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Museu Nacional: um incêndio e muitos culpados

Governos — militares, civis, de direita, esquerda, e “academia” sucatearam um dos espaços mais importantes da nossa história

Foto: Uanderson Fernandes/Agência O Globo

O incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, é, segundo todos, uma tragédia anunciada.

Foram anos de descaso de governos e de diversas reitorias da UFRJ (responsável pelo museu desde 1946).

Outras tragédias

Incêndio no MAM – 1978

Vale lembrar também que desde 1976 o museu funciona fora das recomendações do Corpo de Bombeiros e que, as verbas para tal adaptação são geridas pela mesma instituição que destruiu o Canecão e que vem sofrendo com incêndios em várias de suas instalações.

• 2011: incêndio na capela do campus da Praia Vermelha, de 1850;
• 2016: fogo destrói prédio da reitoria, na Ilha do Fundão

O Rio parece ser palco de incêndios avassaladores. Foi assim com a TV Tupi, TV Globo, com o Museu de Arte Moderna (MAM), que em 1978 perdeu obras de nomes como Picasso, Dalí e Portinari, entre muitos outros, consumidas pelas chamas.

Mas, infelizmente, esses eventos não são uma exclusividade do Rio. É só lembrar o que aconteceu com o Museu da Língua Portuguesa.

Descaso e memória seletiva

Já teve gente (boa) me chamando de reacionário, mas lembro que o repasse de verbas (de responsabilidade única e exclusiva da UFRJ) não acontece de maneira satisfatória acontece desde sempre.

Continuo indignado com as declarações de dirigentes da universidade que citam (em primeiro lugar) o prejuízo de pesquisadores, que perderam seus trabalhos. Sério?

Já ouvi de um reitor e de um secretário que “a função principal da universidade não é difundir conhecimento, mas produzir conhecimento”.

Portanto, o importante é manter a verba para as pesquisas, mesmo que isso signifique mortes no hospital gerido pela instituição ou a destruição de seu/nosso patrimônio.

Vote direito

Então, vote direito, em gente que lute pela boa utilização das verbas, mas não esqueça: governos — militares, civis, de direita, esquerda, e academia sucatearam um dos espaços mais importantes da nossa história.

Lembre também que os governos, durante mais de sete décadas, repassaram verbas para a universidade que, de acordo com a autonomia universitária, distribui o dinheiro para as áreas que preferir.

Dizer que o corte de verbas dos últimos anos é a razão do incêndio é burro. Dizer que o BNDES atrasou durante cinco anos a análise do financiamento para a reforma do museu, é ridículo.

O museu tinha 200 anos e, repito, desde 1946, pelo menos, vem sendo negligenciado.

A indignação dos políticos e dirigentes da UFRJ é asquerosa assim como a memória seletiva de alguns!

Aproveitadores

O fim do museu é a oportunidade perfeita para reforçar o pedido de mais verbas para as universidades.

A demanda poderia ser justa, caso fosse claro para a sociedade onde é investido o dinheiro recebido e quais as condições de cada um dos departamentos da instituição de ensino.

Tomar atitudes como a que destruiu o Canecão é típico de uma academia (sim, em caixa baixa) que vive fora da realidade e de gente que prefere ver destruído um espaço importante para a Cultura em troca de uma ideologia barata e que jamais sairá do plano da imaginação.

Defendo que sejam destinadas as verbas necessárias para o bom funcionamento da UFRJ, mas, mais ainda, defendo que as verbas tenham destinações prioritárias. Na ordem: ensino, manutenção de hospitais e museus, e, depois, pesquisa.

Raiva dos culpados

Sim, estou PUTO com mais esse episódio lamentável que acontece na cidade que nasci, vivo e amo.

A cagada é indescritível e são muitos (muitos mesmo) os culpados (chama-los de responsáveis seria muito educado) pelo que perdemos, não só em termos de memória, como em termos de amor próprio.

Pena saber que as gerações futuras jamais conhecerão um dos espaços mais icônicos e importantes da cidade maravilhosa (também em caixa baixa).

