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Abril entra em recuperação judicial

Dívidas do Grupo Abril chegam a R$ 1,6 bilhão e empresa teve prejuízo de R$ 331 milhões em 2017

Não sei se é o fim de um ciclo, mas a coisa está feia no Brasil. Pena que nossas empresas não sigam o exemplo do New York Times, sobre o qual escrevi aqui.

Reproduzo a matéria do Meio & Mensagem sobre o Grupo Abril.

O Grupo Abril entrou nesta quarta-feira, 15, com pedido de recuperação judicial em São Paulo. O protocolo se refere a todas as empresas, incluindo Abril Comunicações, Dipar Participações e Total Express. O escritório Mange Advogados acompanha o processo, que prevê 180 dias para a companhia não ser executada enquanto a dívida é renegociada com credores.

Segundo comunicado enviado à imprensa, o pedido de recuperação “se deve à necessidade do grupo em buscar proteção judicial para a repactuação de seu passivo junto a bancos e fornecedores e, dessa forma, garantir sua continuidade operacional”. O comunicado ocorre uma semana depois da ampla reestruturação que encerrou várias marcas. Além da dívida de R$ 1,6 bilhão, a empresa teve prejuízo de R$ 331 milhões em 2017. Descontados os títulos descontinuados, o grupo tem hoje cerca de 4,6 milhões de exemplares de 11 marcas diferentes em circulação mensal, print e digital, segundo o Instituto Verificador de Comunicação (IVC), o que ainda faz da empresa a líder entre publishers de revistas.
O foco principal da editora é, atualmente, as marcas Veja, Exame e Claudia. Entre as revistas encerradas, estão Elle, Cosmopolitan e Veja RIO. Segundo o Portal dos Jornalistas, o grupo procura negociar marcas como VIP, Placar, Viagem e Turismo e Guia do Estudante.

A consultoria Alvarez & Marsal foi contratada para o processo de reestruturação e um dos diretores, Marcos Haaland, foi nomeado presidente do grupo para conduzir os trabalhos internamente. Em entrevista à Exame, o executivo disse que foram demitidas 800 pessoas no processo iniciado semana passada, entre elas a publisher Alecsandra Zapparoli, e o grupo mantém cerca de 3 mil funcionários.

Sobre o futuro da companhia, Haaland disse que não pode “julgar o passado, até porque eu não estava aqui. Mas há uma mudança tecnológica que está afetando o setor como um todo, que trouxe uma crise e uma necessidade de pensar como é produzido e distribuído um conteúdo de qualidade”. Contextualizou como um problema global e estrutural do setor de comunicação, que deve levar em conta o avanço tecnológico. “Alguns que começaram mais cedo a se mover já estão mais adaptados, caso do jornal americano The New York Times. A Abril está buscando essa adequação e um novo modelo para se revigorar. Vamos sair da recuperação judicial, quanto antes, com a empresa novamente saneada e em condições de ter um longo futuro digital”, afirmou Haaland.

Veja abaixo uma cronologia com os principais fatos do grupo nos últimos anos.

Fonte: Meio & Mensagem

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As lições de sobrevivência do New York Times

Ao contrário das empresas brasileiras, que preferem apostar no downsizing ao invés de investir em novas práticas, o New York Times mostra que é possível ganhar dinheiro na era digital

Enquanto empresas como o Grupo Abril, Esporte Interativo e Editora Três monopolizaram o noticiário com demissões e corte de títulos, o New York Times anunciou que o jornal deve chegar aos 4 milhões de assinantes. Hoje, são 3,8 milhões de assinantes e 2,8 milhões deles vêm da versão digital.

Erros e acertos

Não é de hoje que o NYT olha com muita atenção para o seu conteúdo digital. O jornal, nos longínquos anos 2000, foi um dos primeiros a tentar fechar seu conteúdo para o público não pagante.

A iniciativa foi um tremendo fracasso e fez com que a publicação voltasse atrás e demorasse muitos anos para retomar a ideia.

Hoje, a estratégia para atrair assinantes é bastante agressiva e parece estar funcionando. Você mesmo já deve ter recebido um e-mail, tweet ou visto um anúncio no Facebook oferecendo uma semana de assinatura digital do New York Times por apenas US$ 1.

O resultado? A receita total da empresa no trimestre teve uma alta de 2% — o que não é pouco — chegando aos US$ 415 milhões e com um lucro de US$ 24 milhões. Números para dar inveja a qualquer empresa tupiniquim.

O Brasil e os geniais gurus digitais

No mesmo início dos anos 2000 as empresas brasileiras também começaram a ter a noção de que o meio digital seria importante para compensar eventuais (e inevitáveis) perdas de receitas do meio impresso.

Infelizmente, ao invés de apostar nos profissionais que já trabalhavam no jornalismo online e deixá-los montar equipes com pessoas que realmente pudessem pensar em meios de seduzir anunciantes e conseguir receitas sustentáveis, preferiram acreditar em gurus digitais.

Gurus digitais são aquelas pessoas que sabem se vender como tendo ideias geniais, muitas vezes tiradas de livros estrangeiros escritos por outros gurus digitais.

Depois, essas pessoas ficam cagando regras sobre assuntos que não dominam (como já vi acontecer com a Internet 2.0).

Há casos de gênios da lâmpada que foram contratados para descobrir uma maneira de cobrar pelo conteúdo de determinado veículo e que ficaram cinco anos tentando encontrar uma solução que só foi implementada — copiada de outros lugares — mais de um ano após a sua saída da empresa que o contratou por um ótimo salário. São pessoas inteligentes, admito.

Analógico x Digital

Pode parecer ilógico, mas um veículo predominantemente analógico pode ser também muito bem-sucedido nas suas versões digitais. Esse é o grande enigma para os administradores brasileiros.

O NYT é um desses casos, valorizando produtos que agregam valor a sua marca. Nem é preciso ser algo inovador (podcasts, por exemplo), precisa apenas ser bem feito e bem trabalhado pelo seu departamento comercial, normalmente povoado por mentes defasadas e preguiçosas.

Novatos x Experientes

Nunca antes na história desse país a expressão “jovem não é sinônimo de novidade” foi tão verdadeira.

As redações, diretorias e departamentos comerciais são ambientes totalmente distintos e que demandam perfis diferentes.

Enquanto nos departamentos comerciais os jovens deveriam tomar o lugar de muitos profissionais mais veteranos e que preferem a comodidade das práticas tradicionais, no resto do processo a coisa não é nada assim.

Nas redações e, principalmente, nas diretorias e no planejamento, o que deveria importar é a visão moderna e a experiência para detectar a realidade do veículo e não repetir erros cometidos por concorrentes.

Jovens são importantes, mas estão longe de serem a solução para a maioria dos problemas que entravam o crescimento das receitas e o bom uso da marca e dos produtos produzidos. Redes sociais não são terreno compreendido apenas por quem tem menos de 30 anos.

É preciso ter coragem para deixar de lado modelos antigos e saber o que realmente é novo.

Posições claras e fake news

Outra falácia repetida e incentivada no jornalismo brasileiro é a de que os veículos de comunicação precisam ser isentos. O New York Times, assim como seus pares norte-americanos, tem posições claras sobre uma série de questões importantes, incluindo política, aborto e dão apoio aberto a determinadas correntes de pensamento.

Esses posicionamentos, ao contrário do que pensam nossos executivos, não afastam leitores ou anunciantes.

O que acaba acontecendo é que as pessoas sabem com clareza o que estão lendo e, principalmente, confiam na credibilidade das informações e nem tanto nas conclusões tiradas delas. Confiam tanto, que pagam por elas.

Em tempos de fake news e fake governantes/postulantes é muito importante saber que as informações são bem apuradas.

Esse pequeno detalhe faz com que anunciantes que não concordam com as tendências do veículo de comunicação saibam que é lá que podem ganhar um público novo.

Realidade brasileira

No Brasil, desde o início dos tempos da internet discada, há uma cultura do grátis. Essa cultura fez com que empresas gigantes como a AOL afundassem retumbantemente por aqui.

Essa mesma linha de pensamento foi estimulada pelas empresas produtoras de conteúdo, que agora sofrem para conseguir mudar essa lógica, sobreviver e lucrar.

Como o Estado Brasileiro e os governos (estaduais e municipais) são alguns dos principais players do mercado publicitário nacional, muitos dirigentes de veículos de comunicação ficam com receito de se pronunciarem apoiando fulano, beltrano ou algum partido político e perderem verbas (já escassas).

A preocupação é legítima, mas parece vir acompanhada de uma falta de visão e coragem, necessárias para sobreviver nesses novos tempos.

Ideologias são sempre boas — mesmo quando você não concorda com elas — e nem sempre é preciso compartilhá-las para trabalhar com elas, coisa que os jovens nem sempre conseguem enxergar.

Também há o desafio para manter a qualidade em todas as plataformas nas quais o veículo de comunicação fincar a sua marca, o que nem sempre os mais velhos conseguem realizar.

Que o exemplo do NYT seja desfraldado por todo território brasileiro.

Outros posts sobre jornalismo

Esporte Interativo acaba e demite jornalistas

Canais, donos dos direitos de transmissão dos jogos da Liga dos Campeões da Europa, deixam de existir e dispensam mais de 100 pessoas


Pelo jeito agosto não está mesmo sendo um bom mês para o jornalismo. Depois do fechamento da sucursal carioca da IstoÉ e do fim de 11 títulos da Editora Abril e de centenas de demissões, a bola da vez é o fim dos canais EI (Esporte Interativo), anunciado nesta quinta-feira (9 de agosto).

Telespectadores frustrados

Detentora dos direitos de transmissão dos jogos da Liga dos Campeões da Europa e alvo de uma comoção não tão distante entre os clientes de algumas operadoras de TV a cabo para a sua inclusão na grade de programação, o fim do Esporte Interativo frustra os telespectadores que acreditaram no projeto.

Jornalistas demitidos

Apesar da promessa da Turner – controladora dos canais – de manter a marca nas redes sociais, o resultado prático do encerramento das atividades dos canais do Esporte Interativo é a demissão de mais de 100 pessoas, muitas delas jornalistas, que vão se juntar aos já dispensados pela Abril e pela Editora Três.

