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Televisão: Os apartamentos de Jorge Bispo

Fotógrafo estreia no Canal Brasil “502”,  programa que aborda a nudez masculina

Neste post, faço um mea culpa, conto uma historinha rápida e aproveito para jogar umanovidade no colo de vocês. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Outro dia mesmo estava na lavanderia e a moça que ocupava uma das máquinas puxou papo. Aquela espera tipo fila. Nem adiantou o fato de eu estar com a cara enfiada no meu livro.

Conversamos amenidades por dois minutos.

Voltei para a leitura, mas ela disparou:

— Quando você terminar de ler, tenho uma pergunta para fazer. Uma curiosidade…

O livro na minha mão, bojudo, nem tinha chegado à metade de suas páginas. Respirei fundo e prestei atenção na companheira de roupa suja. Ela queria saber, antes de mais nada, se eu assistia ao Canal Brasil. E aqui vem o mea culpa.

Parei e pensei. Não lembrava a última vez que sintonizei na emissora. Inclusive, preciso frisar que, tirando futebol, não ligo mais canal de TV aberta e, com a facilidade do streaming, abandonei até a TV a cabo, que me prende a horários. Respondi que não, não tinha o costume.

Foi aí que ela introduziu seu desconforto com um programa com o qual se deparou, um belo dia, zapeando. Era o “302”. Desde 2014, o fotógrafo Jorge Bispo trabalha seu projeto, concebido para a internet — o “Apartamento 302” —, como programa televisivo.

Já foram ao ar quatro temporadas. Nele, mulheres comuns se despem, no sentido mais amplo da palavra, para a lente de Bispo. E as câmeras do Canal Brasil. O questionamento da companheira de lavanderia:

— O que leva essas mulheres a fazer isso? E por que mulheres, e não homens?

O que acontece em 10 minutos no 302

Curiosa, fui conferir.

Cada episódio tem duração de cerca de 10 minutos. A convidada, uma mulher “comum”, conta sua própria história diante das câmeras. O tratamento é típico de documentário.

Mulheres reais em seus próprios ambientes onde, teoricamente, se sentem mais confortáveis. Elas narram suas histórias, conversam com um interlocutor que nunca aparece. Não interessa; ela está falando com você, espectador.

No início, a nudez é metafórica. O assunto abordado deve ter o máximo de honestidade possível. A câmera é sua terapia, naquele momento. Depois de enfrentar seus fantasmas, é preciso se reencontrar. E, segundo Bispo, nenhuma maneira é melhor de fazê-lo, a não ser totalmente despida.

No fim, uma foto. E, talvez para muitas mulheres, a paz interior.

Para minha melhor amiga da lavanderia, a satisfação de tentar entender, agora, o universo masculino.

Nudez masculina dois andares acima: 502

A partir de 28 de setembro, o fotógrafo trará novidades para as telas: o “502”, programa que explora a nudez masculina. A série será dirigida por Helena de Castro. Matheus VK assina a trilha original da abertura.

Assim como no “302”, a relação com corpo será um tema bastante presente no “502”. Mas assuntos como racismo, masculinidade, virilidade, sexualidade e, claro, tamanho do pênis, também entram em questão quando homens tiram a roupa.

O programa ainda contará com a participação de um personagem trans que deixa bem clara sua motivação para estar ali: se reconhecer e se afirmar como homem. Quanto ao ato de despir-se, Bispo afirmou que os caras o fazem de forma bastante semelhante às mulheres.

“Venho me surpreendendo com como não faz muita diferença. Mesmo com o tabu do tamanho do pênis, masculinidade e etc. Vi que existem homens com perfis variados assim como acontecia com as mulheres. Não consigo identificar uma característica própria dos homens nesse aspecto”

Jorge Bispo

Enquanto nas mulheres fotografadas para o  “302”, liberdade e autoconhecimento apareciam entre os principais motivos para embarcar  no projeto, para os homens os motivos são mais variados: o desafio, vaidade, afirmação perante a sociedade de sua sexualidade.