PS: O diretor do museu disse que se o terreno tivesse sido cedido para a UFRJ essa tragédia poderia ter sido evitada. TÁ DE SACANAGEM?

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B.B. King Club NY fecha as portas

A última visita (julho/2017)

Toda vez que uma boa casa de espetáculos fecha sinto uma enorme dor no coração, principalmente quando conheço e gosto do lugar. A notícia de que o B.B. King Blues Club & Grill, no coração de Nova York (no 237 da rua 42) encerrou as atividades choca tanto quanto os do Olympia, em São Paulo (em 2006) e do Canecão (em 2010).

Conheci a casa – que funcionava desde 2000 – em 2002 e sempre tive ótimas experiências tanto em relação aos shows, quanto ao cardápio e o atendimento – cheguei a ganhar convites grátis para um show porque era um dos únicos brancos em um show de soul music. Por lá, passaram nomes como o do próprio B.B., Aretha Franklin, James Brown, Etta James, Prentiss Mcneil, Alicia Keys, The Allman Brothers, ZZ Top, Jay-Z, Bon Jovi, Big Gilson, Mary J. Blige, Denny Laine, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Al Green, Bruce “Big Daddy” Wayne, Wilson Pickett, Bo Diddley e Buddy Guy (que fez o show de encerramento). Lá também era a casa de um ótimo brunch com coro gospel (The Harlem Gospel Choir) aos domingos e com um cover dos Beatles, aos sábados.

Buddy Guy fez o último show, em 29 de abril.

A razão do fechamento – dada em nota oficial – foi o preço do aluguel, que ficou alto demais, apesar da quase totalidade dos shows ser sold out. Tsion Bensusan, responsável pelo local, também reclamou da prefeitura de Nova York, que fez um grande esforço para revitalizar a área duas décadas atrás, mas que agora não está se preocupando com o futuro da área.

Os shows que estavam programados foram realocados para outras casas, mas a maioria será realizada no Sony Hall, que ainda não conheço, mas que fica pertinho (na 46, entre 7ª e 8ª. Infelizmente alguns foram para bem longe do Times Square, mas nada que uma pequena viagem de metrô não resolva.

O (bom) vinho dos Rolling Stones

Uma pena que um dos marcos de Nova York, onde podíamos assistir bons shows por um preço justo e até experimentar o vinho (surpreendentemente bom) dos Rolling Stones, agora, seja apenas uma lembrança.

Ainda não há informações sobre o que vai funcionar no local, mas espero que não seja uma igreja ou uma farmácia, como acontece por aqui,

Deve ser horrível morar em uma cidade que não cuida da sua memória cultural!

Lembrando do caso Canecão

Desde maio de 2010 que o Canecão está fechado por conta de uma ordem judicial que determinou sua reintegração a UFRJ. Na época (e até hoje), muita gente inteligente saudou a decisão, como se a universidade tivesse alguma competência para operar o que era a principal casa de espetáculos do Rio. Sempre há o argumento de que o contrato era danoso (!?) para a instituição. Quem defende isso parece esquecer que o fim do Canecão foi danoso para a cidade, o estado e o país, já que perdemos uma grande parte da nossa história musical.

Abaixo um trecho do meu post de 8 de janeiro de 2012.

A UFRJ continua sendo uma instituição incompetente para gerir o espaço, diferente do que pode acontecer na gestão do seu ensino. Saber que membros da chamada academia se recusam a sequer admitir passar parte da gestão para alguma empresa ou grupo de pessoas fora da instituição é prova de que vivem dissociados da realidade. Querer criar algo como um Centro Cultural é ridículo! Centro Cultural, na visão dos nobres membros do Conselho Universitário, o fórum de 50 integrantes (afora os suplentes) pelo qual passa toda decisão importante tomada na UFRJ, é sinônimo de atrações que não interessam ao público do Rio e nem mesmo aos estudantes, que poderiam ser obrigados a prestigiar o espaço.

Viva a (burra) autonomia universitária e a facilidade em destruir o que beneficia o público. Não é só o Rio e o Canecão que foram vítimas de decisões estúpidas. Várias outras instituições de ensino – verdadeiros buracos negros de verbas e que se preocupam mais com pesquisas do que com ensino, o desenvolvimento cultural ou o bem-estar da população, vivem retomando e fechando teatros, cinemas e casas de espetáculo Brasil afora.

