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Thanks Mr. WHO?!

Autobiografia de Roger Daltrey ganha data de publicação

Um post na página de Roger Daltrey no Facebook, nesta quarta (25), anunciava a pré-venda da tão esperada autobiografia do fundador do The Who. O lançamento acontecerá no dia 18 de outubro, no London Literature Festival de 2018 do Southbank Centre. Nos EUA, chega em 23 de outubro, pela Blink Publishing.

Os felizardos que têm ZIP Code apto para a encomenda concorrerão a um exemplar especial — são apenas cinco —, com assinatura e capa personalizada exclusiva. Verifiquem suas chances neste link.

roger daltrey autobiografia frasesdavida
Capa: Roger nos anos 1970 em frente a uma pilha de escombros (Divulgação)

“Thanks A Lot Mr. Kibblewhite: My Story” aborda os 50 anos de Daltrey com o The Who, além da carreira solo que reúne oito álbuns de estúdio. Não é apenas um livro de memórias, nem só as lembranças de uma das lendas vivas do rock’n’roll; é também um vislumbre da vida no Reino Unido entre 1940 e 1970 — décadas de tumultuadas mudanças.

Ben Dunn, editor e diretor da Blink Publishing na Inglaterra, falou sobre a autobiografia.

“Roger Daltrey escreveu um livro de memórias brilhante: envolvente, engraçado e cheio de histórias incríveis. É uma das últimas grandes lendas do rock, e nós estamos satisfeitos que Roger escolheu a Blink Publishing para ajudar a contar sua fascinante história.”

Who the hell is Mr. Kibblewhite?

Nascido no coração da Blitz, em março de 1944, Roger Daltrey pertence a uma geração que lutou (literalmente) pela educação e sobreviveu à pobreza do pós-guerra. São histórias de trabalho duro, resiliência e, especificamente no caso de Daltrey, uma energia de tirar o fôlego.

“Tive a sorte de viver em tempos interessantes. Testemunhei a sociedade, a música e a cultura mudarem além do reconhecimento. E ainda estou aqui para contar a minha história quando tantos outros ao meu redor não fizeram nada de um milagre”, disse Daltrey a respeito da obra.

No caminho do jovem aluno inteligente e promissor que se tornou um trabalhador diurno em uma fábrica de chapas metálicas, estava  Mr. Kibblewhite, diretor da Acton County Grammar School que disse a Daltrey que ele não seria nada na vida.

“Sempre resisti à vontade de ‘fazer memórias’, mas agora, finalmente, sinto que tenho uma perspectiva suficiente. Quando você passou mais de meio século no epicentro de uma banda como o Who, a perspectiva pode ser um problema. Tudo aconteceu no momento. Em um minuto estou no chão de fábrica em Shepherd’s Bush, e no outro sou atração em Woodstock.”

Roger Daltrey

O cantor batizou seu livro com o nome do diretor da escola — a mesma onde estudavam Pete Townshend e John Entwistle — com quem ele frequentemente colidia no auge da sua transformação em um adolescente rebelde. Até ser expulso.

O que a imprensa estrangeira já fala sobre o livro

“Tão imediata quanto a autobiografia de Keith Richards e tão franca e honesta quanto Springsteen e Clapton.”

“Thank You, o Sr. Kibblewhite é franco, autodepreciativo e cheio de humor.”

“É um must-have não apenas para os fãs do The Who em todo o mundo, mas também para qualquer amante do rock.”

Roger Daltrey montou o The Who em 1961, recrutando John Entwistle. Concordou com a proposta de John de que Pete Townshend deveria participar. Daltrey era o líder e a voz da banda. Uma potência vocal. Ficou conhecido por sua presença de palco e energia.

O reconhecimento a suas performances como frontman podem ser comprovados pela sua introdução ao Rock And Roll Hall of Fame (1990) e no Music Hall of Fame do Reino Unido (2005). No livro, Daltrey lembra de suas muitas aventuras como vocalista do The Who e da criação das gravações clássicas da banda.

Seus relatos dos excessos do rock’n’roll pelos quais o The Who se tornou notório — a destruição da guitarra no palco, as brigas, o caos — são tão divertidos quanto chocantes.

“Demorou três anos para desfazer os eventos da minha vida, para lembrar quem fez o quê quando e por que, separar os mitos da realidade, desvendar o que realmente aconteceu no Holiday Inn no aniversário de 21 anos de Keith Moon. Espero que o resultado seja mais do que apenas outra autobiografia”, disse Daltrey.

Mas tão convincente quanto o sexo, as drogas e o rock são as reflexões honestas de Roger sobre as relações que definiram sua vida e carreira — as memórias agridoces de sua amizade com Keith Moon e seu relacionamento tumultuado com Pete Townshend que definiu uma das maiores parcerias criativas da nossa época e deu origem a tantos sucessos inesquecíveis.

Não é apenas a história pessoal de Roger Daltrey; é a história definitiva de uma das maiores bandas do mundo.

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Roger Daltrey aposta no soul e se dá bem

As Long as I Have You traz canções originais e outras que inspiraram Daltrey na sua juventude

Uma das vozes mais marcantes do rock em todos os tempos, Roger Daltrey lança o seu 9º disco solo – ou 10º, se considerarmos o excelente Going Back Home (2014), feito em parceria com Wilko Johnson – dessa vez apostando no soul e no R&B, e se sai muito bem. Daltrey, que já passeou pelo e sempre será lembrado pelo trabalho com o The Who, mostra que, aos 74 anos, ainda tem muita lenha para queimar. A voz continua potente e afinada (apesar de algumas oitavas mais baixa) e ele consegue imprimir uma emoção genuína em todas as faixas.