Bateu curiosidade? Zapeia!

502 
Estreia: Sexta, dia 28, à 0h
Quando: Sextas, meia-noite
Classificação: 14 anos
Direção: Helena de Castro

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Brasileiros incrementam a compra de livros usados

Livros e automóveis são os produtos usados mais adquiridos nos últimos 12 meses, revela estudo da CNDL/SPC Brasil de setembro

Num país onde o índice de leitura é insuficiente e as editoras sofrem com o baixo número de exemplares vendidos, é um alento saber que os livros são os produtos usados mais comprados pelos brasileiros.

Um país se constrói com homens e livros“. A frase — adaptação da sentença de Monteiro Lobato e lema dos comerciais da Biblioteca do Exército — serviu como base para a formação de uma geração que tinha na leitura um dos alicerces da sua educação.

Líder de vendas

Os livros foram responsáveis por 54% das vendas de produtos usados em 2017, na frente até dos automóveis (43%), segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Não sei se isso significa que a população está lendo mais, mas é um dado que deve ser comemorado de qualquer forma. Ainda mais, se levarmos em conta que a maior parte dos produtos colocados à venda no período foi formada por eletrônicos (40%) e smartphones (40%).

A pesquisa mostra que a oportunidade de diminuir gastos e poupar é um dos objetivos da maioria das pessoas que optam pela aquisição de produtos usados. Dentre os que compraram ou venderam produtos usados nos últimos 12 meses, 65% calcularam a economia proporcionada, sendo 41% no caso da compra e 24% com a venda. Entre esses, nove (92%) em cada dez consumidores acreditam que a economia de dinheiro com a compra de usados foi significativa para o bolso. Os sites ou aplicativos especializados e o contato com amigos e conhecidos se destacam entre os principais locais para compra e venda de usados.

A pesquisa

A pesquisa ouviu 824 consumidores de ambos os gêneros, todas as classes sociais, capitais do país e acima de 18 anos. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Museu Nacional: um incêndio e muitos culpados

Governos — militares, civis, de direita, esquerda, e “academia” sucatearam um dos espaços mais importantes da nossa história

Foto: Uanderson Fernandes/Agência O Globo

O incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, é, segundo todos, uma tragédia anunciada.

Foram anos de descaso de governos e de diversas reitorias da UFRJ (responsável pelo museu desde 1946).

Outras tragédias

Incêndio no MAM – 1978

Vale lembrar também que desde 1976 o museu funciona fora das recomendações do Corpo de Bombeiros e que, as verbas para tal adaptação são geridas pela mesma instituição que destruiu o Canecão e que vem sofrendo com incêndios em várias de suas instalações.

• 2011: incêndio na capela do campus da Praia Vermelha, de 1850;
• 2016: fogo destrói prédio da reitoria, na Ilha do Fundão

O Rio parece ser palco de incêndios avassaladores. Foi assim com a TV Tupi, TV Globo, com o Museu de Arte Moderna (MAM), que em 1978 perdeu obras de nomes como Picasso, Dalí e Portinari, entre muitos outros, consumidas pelas chamas.

Mas, infelizmente, esses eventos não são uma exclusividade do Rio. É só lembrar o que aconteceu com o Museu da Língua Portuguesa.

Descaso e memória seletiva

Já teve gente (boa) me chamando de reacionário, mas lembro que o repasse de verbas (de responsabilidade única e exclusiva da UFRJ) não acontece de maneira satisfatória acontece desde sempre.

Continuo indignado com as declarações de dirigentes da universidade que citam (em primeiro lugar) o prejuízo de pesquisadores, que perderam seus trabalhos. Sério?

Já ouvi de um reitor e de um secretário que “a função principal da universidade não é difundir conhecimento, mas produzir conhecimento”.

