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The Who quer fazer a gente sonhar!

Banda britânica de rock esteve no Brasil pela primeira vez no Rock in Rio 2017. Será que vão repetir a dose?

O The Who confirmou a realização de uma turnê na América do Norte este ano.  A partir de maio, começa uma série de shows por 29 cidades nos Estados Unidos e no Canadá.

Aproveite para comprar a autobiografia de Roger Daltrey

A agenda tem previsão de ser esticada até o fim de outubro.  A turnê já está batizada de “Moving On!”.

. Thanks Mr. Who?

“Roger batizou ela de Moving On! Eu amei isso. É o que nós dois queremos fazer. Seguir em frente, com novas músicas, músicas clássicas do The Who, tudo feito num jeito novo e excitante.  Assumindo riscos, nada a perder”, disse Pete Townshend em um texto publicado no site oficial do grupo.

Mas será o Rock in Rio de novo?

Coincidências ou não, o Rock in Rio 2019 acontece nesse mesmo período em que a banda inglesa estará encerrando a turnê pela América do Norte.

Até o momento, a organização do megaevento brasileiro anunciou o line-up do Palco Mundo apenas para os dias 4, 5 e 6 de outubro. As datas 27, 28 e 29 de setembro e 3 de outubro permanecem abertas, com atrações a confirmar.

O Who também anunciou que fará um álbum de inéditas, depois de 13 anos. Ainda sem data de lançamento, Pete adiantou que o disco terá uma mistura de rock pesado e eletrônico experimental.

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Thanks Mr. WHO?!

Autobiografia de Roger Daltrey ganha data de publicação

Um post na página de Roger Daltrey no Facebook, nesta quarta (25), anunciava a pré-venda da tão esperada autobiografia do fundador do The Who. O lançamento acontecerá no dia 18 de outubro, no London Literature Festival de 2018 do Southbank Centre. Nos EUA, chega em 23 de outubro, pela Blink Publishing.

Os felizardos que têm ZIP Code apto para a encomenda concorrerão a um exemplar especial — são apenas cinco —, com assinatura e capa personalizada exclusiva. Verifiquem suas chances neste link.

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Capa: Roger nos anos 1970 em frente a uma pilha de escombros (Divulgação)

“Thanks A Lot Mr. Kibblewhite: My Story” aborda os 50 anos de Daltrey com o The Who, além da carreira solo que reúne oito álbuns de estúdio. Não é apenas um livro de memórias, nem só as lembranças de uma das lendas vivas do rock’n’roll; é também um vislumbre da vida no Reino Unido entre 1940 e 1970 — décadas de tumultuadas mudanças.

Ben Dunn, editor e diretor da Blink Publishing na Inglaterra, falou sobre a autobiografia.

“Roger Daltrey escreveu um livro de memórias brilhante: envolvente, engraçado e cheio de histórias incríveis. É uma das últimas grandes lendas do rock, e nós estamos satisfeitos que Roger escolheu a Blink Publishing para ajudar a contar sua fascinante história.”

Who the hell is Mr. Kibblewhite?

Nascido no coração da Blitz, em março de 1944, Roger Daltrey pertence a uma geração que lutou (literalmente) pela educação e sobreviveu à pobreza do pós-guerra. São histórias de trabalho duro, resiliência e, especificamente no caso de Daltrey, uma energia de tirar o fôlego.

“Tive a sorte de viver em tempos interessantes. Testemunhei a sociedade, a música e a cultura mudarem além do reconhecimento. E ainda estou aqui para contar a minha história quando tantos outros ao meu redor não fizeram nada de um milagre”, disse Daltrey a respeito da obra.

No caminho do jovem aluno inteligente e promissor que se tornou um trabalhador diurno em uma fábrica de chapas metálicas, estava  Mr. Kibblewhite, diretor da Acton County Grammar School que disse a Daltrey que ele não seria nada na vida.