Programas como Jogando em Casa, Mais 90, Melhor Futebol do Mundo e Dois Toques, deixaram de ser produzidos, fazendo com que a programação – que será exibida até setembro – seja um looping do programa No Ar.

Champions League e Brasileirão

Os jogos da Liga dos Campeões da Europa (pelos próximos três anos) e do Campeonato brasileiro (até 2024) serão distribuídos pela programação dos canais TNT e Space, que fazem parte do mesmo grupo.

Talvez o projeto tenha sido ambicioso demais, mas tenho certeza de que uma reengenharia menos radical poderia mudar o rumo da marca EI.

Voltar a transmitir os jogos em canais sem nenhuma identidade com Esporte não parece interessante ou inteligente.

Animados com o futuro?

A nota oficial enviada aos funcionários chega a ser surreal. Não fala em demissões e, em determinado trecho, se diz animados com o futuro. Mais um caso de jornalismo indo pela privada.

A nota oficial

Nós do Esporte Interativo/Turner, agora uma afiliada AT&T, anunciamos hoje que estamos migrando a nossa programação de TV com o futebol nacional e internacional para as marcas TNT e Space. A Turner continua comprometida com a Liga dos Campeões da UEFA pelas próximas três temporadas, iniciando as transmissões a partir deste mês. Além disso, a partir do ano que vem, começaremos a transmitir a série A do Campeonato Brasileiro até 2024.

Os canais do Esporte Interativo na TV serão desativados nos próximos 40 dias e deixaremos de transmitir competições que nos orgulhamos muito durante os últimos anos. Entretanto, as nossas atividades no mundo digital seguem firmes, e continuaremos levando a emoção que o Brasil merece pra vocês através do nosso Facebook, Instagram, Youtube, Twitter, EI Plus e qualquer outra plataforma digital em que os apaixonados por esporte estejam presentes.

Não dá pra negar que estamos tristes com o fim dos canais Esporte Interativo na TV, mas ao mesmo tempo estamos ansiosos e animados com o futuro, em que estaremos todos os dias na TNT e Space, com as mesmas narrações, comentários e brincadeiras que nos acostumamos a ouvir nos últimos 11 anos. E claro, seguiremos juntos, diariamente, com a nossa família de mais de 20 milhões de fãs nas redes sociais. Muito obrigado pelo apoio de sempre.

Contamos com vocês nessa nova caminhada. Tamo junto!

Abril fecha 11 títulos e demite centenas de jornalistas

“Reestruturação operacional” inclui o fechamento de revistas como Boa Forma, Casa Claudia e Veja Rio


Faz poucos dias falei do fechamento da sucursal carioca da revista IstoÉ e de mais uma mudança no comando do Grupo Abril. Ontem (6 de agosto de 2018) os mundos empresarial e jornalístico foram surpreendidos pelo anúncio do fechamento de 11 títulos e da demissão de centenas de colaboradores da Abril.

Veja Rio, Boa Forma, Casa Claudia, Casa Cor, Arquitetura & Construção, Bebê.com.br, Casa.com.br, Cosmopolitan, Elle, Minha Casa e Mundo Estranho são as publicações descontinuadas e, segundo informações não confirmadas pela empresa, um número entre 200 e 500 colaboradores foram demitidos, centenas deles jornalistas.

Falta de visão

Ainda vai demorar um tempo para digerir mais uma decisão que parece privilegiar o caminho mais fácil (cortar e demitir) do que o que me parece certo –  modernizar as práticas dos departamentos comerciais e investir em profissionais especializados em jornalismo online ou em profissionais experientes que tenham o perfil para se adaptar à nova realidade do mercado.

Justificar os cortes e demissões pela “realidade econômica do país e o atual mercado de comunicação” é de uma simplicidade de dar dó. Em nenhum momento se fala em modernização da área comercial ou em mudanças nas linhas editoriais.

Para piorar, há fortes rumores de que as redações restantes ainda vão sofrer parrudos cortes de pessoal.

Lamentável!

A nota oficial da Abril

 


Abril anuncia reformulação

O Grupo Abril comunica que, como parte do seu processo de reestruturação, está reformulando o portfólio de marcas da editora com o objetivo de garantir sua saúde operacional em um ambiente de profundas transformações tecnológicas, cujo impacto vem sendo sentido por todo o setor de mídia.

O processo tornou-se obrigatório dentro das circunstâncias impostas por uma economia e um mercado substancialmente menores do que os que trouxeram a Abril até aqui.

Com isso, a empresa passará a concentrar seus recursos humanos e técnicos em suas marcas líderes: VEJA, VEJA SÃO PAULO, EXAME, QUATRO RODAS, CLAUDIA, SAÚDE, SUPERINTERESSANTE, VIAGEM E TURISMO, VOCÊ S/A, VOCÊ RH, GUIA DO ESTUDANTE, CAPRICHO, MDEMULHER, VIP e PLACAR. Marcas que somam audiência qualificada de 125 milhões de visitantes únicos por mês e 5,2 milhões de circulação nas versões impressa e digital por mês, além de centenas de eventos.

Aos profissionais que atuaram nos títulos que estão sendo descontinuados, nosso agradecimento pela dedicação e pelo profissionalismo.

Em consonância com sua trajetória e relevância na imprensa brasileira, a Abril reafirma o seu compromisso de manter vivo o jornalismo de qualidade. Uma imprensa forte, livre e idônea em seus princípios é essencial para o desenvolvimento do Brasil e o único antídoto contra desinformação e fake news.

Mudanças no comando do Grupo Abril

Dona de alguns dos maiores títulos da imprensa nacional, a Abril também parece estar sofrendo com “os novos tempos”

Recentemente falei do fechamento da sucursal carioca da revista IstoÉ. Agora, falo sobre a troca de comando do Grupo Abril, dona de títulos como Veja, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Superinteressante, entre muitos outros.

Giancarlo Civita – filho de Roberto Civita, presidente do grupo por décadas – deixa o comando da empresa, passando o bastão para Marcos Haaland, sócio da consultoria Alvarez & Marsal.

Muitas mudanças

A mudança não seria nada de excepcional caso o novo chefe tivesses experiência em algum setor que não o agronegócio, alimentos e petróleo. Para piorar, essa é a terceira mudança no comando da empresa apenas este ano – antes de Haaland estiveram no comando Arnaldo Figueiredo Tibyriça, (especialista em assuntos jurídicos), Walter Longo (publicitário) e Giancarlo Civita.

Para arrematar, a Abril mudou de endereço e de assessoria de imprensa, como parte da nova etapa na reestruturação operacional.

Pelo jeito, há uma certa dificuldade em encontrar um rumo para um dos grupos editoriais mais importantes do país.

IstoÉ fecha sucursal no Rio

Publicação fica apenas com a sucursal do Distrito Federal e a sede, em São Paulo

A IstoÉ, que já foi uma das principais revistas semanais do Brasil, anunciou, este mês, o fechamento da sua sucursal no Rio de Janeiro. Apesar dos ótimos profissionais que já passaram pela reportagem da publicação no Rio, faz décadas que ela vinha sofrendo com a linha editorial e a edição das matérias produzidas na Cidade Maravilhosa. A decisão de acabar com a redação carioca é também mais um alerta da decadência do Rio como cidade e estado.

Crise financeira, a vilã de sempre

Como era de se esperar, a justificativa dada pela Editora Três para a decisão é a crise. A empresa vem sofrendo com o cenário econômico e, nos últimos anos, já extinguiu títulos e promoveu uma série de demissões. Claro que a linha editorial jamais é questionada. Afinal, a queda na reputação da IstoÉ só pode ser um complô e não pode estar relacionada com as escolhas feitas pela direção e pela qualidade da edição dos textos publicados.

Não publicar mais títulos como IstoÉ Gente e Status, que sempre tiveram ótima reputação entre os leitores mostra um descompasso entre o comercial, o editorial e a realidade do mercado. O Comunique-se chegou a informar que a mansão da família Alzugaray, dona da Editora Três, poderia ir a leilão para pagar algumas dívidas.

A IstoÉ mantém (em São Paulo) uma redação com 19 jornalistas. Isso não é pouca gente e reforça a queda na importância do Rio na produção de notícias que não sejam policiais.

Uma pena.

Versão brasileira da revista Rolling Stone sai de cena

Depois de 12 anos a versão impressa brasileira deixa as bancas em agosto

Mais uma má notícia para quem gosta de ler e, principalmente, para quem gosta de ler sobre música: a revista Rolling Stone vai deixar de existir na sua versão impressa, embora o Grupo Spring de Comunicação, responsável pelo título, diga que ela vai seguir com a sua versão online.

Enquanto a versão americana segue firme e forte (parece) desde 1967, a revista brasileira, lançada em 2006, chega ao fim de maneira melancólica, mantendo apenas quatro edições especiais por ano, como já acontece atualmente. Estranhamente – segundo dados da própria editora – a versão brasileira é/era a de maior circulação, depois da edição norte-americana.

Ainda não há informações sobre o que vai acontecer com os profissionais que formavam a redação da publicação. Já os assinantes serão contatados para receberem os valores pagos.

Mais uma triste notícia para a combalida imprensa musical do país.

Esse texto também foi publicado na Revista Ambrosia.

O impacto das notícias falsas no conteúdo colaborativo

As fake news – expressão que parece ter sido criada pelo atual presidente dos EUA, mas que nada mais são do que mentiras ou notícias mal apuradas – estão fazendo cada vez mais vítimas. A decisão do HuffPost de suspender as publicações de colaboradores foi uma pancada no modelo de negócio da plataforma de notícias. Agora, os textos serão supervisionados. Esperava que essa decisão fosse temporária, mas, ao que tudo indica, é mesmo permanente.

Mais uma derrota para as redes sociais?

A decisão do HuffPost de suspender as publicações de colaboradores, inicia uma nova fase no combate às notícias falsas. A alegação da empresa, que surgiu tendo a colaboração como premissa, está ancorada, segundo Lydia Polgreen, editora-chefe, na tentativa de barrar o aumento crescente das fake news. A plataforma foi criticada recentemente por estar permitindo a proliferação deste tipo de conteúdo.

