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Depois de Phil Collins, Steve Hackett

A música do Genesis parece ter sua mira apontada mesmo para o Brasil. Depois da passagem de Phil Collins pelo país, agora é a vez do guitarrista Steve Hackett desembarcar por aqui. No Rio, Hackett se apresenta no Vivo Rio, no dia 23, e o F(r)ases da Vida estará lá para conferir e dizer como foi o show.

A promessa é de que o show englobe canções de toda a carreira de Hackett, incluindo Genesis e o supergrupo GTR, que formou com Steve Howe, nos anos 80.

Serviço

Datas: 23/03/2018 – Sexta-feira
Local: Vivo Rio
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Horário: 22h
Abertura dos portões: 20h
Preços: De R$ 190 a R$ 320

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Roger Hodgson – Vivo Rio – 18/10/14

Roger Hodgson0001Roger Hodgson é sempre sinônimo de ótima música. Por mais que muitos achem o finado rock progressivo chato e a música feita pelo Supertramp como uma espécie de pop/rock farofa, não dá para negar que a voz e as composições desse inglês de Portsmouth, que já virou habitué do Rio e do Brasil. São turnês quase contínuas desde 2008 por várias cidades do país (leia como foram os shows de 2008 e 2012, com entrevista). A paixão, sempre reafirmada em todos os shows, pode ser conferida em várias faixas de seu último CD ao vivo – Classics Live I -, que conta com várias faixas gravadas em Belo Horizonte.

Com estrutura azeitada e uma banda excelente – Aaron Macdonald (sax, gaita, teclados e backing vocals); Bryan Head (bateria); Kevin Adamson (teclados e backing vocals) e David J Carpenter (baixo e backing vocals) – Roger desfila sua coleção de hits e belas canções, interpretadas por uma voz que parece conservada em formol.

Se fechar os olhos é como se estivéssemos ouvindo um disco do Supertramp – dizia um fã durante a apresentação. Verdade absoluta!


Público barulhento

Roger Hodson 2014 IA configuração do Vivo Rio usada para o show foi um misto de mesas e plateia em pé, o que proporcionou que muitos tenham ido até a casa de espetáculos para azarar, beijar, dançar como se estivessem em um Woodstock retardatário, numa micareta gay e, infelizmente, muitos, mas muitos mesmo, apenas para conversar e serem vistos. Com isso, quem estava querendo ouvir as nuances das canções teve muitas dificuldades. Ouvir o que o artista dizia entre as canções era quase impossível. Somente nas canções mais conhecidas o som das vozes que cantavam conseguiam abafar o som dos mal educados.

Fica a questão: vale a pena lucrar um pouco mais e sacrificar a excelência de um ótimo espetáculo? Será que é interessante ter ingressos mais baratos para esse tipo de comportamento?


O show

Roger Hodson 2014 IIIBem, voltando ao que interessa – a música – podemos, mais uma vez, dizer que Roger Hodgson fez um dos melhores shows do ano na cidade. Do primeiro acorde de Take the Long Way Home até a última nota de It’s Raining Again, nenhuma falha pôde ser apontada. Essa volta ao Rio – depois de passagens por Florianópolis (16/100 e Curitiba (17/10) – confirma que alguns artistas têm o dom da longevidade e de se eternizarem nos corações das pessoas. Impossível não se emocionar ao ouvir Hide in Your Shell, The Logical Song ou Fool’s Overture. Houve até um momento guitar hero, quando Roger empunhou uma guitarra para arriscar alguns solos em Had a Dream, algo que nunca aconteceu em suas vindas anteriores. Mas, o mais importante é quem foi ao Vivo Rio não viu (mais uma vez) efeitos especiais de última geração, palcos hi-tech ou coreografias. Apenas um cenário com algumas árvores, o sorriso, simpatia e talento de um grande músico, que como todo bom inglês, respeita sua plateia e não admite mais de 15 minutos de atraso par o início das quase 2h de viagem por melodias que fazem parte da vida de milhões de pessoas.