“Sempre resisti à vontade de ‘fazer memórias’, mas agora, finalmente, sinto que tenho uma perspectiva suficiente. Quando você passou mais de meio século no epicentro de uma banda como o Who, a perspectiva pode ser um problema. Tudo aconteceu no momento. Em um minuto estou no chão de fábrica em Shepherd’s Bush, e no outro sou atração em Woodstock.”

Roger Daltrey

O cantor batizou seu livro com o nome do diretor da escola — a mesma onde estudavam Pete Townshend e John Entwistle — com quem ele frequentemente colidia no auge da sua transformação em um adolescente rebelde. Até ser expulso.

O que a imprensa estrangeira já fala sobre o livro

“Tão imediata quanto a autobiografia de Keith Richards e tão franca e honesta quanto Springsteen e Clapton.”

“Thank You, o Sr. Kibblewhite é franco, autodepreciativo e cheio de humor.”

“É um must-have não apenas para os fãs do The Who em todo o mundo, mas também para qualquer amante do rock.”

Roger Daltrey montou o The Who em 1961, recrutando John Entwistle. Concordou com a proposta de John de que Pete Townshend deveria participar. Daltrey era o líder e a voz da banda. Uma potência vocal. Ficou conhecido por sua presença de palco e energia.

O reconhecimento a suas performances como frontman podem ser comprovados pela sua introdução ao Rock And Roll Hall of Fame (1990) e no Music Hall of Fame do Reino Unido (2005). No livro, Daltrey lembra de suas muitas aventuras como vocalista do The Who e da criação das gravações clássicas da banda.

Seus relatos dos excessos do rock’n’roll pelos quais o The Who se tornou notório — a destruição da guitarra no palco, as brigas, o caos — são tão divertidos quanto chocantes.

“Demorou três anos para desfazer os eventos da minha vida, para lembrar quem fez o quê quando e por que, separar os mitos da realidade, desvendar o que realmente aconteceu no Holiday Inn no aniversário de 21 anos de Keith Moon. Espero que o resultado seja mais do que apenas outra autobiografia”, disse Daltrey.

Mas tão convincente quanto o sexo, as drogas e o rock são as reflexões honestas de Roger sobre as relações que definiram sua vida e carreira — as memórias agridoces de sua amizade com Keith Moon e seu relacionamento tumultuado com Pete Townshend que definiu uma das maiores parcerias criativas da nossa época e deu origem a tantos sucessos inesquecíveis.

Não é apenas a história pessoal de Roger Daltrey; é a história definitiva de uma das maiores bandas do mundo.

Roger Daltrey aposta no soul e se dá bem

As Long as I Have You traz canções originais e outras que inspiraram Daltrey na sua juventude

Uma das vozes mais marcantes do rock em todos os tempos, Roger Daltrey lança o seu 9º disco solo – ou 10º, se considerarmos o excelente Going Back Home (2014), feito em parceria com Wilko Johnson – dessa vez apostando no soul e no R&B, e se sai muito bem. Daltrey, que já passeou pelo e sempre será lembrado pelo trabalho com o The Who, mostra que, aos 74 anos, ainda tem muita lenha para queimar. A voz continua potente e afinada (apesar de algumas oitavas mais baixa) e ele consegue imprimir uma emoção genuína em todas as faixas.

Com a nobre presença do violão de Pete Townshend em sete das 11 faixas do disco, o frontman do The Who nos proporciona uma viagem por canções que fazem parte da sua vida desde jovem e por novas composições como Certified Rose, escrita para sua filha. Mas os destaques ficam mesmo com as regravações de How Far (Stephen Stills), Into My Arms (Nick Cave) e, principalmente, a faixa-título. As Long as I Have You é, inclusive, uma das canções que os High Nunbers (que depois se tornariam o The Who) tocavam em seus shows.