Para compensar a suspensão dos colaboradores, será criada uma sessão de opiniões com autores pagos e supervisionada pelos editores. “O HuffPost nasceu na época do auge do boom dos blogs e sua plataforma de colaboração foi criada como um local em que pessoas queriam expor suas opiniões. E foi muito positivo tanto para o próprio HuffPost como para muitos colaboradores. Hoje em dia esse papel foi tomado pelas redes sociais”, diz Vitor Conceição, CEO da plataforma Meio.

Vitor afirma que, se por um lado a plataforma de colaboração já não oferece grandes vantagens para quem quer escrever, por outro, ela se tornou um problema em meio ao aumento das fake news. “Um artigo escrito por um colaborador circula nas redes sociais como se fosse um artigo do próprio HuffPost. Com as mudanças recentes do Facebook de reduzir ainda mais o alcance orgânico de posts, mas manter o alcance de artigos compartilhados por usuários, a empresa ficou sem nenhum controle sobre o tipo de conteúdo que circula pelas redes com a sua marca”, diz Vitor Conceição.

Pedro Burgos, fundador da Impacto.jor, afirma que a decisão do HuffPost é “uma ótima notícia para todos os publishers” e aponta que outros veículos seguirão caminho semelhante. “Imagino que esse experimento de abertura total para ‘colaboração’ da comunidade esteja chegando ao fim para os publishers. Essa ideia de abrir a plataforma para colaboradores diversos fazia sentido em uma outra época, quando ‘volume’ era algo crucial, e a publicidade pagava melhor”’, diz Burgos.

Burgos reforça que, por um certo tempo, muitas empresas de mídia se viram como competidoras das redes sociais na criação de ‘plataformas’. “Iniciativas como “Vc no G1” ou o “iReport” da CNN ainda existem, mas a impressão que eu tenho é que eles estão tendo muito menos destaque, e os colaboradores muito menos liberdade. Empresas de mídia viram que o principal ativo deles em tempos de notícias falsas e boatos circulando a mil é justamente a marca, o carimbo de veracidade, de informação checada”, afirma Burgos.

Humberto Pereira da Silva, professor de filosofia na FAAP, afirma que serão criados cada vez mais mecanismos para combater e minimizar os riscos das fake news. “É legitima e oportuna a iniciativa do HuffPost que caminha na contramão de muitas outras plataformas”, afirma.

Fonte: Meio & Mensagem

Prêmio Petrobras de Jornalismo abre inscrições para sua quinta edição

Esse é um prêmio sério.

Trabalhos jornalísticos concorrerão em 14 categorias, incluindo nova premiação exclusiva para matérias veiculadas em emissoras de rádio

Começaram ontem (2/4) as inscrições para a quinta edição do Prêmio Petrobras de Jornalismo. A premiação elegerá os melhores trabalhos jornalísticos produzidos no país entre 11 de janeiro de 2017 e 10 de fevereiro de 2018. As inscrições já podem ser feitas pelo site www.premiopetrobras.com.br.

Uma novidade nesta edição será a categoria Radiojornalismo, que contemplará a melhor reportagem veiculada em emissora de rádio no período. No total, serão 14 categorias com prêmios individuais entre R$ 10 mil* e R$ 40 mil*, totalizando R$ 265 mil em premiações. Como nas edições anteriores, o Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo será concedido à melhor reportagem entre todas as inscritas. Também será concedido o Prêmio Especial de Inovação para o trabalho que se destacar pela forma inovadora no exercício da prática jornalística, entre todos dos inscritos.

O Grande Prêmio da quarta edição foi entregue à André Borges e equipe, pela reportagem TERRA BRUTA – Pistolagem, devastação e morte no coração do Brasil – Foto de Renan Olivetti

“Nesta quinta edição, esperamos consolidar o Prêmio Petrobras de Jornalismo como o mais importante do gênero no Brasil. Nossa expectativa é de que as reportagens concorrentes mantenham o alto nível de qualidade. O trabalho desenvolvido pela imprensa, tão fundamental para nossa sociedade, merece esse reconhecimento”, afirma o gerente executivo de Comunicação e Marcas da Petrobras, Bruno Guimarães Motta.

Os trabalhos serão avaliados em duas etapas. Na primeira, uma Comissão de Pré-seleção, composta por jornalistas com experiência comprovada, selecionará 10 reportagens de cada categoria e tema. Na segunda etapa, os trabalhos finalistas serão avaliados pela Comissão Julgadora, composta por profissionais com vasta experiência jornalística. Os finalistas de cada categoria e os vencedores serão conhecidos na cerimônia de entrega dos troféus em novembro de 2018. No ano passado, o Prêmio Petrobras de Jornalismo recebeu 1.782 inscrições, recorde entre todas as edições realizadas.

PRÊMIOS:

GRANDE PRÊMIO PETROBRAS DE JORNALISMO: para a melhor reportagem, entre todas as inscritas – R$ 40 mil*.

CATEGORIA ESPECIAL – INOVAÇÃO: para o trabalho que se destacar pelo ineditismo de formato, pela técnica empregada, pela abordagem, pelo meio ou pela linguagem. Todas as matérias inscritas concorrem nesta categoria – R$ 25 mil*.

ECONOMIA: reportagens de jornal/revista e portais de notícias da internet que falem sobre a conjuntura econômica do Brasil – R$ 20 mil*.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA: reportagens de jornal/revista e portais de notícias da internet que falem sobre ciência, tecnologia e inovação – R$ 20 mil*.

SUSTENTABILIDADE: reportagens de jornal/revista e portais de notícias da internet que falem sobre meio ambiente e temas sociais – R$ 20 mil*.

CULTURA: reportagens de jornal/revista e portais de notícias da internet que abordem manifestações culturais e artísticas do país – R$ 20 mil*.

ESPORTE: reportagens de jornal/revista e portais de notícias da internet que falem sobre atividades esportivas profissionais ou amadoras, individuais ou coletivas – R$ 20 mil*.

TELEJORNALISMO: reportagens de emissoras de televisão sobre qualquer um dos temas acima relacionados – R$ 20 mil*.

RADIOJORNALISMO: reportagens de emissoras de rádio sobre qualquer um dos temas relacionados acima – R$ 20 mil*.

FOTOJORNALISMO: coberturas fotográficas sobre qualquer um dos temas acima relacionados que, sozinhas ou como parte integrante das reportagens, foram capazes de transmitir o impacto de cenas do dia a dia ou de acontecimentos marcantes, cumprindo o papel disseminador da informação – R$ 20 mil*.

REGIONAL NORTE/ CENTRO-OESTE: matérias de veículos com sede em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins, e Distrito Federal – R$ 10 mil*.

REGIONAL NORDESTE: matérias de veículos com sede na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão – R$ 10 mil*.

REGIONAL RJ-MG-ES: matérias de veículos com sede no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo – R$ 10 mil*.

REGIONAL SP-SUL: matérias de veículos com sede em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – R$ 10 mil*.

*Valor bruto

Fonte: Petrobras

Esses Ingleses Maravilhosos e suas Pesquisas Voadoras XXIII – Pessoas confiam mais nos jornais locais que nas redes sociais

Esta é, provavelmente, a pesquisa menos bizarra de toda a série. Porém, ela permite um número tão grande de reflexões que acho que ela se qualifica para fazer parte do rol das pesquisas voadoras.

A pesquisa, patrocinada pela News Media Association (NMA), mostrou que os ingleses confiam mais nos veículos locais (rádios e jornais, principalmente) do que nos grandes veículos nacionais e nas redes sociais. Os números mostram que 74% das pessoas confiam nos pequenos veículos locais, contra apenas 22% que disseram acreditar no que leem nas redes sociais, um território onde qualquer um escreve qualquer coisa sem o mínimo de apuração. A vantagem dos veículos de comunicação regionais também é grande quando comparado com os grandes jornais. O mais incrível é que os jornais alcançaram uma credibilidade maior que as TVs e rádios regionais (73% contra 43%).

A saída do jornalismo está nos veículos locais?

Claro que há grandes diferenças entre a mídia inglesa e brasileira. Entretanto, parece lógico que jornais locais acabem tendo a preferência das pessoas quando o assunto são notícias locais (com o perdão pela repetição). Infelizmente, no Brasil, os jornais (principalmente os menores) sofrem com uma visão distorcida do que deve ou não ser noticiado.

Muitas vezes um assunto é varrido para baixo do tapete por conta de amizades ou preferências polícias ou religiosas. Isso acaba se tornando uma bola de neve contraproducente, que vai minando a credibilidade do veículo, fazendo com que cada vez menos as notícias sejam recebidas da maneira correta.

A grande força dos veículos locais vem da proximidade. Os repórteres, editores e diretores são, na enorme maioria das vezes, pessoas que nasceram ou moram nas redondezas e que conhecem as pessoas, a cidade, a região e seus problemas. Impedir que determinada crítica seja publicada ou que determinado assunto seja impresso é de uma estupidez que me dá vergonha. Sempre há uma maneira positiva de se noticiar algo, mesmo que isso exija um pouco mais de trabalho.

Todo jornalista sabe que números, para citar um exemplo, podem dizer coisas totalmente diferentes, dependendo do viés que se pretenda dar ao assunto. O mesmo acontece com uma denúncia contra uma empresa, um segmento ou uma administração municipal. O jornalismo pressupõe que se ouçam todos os lados de uma questão, mas não impede que se tenham posições e uma linha editorial definida. O problema é que muitos jornais não possuem esse direcionamento definido.

A constante suposta crise do mercado jornalístico serve como justificativa para a diminuição das redações e a contratação de profissionais cada vez menos experientes e competentes. Enquanto na Inglaterra a confiança nos jornalistas subiu de 19% para 32%, nos últimos 6 anos, o mesmo não deve acontecer por aqui – não só pela qualidade dos profissionais, mas também pelo crescente clima de Fla-Flu que permeia quase todas as discussões sobre matérias que falem sobre temas que podem melindrar pessoas que não estão prontas para discutir, ouvir ou ler argumentos que não se encaixem na sua visão das coisas (política e futebol, por exemplo).

É bom saber que a imprensa inglesa está longe de ser um primor, mas tenho certeza de que lá tudo é feito muito mais as claras que em terras tupiniquins.

