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Caras fecha redação no Rio de Janeiro e VIP vira seção da Exame

Mais um capítulo do esvaziamento do Rio e do fim do mercado jornalístico

Faz anos que os empresários falam da crise no mercado editorial. Claro que houve mudanças e que as tiragens físicas diminuíram, mas não faltam exemplos de como sobreviver e continuar ganhando dinheiro (leia sobre o New York Times).

A notícia abaixo — tirada do Comunique-se — é triste e mostra, mais uma vez, a falta de visão e capacidade de adaptação dos nossos empresários.

Caras fecha redação no Rio de Janeiro e VIP vira seção da Exame

Mais duas notícias negativas para a mídia impressa brasileira. Nesta semana, a revista Caras decidiu descontinuar a sua redação no Rio de Janeiro, conforme informou o site Metrópoles. No Grupo Abril, empresa que está em processo de recuperação judicial, a notícia gira em torno da VIP. A partir deste mês, a marca deixa de ser um título próprio para seguir como um simples caderno dentro da Exame.

O fim da redação da Caras no Rio de Janeiro foi divulgado em primeira mão pelo jornalista Leo Dias. Em seu perfil no Twitter, o profissional de SBT e O Dia lamentou o episódio. A estrutura fluminense do impresso já vinha operando de forma diminuta. De acordo com os dados atualizados no Workr, solução do Comunique-se que conta com mailing jornalístico, apenas quatro jornalistas atuavam no espaço: a editora Bianca Portugal, o repórter fotográfico Cadu Pilotto, a repórter Roberta Encansette e o diretor Pablo D’la Fuelte. A equipe deve, por ora, seguir em formato home office.

O fechamento do escritório carioca se dá no ano em que a Caras promoveu demissão em massa. Em março, reportagem assinada por Nathália Caravalho apontou que mais de 20 profissionais tinham sido demitidos da revista. Na ocasião, a empresa informou que iria investir cada vez mais no título voltado a falar de celebridades.



Fim da VIP

Além da sucursal carioca da Caras, quem chega ao fim é a VIP enquanto revista. Mantido desde a década de 1980 pela Editora Abril, o título masculino deixa de ter vida própria nas bancas. A edição de setembro foi a última da marca. A partir de agora, VIP volta às origens, compondo o conteúdo apresentado nas páginas da Exame. A agora ex-revista passa a ser uma seção dentro da publicação voltada à economia e aos negócios. No Facebook, rede social em que o título tem mais de 1,2 milhão de seguidores, o nome já foi alterado para Exame VIP.

“A VIP nasceu em 1981, como uma seção de lifestyle da Exame. Agora, volta às origens. Por aqui, continue acompanhando nossa curadoria do melhor do estilo de vida, para homens e mulheres – com ainda mais apuro e sofisticação”, avisou a equipe da Abril em comunicado divulgado no Facebook ainda em setembro. Nesta semana, o site Coletiva.net registra que, como caderno da Exame, VIP contará com oito páginas de conteúdo — a ser editado por Ivan Padilla.

Fonte: Comunique-se

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Grupo Abril entra em recuperação judicial

Dívidas do Grupo Abril chegam a R$ 1,6 bilhão e empresa teve prejuízo de R$ 331 milhões em 2017

Não sei se é o fim de um ciclo, mas a coisa está feia no Brasil. Pena que nossas empresas não sigam o exemplo do New York Times, sobre o qual escrevi aqui.

Reproduzo a matéria do Meio & Mensagem sobre o Grupo Abril.

O Grupo Abril entrou nesta quarta-feira, 15, com pedido de recuperação judicial em São Paulo. O protocolo se refere a todas as empresas, incluindo Abril Comunicações, Dipar Participações e Total Express. O escritório Mange Advogados acompanha o processo, que prevê 180 dias para a companhia não ser executada enquanto a dívida é renegociada com credores.