Torço para que ele seja um homem de palavra. Afinal, suas últimas palavras foram: “Vejo vocês em breve. Prometo!”.

PS: Quem não foi ao Vivo Rio ainda pode se arriscar a ver algum show do músico pelo país: Vitória (dia 21), São Paulo (dia 23), Brasília (dia 24) e Belo Horizonte (dia 25)

Roger Hodson 2014 IVSetlist

Take the Long Way Home

School

In Jeopardy

Lovers in the Wind

Hide in Your Shell

Sister Moonshine

Breakfast in America

Lady

Lord Is It Mine

The Logical Song

Death and a Zoo

If Everyone Was Listening

Child of Vision

Dreamer

Fool’s Overture

Bis:

Had a Dream

Give a Little Bit

It’s Raining Again

Erasmo Carlos – Vivo Rio – 24/5/2014

Uma noite para não esquecer

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9403A perda recente de um filho, a transmissão ao vivo pela TV (fechada) e toda a onda de solidariedade e de mensagens de carinho que emanaram de todos os lados já faziam prever uma apresentação cheia de emoção do Tremendão Gigante Gentil Erasmo Carlos, que fazia o lançamento do seu novo trabalho (Gigante Gentil) no Rio de Janeiro.

O Vivo Rio tinha um clima de solidariedade e com sua capacidade quase completa, misturava famosos, fãs e jornalistas famosos (como você pode ver em várias fotos), curiosos em ver como estaria o Tremendão. Com a obrigação de cumprir o horário da TV, Erasmo e banda – Luís Lopes (violão e guitarra), Pedro Dias (baixo), Rike Frainer (baterista), José Lourenço (teclados), Billy Brandão e Rogério Percy (guitarras), além da participação especial de Ana de Oliveira (violino) – entraram no palco pouco depois das 22h, mandando logo a canção que dá nome ao novo disco, recheada de guitarras e de peso. Logo nesse primeiro número foi possível notar que a voz do Gigante – que nunca foi um cantor de primeira linha – não estava em um bom dia. Essa sensação foi até menos sentida pela plateia presente ao Vivo Rio, mas o som nítido e a melhor mixagem do Multishow não deram trégua ao artista.

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9411Mas se o Tremendão não estava em um dia de boa voz, sua banda mostrou que é uma máquina mais que azeitada. Os vocais dos ex (e ainda) Filhos da Judith (Luís e Pedro) continuam afinadíssimos e as guitarras de Billy e Rogério davam um quê rock’n’roll mesmo nas canções mais pop do repertório de Erasmo.

O show

Por falar em Erasmo, ele continua mostrando a mesma falta de conforto no palco, uma espécie de Art Garfunkel do rock brasileiro. O repertório, que incluiu várias músicas da nova safra, mantinha uma estrutura bastante próxima das últimas apresentações das turnês Rock’n’Roll e Sexo. Algumas canções ausentes fizeram falta, como Filho Único e Panorama Ecológico, mas as mudanças no setlist mantiveram o ótimo nível das composições, tarefa fácil para alguém que fez uma quantidade enorme de canções que estão carimbadas no DNA da música popular. Mulher (Sexo Frágil), Gatinha Manhosa, Quero que vá Tudo Para o Inferno, Mesmo Que Seja Eu e Sentado A Beira do Caminho, são bons exemplos de músicas que todo mundo conhece, gosta e canta.

As novas canções

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9514Se o novo Gigante Gentil não tem a força do disco Rock’n’Roll, as novas canções incluídas no show não deixam o pique cair em nenhum momento. Se a faixa-título abre o show em alto astral, músicas como 50 Tons de Cor, Amor na Rede e Sentimentos Complicados (parceria inédita de Erasmo e Caetano Veloso), mostram que o Tremendão ainda é um compositor de mão cheia, mesmo depois de 50 anos de carreia e mais de 70 de idade. Um velhinho porreta!

