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Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – 25/8

Cantora estreou no Rio a versão estendida do Tributo a Wilson Baptista, show que confirma a excelência na escolha dos seus projetos

Mônica Salmaso é, provavelmente, a dona da mais bela voz do Brasil, e Wilson Baptista (3 de julho de 1913 – 7 de julho de 1968) é um compositor com uma das mais ricas obras do samba. Embora muita gente, como é comum na falta de memória que aflige o país, não ligue o nome às composições. A junção do talento dos dois criou um espetáculo imperdível: Tributo a Wilson Baptista.

A apresentação deste sábado (25/8) no Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro, serviu não só para celebrar as canções de Baptista como para apresentá-las ao público mais jovem.

Elegância acima de tudo

Obras-primas como Acertei no Milhar, Boca de Siri e Lá Vem a Mangueira, só para citar algumas, ganharam leituras delicadas e elegantes. Como tudo tocado por Salmaso.

Acompanhada de Paulo Aragão (violão), Luca Raele (clarinete) e Teco Cardoso (saxofone e flauta), a cantora trouxe para o seu universo a obra de Baptista, sem desfigurar a essência de nenhuma das canções.

Outro destaque da noite foi a indisfarçável alegria da intérprete com o roteiro do espetáculo, o público presente, os arranjos das canções e a história de Wilson Baptista.

— Gostaria de ressaltar a minha felicidade com o público que foi ao show. Fomos muito bem acolhidos, isso foi muito especial pra gente! Voltei pra casa muito feliz! De verdade! — agradeceu por e-mail uma supersimpática Mônica Salmaso.

Histórias deliciosas

Além dos belíssimos sambas pinçados das mais de 600 composições de Baptista, Mônica Salmaso costurou o roteiro com deliciosas histórias tiradas da biografia Wilson Batista – O samba foi sua glória!, escrita por Rodrigo Alzuguir e lançada em 2014.

Os causos contados entre as músicas serviram como deliciosos links para contextualizar o momento histórico das composições.

Além disso, histórias onde os personagens são figuras do calibre de Moreira da Silva, Ataulfo Alves e Noel Rosa (com quem Baptista teve uma rixa histórica e que rendeu vários clássicos), jamais serão desinteressantes.

As histórias, vale o registro, dão chance de vermos uma Mônica Salmaso descontraída e engraçada como poucas vezes.

— Este projeto tem o diferencial de ser contextualizado na história do Wilson Baptista e por isso ter mais falas. O que me tira um pouco da minha zona de conforto, por um lado. Mas ao mesmo tempo ajuda no aproveitamento da escuta das canções — explicou a intérprete.

Respeito do público

O envolvimento dos músicos e da cantora criaram um clima mágico que se irradiou por todo o Teatro Rival. A plateia, durante praticamente todo o show, se manteve com uma atitude de reverência. Difícil descobrir se para o espetáculo, as canções de Baptista ou o conjunto da obra.

Os longos aplausos, a atenção ao ouvir as histórias sobre as canções apresentadas e o silêncio poderoso que permitia ouvir cada nota e cada nuance dos sons vindos do palco mostraram que o poder da (boa) música, como repito sempre, é atemporal.

— Agora estamos entrando na fase de arredondar o show. Tirar excessos (principalmente nas falas). Gosto dessa ordem e do repertório. Sinto que o show está bem amarrado — explicou Mônica.

Planos

Lançar um CD ou DVD do projeto são possibilidades não descartadas pela artista.

— Pensamos em gravar e fazer um material pra exibição em TV ou vídeos em capítulos para a internet… Mas são ideias que começaram agora. O que eu quero mesmo é fazer este show mais vezes — disse a cantora.

Quem puder assistir a uma apresentação desse show não deve deixar a oportunidade passar. Ou vai se arrepender.

Show

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista – Teatro Rival Petrobras – 25/8

Cotação: *****

Fotos: Jo Nunes e Divulgação
Vídeos: Jo Nunes — Oh! Seu Oscar, A Mulher do Seu Oscar, Acertei no Milhar e Meu Mundo é Hoje (Eu Sou Assim).

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Boca Livre – Teatro Rival – 23/01/15

Boca Livre Jo 2015 IIIO (meu) debut musical de 2015 não poderia ter sido melhor: boa música, belas melodias, ótimas vozes e excelentes companhias.

Um show do Boca Livre é sempre garantia de qualidade, mesmo quando algum dos seus componentes não pareça estar num de seus melhores dias. Afinal, qualquer um deles derrapando é melhor do que a grande maioria dos cantores em seus melhores dias.

O repertório seguiu a linha campeã de mesclar canções do último disco com clássicos do grupo e algumas favoritas de palco. Assim, canções como Amigos, First Circle, Toada, Quem Tem a Viola, Mistérios e I Need You (aquela dos Beatles), seguem em um roteiro bem amarrado.

Boca Livre feroli 2015O Rival – quase a casa do Boca – tem a atmosfera perfeita para esse tipo de show. Lá é possível encontrar uma pateia que sabe quando deve cantar e quando deve fazer silêncio e desfrutar dos belos sons que vêm do palco. Nada de gente gritando por essa ou aquela música (no fim, estavam todas lá). Perfeito.

Se você gosta de grupos vocais, não perca a chance de ver um dos melhores do mundo cantando em português.

Vida longa ao Boca Livre.

Fotos: Fernando de Oliveira, Jo Nunes e Francisco Ribeiro.

Agenda de shows internacionais no Rio em 2015

Aí vai a agenda de shows internacionais no Rio de Janeiro em 2015. Como sempre, ela será atualizada ao longo do ano que. mesmo com todo o calor e crise econômica, promete.

