capas de disco, canhotos de ingresso e programas de concertos.

Outro ponto alto do livro é a discografia comentada, onde cada álbum do Queen ganha análises detalhadas assinadas por um time de jornalistas especializados em rock, onde se destacam nomes como os de Jim DeRogatis e Greg Kot.

E, para quem ainda quer mais Queen e conta com um orçamento generoso, além dos discos e do livro, ainda há o lançamento do DVD como Live at Wembley Stadium, que ganhou uma edição dupla, onde registra dois dos últimos concertos ao vivo de Freddie Mercury, ainda totalmente em forma.

Muita gente torce o nariz para o som do grupo, mas não há como não admitir que têm um lugar garantido na história.

Texto originalmente publicado no jornal O Fluminense

Depois da Modern Sound, livraria DaConde anuncia seu fechamento

Parece que a internet finalmente vai matando as lojas físicas. Depois do fim das lojas de discos – a última sendo a Modern Sound, templo sagrado e um dos últimos bastiões da categoria – a livraria DaConde, no Leblon, anuncia que encerrará suas atividades no dia 31 de janeiro de 2011.

Em comunicado a direção diz que “até que seja definido um novo local de funcionamento, as vendas continuarão a ser feitas apenas pelo site http://www.dacondevirtual.com.br.”. Será que reabrirão em outro local? Tomara.

A loja, situada na Conde de Bernadote, na galeria dos teatros e da Academia da Cachaça, era parada obrigatória para quem gostava de curtir um livro ou tomar um café antes da programação etílico-cultural. Sempre havia algo que chamava a atenção e acaba indo para a casa com você – pelo menos comigo.

Para quem ainda quiser curtir a livraria DaConde na Rua Conde de Bernadotte 26, loja 125, com seu lounge wi-fi ou seu café, até o final deste mês haverá uma queima de estoque com descontos de 10% a 50% em livros, CDs e DVDs.

 

Amazon vende mais livros eletrônicos que em papel, no trimestre

Muitos haviam previsto esse dia e muitos outros – inclusive eu – achavam que ele iria demorar muito mais para acontecer, mas….tá lá: a Amazon vendeu mais livros digitais que em papel. Segundo o CEO da empresa, Jeff Bezos, nos últimos três meses os livros eletrônicos venderam, em unidades, 43% a mais do que os livros tradicionais. Ou seja, para cada cem livros tradicionais comercializados, 143 livros eletrônicos foram vendidos.

Em junho, o movimento de alta dos livros eletrônicos é ainda maior, superando em 80% a venda de livros impressos. Porém há dois detalhes importantes:

1- Os livros tradicionais ainda geram lucros maiores;

2- Os números divulgados não incluem a venda de livros de bolso, muito populares nos Estados Unidos, nem os quase dois milhões de títulos eletrônicos disponíveis gratuitamente por serem de obras publicadas originalmente antes de 1923 e cujo domínio é público;

3- Em 2010, os livros impressos em capa dura aumentaram suas vendas em 22%.

Com informações do Meio & Mensagem.

Egípcios querem proibir As Mil e Uma Noites

Foi só me pronunciar aqui, neste espaço livre (ahahahah) sobre os problemas de querer controlar o que se escreve nas redes sociais e reclamar do politicamente correto que recebo essa sensacional notícia: Um grupo de egípcios modernos quer proibir o livro As mil e uma noites por entender que atenta contra a decência e instiga ao pecado.

Vale lembrar que o livro teve a sua primeira edição em 1835. Ou seja, as pessoas estão entrando em um delírio coletivo onde tudo deveria ser proibido e tudo é incorreto. Pior, já houve tentativas de recolher a publicação na década de 80.

Quero distância dessas pessoas loucas.

Erasmo Carlos – Minha Fama de Mau

A Fama pode ser de mau, mas o coração e educação são de ouro.

Minha Fama de Mau A noite estava chuvosa, o estacionamento custava R$ 15 e o stand de venda de livros estava com a máquina de cartões com defeito. O cenário fez muita gente desistir de comprar um exemplar de Minha Fama de Mau, biografia do Tremendão Erasmo Carlos, com texto final do amigo e excelente jornalista, Leonardo Lichote.

Por conta dos problemas para comprar o livro, era fácil ver músicos e famosos contando trocados para ver se tinham os R$ 49,90 cobrados. A fila era gigantesca e demorava bem mais de uma hora para conseguir chegar ao cantor e obter seu autógrafo. Isso porque Erasmo é de uma educação ímpar. Falava com cada um que chegava até ele, tirava fotos e fazia questão de agradecer a todos, conhecidos ou não.

Erasmo livro 27out09 011Aliás, o próprio Erasmo se encarregou de evitar que houvesse furadas de filas. Uma bronca discreta e a certeza de que estávamos diante de um artista único no Brasil. Com um disco de inéditas no mercado e um ótimo show na estrada, Erasmo Carlos está mais ativo que nunca.

Ainda não deu para terminar o livro (claro), mas a primeira história já deixa claro que vai ser uma leitura fácil.

Parabéns Tremendão, parabéns mermão Lichote.

Leia mais sobre a festa de lançamento.

Clapton: Uma autobiografia capenga

layla-bookBiografias são sempre interessantes. Autobiografias algumas vezes deixam a desejar. Acabei de ler a de Eric Clapton e fiquei com sentimentos divididos. Se por um lado é bom saber o ponto de vista dele sobre o relacionamento com Patty Harrison-Clapton-LaylaBoyd – que também escreveu um livro sobre a sua (dela) vida – fica uma certa decepção sobre a falta de menção ou apenas um ou poucos parágrafos sobre eventos importantes da carreira do guitarrista.

Como disse, autobiografias são complexas. Elas costumam esconder alguns defeitos de personalidade e/ou decisões questionáveis. No caso de Eric Clapton a coisa piora um pouco. Não poderíamos mesmo esperar muito mais de alguém que passou praticamente duas décadas e meia totalmente afundado em heroína e álcool. A (falta) de memória de Clapton torna o livro recomendado apenas para quem já conhece a carreira do artista e alguns episódios da sua vida.

São detalhes demais sobre momentos e lugares que são importantes apenas na visão da pessoa Clapton enquanto discos e shows que marcaram sua carreira são quase que completamente ignorados. Algumas vezes apenas uma frase é dita sobre um projeto específico e personagens aparecem do nada para ganharem o status de grande amigo ou velho amigo.

Portanto, se você quer conhecer mais sobre a carreira e música do artista Eric Clapton, recomendo o Survivor, de Ray Coleman, uma biografia autorizada e bem mais rica (em inglês).

Agora é partir para a leitura da versão da mulher que inspirou Layla, Wonderful Tonight, Isn‘t it a Pity, Same Old Blues e Behind the Sun, para citar algumas belas canções.