Portanto, o importante é manter a verba para as pesquisas, mesmo que isso signifique mortes no hospital gerido pela instituição ou a destruição de seu/nosso patrimônio.

Vote direito

Então, vote direito, em gente que lute pela boa utilização das verbas, mas não esqueça: governos — militares, civis, de direita, esquerda, e academia sucatearam um dos espaços mais importantes da nossa história.

Lembre também que os governos, durante mais de sete décadas, repassaram verbas para a universidade que, de acordo com a autonomia universitária, distribui o dinheiro para as áreas que preferir.

Dizer que o corte de verbas dos últimos anos é a razão do incêndio é burro. Dizer que o BNDES atrasou durante cinco anos a análise do financiamento para a reforma do museu, é ridículo.

O museu tinha 200 anos e, repito, desde 1946, pelo menos, vem sendo negligenciado.

A indignação dos políticos e dirigentes da UFRJ é asquerosa assim como a memória seletiva de alguns!

Aproveitadores

O fim do museu é a oportunidade perfeita para reforçar o pedido de mais verbas para as universidades.

A demanda poderia ser justa, caso fosse claro para a sociedade onde é investido o dinheiro recebido e quais as condições de cada um dos departamentos da instituição de ensino.

Tomar atitudes como a que destruiu o Canecão é típico de uma academia (sim, em caixa baixa) que vive fora da realidade e de gente que prefere ver destruído um espaço importante para a Cultura em troca de uma ideologia barata e que jamais sairá do plano da imaginação.

Defendo que sejam destinadas as verbas necessárias para o bom funcionamento da UFRJ, mas, mais ainda, defendo que as verbas tenham destinações prioritárias. Na ordem: ensino, manutenção de hospitais e museus, e, depois, pesquisa.

Raiva dos culpados

Sim, estou PUTO com mais esse episódio lamentável que acontece na cidade que nasci, vivo e amo.

A cagada é indescritível e são muitos (muitos mesmo) os culpados (chama-los de responsáveis seria muito educado) pelo que perdemos, não só em termos de memória, como em termos de amor próprio.

Pena saber que as gerações futuras jamais conhecerão um dos espaços mais icônicos e importantes da cidade maravilhosa (também em caixa baixa).

PS: O diretor do museu disse que se o terreno tivesse sido cedido para a UFRJ essa tragédia poderia ter sido evitada. TÁ DE SACANAGEM?

B.B. King Club NY fecha as portas

A última visita (julho/2017)

Toda vez que uma boa casa de espetáculos fecha sinto uma enorme dor no coração, principalmente quando conheço e gosto do lugar. A notícia de que o B.B. King Blues Club & Grill, no coração de Nova York (no 237 da rua 42) encerrou as atividades choca tanto quanto os do Olympia, em São Paulo (em 2006) e do Canecão (em 2010).

Conheci a casa – que funcionava desde 2000 – em 2002 e sempre tive ótimas experiências tanto em relação aos shows, quanto ao cardápio e o atendimento – cheguei a ganhar convites grátis para um show porque era um dos únicos brancos em um show de soul music. Por lá, passaram nomes como o do próprio B.B., Aretha Franklin, James Brown, Etta James, Prentiss Mcneil, Alicia Keys, The Allman Brothers, ZZ Top, Jay-Z, Bon Jovi, Big Gilson, Mary J. Blige, Denny Laine, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Al Green, Bruce “Big Daddy” Wayne, Wilson Pickett, Bo Diddley e Buddy Guy (que fez o show de encerramento). Lá também era a casa de um ótimo brunch com coro gospel (The Harlem Gospel Choir) aos domingos e com um cover dos Beatles, aos sábados.

Buddy Guy fez o último show, em 29 de abril.

A razão do fechamento – dada em nota oficial – foi o preço do aluguel, que ficou alto demais, apesar da quase totalidade dos shows ser sold out. Tsion Bensusan, responsável pelo local, também reclamou da prefeitura de Nova York, que fez um grande esforço para revitalizar a área duas décadas atrás, mas que agora não está se preocupando com o futuro da área.

