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Brasileiros incrementam a compra de livros usados

Livros e automóveis são os produtos usados mais adquiridos nos últimos 12 meses, revela estudo da CNDL/SPC Brasil de setembro

Num país onde o índice de leitura é insuficiente e as editoras sofrem com o baixo número de exemplares vendidos, é um alento saber que os livros são os produtos usados mais comprados pelos brasileiros.

Um país se constrói com homens e livros“. A frase — adaptação da sentença de Monteiro Lobato e lema dos comerciais da Biblioteca do Exército — serviu como base para a formação de uma geração que tinha na leitura um dos alicerces da sua educação.

Líder de vendas

Os livros foram responsáveis por 54% das vendas de produtos usados em 2017, na frente até dos automóveis (43%), segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Não sei se isso significa que a população está lendo mais, mas é um dado que deve ser comemorado de qualquer forma. Ainda mais, se levarmos em conta que a maior parte dos produtos colocados à venda no período foi formada por eletrônicos (40%) e smartphones (40%).

A pesquisa mostra que a oportunidade de diminuir gastos e poupar é um dos objetivos da maioria das pessoas que optam pela aquisição de produtos usados. Dentre os que compraram ou venderam produtos usados nos últimos 12 meses, 65% calcularam a economia proporcionada, sendo 41% no caso da compra e 24% com a venda. Entre esses, nove (92%) em cada dez consumidores acreditam que a economia de dinheiro com a compra de usados foi significativa para o bolso. Os sites ou aplicativos especializados e o contato com amigos e conhecidos se destacam entre os principais locais para compra e venda de usados.

A pesquisa

A pesquisa ouviu 824 consumidores de ambos os gêneros, todas as classes sociais, capitais do país e acima de 18 anos. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

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Os Mutantes ganham sua discobiografia

Sessão de autógrafos  aconteceu nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro

Difícil explicar como uma banda como Os Mutantes apareceu no cenário musical brasileiro dos anos 1960, basicamente comportado e elitista, com pitadas de popular.

O som psicodélico, anarquista e único do grupo é agora contado em Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira.  A autoria (em português e inglês) é da jornalista Chris Fuscaldo.

O livro revela detalhes das gravações e das capas que embrulhavam os petardos sonoros contidos naquelas bolachas de vinil — estamos falando dos anos 60 e 70, quando o CD e o streaming não pensavam em existir.

Cinquenta anos de sucesso

O aniversário de 50 anos do lançamento do primeiro disco da banda — Os Mutantes (1968) foi o gatilho para a ideia do livro.

— Em fevereiro, tive um insight de que o primeiro disco deles fez 50 anos. Escrevi tudo em dois meses. A pesquisa foi longa, mas escrever foi fácil — disse a autora.

O livro, com um texto leve e delicioso de ler, serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas.

Hits e obscuridades

Ligados ao Tropicalismo, os Mutantes, se colocam em um espaço único na história musical brasileira. Canções como Ando Meio Desligado, Balada do Louco, Panis et Circenses e Baby, são reconhecidas em todos os cantos do país. Mas como não falar de obscuridades brilhantes como Bat Macumba, Meu Refrigerador não Funciona e Chão de Estrelas?

A criatividade das composições, a inteligência das releituras e a sonoridade única deixaram marcas profundas no desenvolvimento do nosso cenário musical.  Além da inovação tecnológica. Vários de seus instrumentos era fabricados especialmente para eles, ajudando a formatar sons únicos.

Sucesso reconhecido

O trio Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee — mais tarde acrescido dos ótimos Liminha e Dinho Paes Lima — construiu uma obra que é reverenciada em todo o planeta.

Difícil entrar em alguma livraria ou loja de discos na Inglaterra ou Estados Unidos sem encontrar algo relacionado ao grupo.

Gente do calibre de David Byrne, Kurt Cobain e Sean Lennon está entre os fãs da banda, que até hoje arrasta um grande público por onde quer que passe.

— Eu conheci os Mutantes na coletânea que o David Byrne lançou sobre a música brasileira, Everything Is Possible (1999). Foi incrível descobrir que tudo aquilo foi criado por uma só banda — revelou Chris Fuscaldo.

Consultoria de primeira

Com um texto leve e delicioso de ler, Discobiografia Mutante: Discos que Revolucionaram a Música Brasileira serve como uma espécie de complemento para a também ótima biografia do grupo — A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado (editora 34) — mas abordando outros ângulos da genialidade daqueles loucos paulistas e baseado em depoimentos de quem participou de tudo.

— Comecei a fazer a pesquisa em 2002, quando estava na faculdade de jornalismo. Nessa época eu era estagiária no Globo Online, e meu mentor era o Jamari França. Ele fez uma ponte para eu falar com a Rita Lee e, na mesma época, tive acesso ao Sérgio Dias. Ao longo dos anos, fiz várias matérias sobre o grupo — disse Chris Fuscaldo.

Sérgio, aliás, acabou sendo uma espécie de consultor do projeto.

— Fui ver um show dos Mutantes em Ribeirão Preto e acabamos retomando o contato. Depois disso, o Sérgio serviu como fonte para tirar algumas dúvidas que ainda tinha — revelou a autora.

Discobriografia ampliada

Um dos maiores trunfos da publicação é ampliar a discografia do grupo aos álbuns solo lançados com a participação (divulgada ou não) dos membros da banda.

Assim, obras como Loki? (1975) e Esse é o Primeiro Dia do Resto das Nossas Vidas (1972), que são importantíssimos para a compreensão do legado da banda, também ganharam destaque.

Os lançamentos mais recentes — de Technicolor (2000) até Fool Metal Jack (2016) — também estão incluídos. O que torna o livro a obra mais abrangente já escrita sobre a música dos Mutantes.

As histórias sobre as gravações e a produção das capas dos discos são recomendadas para iniciantes e iniciados.

Vaquinha virtual

O projeto foi todo bancado por um crowfunding (vaquinha virtual). O que deu mais liberdade para a autora. Mas também aumentou os riscos da ideia nunca chegar ao papel.

— Eu pensei em levar o livro para uma editora. Mas como eu me coloquei um prazo muito curto para termina-lo, preferi fazer sem o envolvimento delas. Além disso, muitas delas estão com muito problemas financeiros. Achei melhor fazer por mim mesma — explicou.

A autora

Chris Fuscaldo é jornalista, pesquisadora e já trabalhou nos jornais O Globo e Extra, e na revista Rolling Stone. Em 2015, fez a pesquisa do livro Rock in Rio 30 Anos e, em 2016, lançou a Discobiografia Legionária (Ed. LeYa), sobre o Legião Urban. Ano passado, soltou a voz no CD Mundo Ficção.

A trajetória da autora (que conheço desde que era estagiária) segue um caminho muito desprezado país: o da preservação da nossa história.

— É isso que tento fazer na minha vida profissional. Preservar a memória da música brasileira. O que não é fácil — explicou.

Lançamento (Rio de Janeiro)

O lançamento da Discobiografia Mutante aconteceu na sexta-feira (31/8) no Sebo Baratos, na Rua Paulino Fernandes, 15 – Botafogo – às 19h.

Foi ótimo!

Serviço

Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira
Livro bilíngue Português / Inglês
243 páginas
Autora: Chris Fuscaldo
Editora: Garota FM Books
Preço: R$ 80,00

Site para compra: http://chrisfuscaldo.com.br/discobiografia-mutante/

Fotos: Divulgação, reprodução e Tatynne Lauria

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Thanks Mr. WHO?!

Autobiografia de Roger Daltrey ganha data de publicação

Um post na página de Roger Daltrey no Facebook, nesta quarta (25), anunciava a pré-venda da tão esperada autobiografia do fundador do The Who. O lançamento acontecerá no dia 18 de outubro, no London Literature Festival de 2018 do Southbank Centre. Nos EUA, chega em 23 de outubro, pela Blink Publishing.

Os felizardos que têm ZIP Code apto para a encomenda concorrerão a um exemplar especial — são apenas cinco —, com assinatura e capa personalizada exclusiva. Verifiquem suas chances neste link.

roger daltrey autobiografia frasesdavida
Capa: Roger nos anos 1970 em frente a uma pilha de escombros (Divulgação)

“Thanks A Lot Mr. Kibblewhite: My Story” aborda os 50 anos de Daltrey com o The Who, além da carreira solo que reúne oito álbuns de estúdio. Não é apenas um livro de memórias, nem só as lembranças de uma das lendas vivas do rock’n’roll; é também um vislumbre da vida no Reino Unido entre 1940 e 1970 — décadas de tumultuadas mudanças.