Fonte: PressGazette

Veja outras pesquisas inglesas

Outros posts sobre jornalismo

Revistas crescem em digital

O mercado editorial continua a sua famigerada crise, apesar dos números das publicações digitais só subirem. Parece que a maioria das empresas ainda não descobriu a maneira certa de conseguir extrair verbas desse mercado (eu também quero saber essa fórmula), o que demonstra que o problema está mesmo dentro dos departamentos comerciais e de distribuição do que dentro das redações.

O levantamento também é interessante por mostrar que os maiores crescimentos no digital são de publicações que, dizem, têm forte hum… rejeição: Veja e Época, por exemplo, reforçando a impressão de que os brasileiros engajados são muito pouco coerentes, não é mesmo?

Vejam os números.

O ano de 2017 foi positivo para as edições digitais das maiores revistas do Brasil. De acordo com dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), entre as 16 maiores publicações do Brasil, contando mensais (dez revistas analisadas), semanais (cinco analisadas) e quinzenal (revista Exame) tiveram crescimento em sua circulação digital. Apesar disso, a maioria teve queda em seus números gerais, incluindo impresso e online, e o mercado como um todo caiu 16%.

Entre os maiores saltos digitais de 2017 está a revista Época, que cresceu 288% em digital. Também tiveram destaque Claudia (96%), Mundo Estranho (59%) e Veja (59%). A semanal segue como líder em circulação digital, com média de 355,8 mil exemplares em 2017.

Veja também foi das poucas revistas que viu seus números crescerem de maneira geral, assim como Claudia. A semanal teve alta de 9% de circulação, chegando a 1,23 milhões de exemplares em sua média de dezembro. A revista feminina teve alta 15,4% e fechou 2017 com 327,4 mil exemplares. Ambos os títulos são líderes em suas respectivas periodicidades (clique nas imagens para ver as imagens em maior resolução).

Considerando todas as revistas auditadas pelo IVC, o mercado caiu 16% em 2017 na comparação com o ano retrasado. Em 2016, a circulação média mensal foi de 6,8 milhões de exemplares mensais e, no ano passado, foi de 5,72 milhões. Há dois anos, o IVC auditou 104 títulos, enquanto que em 2017 auditou 73.

Fonte: Meio & Mensagem

Quem controla a mídia no Brasil? – Um estudo que comprova a hipocrisia da audiência brasileira

Quem controla a mídia no Brasil? – Um estudo que comprova a hipocrisia da audiência brasileira

No fim do ano passado li um estudo muito interessante realizado pela organização Repórteres Sem Fronteiras e o grupo Intervozes. Nele estavam dados sobre quem controla os principais meios de comunicação do Brasil. O assunto, que sempre me interessa, levanta questões que sempre fazem com que os revoltados fiquem sem poder responder. Por exemplo, por que não boicotar o sistema e dar audiência para os veículos que só falam a verdade?

Sempre achei curioso que aproximadamente 99,28% das pessoas que gritam “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” não abrem mão da sua novela, dos desfiles das escolas de samba, do futebol, das transmissões de shows e festivais de música, do Jornal Nacional, do pay-per-view, do BBB, dos filmes dos canais por assinatura, etc. Isso, sem falar que todos são contra mas adoram quando aparecem no citado canal ou quando algum amigo/cliente aparece nas páginas dos jornais ou revistas do grupo.

Os números mostram que os líderes continuam líderes e que não há nenhum movimento para uma mudança (nem por conta da qualidade da programação ou por razões ideológicas dos leitores/ouvintes/telespectadores.

O estudo pode ser revelador de que há muita hipocrisia e pouco idealismo no país.

O estudo

A organização Repórteres Sem Fronteiras e o grupo Intervozes apresentaram o relatório “Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil” (Media Ownership Monitor/Brasil – MOM). O estudo traz informações detalhadas sobre quem são os principais responsáveis pelos órgãos de imprensa do país, suas atuações em outros setores da economia e mostra o nível de concentração da propriedade dos meios de comunicação locais.

“O MOM associa os nomes dos proprietários aos seus veículos de mídia, grupos econômicos e empresas em outros setores, sistematiza essas informações e as torna acessíveis ao público em geral”, afirma o coordenador da pesquisa pelo Intervozes, André Pasti. Para gerar o relatório, a investigação durou quatro meses, abrangendo os 50 veículos de comunicação com maior audiência no Brasil e os 26 grupos econômicos que os controlam.

Para os organizadores da pesquisa, a transparência a respeito da propriedade da mídia é pequena, pois as empresas não são legalmente obrigadas a divulgar sua estrutura acionária ou balanços. Além disso, nenhuma das organizações respondeu as solicitações de informação da equipe do MOM.

A metodologia para o monitoramento foi desenvolvida pela organização Repórteres Sem Fronteiras. “A mídia não é como qualquer outro setor econômico. É importante saber quem a controla. Os cidadãos têm direito de conhecer os interesses por trás dos meios de comunicação que consomem. É isso que o Media Ownership Monitor deseja proporcionar”, diz o diretor do MOM e integrante da Repórteres Sem Fronteiras na Alemanha, Olaf Steenfadt.

Centros de poder da mídia

Os 50 meios de comunicação com maior audiência no Brasil pertencem a 26 grupos empresariais: nove são do Grupo Globo; cinco do Grupo Bandeirantes; cinco de Edir Macedo (considerando a Rede Record e os meios de comunicação pertencentes à Igreja Universal do Reino de Deus); quatro da RBS; e três do Grupo Folha. Os grupos Estado, Abril e Editorial Sempre Editora/Sada controlam, cada um, dois dos veículos de maior audiência. Os demais grupos possuem apenas uma das mídias pesquisadas.

No total, 80% dos grandes grupos de mídia estão localizados nas regiões Sul e Sudeste do país. Entre os dados revelados pelo estudo é informado que a região metropolitana de São Paulo abriga 73% das empresas sudestinas do setor.

As emissoras de rádio e televisão são organizadas em redes nacionais, em que afiliadas locais retransmitem programação da empresa-mãe. “A propriedade das empresas de comunicação reflete esta hierarquia da transmissão do conteúdo. As afiliadas pertencem a políticos locais ou mantêm fortes laços com eles, o que reforça as relações de poder entre as oligarquias locais e a sede dos grupos, em São Paulo”, dizem os responsáveis pelo estudo.

Os donos da audiência

Como principal meio de comunicação de massa no Brasil, a TV concentra altos índices de audiência. Mais de 70% do público nacional é compartilhado entre quatro grandes redes televisivas: Globo – com 36,9% do total da audiência –, SBT (com 14.9%), Record (com 14,7%) e Band com (4,1%).

O estudo mostra, ainda, que a concentração da audiência se estende aos mercados de mídia impressa e online. A soma da audiência dos quatro principais veículos, em ambos os segmentos, é superior a 50%.

Em rádio, a audiência local é menos concentrada e mais relacionada a dinâmicas de cada cidade. As emissoras de rádio, no entanto, também são organizadas em redes nacionais, que transportam grande parte do conteúdo das emissoras-mães. Das 12 grandes redes de rádio, três pertencem ao Grupo Bandeirantes de Comunicação e duas ao Grupo Globo.

Propriedade Cruzada

Outra questão abordada no estudo é a da propriedade cruzada, ou seja, quando um mesmo grupo controla emissora de rádio, televisão, jornais e portais na web. No Brasil não há dispositivos legais que impeçam este fenômeno. Ao contrário, “a comunicação de massa se constituiu com base na propriedade cruzada, o que reforça a concentração da propriedade nas mãos de um pequeno número de grupos. Isto se aplica tanto a nível nacional como estadual e local”, declaram os responsáveis pela pesquisa.

A única norma brasileira que limita a propriedade cruzada é a Lei 12.485 / 2011, que regula o mercado de televisão por assinatura e proíbe que empresas produtoras de conteúdo audiovisual, por um lado, e as empresas de rádio e de televisão por assinatura, por outro, se controlem mutuamente.

O Grupo Globo, por exemplo, desempenha papel central em diversos mercados: a Rede Globo é líder da TV aberta; o conteúdo gerado por sua subsidiária GloboSat – que inclui GloboNews e dezenas de outros canais – tem destaque na TV por assinatura; o portal Globo.com é o maior veículo de notícias online no Brasil; e as redes de rádio Globo e a CBN estão entre as dez maiores em termos de público. Além disso, o conglomerado atua nos mercados editorial e fonográfico.

Mais dois exemplos podem ser vistos com os grupos Record e RBS. O Grupo Record opera a Record TV e a RecordNews na TV aberta, e seu jornal (Correio do Povo) e o portal R7 estão entre os veículos com maior audiência no país. A RBS, por sua vez, administra a afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, os jornais Zero Hora e Diário Gaúcho, duas redes de rádio (a nacional Gaúcha Sat e a regional Atlântida), o portal ClicRBS e possui outros investimentos em mídia digital, bem como em publicações impressas.

Veja o alcance dos grupos de mídia e seus veículos em números no infográfico apresentados pelos organizadores da pesquisa:

Coronelismo eletrônico

Além de apresentar quem são os grupos de mídia que detêm mais audiência e falar sobre suas extensões, o Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil mostra quem são os proprietários por trás da comunicação destas empresas, o que inclui pessoas muito próximas a políticos e donos de fundações privadas como bancos, siderúrgicas e igrejas.

De acordo com a Constituição Federal (art.54), políticos titulares de mandato eletivo não podem ser sócios ou associados de empresas concessionárias do serviço público de radiodifusão. Apesar disso, 32 deputados federais e oito senadores controlam meios de comunicação, ainda que não sejam seus proprietários formais.

Em diversos estados brasileiros, os maiores impressos, as afiliadas das grandes redes de TV e estações de rádio são controlados por empresas que representam diretamente políticos ou famílias com uma tradição política – geralmente proprietárias de empresas em mais de um setor da mídia. Como reproduz a concentração da propriedade da terra no Brasil, esse fenômeno é definido, por pesquisadores, como “coronelismo eletrônico”.

Ex-deputado federal e atual prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli (PHS) é um destes políticos. Sua mulher e sua filha gerenciam os negócios de mídia do Grupo Editorial Sempre Editora, que publica cinco jornais – entre o Super Notícias e O Tempo –, tem um portal de internet, um canal de webTV e uma estação de rádio FM.