Os shows que estavam programados foram realocados para outras casas, mas a maioria será realizada no Sony Hall, que ainda não conheço, mas que fica pertinho (na 46, entre 7ª e 8ª. Infelizmente alguns foram para bem longe do Times Square, mas nada que uma pequena viagem de metrô não resolva.

O (bom) vinho dos Rolling Stones

Uma pena que um dos marcos de Nova York, onde podíamos assistir bons shows por um preço justo e até experimentar o vinho (surpreendentemente bom) dos Rolling Stones, agora, seja apenas uma lembrança.

Ainda não há informações sobre o que vai funcionar no local, mas espero que não seja uma igreja ou uma farmácia, como acontece por aqui,

Deve ser horrível morar em uma cidade que não cuida da sua memória cultural!

Lembrando do caso Canecão

Desde maio de 2010 que o Canecão está fechado por conta de uma ordem judicial que determinou sua reintegração a UFRJ. Na época (e até hoje), muita gente inteligente saudou a decisão, como se a universidade tivesse alguma competência para operar o que era a principal casa de espetáculos do Rio. Sempre há o argumento de que o contrato era danoso (!?) para a instituição. Quem defende isso parece esquecer que o fim do Canecão foi danoso para a cidade, o estado e o país, já que perdemos uma grande parte da nossa história musical.

Abaixo um trecho do meu post de 8 de janeiro de 2012.

A UFRJ continua sendo uma instituição incompetente para gerir o espaço, diferente do que pode acontecer na gestão do seu ensino. Saber que membros da chamada academia se recusam a sequer admitir passar parte da gestão para alguma empresa ou grupo de pessoas fora da instituição é prova de que vivem dissociados da realidade. Querer criar algo como um Centro Cultural é ridículo! Centro Cultural, na visão dos nobres membros do Conselho Universitário, o fórum de 50 integrantes (afora os suplentes) pelo qual passa toda decisão importante tomada na UFRJ, é sinônimo de atrações que não interessam ao público do Rio e nem mesmo aos estudantes, que poderiam ser obrigados a prestigiar o espaço.

Viva a (burra) autonomia universitária e a facilidade em destruir o que beneficia o público. Não é só o Rio e o Canecão que foram vítimas de decisões estúpidas. Várias outras instituições de ensino – verdadeiros buracos negros de verbas e que se preocupam mais com pesquisas do que com ensino, o desenvolvimento cultural ou o bem-estar da população, vivem retomando e fechando teatros, cinemas e casas de espetáculo Brasil afora.

A academia deve estar feliz em ver Roberto Carlos e Chico Buarque falando publicamente que sentem não tocar no Canecão. Também devem estar felizes em saber que um espaço voltado para a comunidade acadêmica não deverá ser utilizado por plebeus da música mundana ou por qualquer evento relativo aos Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo. Afinal, quem precisa disso? Precisamos é de salas de cultura, onde possamos ver curtas-metragens ou exposições de fotos ou mesmo de obras de arte feitas de barro, sei lá.

Johnny Winter, um dos últimos grandes shows que vi no Canecão

O Brasil é um país sem rumo. Políticos corruptos/incompetentes/retrógrados, tribunais superiores infestados de ratos, instituições de ensino que não usam suas verbas para o que deveria ser sua finalidade (o ensino e não a pesquisa), uma total falta de respeito pela vida, além de visões tortas sobre o conceito de social.

Não sei se ainda verei alguma mudança significativa na situação geral do país, mas tenho certeza de que nunca mais verei um Canecão que possa trazer algo de realmente bom para a Cultura.