Ben Dunn, editor e diretor da Blink Publishing na Inglaterra, falou sobre a autobiografia.

“Roger Daltrey escreveu um livro de memórias brilhante: envolvente, engraçado e cheio de histórias incríveis. É uma das últimas grandes lendas do rock, e nós estamos satisfeitos que Roger escolheu a Blink Publishing para ajudar a contar sua fascinante história.”

Who the hell is Mr. Kibblewhite?

Nascido no coração da Blitz, em março de 1944, Roger Daltrey pertence a uma geração que lutou (literalmente) pela educação e sobreviveu à pobreza do pós-guerra. São histórias de trabalho duro, resiliência e, especificamente no caso de Daltrey, uma energia de tirar o fôlego.

“Tive a sorte de viver em tempos interessantes. Testemunhei a sociedade, a música e a cultura mudarem além do reconhecimento. E ainda estou aqui para contar a minha história quando tantos outros ao meu redor não fizeram nada de um milagre”, disse Daltrey a respeito da obra.

No caminho do jovem aluno inteligente e promissor que se tornou um trabalhador diurno em uma fábrica de chapas metálicas, estava  Mr. Kibblewhite, diretor da Acton County Grammar School que disse a Daltrey que ele não seria nada na vida.

“Sempre resisti à vontade de ‘fazer memórias’, mas agora, finalmente, sinto que tenho uma perspectiva suficiente. Quando você passou mais de meio século no epicentro de uma banda como o Who, a perspectiva pode ser um problema. Tudo aconteceu no momento. Em um minuto estou no chão de fábrica em Shepherd’s Bush, e no outro sou atração em Woodstock.”

Roger Daltrey

O cantor batizou seu livro com o nome do diretor da escola — a mesma onde estudavam Pete Townshend e John Entwistle — com quem ele frequentemente colidia no auge da sua transformação em um adolescente rebelde. Até ser expulso.

O que a imprensa estrangeira já fala sobre o livro

“Tão imediata quanto a autobiografia de Keith Richards e tão franca e honesta quanto Springsteen e Clapton.”

“Thank You, o Sr. Kibblewhite é franco, autodepreciativo e cheio de humor.”

“É um must-have não apenas para os fãs do The Who em todo o mundo, mas também para qualquer amante do rock.”

Roger Daltrey montou o The Who em 1961, recrutando John Entwistle. Concordou com a proposta de John de que Pete Townshend deveria participar. Daltrey era o líder e a voz da banda. Uma potência vocal. Ficou conhecido por sua presença de palco e energia.

O reconhecimento a suas performances como frontman podem ser comprovados pela sua introdução ao Rock And Roll Hall of Fame (1990) e no Music Hall of Fame do Reino Unido (2005). No livro, Daltrey lembra de suas muitas aventuras como vocalista do The Who e da criação das gravações clássicas da banda.

Seus relatos dos excessos do rock’n’roll pelos quais o The Who se tornou notório — a destruição da guitarra no palco, as brigas, o caos — são tão divertidos quanto chocantes.

“Demorou três anos para desfazer os eventos da minha vida, para lembrar quem fez o quê quando e por que, separar os mitos da realidade, desvendar o que realmente aconteceu no Holiday Inn no aniversário de 21 anos de Keith Moon. Espero que o resultado seja mais do que apenas outra autobiografia”, disse Daltrey.

Mas tão convincente quanto o sexo, as drogas e o rock são as reflexões honestas de Roger sobre as relações que definiram sua vida e carreira — as memórias agridoces de sua amizade com Keith Moon e seu relacionamento tumultuado com Pete Townshend que definiu uma das maiores parcerias criativas da nossa época e deu origem a tantos sucessos inesquecíveis.

Não é apenas a história pessoal de Roger Daltrey; é a história definitiva de uma das maiores bandas do mundo.

Livro mostra a diversidade da música brasileira em imagens

Brasilerô traz imagens de grandes artistas captadas pela lente do fotógrafo Marcos Hermes e textos exclusivos de Andreas Kisser, Sandy, Zé Ricardo, Chico César, Zeca Baleiro e Chico Chico

Um dos grandes nomes da fotografia nacional, o carioca Marcos Hermes reuniu cliques dos seus quase 30 anos de carreira registrando ícones da música nacional em um livro tão diverso quanto os ritmos encontrados no Brasil: Brasilerô.

— A ideia do livro começou no aniversário de 90 anos do Dorival Caymmi (2004). Já tinha 20 anos de carreira e trabalhado com muita gente (Caetano, Gil, Sepultura, Ney Matogrosso). Nesse dia tive um insight do conceito. De juntar as imagens de forma eclética, para ajudar a desmistificar que a música brasileira é só MPB — explicou Marcos.

São 224 páginas de imagens que mostram a excelência de um trabalho que começou nos anos 1990 — publicando fotos, escrevendo em fanzines musicais e passando por jornais diários, como O Dia e Jornal de Hoje. As lentes de Hermes eternizaram momentos de ícones como Legião Urbana, Criolo, Tim Maia, Sepultura, Cássia Eller, Dorival Caymmi, Anitta, Sorriso Maroto, Pabllo Vittar, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Liniker, Moraes Moreira, Sandy & Júnior, O Rappa, Elza Soares e Marisa Monte, entre muitos outros.

Amigos de estrada

Com suas fotos ilustrando mais de 700 capas de CDs e DVDs, Hermes colecionou amigos durante essa caminhada, como Ney Matogrosso, que ilustra a imagem de capa (tirada em 1999) e Cássia Eller, para quem produziu o material promocional do Acústico MTV (2001).

— Colaboro com o Ney faz 18 anos. Ele é o artista que resume o que é a nossa música. É um artista muito original e respeitado por todos os músicos, de todas as vertentes, seja rock, heavy metal, bossa nova, sertanejo ou MPB. Por isso escolhi uma foto dele para a capa do livro. Um verdadeiro camaleão. Já a Cássia foi um furacão que passou na minha vida. O pouco tempo que tivemos juntos foi muito intenso. Ela era uma pessoa muito especial, e me marcou muito — disse.

Produção independente

Mas transformar o sonho em realidade não foi fácil. Apesar do reconhecimento profissional e do material de altíssima qualidade, Hermes teve que seguir o caminho do crowdfunding para levantar a verba necessária para o lançamento de Brasilerô.

— Valeu demais, apesar das dificuldades logísticas. Da tiragem inicial, de mil cópias, restam menos de 500, em pouquíssimo tempo de lançamento — comemorou o fotógrafo.

Digital ou película?

Hermes é uma daquelas pessoas que abraçam a tecnologia. Nada de puritanismos ou preconceitos em relação aos registros.

— Qualquer foto, seja feita com uma máquina profissional ou um celular, está valendo. Não há como ignorar a força das redes sociais e as suas necessidades e oportunidades — explicou.

Parte II

Marcos HermesEnquanto curte o sucesso de Brasilerô, Marcos Hermes já faz planos para a edição de um segundo volume.

— Estou preparando um segundo volume, já que neste primeiro não consegui incluir muita coisa que queria. Tinha planos para lançar o livro com 330 páginas. Acabou saindo com 224. Mas já tenho 30% do próximo livro com layout pronto — revelou Marcos Hermes.

Paul McCartney

Além de imortalizar imagens de artistas brasileiros, Marcos Hermes é, desde 2010, praticamente o fotógrafo oficial do ex-beatle Paul McCartney em suas visitas quase anuais ao Brasil. Agora, com o lançamento do novo disco (Egypt Station) marcado para o dia 7 de setembro, onde o país será homenageado com a canção Back to Brazil, Hermes espera voltar a encontrar o músico em terras brasileiras.

— Fotografar o Paul McCartney é algo sempre especial. Espero encontrá-lo novamente, e ter a oportunidade de registrar, mais uma vez, o maior de todos os tempos no palco — disse Hermes.

Onde comprar

No momento, a única maneira de adquirir o Brasilerô é diretamente no site do fotógrafo/autor, que está fechando uma parceria para distribuir o livro em todo o país.

Ficha técnica

Brasilerô
Número de páginas: 224
Preço: R$ 150
Onde comprar: Site do autor

Uma versão desse texto foi publicada na Revista Ambrosia

Dica para a Copa: Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético

O título é longo – Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar) -, mas a leitura é boa para quem já está na Rússia, ainda vai viajar ou vai ficar acompanhando a Copa por aqui mesmo.