“A família Macedo, que controla o grupo Record e a Igreja Universal do Reino de Deus, também domina um partido político, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), que conta com um ministro no governo federal, um senador, 24 deputados federais, 37 deputados estaduais, 106 prefeitos e 1.619 vereadores”, informam os responsáveis pelo estudo que cita, ainda famílias como os Câmara (Goiás e Tocantins), Faria e Mesquita (São Paulo).

O MOM destaca que, na maioria dos casos, os laços entre políticos e meios de comunicação de massa são forjados por meio de estruturas de rede e acordos comerciais em que grandes radiodifusores nacionais sublicenciam sua marca e seu conteúdo para empresas no nível estadual. Esses afiliados atuam como redistribuidores, mas são veículos de co-propriedade para homens (muito raramente mulheres) poderosos em seus estados e municípios.

Há outros exemplos apresentados no relatório:

  • O Grupo do qual fazem parte a TV Bahia (afiliada da Rede Globo) e o jornal Correio da Bahia, controlado pela família Magalhães, do atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM).
  • O Grupo Arnon de Mello, que possui a TV Gazeta Alagoas (afiliada da Rede Globo), o jornal Gazeta de Alagoas e a emissora de rádio FM Gazeta 94, é liderado pelo ex-presidente e agora senador Fernando Collor de Mello (PTC).
    O Grupo Massa (afiliada do SBT no Paraná), do apresentador Carlos Massa, cujo filho, Ratinho Filho, foi deputado estadual e federal;
  • E o Grupo RBA de Comunicação, que possui o jornal Diário do Pará e a TV Tapajós (afiliada da Globo no Pará) e pertence ao senador Jader Barbalho (PMDB) e sua família.

Para além da política

Além de controlar as empresas de comunicação, os proprietários da mídia no Brasil mantêm fundações privadas no setor de educação, são ativos nos setores financeiro, de agronegócios, imobiliário, de energia e de saúde ou empresas farmacêuticas.

Por exemplo, o grupo Sada/Editora Sempre, da família Medioli, que investe em transporte de veículos e carga, logística, siderurgia, energia, esportes e educação. Além deste, há os proprietários do grupo Objetivo, que, além de controlar a Rádio Mix, são donos de escolas privadas, cursos pré-vestibulares e da Universidade Paulista (Unip).

Redes nacionais de rádio e televisão também são ligadas a igrejas, como o Grupo Record, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e à Rede Aleluia de Rádio. Seu proprietário majoritário, o bispo Edir Macedo, também controla 49% do capital do Banco Renner.

Fonte: Comunique-se

 

 

Mais burradas do Sistema Globo de Rádio

Adoro rádio (AM e FM), embora tenha tido poucas experiências no veículo, e sofro toda vez que vejo (ou ouço) as decisões que tiram do rumo o que estava dando certo.

Faz um bom tempo eu escrevi sobre a derrocada da CBN. Na época, falava sobre várias decisões equivocadas tomadas pela direção da emissora. Passado um bom tempo, o panorama parece não ter mudado, principalmente no Rio de Janeiro. Depois de alguns indícios de que a Central Brasileira de Notícias – sim, esse é o nome original da emissora, lembram? – poderia voltar ao primeiro lugar no Ibope das emissoras de notícias – todos os dados divulgados mostram que Ricardo Boechat e a BandNews estão na liderança com alguma folga há algum tempo -, a coisa parece que piorou.

A contratação de Fernando Molica como âncora do CBN Rio foi um acerto que, se não compensava os erros das demissões de gente do calibre do Sydney Rezende, Carolina Morand e Maurício Martins, para citar apenas alguns, mas deixava as manhãs do Rio de Janeiro com uma opção diferente da BandNews FM e do ótimo Ricardo Boechat e equipe, na faixa das rádios de notícias.

Os números não mentem e, seja lá qual for a razão da demissão de Molica – falaram em salário alto demais – a única verdade da qual não se pode escapar é da lavada que a rádio está levando das concorrentes em vários quesitos. Na verdade, o problema não está apenas na CBN, mas sim em todo o Sistema Globo de Rádio (SGR), que vai só caindo. A competição no segmento de notícias mostra que a BandNews nada de braçada, mas o pior mesmo é ver que no geral a rádio não consegue nem ficar entre as dez mais ouvidas e que a Rádio Globo segue a mesma trilha.

Bola fora no esporte

Alguns anos atrás os entendidos do SGR chegaram a conclusão de que manter equipes esportivas e programação exclusiva nas principais praças custava muito caro. Para diminuir os custos, juntaram as programações esportivas, fazendo programas que falavam de times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas e outros estado para toda a rede. Além disso, juntaram as equipes da Rádio Globo e da CBN em transmissões que passaram a ter dois comentaristas (geralmente um de cada emissora e, em muitos casos, um de cada estado). O resultado? Um fracasso total, que teve que ser desfeito depois de um curto tempo.

Que o futebol em AM precisa ser engraçado, popular e descontraído, ninguém discute, mas que o FM tem outro público e que a CBN já tinha estabelecido um estilo próprio e mais sóbrio, principalmente pela presença (no Rio) de narradores como Evaldo José e comentaristas como Carlos Eduardo Éboli, além de profissionais como Marcos Gyuotti (MG) – dispensado após o fim da Globo MG, outra decisão para lá de desastrada. Mas, voltando ao assunto do parágrafo anterior, após o fracasso da experiência de unificação das equipes esportivas, o tempo passou, a direção do SGR mudou e aí tiveram uma ideia brilhante para diminuir os custos e melhorar a audiência: unificar as equipes de esporte!

O resultado não podia ser outro: fracasso total (de novo). Nem mesmo a iniciativa de trazer globais como os bons Alex Escobar, Juninho Pernambucano e Júnior, pôde superar a rejeição as chegadas de nomes que sempre foram do segundo escalão do rádio AM do Rio e que em nada se encaixam no gosto dos ouvintes de futebol em FM como Luiz Penido e Dé (o Aranha). Prova disso é a surra que a CBN/Globo vem levando dos veteraníssimos, porém ainda competentes José Carlos Araújo, Gérson (o Canhotinha de Ouro), Jota Santiago, Gilson Ricardo e Washington Rodrigues.

Junte-se a má escolha da equipe esportiva (para o FM, deixo claro) com o fim da Globo BH e sua equipe de esportes, e a experiência má sucedida anteriormente e só poderia dar no que está dando. Se há tempo de reverter essa tendência? Não sei.

Sidney Rezende dá drible na CBN

Hoje – 29 de fevereiro de 2018 – o site do jornalista Sidney Rezende estreia um novo projeto que pode sepultar de vez o futebol da CBN. O portal montou uma equipe esportiva que transmitirá ao vivo por web rádio partidas de futebol com, basicamente, a equipe que foi dispensada pela Central Brasileira de Notícias: o jornalista e narrador Evaldo José, o comentarista Antonio Carlos Duarte, o repórter Felipe Santos e o jornalista Robson Aldir.

Provavelmente – apesar da esteeia seja transmitindo um jogo do framengu – essa nova opção vai causar ainda mais estragos na já combalida audiência do SGR e, muito provavelmente, até mesmo na líder Tupi.

Não sei quem escolhe os comandantes do SGR e de onde saem as brilhantes ideias para revitalizar a programação e a equipe (dispensando os melhores e mais experientes profissionais), mas sei que a coisa anda feia faz tempo.

Redes sociais são o futuro do jornalismo?

A discussão pode parecer velha e sem sentido, mas o retorno do Jornal do Brasil às bancas traz de volta dúvidas sobre a viabilidade ou não do jornalismo impresso. Um estudo, com dados de 2015, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism mostrou que 41% dos usuários de internet (de todas as faixas etárias) usam as redes sociais para acessar notícias. Acredito que, mesmo com as recentes mudanças no Facebook e a decisão de alguns meios de comunicação brasileiros de deixarem de promover seus conteúdos nas redes sociais, a tendência desse número é aumentar.

Infelizmente a propagação de fake news e a proliferação de veículos com orientações político-partidárias-econômicas e que não são divulgadas abertamente ao público, provocando direcionamentos de pensamento com o intuito de enganar o leitor. O que poderia ser considerado um avanço – assim como aconteceu com o rádio, que aumentou em muito a sua audiência -, no caso do jornalismo precisa ser analisado com muito mais cuidado e atenção.

A tão propagada crise dos veículos de comunicação parece ser muito mais fruto da incompetência dos setores comerciais de cada empresa, que parecem ter muito mais dificuldade em se adaptar ao novo cenário do que todos os outros departamentos (jornalismo, principalmente). Isso me parece estranho, já que ainda é comum encontrar pessoas mais experientes nas redações do que na captação de recursos.

Ser analógico, hoje em dia, é um pecado mortal e parece que o número de pessoas que não se preocupam em analisar os números da audiência e as tendências que devem ser seguidas em suas respectivas atribuições. Não há nenhuma explicação lógica ara que um veículo de comunicação, em ano de Copa do Mundo e eleições, não consiga arrecadar recursos com publicidade. Recursos suficientes para garantir uma vida longa e próspera. É só colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguir algumas regras básicas e lembrar que juventude nem sempre significa modernidade.

Juiz decreta falência do jornal Diário de S. Paulo

A crise na mídia impressa parece continuar. Agora é o Diário de São Paulo – que já foi do grupo Globo (até 2009) – teve a sua falência decretada e a circulação suspensa por cinco dias. Não creio que possa haver uma reversão no curto prazo e espero que o título não tenha uma caminhada de sofrimento tão grande quanto a do Jornal do Brasil.

 

Os leitores e as bancas não receberão a edição de 24 de janeiro de 2018 do Diário de S. Paulo. Isso porque, na manhã desta terça-feira, 23, o prédio da empresa de comunicação foi lacrado por decisão da justiça. O caso se trata de uma confusão societária envolvendo o impresso e as marcas Editora Fontana, Editora Minuano e Cereja Serviços de Mídia. A decisão é do juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências de São Paulo.

