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Avenida Q: um lugar bom de morar

avenida-q-1Se o início da minha temporada teatral não foi boa (leia a crítica de Hamlet), a virada veio em grande estilo, com Avenida Q, mais um musical da Broadway trazida pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, responsáveis, entre outras, por Beatles Num Céu de Diamantes e Sassaricando, 7 – o musical e A Noviça Rebelde, entre outras.

O Rio ainda está longe de ser a Broadway, mas é muito bom ver que os musicais caíram o gosto do público e que produções tão boas quanto as americanas estão sendo montadas e encenadas no país. Os Produtores, de Mel Brooks, que teve momentos até mesmo melhores dos que os encenados na terra do Tio Sam, impressionou pela produção, assim como A Noviça Rebelde. Já 7 e Avenida Q seguiram por caminhos totalmente diferentes e igualmente prazerosos.

avenida-q-2A grande sacada do musical – divertido e politicamente incorreto – é a utilização de bonecos comandados pelos atores. Tudo em cena com uma graça, timing e humor que realmente cativam. Pode parecer coisa de criança ou lembrar um pouco a idéia das marionetes de seriados como Thumderbirds, mas, seja lá por qual razão, a coisa funciona.

A história gira em  de Princeton, um jovem recém formado, que se muda para Nova York carregando apenas seus sonhos e um pequeno punhado de dólares, indo acabar morando na Avenida Q, onde monstros e humanos se misturam em um emaranhado de ficção e realidade caricata.  Há também o gay enrustido, o comediante fracassado, a oriental nazista, o monstro tarado, os ursinhos do mal e a monstrinha romântica (mas bem safadinha na hora do sexo), etc.

As canções são ótimas, divertidas, leves e totalmente desligadas dos padrões morais que engessam a maioria das manifestações culturais de hoje. Os seus dois atos e aproximadamente 2 horas de duração passam muito rápido. Nada de bocejos na platéia.
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A vinda dos responsáveis pela montagem americana para conferir como seria o espetáculo no Brasil parece ter surtido um efeito positivo, atiçando ainda mais a criatividade da dupla de diretores, que conseguiu criar citações relacionadas ao universo brasileiro que caíram como uma luva na proposta cômica da peça.

Quem puder, não deixe de ir ao Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea). Sorrisos, risadas e um espírito mais leve estão garantidos.

Veja A Merda que Eu Estou

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Um Hamlet que deu sono

hamlet_wmoura1Fui ver Hamlet no domingo. Boa companhia, vários amigos indo fazer o mesmo programa e a certeza de que a escolha seria melhor do que assistir ao jogo entre Brasil e Equador. Para não ser influenciado por nenhuma opinião alheia, decidi não (re)ler nenhuma crítica feita na época da estréia.

Hamlet não é simples e Shakespeare nem sempre é fácil de se fazer palatável para o grande público, necessário para encher um teatro do tamanho do Oi Casa Grande. Por isso, fiquei intrigado ao ver o cenário (??!!) montado. Dois ‘módulos’ de dois andares parecendo andaimes, montados em cada lado do palco. ‘Deve ser uma versão modernosa’, pensei.

Mais espantado fiquei ao ver o figurino dos atores ao entrarem em cena. Pareciam usar roupas de alguma grife, com poucos acessórios. Uma armadura e uns poucos vestidos para as mulheres (alguns bonitos, é verdade). O cenário era complementado por uma poltrona para o Rei, um banquinho e um tapete empoeirado.

hamlet_wmoura2A “‘música incidental“‘ (assim mesmo, com aspas triplas), composta por um dos membros daquela banda que tocou no mesmo dia do RadioHead, é lamentável. Um conjunto de riffs e acordes que poderiam servir como introdução para alguma das canções da banda.

Wagner Moura (quase sempre excelente) escorrega em ser over em alguns momentos e tentar acrescentar doses de humor ao personagem, com gritinhos desnecessários. São muitos gestos, pulos e agachadas que não acrescentam nada. Muito melhor quando ele minimaliza sua atuação.

O texto passeia pelo tradicional e o moderno sem conseguir se focar em algum deles de modo satisfatório, dando a impressão de que a direção ficou meio perdida. Até mesmo as frases mais conhecidas sofrem pequenas modificações.

A essa altura já deu para notar que estava achando tudo muito chato, apesar da admiração em ver atores decorando um texto tão longo e complicado (são quase três horas de espetáculo, dividido em dois atos) e de aparecer até um disco dos Beatles como acessório em uma das cenas. Comecei a olhar em volta (ainda no primeiro ato) e contei 5 (CINCO) pessoas dormindo nas quatro primeiras filas. Uma delas nem voltou após o intervalo.

hamlet_wmoura3A certeza de que a coisa não foi bem (apesar do teatro lotado) foi quando ao final da peça uma pessoa gritou ‘Bravo!’ e conseguiu chamar a atenção de todos que estavam por perto. Ficou aquela pergunta no ar: ‘Quem é essa louca?’

Decidi não publicar nada no Mistura Interativa, pelo simples fato de que as críticas já foram mais ou menos nesse tom na época da estréia e porque eu sempre procuro ser mais suave, coisa impossível neste caso.

Um Crítico de Teatro Light ou Como Não Malhei Tom e Vinícius

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Tenho investido muito na área cultural. São filmes, shows e peças teatrais que acabam recebendo ‘críticas’, normalmente publicadas no Dia Online. Música e cinema não são problema. Sei que tenho conhecimento suficiente para não escrever bobagens e transmitir bem minhas opiniões. Admito que fico menos confiante quando o assunto é teatro, mas a longa série de dramas, comédias e, principalmente, musicais, me fez arriscar pagar algum mico.

Alguns me consideram ‘americanizado’ e até dizem que eu nasci no país errado. Verdade que gosto de rock e até entendo as tramas de West Wing, mas quem me conhece sabe que não sou fã de João Gilberto e que acho o ritmo (hoje) semi-morto, embora goste muito das canções de Tom Jobim, mesmo discordando de que todas sejam clássicos, e de vários poemas de Vinícius de Morais. Portanto, foi com o espírito um pouco receoso que fui até o João Caetano para a estréia de Tom e Vinícius, O Musical.

Ao chegar o primeiro susto: filas enormes tentando chegar a bilheteria e outra, um pouco menor, mas recheada de famosos, tentando chegar até a mesa onde estavam os convites para imprensa. Susto dois: Meu nome NÃO ESTAVA na lista e só depois de conseguir conectar meu celular ao gmail e encontrar o e-mail com a confirmação, consegui o par de ingressos (um bem longe do outro). Um viva para a tecnologia.

Dentro do teatro (reformado e bonito, embora com o ar condicionado um pouco fraco para um dia de lotação esgotada), destacavam-se os políticos, globais e algumas figuras da bossa nova. Começa o espetáculo e, apesar do texto pobre, direção que me pareceu sem muito ‘pulso’ e alguns erros que preferi colocar na conta do nervosismo da estréia (leia a crítica aqui), para não parecer que estava sendo rígido demais, as boas interpretações das canções ‘seguraram a onda’.

Fiquei surpreso ao ler as críticas escritas pelos especialistas, dizendo exatamente o que pensei, mas com muito mais ferocidade que eu. No fim das contas, fui muito mais light do que quem gosta mesmo de bossa nova.

Maratona Cultural 2009

Neste post colocarei todos os shows, peças, etc que assisti em 2009.

Babem!!!

Janeiro: A Troca (cinema), Elza Soares (Teatro Rival), Beatles Num Céu de Diamantes (Oi Noites Cariocas), Tom e Vinícius – O Musical (teatro), Austrália (cinema), Segredos do Amor (cinema),  James Blunt, Elton John (Praça da Apoteose- 19/1), Martinho da Vila (Vivo Rio – 22/1),

Fevereiro:  Cabine do filme Operação Valquíria e coletiva de Tom Cruise (Copacabana Palace – 3/2), Alanis Morrisette (4/2 – HSBC Arena), Cabine do filme Milk (9/2), Léo Jaime (Canecão 10/2)

Para quem gosta de diversão no Rio

A Internet está cheia de sites com agendas de shows e teatros. Muitos deles vivem de jabas e parcerias. Essa semana entrou no ar um novo blog que não pretende competir com os sites de jornal, mas, sim, dar opções realmente boas – algumas pouco divulgadas – para aproveitar os bons programas culturais que rolam pela Cidade Maravilhosa.

Dêem um pulo até o Diversão é a Solução e divirtam-se!

Vale deixar alguma sugestão de programa também.