O livro narra as aventuras de Zizo Asnis – escritor gaúcho de guias de viagem – que visitou vários países da ex-União Soviética, como a Bielorrússia e seguindo por Moldávia, Ucrânia e, Rússia, além de Mongólia e China.

O texto é leve, bem-humorado e vai ser uma boa companhia para os intervalos entre os jogos.

Alguns trechos do livro


Chernobyl

“Entrar nesses locais é a parte mais chocante da visita. Não tem como não se comover. Diferentemente de um museu, onde se tem acesso a informações, fotos, documentos, aqui não há nada escrito, fotografado, documentado, mas há evidência de vidas – vidas vividas e bruscamente interrompidas, como raramente se pode testemunhar.”

Cazaquistão

“E o que eu sabia do Cazaquistão? Fazia parte da União Soviética. Tinha montanhas. Tinha uns prédios modernos meio bizarros. E tinha Borat, o segundo melhor jornalista do glorioso país Cazaquistão! Enfim, um destino perfeito, ainda mais estando a poucas horas da fronteira. Só havia um possível problema: eu não tinha o visto. Não há consulado do país no Brasil, e não havia tempo hábil para solicitar em nenhum local durante esta viagem. Entretanto, eu vislumbrava duas chances: conseguir o visto na fronteira, eventualmente pagando uma taxa de ágio (e espero que ágio não seja eufemismo para propina) ou eu ser dispensado do visto. No site do Governo do Cazaquistão, informava sobre a necessidade de brasileiros portarem o visto, mas havia uma informação secundária, numa página mais escondida, que dispensava o visto de brasileiros (acho que a isenção era para diplomatas, mas não estava claro). Mesmo que aquilo tenha me parecido um erro, resolvi arriscar. E mais: constatei que argentinos não precisavam de visto para o Cazaquistão. Como assim? Por que cidadãos da Argentina não precisam e os do Brasil, sim? Considerei aquilo um ultraje diplomático que eu não iria aceitar, e assim, munido de todos os motivos do mundo, eu estava a caminho do território cazaque – sem visto”.

Transiberiana: uma viagem de trem pelo mundo soviético (e por outros países que não me deixaram entrar)

Preço – R$ 39,90
Páginas – 192
Compra através do link

Monty Python ganha biografia

Talvez os mais jovens estejam se perguntando: “o que diabos é Monty Python?”. O Monty Python é/foi um grupo humorístico inglês que revolucionou o jeito de fazer graça na TV (entre 1969 e 1974) e no cinema (entre 1975 e 1983), influenciando gente como o ex-beatle George Harrison, o comediante e ator Tom Hanks, os comediantes do Saturday Night Live e as mentes que criaram o TV Pirata e Casseta & Planeta – afinal, o humor começou muito antes do Porta dos Fundos. Lançado originalmente em 2003, Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python, ganhou versão brasileira no início do ano, com prefácio do cronista Antonio Prata e de Gregório Duvivier, do já citado Porta dos Fundos.

As informações acima podem gerar uma outra dúvida: por que fazer uma crítica de um livro lançado em 2003 e que chegou ao Brasil em janeiro, quando já estamos em março? A resposta merece um parêntesis.

Abre parêntesis

Sempre que possível faço criticas de discos, filmes, shows, peças de teatro e livros. Porém, diferentemente de muitos veículos de comunicação que até gozam de certo prestígio, não escrevo sobre nada que não tenha lido, ouvido ou assistido. Não acho justo com o artista, escritor e, principalmente, com o leitor. Reproduzir as informações contidas em um release é fácil, mas está longe de poder ser considerado jornalismo. Portanto, você jamais irá ler uma crítica no F(r)ases sobre algo que não tenha sido verdadeiramente analisado. Se você vai concordar ou não é outra história.

Fecha parêntesis

 

Formado pelos britânicos Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones e pelo americano e Terry Gilliam (responsável pelas ilustrações que tornavam o humor do grupo ainda mais único), o sexteto mudou o mundo e tinha uma química tão poderosa que George Harrison dizia acreditar que o espírito dos Beatles havia reencarnado no Monty Python, já que eles se reuniram no mesmo ano no qual os Fab Four se separaram. Harrison era tão fã do grupo que chegou a criar uma produtora de cinema e a hipotecar a sua casa para produzir o filme A Vida de Brian, o que, segundo os Pythons, deve ter sido o ingresso de cinema mais caro da história.

Spam e outros quadros

Mas, provavelmente, a maior contribuição dos Pythons (como eles se chamavam) foi a inclusão da expressão spam na vida de praticamente todos os moradores da Terra que usem a internet. A expressão spam/caixa de spam foi adotado por cause de um esquete do grupo onde um casal vai até uma taberna viking onde todos os pratos são servidos com spam (uma marca de carne suína enlatada, popular e de má qualidade). Depois do esquete, o spam (Sending and Posting Advertisement in Mass, ou enviar e postar publicidade em massa, ou ainda Stupid Pointless Annoying Messages) foi incorporado aos leitores de e-mail de todo o mundo.

O livro – publicado pela editora Realejo – sofre com algums problemas de tradução, especialmente nos nomes dos quadros que fizeram a fama dos Pythons, mas nada que atrapalhe o entendimento do espírito da coisa, como A Inquisição Espanhola, O Papagaio Morto, O Ministério das Caminhadas Tolas ou a Canção do Lenhador (The Lumberjack Song), a minha preferida.

Outro detalhe do livro é que a narrativa, apesar de cronológica, não é linear. Todo o texto é baseado em entrevistas dos membros vivos e nos relatos do diário e de familiares de Graham, morto em 1989, o que faz com que cada tópico seja comentado por cada um dos membros do grupo, muitas vezes mais de uma vez, e exige uma atenção extra para lembrar quem falou o que. Uma bagunça organizada, bem ao estilo Python.

 

Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, John Cleese,, Terry Jones e Terry Gilliam

Flying Circus e a conquista do cinema

 

O legado do Monty Python vai desde as esquetes criadas para o Monty Python’s Flying Circus (transmitido pela BBC entre 1969 e 1974), como as citadas anteriormente, mas também pelos filmes produzidos para o cinema e que foram, em alguns aspectos ainda mais brilhantes que os exibidos no programa de TV. Em Busca do Cálice Sagrado (1975), A Vida de Brian (1979) e, em menor escala, O Sentido da Vida (1983), são obras que não envelhecem e que estão entre o melhor que o humor já levou para as telas. Há também o Monty Python Ao Vivo no Hollywood Bowl (1982), mas esse é uma coletânea de esquetes e não um filme propriamente dito.

Provavelmente você vai lembrar de algumas das cenas que espalhei pelo post ou, pelo menos, notar semelhanças em muitos outros quadros e piadas de humoristas mais jovens.

A vida após o Monty Python

Com a morte de Chapman uma reunião verdadeira dos Pythons se tornou impossível, embora os sobreviventes tenham, vez ou outra, se encontrado para algum projeto. Porém, a atividade dos comediantes após a sua separação oficial foi sempre intensa e muitas vezes contando com a participação de algum dos antigos companheiros. Filmes de sucesso como Um Peixe Chamado Wanda, Brazil, As Aventuras do Barão de Munchausen, são alguns dos projetos nos quais pelo menos um dos Pythons esteve envolvido. Além desses filmes, há de se destacar as participações de John Cleese como M em alguns filmes da série James Bond, o especial de TV Rutles: All You Need is Cash (no qual Idle e amigos fazer uma paródia dos Beatles, com a participação de gente como Paul Simon, Mick Jagger e, claro, George Harrison). Cleese, talvez o mais ativo dos Pythons, também protagonizou a série de TV Fawlty Towers e fez aparições em outros programas como Cheers e 3rd Rock from the Sun.

Reconhecimento da classe

Os membros do Monty Python ganharam o reconhecimento definitivo dos colegas de profissão quando, em 2005, uma pesquisa feita com 300 outros comediantes, produtores, escritoires e diretores, colocou três dos seis Pythons entre os 30 melhores comediantes em lingua inglesa de todos os tempos: Cleese na posição 2, Idle na 21, e Palin na número 30.

Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python conta muitos detalhes e curiosidades sobre a vida e carreira do grupo (quase totalmente) inglês e é uma leitura muito interessante, embora exija, como já foi dito, uma certa atenção. Creio que os vídeos e áudios que complementam esse post sirvam para ajudar a entender porque eles alcançaram o status de um dos melhores (senão o melhor) grupo humorístico de todos os tempos.

Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python
Editora: Realejo
Páginas: 432 páginas
Preço sugerido: R$ 69,90

Mais dos Pythons

 

A última balada de Wilde (by André Machado)

Edição de 1921 do poema, editado por Robert Ross (foto minha, eu tenho o livro)

Num país como o nosso, com prisões superlotadas e volta e meia palcos de rebeliões e chacinas, é válido lembrar um dos mais famosos textos que denunciaram a dura realidade das prisões inglesas no século XIX — o longo poema “A balada do cárcere de Reading“, de Oscar Wilde, cuja publicação completou 120 anos no último dia 13 de fevereiro.

Condenado por sua homossexualidade a dois anos de prisão com trabalhos forçados a partir de 1895, Wilde viu sua vida ruir: foi à falência (seus bens foram leiloados às pressas antes mesmo do julgamento final), nunca mais pôde ver os filhos e tornou-se um pária. Um dos diretores do presídio de Reading, onde cumpriu a maior parte da pena, previu que o regime de trabalhos forçados a que o escritor foi submetido o deixaria alquebrado e o levaria à morte em poucos anos. De fato: Wilde morreu pobre e esquecido em Paris três anos e meio após sair da cadeia.

Edição de 1904 do poema (domínio público)

Enquanto estava em Reading, Wilde soube que um soldado de um regimento de cavalaria real, Charles Thomas Woolridge, seria enforcado por matar a esposa (cortou-lhe a garganta), o que lhe causou profunda impressão. Teria sido um crime passional. A execução ocorreu em julho de 1896, e o escritor foi libertado no ano seguinte, mudando-se para um chalé em Berneval-sur-mer, na França. Ali começou a rascunhar a balada, que se tornaria sua mais célebre obra em versos.

Dedicado ao soldado enforcado, o poema descreve as sofríveis condições na prisão, o clima de medo e solidão, a rotina de labuta e privações, e chega ao auge com a estrofe:

“Todos os homens matam o que amam

Seja por todos isto ouvido,

Alguns o fazem com acerbo olhar,

Outros com frases de lisonja,

O covarde assassina com um beijo,

O bravo mata com um punhal!”

(Tradução de Oscar Mendes)

Dedicatória de Wilde ao Major Nelson, diretor que o tratou melhor em Reading. Lê-se:"[ao] Major Nelson, do autor, em reconhecimento de muitos atos de delicadeza e gentileza". Note o C.3.3, número da cela de Wilde, com que foram assinadas as primeiras edições (reprodução)

Com tais versos, Wilde se compara ao cavalariano enforcado, mas em seu caso foi de sua própria vida social e liberdade que ele deu cabo, ao tentar processar o marquês de Queensberry, pai de seu amante, Alfred Douglas, e ver o governo britânico se voltar contra si.

O poema, última obra literária do escritor irlandês, teve seu esboço inicial escrito em apenas 12 dias, segundo o biógrafo Richard Ellmann. Depois foi revisado e aumentado. No total são 109 estrofes com seis versos cada uma, alternados entre oito e seis sílabas. Mas uma versão com 63 estrofes também apareceu em edições póstumas, editadas por Robert Ross, melhor amigo, amante e testamenteiro literário de Wilde. Numa reedição de 1921 de “Selected poems – Oscar Wilde“, originalmente publicada em 17 de agosto de 1911, Ross apresenta as versões completa e a condensada, indicando que a última deriva “do esboço original. Ela foi incluída para beneficiar récitas cujas plateias acharam o poema muito longo para declamação”. (Uma leitura magistral do texto em inglês está no YouTube. O poema original em inglês pode ser encontrado aqui.

Wilde em 1897 em Nápoles, após sair da prisão (reprodução) Ross também nota que a balada representou a volta de Wilde à poesia após 16 anos mergulhado em prosa e teatro, com a notável exceção de “A esfinge”, de 1894. O poema foi inicialmente publicado pelo editor Leonard Smithers sem o nome do autor e com o pseudônimo C.3.3, que indicava a cela onde Wilde ficava. Só após sete edições seu nome foi revelado, e mesmo assim ao lado do C.3.3, entre parênteses, na folha de rosto. Segundo Ellmann, entre 1898 e 1899 foram vendidas cerca de 4.100 cópias (até a sexta edição). Uma tradução francesa feita por Henry Davray saiu ainda no final de 1898.

“Estou tão feliz com o sucesso de meu poema na Inglaterra”, escreveu Wilde a um amigo. “Mas é o meu canto de cisne, e sinto ter de partir com um grito de dor; mas a Vida que tanto amei — amei demais — me dilacerou como um tigre (…). Não creio que escreverei novamente; la joie de vivre se foi.”

Dito e (não) feito. A chama wildeana se apagou em novembro de 1900 em Paris. Mas “A Balada…” permanece. Dela saiu o próprio epitáfio de Wilde: “Por ele se encherá de alheia lágrima/ A urna partida da compaixão,/ porque por ele chorarão os proscritos/ E os proscritos sempre choram“.

 

Sobre o autor

André Machado é jornalista, rockeiro, bluseiro, amante da boa literatura e uma das pessoas mais especiais que já conheci. Difícil encontrar algo que ele não faça bem.

Trilogia de Matías Molina pretende contar história dos jornais brasileiros

Ainda não li nenhum trecho, mas desde já recomendo.

molina-livroO jornalista Matías Molina colocará no mercado três livros sobre a história dos jornais brasileiros. O tema das obras é resultado de décadas de pesquisa. Com o trabalho, o autor pretende abarcar toda a história da imprensa no país, desde suas primeiras manifestações no Brasil colônia até os dias atuais. O primeiro volume da série, intitulado História dos Jornais do Brasil – Da Era Colonial à Regência (1500-1840), será lançado em 10 de março.

O primeiro livro chega ao mercado com 536 páginas e fala sobre a imprensa no período colonial, tempo em que o Rio de Janeiro era sede da Corte, e se estende até a época da Independência. A história de que os jornais foram palco de disputas políticas será contada.

Editado pela Companhia das Letras, o volume traz epílogo com análise dos fatores que condicionaram o desenvolvimento da imprensa no país e ajudam a explicar a baixa penetração dos jornais na sociedade brasileira. A segunda obra vai falar sobre os jornais do Rio de Janeiro até o início do século XXI. O terceiro livro conta a história dos impressos de São Paulo no mesmo período.

Molina tem em seu currículo passagens pela Editora Abril, onde foi editor-chefe do grupo de revistas técnicas e lançou a revista Exame, pela Folha, como editor de Economia, e pela Gazeta Mercantil. No mercado editorial, é autor do livro Os melhores jornais do mundo.

Fonte: Comunique-se

Google e Barnes & Noble unem forças

Será que teremos isso aqui algum dia? Acho que enquanto dependermos dos Correios, não.

barnes-and-noble-booksellersNão é só o Walmart.com que está com a Amazon em sua alça de mira. O Google e a Barnes & Noble firmaram um acordo na área de distribuição de livros. A partir dessa semana, quem comprar obras impressas no Google Shopping Express receberá seu produto no mesmo dia. A informação é do jornal The New York Times.

O serviço estará disponível inicialmente para compradores residentes em Manhattan, na região Oeste de Los Angeles e na baía de São Francisco. O novo sistema de entregas usará o suporte das unidades físicas da rede de livrarias.

A parceria, que poderá ajudar a desenvolver a operação online da Barnes & Noble – que fechou 63 lojas nos últimos cinco anos –, foi divulgada um dia após a Amazon confirmar a ampliação do seu serviço de entrega no mesmo dia para outras seis cidades (Baltimore, Dallas, Indianápolis, Nova York, Filadélfia e Washington).

E-commerce com entregas no mesmo dia criado pelo Google em 2013, o Google Shopping Express está disponível apenas para algumas regiões dos Estados Unidos. Em alguns locais, a entrega é feita em um dia. O site abrange lojas como Cole Hardware, Costco, Google Play, Guitar Center, L’Occitane, Nob Hill Foods, Staples, Target e Walgreens.

Fonte: Meio & Mensagem

Saraiva apresenta leitor de livros digitais Lev

saraiva-levA Saraiva anunciou nessa terça-feira 5 o lançamento de seu leitor de livros digitais Lev. A coletiva de imprensa, realizada na loja do Ibirapuera, contou com a presença do apresentador Zeca Camargo, parceiro da livraria, que lançou no ano passado um livro somente na versão digital, em que fala sobre seus 50 anos. O dispositivo chega para ampliar o portfólio de conteúdo digital do grupo em duas versões, com e sem luz.