Outro destaque do show, além do repertório, são as animações que ilustram o espetáculo. Nada comparado ao que foi visto com Marisa Monte, mas Erasmo conseguiu entrosar melodias e harmonias com alguns desenhos animados de primeira categoria e que só fortalecem a performance do artista.

Um final cheio de emoção

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9347A noite corria bem, com tudo dentro do script – os comentários, as piadas, etc – até que perto do fim do show, durante a música É Preciso Saber Viver, o inevitável aconteceu: Erasmo desabou em um choro mais do que compreensível.

No fim, a festa de arromba acabou servindo para exorcizar os momentos ruins vividos nos últimos dias e deixar caro que o show deve continuar e que Erasmo ainda tem muito para dar a nossa música, principalmente como compositor.

A citação ao filho Gugu a letra de Festa de Arromba e as últimas palavras do show deixaram claro que a noite era especial.

“Obrigado a todos! Obrigado, Gugu! Te amo, porra!!”

Obrigado a você, Erasmo. Vida longa e próspera!

Fotos: Ricardo Nunes

Ney Matogrosso – Um trabalhador da Música

É sempre um prazer dividir um texto com um jovem e promissor talento. A matéria abaixo foi praticamente toda produzida pela ótima Vanessa Berthein, que deixou o jornal, por um tempo breve, espero.

Um beijo, Vanessa!

32fa1Ator, compositor, coreógrafo, iluminador, dançarino e, claro, cantor, Ney Matogrosso volta ao Rio com o seu show Atento aos sinais. Depois de uma temporada bem sucedida na cidade e que também passou por várias cidades brasileiras, Ney volta ao palco do Vivo Rio nos dias 21 e 22, para desfilar seu talento e versatilidade. Aos 72 anos, recém completados, o artista ainda se mostra em ótima forma, inquieto e com um espetáculo pensado nos mínimos detalhes, a marca perfeccionista do cantor, que ainda aproveita para interagir com artistas da nova geração e se autoproclamar um trabalhador da música.

Ney Matogrosso fala sobre a carreira, o show e sobre a liberdade artística que permite que continue em constante movimento.

Esse trabalho tem músicas de, entre outros artistas, Criolo, Dani Black e Vitor Pirralho, que são um pessoal da nova geração da música. Você é antenado com o que rola de novo ou chegou ao trabalho deles por acaso?

NEY_MATOGROSSO_foto_RICARDO-NUNES-829Tem o Tono também, o Zabomba. Eu cheguei de várias formas. Em 2009 comecei a mexer nesse disco. A primeira música que eu decidi que eu queria cantar foi a do Vitor Pirralho (Tupi Fusão), que eu conheci em 2009. Alguns me mandaram discos, outros eu vi na net e fui atrás, e ai assim foi, fui organizando o material. O Dani eu conheci já, porque ele é filho da Tetê Espíndola, então eu o conheço desde pequenininho. E ai, fui organizando muito calmamente esse repertório. Ai, teve um momento que eu percebi que era isso, era mostrar um monte de gente nova.

E acaba sendo uma espécie de homenagem/reconhecimento a esses novos artistas. Como eles receberam isso?

Todos gostaram, porque cada um é conhecido no seu Estado, mas ninguém é conhecido no Brasil todo, então e eu sou uma oportunidade de levar esses todos para o Brasil, para que as pessoas possam ficar conhecendo eles. Eu acho que eles gostaram.

NEY_MATOGROSSO_foto_RICARDO-NUNES-830O show retoma o seu lado mais pop/rock. É com essa pegada que você está encarando os seus recém-completados 72 anos?

Não sei dizer. Na verdade, resultou que o que eu gostava era assim. Então, ele é mais rock e pop mesmo. Porque o repertório que eu estava gostando e selecionando caminhava todo por ai.

Atento aos sinais foi gerado no Rio de Janeiro e agora está retornando a cidade. Qual é a expectativa para as novas apresentações na cidade?