A academia deve estar feliz em ver Roberto Carlos e Chico Buarque falando publicamente que sentem não tocar no Canecão. Também devem estar felizes em saber que um espaço voltado para a comunidade acadêmica não deverá ser utilizado por plebeus da música mundana ou por qualquer evento relativo aos Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo. Afinal, quem precisa disso? Precisamos é de salas de cultura, onde possamos ver curtas-metragens ou exposições de fotos ou mesmo de obras de arte feitas de barro, sei lá.

Johnny Winter, um dos últimos grandes shows que vi no Canecão

O Brasil é um país sem rumo. Políticos corruptos/incompetentes/retrógrados, tribunais superiores infestados de ratos, instituições de ensino que não usam suas verbas para o que deveria ser sua finalidade (o ensino e não a pesquisa), uma total falta de respeito pela vida, além de visões tortas sobre o conceito de social.

Não sei se ainda verei alguma mudança significativa na situação geral do país, mas tenho certeza de que nunca mais verei um Canecão que possa trazer algo de realmente bom para a Cultura.

 

Fotos: Divulgação, Jo Nunes e Fernando de Oliveira

Vídeo: Jo Nunes

A agonia do Canecão em 2015

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Estamos em fevereiro de 2015 e a situação é a mesma (na verdade, pior) do que em outubro de 2010, quando a UFRJ conseguiu fechar o Canecão. As razões para a “retomada de posse” já foram mais do que discutidas e nenhuma delas jamais me convenceu de que o fechamento seria um grande retrocesso e traria enormes prejuízos ao Rio de Janeiro. Afinal, gostassem ou não do lugar, o Canecão era uma das principais – senão a principal – casas de espetáculo da cidade.

canecao abandonadoA agonia do Canecão não é (apenas) um caso de incompetência. A UFRJ, como a maioria das universidades brasileiras, não tem experiência na administração de uma casa de espetáculos e nem tem o seu foco em gerenciar algo que venha a beneficiar a população. Suas prioridades estão voltadas para si própria. A Academia prefere se debruçar sobre pesquisas e projetos que nem sempre têm algum resultado prático – como a “influência do giro anti-horário dos girassóis no inverno (e isso é sério). Além disso, a tão propagandeada “independência universitária” permite que hospitais sejam sucateados, campis abandonados e até mesmo que museus sejam fechados por falta de limpeza ou segurança, como vimos ais uma vez nos últimos tempos. Sendo assim, acreditar nas promessas de que no local seria aberto um centro cultural – com exposições de artesanato, pintura, produções teatrais, etc, é/era muita ingenuidade.

Com reabertura prometida para 2012, Canecão completa quatro anos de silêncio

moveis-abandonados-canecaoHoje, quem passa pelo que foi o Canecão vê um prédio abandonado, onde a história da nossa música padece e sem nenhuma expectativa de melhora. Pior, agora dizem que será preciso demolir várias partes do Canecão por estarem irremediavelmente deterioradas. Cômodos como o camarim – um dos poucos espaços que estavam em bom estado antes do fechamento -, por onde grandes astros da música passaram, agora estão ameaçados de deixar de existir.

Fechado há 15 meses e nas trevas, Canecão procura nova luz

Foram inúmeros os grandes shows que assisti lá. Infelizmente, não tenho esperanças de algum dia voltar a frequentar aquele espaço para ouvir um Roberto Carlos, Milton Nascimento ou John Mayal, por exemplo.

Triste, muito triste.

PS: Há relatos – por parte de pessoas ligadas a UFRJ – de que o estado do Canecão era deplorável. Não sei no que as pessoas podem acreditar, mas deplorável é o que acontece HOJE! As versões oficiais são, também, lastimáveis.