“O Lev é um instrumento facilitador, mais direto e mais acessível”, comenta Zeca Camargo sobre a experiência de leitura no novo e-reader. Segundo ele, o leitor mudou e a maneira de ler livros também. E esse é o mote da Saraiva, “O livro não mudou. Quem mudou foi o leitor”.

A empresa ingressou no segmento com o Saraiva Digital Reader, lançado em 2010, e que já conta com mais de quatro milhões de downloads. “Com esse novo dispositivo, temos uma estratégia de longo prazo com foco em oferecer a melhor experiência para o cliente, uma experiência única, ampliando cada vez mais o acesso aos conteúdos digitais”, afirma Michel Levy, CEO do Grupo Saraiva.

O Lev foi desenvolvido em parceria com a Bookeen, líder europeu em dispositivos para leitura, e o Centro de Estudos Avançados do Recife (C.E.S.A.R), que trabalhou em conjunto com a equipe da Saraiva na criação do software e integração com a biblioteca de livros digitais e da loja.

Em quatro anos, segundo Deric Guilhen, diretor de produtos digitais da Saraiva, a rede aumentou o número de editoras parceiras de 40 para 600. Ele ainda explica o nome do novo produto. “Lev vem de leveza, que propicia o conforto da leitura. Ele pesa 190 gramas. E também de levar, pois o dispositivo engloba toda a biblioteca sincronizada na nuvem”, relata. Apesar de não divulgar valores, a Saraiva informou que um de seus maiores investimentos foi a integração da plataforma, que também aceita documentos PDF.

O leitor digital será vendido em todas as lojas da Saraiva e nos sites da livraria e do Walmart.com, parceiro do grupo. O leitor já vem com 14 títulos gratuitos, quatro deles na lista dos mais vendidos. O produto é compatível com um acervo de mais de 30 mil obras em português e 450 mil em língua estrangeira. Desses livros, 65% são de interesses gerais; os demais são da categoria de CTP (científicos, técnicos e profissionais).

O Lev chega ao mercado com tela touch screen HD de 6 polegadas, bateria que dura até três semanas e memória de 4 GB, que permite armazenar cerca de 4 mil livros. A versão sem luz sairá por R$ 299 e a com luz por R$ 479, mas até dia 31 de agosto, terá preço promocional de R$ 399.

Fonte: ProXXIma

Livros para o Dia do Rock

Há vários ótimos livros sobre astros de rock no mercado. Indico as biografias de Eric Clapton e Pete Townshend e o Man On the Run (que conta a trajetória de Paul McCartney nos anos 70). Porém, não poderia deixar de citar os bons títulos da editora Nossa Cultura.

Abaixo os releases dos três últimos lançamentos.

Livro Caro MorriseyBruce: No livro, o autor Peter Ames Carlin engloba a amplitude da carreira assombrosa de Bruce Springsteen e explora o íntimo de um homem que conseguiu redefinir gerações de música. Obrigatório para os fãs, BRUCE é uma biografia minuciosamente pesquisada, de leitura quase compulsiva, sobre um dos artistas mais complexos e fascinantes da história da música norte-americana.

Ficha técnica – Bruce
Editora: Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-119-4
Tradução: Paulo Roberto Maciel Santos
Páginas: 518 Páginas
Formato: 16 x 23
Preço: R$ 59,00

Caro Morrissey: Raymond despeja no papel as desgraças de sua vida numa série de cartas a seu ídolo, o ex-astro dos Smiths, Morrissey. Corre o ano de 1991 e a banda ainda é uma lembrança viva (como até hoje) no coração de fãs como Raymond. Raymond Marks, pois, é um menino normal, de uma família normal, do norte da Inglaterra. Até que, às margens do Canal de Rochdale, jogando o inocente jogo do caça-moscas, Raymond começa a derrocada trágica – mas sempre cômica – de seus anos de adolescência, e a vida dele e de sua mãe nunca mais vai ser a mesma. A Raymond só resta pegar a estrada e, a cada parada, abrir o caderno em que escreve suas letras e, naquelas páginas quase todas em branco, confessar tudo – a história completa da sua tragicômica vida – sempre começando por: “Caro Morrissey…”

Ficha Técnica – Caro Mossissey
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-806-6113-2
Formato: 15 x 23
Páginas: 364 páginas
Preço: R$ 55,00

A batalha pela alma dos BeatlesA batalha pela alma dos Beatles: Nesta cativante narrativa, Peter Doggett documenta os dramas humanos da rica e envolvente história do império criativo e financeiro dos Beatles, formado para salvaguardar seus interesses, mas fadado a controlar suas vidas. Da tragédia até o retorno triunfal, dos confrontos judiciais aos sucessos nas paradas, A Batalha pela Alma dos Beatles retrata a história não contada de uma banda e de um legado que nunca serão esquecidos.

Ficha Técnica – A batalha pela alma dos Beatles
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-095-1
Formato: 16 x 22,7
Páginas: 512 páginas
Preço: R$ 59,90

O homem deu nome a todos os bichos: A voz rouca de Bob Dylan somada à batida marcante da música Man Gave Names to All the Animals, em português O homem deu nome a todos os bichos, conquistou pessoas de todas as idades pelo mundo a fora. Nela, Dylan descreve e nomeia diversos bichos e brinca com as características marcantes de cada um. Publicada pela editora Nossa Cultura, a obra é toda ilustrada pelos desenhos de Jim Arnosky que misturam a natureza com o lúdico e conquistam o leitor pelo seu humor e detalhismo. Acompanhado de um CD com a canção original, o livro O homem deu nome a todos os bichos promete propiciar uma experiência única que irá divertir e ensinar toda a família.

Ficha Técnica – O homem deu nome a todos os bichos
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-096-8
Páginas: 32 Páginas
Formato: 24,8 x 28,5
Preço: R$ 43,00

Crítica: 1973 – O ano que reinventou a MPB

1973capalivroSe vivemos uma época onde as fitas cassetes são desconhecidas, os festivais de música acabaram, os CDs estão virando história e os LPs – aqueles bolachões feitos de vinil – voltaram a moda, nada melhor do que um olhar crítico sobre a época onde os LPs eram verdadeiramente as estrelas da indústria fonográfica, muito antes dos WalkMan, iPods e etc. Foi com a intenção de contextualizar a produção musical brasileira em um dos anos mais importantes de sua história que o jornalista Célio Albuquerque organizou o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB” (Editora Sonora), que terá lançamento em Niterói na próxima terça-feira.

Para quem é muito jovem ou nunca se preocupou em conferir os anos nos quais seus discos preferidos foram lançados, um lembrete: 1973, ainda sob forte ditadura e muita censura, foi o ano dos Secos e Molhados, do primeiro disco de Raul Seixas, de Clementina de Jesus e seu “Marinheiro Só” e do debut de Luiz Melodia, só para citar alguns dos 50 títulos revistos pela obra.

Os textos, escritos com liberdade por nomes como Antônio Carlos Miguel, Silvio Essinger, Pedro Só, Rildo Hora, Tavito, Roberto Muggiati e Moacyr Luz, entre muitos outros, dão visões diferentes para cada um dos discos. Alguns em tom mais de crítica musical, outros em clima de memórias nostálgicas e alguns como sinceros depoimentos de quem participou dessa história.

SecoseMolhados1973Como toda lista de “melhores”, a do livro também tem suas polêmicas, a começar pelo próprio ano escolhido. É verdade que 1973 produziu alguma obras que até hoje se mantém atuais e seminais para nossa história musical, mas talvez seja um exagero disser que foi “O ano que reinventou a MPB”, já que um ano antes, apenas para citar um exemplo, foram lançados o Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges) e Acabou Chorare (Novos Baianos), o que põe em cheque o status de reinvenção do ano seguinte. Mesmo entre os títulos analisados (até mesmo alguns que não chegaram ao mercado) podemos perguntar sobre a ausência do disco de Roberto Carlos que, apesar de realmente não ser dos mais inspirados do Rei, conta com canções como Proposta, uma das mais populares de seu repertório, lembrando que Roberto construiu nesta década o seu “reinado”.

Alguns dos textos são deliciosamente envolventes, outros mais informativos, mas em todas as resenhas há um quê de admiração, de reverência (justa) ao que foi produzido. Uma pena que não seja tão fácil reunir todo esse material em CD ou em formato digital, pois ouvir cada um dos discos escolhidos para compor o livro seria um complemento perfeito para o leitor/ouvinte com menos de 40 anos.