 

Fotos: Divulgação, Jo Nunes e Fernando de Oliveira

Vídeo: Jo Nunes

Saraiva apresenta leitor de livros digitais Lev

saraiva-levA Saraiva anunciou nessa terça-feira 5 o lançamento de seu leitor de livros digitais Lev. A coletiva de imprensa, realizada na loja do Ibirapuera, contou com a presença do apresentador Zeca Camargo, parceiro da livraria, que lançou no ano passado um livro somente na versão digital, em que fala sobre seus 50 anos. O dispositivo chega para ampliar o portfólio de conteúdo digital do grupo em duas versões, com e sem luz.

“O Lev é um instrumento facilitador, mais direto e mais acessível”, comenta Zeca Camargo sobre a experiência de leitura no novo e-reader. Segundo ele, o leitor mudou e a maneira de ler livros também. E esse é o mote da Saraiva, “O livro não mudou. Quem mudou foi o leitor”.

A empresa ingressou no segmento com o Saraiva Digital Reader, lançado em 2010, e que já conta com mais de quatro milhões de downloads. “Com esse novo dispositivo, temos uma estratégia de longo prazo com foco em oferecer a melhor experiência para o cliente, uma experiência única, ampliando cada vez mais o acesso aos conteúdos digitais”, afirma Michel Levy, CEO do Grupo Saraiva.

O Lev foi desenvolvido em parceria com a Bookeen, líder europeu em dispositivos para leitura, e o Centro de Estudos Avançados do Recife (C.E.S.A.R), que trabalhou em conjunto com a equipe da Saraiva na criação do software e integração com a biblioteca de livros digitais e da loja.

Em quatro anos, segundo Deric Guilhen, diretor de produtos digitais da Saraiva, a rede aumentou o número de editoras parceiras de 40 para 600. Ele ainda explica o nome do novo produto. “Lev vem de leveza, que propicia o conforto da leitura. Ele pesa 190 gramas. E também de levar, pois o dispositivo engloba toda a biblioteca sincronizada na nuvem”, relata. Apesar de não divulgar valores, a Saraiva informou que um de seus maiores investimentos foi a integração da plataforma, que também aceita documentos PDF.

O leitor digital será vendido em todas as lojas da Saraiva e nos sites da livraria e do Walmart.com, parceiro do grupo. O leitor já vem com 14 títulos gratuitos, quatro deles na lista dos mais vendidos. O produto é compatível com um acervo de mais de 30 mil obras em português e 450 mil em língua estrangeira. Desses livros, 65% são de interesses gerais; os demais são da categoria de CTP (científicos, técnicos e profissionais).

O Lev chega ao mercado com tela touch screen HD de 6 polegadas, bateria que dura até três semanas e memória de 4 GB, que permite armazenar cerca de 4 mil livros. A versão sem luz sairá por R$ 299 e a com luz por R$ 479, mas até dia 31 de agosto, terá preço promocional de R$ 399.

Fonte: ProXXIma

Crítica: 1973 – O ano que reinventou a MPB

1973capalivroSe vivemos uma época onde as fitas cassetes são desconhecidas, os festivais de música acabaram, os CDs estão virando história e os LPs – aqueles bolachões feitos de vinil – voltaram a moda, nada melhor do que um olhar crítico sobre a época onde os LPs eram verdadeiramente as estrelas da indústria fonográfica, muito antes dos WalkMan, iPods e etc. Foi com a intenção de contextualizar a produção musical brasileira em um dos anos mais importantes de sua história que o jornalista Célio Albuquerque organizou o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB” (Editora Sonora), que terá lançamento em Niterói na próxima terça-feira.

Para quem é muito jovem ou nunca se preocupou em conferir os anos nos quais seus discos preferidos foram lançados, um lembrete: 1973, ainda sob forte ditadura e muita censura, foi o ano dos Secos e Molhados, do primeiro disco de Raul Seixas, de Clementina de Jesus e seu “Marinheiro Só” e do debut de Luiz Melodia, só para citar alguns dos 50 títulos revistos pela obra.