– Esse é um retorno ao tempo no qual Pete ainda não havia começado a compor, um tempo quando éramos uma banda de adolescentes tocando soul music para pequenas plateias em bailes de igreja – conta Daltrey.

Clima Who By Numbers

Townshend é, aliás, responsável por um clima Who by Numbers. How Far, por exemplo, poderia muito bem ter sido gravada pelo quarteto britânico em meados dos anos 70. Mas se o violão de Townshend remete aos anos 70, a inclusão de backing vocals gospel e o uso de metais em alguns arranjos fazem o disco soar denso e com a força de ícones como Otis Redding, que não é citado, mas está lá, em espírito.

Foto: Jo Nunes

O peso grave da voz de Daltrey é presença em números como Into My Arms, mas como mostrou na sua passagem pelo Brasil ano passado, ela ainda é versátil e potente o suficiente para segurar as canções mais balançadas, mostrando uma força e suingue bem maiores que os demonstrados no bom Endless Wire (2006), do The Who, e o já citado Going Back Home.

Mas nem tudo são flores. You Haven’t Done Nothing (Stevie Wonder) é um daqueles momentos que poderiam e deveriam ser evitados. Parece que faltou alguém avisar que ela destoa do resto do álbum, soando forçada e sem acrescentar nada ao disco ou a sua versão original.

Rumo ao topo

As Long as I Have You é uma prova de que o que é bom ainda faz sucesso. O disco – lançado no Brasil em CD e disponível nas plataformas de streaming – já alcançou o 3º lugar nas paradas britânicas, na frente até do moderninho Drake. Segundo as previsões, o álbum deve alcançar o topo até o início da próxima semana.

Coração: ****

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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Elton John ganha dois discos-tributo

Revamp: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin e Restoration: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin, já estão disponíveis em streaming

Sir Elton John, um dos mais conhecidos artistas pop do mundo e seu letrista, Bernie Taupin, ganharam mais dois discos-tributo a sua obra: Revamp e Restoration, lançados após o anúncio de que Elton vai se aposentar dos palcos, reuniram astros do pop atual e da música country, com resultados bastante irregulares. Essa não é a primeira vez que a obra dos compositores é revista por outros astros. Antes de Coldplay, Q Tip, Demi Lovato, The Killers, Queens of the Stone Age, Mumford and Sons, Florence and the Machin, Mary J. Blige, Ed Sheeran, Lady Gaga, Sam Smith, Pink and Logic, Alessia Cara, Willie Nelson e uma surpreendente Miley Cyrus, entre outros, tentarem reler as canções da dupla, um outro grupo de artistas fez o mesmo em 1991, no bom Two Rooms: Celebrating the Songs of Elton John & Bernie Taupin, que reuniu um naipe de astros de mais peso como Eric Clapton, Sting, The Who, Rod Stewart, Phil Collins, The Beach Boys, Joe Cocker e Tina Turner, para citar apenas alguns nomes.

Voltando a 2018, Revamp tem uma pegada mais pop, enquanto Restoration vai pela linha country. Claro que é difícil reinterpretar canções que já são clássicos e acrescentar um pouco da sua personalidade a elas. Louvo o esforço do Coldplay (We All Fall in Love Sometimes) ou Q-Tip e Demi Lovato (Don’t Go Breaking My Heart), mas o resultado acabou soando superproduzido e sem a profundidade que, imagino, tenha sido a ideia dos intérpretes. Mas se o Coldplay não conseguiu entregar a melancolia desejada na balada escolhida, pior foi Ed Sheeran, que escolheu fazer uma versão acústica de Candle in the Wind e acabou soando um pastiche malfeito da versão que o próprio Elton lançou na caixa comemorativa dos 40 anos do álbum Goodbye Yellow Brick Road (2014). Mas nem tudo está perdido, Miley Cyrus vai muito bem em Don’t Let The Sun Go Down On Me e Lady Gaga consegue – apesar de algumas críticas (injustas) – deixar sua marca em uma boa versão de Your Song, que não faz feio se comparada com as interpretadas por Billy Paul ou Al Jarreau. Outros ficaram no meio do caminho, alguns mais para o lado bom – The Killers, com uma versão semi-golspel de Mona Lisas And Mad Hatters – e outros para o lado ruim – Sam Smith e a sua versão melosa de Daniel.