Bom saber que ainda há espaço e pessoas com disposição para resgatar nossa história, seja ela de qual setor for. Como diz o prólogo do livro:”os autores não pretendem fornecer explicações… mas sim abordar a certeza absoluta do mistério que envolverá para sempre 1973 – O ano que reinventou a MPB”.

 Serviço:

Lançamento: 1973 – O ano que reinventou a MPB
Local: Livraria Gutenberg, Rua Cel. Moreira Cesar 211 loja 101, Icaraí
Horário: 17h

Crazy Diamond – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd

crazydiamondsydbarrettLançado no Brasil no fim do ano passo pela editora Sonora (especializada em publicações musicais) o livro Crazy Diamond – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd, dos jornalistas Mike Watkinson e Pete Anderson, traça um perfil do integrante mais obscuro e cultuado do grupo, que fez fama após a sua saída.

Morto em 2006, Barrett se transformou de um jovem brilhante em uma alma atormentada e uma mente alterada pelo uso excessivo de drogas, principalmente o LSD. O legado musical de Barrett, que gravou apenas dois discos de estúdio – The Madcap laughs e Barrett (os dois de 1970) e teve uma coletânea com registros raros, Opel, lançada em 1988. Os três álbuns foram relançados em uma caixa nos anos 90 e a leitura do livro faz crescer em muito a vontade de ouvi-los.

Mas, voltando ao livro, a sua leitura é obrigatória (e um prazer) para todos os fãs da banda e os que se interessam por rock. A tradução é das melhores e o preço (por volta de R$ 28) é uma pechincha.

Peço desculpas por só escrever essa crítica agora em janeiro, mas não consegui começá-la antes de terminar de ler o livro até a última linha.

Já na lista dos melhores do ano (mesmo sendo um lançamento de 2013).

Ouça algumas músicas de Barrett na playlist do F(r)ases, no menu lateral.

A (chata) polêmica das biografias não autorizadas

Roberto Carlos em DetalhesSaio de férias e fico, na medida do possível, acompanhando a surreal discussão sobre as biografias. Sendo um devorador deste estilo literário (autorizada ou não) e tendo entrevistado recentemente dois dos maiores biógrafos do mundo, ainda me surpreendo com a posição de certos artistas e da nossa Justiça, que permite que uma obra seja recolhida por que o objeto do texto não gostou de algo que foi revelado.

As autobiografias têm um valor inestimável, já que alguns aspectos e incidentes só podem ser explicados por quem estava lá. Porém, como todos sabem e, quero acreditar, tenha sido o caso recente de Chico Buarque, a memória trai.

Infelizmente, por conta de uma posição radical e “censurista” do rei Roberto Carlos, e que ganhou o apoio de vários nomes da música, aparentemente por conta de um apoio na questão dos royalties – mas isso é outra história – parece ter-se aberto um abismo entre liberdade de expressão e privacidade. Proibir a divulgação de qualquer fato é censura (ponto). Privacidade é algo que uma figura pública deveria saber que não tem. Pode até conseguir esconder melhor sua  vida, mas se quiser tranquilidade, não entre para o mundo artístico ou não faça (nunca) nada do que se possa arrepender.

Man on the runA impressão que fica é a de que há uma inundação de biografias não autorizadas e que expõem uma série de inverdades sobre nossos astros e estrelas (da música, principalmente), o que é uma inverdade. Um amigo até me disse: “Quem iria escrever uma biografia do Djavan, por exemplo? Pior, quem iria LER uma biografia do Djavan?”. Mas, gostos a parte, a vida de certos personagens fazem parte da história do país. Como falar em jovem guarda sem citar Roberto e Erasmo, ou como falar de tropicália sem Gil, Mutantes ou Caetano? A simples ideia de que nada pode ser publicado sem o “consentimento” dessas pessoas é uma distorção de qualquer conceito moral e lógico que possa existir.

A discussão também serviu para amplificar o coeficiente de escrotidão de certas pessoas, como a Sra que foi até um programa de TV e tentou constranger uma jornalista, falando de sua homossexualidade – como se ela mesmo não possa ser lembrada de nada parecido em sua passagem pela Terra. A repercussão do episódio foi tão ruim e a receptividade do público (que ficou ao lado da liberdade de expressão) foram tão fortes que foi preciso um “recuo estratégico” e até mesmo uma “entrevista Seinfield” – aquela que não diz nada – de Roberto Carlos ao Fantástico foi preparada, para tentar “amenizar” a situação.

eric-clapton-biografiaQue qualquer um tem o direito de se proteger de calúnias e difamações, mas, mais que isso, todos têm o direito de divulgar qualquer fato que possa ter relevância na história de alguém ou de algum movimento cultural. Resta definir o que é calúnia e como esse ressarcimento vai acontecer. Tirar uma obra das prateleiras é pura e simplesmente uma atitude arbitrariamente censurista.

Uma vez Erasmo Carlos me disse: “Tem coisas que só Roberto e Erasmo podem sabem. Quem fez o que. E tem vezes que nem nós mesmos lembramos”.

É isso, Erasmo. Pode ser que vocês não lembrem de muitas outras coisas, mas que um amigo, amante, músico, ex-amigo, empresário, porteiro ou qualquer outra pessoa, tenha lembranças que divirjam das suas e que podem até estar mais corretas. Quem, com mais de 30 anos, nunca passou por um evento no qual a sua memória vai de encontro com a de outros que testemunharam o mesmo fato? Você confia 100% na sua versão? Jura?

layla-bookSó no último mês li três biografias (por acaso, todas não autorizadas), com fatos que se repetem nas três obras, mas sempre com testemunhos diferentes, de personagens que vivenciaram o acontecido. Se há incorreções em algumas (ou todas) elas? Provavelmente sim, mas isso não indica desonestidade do autor ou dos entrevistados. Imagine se não houvesse uma biografia não autorizada de Eric Clapton, por exemplo, já que ele mesmo escreveu na sua auto, que não lembra de muita coisa que aconteceu em meados da década de 70.

Pelo menos vimos que a sociedade se posicionou ao lado da liberdade e que figuras escrotas tiveram que sair da linha de frente, já que não têm nível para poder discutir com um mínimo de educação o assunto.

Que o STF tenha uma posição simplesmente democrática e constitucional sobre o assunto.

Agora chega, né?

Johnny Cash ganha autobiografia

Com uma vida marcada por altos e baixo, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June, ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash

CashJohnny Cash, um dos principais nomes da country music norte-americana, um dos principais artistas da Sun Records, o mesmo selo de nomes como Carl Perkins e um tal de Elvis Presley, volta aos holofotes. Com uma vida marcada por altos e baixos e muitas confusões, o cantor, que já foi tema do filme Johnny & June (2006), ganha agora a edição de sua autobiografia, chamada simplesmente Cash.

O livro, escrito em parceria com o jornalista Patrick Carr e publicado pela Editora Leya, é praticamente uma leitura obrigatória para quem gosta de saber dos bastidores da vida dos astros da música, embora alguns episódios possam estar um tanto amenizados, embora o vício em anfetaminas, por exemplo, não tenha sido deixado de lado, já que teve papel importante em vários momentos da carreira do músico, que também se aventurou pelo cinema e apresentou um programa na TV. Belo registro de uma das figuras mais icônicas da música norte-americana.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Biografia de Noel Rosa é reeditada

capa-LivroNoel-FINAL3-splash.inddNo Tempo de Noel Rosa (Editora Sonora), livro que conta a história de um dos maiores sambistas de todos os tempos e que colocou o bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, definitivamente no mapa do samba e que estava fora de catálogo há mais de 30 anos, volta às prateleiras das livrarias (físicas e virtuais). Escrito por Almirante, outro ícone do samba e um dos primeiros pesquisadores musicais do País, No Tempo de Noel Rosa é uma verdadeira viagem pela vida de Noel por Henrique Foréis Domingues (nome verdadeiro de Almirante) e pela criação do ritmo que se tornou a marca registrada do Rio de Janeiro e do Brasil.

Autor de sucessos como Com que Roupa?, Conversa de Botequim, Filosofia e Feitiço da Vila, Noel teve em sua breve existência (morreu com 26 anos, em 1937, por causa de uma tuberculose) uma importância tão grande que inspirou as calçadas musicais do bairro onde viveu, Vila Isabel, e que são uma atração e um patrimônio da música brasileira até hoje.

No Tempo de Noel Rosa é a chance de conhecer a vida de um mestre do samba, pesquisada e contada por outro mestre.

Leitura imperdível!