A extensão de falência a terceiros é prevista no art. 81 da Lei 11.101/05 apenas para sócios de responsabilidade ilimitada. O que acontece no caso envolvendo o Diário de S. Paulo é que a Editoria Minuano – empresa processada – tem 99,99% do seu capital social detido por Nilson Luiz Festa e 0,01% por Editora Fontana que, por sua vez, tem a titularidade de suas quotas detidas em 88,05% pela Cereja Serviços de Mídia, 11,91% pela Minuano e 0,04% por Nilson. A Cereja tem suas quotas detidas em 92,5% pela Minuano e 9% por Luiz Cezar Garcia. O Diário de S. Paulo tem suas cotas detidas pela Minuano e por Luiz Cesar Garcia. O processo mostra que existe grande confusão societária, gerencial e laboral entre as empresas.

Diário de S. Paulo, por exemplo, era sediado no mesmo local que a Minuano e a Cereja. O estoque de papel da Minuano estava na Editora Fontana, mas era vendido com nota fiscal emitida pelo Diário. A administração financeira de todas as pessoas jurídicas do grupo era realizada pelo mesmo diretor financeiro, sendo que ele movimentava todas as contas bancárias. Além disso, outros funcionários aparecem no processo como prestadores de serviço para as empresas, mesmo sendo contratados apenas em um local.

Diante disso, o juiz concluiu que as empresas têm unidade patrimonial, de gestão, laboral e societária. “O que demonstra que não apenas integravam um único grupo, mas agiam sem qualquer consideração às suas personalidades jurídicas como se fossem uma só e em detrimento dos credores”, explica Marcelo Barbosa Sacramone no texto.

Especificamente sobre o Diário de S. Paulo, a decisão explica que as atividades no impresso estão suspensas por cinco dias, período em que a administradora judicial pode indicar um gestor para a atividade do veículo. Sendo assim, o jornal poderá continuar circulando, já que o juiz considera que a massa falida terá mais benefícios ao alienar um negócio que está na ativa do que um que esteja paralisado.

A reportagem do Portal Comunique-se conversou com o diretor de redação, Guilherme Gomes. O jornalista contou que o prédio foi fechado e lacrado, sendo que os profissionais foram autorizados a entrar apenas para retirar pertences pessoais. Depois disso, todos foram liberados, já que não teve expediente. O comunicador explica que a empresa de comunicação vai acionar a justiça para falar sobre o caso e tentar reverter a situação.

Fonte: Comunique-se

A pisada de bola do Extra no caso Alex Muralha

Este é outro assunto velho, mas, agora, que o ano acabou e o Brasileirão também, posso escrever sem que o ódio que reina no Brasil apareça por aqui (espero). O caso é a capa do jornal Extra, publicada no dia 1 de setembro de 2017, onde havia um comunicado onde o jornal avisava que não chamaria mais o goleiro Muralha pelo apelido.

Todo mundo tem o direito de errar e os (então) responsáveis pelo jornal erraram feio ao atiçar ainda mais os ânimos nada amistosos da torcida contra o atleta. Mas, o pior mesmo, foi ver que os responsáveis não admitiram o erro e disseram que o que fizeram foi uma piada e que piadas não devem ser explicadas. Bem, se uma piada precisa ser explicada é porque, no mínimo, ela não foi boa. A jogada pode até ter tido alguma lógica se a ideia era vender jornais ou gerar polêmica, mas eu ainda acredito que os jornais precisam informar, mesmo que com uma certa dose de humor, o que está longe de ser o caso.

Já que se fala muito nas mudanças que o jornalismo precisa fazer para sobreviver, tinha que escrever algo sobre esse episódio lamentável. Para deixar o meu pensamento ainda mais claro, reproduzo o editorial do Comunique-se sobre esse caso (publicado em 4 de setembro de 2017).

 

Todo mundo ganhou (menos o bom jornalismo)

No mundo do jornalismo e do futebol brasileiro, o último fim de semana foi marcado pela ação do diário Extra, do Grupo Globo, em noticiar que deixará de se referir ao goleiro do Flamengo pelo apelido de Muralha. A decisão tomada pelo popular veículo de comunicação foi alvo de críticas de internautas e jornalistas (até de profissionais de dentro da Globo). Muitos avaliaram que, na edição veiculada na sexta-feira, 1º de setembro, o impresso cometeu uma “bola fora” ao colocar a “informação” sobre Alex Muralha na primeira página e com teor semelhante a de pautas relacionadas a criminosos que tomam conta do Rio de Janeiro, estado que o mesmo título definiu estar em guerra, com direito a criação de editoria especial.

Para qualquer pessoa com um pouco de bom senso, seja ela profissional da comunicação ou não, fica nítido que o jornal errou no tom  ao se referir ao arqueiro flamenguista. Convenhamos, ao transformar as falhas do atleta em sua manchete principal e garantir que, por ora, o apelido “Muralha” não aparecerá em suas páginas, o diário carioca dá margem para se tornar alvo de críticas vazias semelhantes. Com o episódio, do qual por duas vezes os responsáveis pela publicação fizeram questão de colocar como uma simples “brincadeira” e pedir (de forma bem tímida) desculpas, o goleiro Alex Muralha, a diretoria do Flamengo, torcedores e quaisquer outras pessoas têm todo o direito de virem a público e dizer que não consideram como jornalismo o produto entregue pelo Extra.

Caímos no assunto jornalismo. Afinal, conforme o título deste editorial do Portal Comunique-se, o bom jornalismo foi o único elemento envolvido na história que perdeu. Pode parecer irônico, mas até o Extra, protagonista da “brincadeira” desnecessária, chega a esta semana com saldo positivo. Certamente, a edição que colocou o jogador de futebol como se fosse um foragido da polícia vendeu mais exemplares do que edições anteriores. No Facebook, graças ao conjunto de algoritmos que parece cada vez mais valorizar polêmicas em vez de conteúdos relevantes, a marca não tem do que reclamar.

A foto com a imagem da primeira página de sexta tem até o fim da tarde desta segunda-feira, 4 mil reações, 943 compartilhamentos e 1,5 comentários (a maioria criticando a postura adotada, mas o Facebook não se importa com isso). Sem polêmica ou piada idiota, a postagem com os destaques do dia anterior tem números bem menores: 133 reações, 32 compartilhamentos e 10 comentários.

Alex Muralha (seguiremos respeitando o nome “artístico” adotado pelo profissional) sai dessa história contando com o apoio de torcedores do Flamengo, que chegaram a pedir que ele fosse barrado para a final da Copa do Brasil. Possivelmente, o fato de ter sido acolhido pelo grupo de jogadores do Mengo fará com que o atleta tenha mais segurança no confronto que vale título. Uma coisa, porém, é fato, até a equipe do Portal Comunique-se, que não acompanha tão de perto as disputas futebolísticas, sabe que o goleiro estava em má fase técnica. Algo que deixou de ser notícia por causa da ação do Extra.

Cronistas esportivos pararam de falar do desempenho do arqueiro para demonstrar apoio ao ser humano. Aliás, a imprensa desportiva – principalmente a online – também ganhou, pois conquistou cliques com o desdobramento: reprodução da nota oficial de Muralha e o posicionamento por parte da diretoria do Flamengo. Os dirigentes do clube são outros vitoriosos do contexto; afinal, venderam para a mídia os valores éticos que regem a atual administração.

Entre vendagem em banca acima do normal, crescimento do alcance e engajamento no Facebook, um goleiro que vê sua má fase desaparecer do noticiário esportivo, sites atrás de mais cliques e cartolas que adoram um espaço na mídia, é simples constatar que o anúncio do Extra só fez um elemento ser derrotado (e de goleada): o bom jornalismo. Até porque, segundo a própria publicação, piadas sem graça merecem mais espaço numa primeira página.

Brasil é o sexto país que mais mata jornalistas no mundo

O Brasil deve estar no ranking de mortes em várias outras profissões, infelizmente.

Jornalistas mortosA entidade Press Emblem Campaign (PEC), sediada em Genebra, divulgou levantamento que aborda os números de jornalistas assassinatos ao redor do mundo. Nos últimos cinco anos, 35 profissionais de comunicação foram mortos no Brasil, o que o coloca na 6º posição do ranking de países mais perigosos para o exercício da profissão.

A Síria lidera a lista com 86 mortes, seguida pelo Paquistão, com 55 mortes, além Iraque e México, cada um com 46 assassinatos. No mesmo período, foram computados 42 mortos na Somália. Ao considerar apenas o ano de 2015, a situação do Brasil, com sete casos de homicídio, empata com países como Iemen e Sudão do Sul, que estão em guerra.

Desde janeiro, 128 jornalistas foram assassinados em 31 países. A maioria das mortes foi causada por grupos terroristas e organizações criminosas. A Síria, dominada pelo Estado Islâmico, está novamente no topo da lista, com onze vítimas. Iraque e México, cada um com dez jornalistas mortos, dividem o segundo lugar. França, Líbia e Filipinas tiveram oito ocorrências cada.

Fonte: Comunique-se

TV Cultura investe em mais de 15 atrações para 2016

TV_CulturaUm novo mundo. Uma nova Cultura. É assim que a emissora vai se apresentar para o mercado a partir de agora. Com a proposta de alinhar a grade de programação ao modo atual como o usuário consome mídia, o canal compartilhou com a imprensa o que pensa para o próximo ano. No total, a empresa pretende colocar no ar 20 novas atrações, mas apenas 12 foram reveladas. A grande novidade no modelo é a abertura para o mercado publicitário.

À reportagem do Portal Comunique-se, o diretor comercial e de programação da TV Cultura, Marcos Amazonas, explicou que a crise e o boom de notícias negativas sobre a emissora acabaram desmotivando os profissionais e “apequenando” a empresa. “Eu visitava o mercado e eles me perguntavam se o canal não ia fechar porque era isso que eles liam na imprensa. Era praticamente inútil fazer reuniões. Com isso, decidimos inverter as coisas”. Amazonas assumiu o cargo de diretor em agosto deste ano e esteve envolvido em todo processo de mudança. Para ele, era importante mostrar o que a Cultura pode fazer pelo anunciante e pelo telespectador. Inclusive, ele explicou a mudança de postura com relação ao modelo financeiro. “Nós recebemos dotação do governo, que é uma grande vantagem, mas esse valor não é suficiente para cumprir o papel de ser inovador”.