Mas se o disco pop tem mais baixos que altos, a reunião de astros do country faz de Restoration uma experiência bem mais agradável. Com apenas uma canção repetida do disco pop (Mona Lisas and Mad Hatters) e só um artista presente nos dois tributos (Miley Cyrus) o disco segue bem mais coeso, tanto em termos de repertório quanto em termos de qualidade. Miley Cyrus manda bem novamente, embora The Bitch Is Back não se encaixe bem no conceito do álbum, e Willie Nelson faz uma ótima Border Song. Outros destaques ficam por conta de Rhonda Vincent e Dolly Parton (Please) e a bela versão de This Train Don’t Stop There Anymore, interpretada por Rosanne Cash e Emmylou Harris.

No geral, os dois discos soam excessivos – seria muito melhor se escolhessem as melhores faixas e tivessem colocado em um único álbum -, mas não chegam a ser um crime contra o patrimônio do pop internacional. A ideia de homenagear Elton John e Bernie Taupin sempre merece aplausos, mesmo que sirva para lembrar como são boas as gravações originais.

PS: Os dois álbuns não têm previsão de lançamento em formato físico no Brasil.

As canções

Revamp:

01. Bennie and The Jets — Elton John, P!nk, Logic
02. We All Fall In Love Sometimes — Coldplay
03. I Guess That’s Why They Call It The Blues — Alessia Cara
04. Candle In The Wind — Ed Sheeran
05. Tiny Dancer — Florence And The Machine
06. Someone Saved My Life Tonight — Mumford and Sons
07. Sorry Seems To Be The Hardest Word — Mary J. Blige
08. Don’t Go Breaking My Heart — Q Tip feat. Demi Lovato
09. Mona Lisas And Mad Hatters — The Killers
10. Daniel — Sam Smith
11. Don’t Let The Sun Go Down On Me — Miley Cyrus
12. Your Song — Lady Gaga
13. Goodbye Yellow Brick Road — Queens of the Stone Age

Restoration:
01. Rocket Man – Little Big Town
02. Mona Lisas And Mad Hatters – Maren Morris
03. Sacrifice – Don Henley and Vince Gill
04. Take Me To The Pilot – Brothers Osborne
05. My Father’s Gun – Miranda Lambert
06. I Want Love – Chris Stapleton
07. Honky Cat – Lee Ann Womack
08. Roy Rogers – Kacey Musgraves
09. Please – Rhonda Vincent and Dolly Parton
10. The Bitch Is Back – Miley Cyrus
11. Sad Songs (Say So Much) – Dierks Bentley
12. This Train Don’t Stop – Rosanne Cash and Emmylou Harris
13. Border Song – Willie Nelson

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Pete Townshend: um gênio que completa 70 anos

Pete Townshend 70 I
Não é incomum chamar uma pessoa de gênio, principalmente na música. Alguns deles – John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Hendrix, Chico Buarque, Paul Simon e Muddy Waters, são mesmo – outros são pessoas super talentosas – Milton Nascimento, Keith Richards e Jack Bruce, por exemplo – e ainda há aqueles que viram deuses – Eric Clapton. Peter Dennis Blandford Townshend, que nesta terça-feira (19 de maio) completa 70 anos, faz parte do time dos gênios.

Para muitos, Pete Townshend é sinônimo de The Who e nada mais. Engano grave! A obra de Townshend não se resume a óperas-rock e clássicos adolescentes como I Can’t Explain ou Anyway, Anyhow, Anywhere. Também não fica apenas nos experimentos eletrônicos de Baba O’Riley ou We Won’t Get Fooled Again, e muito menos se restringe a personagens como Tommy. Ele trabalhou em editoras, teve um dos melhores websites do mundo e aventurou em muitos outros caminhos artísticos.

Para comemorar a data há o lançamento de uma nova coletânea com canções de sua discografia solo e duas novas composições. Mas disso falamos mais adiante.

Pete Townshend 70 IIITownshend não tinha um parceiro. Ele é/era uma fusão de personalidades – que em outras bandas eram representadas por duplas como Lennon e McCartney e Jagger e Richards. Portanto, sua evolução é impressionante. Do rapaz que escrevia canções para o público Mod até o homem que expunha suas amarguras em canções como Slit Skirts, do álbum All The Best Cowboys Have Chinese Eyes.

Se discos como Quadrophenia, Tommy, Who’s Next e Who By Numbers, são sempre lembrados quando se fala de Townshend, é a excelência de sua carreira solo que gostaria de destacar (é muito fácil falar do The Who, até mesmo para quem conhece a banda apenas pelas aberturas da série CSI). Pode parecer estranho que esse narigudo de voz anasalada se arriscasse em trabalhos sem a segurança do vozeirão de Roger Daltrey ou do talento do amigo John Entwistle, mas quem conhece algum dos demos que ele entregava a banda sabe que as canções já vinham praticamente perfeitas e que em algumas delas (Love Reign O’er Me, para citar um exemplo) seus vocais eram (quase) tão bons quanto os de Daltrey.

A força do seu talento também pode ser medida pela quantidade de nomes que aceitaram fazer parte de seus projetos ou que o recrutaram. Eric Clapton, Paul McCartney, David Gilmour, Charlie Watts, Phil Collins, Paul WellerBill Wyman, Nina Simone, John Lee Hooker e muitos outros. Só fera!

Carreira solo

Se o seu primeiro disco – Who Came First (1972) – é um apanhado de demos do abortado projeto Lifehouse (que acabou tendo canções aproveitadas no clássico Who’s Next) e de músicas que gravou para o seu mestre espiritual (Meher Baba), o resto de sua produção solo mostrou que o The Who não era o veículo apropriado para muitas de suas composições.

Pete Townshend on stage in New York, February 2013Rough Mix (1977), gravado em parceria com Ronnie Lane (do Small Faces), já mostrava que o talento de Pete não podia ficar preso nas paredes do The Who. A maioria das canções tinham um elemento folk e mesmo as mais pops (Keep Me Turning) não se encaixariam no rock de Keith Moon & Cia. Difícil imaginar que uma melodia e um arranjo tão melodicamente intricado como o de Street in the City pudesse fazer parte de algum dos álbuns de uma das bandas mais barulhentas do mundo.

Em 1980 Townshend lança aquele que ele mesmo considera seu primeiro disco solo e que, para muita gente boa, é seu melhor disco (discordo): Empty Glass, um disco cheio de álcool, solos de guitarra e uma boa dose de raiva. A maioria das canções foi composta e gravada na mesma época que o The Who preparava o material para o disco Face Dances, o que deixa muito claro que a esta altura da vida Townshend (mesmo que inconscientemente) já separava seu melhor material para si e não mais para sua banda. Surpreendentemente o single de maior sucesso do disco (Let My Love Open The Door) é uma canção de amor que não representa o espírito do disco, recheado de bons rocks como Gonna Get Ya, Cat’s in the Cupboard, Jools and Jim e a canção-título.

Pete Townshend All the best cowboys have chinese eyesEntão chega o ano de 1982 e com ele All The Best Cowboys Have Chinese Eyes, o trabalho mais profundo e bem produzido pelo artista até então. O disco veio acompanhado do lançamento de um vídeo (VHS) com clipes das canções Prelude, Face Dances, Pt. 2, Communication, Uniforms, Stardom in Acton, Exquisitely Bored e Slit Skirts. Era a época da MTV.