Os textos, escritos com liberdade por nomes como Antônio Carlos Miguel, Silvio Essinger, Pedro Só, Rildo Hora, Tavito, Roberto Muggiati e Moacyr Luz, entre muitos outros, dão visões diferentes para cada um dos discos. Alguns em tom mais de crítica musical, outros em clima de memórias nostálgicas e alguns como sinceros depoimentos de quem participou dessa história.

SecoseMolhados1973Como toda lista de “melhores”, a do livro também tem suas polêmicas, a começar pelo próprio ano escolhido. É verdade que 1973 produziu alguma obras que até hoje se mantém atuais e seminais para nossa história musical, mas talvez seja um exagero disser que foi “O ano que reinventou a MPB”, já que um ano antes, apenas para citar um exemplo, foram lançados o Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges) e Acabou Chorare (Novos Baianos), o que põe em cheque o status de reinvenção do ano seguinte. Mesmo entre os títulos analisados (até mesmo alguns que não chegaram ao mercado) podemos perguntar sobre a ausência do disco de Roberto Carlos que, apesar de realmente não ser dos mais inspirados do Rei, conta com canções como Proposta, uma das mais populares de seu repertório, lembrando que Roberto construiu nesta década o seu “reinado”.

Alguns dos textos são deliciosamente envolventes, outros mais informativos, mas em todas as resenhas há um quê de admiração, de reverência (justa) ao que foi produzido. Uma pena que não seja tão fácil reunir todo esse material em CD ou em formato digital, pois ouvir cada um dos discos escolhidos para compor o livro seria um complemento perfeito para o leitor/ouvinte com menos de 40 anos.

Bom saber que ainda há espaço e pessoas com disposição para resgatar nossa história, seja ela de qual setor for. Como diz o prólogo do livro:”os autores não pretendem fornecer explicações… mas sim abordar a certeza absoluta do mistério que envolverá para sempre 1973 – O ano que reinventou a MPB”.

 Serviço:

Lançamento: 1973 – O ano que reinventou a MPB
Local: Livraria Gutenberg, Rua Cel. Moreira Cesar 211 loja 101, Icaraí
Horário: 17h

Grupo Penguin compra 45% da Companhia das Letras

O presidente da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, anunciou nesta segunda-feira que o grupo inglês Penguin, a maior editora do planeta, parte do grupo editorial Pearson, comprou 45% da Companhia das Letras. Sem falar em valores, Schwarcz informou que uma holding específica será criada para abrigar o negócio. Na nova empresa, que ainda não tem nome, o grupo Penguin terá 45% das ações. O controle – 55% do capital – ficará nas mãos das famílias Schwarcz (37%) e Moreira Salles (18%). Os antigos pequenos sócios que trabalham como executivos – a diretora-editorial Maria Emilia Bender, a diretora de produção, Elisa Borges e o diretor-administrativo Sergio Windholtz – venderam suas participações para Schwarcz e Moreira Salles, mas permanecem como diretores na editora brasileira.

– Com o negócio, temos uma excelente oportunidade para crescer ainda mais no Brasil, o único país dos BRICS onde não tínhamos operações – disse John Makinson, presidente do grupo Penguin e responsável pelas operações internacionais da editora.

– Esta associação com o maior e melhor grupo editorial do mundo não mudará no dia-a-dia da Companhia das Letras em termos de decisões editoriais, mas a parceria nos ajuda em duas áreas que entendemos como estratégicas para o futuro da editora: a área educacional e a conversão para o mundo digital – diz Schwarcz.

Hoje, as vendas de livros digitais representam uma fatia pequena no faturamento da editora, ainda que o formato esteja em pleno crescimento. Segundo Matinas Suzuki, executivo da Companhia, as vendas de “As esganadas”, novo livro de Jô Soares e segundo livro mais vendido pela editora, chegaram a 4% em formato digital, quando a média histórica é algo como 1%. Mas as vendas do atual best-seller da empresa, a biografia de Steve Jobs, alcançam 40% em formato digital.