Ainda não é possível saber quantos programas vão, de fato, para a grade da TV no próximo ano. A estratégia, agora, é levar todo o material para o mercado, com a proposta de recrutar investimentos para as atrações. A lista traz as seguintes propostas de exibições: ‘Canções da Terra’, ‘Programa Rolling Stone’ (em parceria com o impresso de mesmo nome), ‘DNA – Domínio No Ar’, ‘Metrópolis’ (reformulado), ‘Um Novo Estilo de Vida’, ‘Jogue o Jogo’, ‘Terra Dois’, ‘Novo Elenco’ (reality show dedicado ao teatro), ‘TV QI’, ‘Quintal’, ‘Robô TV’ e ‘O Quarto 13’. Em todas as atrações, as estratégias de interatividade e multiplataforma são percebidas.

Segundo Amazonas, o que vai acontecer se todos os projetos conseguirem financiamento é a readequação da grade. Ele afirma que não vai abrir mão dos programas existentes. “Vamos diminuir reprises, mudar o horário de alguns programas. Boa parte dos nossos lançamentos são semanais e ocupam espaço pequeno na grade”. O diretor explica que, diante dos pedidos dos telespectadores, o programa de Inezita Barroso, falecida neste ano, segue com as reprises. Já o de Antônio Abujamra deve sair da programação por questões de temporalidade.

As novidades refletem em outro ponto: investimento em digital. Para colocar a TV Cultura no novo cenário de consumo de conteúdo, o portal será reformulado. O executivo adianta ao Portal Comunique-se que ainda neste mês o internauta vai ter contato com a página atualizada, mas o redesenho segue sendo aprimorado e atualizado no ano que vem. Para atender a interatividade dos programas, a equipe de tecnologia do canal vai desenvolver aplicativos que serão lançados até abril de 2016. “O que quisemos fazer aqui foi mostrar que também sabemos fazer coisas para o futuro. Temos que nos inserir nessa nova maneira de consumo. Boa parte dos programas busca isso”.

A visão dele sobre conteúdo é que cada vez mais as empresas vão produzir seus trabalhos. “Hoje, a TV mais transmite do que produz. Isso é o passado. No futuro, você tem de apostar no próprio conteúdo para trabalhar em multiplataformas. E é por isso que vamos fazer uma TV Cultura para a próxima década”. Nos próximos dias, a emissora deve divulgar para o público o teaser que mostra os detalhes dos novos projetos.

Fonte: Comunique-se

Netflix traça planos para investir em jornalismo

Seria uma luz para uma profissão em perigo (pelo menos no Brasil)?

netflix-logo
Após incomodar os canais de TV com o lançamento de séries originais como ‘Narcos’, ‘House of Cards’ e ‘Demolidor’, o radar do Netflix parece apontar para novos rumos. O serviço de streaming, que acaba de alcançar 69 milhões de assinaturas ao redor do mundo, divulgou a intenção de produzir conteúdo jornalístico. Em uma videoconferência realizada após a divulgação de resultados do terceiro trimestre da companhia, o CEO Reed Hastings e o diretor de conteúdo da marca, Ted Sarandos, deixaram claro o interesse em investir na área.

A inclusão de programação noticiosa foi abordada inicialmente por Hastings, que questionou Sarandos sobre a possibilidade de competir diretamente com o grupo de mídia online Vice. “Provavelmente alto”, respondeu o executivo. A empresa canadense é apontada como um dos maiores exemplos de jornalismo inovador e dinâmico, usando 30 escritórios globais para elaborar programas e documentários focados no relato dos repórteres. Os bons resultados renderam uma parceria com a HBO para a produção do primeiro noticiário do canal.

“No que se refere ao jornalismo, estamos nos tornando definitivamente mais aventureiros em termos de gêneros do que estamos fazendo agora”, declarou Sarandos. O serviço de streaming já vem demonstrando a afinidade com a área nos últimos anos, após demonstrar apoio a diversos documentários, como ‘Our Planet’, que vai explorar a vida selvagem em localidades remotas ao redor do mundo.

Além disso, o talk-show é outro gênero tem chamado atenção dos executivos do Netflix A primeira produção neste sentido está prevista para 2016, com o comando da comediante americana Chelsea Handler, que é apresentadora do canal E -Entertainment Television. “Estamos interessados em ser capazes de melhorar a experiência de consumo de qualquer tipo de conteúdo que as pessoas estejam assistindo”, disse Sarandos.

Fonte: Comunique-se

Estadão ganha versão impressa gratuita até o fim do ano

Peraí! Os jornais e revistas estão demitindo aos montes e o Estadão vai distribuir um jornal de graça? Alguma coisa não está certa nessa crise ou faltam soluções criativas para gerar lucros.

estadao-shoppingToda sexta-feira, a partir de 16 de outubro, o Estadão vai disponibilizar para os leitores uma edição especial e gratuita. A ideia é que, até dezembro, o material impresso leve ao público informações que auxiliem no momento da compra, com destaque para a Black Friday. A versão se chamará Estadão Shopping e será distribuída em pontos de grande fluxo na Grande São Paulo.

Com circulação de 330 mil exemplares, o projeto chega em formato tabloide com novidades, lançamentos, produtos, liquidações, dicas, notícias, tendências e novas tecnologias, muitas vezes utilizando a chancela de cadernos publicados na versão pagada de O Estado de S. Paulo, como ‘Paladar’, ‘Jornal do Carro’, ‘Casa’ e ‘Viagem’. Em 26 de novembro, quando acontece a Black Friday, o número de impressos distribuído será de 500 mil exemplares. A medida prevê que 1,8 milhão de pessoas sejam atingidas.

“Queremos aproximar anunciantes do público consumidor no período historicamente mais forte do varejo, visando principalmente Black Friday e Natal”, explicou o diretor de marketing publicitário do Grupo Estado, Marcelo Moraes.

Fonte: Comunique-se

TV Globo e CBN são os veículos com mais vencedores no Prêmio Comunique-se 2015

Não adianta espernear. Mesmo com todos os governistas achando que a Globo é golpista e com a oposição achando que ela é governista, os coleguinhas mantiveram a coerência e votaram nos seus profissionais no Prêmio Comunique-se. A CBN, apesar de todas as derrapadas, também se saiu muito bem.

Como o prêmio é dado pelos jornalistas aos jornalistas, imagino que ainda seja preciso converter muita gente para que a competência dê lugar a fé.

Prêmio Comunique-se 2015

Dois veículos de comunicação mantidos pelo Grupo Globo fecharam a noite de gala da imprensa nacional sendo os responsáveis por empregar boa parte dos profissionais que levaram troféus de vencedores para casa. TV Globo e CBN, com sete e cinco ganhadores, respectivamente, encerraram a edição 2015 do Prêmio Comunique-se no topo das redações mais prestigiadas no evento.

O número de troféus vinculados às duas empresas de mídia em determinadas categorias está associado à quantidade de comunicadores que tiveram seus trabalhos reconhecidos justamente por atuar nos dois ambientes. Míriam Leitão (Colunista de Noticia) e Carlos Alberto Sardenberg (Jornalista de Economia – Mídia Falada) entram na lista.

Exclusivos pela TV Globo estão cinco jornalistas, com destaque para a dobradinha na categoria Esporte, com Cléber Machado eleito o melhor narrador e Abel Neto sendo o mais votado como cronista de Mídia Falada. Além deles, a maior emissora televisiva do país somou conquistas com Sandra Annenberg (Âncora de TV), Alexandre Garcia (Colunista de Opinião) e Márcio Gomes (Correspondente Brasileiro no Exterior – Mídia Falada).

Pelo lado da CBN, Sardenberg voltou a ser lembrado, com a vitória como Âncora de Rádio. Na emissora pertencente ao Sistema Globo de Rádio, mais dois profissionais superaram os oponentes na final do Prêmio Comunique-se e foram considerados os melhores em suas categorias: Mariza Tavares (Executiva de Veículo de Comunicação) e Gilberto Dimenstein (Sustentabilidade).

Prêmio Comunique-se 2015

Com o tema “Jornalismo: Superação Olímpica”, o Prêmio Comunique realiza sua 13ª edição em 2015. Desta vez, são 26 grandes-vencedores definidos pelo júri formado pelos integrantes da comunidade do Portal Comunique-se. A premiação que ganhou a alcunha de ser o Oscar do Jornalismo Brasileiro prestigia os melhores em 12 categorias: ‘Repórter’, ‘Colunista’, ‘Apresentador/Âncora’, ‘Economia’, ‘Esporte’, ‘Cultura’, ‘Nacional’, ‘Blog e Tecnologia’, ‘Sustentabilidade’, ‘Correspondente Internacional’, ‘Executivo de Veículo de Comunicação’, e ‘Comunicação’.

Confira a lista completa com os nomes dos vencedores do Prêmio Comunique-se 2015:

Apresentador/Âncora

Rádio
Carlos Alberto Sardenberg – CBN

Sandra AnnenbergTV
Sandra Annenberg – TV Globo

Colunista

Notícia
Míriam Leitão – CBN/ GloboNews/O Globo/TV Globo

Opinião/Articulista
Alexandre Garcia – Rádio Estadão/TV Globo

Comunicação

Agência de Comunicação
S2Publicom

Profissional de Comunicação Corporativa
Eduardo Pugnali – Sebrae-SP

Propaganda e Marketing
Erich Beting – Máquina do Esporte

Correspondente Internacional

Brasileiro no Exterior – Mídia Falada
Márcio Gomes – TV Globo

Brasileiro no Exterior – Mídia Escrita
Guga Chacra – O Estado de S. Paulo

Estrangeiro no Brasil
Tim Vickery – BBC

Blog e Tecnologia

Blog
Marcelo Tas – Blog do Tas

Tecnologia
Pedro Doria – O Globo

Executivo de Veículo de Comunicação

Mariza Tavares – CBN

Cultura

Mídia Falada
Edney Silvestre – GloboNews

Mídia Escrita
Raquel Cozer – Folha de S. Paulo

Economia

Mídia Falada
Carlos Alberto Sardenberg – CBN/TV Globo

Mídia Escrita
Celso Ming – O Estado de S. Paulo

Esportes

Locutor Esportivo
Cléber Machado – TV Globo

Mídia Falada
Abel Neto – TV Globo

Mídia Escrita
Mauro Beting – Lancenet

Sustentabilidade

Gilberto Dimenstein – CBN/Catraca Livre

Nacional

Mídia Áudio e/ou Visual
Ricardo Boechat – Band/Bandnews FM

Mídia Escrita
Ricardo Boechat – IstoÉ

Repórter

Mídia Falada
Roberto Cabrini – SBT

Mídia Escrita
Daniela Pinheiro – Revista Piauí

Imagem

Claudinei Matosão – Band

Fonte: Comunique-se

Jornal chama Dilma de “louca” e sugere internação da presidente

Como jornalismo, nota zero! Como jogada de marketing, dez, nota dez! A notícia nem é totalmente mentirosa, mas dá munição para os que defendem que tudo é golpe e que quem fala mal não sabe o que diz. Mas, admito, morri de rir!

horadopovo (1)

Editado pelo Instituto Brasileiro de Comunicação Social, o jornal Hora do Povo divulgou em sua capa a seguinte manchete: “Louca inicia terceira onda de cortes e impostos para engordar bancos”. Ao lado do texto, uma foto da presidente Dilma Rousseff com os olhos “tortos”. O impresso publicou, também, que “por menos que isso, D. Maria I foi internada”. A reportagem sobre o momento político foi veiculada nesta semana.