Caso tenham contribuições, elas são muito bem-vindas.

Atualizado em 20 de outubro – Raggabund

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Quem está certo:

25 de janeiro: Kaiser Chiefs e Foo Fighters (Maracanã)

29 de janeiro: Sublime With Rome (Citibank Hall)

27 de fevereiro: Ringo Starr (Vivo Rio)

08 de fevereiro: Mr. Big (Fundição Progresso)

08 de março: Steve Hackett (Citibank Hall)

14 de março: Slash (Fundição Progresso)

14 de março: City and Colour (Sacadura 154)

19 de março: NoFx (Circo Voador)

20 de março: Damian Marley (Cidade das Artes)

20 de março: Zaz (Circo Voador)

24 de março: Robert Plant (Citibank Hall)

25 de março: Smashing Pumpkins (Citibank Hall)

26 de março: Three Days Grace (Circo Voador)

27 de março: Foster the People e Bastille (Citibank Hall)

08 de abril: Jason Mraz (Citibank Hall)

11 de abril: Lindsey Stirling (Citibank Hall)

16 de abril: Imagine Dragons (Citibank Hall)

18 de abril: Seether (Citibank Hall)

22 de abril: Christina Perri (Teatro Bradesco)

23 de abril: Judas Priest (Vivo Rio)

30 de abril: Ed Sheeran (HSBC Arena)

18 de abril: America (Citibank Hall)

08 de maio: Adrenaline Mob (Circo Voador)

15 de maio: Orquesta Buena Vista Social Club (Vivo Rio)

21 de maio: Spy vs Spy (Miranda)

02 de junho: Pain of Salvation (Teatro Rival)

08 de junho: Backstreet Boys (Citibank Hall)

11 de junho: Backstreet Boys (Citibank Hall)

18 de junho: Sinead O’Connor (Teatro Bradesco)

30 de junho: Violetta (HSBC Arena)

28 de julho: David Garret (Vivo Rio)

25 de agosto: Maroon 5 (HSBC Arena)

27 de agosto: Tove Lo (Morro da Urca)

18 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

19 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

20 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

24 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

24 de setembro: Simone Mazzer (Teatro Rival)

25 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

26 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

27 de setembro: Rock in Rio (Cidade do Rock)

09 de outubro: Blind Guardian (Vivo Rio)

18 de outubro: Skillet (Circo Voador)

20 de outubro: Raggabund (Teatro Rival)

22 de novembro: Muse (HSBC Arena)

22 de novembro: Pearl Jam (Maracanã)

24 de novembro: Morrisey (Citibank Hall)

Relembre os melhores shows internacionais que passaram pelo Rio em 2014!

Ivan Lins – Teatro Rival – 4/1/2013

Ivan Lins rege o público em ode ao amor

Ivan Lins 2013 IVO subtítulo acima seria a expressão mais correta de uma noite que marcou o início da temporada musical em  2013 (pelo menos para mim). Com uma temperatura bem mais agradável que o calor que fazia nos últimos  dias, o entorno do Teatro Rival (na Rua Álvaro Alvim) parecia mesmo mais alegre, mais apaixonado. Não sei  se a inauguração da gigante (e linda) Livraria Cultura, bem pertinho dali, ou se o início de um novo ano  deixaram a atmosfera mais leve, mesmo com os mesmos bares e frequentadores de sempre.

Logo ao chegar ao Rival, uma boa notícia: lotação esgotada! Bom saber que um artista da estatura de Ivan  Lins, mesmo sem ter um sucesso faz algum tempo, ainda consegue lotar casas em um local como o Centro.  O show que ele iria apresentar tinha como base seu último disco (Amorágio), lançando em 2012 e que traz  algumas de suas melhores composições em anos.

Ivan Lins 2013 IDentro do teatro, o público (na sua maioria já depois dos 40), se dividia entre casais apaixonados, grupos de  amigos e até mesmo aqueles que faziam de tudo para parecer mais jovens, com camisas de marinheiros,  óculos escuros ou vestidos que ficariam bem melhores se os modelos tivessem algumas décadas a menos.

Bem, mas e o show? Já estamos no quarto parágrafo e nada do show?

Uma apresentação de Ivan Lins é sempre garantia de boa música, harmonias bem cuidadas e arranjos que  revigoram velhas canções, embora em algumas delas fique a sensação de que as novas roupagens sejam mais  prazerosas para o intérprete do que para o público. Já as canções do novo disco ganharam mais
personalidade, peso e muito mais nuances, com a adição – principalmente – da viola de Neimar Dias. Aliás, a  viola fez toda a diferença em relação aos últimos espetáculos de Ivan. Nota 10!

Ivan Lins 2013 IIILogo no início da apresentação veio a segunda boa notícia. Os dois dias (4 e 5) tiveram lotação esgotada e  duas novas datas foram fechadas para janeiro, dando chance para quem não viu (e para quem quer repetir a dose).

O show é um mix de canções conhecidas e de novos títulos. Mesmo com a temática do amor, Ivan não deixou de falar de política, da tragédia das chuvas em Xerém e do exemplo do companheiro Zeca Pagodinho. É bonito poder cantar uma parte do Hino à Bandeira – o mais bonito de todos – ou acompanhar o medley Desesperar Jamais/Deixa Isso Pra Lá. Da nova safra, Amorágio, Quero Falar de Amor, a sertaneja Olhos pra te ver e Carrossel de bate-coxa (parceria com o filho Gustavo), foram as que mais ganharam com o registro ao vivo e com a participação do público que, regido por Ivan, fez uma ode ao amor em pleno centro do Rio, em uma noite de sexta-feira.