Gastronomia: Livro sobre Miojo

miojoSei que é dia de Natal e que para muitos Miojo nem entra na categoria gastronomia. Entretanto, um grupo de cheffs se juntou para participar do livro Meu Miojo – Receitas e Histórias (Ed. Bocatto). Carla Pernambuco (Carlota), Emmanuel Bassoleil (Skye), Erick Jacquin (La Brasserie), Morena Leite (Capim Santo), Edinho Engel (Amado), Flávia Mariotto (Mercearia do Conde), Joca Pontes (Ponte Nova), Mônica Rangel (Gosto com Gosto), Renato Carioni (Così), Carlos Ribeiro (Na Cozinha), Pier Paolo Picchi (TrattoriaPicchi), Luiza Hoffmann, (Figo Gastronomia), Tatiana Szeles e Felippe Sica, dão dicas e receitas para a massa quase instantânea.

O lançamento foi em agosto e a tiragem era limitada (4 mil exemplares). Quem sabe ainda dá tempo de encontrar algum.

Serviço:
Meu Miojo – Receitas e Histórias
Editora Bocatto, 100 p., R$ 39,90

Um Arnaldo Antunes analisado

santos_arnaldo-canibal-antunesPara aqueles que gostam de estudar e entender os significados por trás das letras de suas canções favoritas, a Editora nVersos caba de lançar o livro Arnaldo Canibal Antunes, onde a Doutora em Literatura pela Universidade da Califórnia em Los Angeles e professora de Letras da Universidade da Colúmbia, Alessandra Santos se debruça sobre a obra do ex-Titã.

A publicação – com quase 300 páginas – é dividido em três capítulos – Arnaldo Antunes e a Poesia: poética da percepção; Arnaldo Antunes e a Música: poética da Bricolagem; e Arnaldo Antunes e as Artes Visuais: poética da apropriação – e chega mesmo a falar sobre as motivações de Arnaldo na criação de sua obra.

Levadas e Quebradas: ‘Causos’ que valem a pena serem lidos e escutados

Livro de Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, reproduz histórias vividas pela banda já contadas em seu blog. São situações divertidas e inusitadas

Muitos dizem que a internet é uma terra sem inteligência e que os blogs estão (assim como os livros em papel) fadados à morte. Entretanto, publicações como Levadas e Quebradas (Editora Pedra na Mão / Briquet de Lemos), onde o baterista do Capital Inicial, Fê Lemos, reproduz histórias contadas em seu blog sobre as aventuras da banda, revela o contrário.

Os causos – muitos deles desconhecidos e ambientados em pequenas cidades do interior do País – são, na sua maioria, divertidos e servem para mostrar que nem tudo são rosas na vida de um roqueiro. Há ônibus quebrados, aviões velhos e de dar medo, gororobas que desafiam o fígado e, claro, muita música.

Publicados originalmente entre 2006 e 2012, os textos são diretos e poéticos, compondo um diário de bordo poucas vezes revelado por membros de grandes bandas. Levadas e Quebradas é leitura rápida e constitui uma ótima companhia para viagens.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

As Cartas de John Lennon (e os meus postais também)

Dia 9 de outubro de 1940 é a data de nascimento de John Lennon, que estaria completando seus 72 anos de vida, caso não tivesse sido vítima de um louco em dezembro de 1980. Para comemorar a data, está chegando as livrarias inglesas um livro chamado The John Lennon Letters. A publicação, ideia do autor da biografia autorizada dos Beatles (A Vida dos Beatles), o jornalista inglês  Hunter Davies, reúne mais de 200 cartas e cartões postais escritos por Lennon.

O importante para nós, que vivemos neste país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, é que dois brasileiros estão representados no livro com correspondências enviadas por Lennon. Por coincidência, os dois nasceram e vivem no Rio de Janeiro: Lizzie Bravo (a fã que fez backing na canção Across the Universe) e este jornalista que vos fala.

Quem quiser reler a história dos cartões que Lennon enviou para mim pode clicar aqui.

O livro, que tem a chancela de Yoko Ono, será editado em 15 idiomas inclusive o português, onde sai pela Editora Planeta com o título de As Cartas de John Lennon -, além dos países de língua inglesa. A maioria desses lançamentos agora em outubro.

Reprodução da versão brasileira do livro The John Lennon Letters

Aproveitando a ocasião, publico abaixo uma pequena entrevista com Hunter Davies, sobre o novo livro e sobre a biografia dos Beatles.

Mr. Davies, como foi o tempo que passou com os Beatles enquanto preparava a biografia?

Foi fantástico. O ano de 1967 foi realmente especial para ele e para todos ligados em música. Eu conto essa história toda na última atualização da biografia (em meados dos anos 80).

Seu livro é “bem limpo” em alguns aspectos. Você gostaria de reescrever algo ou contar alguma história mais picante que tenha ficado fora do livro?

Ele não foi considerado “limpo” na época (1968). Todas as críticas, especialmente nos Estados Unidos,disseram que era o livro mais revelador já escrito sobre estrelas pop. Ele incluía a palavra “fuck”, dizia que o Brian Epstein era um gay solteiro, tinha histórias do John roubando quando era criança, etc. As pessoas ficara chocadas naquele tempo. Eu só não inclui nada sobre sexo com groupies – embora todos soubessem disso – porque cada um deles tinha esposa ou namoradas e resolvi poupá-las.

Reprodução da versão brasileira do livro The John Lennon Letters

Caso fosse escrever o livro novamente, ainda deixaria de fora essa parte sobre sexo. Eu só gostaria de ter alado mais sobre a música deles e usado um gravador  – já que eu presenciei muito mais sessões de gravação e ensaio que  as que usei no texto final. Imagino quanto essas fitas não valeriam hoje. Eu só fiz anotações.

Sempre soube que você e Paul McCartney eram amigos. Porém, li uma entrevista dele em 1986 na qual ele fala de você de uma maneira não muito elogiosa. O que aconteceu?

Por favor me mande uma cópia do que o Paul disse. Eu não lembro de ter visto isso. *

*Após enviar a entrevista da Musician de outubro de 1986, Davies disse que as reclamações de Paul não eram procedentes.

Como foi que Yoko chegou até você para escrever esse novo livro?

Na verdade eu fui até a Yoko. Foi tudo ideia minha, mas ela me deu sua benção e permissão, como detentora dos copyrights, sem o qual isso não seria possível.

Mas ela não forneceu nenhuma correspondência do John.

Alguma história o deixou surpreso enquanto preparava o The John Lennon Letters?

Não consigo lembrar de nenhuma grande revelação. São apenas cartas que mostram várias partes da personalidade de john.

E o que achou de encontrar dois brasileiros com correspondências enviadas por Lennon?

Foi uma surpresa muito agradável ter duas pessoas do Brasil com tanta coisa enviada por ele.

Você já escreveu livros sobre ferrovias, a história do futebol e os Beatles, claro. Sobre quais assuntos você gostaria de escrever no futuro?

Gostaria de escrever mais sobre a história do futebol.

Quantas cartas você conseguiu recolher e qual foi o critério para publicá-las?

No total eu consegui 300, mas eu ultrapassei o conceito de cartas, incluindo também cartões postais (como o seu), além de alguns bilhetes e anotações.

É isso! Depois digam o que acharam do livro.

Rage Against the Machine ganha livro

O Rage Against the Machine, grupo americano formado em 1991, em Los Angeles, marcou território com seu som pesado nas décadas de 90 e 2000, e ganha uma biografia bastante completa em Rage Against the Machine – Guerreiros do Palco (Edições Ideal).

Escrito pelo jornalista e biógrafo não autorizado de vários artistas, Paul Stenning – autor de mais de 20 livros sobre personalidades -, Rage Against the Machine – Guerreiro do Palco mostra a saga de Tim Commerford (baixo e backing vocals), Tom Morello (guitarra), Zack de la Rocha (vocal) e Brad Wilk (bateria), que lançaram apenas quatro discos de estúdio – Rage Against the Machine (1992), Evil Empire (1996), The Battle of Los Angeles (1999) e Renegades (2000), mas conseguiram gravar seu nome na história.

Sempre engajados politicamente, os membros do Rage Against the Machine levaram ao mundo do pós-punk-rock preocupações e cantaram contra as injustiças da sociedade e as imposições do mainstream.

A mistura de boa música e não conformismo ajudou a banda a vender mais de 16 milhões de discos em todo o mundo.

Os bastidores desses discos, dos shows e as motivações que impulsionaram as críticas sociais e políticas do Rage Against the Machine, são contadas nos 16 capítulos do livro, que ainda conta com uma boa bibliografia recomendada.