Relembre o que já escrevi sobre a situação do Canecão:

UFRJ comprova incompetência e Canecão parece Terra Devastada

Johnny Winter – Canecão – 20/05/10

Relembre o que já escrevi sobre a situação do Canecão

Matéria publicana neste domingo (8/1/2012) no jornal O Globo mostra o estado deplorável no qual se encontra o Canecão, 15 meses após a sua reintegração a UFRJ. O estado é de total abandono e confirma o que disse na época da desapropriação: “Isso é uma estupidez”. Abaixo um trecho do meu post de 12/5/2010:

Transformar o imóvel em espaço cultural, artístico, científico e acadêmico, é PIADA! Saber que o ministro da Educação apoia a ideia e que nosso prefeito não partiu para tentar qualquer solução que mantenha o Canecão em funcionamento é triste.

Nada mudou! A UFRJ continua sendo uma instituição incompetente para gerir o espaço, diferente do que pode acontecer na gestão do seu ensino. Saber que membros da chamada academia se recusam a sequer admitir passar parte da gestão para alguma empresa ou grupo de pessoas fora da instituição é prova de que vivem dissociados da realidade. Querer criar algo como um Centro Cultural é ridículo! Centro Cultural, na visão dos nobres membros do Conselho Universitário, o fórum de 50 integrantes (afora os suplentes) pelo qual passa toda decisão importante tomada na UFRJ, é sinônimo de atrações que não interessam ao público do Rio e nem mesmo aos estudantes, que poderiam ser obrigados a prestigiar o espaço.

Que não queiram negociar com um ex-proprietário que, segundo eles, é trambiqueiro, pode-se compreender, porém não ter a humildade em admitir a sua falta de habilidade em manter um espaço histórico para a cidade, a música e para o País, deixa a impressão de que eles realmente acham que sabem o que estão fazendo e que são os únicos que sabem como resolver os problemas do mundo.

O que deviam faze é, sim, passar o controle para a iniciativa privada, mas tendo a competência de fazer um contrato menos imbecil e prejudicial do que o anterior (será que não há um bom advogado na UFRJ para produzir um documento razoavelmente justo e que não permita que o problema de luta pela posse do imóvel se repita?).

A academia deve estar feliz em ver Roberto Carlos e Chico Buarque falando publicamente que sentem não tocar no Canecão. Também devem estar felizes em saber que um espaço voltado para a comunidade acadêmica não deverá ser utilizado por plebeus da música mundana ou por qualquer evento relativo aos Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo. Afinal, quem precisa disso? Precisamos é de salas de cultura, onde possamos ver curtas-metragens ou exposições de fotos ou mesmo de obras de arte feitas de barro, sei lá.

Leia a matéria do O Globo:

Só há três focos de luz no Canecão: dois sobre o palco e um à esquerda de quem entra naquela que, até ser fechada, em outubro de 2010, era a mais famosa casa de shows do país. O desligamento quase completo da energia é necessário, pois as infiltrações tornam o espaço vulnerável a curtos-circuitos — como já aconteceu. Chuvas fortes provocaram a queda de telhas, molharam o célebre salão e vêm derrubando o revestimento acústico de polipropileno, origem do forte cheiro de mofo.

A visita do GLOBO na última quinta-feira foi o primeiro passeio da imprensa por todos os escombros do Canecão: centenas de cadeiras sobre as mesas, palco e camarins vazios, poeira farta e quatro pontos de acúmulo de água, dos quais um, no sistema de refrigeração, é um foco de dengue comprovado pela Vigilância Sanitária na terça-feira passada.

Proprietária do terreno, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiu reavê-lo em 2010, após longa briga judicial com o empresário Mario Priolli, que fundou o Canecão em 1967 e era inquilino da instituição. Mas ainda não superou dois empecilhos à reabertura: os problemas judiciais de Priolli e as divergências internas quanto a como geri-la.

Quando a Justiça determinou a reintegração de posse, o empresário paulistano, neto de italianos, foi embora e deixou para trás mesas, cadeiras, o sistema de ar-condicionado e outros bens (depauperados, mas bens). Eles foram penhorados como garantia, já que são muitas as dívidas de Priolli. Enquanto as pendengas não forem resolvidas, a UFRJ não pode usar os equipamentos nem se desfazer deles.

