Avenida Q: um lugar bom de morar

04/04/2009 0 Por Fernando de Oliveira

avenida-q-1Se o início da minha temporada teatral não foi boa (leia a crítica de Hamlet), a virada veio em grande estilo, com Avenida Q, mais um musical da Broadway trazida pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, responsáveis, entre outras, por Beatles Num Céu de Diamantes e Sassaricando, 7 – o musical e A Noviça Rebelde, entre outras.

O Rio ainda está longe de ser a Broadway, mas é muito bom ver que os musicais caíram o gosto do público e que produções tão boas quanto as americanas estão sendo montadas e encenadas no país. Os Produtores, de Mel Brooks, que teve momentos até mesmo melhores dos que os encenados na terra do Tio Sam, impressionou pela produção, assim como A Noviça Rebelde. Já 7 e Avenida Q seguiram por caminhos totalmente diferentes e igualmente prazerosos.

avenida-q-2A grande sacada do musical – divertido e politicamente incorreto – é a utilização de bonecos comandados pelos atores. Tudo em cena com uma graça, timing e humor que realmente cativam. Pode parecer coisa de criança ou lembrar um pouco a idéia das marionetes de seriados como Thumderbirds, mas, seja lá por qual razão, a coisa funciona.

A história gira em  de Princeton, um jovem recém formado, que se muda para Nova York carregando apenas seus sonhos e um pequeno punhado de dólares, indo acabar morando na Avenida Q, onde monstros e humanos se misturam em um emaranhado de ficção e realidade caricata.  Há também o gay enrustido, o comediante fracassado, a oriental nazista, o monstro tarado, os ursinhos do mal e a monstrinha romântica (mas bem safadinha na hora do sexo), etc.

As canções são ótimas, divertidas, leves e totalmente desligadas dos padrões morais que engessam a maioria das manifestações culturais de hoje. Os seus dois atos e aproximadamente 2 horas de duração passam muito rápido. Nada de bocejos na platéia.
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A vinda dos responsáveis pela montagem americana para conferir como seria o espetáculo no Brasil parece ter surtido um efeito positivo, atiçando ainda mais a criatividade da dupla de diretores, que conseguiu criar citações relacionadas ao universo brasileiro que caíram como uma luva na proposta cômica da peça.

Quem puder, não deixe de ir ao Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea). Sorrisos, risadas e um espírito mais leve estão garantidos.

Veja A Merda que Eu Estou