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Phil Collins ganha nova caixa e mostra que não está morto

Plays Well With Others, coletânea com 4 CDs, cobre a carreira do arroz de festa Phil Collins como convidado de outros artistas

Não faz muito tempo Phil Collins ganhou uma caixa que trazia seus oito CDs solo remasterizados e por um preço ridiculamente barato (£9) – Take A look At Me Now… The Complete Studio Collection. Agora, Tio Phil vai ganhar outra caixa com suas aventuras em discos de outros artistas.

Plays Well With Others chega ao mercado no dia 28 de setembro e já está com a pré-venda aberta por módicas £22 na Amazon inglesa. Vale fazer a pre-order. Detalhe: não há informações sobre se ela será lançada no Brasil.

 

Onipresente

Quem viveu os anos 80 sabe que Phil Collins era onipresente. Quando não era com o Genesis, Phil podia ser ouvido solo ou ajudando artistas como Brian Eno, John Cale, Eric Clapton, Tears For Fears, Howard Jones, Paul McCartney, Adam Ant e quem mais requisitasse sua presença.

São 59 faixas divididas por eras (começando pela década de 1970, seguindo até 2011, com um disco bônus ao vivo). Interessante ver que Phil conseguiu autorização para incluir Angry, faixa que gravou com Pete Townshend para o disco Press to Play, de Paul McCartney, com quem Collins acabou criando um grande mal-estar depois do lançamento da sua autobiografia (que será resenhada em breve).

— Algumas pessoas dirão que vivi uma vida cheia de charme. Eu fiz o que eu quis fazer na maior parte dela e fui bem pago por uma coisa que faria de graça: tocar bateria. Durante esse tempo eu toquei com muitos dos meus heróis e alguns deles viraram grandes amigos. Nesses quatro CDs você vai encontrar uma pequena amostra desses momentos. Agradeço aos artistas por me deixarem fazer essa caixa, o que não foi fácil — diz Phil no material promocional da caixa.

Tempo vago

A quantidade de faixas, projetos e artistas incluídos em Plays Well With Others impressiona e confirma a fama de arroz de festa do baterista — figurinha fácil também em shows beneficentes e programas de TV — ainda mais se levarmos em conta que tudo foi feito nos intervalos das gravações e shows com o Genesis e da carreira solo.

Esses intervalos permitiram que Collins produzisse e até mesmo excursionasse com alguns desses artistas. Sua parceria com Eric Clapton, para citar um exemplo, gerou o ótimo e subestimado Behind the Sun e o esquecível August, além de uma turnê (1986).

Tudo isso sem contar com a tour de force que o baterista protagonizou no Live Aid, quando tocou em Londres, pegou um Concorde e ainda tocou nos EUA (com Clapton e o Led Zeppelin).

Destaques

Algumas faixas se destacam, seja pela qualidade, seja pelos nomes envolvidos. No quesito qualidade eu destaco No One Is To Blame (de Howard Jones), Woman In Chains (do Tears for Fears), Intruder (de Peter Gabriel) e Do They Know It’s Christmas (Feed The World) — do Band Aid e que se encaixa nas duas categorias.

Já falando em nomes, os destaques são, além das já citadas Angry e Do They Know It’s Christmas (Feed The World), Lead Me To The Water (de Gary Brooker), Hero (de David Crosby), Just Like A Prisoner (de Eric Clapton) e Pledge Pin (de Robert Plant).

No geral, a qualidade das canções é muito boa e deveria fazer muita gente repensar no que foram os anos 80, principalmente quando deixamos de lado as baterias eletrônicas.

Ao vivo

O disco bônus traz registros ao vivo, com destaque para as apresentações no Jubileu de Ouro da Rainha (Party at the Palace) e os shows onde dividiu o palco com Tony Bennett, George HarrisonRingo Starr e outros superastros.

Cotação: **** ½

Disco 1: 1969 – 1982

“Guide Me Orion” – Flaming Youth
“Knights (Reprise)” – Peter Banks
“Don’t You Feel It” – Eugene Wallace
“I Can’t Remember, But Yes” – Argent
“Over Fire Island” – Brian Eno
“Savannah Woman” – Tommy Bolin
“Pablo Picasso” – John Cale
“Nuclear Burn” – Brand X
“No-One Receiving” – Brian Eno
“Home” – Rod Argent
“M386” – Brian Eno
“And So To F” – Brand X
“North Star” – Robert Fripp
“Sweet Little Mystery” – John Martyn
“Intruder” – Peter Gabriel
“I Know There’s Something Going On” – Frida
“Pledge Pin” – Robert Plant
“Lead Me To The Water” – Gary Brooker

Disco 2: 1982 – 1991

“In The Mood”‘ – Robert Plant
“Island Dreamer” – Al Di Meola
“Puss ‘n’ Boots” – Adam Ant
“Walking On The Chinese Wall” – Philip Bailey
“Do They Know It’s Christmas (Feed The World)” – Band Aid
“Just Like A Prisoner” – Eric Clapton
“Because Of You” – Philip Bailey
“Watching The World” – Chaka Khan
“No One Is To Blame” (Phil Collins version) – Howard Jones
“If Leaving Me Is Easy” – The Isley Brothers
“Angry” – Paul McCartney
“Loco In Acapulco’ – Four Tops
“Walking On Air” – Stephen Bishop
“Hall Light” – Stephen Bishop
“Woman In Chains” – Tears For Fears
“Burn Down The Mission” – Phil Collins

Disco 3: 1991 – 2011

“No Son Of Mine” – Genesis
“Could’ve Been Me” – John Martyn
“Hero” – David Crosby
“Ways To Cry” – John Martyn
“I’ve Been Trying” – Phil Collins
“Do Nothing ‘Till You Hear From Me” – Quincy Jones
“Why Can’t It Wait Til Morning” – Fourplay
“Suzanne” – John Martyn
“Looking For An Angel” – Laura Pausini
“Golden Slumbers / Carry That Weight / The End” – George Martin
“In The Air Tonite” – Lil’ Kim featuring Phil Collins
“Welcome” – Phil Collins
“Can’t Turn Back The Years” – John Martyn

Disco 4: Ao Vivo 1981 – 2002

“In The Air Tonight” (Live At The Secret Policeman’s Other Ball) – Phil Collins
“While My Guitar Gently Weeps” – George Harrison
“You Win Again” – The Bee Gees
“There’ll Be Some Changes Made” – Phil Collins and Tony Bennett
“Stormy Weather” – Phil Collins and Quincy Jones
“Chips And Salsa” – The Phil Collins Big Band
“Birdland” – Phil Collins with The Buddy Rich Big Band
“Pick Up The Pieces” (Live At The Montreux Jazz Festival 1998) – The Phil Collins Big Band
“Layla” (Live At Party At The Palace, 3 June 2002) – Eric Clapton
“Why” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Annie Lennox
“Everything I Do (I Do It For You)” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Bryan Adams
“With A Little Help From My Friends” (Live at Party At The Palace, 3 June 2002) – Joe Cocker

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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Jards Macalé, muitíssimo bem e ao vivo

Artista ganha box com gravações ao vivo feitas entre 1977 e 1983. Muitas delas inéditas

Jards Macalé é o tipo de artista que não pode ser ouvido com pouca atenção. Nada nele ou em sua trajetória é óbvio. Por isso, sempre demanda um tempo maior para fazer a crítica de qualquer um de seus discos. Ainda mais quando são quatro, sendo três deles inéditos.

O box Jards Macalé ao vivo resgata registros históricos. Como o do show de lançamento do disco Contrastes (1977).

Lançado pelo selo Discobertas, capitaneado pelo pesquisador Marcelo Fróes, traz, ainda, uma rara apresentação: para os internos do Presídio da Papuda, em Brasília, em 11 de setembro de 1978.

— Esse projeto é decorrência do trabalho no acervo de Macalé. Faltava fazer esse box com shows memoráveis e que conta como ele se afastou das gravadoras e tornou-se independente — explica Fróes.

Documento histórico

A caixa ainda traz A volta para Vitória, gravado no Teatro Carlos Gomes, em 1981. E também o encontro ao vivo em estúdio com o percussionista Naná Vasconcelos (Let´s Play That, de 1983).

Como a maioria dos registros históricos — algumas das gravações vieram do acervo particular de Macalé —, a qualidade de som não se compara com a qualidade e importância das performances. O que não importa muito.

Os quatro shows de Macalé

Presídio da Papuda

Dos quatro shows, o mais interessante é o gravado no Presídio da Papuda (1978). Macalé desfila uma série de canções do repertório do também genial Moreira da Silva, com quem excursionava na época.

Jards Macalé Canta no Presídio é uma deliciosa, despretensiosa e improvisada homenagem ao mestre do samba de breque.

Acertei no Milhar, Olha o Padilha e Sim ou Não, valem deixar de lado qualquer deficiência na qualidade de áudio. Macalé & Cia aparecem em plena forma. E aparentam estarem se divertindo em divertir uma plateia nada comum.

Os comentários entre as canções são uma debochada viagem, assim como cantar Vara Criminal para os internos. Impagavelmente imperdível!

Contrastes ao Vivo

Contrastes ao Vivo marca o lançamento do disco homônimo. Foi gravado no Teatro Teresa Rachel, em Copacabana (atual Teatro NET Rio).

Nele, vemos um Macalé mais sério. Porém, não menos anárquico e maldito, com suas harmonias complexas e acordes dissonantes e surpreendentes saindo do seu violão.

São 22 canções (CD duplo) no formato banquinho e violão, em um registro bem mais profissional que o captado no presídio.

O trabalho de edição e masterização realça a qualidade das canções e da ótima nterpretação do artista.

A Volta para Vitória

A Volta para Vitória (1981) ajuda a compor um quadro melódico, louco e lírico de Macalé. Logo na abertura, A Melhor Coisa do Mundo (Jards Macalé/Xico Chaves) é um ótimo exemplo dessa mistura. Assim como a ode bossanoviana Chega de Saudade (Antonio Carlos Jobim/Vinicius de Moraes), que fecha o disco.

No meio dele, o escrachado samba de breque Tira os Óculos e Recolhe o Homem, parceria de Jards e Moreira da Silva. Conta a história da prisão de Macalé, anos antes, por ter cantado músicas que não estavam no roteiro dos censores — coisas da ditadura militar.

Estava deitado no meu apartamento
Dormindo tranquilamente
Entregue aos braços de Morfeu
Quando chegou um fariseu…
Um só não, eram uns dez ou vinte, espadaúdos
Homens que davam a impressão
De terreno de dez de frente
Por vinte e quatro de fundos
Que foi dizendo: “levanta que está na hora
A hora é esta, vamo logo, sem demora”
Fiquei atônito e liguei pra Morengueira
Que estava hospedado naquele mesmo hotel
E fui dizendo: “ó Kid, venha cá!
O homem quer me conversar!”
Eu vou cumprir com meu papel
É seu destino, está escrito lá no céu…
A esta altura, pobre do meu coração:
Lá embaixo me esperava, de porta aberta, um camburão
E lá fui eu, com meu irmão Moreira
Fomos cantando, levando na brincadeira…

Let’s Play That

O CD que fecha a caixa é, talvez, o menos interessante, Let’s Play That. Não pela sua qualidade, mas por já ter sido lançado em 1994, apesar de ter sido gravado em 1983, num climão de jam session no estúdio, entre Macalé e o percussionista Naná Vasconcelos (1944-2016).

Nesse registro, a qualidade de som é impecável e os desempenhos, inspirados. Tudo bancado por um dos sócios do Ponto Frio!

Uma história estranha para um disco que merecia mesmo ser (re)descoberto.

— Eu e o Naná sempre quisemos gravar um disco juntos. Eu o conheci em “Gotham City“, no Maracanãzinho; a gente estava ensaiando, tal e coisa, aí de repente, de cima do palco eu olhei e vi, tinha aquele cara ali, já fazendo percussão: “Posso entrar nessa?”. Eu disse: “Esteja à vontade”. Foi aí que nós nos conhecemos e fizemos uma grande amizade — revela Macalé.

Let’s Play That traz composições solo e parcerias com Xico Chaves, Jorge Mautner e Fausto Nilo, entre outros. A excelência dos músicos é genialmente espalhada pelas dez faixas do álbum.

Mais uma vez, a elegância dissonante de Macalé se faz protagonista. Dessa vez com a luxuosa companhia da percussão louca de Naná Vasconcelos. O disco é tão diferente que talvez a música menosincomum se chame Estranha (Jards Macalé/Xico Chaves).

Quando eu nasci
Um anjo louco
Um anjo solto
Um anjo torto, muito
Veio ler a minha mão
Não era um anjo barroco
Era um anjo muito solto, solto, solto
Doido, doido
Com asas de avião
E eis que o anjo me disse
Apertando a minha mão
Entre o sorriso de dente
Vá, bicho, desafinar o coro dos contentes

Let’s play that

Para ouvir com atenção e reverência

Jards Macalé ao vivo reúne 53 faixas. Abraça um período dos mais ricos na trajetória de um dos artistas mais inquietos e criativos da nossa música.

Os shows contidos nessa caixa são daquelas obras para serem ouvidas com atenção, reverência e muito respeito.

Como já citei, a qualidade de som pode não ser 100% perfeita. Mas isso acaba dando um charme e valor ainda maiores aos registros.

O legado de Jards Macalé

Macalé já foi tema de outra (ótima) caixa do selo Discobertas (Anos 70). Lançada em 2016, que reúne seus dois primeiros discos, recheados com alguns demos e faixas ao vivo. Traz também outros dois CDs com gravações raras, muitas vezes tiradas de velhas fitas cassete.

Porém, o legado de Macalé vai além da sua própria obra autoral. Ele foi o responsável, por exemplo, pelos arranjos do ótimo Transa, gravado por Caetano Veloso durante o seu exílio em Londres.

Sua trajetória já foi alvo de dois documentários. Infelizmente, falta um registro mais histórico e pessoal da carreira do senhor Jards Anet da Silva. Aos 75 anos, ele tem muita história para contar. E muita gente quer e precisa ouvir.