Para não assistir à casa cair, a universidade começará na terça-feira a orçar uma obra emergencial que, ao menos, reforce a cobertura, diminua o assumido (pela direção de gestão patrimonial e pela subprefeitura do campus da Praia Vermelha) risco de incêndio e torne utilizável o anexo, batizado de Canequinho.

Projeto de gestão partilhada

Paralelamente, outra batalha será travada no Conselho Universitário, o fórum de 50 integrantes (afora os suplentes) pelo qual passa toda decisão importante. A reitoria pretende propor uma gestão partilhada: de segunda a quinta-feira, a área seria destinada a atividades da universidade, artísticas (Escola de Música, Escola de Belas Artes etc.) ou acadêmicas, abertas ao público ou não; de sexta a domingo, programação de shows, na linha tradicional do Canecão.

— É um modelo que comporta as expectativas internas e externas; os interesses da comunidade acadêmica e da sociedade — diz o reitor, Carlos Levi.

O problema é: quem será o responsável pela programação de sexta a domingo? Quando Levi assumiu, em 30 de junho passado, seu antecessor, Aloísio Teixeira, tivera várias reuniões para debater o assunto, inclusive duas amplas. Na primeira, em fevereiro, conversou com gente da área de música como a presidente do Museu da Imagem e do Som, Rosa Maria Araújo, o pesquisador Sérgio Cabral, o empresário José Fortes, o cantor Jorge Vercillo e uma das donas da gravadora Biscoito Fino, Kati Almeida Braga. Apontou-se para a criação de uma fundação ou Organização Social que buscasse recursos privados e permitisse uma gestão empresarial nos fins de semana.

No segundo encontro, em abril, no próprio Canecão, e com a presença de mais representantes da universidade, a proposta sofreu críticas porque, após ser reconquistado, o espaço estaria sendo novamente cedido à iniciativa privada. Simbolizando a falta de avanços, as mesas e cadeiras da reunião estão na mesma posição até hoje.

— A gente fica vendo aquelas faixas e pichações raivosas (“O Canecão é nosso”, “Não à privatização”), e parece que as pessoas estão nos anos 1960. Enquanto isso, a cidade perde um espaço dessa importância, que vira foco de dengue — lamenta um dos interlocutores da reitoria, Vinicius França, empresário de Chico Buarque, que sempre fez seus shows no Canecão e precisou se mudar neste ano para o Vivo Rio.

— Aquele ponto é tão bom que até uma coisa assim (ter a casa apenas três dias por semana) é estudável — diz o empresário Ricardo Amaral, que, ao lado do sócio Alexandre Accioly, conversou com o antigo reitor.

A Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj), cuja diretoria tem filiados a partidos como PCB, PSTU e PSOL, é contra a parceria com setores privados e pede um “projeto cultural para a cidade com cara própria, inovadora”, segundo seu presidente, Mauro Iasi. Mas muitos professores, como representantes de Letras, da Casa da Ciência e da Editora da UFRJ, aprovam a entrada de recursos externos, embora a gestão deva ser pública.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ — cujo leque partidário inclui PT, PDT e PSB — está afinado com a Adufrj e diz que basta “vontade política” para dinheiro federal ser injetado no Canecão.

Dentre os alunos, o GLOBO ouviu representantes do Diretório Central dos Estudantes e da Associação de Pós-Graduandos. Há quem considere saudável a abertura nos fins de semana para eventos comerciais, mas todos defendem controle público, para que eventuais receitas externas fiquem na UFRJ.

Para tentar vencer as resistências no Conselho Universitário, o reitor acredita que a melhor solução seja não abrir mão do controle. Segundo Levi, abrir um edital de ocupação para avaliar projetos poderia ser uma forma relativamente ágil de implantar programações sem que elas fiquem à mercê de desejos empresariais. Ainda assim, a Procuradoria Geral da República precisará aprovar o modelo.

Prefeitura como alternativa

Uma opção de parceria entre entes públicos, admitida como possível pelo reitor, seria com a Prefeitura do Rio. O prefeito Eduardo Paes tem pedido à UFRJ a reabertura para breve da casa de shows, por causa da falta que faz à cidade e já pensando nas opções culturais para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Na próxima quarta-feira, o pesquisador musical Ricardo Cravo Albin, um dos líderes do movimento de tombamento cultural do Canecão (ocorrido em 7 de outubro de 1999 por iniciativa do então deputado estadual Sérgio Cabral Filho), se encontrará com o prefeito pedindo essa parceria.