– Entendemos que a Companhia das Letras alcançou o seu objetivo de ser uma editora brasileira de qualidade em todos os sentidos ao completar seus 25 anos. – diz Fernando Moreira Sallles, sócio da editora. – Mas nós vislumbramos grandes oportunidades de crescimento tanto na área de educação quanto na área digital que ganham um enorme reforço com a entrada da Penguin.

O grupo Penguin USA, o braço da empresa nos EUA, é hoje considerada a maior e mais ativa editora de livros no formato digital do mundo, equanto a Person é o maior conglomerado editoria especializado em livros educacionais do planeta.

As conversas para a compra da Companhia das Letras pela Penguin começaram ano passado por iniciativa do próprio John Makinson, contou Schwarcz. As duas empresas havia formalizado uma associação em setembro de 2009.

Fonte: O Globo

Crise na indústria cinematográfica?

Ninguém tem dúvidas de que as produções têm menos qualidade, que os astros já não são tão talentosos e que os efeitos especiais mascaram defeitos de roteiro e direção. Entretanto, assim como acontece com os livros e jornais, os números muitas vezes desmentem esse declínio de qualidade. As cifras alcançadas não podem ser justificadas apenas por conta da majoração de preços. Há algo que não configura uma crise.

Nesse mês a Paramount Pictures International – gigante da produção e distribuição de filmes – anunciou que o estúdio ultrapassou a quantia de US$ 1 bilhão em bilheterias internacionais. Um recorde. Entre os principais sucessos estão os filmes Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família e Thor.

Pelo jeito vai demorar para acabarem com a Magia do Cinema.

R.I.P. Peter Falk – O Columbo

Morreu esta semana o intérprete de um dos personagens mais marcantes da TV em todos os tempos: Peter Falk – o detetive Columbo. Columbo era aquele investigador pentelho, que se fazia de bobo e enchia o saco do suspeito até que esse se entregasse. O seriado é uma obra prime e Falk nunca conseguiu se livrar do personagem, embora tenha tido uma longa carreira no cinema e TV.

Uma grande perda para o mundo do entretenimento. Abaixo, a nota publicada no jornal O Globo.

O ator Peter Falk, o detetive da série de TV “Columbo”, morreu na noite desta quinta-feira em Beverly Hills, aos 83 anos. Segundo sua filha Catherine Falk, ele sofria de mal de Alzheimer desde 2008.

“Columbo” estreou na televisão em 1971, na sessão de filmes de mistério aos domingos do canal NBC “Sunday Mystery Movie”. Seu personagem se tornou tão popular, que ofuscou os dois concorrentes ao programa: “McCloud” e “McMillan and wife”.

Falk ainda fez produções, como “O espanta tubarões”, “The Alfred Hitchcock Hour” e “Um casamento de alto risco”.

Google lança o Art Project

Para quem gosta de arte e nem sempre tem condições de ir para Nova York, Londres ou Paris, o Google vai dar ajudinha. A empresa lançou na terça-feira (1º de fevereiro), em Londres, o seu Art Project. A página lembra o serviço de busca eletrônica street view, porém as câmeras mostram uma visão 360º graus das salas dos museus. O site Google Art Project já está no ar, por enquanto na língua inglesa.

A tecnologia utilizada pela empresa faz com que as imagens sejam reproduzidas em uma resolução de sete bilhões de pixels (qualidade considerada mil vezes maior do que a das câmeras digitais convencionais). As obras podem ser observadas com uma visão microscópica dos detalhes dos traços.

Entre as instituições que já podem ser visitadas estão o Metropolitan Museum of Art, (Nova York), o palácio de Versalles (França), Rijksmuseum (Holanda), a Tate Gallery (Londres). Segundo o Google, o número deve subir nos próximos meses.

Um tour virtual que vale muito ser feito.