O resgate do seu legado musical nos últimos anos vem conquistando uma legião de jovens fãs. Não se fazia ideia de que um som tão inovador pudesse ser produzido numa década (para eles) tão distante.

Tomara que esse resgate continue. E que Macalé não pare de produzir.

Cotação: ****

PS: Macalé é um apelido dado por conta da falta de habilidade do jovem Jards no futebol. Os amigos o comparavam a um jogador do Botafogo chamado Macalé, que podia jogar muito ou ser o perna de pau das partidas. No caso de Jards, na maioria das vezes, o perna de pau.

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Casuarina volta forte com o álbum +100

Grupo carioca reúne bambas como Martinho da Vila e Lecy Brandão e mostra que a saída de João Cavalcanti não diminuiu o apetite musical da banda

Já faz tempo que os meninos do CasuarinaDaniel Montes (violão de sete cordas e vocais), Gabriel Azevedo (voz e percussão), João Fernando (bandolim, violão e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho, banjo e vocais) – não são mais meninos. O grupo, criado em 2001, chega ao 8° álbum (+100) sem a participação de João Cavalcanti, que até então era o principal vocalista e compositor do grupo. Mas se muitos ficaram preocupados com o efeito da saída do filho de Lenine na sonoridade do agora quarteto, podem se despreocupar: +100 é um dos melhores (se não o melhor) disco do grupo.

O samba chegou diferente
E agora é para ficar
Vem que a batucada tá quente
E a gente é de firmar

É bom pra curar a dor
Tem ginga que vem de lá
Trago no pandeiro a fé de um orixá

– A saída do João já era uma coisa esperada e, claro, teve um impacto sobre o grupo, mas tem sido uma mudança positiva. Isso nos tirou da zona de conforto e estão todos mais participativos. São 16 anos juntos e a saída reforçou a nossa condição de grupo, culminando com o lançamento do +100 – conta Gabriel Azevedo, principal vocalista do Casuarina.

Convidados de luxo

Leo Aversa

Cria da Lapa, no Rio de Janeiro, o Casuarina se consolidou depois de dois ótimos álbuns lançados pelo selo Biscoito Fino – Casuarina (2005) e Certidão (2007) -, o mesmo por onde gravaram +100, e parece que a volta a velha casa fez bem aos rapazes. Deixando de fora o lado autoral, o grupo peneirou um repertório extremamente inspirado e ainda recheou o álbum com algumas participações mais que especiais, como Lecy Brandão (Herança de Partideiro) e Martinho da Vila (Tempo Bom na Maré), além de Geraldo Azevedo (Embira) e Criolo (Quero Mais Um Samba).

– Tivemos essas quatro participações, mas Tempo Bom na Maré, com o Martinho, ficou exatamente da maneira que imaginamos. Além disso, ele é um cara que dignifica o samba e dá essa chancela de qualidade ao disco. Foi um sonho concretizado – confessa Gabriel.

Meu amor quando sorri é o tempo bom na Maré
Rede na beira do mar, fruta madura no pé
Água doce no riacho, lua cheia no céu
Camarão frito no tacho, sereno beijando o chapéu
Samba no pé da fogueira, mel de engenho no licor
É a vitória do sonho, vida vivida sem dor

Fôlego renovado

Foto: Leo AversaCom um título que remete aos 100 anos do samba (completados em 2017), o novo trabalho mostra que, se o presente da Lapa anda incerto, com os problemas econômicos do país e a insegurança e violência que assolam o Rio de Janeiro, o futuro do samba oriundo da região está mais que garantido. Com arranjos que unem simplicidade e sofisticação, e um trabalho vocal de primeira, +100 renova o fôlego do grupo.

Sambões, ritmos africanos e até forró estão na mistura que faz do novo trabalho casuarinense um prazer de ouvir. As 12 canções levam o ouvinte – seja ele amante do ritmo que for – por uma estrada pela qual não há como não trafegar com alegria.

– A gente vinha fazendo um show em homenagem ao centenário do samba e pensamos em gravar o disco novo baseado no repertório do show, mas achamos melhor apontar para frente e interpretar só com sambas inéditos. Isso reaproximou a gente da galera do samba, da qual nos afastamos um pouco nos dois últimos discos – No Passo de Caymmi (2014), um projeto totalmente conceitual e 7 (2016), um álbum autoral – explica Azevedo.

Força para a Lapa

Um dos principais polos de criação de novos talentos do samba, a Lapa, conforme já citado nesse texto, padece com os problemas do Rio de Janeiro (cidade e estado)

– A Lapa está sofrendo muito com o que está acontecendo com a cidade. Fizemos uma temporada lá em dezembro e janeiro e a coisa não está muito boa por lá. Tem muita casa fechando por conta da violência e da insegurança. Precisamos dar uma força para não deixar essa bela história morrer – diz o músico.

Até rapper vira sambista

Em um lançamento marcado pela sonoridade da percussão, com um repertório de novos sambas de primeira, o nome de Criolo pode até parecer um tanto deslocado, mas o rapper fecha o disco dividindo a faixa Quero Mais um Samba, mostrando que também caminha bem pela passarela do samba.

No fim das contas, +100 reforça a importância do Casuarina na cena do samba e da música brasileira. O disco também mostra que ainda há muita gente produzindo música boa e que a mistura do novo com nomes tradicionais é uma fórmula que vai sempre valorizar os trabalhos bem elaborados.

Nota: **** ½

Fotos: Leo Aversa e Diogo Montes

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Detonautas Roque Clube lança nova versão de Por Onde Você Anda?

A veterana banda Detonautas faz releitura com o cantor mineiro Lucas Lucco

Formada em 1997, o Detonautas Roque Clube surfa na onda do sucesso do álbum VI (2017) – que alcançou a marca de seis milhões de streams apenas no Spotify – e da faixa Por Onde Você Anda?, regravada com a participação do cantor e compositor mineiro Lucas Lucco.

– Estamos em ação com a turnê VI. Começamos a produzir versões de músicas desse último álbum com participações especialíssimas, como a do Lucas Lucco e em breve teremos mais convidados. Lançamos uma camisa comemorativa dos 20 anos da banda, junto com certificado de autenticidade assinado por todos nós, mais adesivos, que foi um grande sucesso, ficou à venda por apenas uma semana e os fãs e admiradores garantiram mais de 300 camisas – comemora Renato Rocha.

Sucesso nas redes

Detonautas

Tico Santa Cruz (vocal), Renato Rocha (guitarra), Fábio Brasil (bateria), DJ Cleston (percussão e programações), Phil (guitarra) e André Macca (baixo), construíram uma carreira onde o social, os protestos, a violência, o amor e a indignação sempre tiveram papel de destaque, e esse ainda parece ser um dos nortes da banda. O Detonautas está entre os artistas do rock nacional mais ouvidos no Spotify, com mais de 420 mil seguidores e 1 milhão de ouvintes por mês. O grupo também movimenta mais de 10 milhões de pessoas nas plataformas digitais e em suas redes sociais.

– É muito importante para nós essa linha direta com nossos fãs e sempre usamos a internet para estreitar essa relação. É nosso principal veículo de disseminação de conteúdo – conta Rocha.

Mesmo com o sucesso nas plataformas de streaming a banda não abandonou os fãs que ainda querem guardar CDs em suas coleções.

– Fizemos uma tiragem pequena de duas mil unidades em CD para atender aos fãs que ainda fazem questão de ter o material físico e para trabalhar com a imprensa. Todos nós usamos streaming e ouvimos os álbuns na íntegra quando é de nosso interesse. É possível ouvir o álbum do jeito que o artista concebeu nas plataformas de streaming. O modo aleatório é ótimo para descobrir novas bandas e artistas também – revela o guitarrista.

A nova Por Onde Você Anda?

Tico e Lucas

Quem ouviu a versão do disco VI, com as guitarras e a bateria em destaque e uma pegada mais rock, pode até se surpreender como com algumas pequenas mudanças – principalmente o destaque nos violões – e o acréscimo de uma nova voz podem fazer tanta diferença. A nova versão é mais pop e possui uma personalidade própria. A combinação das vozes de Tico e Lucas Lucco é matadora, parecendo que foram feitas uma para a outra e dando uma suavidade ainda mais triste a canção.

Difícil dizer qual a melhor versão, mas desconfio que a maioria dos fãs escolherá essa releitura.

Os dias ficaram estranhos
Até o cachorro percebeu
A chuva que molhava a planta
Encontrei um laço seu

Por onde você anda agora
Que não lembra mais de mim
Convivo com sua memória
Sentimento que me faz pensar, ah, ah

Por que você não quebra o silêncio?
Me diz o que que eu posso fazer?
Tô me sentindo muito sozinho

Se pelo menos eu pudesse te encontrar
E te pedir perdão
Pra mim já dava bom

Pensando em tudo que vivemos
É impossível não lembrar
Os banhos que tomamos juntos, até o dia clarear
O vidro do carro embaçado
O cheiro do seu edredom
As noites que passei em claro
Sentimento que me faz pensar, ah, ah

Mas, depois de tantos anos de estrada, sucesso e reconhecimento, quais as ambições da banda?

– Continuar produzindo música relevante e levar as pessoas aos shows. É no palco que a mágica acontece e é onde nos sentimos inteiros e vivos – conclui Renato.

Fotos: Fabiano Santos e divulgação

Erasmo Carlos continua acreditando no amor

…amor é isso, novo álbum do Tremendão, traz parcerias com Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Tim Maia!

Quem disse que rockeiro não pode ser romântico? Erasmo Carlos é a prova viva de que rock e amor combinam. Responsável por grande parte das mais conhecidas canções de amor do país (compostas em parceria com o amigo Roberto Carlos) e depois de três discos de estúdio voltados mais para as guitarras, mas sem perder a gentileza – Rock n’ Roll (2007), Sexo (2011) e Gigante Gentil (2014) – o Tremendão vira o jogo e lança …amor é isso, baseado em e-mails com poesias que escreveu para a mulher, Fernanda Passos, durante os oito anos de namoro do casal.

O resultado, além das composições solo de Erasmo, é uma coleção de ótimas parcerias – Marisa Monte, Dadi, Samuel Rosa, Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Emicida e Tim Maia – e presentes de amigos como Marcelo Camelo e Nando Reis, formando um repertório de altíssima qualidade, que fala sobre todas as faces do mais intenso dos sentimentos e passeia por vários estilos, não ficando preso apenas as baladas.

Paixão e inocência

Já na primeira canção – Convite para nascer de novo (Erasmo Carlos / Marisa Monte / Dadi), o ouvinte é levado a deixar a tristeza de lado e abraçar a oportunidade de uma nova paixão.

Houve um tempo em que eu chorava quase todo dia / Dando linha a uma vida extremamente chata / Com a vontade disponível de não existir… / Houve um tempo em que eu morava com minha tristeza / Era amigo e confidente das manhãs sem sol / Prisioneiro de mim mesmo, sem poder fugir… // De repente, o infinito de uma coisa boa / Começou devagarinho a orbitar em mim / Como num conto de fadas dos Irmãos Grimm… / Era um universo puro de uma pessoa / Que me viu um mundo morto portador de vida / Como um beija-flor perdido no próprio jardim… //

Mas se as letras dão o norte do disco, o instrumental também merece destaque. O baixo de Dadi, os violões e guitarras de Luiz Lopes, e os backings de Pedro Dias e Luiz Lopes, dão peso e unidade ao material pinçado por Erasmo. A faixa-título é um ótimo exemplo disso, com um arranjo delicado onde se destacam os violões e a ótima melodia.

Uma alegria de luz, o orgasmo da arte / Um sonho, uma ardência na alma / Uma dor, uma sorte / Mais que uma oferta egoísta e possessiva / Uma canção de ninar em carne viva… // Um universo inteiro de prazer no céu / A ressonância da paz no coração do seio / Nobre ilusão do horizonte da febre sem fim / E o som da banda avisando que o show é assim…

Sempre moderno

O romantismo não pode ser considerado uma novidade na carreira de Erasmo e mesmo assim ele ainda consegue encontrar formas de se manter novo e atualizado. Uma das surpresas do disco é a sua parceria com Emicida, que também faz uma participação vocal em Termos e Condições, faixa que fala sobre tecnologia e que é um dos destaques do disco. Até mesmo as semelhanças com trabalhos anteriores (Carlos Erasmo e A Banda dos Contentes) soam atuais e trazem um frescor reconhecível ao novo trabalho.

Erasmo pensou mesmo em tudo. O CD está sendo vendido (no site da Som Livre) com um lápis para que as pessoas possam expressar sua própria opinião sobre o que é o amor, já que o sentimento tem significados diferentes para cada alma.

Homenagem ao amigo

Se o sexo já foi tema de um disco recente, o amor expressado nas faixas de …amor é isso é daqueles que todos deveríamos querer viver: intenso, traidor, romântico, idealista e sem fim. Mesmo as canções onde o sentimento veio por conta de uma amizade – como a versão que Erasmo fez para a canção New Love, do companheiro de infância Tim Maia – têm um saboroso toque de inocência.

Eu amei / Todo o amor / Que eu tinha pra amar / O que eu não sabia / É que ela não me amava… / Eu chorei / Toda a dor / Que eu tinha pra chorar / E o pranto que eu chorava / Não fez ela voltar… / Foi então / Que a vida entre o cinza e o azul / Me mostrou / A beleza do mundo em você / Me pergunto / Se eu tenho alguma chance / De contar com seu amor nesse romance… / Ôôô love / Meu novo love / Foi tão bom achar você…

Muitos altos

Toda a unanimidade é burra, já diria Nelson Rodrigues, e dizer que …amor é isso é um trabalho perfeito seria muita pretensão, mas os altos são tantos que mesmo os mais exigentes vão se dobrar a qualidade das (12) canções e da produção (Pupillo). Convite para nascer de novo, Novo sentido, Novo Love e Parece que foi hoje, fazem os 50 minutos do álbum passarem muito mais rápido do que o normal, como num jogo de futebol bem jogado, que sempre passa mais rápido do que uma pelada.

Erasmo Carlos continua produzindo em um ritmo e com uma qualidade que impressionam, principalmente se compararmos com a preguiça do seu velho parceiro. Com …amar é isso, Erasmo deixa a estrada livre para mais canções e álbuns.

Graças a Deus!

Cotação: ****


Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Roger Daltrey aposta no soul e se dá bem

As Long as I Have You traz canções originais e outras que inspiraram Daltrey na sua juventude

Uma das vozes mais marcantes do rock em todos os tempos, Roger Daltrey lança o seu 9º disco solo – ou 10º, se considerarmos o excelente Going Back Home (2014), feito em parceria com Wilko Johnson – dessa vez apostando no soul e no R&B, e se sai muito bem. Daltrey, que já passeou pelo e sempre será lembrado pelo trabalho com o The Who, mostra que, aos 74 anos, ainda tem muita lenha para queimar. A voz continua potente e afinada (apesar de algumas oitavas mais baixa) e ele consegue imprimir uma emoção genuína em todas as faixas.

Com a nobre presença do violão de Pete Townshend em sete das 11 faixas do disco, o frontman do The Who nos proporciona uma viagem por canções que fazem parte da sua vida desde jovem e por novas composições como Certified Rose, escrita para sua filha. Mas os destaques ficam mesmo com as regravações de How Far (Stephen Stills), Into My Arms (Nick Cave) e, principalmente, a faixa-título. As Long as I Have You é, inclusive, uma das canções que os High Nunbers (que depois se tornariam o The Who) tocavam em seus shows.

– Esse é um retorno ao tempo no qual Pete ainda não havia começado a compor, um tempo quando éramos uma banda de adolescentes tocando soul music para pequenas plateias em bailes de igreja – conta Daltrey.

Clima Who By Numbers

Townshend é, aliás, responsável por um clima Who by Numbers. How Far, por exemplo, poderia muito bem ter sido gravada pelo quarteto britânico em meados dos anos 70. Mas se o violão de Townshend remete aos anos 70, a inclusão de backing vocals gospel e o uso de metais em alguns arranjos fazem o disco soar denso e com a força de ícones como Otis Redding, que não é citado, mas está lá, em espírito.

Foto: Jo Nunes

O peso grave da voz de Daltrey é presença em números como Into My Arms, mas como mostrou na sua passagem pelo Brasil ano passado, ela ainda é versátil e potente o suficiente para segurar as canções mais balançadas, mostrando uma força e suingue bem maiores que os demonstrados no bom Endless Wire (2006), do The Who, e o já citado Going Back Home.

Mas nem tudo são flores. You Haven’t Done Nothing (Stevie Wonder) é um daqueles momentos que poderiam e deveriam ser evitados. Parece que faltou alguém avisar que ela destoa do resto do álbum, soando forçada e sem acrescentar nada ao disco ou a sua versão original.

Rumo ao topo

As Long as I Have You é uma prova de que o que é bom ainda faz sucesso. O disco – lançado no Brasil em CD e disponível nas plataformas de streaming – já alcançou o 3º lugar nas paradas britânicas, na frente até do moderninho Drake. Segundo as previsões, o álbum deve alcançar o topo até o início da próxima semana.

Coração: ****

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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O Barão Vermelho, conjunto que catapultou Cazuza e Frejat para o rol dos grandes nomes da música nacional com sucessos como Pro Dia Nascer Feliz e Bete Balanço, aprendeu a se adaptar a perda dos dois líderes e segue com uma nova formação, preparando um novo disco de inéditas e regravando alguns dos clássicos da banda.

Pense e Dance, Pro Dia Nascer Feliz, Meus Bons Amigos, Puro Êxtase, Tão longe de tudo, Billy Negão e Eu Queria Ter Uma Bomba, foram gravadas no fim de 2017, por Maurício Barros (teclados), Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Suricato (vocal e guitarra) e Rodrigo Santos (baixo), que também deixou o grupo. Já sem o baixista, o grupo ainda recriou versões acústicas de Por você e Brasil, formando o projeto Barão Pra Sempre, disponível nas plataformas de streaming.

– Escolhemos músicas que seguem relevantes para a banda e para o nosso público. Também foi uma forma de mostrar que várias músicas do repertório do grupo são de autoria dos integrantes da atual formação, que já cont

ribuem como compositores desde o primeiro disco – explica Maurício Barros.

Renovando o público

Muitas bandas acabam perdendo o rumo e a relevância muitas vezes pela incapacidade de renovar o seu público. Esse, definitivamente, não parece ser o caso do Barão Vermelho. Se a ban

da segue sendo um dos ícones do boom do rock brasileiro nos anos 80, as apresentações sempre lotadas, com público de todas as idades, comprovam o fôlego do Barão.

– A renovação é constante, muito aparente com a garotada, que vem ouvindo pela influência dos pais, assistindo documentários e agora tem a possibilidade de nos ver ao vivo e fazer com que o Barão faça parte da vida dela- diz Fernando Magalhães.

Novo disco

Enquanto seguem com uma agenda lotada de shows pelo Brasil, os membros do Barão também se preparam para o lançamento de um novo disco, que deve ser lançado ainda este ano.

– Estamos no processo de compor e gravar um material inédito e novo para lançarmos no segundo semestre. O disco será totalmente autoral – conta Fernando Magalhães.

O novo projeto – ainda sem título – promete ser um marco para a consolidação do som grupo na fase pós-Frejat e Rodrigo Santos.

– Neste disco vamos focar na nova formação tanto na parte autoral como na execução – complementa Guto Goffi, descartando a possibilidade de participações dos ex-integrantes.

A nova fase do Barão Vermelho pode ajudar na renovação do pouco divulgado rock nacional.

Vida longa ao Barão!

 

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Rosa Marya Colin – 19 de maio de 2018 – Festival Tudo Blues – Teatro da UFF (Niterói)

Música boa é atemporal! Dito isso, qualquer coisa que seja dita sobre a voz e o repertório da apresentação da cantora Rosa Marya Colin, na sexta-feira (18 de maio) no Teatro da UFF, como parte do Festival Tudo Blues, pode parecer supérfluo, mas não é. Acompanhada de uma banda de primeira – Flavinho Santos (bateria), Samir Aranha (contrabaixo) e Eduardo Ponti (guitarra) – e com a participação mais que especial do mestre da gaita, Jefferson Gonçalves.

O repertório foi um luxo, com clássicos do rock, soul e rithym and blues, como Precious Lord, St Louis Blues, Summertime, Sunshine of Your Love, The Weight e, claro, California Dreamin’, fizeram parte da apresentação. Com arranjos elegantemente certeiros e usando a gaita de Jefferson Gonçalves de maneira inteligente, não servindo apenas como instrumento de solo, a cantora fez uma apresentação empolgante.

Rosa Maria, cuja carreira iniciou nos anos 60, mas que estourou mesmo em 1998, com a gravação de California Dreamin’ para um comercial de TV, está em plena forma. Sua voz afinadíssima e potente, e sua imagem (quase uma Nina Simone) nos transportam para uma Lousiana imaginária, que se mistura com uma Londres psicodélica e alguma igreja do Harlen.

Quem perdeu o show (veja o vídeo completo abaixo) ainda pode se programar para ir até Rio das Ostras, onde a cantora se apresenta no dia 2 de junho (de graça), na 15ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

O Festival Tudo Blues segue até o dia 27 de maio, no Teatro da UFF, com shows de El84 Rock’n’ Blues Band (24), Ticão Freitas (25), Blues Etílicos (26) e The Al Pratt Blues Session (27).

 

Big Gilson, ícone do blues brasileiro, comemora 30 anos de carreira

O blues brasileiro nunca teve o mesmo espaço na mídia que outros ritmos como a bossa nova, o pagode ou o sertanejo. Pode até ser que o som criado nas plantações de algodão do Sul dos Estados Unidos no século XIX não seja visto como algo natural para o brasileiro. Mas um país que já teve (e tem) artistas do calibre de Celso Blues Boy, Baseado em Blues, Blues Etílicos e Big Gilson não pode relegar a qualidade da música produzida por essas bandas.

Gilson Szrajbman, o Big Gilson, guitarrista, cantor, compositor e um dos maiores nomes do gênero do Brasil, já tendo tocado e recebido elogios do mestre B.B. King, que disse: “Quando vejo um jovem tocando blues tão bem assim e tão longe da América, sinto que minha missão nesta vida está cumprida”, completa 30 anos de estrada com uma série de shows e um disco autoral.

Fundador do grupo Big Alambik, responsável por ótimos trabalhos como Blues special reserve (1993) e Black Coffee (1995) — que infelizmente estão perdidos, já que não estão disponíveis no formato físico ou nos serviços de streaming —, Big Gilson se apresenta no Blue Note RJ, no dia 18. O show mescla canções do seu 13º disco, o ótimo XXX, e sucessos da carreira solo.

Movido a desafios

Big Gilson, que além do Blue Note, também sobe no palco do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, no dia 31, segue o conselho de Muddy Waters e está sempre em movimento para não deixar o limo crescer.

– Não gosto de seguir a maré. Sou movido a desafios. Estou preparando um DVD desse show, que gravei no Mississippi Delta Blues Festival (em Caxias do Sul, RS), no fim do ano passado. As apresentações do Blue Note e do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (no fim de maio) serão praticamente prévias desse DVD, com algumas músicas extras. O bom dessas apresentações é que eu já sei quais músicas funcionam ao vivo, deixando o setlist bastante poderoso. Há algumas canções clássicas que faço versões que as deixam com a minha cara, soando praticamente novas – explica o guitarrista.

Sempre repaginado, sempre renovando

Gilson é daqueles músicos que muitas vezes é mais reconhecido lá fora que no Brasil, já tendo tocado com alguns dos maiores nomes do blues.

– Faço muitos shows lá fora e até já tive convites para morar no exterior. Tive a sorte de viver grandes momentos, mas, pra mim, o highlight da minha carreira foi quando fui convidado para abrir o show do Johnny Winter, que é o meu mentor guitarrístico, que foi quem me inspirou a empunhar uma guitarra, e tocar com ele. Também foi inesquecível tocar com o Mick Taylor, subir no palco do clube do Buddy Guy – com ele na plateia – e abrir shows do Chuck Berry, no B.B. King Club, em Nova York (infelizmente recém-fechado) – conta.

Com as mudanças na indústria da fonográfica, viver de música no Brasil não é fácil. Viver tocando blues é mais difícil ainda, já que o estilo fica fora da grande mídia.

– O mercado, tanto lá fora quanto aqui está difícil. Blues nunca foi fácil, mas tem uma característica muito interessante: o público é fiel. Aqui no Brasil estão acontecendo muitos festivais e até mesmo os eventos de Food Truck travestidos de festivais ajudam a mostrar a música para um público diferente. O problema maior é mesmo a renovação do público. Por isso os festivais são importantes – diz Gilson, que acredita na renovação do estilo.

– O Joe Bonamassa é o top do momento, mas vira e mexe aparece alguém de quem eu nunca tinha ouvido falar e que arrebenta. Infelizmente, nem tudo chega ao nosso alcance. O próprio John Meyer, que é o Eric Clapton da atualidade, misturando o blues, o pop e o rock, tudo muito bem, ajuda a manter acesa a chama do blues. Quem gosta de música boa, gosta de música boa. Não adianta – sentencia.

O disco

XXX é o 13º disco de Big Gilson e mostra que o bluseiro caprichou na comemoração de seus 30 anos de carreira. Cantado totalmente em português (embora com alguns números instrumentais), XXX é explosivo, misturando rock e blues, como na faixa de abertura (Hey Você) e na também roqueira Xamã do Raul.

– Parti do zero nas composições para este disco. Tudo nele é material inteiramente novo. Seria muito mais fácil fazer um Best of ou regravar clássicos do blues, mas queria algo novo para mim e para o meu público– conta Gilson.

Mas o CD é eclético. Há até baladas (Canto), mas sempre baseadas em ótimos riffs de guitarra. A produção de Bacalhau Baca (ex-baterista dos Autoramas e Planet Hemp), as letras do parceiro Leão Leibovich e os convidados especiais – Jefferson Gonçalves (gaita), Sergio Rocha (guitarra) e do produtor Bacalhau Baca (bateria), entre outros – dá mais peso ainda a celebração musical de Big Gilson.

Disponível nas plataformas musicais e em algumas das ainda existentes lojas que vendem CD, XXX é daquelas obras que merecem ser ouvidas, seja pela excelência na execução, seja pelo momento histórico da carreira de um músico que pode ser considerado um orgulho nacional.

Fotos: Jo Nunes e Divulgação

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

Elton John ganha dois discos-tributo

Revamp: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin e Restoration: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin, já estão disponíveis em streaming

Sir Elton John, um dos mais conhecidos artistas pop do mundo e seu letrista, Bernie Taupin, ganharam mais dois discos-tributo a sua obra: Revamp e Restoration, lançados após o anúncio de que Elton vai se aposentar dos palcos, reuniram astros do pop atual e da música country, com resultados bastante irregulares. Essa não é a primeira vez que a obra dos compositores é revista por outros astros. Antes de Coldplay, Q Tip, Demi Lovato, The Killers, Queens of the Stone Age, Mumford and Sons, Florence and the Machin, Mary J. Blige, Ed Sheeran, Lady Gaga, Sam Smith, Pink and Logic, Alessia Cara, Willie Nelson e uma surpreendente Miley Cyrus, entre outros, tentarem reler as canções da dupla, um outro grupo de artistas fez o mesmo em 1991, no bom Two Rooms: Celebrating the Songs of Elton John & Bernie Taupin, que reuniu um naipe de astros de mais peso como Eric Clapton, Sting, The Who, Rod Stewart, Phil Collins, The Beach Boys, Joe Cocker e Tina Turner, para citar apenas alguns nomes.