Segundo comunicado enviado à imprensa, o pedido de recuperação “se deve à necessidade do grupo em buscar proteção judicial para a repactuação de seu passivo junto a bancos e fornecedores e, dessa forma, garantir sua continuidade operacional”. O comunicado ocorre uma semana depois da ampla reestruturação que encerrou várias marcas. Além da dívida de R$ 1,6 bilhão, a empresa teve prejuízo de R$ 331 milhões em 2017. Descontados os títulos descontinuados, o grupo tem hoje cerca de 4,6 milhões de exemplares de 11 marcas diferentes em circulação mensal, print e digital, segundo o Instituto Verificador de Comunicação (IVC), o que ainda faz da empresa a líder entre publishers de revistas.
O foco principal da editora é, atualmente, as marcas Veja, Exame e Claudia. Entre as revistas encerradas, estão Elle, Cosmopolitan e Veja RIO. Segundo o Portal dos Jornalistas, o grupo procura negociar marcas como VIP, Placar, Viagem e Turismo e Guia do Estudante.

A consultoria Alvarez & Marsal foi contratada para o processo de reestruturação e um dos diretores, Marcos Haaland, foi nomeado presidente do grupo para conduzir os trabalhos internamente. Em entrevista à Exame, o executivo disse que foram demitidas 800 pessoas no processo iniciado semana passada, entre elas a publisher Alecsandra Zapparoli, e o grupo mantém cerca de 3 mil funcionários.

Sobre o futuro da companhia, Haaland disse que não pode “julgar o passado, até porque eu não estava aqui. Mas há uma mudança tecnológica que está afetando o setor como um todo, que trouxe uma crise e uma necessidade de pensar como é produzido e distribuído um conteúdo de qualidade”. Contextualizou como um problema global e estrutural do setor de comunicação, que deve levar em conta o avanço tecnológico. “Alguns que começaram mais cedo a se mover já estão mais adaptados, caso do jornal americano The New York Times. A Abril está buscando essa adequação e um novo modelo para se revigorar. Vamos sair da recuperação judicial, quanto antes, com a empresa novamente saneada e em condições de ter um longo futuro digital”, afirmou Haaland.

Veja abaixo uma cronologia com os principais fatos do grupo nos últimos anos.

Fonte: Meio & Mensagem

NY Times: próximo de 1 milhão de assinantes digitais

Em meados dos anos 2000 o New York Times fez sua primeira tentativa de cobrança por conteúdo. Não deu certo! Depois, foi observando e estudando o mercado até que (muito depois, em 2011). O mesmo que aconteceu com o jornal americano foi se repetindo com praticamente todos os veículos de comunicação do planeta. Ainda hoje é muito difícil fechar a equação cobrança x audiência x lucro, fazendo com que muitas empresas sintam calafrios ao verem suas planilhas de custos e as verbas de publicidade.

O anúncio de que o NY Times chega próximo de 1 milhão de assinantes digitais é uma vitória de um jornal que não precisa se utilizar de subterfúgios como fofocas ou imagens com mulheres nuas. Tudo é baseado apenas na qualidade da notícia. Infelizmente, esse tipo de exemplo está muito longe de tentar ser adotado. Por mais de uma década “gurus digitais” (daqueles que leem livros sobre um tema e se tornam experts no assunto) insistem que o que o povo quer mesmo é ver bunda e ler notícias bundas. O detalhe é que nenhum desses brilhantes profissionais brasileiros consegue fazer com que seus empregadores obtenham números próximos da metade dos do NY Times.

New York Times online

O grupo New York Times divulgou na semana passada que seu lucro no segundo trimestre lucro superou as estimativas de analistas, após o publisher ter cortado despesas mais rapidamente que a queda de receita.

O lucro foi US$ 0,13 por ação, segundo comunicado – a Bloomberg, por exemplo, havia previsto uma média de US$ 0,11. Receitas tiveram queda de 1,5%, para US$ 382,9 milhões, abaixo da projeção média de US$ 383,3.

O digital foi responsável por 32,5% da receita total de mídia da empresa, com crescimento de 26,9%, enquanto que o aporte exclusivo de anúncios digitais cresceu 14,2%, chegando a US$ 48,3 milhões. Mas as perdas de receitas de anúncios em impresso novamente se sobrepuseram aos ganhos digitais, caindo 12,8% – a queda total de publicidade foi de 5,5%. O New York Times vem tentando atrair mais assinantes digitais e vender projetos de publicidade nativa.