Com informações do Meio & Mensagem

Depois da Modern Sound, livraria DaConde anuncia seu fechamento

Parece que a internet finalmente vai matando as lojas físicas. Depois do fim das lojas de discos – a última sendo a Modern Sound, templo sagrado e um dos últimos bastiões da categoria – a livraria DaConde, no Leblon, anuncia que encerrará suas atividades no dia 31 de janeiro de 2011.

Em comunicado a direção diz que “até que seja definido um novo local de funcionamento, as vendas continuarão a ser feitas apenas pelo site http://www.dacondevirtual.com.br.”. Será que reabrirão em outro local? Tomara.

A loja, situada na Conde de Bernadote, na galeria dos teatros e da Academia da Cachaça, era parada obrigatória para quem gostava de curtir um livro ou tomar um café antes da programação etílico-cultural. Sempre havia algo que chamava a atenção e acaba indo para a casa com você – pelo menos comigo.

Para quem ainda quiser curtir a livraria DaConde na Rua Conde de Bernadotte 26, loja 125, com seu lounge wi-fi ou seu café, até o final deste mês haverá uma queima de estoque com descontos de 10% a 50% em livros, CDs e DVDs.

 

Blockbuster pede concordata

Um dos ícones da era dos vídeos, a Blockbuster, que durante décadas foi a maior locadora do mundo, pediu concordata. No Brasil a sua operação já havia sido comprada pelas Lojas Americanas, mas a notícia não deia de causar impacto.

Leia a nota do Meio & Mensagem.

Mergulhada em dívidas que beiram o montante de US$ 1 bilhão, a rede de locadoras Blockbuster encaminhou um pedido de concordata aos seus credores. O objetivo da companhia é tentar reduzir a dívida para uma quantia de US$ 100 milhões, contando com o apoio de 80% dos credores, que já concordaram em apoiar o plano e fornecer US$ 125 milhões em financiamento para ajudar as operações.

De acordo com o comunicado enviado pela companhia, as três mil lojas que a rede possui nos Estados Unidos permanecerão abertas. Apesar disso, a Blockbuster informou que a operação do Canadá não está incluída no processo de recuperação judicial e que os serviços naquele país não serão alterados. Já em relação a Argentina, país em que a companhia vem sofrendo sucessivos problemas de fluxo de caixa e de queda de rendimento, a Blockbuster informou que não aplicará os investimentos de recuperação.

Fortemente abalada pelo incremento dos serviços de alugueis de filmes online e pela diminuição do hábito de locação de DVD’s físicos, a Blockbuster, que já foi um fortíssimo ícone do setor e ainda conserva o titulo de maior rede de locadoras do mundo, vem assistindo à queda de seu faturamento há um bom tempo. No inicio do ano, a companhia informou que fecharia 10% de suas lojas em todo o mundo. Os planos da companhia para as operações no Brasil não foram especificados.

Amazon vende mais livros eletrônicos que em papel, no trimestre

Muitos haviam previsto esse dia e muitos outros – inclusive eu – achavam que ele iria demorar muito mais para acontecer, mas….tá lá: a Amazon vendeu mais livros digitais que em papel. Segundo o CEO da empresa, Jeff Bezos, nos últimos três meses os livros eletrônicos venderam, em unidades, 43% a mais do que os livros tradicionais. Ou seja, para cada cem livros tradicionais comercializados, 143 livros eletrônicos foram vendidos.

Em junho, o movimento de alta dos livros eletrônicos é ainda maior, superando em 80% a venda de livros impressos. Porém há dois detalhes importantes:

1- Os livros tradicionais ainda geram lucros maiores;

2- Os números divulgados não incluem a venda de livros de bolso, muito populares nos Estados Unidos, nem os quase dois milhões de títulos eletrônicos disponíveis gratuitamente por serem de obras publicadas originalmente antes de 1923 e cujo domínio é público;

3- Em 2010, os livros impressos em capa dura aumentaram suas vendas em 22%.

Com informações do Meio & Mensagem.