Voltando a 2018, Revamp tem uma pegada mais pop, enquanto Restoration vai pela linha country. Claro que é difícil reinterpretar canções que já são clássicos e acrescentar um pouco da sua personalidade a elas. Louvo o esforço do Coldplay (We All Fall in Love Sometimes) ou Q-Tip e Demi Lovato (Don’t Go Breaking My Heart), mas o resultado acabou soando superproduzido e sem a profundidade que, imagino, tenha sido a ideia dos intérpretes. Mas se o Coldplay não conseguiu entregar a melancolia desejada na balada escolhida, pior foi Ed Sheeran, que escolheu fazer uma versão acústica de Candle in the Wind e acabou soando um pastiche malfeito da versão que o próprio Elton lançou na caixa comemorativa dos 40 anos do álbum Goodbye Yellow Brick Road (2014). Mas nem tudo está perdido, Miley Cyrus vai muito bem em Don’t Let The Sun Go Down On Me e Lady Gaga consegue – apesar de algumas críticas (injustas) – deixar sua marca em uma boa versão de Your Song, que não faz feio se comparada com as interpretadas por Billy Paul ou Al Jarreau. Outros ficaram no meio do caminho, alguns mais para o lado bom – The Killers, com uma versão semi-golspel de Mona Lisas And Mad Hatters – e outros para o lado ruim – Sam Smith e a sua versão melosa de Daniel.

Mas se o disco pop tem mais baixos que altos, a reunião de astros do country faz de Restoration uma experiência bem mais agradável. Com apenas uma canção repetida do disco pop (Mona Lisas and Mad Hatters) e só um artista presente nos dois tributos (Miley Cyrus) o disco segue bem mais coeso, tanto em termos de repertório quanto em termos de qualidade. Miley Cyrus manda bem novamente, embora The Bitch Is Back não se encaixe bem no conceito do álbum, e Willie Nelson faz uma ótima Border Song. Outros destaques ficam por conta de Rhonda Vincent e Dolly Parton (Please) e a bela versão de This Train Don’t Stop There Anymore, interpretada por Rosanne Cash e Emmylou Harris.

No geral, os dois discos soam excessivos – seria muito melhor se escolhessem as melhores faixas e tivessem colocado em um único álbum -, mas não chegam a ser um crime contra o patrimônio do pop internacional. A ideia de homenagear Elton John e Bernie Taupin sempre merece aplausos, mesmo que sirva para lembrar como são boas as gravações originais.

PS: Os dois álbuns não têm previsão de lançamento em formato físico no Brasil.

As canções

Revamp:

01. Bennie and The Jets — Elton John, P!nk, Logic
02. We All Fall In Love Sometimes — Coldplay
03. I Guess That’s Why They Call It The Blues — Alessia Cara
04. Candle In The Wind — Ed Sheeran
05. Tiny Dancer — Florence And The Machine
06. Someone Saved My Life Tonight — Mumford and Sons
07. Sorry Seems To Be The Hardest Word — Mary J. Blige
08. Don’t Go Breaking My Heart — Q Tip feat. Demi Lovato
09. Mona Lisas And Mad Hatters — The Killers
10. Daniel — Sam Smith
11. Don’t Let The Sun Go Down On Me — Miley Cyrus
12. Your Song — Lady Gaga
13. Goodbye Yellow Brick Road — Queens of the Stone Age

Restoration:
01. Rocket Man – Little Big Town
02. Mona Lisas And Mad Hatters – Maren Morris
03. Sacrifice – Don Henley and Vince Gill
04. Take Me To The Pilot – Brothers Osborne
05. My Father’s Gun – Miranda Lambert
06. I Want Love – Chris Stapleton
07. Honky Cat – Lee Ann Womack
08. Roy Rogers – Kacey Musgraves
09. Please – Rhonda Vincent and Dolly Parton
10. The Bitch Is Back – Miley Cyrus
11. Sad Songs (Say So Much) – Dierks Bentley
12. This Train Don’t Stop – Rosanne Cash and Emmylou Harris
13. Border Song – Willie Nelson

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Who Came First faz 45 anos e ganha nova reedição

Who Came First, para muitos o primeiro disco solo de Pete Townshend (o gênio por trás do The Who) fez 45 anos e ganhou uma nova reedição remasterizada e estendida. O disco pode ser considerado uma forçação de barra da gravadora, que juntou demos (a maioria para o abortado projeto Lifehouse, que acabou tendo várias canções servindo como base do LP Who’s Next) e algumas faixas já lançadas por Townshend nos seus dois (verdadeiros) primeiros discos solo – Happy Birthday e I Am, ambos em homenagem ao seu guru: Meher Baba. Esses dois discos chegaram a ser lançados em CD pelo próprio Townshend  – em um box chamado Avatar, que também continha o álbum With Love (1976) e um DVD – em seu (falecido) site. Infelizmente, a edição foi limitada e foram poucos os que conseguiram uma cópia (eu, incluído).

Lançado originalmente em 1972, Who Came First era composto por apenas nove faixas. Dessas, Townshend não compôs três delas, participou como músico em duas e não teve nenhuma participação em uma (Forever’s No Time at All, cantada por Billie Nicholls e com instrumentação por conta de Caleb Quaye). Portanto, considerar esse um disco solo tem lá suas controvérsias.

Versão definitiva?

Dito isso, vamos ao relançamento. De um disco de nove faixas, Who Came First se transformou em um CD duplo, com mais 17 faixas, oito delas inéditas. Estas inéditas, juntamente com as originais Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, já valeriam a compra. Se esse relançamento é a versão definitiva? Em termos de qualidade de som, sim. Em termos de conteúdo, talvez. Desta vez o álbum – que já havia sido alvo de relançamentos nos anos 90 e em 2006 – foi remasterizado a partir das fitas máster por Jon Astley, colaborador de longa data de Towshend e que foi o responsável pelas (controversas) remixagens dos álbuns do Who. O som é muito superior ao das versões anteriores, mas ainda há material que poderia ter feito parte do setlist, mas foi deixado de fora (Lantern Cabin, por exemplo), além de vários outros demos que podem ser encontradas na Lifehouse Chronicles, uma caixa de seis CDs que Townshend lançou em 2000 e que também foi lançada em edição limitada e está fora de catálogo.

A edição de 45 anos também conta com novas liner notes escritas pelo próprio Townshend, uma reprodução do poster que acompanhava o LP original e um livreto de 24 páginas com fotos de Townshend e Meher Baba no estúdio de gravação, tornando o lançamento bastante relevante para os fãs de carteirinha e para os que apenas conhecem o básico da obra do guitarrista.

Pontos altos

Além das já citadas Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, There’s a Heartache Following Me e Parvardigar são os pontos altos do disco original. Já o segundo CD oferece aos fãs pérolas como uma nova edição do demo de The Seeker, uma versão instrumental de Baba O’Reilly (com mais de 9 minutos de duração) e duas canções que parecem um pouco fora de contexto: a versão de Evolution, cantada no memorial de Ronnie Lane, em 2014, e Drowned, gravada na Índia, em 1976.

Mas, o verdadeiro ponto alto é a qualidade de som. A nova edição (mesmo em streaming) deixa no chinelo todos os relançamentos anteriores – fiz a comparação. Desta vez Astley fez um trabalho exemplar. O som está mais alto e muito mais claro, melhor até do que o encontrado nas versões da série Scoop, na qual Townshend despejou grande parte dos seus demos.

A edição comemorativa dos 45 anos de lançamento do Who Came First deve ser a última (espero), já que não faz sentido obrigar os fãs a comprarem um material já amplamente divulgado. O lançamento – da Universal Music – ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Só nos resta encomendar lá fora (a Amazon inglesa está com um bom preço) e torcer para que a sua encomenda não seja roubada no meio do caminho.

Que venham os relançamentos dos demais álbuns solo de Townshend.

As faixas

CD 1
1. “Pure and Easy”
2. “Evolution”
3. “Forever’s No Time At All”
4. “Let’s See Action”
5. “Time Is Passing”
6. “There’s a Heartache Following Me”
7. ” “Sheraton Gibson”
8. “Content”
9. “Parvardigar”

CD2
1. “His Hands”
2. “The Seeker” (2017 edit)
3. “Day Of Silence”
4. “Sleeping Dog”
5. “Mary Jane” (Stage A Version)
6. “I Always Say” (2017 Edit)
7. “Begin The Beguine” (2017 edit)
8. “Baba O’Reilly” (Instrumental)
9. “The Love Man” (Stage C)*
10. “Content” (Stage A)*
11. “Day Of Silence” (Alternate Version)*
12. “Parvardigar” (Alternate take)*
13. “Nothing Is Everything”*
14. “There’s A Fortune In Those Hills”*
15. “Meher Baba In Italy”*
16. “Drowned” (live in India)*
17. “Evolution” (live at Ronnie Lane Memorial)
(* Versões ou canções inéditas)

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Documentário escancara os demônios e os dramas da vida de Eric Clapton

Life in 12 Bars, que foi exibido nos cinemas lá de fora e chega nas lojas em junho, emociona até mesmo quem não é fã do guitarrista



Eric Clapton
é um dos músicos mais famosos e talentosos do mundo. Já compôs canções que se tornaram clássicos do rock, já ganhou vários prêmios e amou várias mulheres. Porém, teve uma vida cheia de baixos e agora, depois dos 70 anos, decidiu abrir o coração em um documentário onde, mais que narrar sua carreira, conta sobre suas mágoas, seus vícios (álcool e drogas) e seus traumas. Life in 12 Bars (Vida em 12 compassos, em tradução livre) serve como um belo complemento para alguma das inúmeras biografias do músico e confirma que ele é mesmo um sobrevivente.

O filme, dirigido pela diretora e produtora vencedora do Oscar, Lili Fini Zanuck, teve como base uma série de entrevistas onde Clapton falou sem reservas sobre tudo. Por isso, talvez, a música fique em uma espécie de segundo plano, embora o próprio Clapton seja categórico: “A música me salvou”. O foco principal fica mesmo na vida do artista, desde a infância, quando foi abandonado pela mãe, criado pelos avós – ele passou boa parte da infância achando que a irmã era a sua mãe e só foi conhecer a mãe já grandinho -, até o family man dos dias de hoje, passando pelas loucuras dos anos 60 e 70 e pela morte do filho Connor, em 1991.

Vícios

Se os anos 60 foram a época da maconha e do LSD, os anos 70 foram a época – para Clapton – da heroína e do álcool. Embora amplamente divulgado, é diferente ler sobre os efeitos da droga em Clapton e ver e ouvir esses efeitos. Em uma entrevista, com a voz totalmente chapada, ele diz odiar a vida e que não vai ficar por aqui (na Terra) por muito tempo. Mais angustiante ainda é ver cenas de Clapton cheirando cocaína e bêbado no palco e fora dele, em um estado muito mais deplorável do que quando usava heroína. Os absurdos comentários racistas – que não são mostrados no documentário, que apenas apresenta recortes de jornais sobre o assunto – e o comportamento errático do músico, mostram a razão dessa década ser praticamente ignorada na maioria das biografias. Ele simplesmente não lembra de muita coisa.

Porém, em termos de vício, podemos dizer que tudo começou com uma mulher: Pattie Boyd/Layla/Harrison. A então mulher do beatle George Harrison, melhor amigo de Clapton, e dona de algum borogodó poderoso – vale lembrar que ela foi a inspiração para canções como Something, Layla, Wonderful Tonight e Breathe On Merevirou a cabeça do guitarrista, que mergulhou na heroína e acabou produzindo o seu melhor trabalho: Layla and Other Assorted Love Songs, um grito desesperado de amor, que acabou não surtindo efeito e só piorou a vida do Deus da Guitarra.

Música

Como citei anteriormente, Life in 12 Bars serve como complemento as biografias de Clapton, principalmente no que se refere a sua carreira. Há alguns momentos e outtakes interessantes da sua carreira com o Cream e, principalmente, sobre o processo de criação do primeiro e único álbum do Derek and the Dominos. Todo o resto – inclusive o encontro com Hendrix – é pincelado de maneira reverencial, mas que não dá a devida profundidade que sua música merece. Vários discos são apenas citados e outros totalmente ignorados, o que torna o documentário capenga nesse sentido.

A trilha sonora do documentário, que também será lançada em junho, traz algumas boas novidades, entre elas a versão completa do sucesso I Shot the Sheriff e duas mixagens feitas pelo próprio Clapton para canções do seu primeiro disco solo, embora também fique mais restrita aos primeiros anos da carreira do guitarrista. Mesmo assim, fica claro que ainda há muita coisa inédita nos arquivos do guitarrista. Outro ponto para a trilha sonora é trazer algumas participações de Clapton em discos de gente como os Beatles e Aretha Franklin.

Drama e emoção

Se a carreira musical é usada como uma estada secundária, fica impossível não se emocionar com momentos como o do nascimento do primeiro filho, Connor, de como Clapton nutriu e germinou o espírito paterno e de como a trágica morte do menino afetou para sempre a sua vida e, muito provavelmente, o manteve vivo. O momento no qual Clapton fica em casa lendo cartas de condolências e acaba descobrindo um tesouro do filho, é daqueles que fazem com que qualquer ser humano minimamente normal fique com os olhos cheios d’água. E se a primeira cena do documentário – uma mensagem de vídeo gravada no dia da morte do amigo e ídolo B. B. King – parece fora de contexto, a última cena do documentário faz tudo se encaixar.

Life in 12 Bars tem muitas qualidades e defeitos. Pode não ser o documentário definitivo sobre a carreira de um dos maiores nomes do rock e do blues de todos os tempos, mas é definitiva para alguém que precisava exorcizar tudo, exorcizar todos os fantasmas e demônios que tornaram possível se tornar um bom pai, marido e pessoa.

O CD, DVD e Blu-ray tem lançamento programado para o dia 8 de junho – sem previsão de lançamento no Brasil – e (tomara) deve trazer alguns extras que podem enriquecer ainda mais a obra.

Clapton ganha show-tributo pelos 73 anos no Rio de Janeiro (13/04/18)

Big Gilson, provavelmente o maior expoente do blues nacional, e a Clapton Tribute BandCharles Zanol (vocal), Pedro Leão (baixo), Rubens Achilles, (guitarra) e Gil Eduardo (bateria) – celebraram a carreira do Deus da Guitarra em show no Teatro Rival. Com um repertório que percorreu toda a carreira de Clapton, a banda mostrou momentos afiados (Badge e I Shot the Sheriff) e alguns menos inspirados (Old Love). A (excelente) banda Oldstock, que abriu a noite, fez uma ótima mistura de rock clássico e blues e aqueceu a plateia para que Big Gilson & Cia transformassem o Rival em um autêntico bar de blues de Chicago.
Os 73 anos de Clapton, completados no dia 30 de março, foram muito bem comemorados. Que muitas outras comemorações ainda aconteçam.

 

As músicas do show

Key to the Highway (acústico)
Nobody Knows You When You’re Down and Out
Before You Accuse Me
Blues Before Sunrise
Tell the Truth
Riding With the King
Bad Love
Have You Ever Loved a Woman?
Badge
Old Love
I Shot the Sheriff
Tearing Us Apart
Cocaine

Bis
Layla

PS: Uma versão desse texto também foi publicado na Revista Ambrosia

 

 

Bebedouro – Zé Renato – Um disco cheio de elegância e suingue

Zé Renato, um dos artistas mais produtivos da nossa música e dono de uma das mais belas vozes do país, lançou, no início do ano, o seu 14º disco solo, Bebedouro. O disco autoral, que ganhou um show de lançamento no Rio de Janeiro apenas agora em abril, é uma pérola de elegância nos arranjos, belas melodias e uma pitada caprichada de suingue.

O disco

Seguindo por alguns caminhos conhecidos, com melodias intrincadas e riffs de violão que remetem a composições de seus discos anteriores, mas também trilhando por sonoridades não tão comuns em suas composições, Zé Renato mostra que é possível produzir muito e manter um altíssimo padrão de qualidade. Com parcerias que vão desde nomes habituais no universo do compositor (Joyce) e ótimas aquisições (Moacyr Luz e João Cavalcanti), Bebedouro leva o ouvinte para uma viagem onde o samba, a MBP, o jazz, o sambalanço e até o rock progressivo se incorporam de maneira harmoniosa.

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro), que abre o álbum, dá um toque rural a uma composição que, em conjunto com os vocais do grupo Subversos, deixa claro que Zé Renato não afrouxou na escolha do repertório, escolha dos (ótimos) músicos que o acompanham, na produção e nos arranjos. Sacopenapan (parceria com Joyce) vem uma homenagem ao tão maltratado Rio de Janeiro, cidade que os dois compositores escolheram para viver. Destaque para o belíssimo trabalho de Cristóvão Bastos, ao piano.

Sacopenapan
Lagoa, montanha e mar, brilhando pela manhã
Feito coração, areias e manguezais, miragem na escuridão

Sacopenapan
A água que me banhou, banhou meu amor também
Luz que iluminou o todo me criou, a gente que eu quero bem

Quando eu era criança eu só queria te viver
A vida foi me levando pelo mundo
E o mundo eu fui percorrer

Voltei pra Sacopenapan
Aldeia de onde eu vim, caminho do meu lugar
Meu quintal sem fim, que nasce em Copacabana e acaba no Humaitá

Mas não é só de Rio de Janeiro que Zé Renato bebe nas suas composições. A samba/bossa nova Vamos Curtir o Amor, uma belíssima parceria com Moraes Moreira, que dá uma canja recitando parte da letra, é um dos pontos altos do repertório. Detalhe que, segundo o cantor, essa foi uma das parcerias mais rápidas da sua vida, resultante do encontro em um aeroporto. Dentro do avião, antes da decolagem, o músico baiano avisou: “Acabei de te mandar uma letra” e a canção ficou pronta naquele mesmo dia.

O amor é sim, explosivo
Diferente da amizade
Inunda se for preciso, é feito um rio que invade
Afoga tudo que é queixa, quando se esvai ele deixa
A sombra de uma saudade

O amor é irresponsável
É o veneno da serpente
Tira onda de saudável e deixa a gente doente
O amor eu sempre aposto
O amor é assim exigente e é assim que eu gosto

O amor é irresistível e não tem dia nem hora
O amor é quase impossível e gosta do aqui e agora
No amor eu me amarro
O amor é o combustível que eu preciso pro meu carro
De que matéria foi feito a ciência ainda não sabe
Vamos curtir o amor antes que ele se acabe

Seguindo as parcerias e participações, Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti), canção com o clima característico da família Caymmi com as cantigas de outras épocas, ganha o timbre grave de Dori Caymmi dividindo o registro com a clareza aguda do cantor do Boca Livre.

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam) traz um clima mais calmo, num samba a moda antiga, que faz muita falta nas rádios e paradas de hoje. É daquelas que ligam a chave do túnel do tempo, para épocas bem mais criativas que a atual.

Com, segundo o autor, influências de Joni Mitchell e o Edu Lobo, Noite – outra parceria com Joyce – se estrutura baseada em outro marcante riff de violão e no poderoso som dos sopros. Um dos pontos mais altos do disco.

Náufrago (Zé Renato e Nei Lopes) transporta o ouvinte os mares calmos e cheios de melancolia de Cabo Verde, numa bela homenagem à cantora Cesária Évora (1941-2011), que Zé ouviu em um bar de jazz em Nova York e se tornou um fã de imediato.

Se Bebedouro mantém um alto padrão de qualidade nas composições que podem ser consideradas dentro do universo comum de Zé Renato, as duas últimas canções do disco – aliás, se há um defeito gritante no álbum é a sua curta duração: parcos 37 minutos e apenas 9 canções – levam o álbum para um outro nível e deixam um gosto (meio amargo) de quero mais. Agogô (parceria com Moacyr Luz) e Pedra do Mar (outra parceira com Paulo César Pinheiro). São nessas composições que Zé Renato injeta um suingue que nem sempre encontrados em sua obra.

O destaque é mesmo Agogô – totalmente inspirada no sungue da Banda Black Rio -, um dos sambas mais inspirados dessa década, comprovando o ótimo momento tanto de Zé quanto do sambista-trabalhador Moacyr Luz, é daquelas canções que têm tudo para entrar no rol dos clássicos do cancioneiro do autor de Toada.

Dá licença, faz favor que eu vou ficar em Madureira
Agogô
Eu sou cria de Silas de Oliveira

Jacaré, Jardim de Alá
Um Deus dará, num dá bobeira
Agogô
Carnaval num termina na quarta-feira

Berimbau me confirmou, o bicho pegou
É maré cheia
Agogô
Arrastão vem descendo na ladeira

Zazueira de Benjor
A moçada sambando a noite inteira
Agogô
Eu sou dessa aquarela brasileira

Esse samba vai pra você e pra quem quiser curtir
Esse samba quer alegria, ver você sorrir
Esse samba tem liberdade, é o que me importa
Banda Black Rio, o suingue carioca

Se havia alguma dúvida de que ser produtivo não impede que um artista mantenha um alto padrão de qualidade, Zé Renato desmonta a teoria com o ótimo Bebedouro. “De vez em quando, preciso mostrar que também sei fazer umas musiquinhas”, diz em tom de brincadeira.

Zé, musiquinhas?

Cotação – Excelente (4 estrelas)

 

Bebedouro – o show

O palco do Teatro Riachuelo, onde tempos atrás funcionava o cinema Palácio, no Passeio Público, foi o local escolhido para o lançamento carioca do disco Bebedouro (em 3/4). O local, com toda a imponência dos antigos cinemas de rua, é lindo, embora não tenha na acústica a sua melhor qualidade. O que poderia ser um problema passou praticamente despercebido pela qualidade do repertório e da banda que acompanhou Zé Renato nesse lançamento – Cristóvão Bastos (piano), Zé Nogueira (sax soprano), Jamil Joanes (baixo), Kiko Freitas (bateria) e os irmãos Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete).

O repertório, que além das canções de Bebedouro, incluiu Zé Kétti, Egberto Gismonti e Edu Lobo, entre outros, se mostrou bem amarrado e deu mais força ainda as composições do novo trabalho. Desde os primeiros acordes de Agogô – que também fechou o show antes do bis – ficou a certeza de que Zé Renato fez escolhas baseadas na qualidade e com o intuito de deixar a plateia embevecida. Os arranjos que já soavam ótimos nas versões de estúdio, ganharam um tom de big band ainda mais nítido, mesmo nos momentos mais intimistas.

Fora do repertório do disco, Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa) e Toada (Na direção do dia), se destacaram. O sucesso do Boca Livre, aqui em versão violão e trompete, soou nova e fresca, e ainda se transformou em uma singela homenagem a vereadora Marielle Franco, que por um dia foi a morena da canção.

A luxuosa participação de João Cavalcanti – filho de Lenine e ex-Casuarina – foi cirúrgica, dando um balanço extra a Samba e Nada Mais e a A Voz do Morro (outra de Zé Kétti). Até mesmo o momento instrumental reservado para a banda (Amphibious, de Moacir Santos), que poderia soar deslocado, se inseriu perfeitamente no universo de referências musicais criado por Zé Renato.

Infelizmente não há nada planejado para esse show – provavelmente os 40 anos do Boca Livre devem ser o foco dos próximos meses, com (tomara) a reedição dos primeiros discos do grupo e o lançamento de um novo álbum – que merecia ter uma vida longa pelos palcos do Brasil e não apenas poucas apresentações. Os amantes da boa música que tiverem a oportunidade de comparecer a uma das próximas (será?) apresentações, não devem perder a chance de, por pouco mais de 90 minutos, assistirem a uma partida onde todas as jogadas são de craque.

Repertório

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

Sacopenapan (Zé Renato e Joyce Moreno)

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno)

Ano Zero (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro)

Repente (Edu Lobo e José Carlos Capinam)

Uma Vez, Um Caso (Edu Lobo e Cacaso)

Carinhosa (Zé Renato e Otto)

Vamos Curtir o Amor (Zé Renato e Moraes Moreira)

Agora e Sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam)

Diz Que Fui Por Aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha)

Samba e Nada Mais (Zé Renato e João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Mulato (João Cavalcanti) – com João Cavalcanti

Dentro de Mim Mora um Anjo (Sueli Costa e Cacaso)

Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho)

O Amor em Paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes)

Tua Cantiga (Cristovão Bastos e Chico Buarque)

Amphibious (Moacir Santos) – instrumental

Navegantes (Zé Renato e Nei Lopes)

Ânima (Zé Renato e Milton Nascimento)

Pedra de Mar (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Fonte de Rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro)

Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz)

A Voz do Morro (Zé Kétti) – com João Cavalcanti

Bis:

Noite (Zé Renato e Joyce Moreno) – com João Cavalcanti

Fotos: Jo Nunes e Marcelo Castello Branco
Vídeos do show Bebedouro em São Paulo (22 de janeiro de 2018) por Fatuca Ferreira

Concert for George é relançado

No dia 25 de fevereiro se comemora o aniversário de George Harrison, que completaria 75 anos em 2018. Foram muitas as lembranças e homenagens ao músico em publicações e nas redes sociais e, para marcar a data, foi relançado o que pode ser considerado um dos melhores concertos-tributo de todos os tempos: Concert for George.

Poderia perder um tempo explicando quem foi George Harrison, mas se alguém nunca ouviu falar dos Beatles ou escutou canções como Here Comes the Sun, My Sweet Lord, Something, Love Comes to Everyone ou Taxman, melhor se atualizar ou parar de ler por aqui.

O show – organizado pela viúva e pelo filho do ex-beatle (Olivia e Dhani) e tendo como diretor musical o amigo Eric Clapton– teve por objetivo celebrar a obra de Harrison, um ano após a sua morte. Realizado no Royal Albert Hall, em Londres, em novembro de 2002, Concert for George reuniu um elenco estrelar de amigos de George que incluía gente do calibre de Ray Cooper, Tom Petty, Billy Preston, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Jeff Lynne, Klaus Voormann, os ex-beatles Ringo Starr e Paul McCartney, além de Eric Clapton e da banda que acompanhou Harrison em sua turnê pelo Japão em 1991, entre muitos outros, como os membros do Monty Phyton.

Lançado originalmente em 2002, Concert for George ganhou novas edições – inclusive em vinil – remasterizadas e ampliadas. Por que ver e ouvir Concert for George? Porque a celebração musical ultrapassa o conceito de homenagem e dos shows-reunião onde cada artista chega, canta sua canção e se vai, sem ensaio ou coerência. Eric Clapton fez três semanas de ensaio (o que causou até alguns atritos com outros astros) e produziu um setlist muito bem amarrado e tocado por gente que realmente conviveu e amou Harrison, o que proporcionou momentos verdadeiramente emocionantes, como Something (que foi a estréia da versão que Paul McCartney toca até hoje em seus shows) e Joe Brown fechando o show com I’ll See You in My Dreams (uma canção que não foi escrita por Harrison, mas que deixa lagrima nos olhos).

HGorge era considerado por todos os amigos uma pessoa cheia de humor, apesar de ter um lado ranzinza, principalmente em relação ao grupo que o catapultou para a fama e suas canções refletiam isso, indo da melancolia extrema ao escracho. Foi o beatle que fez mais sucesso nos primeiros anos após a separação do grupo e, apesar de uma certa preguiça na produção de álbuns, deixou um legado que vai durar por muitos anos.
Concert for George já está sendo vendido lá fora e pode ser encontrado nas Amazons da vida.

Arrependimento

Dizem que não devemos nos arrepender de nossas ações. MENTIRA! No início de 2002 – ainda sob o impacto do 11 de setembro – fiz uma viagem para a Inglaterra e os Estados Unidos. Com a impressão de que o mundo poderia acabar ou entrar em uma guerra, gastei e conheci razoavelmente bem cidades emblemáticas como Londres, Liverpool e Nova York.

De volta ao Brasil, ao trabalho e à realidade, fiquei sabendo do concerto, que poderia me fazer concretizar alguns sonhos (assistir um show no Royal Albert Hall, ver Paul McCartney novamente, ver Ringo Starr pela primeira vez e ouvir canções que dificilmente seriam tocadas novamente). Bem, no dia da venda de ingressos eu consegui chegar até a última tela de compra e, no último segundo, decidi não finalizar o processo (BURRO!). Pesou o fato de ainda estar pagando a viagem do início do ano e de ser difícil explicar para o então-imbecil-chefe que iria viajar de novo.

É, me arrependo muito dessa decisão.

As canções da edição em CD:

Disco 1

1. “Sarve Shaam” (traditional)
2. “Your Eyes (Sitar Solo)” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar
3. “The Inner Light” Jeff Lynne, Dhani Harrison and Anoushka Shankar4. “Arpan” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar

Disco 2

1. “I Want to Tell You” Jeff Lynne
2. “If I Needed Someone” Eric Clapton
3. “Old Brown Shoe” Gary Brooker
4. “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)” Jeff Lynne
5. “Beware of Darkness” Eric Clapton
6. “Here Comes the Sun” Joe Brown
7. “That’s the Way It Goes” Joe Brown
8. “Taxman” Tom Petty and the Heartbreakers
9. “I Need You” Tom Petty and the Heartbreakers
10. “Handle With Care” Tom Petty and the Heartbreakers with Jeff Lynne and Dhani Harrison
11. “Isn’t It a Pity” Billy Preston & Eric Clapton
12. “Photograph” Ringo Starr
13. “Honey Don’t” Ringo Starr
14. “For You Blue” Paul McCartney

As versões originais

 

As versões do show

Queen + Adam Lambert – Rock in Rio 18/8/2015

Uma crítica nada correta

img-1033734-rock-rio-2015-queenProvavelmente a apresentação do Queen com o vocalista(?) Adam Lambert, no encerramento da primeira noite da edição 2015 do festival, será comentada por muito tempo. Alguns (poucos) gostaram e (muitos) outros detestaram. A biba saída do The Voice/American Idol foi vendida como o cantor escolhido para substituir Freddie Mercury. MENTIRA! Brian May e Roger Taylor já haviam recrutado cantores muito melhores para interpretar as músicas gravadas com o Queen. Fico impressionado como ninguém citou a passagem da banda pelo Brasil em 2008 com o excelente Paul Rodgers mandando ver nos vocais.

queen3A diferença da apresentação de 2015 para a de 2008 é que enquanto Rodgers é um dos melhores vocalistas do rock, com uma carreira consolidada e sem a necessidade de aparecer, o tal Lambert parecia querer aparecer demais, com uma série de clichês vocais e trejeitos que misturavam Prince, George Michael, Michael Jackson e alguns sertanejos universitários, sem conseguir chegar perto de nenhum deles. A afetaçãoque fez o Freddie parecer um Jece Valadão – teve o seu ápice em Killer Queen.

Extremamente constrangedor.

1543700_queenadam_lambert_94_gOs melhores momentos do show ficaram por conta dos ex-integrantes e das aparições no telão do falecido vocalista. A decisão de colocar May para cantar Love of My Life foi felicíssima, já que impediu i assassinato de uma das canções símbolo do festival. Ok, na parte final, com canções mais grandiosas, Biba Lambert se saiu melhor, mas isso teria que acontecer em algum momento mesmo.

Nem vou escrever muito mais porque prefiro esquecer o que aconteceu no palco da Cidade do Rock. Quem puder procure ver os vídeos dos shows de 2008 antes de comentar que estou sendo imbecil.

Fotos: Ag.News

Lembranças do Rei – R.I.P. B.B. King

B. B. King 039Desde cedo o blues se tornou uma paixão. Ainda na faculdade me atrevia a fazer críticas de discos do gênero, ainda sem uma compreensão completa do que esse estilo significava.

A primeira vez que assisti a um show de B.B. King foi em 1992, no falecido Free Jazz Festival, no Hotel Nacional, também falecido. Antes disso já tinha visto outro Rei (Albert King) e o nosso grande Celso Blues Boy. Depois disso, teve B.B. no Canecão, no Metropolitam e no Vivo Rio. Não vou perder tempo explicando questões técnicas do músico, que sempre colocou algo importantíssimo em cada nota tocada: emoção. Nada de velocidade e malabarismos em seus solos, apenas emoção!

B. B. King 030Emoção era o que sentia toda vez que ele subia ao palco. Sozinho ou acompanhado de bons amigos bluseiros, não havia como uma noite de show de B. B. King não ser uma noite especial. Sua música era feita pala alegrar, assim como suas apresentações, historias e caretas. O velhinho era gente boa e sentia um prazer genuíno em entreter uma plateia.

Com a sua morte tenho certeza de que o ídolo e a música se eternizarão, assim como espero que os clubes que levam o seu nome (principalmente o de NY) se mantenham vivos e em atividade como verdadeiros templos do blues.

Segue a crítica do show do músico no Vivo Rio em 2010, um ano nem tão distante, mas que já deixa muitas boas lembranças.

Lucille pode ter ficado viúva, mas sua imagem jamais será esquecida.

Viva o Rei!

Fotos: Ag. News

Foo Fighters – Maracanã – 25/01/15

Foo in Rio IIA primeira catarse musical do templo do futebol

O Foo Fighters é daquelas bandas adoradas por muitos, mas que geralmente não reúne um público grande o suficiente para lotar um estádio. Bem, isso lá nos Estados Unidos e na Europa, porque na América Latina o grupo vive um sonho embalado por multidões que cantam do primeiro ao último minuto de suas apresentações.

Depois de terem passado por Chile e Argentina, Porto Alegre e São Paulo, Dave Grohl & Cia desembarcaram no (novo) Maracanã para, segundo palavras do próprio, o maior show de suas carreiras.

Foo in Rio IIINão foi a primeira passagem pela Cidade Maravilhosa, mas, provavelmente, será daquelas que ninguém que esteve no estádio vai esquecer. Até o calor senegalês que insiste em atingir a cidade deu uma trégua, ajudando na animação do público que (quase) lotou o Maraca (45 mil pessoas).

Foram 2h30 de porrada, com breves intervalos mais melódicos. Rock com muitas guitarras, atitudes, Mother Fuckers e animação. A apresentação do Foo Fighters lembra um pouco as do O Rappa – muita música, força e nada de bis – o que deixa a plateia ligada em 220v o tempo todo.

Foo in Rio IO repertório não mudou muito em relação ao apresentado nos concertos anteriores dessa turnê sul-americana (com e sem hífen), mas a energia foi maior, sem dúvida.

Ficou longe dos 184 mil colocados por Sir Paul McCartney no (velho) Maracanã, em 1990, mas Dave – camarada de Macca – vai poder contar a ele que também fez seu show inesquecível no Rio de Janeiro.

Goste deles ou não, não dá para ignorá-los.


O repertório
:

Something From Nothing

The Pretender

Learn to Fly

Breakout

Arlandria

Generator

My Hero

Congregation

Walk

Cold Day in the Sun

In the Clear

I’ll Stick Around

Monkey Wrench

Skin and Bones

Wheels

Times Like These

Detroit Rock City

Miss You

Tie Your Mother Down

Under Pressure

All My Life

These Days

Rope

Outside

Best of You

Everlong

Roger Hodgson – Vivo Rio – 18/10/14

Roger Hodgson0001Roger Hodgson é sempre sinônimo de ótima música. Por mais que muitos achem o finado rock progressivo chato e a música feita pelo Supertramp como uma espécie de pop/rock farofa, não dá para negar que a voz e as composições desse inglês de Portsmouth, que já virou habitué do Rio e do Brasil. São turnês quase contínuas desde 2008 por várias cidades do país (leia como foram os shows de 2008 e 2012, com entrevista). A paixão, sempre reafirmada em todos os shows, pode ser conferida em várias faixas de seu último CD ao vivo – Classics Live I -, que conta com várias faixas gravadas em Belo Horizonte.

Com estrutura azeitada e uma banda excelente – Aaron Macdonald (sax, gaita, teclados e backing vocals); Bryan Head (bateria); Kevin Adamson (teclados e backing vocals) e David J Carpenter (baixo e backing vocals) – Roger desfila sua coleção de hits e belas canções, interpretadas por uma voz que parece conservada em formol.

Se fechar os olhos é como se estivéssemos ouvindo um disco do Supertramp – dizia um fã durante a apresentação. Verdade absoluta!


Público barulhento

Roger Hodson 2014 IA configuração do Vivo Rio usada para o show foi um misto de mesas e plateia em pé, o que proporcionou que muitos tenham ido até a casa de espetáculos para azarar, beijar, dançar como se estivessem em um Woodstock retardatário, numa micareta gay e, infelizmente, muitos, mas muitos mesmo, apenas para conversar e serem vistos. Com isso, quem estava querendo ouvir as nuances das canções teve muitas dificuldades. Ouvir o que o artista dizia entre as canções era quase impossível. Somente nas canções mais conhecidas o som das vozes que cantavam conseguiam abafar o som dos mal educados.

Fica a questão: vale a pena lucrar um pouco mais e sacrificar a excelência de um ótimo espetáculo? Será que é interessante ter ingressos mais baratos para esse tipo de comportamento?


O show

Roger Hodson 2014 IIIBem, voltando ao que interessa – a música – podemos, mais uma vez, dizer que Roger Hodgson fez um dos melhores shows do ano na cidade. Do primeiro acorde de Take the Long Way Home até a última nota de It’s Raining Again, nenhuma falha pôde ser apontada. Essa volta ao Rio – depois de passagens por Florianópolis (16/100 e Curitiba (17/10) – confirma que alguns artistas têm o dom da longevidade e de se eternizarem nos corações das pessoas. Impossível não se emocionar ao ouvir Hide in Your Shell, The Logical Song ou Fool’s Overture. Houve até um momento guitar hero, quando Roger empunhou uma guitarra para arriscar alguns solos em Had a Dream, algo que nunca aconteceu em suas vindas anteriores. Mas, o mais importante é quem foi ao Vivo Rio não viu (mais uma vez) efeitos especiais de última geração, palcos hi-tech ou coreografias. Apenas um cenário com algumas árvores, o sorriso, simpatia e talento de um grande músico, que como todo bom inglês, respeita sua plateia e não admite mais de 15 minutos de atraso par o início das quase 2h de viagem por melodias que fazem parte da vida de milhões de pessoas.

Torço para que ele seja um homem de palavra. Afinal, suas últimas palavras foram: “Vejo vocês em breve. Prometo!”.

PS: Quem não foi ao Vivo Rio ainda pode se arriscar a ver algum show do músico pelo país: Vitória (dia 21), São Paulo (dia 23), Brasília (dia 24) e Belo Horizonte (dia 25)

Roger Hodson 2014 IVSetlist

Take the Long Way Home

School

In Jeopardy

Lovers in the Wind

Hide in Your Shell

Sister Moonshine

Breakfast in America

Lady

Lord Is It Mine

The Logical Song

Death and a Zoo

If Everyone Was Listening

Child of Vision

Dreamer

Fool’s Overture

Bis:

Had a Dream

Give a Little Bit

It’s Raining Again

Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale – Crítica

Eric-Clapton-JJ-Cale-The-BreezeAs circunstâncias foram tristes – a morte do grande JJ Cale (26 de julho de 2013) -, mas o resultado foi absolutamente brilhante. Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale é, disparado, o melhor trabalho de Eric Clapton, em estúdio, em mais de uma década (no mínimo). A preguiça que se via em seus últimos trabalhos ficou para trás e a vontade de homenagear um de seus grandes heróis simplesmente fez Slowhand se mexer para criar um disco digno.

Para esse tributo, Clapton convocou uma seleção de primeira. Para reproduzir o cantar calmo, sussurrado, até meio preguiçoso de Cale e seu timbre de guitarra, estão no disco nomes como Tom Petty, John Mayer, Willie Nelson, Albert Lee, Derek Trucks, David Lindley, Doyle Bramhall II, Don Preston, Jim Keltner, Nathan East e Mark Knopfler, entre outros.

As 16 canções (há uma edição Deluxe com as versões originais de Cale), mostram a força e a personalidade de um dos maiores compositores norte-americanos e que, surpreendentemente, não é tão conhecido assim em seu país.

“Eu estava ciente do fato que ele é mais conhecido na Europa e no resto do mundo do que nos Estados Unidos. Isso é ruim, mas também significa que eu tenho uma oportunidade de apresentá-lo as pessoas através das canções que eu gravei”, conta Clapton.


Quem é JJ Cale 

Só para situar aqueles que não sabem quem é JJ Cale e qual a sua importância na obra de Clapton, é preciso dizer que dois dos maiores sucessos do Deus Da Guitarra são de autoria dele (After Midnight e Cocaine) e que outra das canções mais conhecidas do guitarrista teve sua inspiração nas composições e acordes de Cale (Lay Down Sally).

Só as canções citadas no parágrafo anterior já deveriam ser suficientes para despertar os menos avisados, mas a carreira de John Weldon Cale é muito mais rica – procurem ouvir o disco Naturally (1972) e vocês entenderão o que digo -, mas a idolatria de Clapton era tão grande que ele chegou a dividir um álbum com Cale (The Road to Escondido, de 2006), simplesmente indispensável.


Uma homenagem digna

Clapton and CaleMas se The Road to Escondido é indispensável, faltarão adjetivos para descrever esse Eric Clapton and Friends: The Breeze, An Appreciation of JJ Cale. Ele é disparado o disco onde Clapton ficou menos confortável nos últimos tempos, o que é uma ótima notícia, já que o maior pecado de seus discos recentes tem sido uma preguiça confortável, uma sensação de que ele prefere ficar na sua zona de conforto e não se arriscar, que não produz música do padrão que sabemos que ele pode criar.

Como o próprio Clapton disse, eles só tinham duas opções: fazer um disco com leituras livres das canções de Cale ou produzir um álbum tentando reproduzir a sonoridade do guitarrista de Tulsa. Questões logísticas acabaram fazendo com que a segunda opção fosse a escolhida.

Os pontos altos são muitos, a começar pela canção que dá nome ao disco e que foi lançada originalmente no disco Naturally – citado anteriormente. Call Me The Breeze é daquelas típicas canções de estrada, que lembra muito os velhos filmes de perseguição de automóveis, como Comboio ou Agarra-me se Puderes, e que deixam o ouvinte com vontade de quero mais.

Aliás, a maioria das canções do álbum é marcada por uma economia (em duração e solos) que pode até incomodar um pouco aqueles que veem espaço para voos maiores. Porém, essa economia era uma das marcas registradas de JJ. Clapton fez bem em mantê-la.

Outros dois grandes momentos do disco são: Train To Nowhere (com Mark Knopfler e Don White) e Crying Eyes (com Christine Lakeland e Derek Trucks). Mas essa escolha de canções foi difícil e acredito que será bem diferente para cada ouvinte.

 

Resumindo: esse é daqueles lançamentos que não temos o direito de não ter.


Versão Deluxe

 

deluxe2Para os colecionadores uma boa (ou má) notícia: a versão Deluxe, que custa meros US$ 100, parece bem mais interessante que a lançada para o último álbum. A gravadora Surfdog parece que absorveu bem as críticas dos fãs/colecionadores e resolveu criar um pacote realmente atraente, apesar do preço. É a velha combinação de livro, CD, pendrive com versões digitais das canções, incluindo um álbum extra com as gravações originais de JJ Cale e a primeira versão de After Midnight, lançada somente em single e até agora nunca editada em CD.

Confira o vídeo sobre essa edição e a tracklist.

CD TRACKLISTS:

Eric Clapton & Friends -The Breeze (An Appreciation of JJ Cale)

Call Me The Breeze

Rock And Roll Records (feat. Tom Petty)

Someday (feat. Mark Knopfler)

Lies (feat. John Mayer)

Sensitive Kind (feat. Don White)

Cajun Moon

Magnolia (feat. John Mayer)

I Got The Same Old Blues (feat. Tom Petty)

Songbird (feat. Willie Nelson)

Since You Said Goodbye

I’ll Be There (If You Ever Want Me) (feat. Don White)

The Old Man And Me (feat. Tom Petty)

Train To Nowhere (feat. Mark Knopfler and Don White)

Starbound (feat. Willie Nelson and Derek Trucks)

Don’t Wait (feat. John Mayer)

Crying Eyes (feat. Christine Lakeland and Derek Trucks)

JJ Cale – Originals

Call Me The Breeze

Rock And Roll Records

Someday (Unreleased Demo)

Lies

Sensitive Kind

Cajun Moon

Magnolia

I Got The Same Old Blues

Songbird (Unreleased Demo)

Since You Said Goodbye

I’ll Be There (If You Ever Want Me)

The Old Man And Me

Train To Nowhere (Unreleased Demo)

Starbound

Don’t Wait

Crying Eyes

After Midnight (Original 1966 Version)

Deluxe Edition CD Box Set includes:
• Collectible edition box featuring image of JJ Cale’s iconic Harmony guitar
• Collector’s CD of Eric Clapton & Friends The Breeze (An Appreciation of JJ Cale)
• Collector’s CD of JJ Cale’s original versions from The Breeze. Including three unreleased songs.
• Also includes the original version of JJ’s “After Midnight” – not released since 1966
• One-of-a-kind custom JJ Cale USB Turnbuckle. Loaded with Eric Clapton & Friends The Breeze Hi-Definition tracks, MP3s of all songs featured on the 2 CDs, and Extensive Video Interview with Eric Clapton
• Six 8.5×11 Lithographs
• 20 page 9×12 book includes:
-Extended Liner notes
-Lyrics
-Exclusive Photos

PS: O disco estreou no número 2 da parada inglesa!

PS”: Você pode ouvir três faixas do disco na playlist do F(r)ases, no menu direito do blog.

Erasmo Carlos – Vivo Rio – 24/5/2014

Uma noite para não esquecer

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9403A perda recente de um filho, a transmissão ao vivo pela TV (fechada) e toda a onda de solidariedade e de mensagens de carinho que emanaram de todos os lados já faziam prever uma apresentação cheia de emoção do Tremendão Gigante Gentil Erasmo Carlos, que fazia o lançamento do seu novo trabalho (Gigante Gentil) no Rio de Janeiro.

O Vivo Rio tinha um clima de solidariedade e com sua capacidade quase completa, misturava famosos, fãs e jornalistas famosos (como você pode ver em várias fotos), curiosos em ver como estaria o Tremendão. Com a obrigação de cumprir o horário da TV, Erasmo e banda – Luís Lopes (violão e guitarra), Pedro Dias (baixo), Rike Frainer (baterista), José Lourenço (teclados), Billy Brandão e Rogério Percy (guitarras), além da participação especial de Ana de Oliveira (violino) – entraram no palco pouco depois das 22h, mandando logo a canção que dá nome ao novo disco, recheada de guitarras e de peso. Logo nesse primeiro número foi possível notar que a voz do Gigante – que nunca foi um cantor de primeira linha – não estava em um bom dia. Essa sensação foi até menos sentida pela plateia presente ao Vivo Rio, mas o som nítido e a melhor mixagem do Multishow não deram trégua ao artista.

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9411Mas se o Tremendão não estava em um dia de boa voz, sua banda mostrou que é uma máquina mais que azeitada. Os vocais dos ex (e ainda) Filhos da Judith (Luís e Pedro) continuam afinadíssimos e as guitarras de Billy e Rogério davam um quê rock’n’roll mesmo nas canções mais pop do repertório de Erasmo.

O show

Por falar em Erasmo, ele continua mostrando a mesma falta de conforto no palco, uma espécie de Art Garfunkel do rock brasileiro. O repertório, que incluiu várias músicas da nova safra, mantinha uma estrutura bastante próxima das últimas apresentações das turnês Rock’n’Roll e Sexo. Algumas canções ausentes fizeram falta, como Filho Único e Panorama Ecológico, mas as mudanças no setlist mantiveram o ótimo nível das composições, tarefa fácil para alguém que fez uma quantidade enorme de canções que estão carimbadas no DNA da música popular. Mulher (Sexo Frágil), Gatinha Manhosa, Quero que vá Tudo Para o Inferno, Mesmo Que Seja Eu e Sentado A Beira do Caminho, são bons exemplos de músicas que todo mundo conhece, gosta e canta.

As novas canções

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9514Se o novo Gigante Gentil não tem a força do disco Rock’n’Roll, as novas canções incluídas no show não deixam o pique cair em nenhum momento. Se a faixa-título abre o show em alto astral, músicas como 50 Tons de Cor, Amor na Rede e Sentimentos Complicados (parceria inédita de Erasmo e Caetano Veloso), mostram que o Tremendão ainda é um compositor de mão cheia, mesmo depois de 50 anos de carreia e mais de 70 de idade. Um velhinho porreta!

Outro destaque do show, além do repertório, são as animações que ilustram o espetáculo. Nada comparado ao que foi visto com Marisa Monte, mas Erasmo conseguiu entrosar melodias e harmonias com alguns desenhos animados de primeira categoria e que só fortalecem a performance do artista.

Um final cheio de emoção

ERASMO_foto_RICARDO-NUNES-9347A noite corria bem, com tudo dentro do script – os comentários, as piadas, etc – até que perto do fim do show, durante a música É Preciso Saber Viver, o inevitável aconteceu: Erasmo desabou em um choro mais do que compreensível.

No fim, a festa de arromba acabou servindo para exorcizar os momentos ruins vividos nos últimos dias e deixar caro que o show deve continuar e que Erasmo ainda tem muito para dar a nossa música, principalmente como compositor.

A citação ao filho Gugu a letra de Festa de Arromba e as últimas palavras do show deixaram claro que a noite era especial.

“Obrigado a todos! Obrigado, Gugu! Te amo, porra!!”

Obrigado a você, Erasmo. Vida longa e próspera!

Fotos: Ricardo Nunes

Elton John – HSBC Arena – 19/2/2014 – Crítica

1059707_Elton_John_49_gElton John faz parte daquele naipe de artistas que podem fazer ótimos shows com quase 2h30 e ainda deixar de fora uma boa série de sucessos. Foi isso o que aconteceu na noite desta quarta-feira na HSBC Arena, na Barra da Tijuca. Elton e banda – Kim Bullard (teclados), John Mahon (percussão), Matt Bissonette (baixo), Davey Johnstone (guitarras, banjo, etc) e Nigel Olson (bateria) – subiram ao palco para apresentar a perna sul americana da turnê Follow de Yellow Brick Road, que comemora os 40 anos do disco Goodbye Yellow Brick Road.

Dificuldades para chegar até a Barra

Mas, antes de falar do show, é preciso destacar que boa parte das pessoas que chegaram atrasadas (mesmo com o início do espetáculo ter começado também atrasado) sofreram com o grande canteiro de obras que se transformou a cidade, em praticamente todos os bairros. Para piorar, sinalização é algo que parece não fazer parte do vocabulário das autoridades responsáveis pelo trânsito. Se para um carioca a coisa é complicada, imagine para um estrangeiro na Copa!

Simpatia e um caminhão de hits

1059689_Elton_John_32_gElton não é um desconhecido do público carioca. Desde 1995 ele vem visitando a cidade (e o país), com shows sempre de boa qualidade. Apesar de não ter mais uma banda tão brilhante quanto a da primeira apresentação, Elton fez seu melhor show na cidade, basicamente por conta do repertório e do seu ótimo humor. Ele esbanjou sorrisos, autógrafos, tirou até foto com um fã no palco, esteve falante e interagiu bem com a plateia Isso fez toda a diferença.

Vestindo um casaco azul com brilhantes e a inscrição Madman Across the Water nas costas (título de um de seus discos), Elton deixou o público de joelhos logo nos primeiros acordes de Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding, a primeira das muitas canções de Goodbye Yellow Brick Road que iria apresentar.

VEJA VÍDEOS DA APRESENTAÇÃO

Dando preferência ao material produzido nos anos 70, Sir Elton Hercules John foi desfilando canções e sucessos de praticamente todos os álbuns que produziu naquela década. Lá estiveram, por exemplo, Levon e Tiny Dancer (Madman Across the Water), Mona Lisas and Mad Hatters e Rocket Man (Honky Château) e Someone Saved My Life Tonight (Captain Fantastic and the Brown Dirty Cowboys). Mas foi mesmo o material de GYBR que fez a diferença. Poucas vezes um disco teve tantos sucessos (Candle in the Wind, Bennie and the Jets, Saturday Night’s Alright for Fighting, Goodbye Yellow Brick Road, etc) e poucas vezes tantas músicas de qualidade que não foram hits apenas por “falta de tempo” (All The Girls Love Alice, The Ballad Of Danny Bailey (1903-34), I’ve Seen That Movie Too, Harmony, e por ai vai…).Infelizmente nem todas puderam ser tocadas (ou o show teria 4h de duração), mas a qualidade do resto do material preencheu essa lacuna. Até mesmo Home Again (a solitária canção do seu último disco Diving Board) poderia se encaixar perfeitamente na produção da sua fase de ouro.

Skyline Pigeon com banda

1059701_Elton_John_43_gSempre imagino o que deve passar pela cabeça de Elton e dos músicos com a recepção que a canção Skyline Pigeon, que segundo uma coletânea do cantor é uma das suas mais obscuras músicas. Se em 1995 ele ignorou a força dessa melodia, desde 2009 que ela é presença certa no setlist dos shows no Brasil (e só no Brasil, que fique bem claro). Porém, dessa vez, a boa nova foi que ela não se limitou a Elton e o piano. Toda a banda (muito bem ensaiada) participou do momento que a maioria do público presente na Arena vai lembrar para o resto da vida. Público que, na sua grande maioria, tinha mais de 40 anos, já que, talvez pelos preços praticados, pouquíssimos jovens e crianças deram as caras na Barra da Tijuca.

As poucas alterações no setlist foram positivas – talvez apenas a exclusão de Oceans Away e I’ve Seen That Movie Too provoquem alguma lamentação – e a plateia carioca pode acreditar que os elogios feitos a ela foram sinceros. Tão sinceros quanto os dela pela existência de um artista dessa envergadura e com esse talento para emocionar e para fazer você sentir vontade de dançar. Philadelphia Freedom e o fechamento do primeiro ato, com Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll) e Saturday Night’s Alright for Fighting, não me deixam mentir.

Ave Elton, Dave e Nigel. É um privilégio poder dividir o mesmo espaço com vocês  e poder ouvi-los tocar.

1059697_Elton_John_3_gSetlist:

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Bennie and the Jets
Candle in the Wind
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Holiday Inn
Mona Lisas and Mad Hatters
Believe
Philadelphia Freedom
Goodbye Yellow Brick Road
Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)
Hey Ahab
I Guess That’s Why They Call It the Blues
The One
Skyline Pigeon
Someone Saved My Life Tonight
Sad Songs (Say So Much)
All the Girls Love Alice
Home Again
Don’t Let the Sun Go Down on Me
I’m Still Standing
The Bitch Is Back
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)
Saturday Night’s Alright for Fighting

Bis:
Your Song
Crocodile Rock

Fotos: AgNews

Já é Carnaval: Elton John faz show no Rio ou Following the Yellow Brick Road

Músico relança disco icônico, faz apresentação no Rio e tem show exibido no cinema

GYBR pre orderPoucos são os mortais que não conhecem alguma das canções de Sir Elton John. O músico, que dominou as paradas nos anos 1970 e que segue fazendo sucesso até hoje, volta ao Brasil para mais uma série de shows – no Rio a apresentação acontece na quarta-feira (19), na HSBC Arena – seguindo as comemorações pelos 40 anos do lançamento do seu disco mais bem sucedido em termos comerciais: Goodbye Yellow Brick Road, de 1973.

Como pode-se notar, Sir Elton está um pouco atrasado na celebração do sucesso do álbum, mas isso em nada diminui a importância do seu legado – nele estão canções de sucesso como Candle in the Wind, Bennie and the Jets, Saturday Night’s Alright for Fighting, além da faixa-título e de músicas que se transformaram em favoritas do público e de Elton como Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding, Roy Rogers e Harmony. Mas, antes tarde do que nunca. Para saciar os fãs, serão lançadas várias versões remasterizadas do álbum, com destaque para uma super deluxe version, que virá com o disco remasterizado, um CD com canções lançadas em compactos, demos e versões gravadas por artistas da nova geração.

Para completar, um mês após a apresentação na HSBC Arena, uma das apresentações realizadas em Las Vegas para a turnê The Million Dollar Piano vai ser apresentada em alguns cinemas do Brasil (no Rio as exibições acontecem no UCI New York City Center, no Cinemark Downtown e no Cinemark Botafogo, dando uma chance extra aos que não conseguiram ingresso para vê-lo cara a cara, de assistir um de seus shows pagando bem menos e com som 5.1.

0001418_goodbye-yellow-brick-road-super-deluxe_300Show de sucessos

Acompanhado por uma banda onde se destacam o baterista Nigel Olson (que o acompanha desde os anos 60) e o guitarrista Dave Johnstone (que embarcou no grupo nos anos 70), Elton vem ao Brasil com a turnê Follow the Yellow Brick Road e promete um espetáculo recheado de grandes sucessos, canções do disco Goodbye Yellow Brick Road (veja o setlist no fim do texto) – normalmente dez das 17 músicas do disco são tocadas – além de algumas do ótimo The Diving Board, lançado no fim do ano passado. O setlist usual (27 músicas) ainda deve ser engordado por Skyline Pigeon, o maior sucesso de Elton no Brasil e uma canção praticamente desconhecida no resto do planeta. Com isso, o cantor garante que todos os seus admiradores, sejam eles de que faixa etária forem, fiquem satisfeitos, não importa se prefiram os anos 70 (Rocket Man), os 80 (I’m Still Standing) os 90 (The One) ou seus lançamentos mais recentes (Hey Ahab e Oceans Away), em um repertório que promete ser o melhor desde seu primeiro concerto na cidade, no longínquo 1995, com a turnê do disco Made in England.

Portanto, com show ao vivo, outro projetado nos cinemas e mais o relançamento (ainda sem data no Brasil) da edição de comemoração dos 40 anos de Goodbye Yellow Brick Road, os fãs de Elton John podem se preparar para uma semana cheia de atividades.

Serviço:

Elton John: Follow the Yellow Brick Road
Local:HSBC Arena
Data: Quarta-feira (19/2)
Preços: Entre R$ 220 e R$ 550

Provável setlist:

Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding
Bennie and the Jets
Candle in the Wind
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Holiday Inn
Mona Lisas and Mad Hatters
Believe
Philadelphia Freedom
Goodbye Yellow Brick Road
I’ve Seen That Movie Too
Rocket Man (I Think It’s Going to Be a Long, Long Time)
Hey Ahab
I Guess That’s Why They Call It the Blues
The One
Oceans Away
Someone Saved My Life Tonight
Sad Songs (Say So Much)
All the Girls Love Alice
Sorry Seems to Be the Hardest Word
Don’t Let the Sun Go Down on Me
I’m Still Standing
The Bitch Is Back
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock ‘n Roll)
Saturday Night’s Alright for Fighting

Bis:

Your Song
Crocodile Rock

elton_john-goodbye_yellow_brick_road-frontalMais uma versão de Goodbye Yellow Brick Road

Como citei no início deste texto, mais uma versão de GYBR está para chegar ao mercado. Desta vez serão 4 CDs e 1 DVD para contar a história desde trabalho, que encontrou Elton e o parceiro Bernie Taupin no auge da criatividade. Criatividade tão em alta que até mesmo um single (Harmony) teve que ser cancelado, já que, na época do seu lançamento, Elton & Cia já tinham um novo disco pronto para ser lançado.

Quem nasceu no Brasil tem uma relação diferente com o disco Goodbye Yellow Brick Road. Lançado em todo o mundo como um LP duplo, o álbum foi, por decisão de algum brilhante diretor de gravadora, reduzido a um álbum simples nesse país tropical. Mutilado de maneira impiedosa e sem qualquer tipo de aviso ao desavisado e desarmado consumidor, o brasileiro só foi ter contato com a versão completa do disco quando do lançamento da sua primeira prensagem em CD. Pior, antes disso, um outro disco Frankenstein, chamado One Day At a Time, foi colocado no mercado, com algumas músicas que haviam sido editadas em compactos, sobras do GYBR original e outras canções de diversas fontes. Como a primeira prensagem brasileira e o One Day At a Time ainda não completavam o quebra-cabeças e a primeira versão em CD era tosca – dois CDs com um som péssimo e uma falta de cuidado gráfico que destacava o libreto que acompanhava o disco, impresso em preto e branco – o fã ou colecionador brasileiro que não tivesse recursos para pagar os caros discos de vinil importados ficava com a ideia de um produto de segunda categoria, apesar de todas as ótimas canções contidas nele.

lp-elton-johnone-day-at-a-time1976Depois veio a versão em CD simples (completa) e a remasterizada, que trouxeram ganhos incontestáveis no quesito som. Mas, como colecionador sofre, ainda houve uma outra versão deluxe, em SACD, com alguns demos e mixagens até então exclusivas (que, ainda bem, foram incluídas nessa nova super deluxe) e que deixaram muitos de cabelos brancos, seja pelo preço ou pelo equipamento necessário para reproduzi-la de maneira adequada. Claro que ao completar 30 anos do lançamento original uma nova versão (dessa vez em CD comum) chegou ao mercado com parte do material citado. Mais dinheiro, senhoras e senhores, para os cofres da combalida indústria fonográfica.

Como a data de lançamento está marcada para 24 de março, não tenho como avaliar novos ganhos na qualidade sonora do disco, mas fica a esperança de que essa seja a verdadeira versão definitiva de Goodbye Yellow Brick Road.

PS: Ainda está sendo preparado um documentário sobre a banda que acompanhou Elton na década de 70, que parece ser muito interessante. Pelo jeito o poço é mesmo sem fundo.

Setlist da versão super deluxe de Goodbye Yellow Brick Road:

Disc One:

Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding
Candle In The Wind
Bennie And The Jets
Goodbye Yellow Brick Road
This Song Has No Title
Grey Seal
Jamaica Jerk Off
I’ve Seen that Movie Too
Sweet Painted Lady
The Ballad Of Danny Bailey (1909-34)
Dirty Little Girl
All the Girls Love Alice
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock’n’Roll)
Saturday Night’s Alright For Fighting
Roy Rogers
Social Disease
Harmony

Disc Two:

Candle In The Wind – Ed Sheeran (3:22)
Bennie and the Jets – Miguel (5:10)
Goodbye Yellow Brick Road – Hunter Hayes (3:15)
Grey Seal – The Band Perry (3:48)
Sweet Painted Lady – John Grant (3:58)
All The Girls Love Alice – Emili Sande (3:40)
Your Sister Can’t Twist (But She Can Rock And Roll) – Imelda May (2:51)
Saturday Night’s Alright For Fighting – Fall Out Boy (3:42)
Harmony – Zac Brown Band (2:55)
Grey Seal (piano demo) – Elton John (3:20)
Grey Seal (1970 Original) – Elton John (3:37)
Jack Rabbit – Elton John (1:51)
Whenever You’re Ready (We’ll Go Steady) – Elton John (2:52)
Screw You (Young Man Blues) – Elton John (4:43)
Candle In The Wind (Acoustic) – Elton John (3:52)
Step Into Christmas – Elton John (4:10)
Ho Ho Ho (Who’d Be A Turkey At Christmas?) (4:04)
Philadelphia Freedom – Elton John (5:21)
Pinball Wizard – Elton John (5:15)

Disc 3: BBC Elton John Hammersmith Odeon 22nd December 1973

Funeral For A Friend
Love Lies Bleeding
Candle In The Wind
Hercules
Rocket Man
Bennie And The Jets
Daniel
This Song Has No Title
Honky Cat

Disc 4: BBC Elton John Hammersmith Odeon 22nd December 1973

Goodbye Yellow Brick Road
The Ballad Of Danny Bailey
Elderberry Wine
Rudolph The Red-Nosed Reindeer
I’ve Seen That Movie Too
All The Girls Love Alice
Crocodile Rock
Your Song
Saturday Night’s Alright For Fighting

DVD Disc 5:

Bryan Forbes’ 1973 film Elton John and Bernie Taupin Say Goodbye To Norma Jean and Other Things (45 minutes)

Crítica: 1973 – O ano que reinventou a MPB

1973capalivroSe vivemos uma época onde as fitas cassetes são desconhecidas, os festivais de música acabaram, os CDs estão virando história e os LPs – aqueles bolachões feitos de vinil – voltaram a moda, nada melhor do que um olhar crítico sobre a época onde os LPs eram verdadeiramente as estrelas da indústria fonográfica, muito antes dos WalkMan, iPods e etc. Foi com a intenção de contextualizar a produção musical brasileira em um dos anos mais importantes de sua história que o jornalista Célio Albuquerque organizou o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB” (Editora Sonora), que terá lançamento em Niterói na próxima terça-feira.

Para quem é muito jovem ou nunca se preocupou em conferir os anos nos quais seus discos preferidos foram lançados, um lembrete: 1973, ainda sob forte ditadura e muita censura, foi o ano dos Secos e Molhados, do primeiro disco de Raul Seixas, de Clementina de Jesus e seu “Marinheiro Só” e do debut de Luiz Melodia, só para citar alguns dos 50 títulos revistos pela obra.

Os textos, escritos com liberdade por nomes como Antônio Carlos Miguel, Silvio Essinger, Pedro Só, Rildo Hora, Tavito, Roberto Muggiati e Moacyr Luz, entre muitos outros, dão visões diferentes para cada um dos discos. Alguns em tom mais de crítica musical, outros em clima de memórias nostálgicas e alguns como sinceros depoimentos de quem participou dessa história.

SecoseMolhados1973Como toda lista de “melhores”, a do livro também tem suas polêmicas, a começar pelo próprio ano escolhido. É verdade que 1973 produziu alguma obras que até hoje se mantém atuais e seminais para nossa história musical, mas talvez seja um exagero disser que foi “O ano que reinventou a MPB”, já que um ano antes, apenas para citar um exemplo, foram lançados o Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges) e Acabou Chorare (Novos Baianos), o que põe em cheque o status de reinvenção do ano seguinte. Mesmo entre os títulos analisados (até mesmo alguns que não chegaram ao mercado) podemos perguntar sobre a ausência do disco de Roberto Carlos que, apesar de realmente não ser dos mais inspirados do Rei, conta com canções como Proposta, uma das mais populares de seu repertório, lembrando que Roberto construiu nesta década o seu “reinado”.

Alguns dos textos são deliciosamente envolventes, outros mais informativos, mas em todas as resenhas há um quê de admiração, de reverência (justa) ao que foi produzido. Uma pena que não seja tão fácil reunir todo esse material em CD ou em formato digital, pois ouvir cada um dos discos escolhidos para compor o livro seria um complemento perfeito para o leitor/ouvinte com menos de 40 anos.

Bom saber que ainda há espaço e pessoas com disposição para resgatar nossa história, seja ela de qual setor for. Como diz o prólogo do livro:”os autores não pretendem fornecer explicações… mas sim abordar a certeza absoluta do mistério que envolverá para sempre 1973 – O ano que reinventou a MPB”.

 Serviço:

Lançamento: 1973 – O ano que reinventou a MPB
Local: Livraria Gutenberg, Rua Cel. Moreira Cesar 211 loja 101, Icaraí
Horário: 17h

Crazy Diamond – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd

crazydiamondsydbarrettLançado no Brasil no fim do ano passo pela editora Sonora (especializada em publicações musicais) o livro Crazy Diamond – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd, dos jornalistas Mike Watkinson e Pete Anderson, traça um perfil do integrante mais obscuro e cultuado do grupo, que fez fama após a sua saída.

Morto em 2006, Barrett se transformou de um jovem brilhante em uma alma atormentada e uma mente alterada pelo uso excessivo de drogas, principalmente o LSD. O legado musical de Barrett, que gravou apenas dois discos de estúdio – The Madcap laughs e Barrett (os dois de 1970) e teve uma coletânea com registros raros, Opel, lançada em 1988. Os três álbuns foram relançados em uma caixa nos anos 90 e a leitura do livro faz crescer em muito a vontade de ouvi-los.

Mas, voltando ao livro, a sua leitura é obrigatória (e um prazer) para todos os fãs da banda e os que se interessam por rock. A tradução é das melhores e o preço (por volta de R$ 28) é uma pechincha.

Peço desculpas por só escrever essa crítica agora em janeiro, mas não consegui começá-la antes de terminar de ler o livro até a última linha.

Já na lista dos melhores do ano (mesmo sendo um lançamento de 2013).

Ouça algumas músicas de Barrett na playlist do F(r)ases, no menu lateral.

Retrospectiva musical 2013 – Parte II

Pelo jeito essa retrospectiva não vai terminar tão fácil. Em um ano com tantos relançamentos, fica sendo muito difícil não citar mais alguns itens que mereciam entrar na lista dos melhores.

Ai vão eles.

Gal IRecanto ao Vivo – Gal Costa – O combo CD/DVD captura perfeitamente a estrutura do ótimo espetáculo de Gal.

AOR – Ed Motta – Ame-o ou deixe-o. Ed Motta é capaz de conseguir esse tipo de reação das pessoas. O disco volta ao som mais suingado que o fez famoso.

Jake Bugg – Alçado ao estrelato cheio de comparações com o velho trovador Bob Dylan, Jake Bugg, de apenas 19 anos, faz um debut inspirado no clima dos anos 60.

Capa LOBOS-okMiragem – Os Lobos – Os Mutantes de Niterói têm seu álbum relançado e comprovam que realmente seu som é atemporal. Ficou de fora da primeira lista de melhores por muito pouco.

Se me chamar, ô sorte – Wilson das Neves – O veterano baterista lança uma coleção de sambas de primeira.

Slowhand – Eric Clapton – Uma das obras primas do Deus da Guitarra ganha versão estendida e melhorada. Imperdível.

*No centenário do poeta Vinicius de Moraes, a caixa comemorativa com seus discos ganha uma super menção honrosa entre os melhores lançamentos do ano.

Leia a primeira parte aqui!