Com a nobre presença do violão de Pete Townshend em sete das 11 faixas do disco, o frontman do The Who nos proporciona uma viagem por canções que fazem parte da sua vida desde jovem e por novas composições como Certified Rose, escrita para sua filha. Mas os destaques ficam mesmo com as regravações de How Far (Stephen Stills), Into My Arms (Nick Cave) e, principalmente, a faixa-título. As Long as I Have You é, inclusive, uma das canções que os High Nunbers (que depois se tornariam o The Who) tocavam em seus shows.

– Esse é um retorno ao tempo no qual Pete ainda não havia começado a compor, um tempo quando éramos uma banda de adolescentes tocando soul music para pequenas plateias em bailes de igreja – conta Daltrey.

Clima Who By Numbers

Townshend é, aliás, responsável por um clima Who by Numbers. How Far, por exemplo, poderia muito bem ter sido gravada pelo quarteto britânico em meados dos anos 70. Mas se o violão de Townshend remete aos anos 70, a inclusão de backing vocals gospel e o uso de metais em alguns arranjos fazem o disco soar denso e com a força de ícones como Otis Redding, que não é citado, mas está lá, em espírito.

Foto: Jo Nunes

O peso grave da voz de Daltrey é presença em números como Into My Arms, mas como mostrou na sua passagem pelo Brasil ano passado, ela ainda é versátil e potente o suficiente para segurar as canções mais balançadas, mostrando uma força e suingue bem maiores que os demonstrados no bom Endless Wire (2006), do The Who, e o já citado Going Back Home.

Mas nem tudo são flores. You Haven’t Done Nothing (Stevie Wonder) é um daqueles momentos que poderiam e deveriam ser evitados. Parece que faltou alguém avisar que ela destoa do resto do álbum, soando forçada e sem acrescentar nada ao disco ou a sua versão original.

Rumo ao topo

As Long as I Have You é uma prova de que o que é bom ainda faz sucesso. O disco – lançado no Brasil em CD e disponível nas plataformas de streaming – já alcançou o 3º lugar nas paradas britânicas, na frente até do moderninho Drake. Segundo as previsões, o álbum deve alcançar o topo até o início da próxima semana.

Coração: ****

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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Elton John ganha dois discos-tributo

Revamp: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin e Restoration: Reimagining the Songs of Elton John and Bernie Taupin, já estão disponíveis em streaming

Sir Elton John, um dos mais conhecidos artistas pop do mundo e seu letrista, Bernie Taupin, ganharam mais dois discos-tributo a sua obra: Revamp e Restoration, lançados após o anúncio de que Elton vai se aposentar dos palcos, reuniram astros do pop atual e da música country, com resultados bastante irregulares. Essa não é a primeira vez que a obra dos compositores é revista por outros astros. Antes de Coldplay, Q Tip, Demi Lovato, The Killers, Queens of the Stone Age, Mumford and Sons, Florence and the Machin, Mary J. Blige, Ed Sheeran, Lady Gaga, Sam Smith, Pink and Logic, Alessia Cara, Willie Nelson e uma surpreendente Miley Cyrus, entre outros, tentarem reler as canções da dupla, um outro grupo de artistas fez o mesmo em 1991, no bom Two Rooms: Celebrating the Songs of Elton John & Bernie Taupin, que reuniu um naipe de astros de mais peso como Eric Clapton, Sting, The Who, Rod Stewart, Phil Collins, The Beach Boys, Joe Cocker e Tina Turner, para citar apenas alguns nomes.

Voltando a 2018, Revamp tem uma pegada mais pop, enquanto Restoration vai pela linha country. Claro que é difícil reinterpretar canções que já são clássicos e acrescentar um pouco da sua personalidade a elas. Louvo o esforço do Coldplay (We All Fall in Love Sometimes) ou Q-Tip e Demi Lovato (Don’t Go Breaking My Heart), mas o resultado acabou soando superproduzido e sem a profundidade que, imagino, tenha sido a ideia dos intérpretes. Mas se o Coldplay não conseguiu entregar a melancolia desejada na balada escolhida, pior foi Ed Sheeran, que escolheu fazer uma versão acústica de Candle in the Wind e acabou soando um pastiche malfeito da versão que o próprio Elton lançou na caixa comemorativa dos 40 anos do álbum Goodbye Yellow Brick Road (2014). Mas nem tudo está perdido, Miley Cyrus vai muito bem em Don’t Let The Sun Go Down On Me e Lady Gaga consegue – apesar de algumas críticas (injustas) – deixar sua marca em uma boa versão de Your Song, que não faz feio se comparada com as interpretadas por Billy Paul ou Al Jarreau. Outros ficaram no meio do caminho, alguns mais para o lado bom – The Killers, com uma versão semi-golspel de Mona Lisas And Mad Hatters – e outros para o lado ruim – Sam Smith e a sua versão melosa de Daniel.

Mas se o disco pop tem mais baixos que altos, a reunião de astros do country faz de Restoration uma experiência bem mais agradável. Com apenas uma canção repetida do disco pop (Mona Lisas and Mad Hatters) e só um artista presente nos dois tributos (Miley Cyrus) o disco segue bem mais coeso, tanto em termos de repertório quanto em termos de qualidade. Miley Cyrus manda bem novamente, embora The Bitch Is Back não se encaixe bem no conceito do álbum, e Willie Nelson faz uma ótima Border Song. Outros destaques ficam por conta de Rhonda Vincent e Dolly Parton (Please) e a bela versão de This Train Don’t Stop There Anymore, interpretada por Rosanne Cash e Emmylou Harris.

No geral, os dois discos soam excessivos – seria muito melhor se escolhessem as melhores faixas e tivessem colocado em um único álbum -, mas não chegam a ser um crime contra o patrimônio do pop internacional. A ideia de homenagear Elton John e Bernie Taupin sempre merece aplausos, mesmo que sirva para lembrar como são boas as gravações originais.

PS: Os dois álbuns não têm previsão de lançamento em formato físico no Brasil.

As canções

Revamp:

01. Bennie and The Jets — Elton John, P!nk, Logic
02. We All Fall In Love Sometimes — Coldplay
03. I Guess That’s Why They Call It The Blues — Alessia Cara
04. Candle In The Wind — Ed Sheeran
05. Tiny Dancer — Florence And The Machine
06. Someone Saved My Life Tonight — Mumford and Sons
07. Sorry Seems To Be The Hardest Word — Mary J. Blige
08. Don’t Go Breaking My Heart — Q Tip feat. Demi Lovato
09. Mona Lisas And Mad Hatters — The Killers
10. Daniel — Sam Smith
11. Don’t Let The Sun Go Down On Me — Miley Cyrus
12. Your Song — Lady Gaga
13. Goodbye Yellow Brick Road — Queens of the Stone Age

Restoration:
01. Rocket Man – Little Big Town
02. Mona Lisas And Mad Hatters – Maren Morris
03. Sacrifice – Don Henley and Vince Gill
04. Take Me To The Pilot – Brothers Osborne
05. My Father’s Gun – Miranda Lambert
06. I Want Love – Chris Stapleton
07. Honky Cat – Lee Ann Womack
08. Roy Rogers – Kacey Musgraves
09. Please – Rhonda Vincent and Dolly Parton
10. The Bitch Is Back – Miley Cyrus
11. Sad Songs (Say So Much) – Dierks Bentley
12. This Train Don’t Stop – Rosanne Cash and Emmylou Harris
13. Border Song – Willie Nelson

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia

Pete Townshend: um gênio que completa 70 anos

Pete Townshend 70 I
Não é incomum chamar uma pessoa de gênio, principalmente na música. Alguns deles – John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Hendrix, Chico Buarque, Paul Simon e Muddy Waters, são mesmo – outros são pessoas super talentosas – Milton Nascimento, Keith Richards e Jack Bruce, por exemplo – e ainda há aqueles que viram deuses – Eric Clapton. Peter Dennis Blandford Townshend, que nesta terça-feira (19 de maio) completa 70 anos, faz parte do time dos gênios.

Para muitos, Pete Townshend é sinônimo de The Who e nada mais. Engano grave! A obra de Townshend não se resume a óperas-rock e clássicos adolescentes como I Can’t Explain ou Anyway, Anyhow, Anywhere. Também não fica apenas nos experimentos eletrônicos de Baba O’Riley ou We Won’t Get Fooled Again, e muito menos se restringe a personagens como Tommy. Ele trabalhou em editoras, teve um dos melhores websites do mundo e aventurou em muitos outros caminhos artísticos.

Para comemorar a data há o lançamento de uma nova coletânea com canções de sua discografia solo e duas novas composições. Mas disso falamos mais adiante.

Pete Townshend 70 IIITownshend não tinha um parceiro. Ele é/era uma fusão de personalidades – que em outras bandas eram representadas por duplas como Lennon e McCartney e Jagger e Richards. Portanto, sua evolução é impressionante. Do rapaz que escrevia canções para o público Mod até o homem que expunha suas amarguras em canções como Slit Skirts, do álbum All The Best Cowboys Have Chinese Eyes.

Se discos como Quadrophenia, Tommy, Who’s Next e Who By Numbers, são sempre lembrados quando se fala de Townshend, é a excelência de sua carreira solo que gostaria de destacar (é muito fácil falar do The Who, até mesmo para quem conhece a banda apenas pelas aberturas da série CSI). Pode parecer estranho que esse narigudo de voz anasalada se arriscasse em trabalhos sem a segurança do vozeirão de Roger Daltrey ou do talento do amigo John Entwistle, mas quem conhece algum dos demos que ele entregava a banda sabe que as canções já vinham praticamente perfeitas e que em algumas delas (Love Reign O’er Me, para citar um exemplo) seus vocais eram (quase) tão bons quanto os de Daltrey.

A força do seu talento também pode ser medida pela quantidade de nomes que aceitaram fazer parte de seus projetos ou que o recrutaram. Eric Clapton, Paul McCartney, David Gilmour, Charlie Watts, Phil Collins, Paul WellerBill Wyman, Nina Simone, John Lee Hooker e muitos outros. Só fera!

Carreira solo

Se o seu primeiro disco – Who Came First (1972) – é um apanhado de demos do abortado projeto Lifehouse (que acabou tendo canções aproveitadas no clássico Who’s Next) e de músicas que gravou para o seu mestre espiritual (Meher Baba), o resto de sua produção solo mostrou que o The Who não era o veículo apropriado para muitas de suas composições.

Pete Townshend on stage in New York, February 2013Rough Mix (1977), gravado em parceria com Ronnie Lane (do Small Faces), já mostrava que o talento de Pete não podia ficar preso nas paredes do The Who. A maioria das canções tinham um elemento folk e mesmo as mais pops (Keep Me Turning) não se encaixariam no rock de Keith Moon & Cia. Difícil imaginar que uma melodia e um arranjo tão melodicamente intricado como o de Street in the City pudesse fazer parte de algum dos álbuns de uma das bandas mais barulhentas do mundo.

Em 1980 Townshend lança aquele que ele mesmo considera seu primeiro disco solo e que, para muita gente boa, é seu melhor disco (discordo): Empty Glass, um disco cheio de álcool, solos de guitarra e uma boa dose de raiva. A maioria das canções foi composta e gravada na mesma época que o The Who preparava o material para o disco Face Dances, o que deixa muito claro que a esta altura da vida Townshend (mesmo que inconscientemente) já separava seu melhor material para si e não mais para sua banda. Surpreendentemente o single de maior sucesso do disco (Let My Love Open The Door) é uma canção de amor que não representa o espírito do disco, recheado de bons rocks como Gonna Get Ya, Cat’s in the Cupboard, Jools and Jim e a canção-título.

Pete Townshend All the best cowboys have chinese eyesEntão chega o ano de 1982 e com ele All The Best Cowboys Have Chinese Eyes, o trabalho mais profundo e bem produzido pelo artista até então. O disco veio acompanhado do lançamento de um vídeo (VHS) com clipes das canções Prelude, Face Dances, Pt. 2, Communication, Uniforms, Stardom in Acton, Exquisitely Bored e Slit Skirts. Era a época da MTV.

O disco foi um dos que mais causou impacto na minha vida, primeiro pelas melodias e arranjos (não sabia inglês naquela época) e depois pelas letras. Até hoje tenho certeza de que o segundo verso de Slit Skirts foi escrito para mim.

Let me tell you some more about myself, you know I’m sitting at home just now.
The big events of the day are passed and the late TV shows have come around.
I’m number one in the home team, but I still feel unfulfilled.
A silent voice in her broken heart complaining that I’m unskilled.

And I know that when she thinks of me, she thinks of me as him,
But, unlike me, she don’t work off her frustration in the gym.

Recriminations fester and the past can never change
A woman’s expectations run from both ends of the range

Once she walked with untamed lovers’ face between her legs
Now he’s cooled and stifled and it’s she who has to beg

http://www.youtube.com/watch?v=q1D_XNYTUGg

Mas a qualidade do material de Chinese Eyes é a comprovação da genialidade ambiciosa de Townshend (que foi massacrado pelos críticos por ser muito pretensioso). Todas as canções são de um nível tão alto que é praticamente impossível destacar alguma. Um disco para se levar para uma ilha deserta!

Pete Townshend 70 IIDepois de Chinese Eyes Pete ainda lançou White City: A Novel (1985), The Iron Man: The Musical by Pete Townshend (1989) e Psychoderelict (1993), voltando a flertar com a ópera-rock, teatro, literatura e até mesmo retomando o personagem principal do abortado e já mencionado projeto Lifehouse. Nesses discos há melodias letras e arranjos que poderiam criar um ótimo álbum duplo, já que em todos eles há momentos onde a inspiração não mantém a mesma pegada, mas músicas como Give Blood, Face the Face, Secondhand Love, White City Fighting, A Friend Is a Friend, Was There Life, A Fool Says…, English Boy, Let’s Get Pretentious, I Want That Thing, Predictable e Fake it, precisam ser citadas.

Além dos discos de carreira, Pete fez a felicidade dos fãs abrindo seus arquivos e lançando uma série de discos com demos e canções inéditas chamados Scoop. São três volumes até agora e ainda há muito para ser revelado. Scoop (1983) e Another Scoop (1987) têm algumas preciosidades imperdíveis.

Coletânea e novas canções

PeteTownshend-Truancy-front
Como disse no início do texto, uma nova coletânea – Truancy: The Very Best of Pete Townshend – que traz 15 sucessos e duas novas composições de Townshend chega ao mercado no fim do mês. A seleção pode até ser questionável – Street in the City e Slit Skirts ficaram de fora, por exemplo -, mas a remasterização feita em Abbey Road promete um ganho na qualidade de som bastante considerável. Outra boa notícia é que esse lançamento é só o primeiro de uma série que vai rever toda a discografia solo do criador de Tommy, que deve chegar ao mercado no ano que vem.

Tracklist 

Pure And Easy (from Who Came First)

Sheraton Gibson (from Who Came First)

Let’s See Action (Nothing Is Everything) (from Who Came First)

My Baby Gives It Away (from Rough Mix)

A Heart To Hang On To (from Rough Mix)

Keep Me Turning (from Rough Mix)

Let My Love Open The Door (from Empty Glass)

Rough Boys (from Empty Glass)

The Sea Refuses No River (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

Face Dances (Pt. 2) (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

White City Fighting (from White City)

Face The Face (from White City)

I Won’t Run Anymore (from The Iron Man)

English Boy (from Psychoderelict)

You Came Back (from Scoop)

Guantanamo (Inédita)*

How Can I Help You (Inédita)*

Provavelmente Pete Townshend será sempre lembrado pelo seu legado com o The Who (com que continua gravando e fazendo shows pelo mundo), mas quem quiser realmente entender a grandeza de sua obra os Spotifys da vida estão aí para ajudar.

Ainda sonho com o dia de ver Townshend no palco (no Brasil ou em qualquer lugar).

Dois super discos ganham super edições

Enquanto o Rock in Rio patina com atrações pra lá de discutíveis (em termos musicais) e um ou outro acerto, aproveito para postar que dois grandes discos vão ganhar aquelas milionárias edições de luxo que servem para nos deliciar e deixar bem mais pobres. São ele: Unplugged (Eric Clapton) e Tommy (The Who).

Os dois lançamentos chegam ao mercado antes do fim do ano e, pelo menos um deles deve ser vendido no Brasil de maneira oficia“, sem a necessidade de importação.

Veja os detalhes dos lançamentos.

EC UNPLUGGED 2013Unplugged Amplified

O pacote trará 2 CDs e 1 DVD, com o disco original e mais seis canções que haviam ficado de fora do álbum, tudo com som remasterizado. O DVD tem a íntegra do programa da MTV e mais de 1 hora de imagens inéditas, incluindo algumas do ensaio de Clapton e banda.

As datas oficiais de lançamento são:

October 11: Germany, Australia, New Zealand, Switzerland, Ireland, Belgium, Finland, & The Netherlands
October 14: UK, Czech Republic, Austria, South Africa, Hong Kong, Poland, France, Denmark, & Norway
October 15: US, Canada, Argentina, Brazil, Mexico, Chile, Italy, & Spain
October 16: Japan & Sweden

Tommy

tommy1Seguindo o que Townshend & Cia fizeram com o Quadrophenia e outros lançamentos, o LP duplo original vai se transformar em um mega pacote com 4 CDs, além de um livro de capa dura e 80 páginas e um pôster, além de itens de memorabília como letras escritas a mão fotos e anotações.

A data oficial de lançamento na Inglaterra é 11 de novembro.

Disco 1 – The original album (2013 re-master)

Digitally re-mastered in HD

Disco 2 – The demos and out-takes

Com (segundo eles) 20 faixas nunca lançadas, tiradas do arquivo de demos de Pete Townshend

Disco 3 – The 5.1 album mix – Hi Fidelity Pure Audio Blu-ray

O disco remixado em surround e em Blu-ray

Disco 4 – The live ‘bootleg’ album

Disco com 21 canções nunca lançadas tiradas de vários shows de 1969.

“Vovôs” do rock ganham lançamentos históricos

Grupos de rock dos anos 60 e 70 se destacam nos lançamentos e mostram que boa música não tem idade. Led Zeppelin, Rolling Stones e Queen estão entre eles

Led-ZeppelinMesmo com o vigor da juventude pulsando em veias juvenis e cheias de energia, foram alguns dos grupos mais consagrados das décadas de 60 e 70 os protagonistas de grandes lançamentos atuais. E, boa notícia para os atrasadinhos, seus lançamentos continuam em catálogo, garantindo doses intensas de solos de guitarras e canções clássicas. Led Zeppelin, Rolling Stones, Queen, Cream, The Who e a inusitada dobradinha Paul McCartney & Nirvana, se destacaram em registros audiovisuais que mostram que boa música não tem idade.

Provavelmente o lançamento de mais impacto no Olimpo do rock clássico, o CD/DVD Celebration Day (Warner), do Led Zeppelin, gravado durante a última apresentação da banda – com Jason Bonham segurando as baquetas no lugar do pai, John Bonham -, em 10 de dezembro de 2007 na 02 Arena, em Londres, como parte do show em tributo ao fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun (1923 – 2006), é a prova de que o bom e velho rock’n’roll dos anos 70 ficaria muito melhor com a tecnologia atual, que permite que as apresentações se transformem em experiências quase sinfônicas.

Led Zeppelin IIO filme, que chegou a ser exibido nos cinemas, inclusive no Brasil, mostra uma banda ainda com cacife para lotar arenas e estádios em qualquer lugar do planeta. As rugas de Robert Plant e os cabelos brancos de Jimmy Page não deixam dúvidas de que o tempo passou, mas, mesmo com canções sendo tocadas alguns tons abaixo, Plant, Page e o baixista John Paul Jones desfilam 16 canções como um craque do passado usando equipamento moderno. Ou seja, jogando muito mais que os pseudo craques de hoje, mesmo com a ausência do mão pesada John Bonham.

O show está disponível em CD, DVD e Blu-ray, som 5.1 e inclui a maioria dos clássicos da banda como Black Dog, Stairway To Heaven e Rock and Roll.

O canto do cisne da Nata

cream-live-at-the-royal-albert-hall-import-blu-ray-lacrado_MLB-F-205595534_5625Em 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker tocavam juntos o que seria (até então) o último concerto do Cream, grupo que, ao lado do Jimmy Hendrix Experience, elevou o conceito de power trio a um patamar icônico. Os músicos, seus talentos e seus egos eram enormes (e com razão). Em apenas três anos de vida, o grupo lançou discos brilhantes (Disrealy Gears), canções inesquecíveis (Sunshine of Your Love e White Room) e viveu muitas brigas internas, principalmente entre Baker e Bruce.

O tempo passou, cada um seguiu o seu caminho e, em maio de 2005, Clapton reuniu os ex-companheiros para uma série de quatro shows no Royal Albert Hall, em Londres – mesmo local da apresentação final, em 1968. O registro dessas apresentações chega em versão Blu-ray em Cream Live at the Royal Albert Hall (ST2). O filme mostra muito possivelmente a última grande performance de Clapton, que parece um pouco acomodado nos últimos trabalhos, mas precisa suar a camisa e gastar sua Fender para não ser engolido pelo virtuosismo dos companheiros de banda.

As mudanças são visíveis na bateria de Baker (com menos elementos, mas ainda poderosa), na saúde de Bruce (que precisou fazer um transplante de fígado após ser diagnosticado com um câncer) e nos cabelos de Clapton. Musicalmente, o trio resgata a magia das jams e solos que os tornaram referência. Canções como I’m so Glad, White Room, Badge e Crossroads, soam melhores do que nunca. Em algumas delas, o baixo de Bruce, a bateria de Baker e a guitarra de Clapton soam até melhor que nas canções originais!

Infelizmente, os problemas pessoais nunca foram superados e, segundo Ginger Baker, não há chance desses shows se repetirem. Uma pena, já que Live at the Royal Albert Hall mostra que grandes músicos inspiram uns aos outros.

Stones comemoram 50 anos com documentário sobre turnê de 1965

STONES_3_ Um dos membros da Santíssima Trindade do rock inglês (juntamente com os Beatles e o The Who), os Rolling Stones comemoram os 50 anos de carreira com uma coletânea, duas canções inéditas, uma turnê e o lançamento de vários vídeos, incluindo o documentário Charlie is my Darling (Universal), que mostra a banda em sua turnê pela Irlanda, em setembro de 1965, logo após o lançamento de (I can’t get no) Satisfaction.

O filme mostra cenas dos shows da banda, quando a segurança era mínima e permitia que fãs chegassem até os músicos e literalmente tirassem a banda do palco. Há entrevistas com cada um dos membros – Charlie Watts, Bill Wyman, Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards -, mas o melhor mesmo são as cenas onde os Stones são mostrados na intimidade dos quartos de hotel, brincando e mostrando que eram antenados com os lançamentos dos rivais (cantarolam canções dos Beatles, entre outros). Engraçado também ver o desconforto de Jones com a condição de astro pop, embora fosse impossível prever o fim trágico de sua história, poucos anos depois.

Charlie is my Darling é uma espécie de A Hard Day’s Night (Os Reis do Iê-Iê-Iê), com uma trilha sonora onde se destacam Play with fire, The Last Time, Time is on my side e Satisfaction.

The Who demolidor

The Who Live in Texas coverOutro da Santíssima Trindade Inglesa, o The Who Pete Townshend (vocais, guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo e vocais) e Keith Moon (bateria, percussão e vocais) – é representado pelo ótimo DVD Live in Texas ‘75 (ST2).

Se o Led Zeppelin de 2007 já não tinha seu bate estacas, o The Who de 1975 está completo, com o mais louco e criativo baterista de todos os tempos, mais Townshend em grande forma (e com cabelos) e Daltrey chegando aos agudos que já ficaram mesmo no passado. Chega a ser covardia comparar as apresentações – tanto em termos de desempenho, quanto de qualidade de som e imagem -, já que foram gravados com décadas de diferença, mas a batalha é boa.

Substitute, I Can’t Explain e Squeeze Box, no mesmo set de My Generation, Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again. Não tem como dar errado. Guitarras sendo destruídas, baterias demolidas e uma banda tocando apenas o melhor e mais barulhento rock de sua época. Se a filmagem não é um primor em termos técnicos (lembrem-se que estamos falando de um concerto gravado em 1975), o que a banda faz no palco é de deixar qualquer grupo da nova geração inglesa com vergonha de suas caras e bocas. Dinamite pura!

A Rainha em Budapeste

Queen hungarian rhapsodyOutro concerto de rock que chegou às telonas em 2012 foi o Hungarian Rhapsody – Queen Live in Budapest (Universal). Na verdade, Hungarian Rhapsody (ao contrário de Live at Wembley) é um documentário sobre um concerto e não o registro de um show do Queen, o que pode deixar um ou outro fã um pouco decepcionado, mas vale como complemento do registro dos shows de Wembley.

Gravado durante a Kind of Magic Tour, o DVD mostra Freddie Mercury, John Deacon, Brian May e Roger Taylor no melhor da forma e com um repertório matador, com hits como Under Pressure, Who Wants to Live Forever, Love of My Life, Crazy Little Thing Called Love e We Are the Champions, entre muitos outros.

Não importa se você achava o som do grupo pop demais, não há como negar o talento de Mercury em comandar uma plateia de mais de 30 mil pessoas. Hungarian Rhapsody pode não estar no patamar de um Last Waltz, mas dá um banho na maioria dos documentários de rock atuais.

O beatle no Nirvana

paul-mccartney-nirvana-1212Para terminar, uma mistura inusitada. Paul McCartney e os sobreviventes do Nirvana se reuniram para gravar uma canção, que foi apresentada em primeira mão no concerto em prol das vítimas da tempestade Sandy, em 12/12/12. Cut Me Some Slack (disponível na iTunes Store por US$ 1,29) traz um McCartney com vocal raivoso e Dave Grohl arrebentando na bateria, ao lado de um inspirado Krist Novoselic. O trio também apresentou a canção ao vivo durante um episódio do programa, causando furor nos fãs da banda, já que Grohl e Novoselic não tocavam juntos fazia mais de 20 anos.

Os jovens têm todo o direito de terem seus ídolos, mas mesmo o menos saudosista rockeiro da humanidade não tem como deixar de admitir que os velhinhos batem um bolão!







Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

A setlist do Quadrophenia Director’s Cut

Sai a setlist do mega relançamento do disco Quadrophenia, do The Who.

Que a greve dos Correios acabe logo!

Original album – 2011 Remaster

Disc One:
1. I Am The Sea
2. The Real Me
3. Quadrophenia
4. Cut My Hair
5. The Punk And The Godfather
6. I’m One
7. The Dirty Jobs
8. Helpless Dancer
9. Is It In My Head?
10. I’ve Had Enough

Disc Two:
1. 5:15
2. Sea And Sand
3. Drowned
4. Bell Boy
5. Doctor Jimmy
6. The Rock
7. Love Reign O’er Me

Disc three – the demos
1. The Real Me (demo)
2. Quadrophenia – Four Overtures (demo)
3. Cut My Hair (demo)
4. Fill No. 1 – Get Out and Stay Out (demo)
5. Quadrophenic – Four Faces (demo)
6. We Close Tonight (demo)
7. You Came Back (demo)
8. Get Inside (demo)
9. Joker James (demo)
10. Punk (demo)
11. I’m One (demo)
12. Dirty Jobs (demo)
13. Helpless Dancer (demo)

Disc four – the demos
14. Is It In My Head (demo)
15. Any More (demo)
16. I’ve Had Enough (demo)
17. Fill No. 2 (demo)
18. Wizardry (demo)
19. Sea & Sand (demo)
20. Drowned (demo)
21. Is It Me (demo)
22. Bell Boy (demo)
23. Dr Jimmy (demo)
24. Finale-The Rock (demo)
25. Love Reign O’er Me (demo)

Disc five – DVD – 5.1 surround-sound mix
1. I Am The Sea
2. The Real Me
3. Quadrophenia
4. I’ve Had Enough
5. 5.15
6. Dr Jimmy
7. The Rock
8. Love Reign O’er Me

7” single
Side one: 5.15
Side two: Water

Plus:

• Deluxe 100-page, hard-back book featuring a brand new 13,000 word essay by Pete Townshend, shedding exclusive light on the period before and during the creation of the album, explaining some of the technical processes – the startling and progressive use of synthesisers as well as a revealing insight into the story of the album’s central character – the mod Jimmy.

• Also features Pete’s in depth, track-by-track guide to the demos and revealing studio diary.

• The stunning book also includes a treasure trove of previously unseen personal notes, photographs, handwritten lyrics and memorabilia from the period, all recently uncovered in Pete’s archive.

O que é um Fã

Fã pode até ter um definição para os dicionários (ver abaixo), mas fã mesmo é um ser que não leva em consideração qualquer lógica na hora de fazer um sacrifício pelo que idolatra.  Se não fosse por essa falta de lógica, jamais gastaria tanto dinheiro com música – coisa que só sei ouvir e avaliar.

1. Pop. Pessoa que admira (às vezes com exagero) um artista, uma figura pública etc.: “Ela é fã da Emilinha / não sai do César de Alencar…” (Miguel Gustavo, Fanzoca de rádio))

2. P.ext. Pessoa que cultiva uma grande admiração por alguém ou algo: fã de um time de futebol/ de uma marca de carro.

[F.: Do ing. fan, f. red. de fanatic, ‘fanático’.]

Assista ao vídeo sobre o box do Quadrophenia (The Who). Coisa de fã.

 

Blue, Red and Grey: Para quem gosta de todos os minutos do dia

Como o próprio Pete diz: ‘Such a fucking liar’

1975

2006

Blue, Red and Grey (Pete Townshend)
The Who

Some people seem so obsessed with the morning
Get up early just to watch the sun rise
Some people like it more when there’s fire in the sky
Worship the sun when it’s high
Some people go for those sultry evenings
Sipping cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

I like every second, so long as you are on my mind
Every moment has its special charm
It’s all right when you’re around, rain or shine
I know a crowd who only live after midnight
Their faces always seem so pale
And then there’s friends of mine who must have sunlight
They say a suntan never fails
I know a man who works the night shift
He’s lucky to get a job and some pay
And I like every minute of the day

I dig every second
I can laugh in the snow and rain
I get a buzz from being cold and wet
The pleasure seems to balance out the pain

And so you see that I’m completely crazy
I even shun the south of France
The people on the hill, they say I’m lazy
But when they sleep, I sing and dance
Some people have to have the sultry evenings
Cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

Blue, Red and Grey
The Who

Some people seem so obsessed with the morning
Get up early just to watch the sun rise
Some people like it more when there’s fire in the sky
Worship the sun when it’s high
Some people go for those sultry evenings
Sipping cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

I like every second, so long as you are on my mind
Every moment has its special charm
It’s all right when you’re around, rain or shine
I know a crowd who only live after midnight
Their faces always seem so pale
And then there’s friends of mine who must have sunlight
They say a suntan never fails
I know a man who works the night shift
He’s lucky to get a job and some pay
And I like every minute of the day

I dig every second
I can laugh in the snow and rain
I get a buzz from being cold and wet
The pleasure seems to balance out the pain

And so you see that I’m completely crazy
I even shun the south of France
The people on the hill, they say I’m lazy
But when they sleep, I sing and dance
Some people have to have the sultry evenings
Cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

Quadrophenia ganha versão com 4 CDs e um DVD

Nova versão vai conter um mega livro e demos inéditos de Pete Townshend

Pelo jeito os bolsos dos roqueiros velhos não vão ter sossego nessa época de música online. Não há mais lançamentos normais, tudo ganha versões de luxo, com livros maravilhosos, remasterizações, demos, sobras de estúdio, etc.