Rage Against the Machine – Guerreiros do Palco foi editado originalmente lá fora em 2008 e é uma excelente maneira de conhecer a história de um dos grupos que moldaram o som de duas décadas da música mundial.

Mas tome cuidado ao comprar sua cópia. Cerca de cem exemplares foram impressos com defeito, sendo colocadas no mercado com várias páginas em branco.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Erasmo Carlos – Minha Fama de Mau – o livro

Erasmo Carlos está na moda. Nada mais justo com um dos maiores nomes da nossa música. Não fosse ele um dos ícones do rock nacional, teria o mérito de fazer parte da parceria mais famosa da MPB, ao lado do seu amigo Roberto Carlos. Sua biografia oficial – Erasmo Carlos – Minha Fama de Mau (Editora Objetiva) -, escrita com a preciosa colaboração do querido e talentosíssimo companheiro Leonardo Lichote, é um livro para ser devorado em poucas horas.

Como toda biografia autorizada, nada de absurdamente (ou levemente) controverso será encontrado em suas mais de 350 páginas. Contudo, dezenas de histórias deliciosas são contadas, com personagens como Jorge Ben,Tim Maia, Roberto Carlos, Wilson Simonal e Carlos Imperial, só para citar alguns.

O texto é direto, bem-humorado e prende a atenção. Apesar de lançado em 2009 (relembre aqui como foi o lanççamento), só agora tomei coragem para escrever sobre ele. Afinal, ídolos e amigos são sempre um território movediço. Além disso, o que não faltou foi Erasmo nesse blog – Erasmo Carlos – Miranda – 30 de junho de 2012, Os 50 anos de estrada do Tremendão Erasmo, Erasmo Carlos e Blitz – Morro da Urca – 19/3/10. O único senão do livro é que o uso de uma fonte, digamos, generosa, faz com que a leitura seja ainda mais rápida. Com certeza mais boas histórias devem ter ficado de fora dessa primeira edição.

Para os que gostam de fotos, a coleção de imagens do arquivo pessoal do Tremendão e outras de momentos importantes da sua carreira são um um outro show.

No Brasil, ainda não temos o salutar hábito de termos uma mesma história contada por vários ângulos (vide o que Roberto fez com a sua biografia não autorizada, sem mesmo ter lançado a sua versão oficial dos fatos), o que aumenta ainda mais o valor histórico do livro.

Erasmo Carlos – Minha Fama de Mau está, provavelmente ao lado da biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, como os melhores livros já escritos sobre as figuras que marcaram e marcam o nosso rock/soul de cada dia.

Elton John – A Biografia – por David Buckley

Grande nome dos anos 70, compositor de algumas das mais belas melodias do século passado, responsável por alguns dos mais inspirados discos de todos os tempos e dono das paradas de sucesso na era pós-Beatles, o hoje Sir Elton John é uma figura rica (em vários sentidos) e sempre difícil de entender na sua totalidade. O jornalista David Buckley teve uma boa ideia ao fazer a sua biografia do artista – Elton John – A Biografia (Companhia Editora Nacional) – tendo como ponto principal os lançamentos de álbuns e singles, ao invés de algum evento que marcasse sua vida. Dessa maneira, o livro, em suas quase 400 páginas, traça um perfil do músico com base na sua face mais importante: a música.

Como toda biografia não autorizada, o livro se baseia em entrevista com amigos e colaboradores para criar a imagem de Elton. O colaborador mais importante para a feitura do livro foi o letrista Gary Osborne, que substituiu Bernie Taupin durante o fim dos anos 70 e boa parte dos 80, fase bem menos brilhante do pianista.

O livro cobre todas as fases do artista, mas – talvez seu único pecado – perde muito mais tempo na década de 70, quando seu contrato o obrigava a lançar dois discos por ano e todos com muito sucesso nas paradas. Como essa foi a fase de ouro de Elton fica claro que deveria ser bem explorada, mas alguns lançamentos dos anos 80 e 90 ganharam tão pouco espaço que poderiam virar apenas um verbete. Citar suas canções de sucesso ou o título de seus discos pós-anos 70 poderia aumentar esse texto em mais um ou dois parágrafos, mas seria supérfulo (para essa discografia, leia o livro).

Elton John continua na ativa até hoje e, apesar de sua voz e sua criatividade nunca mais terem sido as mesmas, mantém seu nome nos holofotes de alguma maneira. Seus últimos discos até apresentam faíscas daquilo que foi produzido nos anos 70, mas os dias de Capitão Fantástico ficaram mesmo para trás.

Elton John – A Biografia é recomendado não apenas para quem quiser entender melhor o que foi o fenômeno Elton John, mas também para ter uma ideia do cenário musical das décadas de 70 e 80 (principalmente). Há um apêndice com a colocação nas paradas americanas e inglesas de todos os álbuns e singles lançados por ele, com colocação e tempo que ficaram entre os títulos mais vendidos.

PS: O livro tenta explicar a personalidade um tanto complexa e um tanto depressiva de Elton, seus abusos com drogas e incertezas sexuais. Mas isso, fica sempre (ainda bem) em segundo plano.

Livros sobre Erasmo Carlos, Elton John e Dave Grohl

Em época de Flip, quando só se fala de leitura, livros, enredos e roteiros, decidi colocar em dia os posts sobre alguns livros de música devorados nos últimos meses. Ler é sempre um prazer, mas a correria do dia a dia e a quantidade de textos para produzir podem emperrar um pouco a produtividade na hora de comentar essas publicações.

Erasmo Carlos, Elton John e David Grohl são os alvos de três livros que se sobressaem no mar de biografias e histórias contadas sobre grandes astros do rock (nacional ou internacional).

Sobre a leitura mais recente – Dave Grohl – Nada a Perder (Edições Ideal) – já publiquei um post. O livro é bem feito e em nada faz falta a ausência de fotos (vale o que está escrito), então, amanhã e segunda posto minhas impressões sobre Minha Fama de Mau – biografia de Erasmo Carlos com texto do companheiro Leonardo Lichote – e Elton John – A Biografia, escrito por David Buckley.

Do Nirvana ao Foo Fighters, a carreira de Dave Grohl é contada em livro

São poucas as histórias de um baterista que se transforma em guitarrista, band leader ou artista solo de sucesso. Phil Collins e Lobão são exemplos raros de artistas que começaram segurando as baquetas e o ritmo de uma banda e se sobressaíram como nomes de destaque no cenário musical. Dave Grohl é uma dessas raras figuras e o livro Dave Grohl – Nada a Perder (Edições Ideal), escrito por Michael Heatley, que já escreveu mais de 30 biografias de artistas do porte de John Lennon e Deep Purple, conta toda a vida do músico.

Quem pensa que tudo começou com o encontro com Kurt Cobain e sua entrada no Nirvana ou que seus recentes trabalhos e aparições ao lado de gente como Paul McCartney, David Bowie e Garbage são o ápice de sua carreira, está enganado. Ainda há muito para acontecer, mas é importante entender as razões e circunstâncias que levaram David a ter o reconhecimento e respeito que desfruta nos dias de hoje.

O livro traça, em ordem cronológica, a trajetória do garoto nascido em Springfield, na Virgínia – nenhuma relação com os Simpsons -, passando por todas as suas aventuras e tentativas musicais até chegar ao estrelato. Um dos destaques da publicação é a ampla e cuidadosa discografia e videografia, que registram desde a primeira fita cassete que gravou até o mais recente disco do Foo Fighthers, Wasting Light, lançado em 2011.

Mas o livro não fica apenas nos momentos felizes e inspirados de Grohl. Por não ser uma biografia autorizada, Heatley também conta histórias curiosas e algumas boas polêmicas criadas pelo músico. Além disso, o livro está recheado de depoimentos de gente muito importante sobre o talento e as habilidades do roqueiro. Outro ponto positivo é a divisão de espaço entre os vários momentos da vida de Grohl. Diferente de outros livros, Nada a Perder não fica centrado no período com o Nirvana. Assim como na vida real, essa fase ganha um espaço editorial condizente com o tempo que Grohl esteve na banda, meros três anos e meio.

Pode ser que David Grohl ainda não tenha a importância histórica de um Ringo Starr, Don Henley ou Levon Helm, bateristas que marcaram época em bandas como Eagles, The Band e The Beatles, mas fica claro que sua trajetória ainda vai ter muitos capítulos e que ele ainda pode evoluir e produzir muito mais.