Fotos e vídeo: Jo Nunes

Ivan Lins inicia o ano musical

Foto: Leo AversaPara muitos o ano no Brasil só começa mesmo após o carnaval, certo? Errado. Pelo menos a temporada de shows musicais começa bem antes das festas momescas e uma das primeiras grandes atrações do ano é o espetáculo de Ivan Lins, que acontece hoje e amanhã no Teatro Rival, no centro do Rio de Janeiro, com preços que não farão com que ninguém tenha que atrasar o pagamento do IPTU para comprar seu ingresso.

Ivan, um dos mais conhecidos e respeitados artistas da Música Popular Brasileira, reverenciado por nomes como Quincy Jones, Sting e até mesmo o ex-beatle Paul McCartney, e que já foi homenageado com um disco-tributo onde astros pop cantam suas músicas em inglês, sobe mais uma vez ao palco, agora para apresentar um espetáculo baseado no repertório de seu último trabalho, o excelente Amorágio (Som Livre), trabalho onde canta as várias formas de amor.

Amorágio é um trabalho no qual apresento alguns dos muitos ‘Ivans’ que moram no compositor popular que eu adoro ser”, conta o artista.

No repertório, Ivan promete mesclar grandes sucessos com as canções do novo CD. Assim, o público pode esperar ouvir clássicos como Madalena, Começar de Novo e Novo Tempo, além das novas (e nem tão novas) como Amorágio, Roda Bahiana (que já havia sido gravada pela diva Gal Costa), Sou Eu (parceria com Chico Buarque e que também ganhou um registro no último CD do cantor), a belíssima Quero falar de amor, uma das mais belas melodias da safra recente de Ivan, além da divertida Carrosel do Bate-Coxa, um xote escrito em parceria com o filho, Cláudio Lins, com quem também já dividiu o palco algumas vezes.

Leia a crítica do CD Amorágio

“São canções novíssimas, outras nem tanto, e algumas releituras transpostas para os sentimentos de hoje, nas quais o passado vira presente”, explica sobre as canções de Amorágio.

No palco do Rival, Ivan é acompanhado por uma banda afiadíssima formada por Teo Lima (bateria), Nema Antunes (baixo), Marco Brito (teclado), João Gaspar (violão e guitarra) e Neimar Dias (violão e viola) -, que dão destaque as belas harmonias lideradas pelos teclados do compositor. Mesmo as músicas que no disco contam com participações de grande peso como os astros Maria Gadu, Pedro Luis e o português António Zambujo, mantêm seu peso pop nas interpretações solo de Ivan.

Se 2012 promete ser o ano de mais um Rock in Rio – onde Ivan vai reviver a parceria com o guitarrista George Benson, sucesso na primeira edição do festival, no hoje longínquo 1985 – e de grandes atrações internacionais desembarcando na cidade e no país, começar o mês de janeiro ouvindo Ivan Lins falar de amor é, sem dúvidas, uma maneira de trazer bons fluídos para todos os outros dias desse novo tempo.

Serviço

Ivan Lins – no show Amorágio. Data: 4 e 5 de janeiro. Horário: 19h30. Local: Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia. Tel: 2240-4069. Preço: Setor A / Mezanino: R$ 90 (Inteira) R$ 45 (Estudante/Idoso/Professor da Rede Municipal) – Setor B: R$ 80 (Inteira) R$ 70 (Os 100 Primeiros pagantes) R$ 40 (Estudante/Idoso/Professor Da Rede Municipal). Capacidade: 472 lugares.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Foto: Leonardo Aversa

Elza Soares comemora 50 anos de carreira com novo show

Uma das vozes mais marcantes e reverenciadas da MPB, Elza Soares continua na ativa do alto dos seus 74 (muito bem vividos) anos. A diva não para e volta nesta sexta e neste sábado, ao palco do Teatro Rival Petrobras para uma minitemporada de seu show Deixa a nega gingar, título da coletânea lançada em 2010, que comemorou seus 50 anos de carreira musical.

O Rival, local da maioria das suas últimas apresentações no Rio, deve, como sempre, receber um grande público, ansioso por ouvir os malabarismos vocais e scats da cantora.

“Elza é sempre um espetáculo. É incrível sua facilidade para brincar com a voz unicamente rouca e sua vitalidade. Ela sempre tem alguma surpresa para o público. No último show que a vi, ela trocava de roupa no palco, atrás de um biombo”, conta o empresário Aurélio da Matta, fã da cantora e que garante a presença nos dois dias de apresentação.

Mas não são apenas surpresas cênicas que aguardam o público. Elza não só viaja pelo samba e samba-jazz, como também vem flertando com ritmos e tendências mais atuais, como o house, techno, drum’nbass, dubstep e breakbeat, que estão presentes em seus últimos trabalhos, como os excelentes Do Cóccix até o Pescoço (2002) e Vivo Feliz (2004).

“Eu também sou bluseira. Gosto de Billy Holiday e Elizete Cardoso, da mesma forma que sou fanática por Chet Baker e João Gilberto. Ao mesmo tempo, quero que a nova geração conheça meu trabalho, por isso esse flerte com o hip hop, techno, etc”, explica Elza.

Presente também em vários projetos de outros artistas, Elza Soares mantém seu suingue brasileiro, mesmo com novas leituras de clássicos de seu repertório como Nega do cabelo duro, Malandro, Chove chuva e Mas que nada. As novas roupagens, que ficam a cargo de uma banda – JP Silva (violão de sete cordas), Gabriel Bubu (baixo), Marcelo Callado (bateria) – onde se destacam as presenças de dois DJs (Ricardo Muralha e Bruno Queiroz), responsáveis pelo sabor moderno das novas interpretações.