Sobre circulação, a receita subiu 0,9%, segundo o comunicado. O número de assinantes exclusivamente digitais chegou a 990 mil no final do trimestre, um aumento de 19% em relação ao período do ano anterior, aproximando-se da histórica marca de um milhão.

“A gestão de despesas continuará a ser nossa maior prioridade também no segundo semestre de 2015, embora nossa ênfase em investimentos e execução de projetos digitais esteja mais intensa que nunca”, escreveu Mark Thompson, CEO.

O Times e outros publishers fizeram, recentemente, uma parceria com o Facebook e com a Apple para publicar histórias diretamente no news feed de suas plataformas, invés de encaminhar por meio de links para a página do NYTimes.com. Thompson disse que os acordos irão aumentar as receitas de anúncios digitais e poderá atrair mais assinantes.

Apesar das novidades em digital, o New York Times continua a investir em impressos. Em fevereiro o jornal lançou um novo projeto gráfico e editorial para o New York Times Magazine. Em abril anunciou uma seção masculina reformulada, num esforço para reforçar a publicidade impressa, que ainda compõe grande parte da receita anunciante do grupo.

Fonte: Meio & Mensagem

New York Times cresce receita, mas perde publicidade

Vocês juram que há uma crise?

New York Times 3O New York Times divulgou dados do segundo trimestre deste ano, permitindo avaliar o janeiro a junho na comparação com 2013. No geral, a receita cresceu 1% no período, chegando a US$ 779,12 milhões.

O lucro, porém, caiu 12,1%, chegando a US$ 112,36 milhões. Boa parte dessa diferença se deve pelo fato de 2013 ter contabilizado receitas provenientes da venda do Boston Globe, o que significa que os números do primeiro trimestre de 2014 em diante deverão ser mais condizentes com a nova realidade e tamanho do grupo.

A circulação voltou a aumentar, chegando a US$ 419,53 milhões, acréscimo de 1,7% sobre o primeiro semestre de 2013. A receita anunciante, no entanto, caiu 0,5%, atingindo US$ 315,07 milhões, apesar do aumento de 3,4% na virada do ano.

Nytimes_hqNo comunicado enviado à imprensa, Mark Thompson , CEO do grupo, destacou o aumento da circulação. “O crescimento das assinaturas digitais somaram 32 mil no trimestre, 39% a mais que o mesmo trimestre de 2013”, disse, destacando os novos pacotes de paywall lançados em março, como o NYT Now, NYT Opinion e o Times Premier.

Na comparação com o primeiro trimestre, as assinaturas cresceram 19%. Hoje, o New York Times tem 831 mil leitores dentro de seus planos digitais.

Fonte: Meio & Mensagem

 

Com planos de lançar plataforma no Brasil, New York Times escolhe representante comercial

nyt2711O The New York Times, que está planejando tudo para lançar a versão do jornal em português no segundo semestre do ano que vem, já decidiu quem vai cuidar da parte comercial no Brasil. Com a decisão, as negociações com anunciantes para a plataforma digital podem ser iniciadas.

A responsabilidade por esta área será da empresa Cesanamedia, que já cuidava da comercialização de espaços publicitários para anunciantes brasileiros que queiram veicular publicidade nas plataformas internacionais do NYT.

Em junho deste ano, o jornal efetivou uma plataforma digital voltada ao público chinês, reforçando a sua presença internacional. Após o sucesso da implementação do site, o veículo anunciou investimentos na versão online voltada para o público brasileiro, com abertura aos leitores prevista para setembro de 2013 e conteúdo editado em português.

“O NYT visualizou cenário favorável no País com a realização de grandes eventos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além da crescente visibilidade conquistada nos últimos anos”, diz o diretor da Cesanamedia no Brasil, Paolo Mongeri.

Para ele, o NYT é reconhecido como referência para conteúdo e um dos veículos de maior confiança e credibilidade do mundo. “A implantação de plataformas focadas nos mercados locais, como é o caso da China e também do Brasil, são sinais deste posicionamento”, finaliza.

Fonte: Comunique-se