O impresso Hora do Povo tem como editor-geral Clóvis Monteiro Neto e conta com sucursais no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Belém, além do escritório principal na Vila Mariana, em São Paulo. Na reportagem que chama Dilma de “louca”, o jornal comenta o lançamento do projeto de cortes de gastos e aumento de impostos promovido pelo governo federal.

“O lançamento do pacote de Dilma – mais um – na segunda-feira, teve um subproduto marginal: o desmascaramento completo dos fariseus que, por uma coisa à toa, um carguinho qualquer ou um pedaço de cetim – ou um dinheiro desviado da Petrobrás – apoiam qualquer coisa que saia do Planalto”, escreveu a publicação.

A primeira página apresenta outras manchetes como “Objetivo do governo é obter mais recursos para torrar com juros”, “O dilatado placar do impeachment: 887.458 a 1.125” e “Volta da CPMF não prevê nenhum tostão para Saúde”. Nas redes sociais, a capa do jornal com a manchete de Dilma tem mais de 950 compartilhamentos e mais de 2.900 mil curtidas.

Fonte: Comunique-se

Infoglobo reorganiza diretorias e encerra ‘Prosa & Verso’

Ainda é muito difícil falar sobre essa ‘reorganização’. Não creio que a ‘saída’ passe por qualquer tipo de demissão em massa e os erros encontrados no jornal após o passaralho me parecem ser a confirmação da minha tese.

Jornalismo passaralhoA reformulação estratégica que começou na Infoglobo na segunda-feira, 1° de setembro, ganhou mais um capítulo. Os desdobramentos das ações que pretendem adequar a estrutura da empresa atingem, agora, as diretorias e põe fim no caderno ‘Prosa & Verso’. A reportagem do Portal Comunique-se apurou como ficará a nova organização, que visa aprimorar o modelo de gestão e deixar clara a divisão de responsabilidades.

Em e-mail distribuído internamente aos funcionários da Infoglobo, o diretor-geral Frederic Kachar explicou que as mudanças têm como foco preservar a sustentabilidade e a essência dos negócios. Para isso, três diretorias foram descontinuadas: Unidade O Globo, Unidade Populares e BI. As atividades relacionadas a cada uma foram reorganizadas.

Com relação à redação, os diretores Ascânio Seleme e Octavio Guedes, de O Globo e Extra, respectivamente, passam a se reportar diretamente a Kachar. Com isso, eles deverão se concentrar, fundamentalmente, na qualidade da produção e curadoria de conteúdos e marcas nas diferentes plataformas. Em audiência, a diretoria terá comando de Maurício Lima, que será responsável pela relação com o consumidor.

As áreas de tecnologia de produto O Globo, Populares e Comercial se juntam para compor a nova diretoria chamada de Inovação Digital. O foco será o desenvolvimento de produtos e plataformas. O nome do diretor desta divisão ainda será anunciado. A diretoria de Mercado Anunciante segue sob o comando de Felipe Goron e se aprofunda no processo de relacionamento com as marcas.

Kachar fala, ainda, sobre a diretoria de Gestão e Serviços Impressos, que permanece como estava, e sobre o RH, que passa a ter comando de Fernando Mattos após a saída de Selma Fernandes. O diretor-geral da Infoglobo aproveitou o comunicado para agradecer aos que deixaram a companhia na tarde de ontem. “Agradeço por toda contribuição ao desenvolvimento da nossa empresa e desejo sucesso em seus planos futuros”.

Fim do ‘Prosa & Verso’

Jornalismo passaralho IISob o comando de Manya Millen, o caderno ‘Prosa & Verso’, de O Globo, será encerrado. A profissional, inclusive, está na lista dos cortes. Quem falou sobre o assunto foi Julia Millen, filha da jornalista. “Desde pequena eu aprendi que o (bom) jornalismo é só para quem o ama loucamente. E desde muito pequena ela me ensinou a amar as palavras e os livros como ninguém. Desde não tão pequena, porém, ela (minah mãe) me ensinou o quanto esse mesmo jornalismo era difícil, o quanto sobreviver de jornalismo era complicado, e o quão saturado e instável era o mercado do impresso, o jornalismo de discussões infinitas que rodavam pelo tema: ‘será que com a internet o jornal irá acabar?’. Por muito tempo me forcei a acreditar que não, hoje eu tenho certeza que sim. Hoje, após 20 anos, o Prosa vai deixar de existir”, escreveu em post publicado no Facebook.

A jornalista Manya, em comentário ao recado da filha, agradeceu o apoio. “É muito reconfortante ver o quanto você e sua irmã amam as palavras, os livros, amam a paixão por ambos. Se eu contribuí, então já vale toda a existência. O resto é o resto. E seguimos amando as palavras, os livros, acreditando que eles ainda têm poder de mudar vidas”.

Com mais de 100 compartilhamentos até o fechamento desta reportagem, o post de Julia reúne comentários de profissionais de O Globo, que lamentam a situação e desejam sorte nos novos desafios de Manya.

Fonte: Comunique-se
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Carolina Morand entra no lugar de Otávio Guedes e CBN marca um golaço

CBNDesde 2008, com a demissão do jornalista Sidney Rezende que a CBN entrou em uma fase pouco inspirada e com decisões que fizeram com que Ricardo Boechat e a Bandnews FM tomassem um protagonismo sem precedentes no cenário carioca. A contratação de Lucia Hippólito, sua saída e a demissão do ancora Maurício Martins apenas confirmaram que a nau estava sem rumo ou indo perigosamente em direção ao grande iceberg. Para piorar transformaram o ótimo colunista e jornalista Otávio Guedes em ancora. Bem, faltou (minha opinião) carisma e ritmo, além de voz. Com a decisão de Guedes de se dedicar única e exclusivamente ao jornal Extra, a direção da rádio decidiu convocar Carolina Morand – que cuidava do CBN Total – para a posição de comando do CBN Rio, o lado da competentíssima Lilian Ribeiro.

A diferença neste primeiro dia do novo CBN Rio já pôde ser notada em todos os sentidos. Na fluidez das notícias, na locução, na objetividade e até no (bom) humor. Parece que finalmente os cariocas terão uma boa opção para se manterem informados nas manhãs.

Carolina, boa sorte! CBN, parabéns! Cariocas, aproveitem!

Saiba quais cuidados tomar na admissão de funcionários

Contrataçao de profissionalEm qualquer tempo, principalmente em tempos de crise, é importante ter um bom sistema de seleção. No caso do jornalismo, é necessário saber enxergar além do óbvio. Sempre tive boa intuição para avaliar e escolher estagiários – alguns deles indo muito longe na profissão – e mesmo descontando alguns enganos (eles sempre acontecem) o saldo é positivo. A receita? Bem, não existe receita fechada, mas ter um teste atualizado e sobre assuntos variados e o famoso olho no olho na hora da entrevista são sempre mais efetivos que perguntas que sejam muito óbvias ou extremamente sem sentido. Aliás, como já falei aqui algumas vezes, concordo com a conclusão do pessoal do Google que descobriu que algumas técnicas mudernas de seleção servem apenas para dar importância aos profissionais responsáveis pela criação e utilização desses mecanismos do que para escolher a pessoa certa para o cargo certo.

Encontrei o texto abaixo, que cita mais alguns pontos que devem ser levados em conta na hora da contratação e não descordo deles.

O processo de seleção e contratação de funcionários é algo que sempre requer atenção. Não importa o tamanho da empresa ou sua área de atuação. É a força de trabalho que gera os resultados do negócio ou, pelo menos, grande parte deles. Por isso, uma escolha errada pode afetar a produtividade da equipe inteira e comprometer sua iniciativa.

Confira alguns cuidados que você deve tomar para não errar na hora de contratar:

  1. Saiba o que você procura

Saber apenas o título e descrição da vaga que será preenchida não é o suficiente. É preciso compreender que tipo de profissional e perfil a posição requer. Defina exatamente quais as qualidades e habilidades que se encaixam com atividades diárias do cargo, as ambições e motivações que são compatíveis com as da empresa e da equipe, o tipo de experiência que será um diferencial. Com tudo isso em mente antes de admitir funcionários, as chances de errar são menores.

  1. Vá além do currículo

Enquanto o currículo ainda é um item importante a ser analisado na seleção de um candidato, ele não deve ser o único. As informações contidas no documento, como experiência profissional e dados sobre a formação acadêmica, ajudam a entender o histórico do candidato, mas não servem de indicativo de quem ele realmente é. Focar demais no papel pode levar a uma interpretação que não condiz com a realidade. Alguém que aparenta ter a experiência perfeita para um cargo de gerência pelo currículo, por exemplo, pode não ter nenhum traço de espírito de liderança.

  1. Fuja das perguntas padrão

A entrevista é um momento essencial para a admissão de funcionários. Com ela, é possível observar a postura do candidato, sua forma de interagir e de pensar – informações que definem se alguém é compatível com a vaga oferecida e com a cultura organizacional da empresa. Mas, para conseguir reações autênticas e descobrir as motivações dos candidatos, é preciso fugir do lugar comum. Com perguntas padronizadas, você pode conseguir apenas respostas ensaiadas e acabar contratando funcionários desmotivados e incapazes de se adaptarem a mudanças e adversidades.

Fonte: Administradores