“Não importa como ela apresenta as canções, é a voz que nos hipnotiza. Elza é uma cantora única no mundo. Sua técnica é incrível e cada apresentação é uma verdadeira aula para qualquer um que queira viver de música”, diz o professor de música Antônio Pedro de Oliveira, outro fã de carteirinha da cantora.

A mesma opinião de Antônio Pedro é compartilhada por grandes nomes da MPB.

“Elza é a expressão raríssima da voz feminina num País de cantoras”, definiu outra grande musa da nossa música, Maria Bethânia.

Mas nem tudo foram flores na vida dessa mulher com seu jeito eterno de musa. Mãe de nove filhos, ela teve um início de vida difícil e chegou a pensar em abandonar a carreira, após a morte trágica do filho Manuel, em um acidente de carro quando ia visitar o túmulo do pai, Garrincha, em 1986.

Mulher vaidosa, Elza Soares também é dona de frases de efeito e orgulha-se de ser constantemente convidada para fazer ensaios sensuais.

Não tenho culpa de ser gostosa, né?”, costuma dizer.

Quem quiser entender melhor como foi a vida e a carreira dessa cantora mundialmente conhecida, a melhor pedida é assistir ao documentário Elza, dirigido por Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan (lançado em 2010). Lá, depoimentos e números musicais retratam um perfil honesto da artista. As participações ao lado de nomes como Caetano Veloso e Paulinho da Viola já valeriam o aluguel do DVD.

Reedições

Além dos lançamentos mais recentes, a discografia de Elza Soares também ganhou um reforço com as reedições de seis álbuns da cantora pelo selo DiscobertasElza Soares (1974), Nos braços do samba (1975), Lição de Vida (1976), Pilão + Raça = Elza (1977), Somos Todos Iguais (1985) e Voltei (1988) – todos com reprodução das artes originais dos LPs e faixas bônus.

Apesar da irregularidade do material que compõe os discos, fica sempre evidente o profissionalismo e a paixão com a qual Elza se entregava a cada uma das interpretações. O destaque maior fica mesmo pelo álbum de 1974, onde a versão de Quem há de dizer (Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues) já vale todo o investimento. Mas em Lição de Vida (1976), a cantora gravou o samba Malandro (Jorge Aragão e Jotabê), que se tornou obrigatório na maioria de seus shows pelo mundo.

Outro disco que merece uma audição atenta é Voltei (1988), onde Elza interpreta uma série de sambas compostos por integrantes do histórico bloco carnavalesco Cacique de Ramos.

Pode não ser muito fácil encontrar esses relançamentos (originalmente editados em 2010), mas todo o esforço será compensado pela audição de uma das intérpretes mais ecléticas e talentosas já produzidas pelo “País das cantoras”.

Serviço:

O Teatro Rival Petrobras fica na Rua Álvaro Alvim, 33/37, Cinelândia. Sexta e Sábado, às 19h30. Os ingressos variam entre R$ 30 e R$ 75. Informações: 2240-4469.

Texto originalmente publicano no jornal O Fluminense

Jair Rodrigues, Jair Oliveira e Luciana Mello – Teatro Rival 03/02/2012 – Festa para um Rei Negro

O espetáculo era em família. No palco – em sets individuais e em conjunto – Jair Oliveira, Luciana Mello e o patriarca Jair Rodrigues levaram o espetáculo Festa Para Um Rei Negro ao público carioca.

A mudança no sentido de algumas ruas me fez chegar ao Teatro Rival um pouco mais tarde do que pretendia e perder a gravação que a equipe da TV O Flu faria com ele, após a matéria que foi publicada no Segundo Caderno (leia aqui). Ao chegar, uma grande surpresa, um teatro praticamente lotado e com pouquíssimo público jovem, apesar da presença dos dois jovens astros. Uma verdadeira prova da força do velho Jair.

Aos quase 73 anos (serão completados nesta segunda-feira, 06/02), Jair Rodrigues já não faz um show longo – sua participação pode até ser considerada pequena -, mas ainda demonstra a mesma alegria e empolgação da época em que foi lançado ao estrelato.

Plantando bananeira

Se Jairzinho mostra suas composições e seu sambalanço na primeira parte do show – com destaque para a ótima 12° Jogador – e Luciana solta a voz em canções que realçam a sua grande e boa presença de palco – destaque para Tchau, de autoria do irmão – é mesmo Jair Rodrigues que consegue levantar o público com irreverência, canções clássicas, uma ótima voz e seu molejo, que inclui até mesmo plantar bananeira no palco e contar algumas histórias mais atrevidas e picantes. Tudo isso deixando na plateia aquele ar de cumplicidade que ganha qualquer alma menos bem-humorada.

O repertório não tem surpresas (ainda bem) e até mesmo a homenagem a ‘cumadi’ Elis Regina tem um espaço perfeito no roteiro do espetáculo. Jair mostra que a força de músicas que sedimentaram sua carreira é mais que suficiente para agradar ao seu público, mas o criador do rap promete mais e já pensa em um disco com sambas inéditos compostos por músicos da nova geração.

Seu Jair, benção!

Fotos (do dia 4/2): Ag. News

Vídeos: Jo Nunes

A Cor do Som – Teatro Rival – 14, 15 e 16 de julho de 2011 – Crítica

Palco simples para boa música

Um dos melhores grupos já formados na Música Popular Brasileira, A Cor do Som se reuniu, com sua formação original – Armandinho (guitarras), Ary Dias (percussão), Dadi Carvalho (baixo), Gustavo Schroeter (bateria) e Mu Carvalho (teclados) – para uma mini-temporada de três dias no Teatro Rival, no Centro do Rio.