O disco foi um dos que mais causou impacto na minha vida, primeiro pelas melodias e arranjos (não sabia inglês naquela época) e depois pelas letras. Até hoje tenho certeza de que o segundo verso de Slit Skirts foi escrito para mim.

Let me tell you some more about myself, you know I’m sitting at home just now.
The big events of the day are passed and the late TV shows have come around.
I’m number one in the home team, but I still feel unfulfilled.
A silent voice in her broken heart complaining that I’m unskilled.

And I know that when she thinks of me, she thinks of me as him,
But, unlike me, she don’t work off her frustration in the gym.

Recriminations fester and the past can never change
A woman’s expectations run from both ends of the range

Once she walked with untamed lovers’ face between her legs
Now he’s cooled and stifled and it’s she who has to beg

http://www.youtube.com/watch?v=q1D_XNYTUGg

Mas a qualidade do material de Chinese Eyes é a comprovação da genialidade ambiciosa de Townshend (que foi massacrado pelos críticos por ser muito pretensioso). Todas as canções são de um nível tão alto que é praticamente impossível destacar alguma. Um disco para se levar para uma ilha deserta!

Pete Townshend 70 IIDepois de Chinese Eyes Pete ainda lançou White City: A Novel (1985), The Iron Man: The Musical by Pete Townshend (1989) e Psychoderelict (1993), voltando a flertar com a ópera-rock, teatro, literatura e até mesmo retomando o personagem principal do abortado e já mencionado projeto Lifehouse. Nesses discos há melodias letras e arranjos que poderiam criar um ótimo álbum duplo, já que em todos eles há momentos onde a inspiração não mantém a mesma pegada, mas músicas como Give Blood, Face the Face, Secondhand Love, White City Fighting, A Friend Is a Friend, Was There Life, A Fool Says…, English Boy, Let’s Get Pretentious, I Want That Thing, Predictable e Fake it, precisam ser citadas.

Além dos discos de carreira, Pete fez a felicidade dos fãs abrindo seus arquivos e lançando uma série de discos com demos e canções inéditas chamados Scoop. São três volumes até agora e ainda há muito para ser revelado. Scoop (1983) e Another Scoop (1987) têm algumas preciosidades imperdíveis.

Coletânea e novas canções

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Como disse no início do texto, uma nova coletânea – Truancy: The Very Best of Pete Townshend – que traz 15 sucessos e duas novas composições de Townshend chega ao mercado no fim do mês. A seleção pode até ser questionável – Street in the City e Slit Skirts ficaram de fora, por exemplo -, mas a remasterização feita em Abbey Road promete um ganho na qualidade de som bastante considerável. Outra boa notícia é que esse lançamento é só o primeiro de uma série que vai rever toda a discografia solo do criador de Tommy, que deve chegar ao mercado no ano que vem.

Tracklist 

Pure And Easy (from Who Came First)

Sheraton Gibson (from Who Came First)

Let’s See Action (Nothing Is Everything) (from Who Came First)

My Baby Gives It Away (from Rough Mix)

A Heart To Hang On To (from Rough Mix)

Keep Me Turning (from Rough Mix)

Let My Love Open The Door (from Empty Glass)

Rough Boys (from Empty Glass)

The Sea Refuses No River (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

Face Dances (Pt. 2) (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

White City Fighting (from White City)

Face The Face (from White City)

I Won’t Run Anymore (from The Iron Man)

English Boy (from Psychoderelict)

You Came Back (from Scoop)

Guantanamo (Inédita)*

How Can I Help You (Inédita)*

Provavelmente Pete Townshend será sempre lembrado pelo seu legado com o The Who (com que continua gravando e fazendo shows pelo mundo), mas quem quiser realmente entender a grandeza de sua obra os Spotifys da vida estão aí para ajudar.

Ainda sonho com o dia de ver Townshend no palco (no Brasil ou em qualquer lugar).