A expectativa é a melhor possível, porque por onde eu tenho passado a receptividade é imensa. Todos os lugares por onde vou têm os ingressos esgotados com muita antecedência. Eu estou achando que vai acontecer a mesma coisa aqui no Rio.

Como você se sente em ser considerado uma das maiores influências da música popular brasileira, não só para a sua geração, mas para todas as outras, inclusive para os meninos que compõem o seu repertório do show?

32fa5  Ney Matogrosso-8805Eu, sinceramente, eu não me acho nada. Eu sou uma pessoa que trabalha, que gosta do que faz, e que está ainda em constante movimento. Eu não parei. Então, eu acho que é isso, eu sou um trabalhador da música. Não acho que eu tenha alcançado nada, porque também, se você achar que você já chegou a algum lugar, que você já alcançou, você para. E eu então, prefiro achar que não cheguei a lugar nenhum.

Esses bem sucedidos 40 anos de estrada incluem inúmeras apresentações e parcerias. O que ainda pretende fazer dentro de sua já brilhante carreira, já que frisa que não quer parar?

Eu tenho feito muito cinema paralelamente, mas eu não sei, eu não tenho uma ideia de qual será o próximo passo, porque eu ainda estou muito envolvido com isso. Acho que vou precisar de um certo distanciamento, fazer isso mais tempo, para eu poder entender qual é a próxima coisa que eu poderia fazer. Nesse momento, eu não sei.

Há algum gênero da música que ainda gostaria de explorar?

Não sei. O fato de eu não ser compositor me deixa em uma situação confortável, porque me da abertura pra tudo. Eu não tenho um estilo musical, eu desfruto de tudo que a música oferece. O fato de não compor, no meu caso, é positivo.

Serviço
Show – Ney Matogrosso “Atento aos sinais”
Local – Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Flamengo
Data – 20 e 21 de Setembro, às 22h
Preço – Entre R$ 40 e R$ 260

Fotos: Divulgação e Ricardo Nunes

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Joe Bonamassa – 11/8/2013 – Vivo Rio – Som alto e muitas notas

Joe Bonamassa Vivo Rio IVUma noite de domingo, Dia dos Pais e com uma temperatura baixa para os padrões do carioca, podem ter contribuído para que o Vivo Rio não recebesse um grande público na apresentação de Joe Bonamassa, considerado por muitos como A Nova Esperança branca do Blues.

Como prometeu, Bonamassa fez um show com som alto e muitas notas. O início do concerto, acústico, mostrou que o guitarrista também manda bem no violão, mas foi mesmo com o desfile de Gibsons que Bonamassa levantou a plateia, em vários momentos – memorável a citação ao mega sucesso do The Who, Won’t Get Fooled Again.

Joe Bonamassa Vivo Rio ISempre usando seus inseparáveis óculos escuros e, seguindo a tradição dos seus ídolos ingleses, falando pouquíssimo, Bonamassa deixou claro que, se ainda não está no patamar de nomes como Eric Clapton ou Buddy Guy, é uma força emergente e que faz tempo deixou de ser uma promessa.

As quase duas horas de espetáculo se passaram quase na mesma velocidade com a qual dedilha e arranca solos enfurecidos de suas Les Paul.

Tomara que da próxima vez sua apresentação seja programada para uma data mais favorável. Os cariocas merecem assisti-lo.

Joe Bonamassa Vivo Rio IISetlist:

Palm Trees Helicopters and Gasoline
Seagull
(Bad Company song)
Jelly Roll
(Charles Mingus song)
Athens to Athens
Woke Up Dreaming
Dust Bowl
Story of a Quarryman
Who’s Been Talking?
(Howlin’ Wolf songr)
Someday After a While
Dislocated Boy
Driving Towards the Daylight
Slow Train
Midnight Blues
(Gary Moore song)
Spanish Boots
(Jeff Beck song)
Song of Yesterday
(Black Country Communion song)
Django
Mountain Time

Bis:
Sloe Gin
(Tim Curry song)
The Ballad of John Henry

Fotos: Fernando de Oliveira e Jo Nunes