No ano passado, a UFRJ contratou o produtor Adonis Karan (ex-TV Tupi, TV Globo e organizador de festivais como o MPB Shell) para realizar um levantamento de preços e um estudo de programação — com atividades universitárias de segunda a quinta — visando à reabertura. Chegou a acertar com Maria Bethânia um show em março, mas não há como saber quando haverá condições de o público voltar a entrar no Canecão.

Aliás, como a marca pertence a Priolli, Karan sugeriu como novo nome Solar das Artes, alusão ao Solar da Fossa, que existia onde hoje é o shopping Rio Sul e no qual moraram Caetano Veloso, Paulinho da Viola e diversos artistas.

Texto de Luiz Fernando Vianna

É o fim do Canecão?

Na última segunda-feira (10) as bilheterias do Canecão, a mais famosa casa de espetáculos do Brasil, foram lacradas por conta de uma ordem judicial ganha pela UFRJ, dona do terreno onde funciona(va) a casa. Uma briga de décadas entre os donos do Canecão e a universidade se arrastava na Justiça e, finalmente foi chegada a hora de uma decisão final.

Infelizmente, o reitor da UFRJ, o professor Aloísio Teixeira – que sempre me pareceu uma pessoa ponderada e com os pés no chão – mostra-se intransigente com o funcionamento do Canecão. Claro que não há condições de negociar com os antigos proprietários, mas ignorar a importância histórica do local para a Cultura brasileira é lamentável. Ouvir frases como: O Canecão não era uma boa casa de espetáculos, reforça a minha convicção de que a maioria das pessoas da academia são dissociados da realidade. Tente conseguir uma resposta direta de um cientista ou pesquisador.

Por lá passaram nomes importantes da música nacional e internacional e assim deveria continuar. Transformar o imóvel em espaço cultural, artístico, científico e acadêmico, é PIADA! Saber que o ministro da Educação apoia a ideia e que nosso prefeito não partiu para tentar qualquer solução que mantenha o Canecão em funcionamento é triste.

Nem vale a pena destacar alguns dos shows que assisti lá ou as festas de empresas das quais participei e jamais esquecerei. O Rio perde – por incompetência de uns e intransigência de outros – um palco que ajudou a construiu muito da nossa história.

Outro protesto vai contra o cancelamento dos shows já programados. Pelo jeito, Johnny Winter vai morrer antes de conseguir tocar no Rio.

Confira a lista dos shows internacionais de 2010 no Rio no post Agenda de shows internacionais no Rio em 2010

Saiba mais sobre o fechamento

Boas do fim de semana no Rio de Janeiro

orishas4Quem não estiver de plantão (como eu estarei) tem muito para aproveitar neste fim de semana. Vale uma passada no Atrás de Diversão para conferir as boas. O blog, que é alimentado por um grupo de jornalistas, sempre traz dicas aprovadas por todos da equipe. Para os próximos dias as minhas escolhas seriam: Orishas no Oi Noites Cariocas (sexta), Rita Lee gravando seu DVD (sexta e sábado) e Adriana Calcanhotto no Canecão (sábado e domingo).   E,  para quem gosta, os ensaios de blocos de carnaval no Odisséia.

Confiram e dêem sugestões.

Skank finca Estandarte no Canecão

Mais um grande show no Canecão. Leia (quase) tudo o que achei da apresentação clicando aqui.

Amores Imperfeitos (Samuel Rosa – Chico Amaral)

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu
Mas sempre fica alguma coisa
Alguma roupa pra buscar
Eu posso afastar a mesa
Quando você precisar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Eu não quero ver você
Passar a noite em claro
Sinto muito se não fui seu mais raro amor
E quando o dia terminar
E quando o sol se inclinar
Eu posso por uma toalha
E te servir o jantar

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer
Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu

Sei que amores imperfeitos
São as flores da estação

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer
Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar