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B.B. King Club NY fecha as portas

A última visita (julho/2017)

Toda vez que uma boa casa de espetáculos fecha sinto uma enorme dor no coração, principalmente quando conheço e gosto do lugar. A notícia de que o B.B. King Blues Club & Grill, no coração de Nova York (no 237 da rua 42) encerrou as atividades choca tanto quanto os do Olympia, em São Paulo (em 2006) e do Canecão (em 2010).

Conheci a casa – que funcionava desde 2000 – em 2002 e sempre tive ótimas experiências tanto em relação aos shows, quanto ao cardápio e o atendimento – cheguei a ganhar convites grátis para um show porque era um dos únicos brancos em um show de soul music. Por lá, passaram nomes como o do próprio B.B., Aretha Franklin, James Brown, Etta James, Prentiss Mcneil, Alicia Keys, The Allman Brothers, ZZ Top, Jay-Z, Bon Jovi, Big Gilson, Mary J. Blige, Denny Laine, Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Al Green, Bruce “Big Daddy” Wayne, Wilson Pickett, Bo Diddley e Buddy Guy (que fez o show de encerramento). Lá também era a casa de um ótimo brunch com coro gospel (The Harlem Gospel Choir) aos domingos e com um cover dos Beatles, aos sábados.

Buddy Guy fez o último show, em 29 de abril.

A razão do fechamento – dada em nota oficial – foi o preço do aluguel, que ficou alto demais, apesar da quase totalidade dos shows ser sold out. Tsion Bensusan, responsável pelo local, também reclamou da prefeitura de Nova York, que fez um grande esforço para revitalizar a área duas décadas atrás, mas que agora não está se preocupando com o futuro da área.

Os shows que estavam programados foram realocados para outras casas, mas a maioria será realizada no Sony Hall, que ainda não conheço, mas que fica pertinho (na 46, entre 7ª e 8ª. Infelizmente alguns foram para bem longe do Times Square, mas nada que uma pequena viagem de metrô não resolva.

O (bom) vinho dos Rolling Stones

Uma pena que um dos marcos de Nova York, onde podíamos assistir bons shows por um preço justo e até experimentar o vinho (surpreendentemente bom) dos Rolling Stones, agora, seja apenas uma lembrança.

Ainda não há informações sobre o que vai funcionar no local, mas espero que não seja uma igreja ou uma farmácia, como acontece por aqui,

Deve ser horrível morar em uma cidade que não cuida da sua memória cultural!

Lembrando do caso Canecão

Desde maio de 2010 que o Canecão está fechado por conta de uma ordem judicial que determinou sua reintegração a UFRJ. Na época (e até hoje), muita gente inteligente saudou a decisão, como se a universidade tivesse alguma competência para operar o que era a principal casa de espetáculos do Rio. Sempre há o argumento de que o contrato era danoso (!?) para a instituição. Quem defende isso parece esquecer que o fim do Canecão foi danoso para a cidade, o estado e o país, já que perdemos uma grande parte da nossa história musical.

Abaixo um trecho do meu post de 8 de janeiro de 2012.

A UFRJ continua sendo uma instituição incompetente para gerir o espaço, diferente do que pode acontecer na gestão do seu ensino. Saber que membros da chamada academia se recusam a sequer admitir passar parte da gestão para alguma empresa ou grupo de pessoas fora da instituição é prova de que vivem dissociados da realidade. Querer criar algo como um Centro Cultural é ridículo! Centro Cultural, na visão dos nobres membros do Conselho Universitário, o fórum de 50 integrantes (afora os suplentes) pelo qual passa toda decisão importante tomada na UFRJ, é sinônimo de atrações que não interessam ao público do Rio e nem mesmo aos estudantes, que poderiam ser obrigados a prestigiar o espaço.

Viva a (burra) autonomia universitária e a facilidade em destruir o que beneficia o público. Não é só o Rio e o Canecão que foram vítimas de decisões estúpidas. Várias outras instituições de ensino – verdadeiros buracos negros de verbas e que se preocupam mais com pesquisas do que com ensino, o desenvolvimento cultural ou o bem-estar da população, vivem retomando e fechando teatros, cinemas e casas de espetáculo Brasil afora.

A academia deve estar feliz em ver Roberto Carlos e Chico Buarque falando publicamente que sentem não tocar no Canecão. Também devem estar felizes em saber que um espaço voltado para a comunidade acadêmica não deverá ser utilizado por plebeus da música mundana ou por qualquer evento relativo aos Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo. Afinal, quem precisa disso? Precisamos é de salas de cultura, onde possamos ver curtas-metragens ou exposições de fotos ou mesmo de obras de arte feitas de barro, sei lá.

Johnny Winter, um dos últimos grandes shows que vi no Canecão

O Brasil é um país sem rumo. Políticos corruptos/incompetentes/retrógrados, tribunais superiores infestados de ratos, instituições de ensino que não usam suas verbas para o que deveria ser sua finalidade (o ensino e não a pesquisa), uma total falta de respeito pela vida, além de visões tortas sobre o conceito de social.

Não sei se ainda verei alguma mudança significativa na situação geral do país, mas tenho certeza de que nunca mais verei um Canecão que possa trazer algo de realmente bom para a Cultura.

 

Fotos: Divulgação, Jo Nunes e Fernando de Oliveira

Vídeo: Jo Nunes

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Saudades de Les Paul – o homem que mudou a música

LesPaul_04_PAAssim que terminou a transmissão do Oscar, uma zapeada na TV me fez parar na exibição de um especial com Les Paul (o homem que inventou, entre outras coisas, a guitarra elétrica), sua banda e co0nvidados no Iridium – um pequeno clube de jazz em Nova York onde se apresentava todas as segundas à noite, durante anos, até a sua morte, em 2009.

O Iridium – 1650 Broadway (51st) – é um lugar mínimo, onde praticamente todos os lugares são grudados no palco. Tive a honra de assistir Les Paul (em 2002), tocando como nunca, contando histórias de como e porque criou a guitarra elétrica (“Queria soar mais alto que todos“, dizia) e até paquerando as meninas da plateia.

Iridium frontO show que vi (como já contei aqui algumas vezes) foi especial para mim. Além de estar cara a cara com uma lenda viva, ainda ouvi uma versão de Aquarela do Brasil e até discuti com o velhinho sobre o nome da canção, que ele insistia de chamar apenas de Brazil, mesmo depois que eu disse que o título não era esse (“Eu sempre toquei essa música e ela se chama Brazil“, retrucou o homem). Quem era eu para bater boca com ele?

No fim das contas, foi uma noite mágica, pertinho do homem, bebendo Dry Martinis e pensando em quantos astros brasileiros aceitariam tocar em um lugar tão pequeno como aquele e ainda atender todos os que queriam falar com ele. Infelizmente, esse encontro foi numa época anterior ao advento das câmeras digitais (pelo menos para mim) e guardo apenas memórias desse momento.

PS: O programa vai ser reprisado mais algumas vezes no canal Bis. Vale conferir as datas e horários.

NY: Uma cidade que sabe vender a sua imagem

Nova York é, provavelmente, a cidade onde mais se rodam filmes e seriados no mundo. A mega metrópole é o maior pólo turístico do mundo e faz de tudo para se manter nos holofotes por seu dinheiro, gastronomia, teatro, música, noite, comércio, etc.

Até mesmo nos momentos mais difíceis da vida da cidade – boom de violência ou 11 de setembro – os governantes e seus moradores se unem para manter a imagem de que tudo está bem e que a vida não pode parar. Uma atitude que deveria servir de inspiração para o Rio, outra cidade com forte apelo turístico.

O vídeo que você pode ver clicando aqui ou na imagem abaixo é uma amostra de como criatividade e solidariedade podem ajudar a vender a sensação de que tudo está bem. É a Mágica de Nova York.

Quando a saudade bate

Algumas vezes acordamos na madrugada lembrando de algo, alguém ou algum lugar. Barra pesada é quando lembramos dos três, em épocas diferentes, sem conexão.

A canção me faz lembrar do lugar,  de uma frase dita por um amigo, de uma pessoa e de um momento muito especial da minha vida. Todos sem conexão de tempo.

O mundo está louco e o Naked Cowboy quer ser prefeito de Nova York

naked cowboyQuem já passeou pelo Times Square já esbarrou com ele. Pode ser um dia lindo de sol ou um miserable day (expressão usada para dizer que está um frio da porra) que ele não falha. Uma figura de pele branca, usando apenas um chapéu e um violão, botas e sunga. O louco Naked Cowboy, que já virou atração turística da cidade e que sempre anima os que aguardam na fila do TKTS.

O estranho é que esse dublê de cantor, palhaço e animador, também é pastor e, seguindo a tradição, ficou ambicioso e agora quer ser prefeito da cidade mais importante do mundo. Ok, Clint Eastwood também já foi prefeito, mas da cidadezinha de Carmel-by-the-Sea, na Califórnia. Digamos que o orçamento das duas cidades é um pouco diferente.

Bem, não moro lá, mas fico imaginando como dever ser ter um pastor-cowboy peladão comandando os rumos da cidade. Será?

Londres e Nova York 2

leisure-inn-hotelComo estava contando no post anterior, entro no táxi na estação de Paddington, falo o endereço do hotel e recebo um grunhido com sotaque cockney (típico da capital inglesa e bem difícil de entender). Senti que não agradei, mas não me toquei do porquê, que só descobri quando, após parcos 3 minutos, cheguei na porta do hotel. Dava para ir a pé e o motorista não ficou feliz. Azar o dele.


O Hotel

leisure-inn-bedroom2Passei alguns meses pesquisando e fazendo negociações com vários hotéis. No fim, fechei com o Leisure Inn, que fica pertinho do Hyde Park e a um quarteirão da estação de Queensway. Fechei uma tarifa ridícula para ficar em um quarto com banheira e frigobar.

Claro que não foi assim, simples. Depois de um mês negociando com a gerente, fiz o pagamento adiantado com o cartão de crédito e quando mandei um e-mail para confirmar se haviam recebido o crédito…NADA! Pânico total. Não resisti e liguei. Tremi quando a pessoa do outro lado da linha me disse que a gerente tinha entrado de férias. Perguntei se ela podia confirmar minha reserva e a resposta foi do tipo: “Se disseram que a reserva está feita, está feita”. Estava. A gente não se acostuma com esse tipo de atitude em lugar nenhum do mundo.

Óbvio que todos os prédios da rua eram super parecidos, pintados de branco e o meu era o mais modesto. Achei ótimo.

ticket-de-transporte-de-londresDeixei minhas coisas no quarto e resolvi partir para o Centro da cidade buscar meus passes de ônibus e metrô e dar o primeiro reconhecimento na cidade. Antes, pergunto para a simpática recepcionista para que lado fica a estação de metrô. A resposta (errada) confirmou algo que concluí só no fim da viagem: Ninguém conhece aquela cidade.

Continua….