Criado em 1977 e com uma série de sucessos que se sucederam até 1986. Depois disso, foram só algumas reuniões esporádicas e dois lançamentos ao vivo. A reunião no Rival foi um mix de nostalgia, esperança e boa música. Nostalgia, por conta das várias capas de LPs do grupo que apareceram na plateia, que cantava todos os números, assim como ouvia com atenção todos os instrumentais apresentados. Esperança, pelo anúncio de que o grupo está preparando um novo trabalho com músicas inéditas. Boa música, pelo talento dos instrumentistas, todos metres.

Dadi, Ari e Nivaldo Ornelas, convidado da noite de estreia

A estreia, porém, foi decepcionante. O set foi permeado por climas instrumentais que não davam uma boa continuidade ao espetáculo, alguns esquecimentos de partes das canções e performances vocais constrangedoras, mesmo para artistas que nunca foram considerados exímios vocalistas.

O próprio Armandinho confessou que o grupo ensaiava por osmose, tentando lembrar como eram as canções (veja o vídeo de Beleza Pura). Portanto, era mais que normal que a estreia (numa quinta-feira) fosse um pouco insegura e cheia de vacilos. Mesmo assim, era possível sentir que ainda há uma grande química entre os músicos.

Entrosamento maior no sábado

Para tirar qualquer má impressão, voltei ao Rival no sábado para ver a evolução do espetáculo. Valeu demais! O set estava mais afiado e, em vários momentos, perdeu aquela cara de show do Armandinho (como em Noites Cariocas). Até mesmo as intervenções vocais melhoraram muito, após dois dias de ensaio com plateia.

A guitarra 'A Cor do Som' e um detalhe Beatle

Dadi estava bem mais seguro para cantar Abri a Porta e Menino Deus, aproveitando bem até mesmo a ajuda do coro do público. Armandinho também foi bem em Zamzibar e Beleza Pura, assim como Mu em Semente do Amor e Swingue Menina, além de Ari, na divertida Dentro da Minha Cabeça.

A recepção do público foi tão boa que mereceu elogios de Armandinho e o fez pensar em voltar ao Rio (atualmente mora na Bahia). Mas, mais importante que o revival, é a certeza de que a Cor do Som ainda tem muito para dar a MPB e para ensinar a um grande número de músicos das novas gerações.

Torço para que o projeto do disco novo siga em velocidade acelerada. Já foram anos demais longe das belas cores e tons da Cor do Som.

 

Fotos e vídeos: Fernando de Oliveira e Jo Nunes

Jards Macalé e Jorge Mautner – Dois malditos no palco

Alternativos, cômicos, talentosos e malditos. Jorge Mautner e Jards Macalé são conhecidos por vários destes adjetivos, colhidos durante décadas de carreira. Durante dois dias (30 e 31 de abril) a dupla se reuniu no palco do Rival Petrobras para um show bem-humorado e bastante relaxado.

Para que os menos habituados ao estilo de Macalé não se enganem, vale dizer que ele estudou piano e orquestração com Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno e análise musical com Ester Scliar. O cara não é fraco e usa todo o seu conhecimento harmônico para criar um estilo debochado e único.

Já Mautner, com seu violino e voz grave, é um navegador pelos vários ritmos brasileiros, tendo parcerias com nomes como Caetano Veloso e o próprio Macalé. Contador de causos, foi o responsável pela maior parte das histórias contadas no show.

Ah, o show. O formato é simples – uma música com os dois no palco, um set com Mautner, outro com Macalé e o final com a dupla novamente reunida – e efetivo. Na primeira noite, ainda foi possível detectar alguns erros e esquecimentos em letras e melodias, o que acabou dando um tom ainda mais descontraído ao encontro. Afinal, se tudo fosse certinho, não estaríamos diante de dois malditos.

Tivemos Noel Rosa, Chiquinha Gonzaga e clássicos da carreira dos dois músicos. Faltou uma do Kid Morengueira (Moreira da Silva), parceiro de Jards desde os anos 70. Aliás, Macalé ainda roda o Brasil com um show só com o repertório de Moreira, mas não tocou nenhuma na noite de quarta (30/03).

Entre risos, coros e silêncios respeitosos, o público – onde muita gente estranha, com ar de estudantes de cinema – saiu satisfeito com o que viu e ouviu. Nada de grandes produções, nada que vá render um DVD (merecia), mas um espetáculo de muito boa música.

 

Boca Livre – 21/01/2011 – Teatro Rival

Quase um ano após a última apresentação do grupo no Teatro Rival, no Centro do Rio, o Boca Livre voltou ao palco para apresentar uma versão híbrida do show que prepara com canções do compositor panamenho Ruben Blades, que já recebeu seis prêmios Grammy..

O show, ainda com uma estrutura muito semelhante ao que gerou o CD e DVD ao vivo do grupo, continua desfilando em seu setlist grandes sucessos do grupo e versões para algumas canções bastante conhecidas do público, agora também com um pequeno espaço solo para que cada um dos integrantes possa apresentar uma de suas composições. Destaque para Maurício maestro e sua versão de Mistérios.

A surpresa da noite foi a versão de I Need You – dos Beatles -, dedicada a Lizzie Bravo, amiga do grupo, minha amiga e que ostenta a honra de ter sido a única brasileira a gravar com os Fab Four.

O Boca Livre é daqueles grupo que, não importa o momento ou o trabalho que estejam desenvolvendo, garantem a produção de música de qualidade.

Vida longa ao grupo.

Martinho da Vila – Palco MPB – 11/10/10

Martinho da Vila é mesmo um mestre. Ainda comemorando seus 70 anos, o sambista lança um disco em homenagem a outros dois ícones do samba: Adoniran Barbosa e Noel Rosa.

Depois do lançamento de O Pequeno Burguês e de um documentário sobre sua vida, o eterno símbolo de Vila Isabel subiu ao palco do Teatro Rival, no Centro do Rio, para gravar mais uma edição do programa Palco MPB.

Com toda a simpatia que já é característica, Martinho desfilou convidados (alguns dispensáveis) e composições que fazem parte das suas preferidas da obra dos dois compositores. Também cantou alguns de seus sucessos, em quantidade bem homeopática.

Infelizmente Martinho terminou o show com pouco mais de 1 hora de iniciado. O público não reclamaria de mais umas 2 ou 3 horinhas.

Leia a entrevista que fiz com ele na época do lançamento de O Pequeno Burguês.

Fotos: Jo Nunes

Celso Blues Boy – Teatro Rival – 24 e 25/3/10

Continuando as comemorações pelos 76 anos do Teatro Rival, Celso Blues Boy – o maior e um dos menos aproveitados guitarristas de blues do Brasil – subiu ao palco com uma série de amigos para apresentar dois shows baseados no CD/DVD Quem Foi Que Falou Que Acabou o Rock’N’Roll?

Os cabelos já podem estar escassos, a cerveja pode ser sem álcool, mas Blues Boy continua mandando muito bem. Com pequenas surpresas no repertório, que incluiu uma versão de Indiana, canção que gravou com B. B. King, e que quase nunca toca ao vivo, ele desfilou convidados e sucessos, acompanhados por um público que reverenciava o mestre a cada nota.

Tico Santa Cruz (Detonautas), Roberto Liy (Produtor e ex-baixista do Erva Doce), Jefferson Gonçalves (Gaita), Big Joe Manfra (Blues Man) e Leoni, também foram até o Rival para participar dos shows.

Na primeira noite, que contou com a presença (por algumas músicas) do presidente e eterno ídolo do Vasco, Roberto Dinamite, Celso entrou vestindo uma camisa do goleiro Fernando Pras, presente do presidente, e pareceu mais motivado e com muito mais técnica do que o atual time cruzmaltino. Um coro vascaíno surgiu no teatro, talvez para celebrar o músico, o ex-atleta ou apenas para sair da mesmice popular dos sem imaginação.

Os convidados, diferentemente do que acontece na maioria das vezes, funcionaram muito bem. Jefferson levou sua gaita para Dama da Noite e Expresso da Noite, Tico dividiu os vocais em Marginal e Expresso da Noite, além, claro da catarse final com Aumenta Que Isso Ai É Rock’N’Roll.

O público pode não ter lotado o Rival nos dois dias (sempre com lotação por volta dos 70%), mas deu uma demonstração de força e fidelidade, que rivalizaram com a fé macumbeira de Rita Ribeiro.

Que Celso volte mais e mais vezes ao Rio. Precisamos de músicos assim.

Nota: 9

Parabéns para o Rival, um show de resistência cultural

Dia 22 de março de 2010 o teatro Rival – hoje Rival Petrobras – completou 76 anos de idade. Palco de alguns dos mais importantes espetáculos musicais e teatrais do país, o Rival, totalmente reformado, ganhou vida nova e abriga shows de ótima qualidade com preços acessíveis.

Quem não conhece, precisa. Afinal, o Rival é mesmo um Show de Resistência Cultural.

PS: No dia do aniversário aconteceu mais uma edição do Palco MPB (programa da rádio MPB FM), com Rita Ribeiro mostrando o seu TecnoMacumba.

Teatro Rival Petrobras
Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia


A Feijoada da Tia Surica

Tia Surica é daquelas figuras simpáticas e que mantém uma certa mística do samba de raiz, da tradição. Mesmo não sendo um especialista em batuques e afins, já havia dado meus pitacos desde o aniversário da Tia, em novembro de 2008. Desde então, vinha me esquivando da famosa feijoada comandada pela sambista, no Teatro Rival. Sabe como é, samba, cachaça e feijoada podem matar :p.

Neste sábado (27), mantendo o astral carnavalesco da cobertura da Sapucaí, resolvi ir lá conferir o feijão e pertences servidos na casa de espetáculos. Cheguei e o grupo DNA do Samba (formado por sobrinhos, filhos e netos de grandes nomes do samba) já estava tocando. Talvez o volume fosse um pouco mais alto do que o desejável para conseguir conversar (afinal, o feijão era a estrela), mas a participação de Tia Surica interpretando alguns clássicos fazia esquecer os decibéis a mais. Incompreensível mesmo foi o volume praticado pelo DJ que animava os intervalos. Era muito mais alto que o do DNA! Esse foi talvez o único senão de todo o evento.

A comida? Bem, poucas vezes provei uma feijoada tão saborosa e, acreditem, light. Nada m excesso, nada faltando. Perfeita!

No fim, ainda houve sorteios e, de maneira anônima, uma foto com a anfitriã da festa e a certeza de que voltarei sempre, sem culpa ou vontade de pensar na balança.

Tia Surica, um beijo!

Boca Livre – Teatro Rival – 24/1/10

O  silêncio quase religioso que podia ser notado durante quase todas as canções do show, contrastava com a reação hiper calorosa que a platéia dava até mesmo aos números ainda inéditos, apresentados neste sábado pelo Boca Livre.

O grupo, que ainda apresenta um espetáculo baseado no lançamento do seu DVD, aprimorou a apresentação e conseguiu lotar por dois dias o Teatro Rival – o que não é fácil, principalmente em um sábado, quando poucos se animam a ir até o Centro da cidade. Lourenço Baeta, David Tygel, Maurício Maestro e Zé Renato, estão mais entrosados que nunca e cantando harmonias renovadas sobre melodias que já são conhecidas há décadas.

A duração dos aplausos durante canções como Toada, Feito Mistério e Bicicleta, mais os incessantes pedidos por Diana e Ponta de Areia, devem deixar a certeza de que o grupo precisa manter uma carreira constante, mesmo com os projetos individuais dos seus componentes.

O Boca Livre fez mais uma apresentação onde faltou tempo. O público queria mais e só saiu porque o grupo realmente tem um roteiro. Caso contrário, talvez ainda estivéssemos lá ouvindo a bela música que vem daqueles quatro afinados homens.

Nota: 10

Gravação do DVD Eduardo Dussek – Dussek de Quinta (19/11/09)

Eduardo Dussek é daqueles artistas que estão sempre na ativa, embora nem sempre com o destaque que merecem. O cantor, compositor, dançarino, ator e comediante, finalmente decidiu levar o seu show do Plataforma (famoso bar/casa de espetáculos da Zona Sul do Rio de Janeiro) para outros palcos.

Depois de shows solo, nos quais transferia a estrutura de Dussek de Quinta para o formato piano e um banquinho, o cantor decidiu fazer uma temporada no Teatro Rival e gravar (finalmente) o espetáculo para o futuro lançamento de um DVD.

O espetáculo do último dia 19 de novembro foi a constatação de que Dussek faz sucesso com jovens, artistas famosos dos anos 80 e, principalmente, com os que já estão na terceira idade.

Apesar de algumas caras de espanto com alguns palavrões ou piadas mais…digamos…picantes…a verdade é que a platéia se diverte com o desempenho de Dussek.

Com as tradicionais brincadeiras com a platéia e um roteiro que inclui sucessos como Rock da Cachorra (em versão bossa nova), Cantando no Banheiro, Nostradamus e Cabelos Negros, Eduardo Dussek passeia por piadas bem amarradas (embora alguma já ficando um pouco datadas).

Com um CD novo na praça (Esse Tal de Dussek), fica a esperança de que esse DVD solo (em todos os sentidos) consiga ver a luz do dia em breve.

Ivan Lins e Claudio Lins: 1+1 (13/8/09)

Atualizado em 24/8/09

Ivan e Claudio Lins 2 - SHOW - Foto Giselle CostaMomentos antes de sair para a estréia do espetáculo 1+1, de Ivan e Claudio Lins no Teatro Rival, um amigo escreveu que devíamos fugir deles. Pura maldade musical de um roqueiro.

Ian Lins é um dos músicos e compositores mais talentosos do Brasil e dono de uma obra reverenciada por artistas que vão do jazz ao pop, passando pelo clássico, em todas as partes do mundo. Suas canções tem uma assinatura única, que mistura harmonias complexas com letras e quebras rítmicas extremamente singulares. Já Claudio Lins segue, no seu segundo e bom CD, Cara, mostra um poder vocal maior que o do pai e composições que, apesar de pessoais, não negam o DNA da familia.

O espetáculo, que segue um roteiro muito mais normal em shows estrangeiros, onde a direção dita os diálogos e torna tudo menos natural (o que pode ser mudado ao longo da temporada de seis apresentações) parece um aprimoramento do que Ivan havia feito no mesmo Teatro Rival, em 15 de junho, acompanhado pela mesma banda – Téo Lima (bateria), Nema Antunes (baixo), Leonardo Amuedo (guitarra), Marco Brito (teclados) e Marcelo Martins (sax e flauta) – e apresentando um repertório baseado no CD Ivan Lins & The Metropole Orchestra (Biscoito Fino).

A reunião de pai e filho (pela primeira vez) é extremamente prazerosa. As canções de Ivan ganham novos arranjos que dão frescor a sucessos bastante conhecidos,  enquanto Claudio mostra talento e domínio de palco nos momentos solo e dá um tom mais carinhoso quando canta em pé ao lado do pai.

Mesmo com a bela história de como Vitoriosa foi composta (com a ajuda de Claudio) sendo uma repetição quase fiel do texto contado em junho e alguns momentos onde pede a participação do público parecerem inoportunos, é mesmo Ivan quem emociona mais o público com Lembra de mim, A Gente Merece Ser Feliz, Madalena e Ai, ai, ai, ai, ai, ai – uma das melhores do espetáculo.

A maldição da mudança de mesa

Neste momento uma pausa na crítica do show para uma história não muito feliz. Depois de três anos de freqüência quase semanal no Rival, quase sempre na mesma mesa (que quase já tem meu nome escrito nela, fiquei surpreso ao ver que estava na mesa ao lado da tradicional. Logo ao pegar meu convite também fui surpreendido com uma mulher falando alto e carregando um violão, algo pouco recomendado para um lugar onde as mesas são tão próximas, o espaço não muito grande e não há guarda volumes. Claro que ela e seu acompanhante ficaram na mesma mesa que eu, mas isso era só o começo. O seu companheiro, que logo questionou se a mesa não seria apenas para eles (detalhe: entraram depois de mim) se mostrou logo uma mala-sem-alça e um poço de falta de educação e simancol.

Começa o espetáculo e logo na primeira canção começa uma conversa em voz alta que iria atrapalhar todos os momentos onde os arranjos mais jazzísticos ficariam prejudicados pelo bate papo do casal mala. Só não entendo o porquê do silencio nos intervalos entre as canções. O homem parecia querer despejar um suposto conhecimento musical que só podia ser no intuito de impressionar sua acompanhante, que cismava em cantar todos os refrões, para mostrar seus dotes vocais. Alias, era deprimente a cara de desespero dele em não ter com quem falar durante todas as três vezes que ela levantou para ir ao banheiro (inconveniente tem que aproveitar todas as oportunidades, né?).

Gente, vão procurar um quarto ou alugar um DVD onde podem falar alto, comentar, vomitar conhecimento sem atrapalhar ninguém. Que inveja da educação da mesa onde estava Mauro Ferreira.

O show vai continuar

Ivan e Claudio continuam suas apresentações nos dias 20, 21 e 22 (quinta, sexta e sábado) e De Daquilo que eu sei, que inicia o espetáculo ate Madalena (numero de encerramento) a dupla consegue alegrar corações e elevar espíritos com sua boa musica. Com pequenos ajustes e um maior entrosamento nos momentos dirigidos, 1+1 tem tudo para se tornar um dos grandes momentos do ano.

Eu vou precisar ir novamente ao Rival para ouvir com calma as nuances dos arranjos.

Segunda chance

Estava certo. A segunda ida ao Rival foi bem mais prazerosa. O show estava mais acertado, o silência ajudou e até uma pequena mudança na lista de canções foram decisivos para pode dizer: Quando puder, não perca a chance de ver Ivan e Claudio.

Alguns diálogos foram cortados, deixando apenas uns poucos momentos instrumentais como gordura a ser cortada.

Sai de alma lavada.

Quem foi que falou que acabou o rock’n’roll?

* Celso Blues Boy ao vivo no Teatro Rival – 24/04/09

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PQPQ..é o maior guitarrista do Brasil’! O grito entoado pelo público que esteve no primeiro dos dois shows de Celso Blues Boy no Teatro Rival, no Centro do Rio, deixa clara a forma do músico. O guitarrista, que já tocou e gravou com artistas do primeiro time do blues mundial, como B.B.King, fez mais um par de shows para lançar o CD/DVD Quem foi que falou que acabou o rock’n’roll?, gravado ao vivo no Circo Voador, em 2007, em uma noite chuvosa e sem que o público fosse avisado previamente.

Lembre como foi a gravação

celsobb1Além de uma apresentação que teve uma energia tão grande quanto o registro do CD/DVD – que estavam sendo vendidos por um precinho camarada e são sempre presentes de bom gosto – Celso aproveitou para mostrar que o Rival (casa acostumada com samba e MPB) também é um ótimo palco para as lamentações e amores perdidos do blues, como a alegria do bom e velho rock’n’roll.

A guitarra afiada, as baforadas no cigarro e as várias latinhas de cerveja consumidas durante a apresentação são a mistura perfeita para a apresentação de um dos mais brilhantes músicos nacionais e que, estranhamente, é pouco utilizado como músico de estúdio por outros cantores (a) e grupos. Faltam solos na música brasileira.

Vale citar a excelente participação do gaitista Jefferson Gonçalves.

O deuses do blues ficaram felizes.

Nota: 9,5

* Texto originalmente publicado no Mistura Interativa

Maratona Cultural 2009

Neste post colocarei todos os shows, peças, etc que assisti em 2009.

Babem!!!

Janeiro: A Troca (cinema), Elza Soares (Teatro Rival), Beatles Num Céu de Diamantes (Oi Noites Cariocas), Tom e Vinícius – O Musical (teatro), Austrália (cinema), Segredos do Amor (cinema),  James Blunt, Elton John (Praça da Apoteose- 19/1), Martinho da Vila (Vivo Rio – 22/1),

Fevereiro:  Cabine do filme Operação Valquíria e coletiva de Tom Cruise (Copacabana Palace – 3/2), Alanis Morrisette (4/2 – HSBC Arena), Cabine do filme Milk (9/2), Léo Jaime (Canecão 10/2)

Feliz aniversário, Tia Surica!

tia_zurica_1Confirmando a fase eclética, estive ontem (terça 18/11) na festa de aniversário da Tia Surica, no Teatro Rival (Centro do Rio). Boa música, clima de churrasco em família e uma platéia animada deram o tom da noite. Para mim a grande presença da noite (tirando a aniversariante, claro) foi a de Monarco, que ainda se recupera de uma doença rara nas pernas e mesmo assim desfilou alguns de seus clássicos.

Leia a crítica completa no Mistura Interativa.

monarcoVai Vadiar (Alcino Corrêa e Monarco)

Eu quis te dar um grande amor
Mas você não se acostumou à vida de um lar
O que você quer é vadiar
Vai vadiar

Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar

Eu quis te dar um grande amor
Mas você não se acostumou à vida de um lar
O que você quer é vadiar
Vai vadiar

Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar

Agora não precisa se preocupar
Se passares da hora, eu não vou mais te buscar
Não vou mais pedir, nem tampouco implorar
Você tem a mania de ir pra orgia só quer vadiar
Você vai pra folia, se entrar numa fria não vem me culpar
Vai vadiar

Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar

Quem gosta da orgia, da noite pro dia não pode mudar
Vive outra fantasia, não vai se acostumar
Eu errei quando tentei lhe dar um lar
Você gosta de sereno e meu mundo é pequeno pra lhe segurar
Vai procurar alegria e fazer moradia na luz do luar
Vai vadiar

Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar
Vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar, vai vadiar

Jards Macalé, Adriana Calcanhotto e Wally Salomão

Mais um dos shows diferentes que fui assistir e gostei muito. Wally Salomão era um poeta pouco convencional, Jards Macalé é uma figura ímpar na música brasileira e Adriana Calcanhotto é o toque de doçura que os dois precisam.

Leia a crítica.

Abaixo algumas fotos do espetáulo Olho de Lince, no Teatro Rival.