A bola da vez é a Ópera Rock Quadrophenia, do The Who, que chega na versão Director’s Cut, com 4 CDs, 1 DVD, livro e 1 compacto em vinil. O lançamento acontece no dia 14 de novembro, mas as pré-vendas já estão abertas no site do grupo.

Lançada em 1973, logo depois da obra-prima Who’s Next, Quadrophenia é, segundo Townshend, o álbum do qual ele mais sente orgulho. A história gira em torno de Jimmy, um jovem mod inglês que luta para sobreviver nos anos 60. No disco, estão clássicos como 5:15, Love Reing O’er Me e I’m the One. Originalmente um LP duplo, o novo Quadrophenia ainda não teve suas faixas divulgadas, apenas o preço: US$ 147,95.

Para piorar, a obra também vai ganhar versões em vinil e digipack e uma turnê (2012) – provavelmente longe de terras tupiniquins – onde será interpretada por Townshend, Daltrey & Friends.

McCartney e U2 no Rock in Rio estão na preferência dos leitores

Depois de vários meses de pesquisa, sai o resultado da enquete sobre qual o artista mais desejado para a próxima edição do Rock in Rio. Não sei se esse resultado chegará até os responsáveis pelo cast, mas não custa tentar. Afinal, os leitores do F(r)ases são super qualificados.

Disparado, Paul McCartney foi o artista mais citado (24,66% dos votos), depois dele, os irlandeses do U2 conseguiram 19,88% da preferência dos leitores. Na sequência, The Who (10,96%), Eric Clapton e Ringo Starr (8,22% cada), Roger Waters (2,74%) e Sting (1,37%).

Outros nomes também foram citados, como Seal, Queen, Lady Gaga, Santana, Muse, Simple Minds e até mesmo Julio Iglesias!

Aproveite e não deixe de acompanhar a Agenda de Shows Internacionais no Rio e no Brasil.

E não deixe de votar na nova enquete: Qual o veículo no qual você procura notícias da sua cidade?

Abaixo o vídeo de Paul McCartney e U2, ao vivo no Live 8.

A maior audiência de todos os tempos na TV

A crise dos meios tradicionais de comunicação não parece afetar a Televisão. Segundo os dados do Ibope americano, a final da edição de 2010 do Super Bowl, registrou um recorde histórico de audiência no País: mais de 106,5 milhões de telespectadores, batendo um velho recorde do último capítulo da série M*A*S*H, 27 anos atrás.

Vale lembrar que o show do intervalo contou com apresentação do The Who.

The Who ganha de Beyoncé (de goleada)


Quem ficou em casa e viu a emocionante vitória do New Orleans Saints no Superbowl ainda teve a chance de ver um set magnífico do The Who, durante o intervalo.

Se as pernas da musa são muito interessantes, a música perde longe para a dos veteranos ingleses.

Abaixo o anúncio da apresentação e a mesma (dividida em duas partes).

Os 10 discos que levaria para uma ilha deserta (internacional)

Sempre faço uma brincadeira com amigos, músicos e famosos. Pergunto quais seus 10 discos favoritos e peço para listá-los. A última vez foi no (ainda) falecido Mistura Interativa.

Para nimar um pouco os comentários do blog, coloco abaixo meus 10 mais internacionais de todos os tempos.

Mandem os seus, reclamem, discordem, critiquem. A idéia é essa mesma.

Não há ordem de preferência!

1- Who’s Next – The Who

2- Tug Of War – Paul McCartney

3- Layla and Other Assorted Love Songs– Derek and the Dominos (aka, Eric Clapton)

4- Goodbye Tellow Brick Road – Elton John

5- Sweet Baby James – James Taylor

6- Bridge Over Trouble Water – Simon & Garfunkel

7- 1984 – Van Halen

8- Abbey Road – Beatles

9- Pet Sounds – Beach Boys

10- Joshua Tree – U2

A lista muda de tempos emtempos, e os discos que ficaram como reservas dessa vez foram:

All The Best Cowboys Have Chinese Eyes – Pete Townshend

Ringo – Ringo Starr

Tatoo You – Rolling Stones

PS: Confira a lista de shows internacionais que passarão pelo Rio.

PS”: A lista dos discos nacionais será publicada em um futuro não muito distante.

Amor não é para se guardar

POde durar algumas horas, uma semana, anos ou a eternidade. A única coisa certa do amor é que ele não é uma coisa para ser guardada. Felizes os que acham o seu e conseguem mantê-lo.

Layin’ on my back
In the newly mown grass
Rain is coming down
But I know the clouds will pass
You bring me tea
Say “the babe’s a-sleepin'”
Lay down beside me
Love ain’t for keeping

Black ash from the foundry
Hangs like a hood
But the air is perfumed
By the burning firewood
The seeds are bursting
The spring is seeping
Lay down beside me
Love ain’t for keeping
Lay down beside me
Love ain’t for keeping

Lay down beside me
Love ain’t for keeping
Lay down my darling
Love ain’t for keeping

Rock para sempre – Long Live Rock

Long Live Rock
Pete Townshend / The Who

longliverockDown at the Astoria the scene was changing,
Bingo and rock were pushing out X-rating,
We were the first band to vomit in the bar,
And find the distance to the stage too far,
Meanwhile it’s getting late at ten o’clock,
Rock is dead they say,
Long live rock.

Long live rock, I need it every night,
Long live rock, come on and join the line,
Long live rock, be it dead or alive.

People walk in sideways pretending that they’re leaving,
We put on our makeup and work out all the lead-ins,
Jack is in the alley selling tickets made in Hong Kong,
Promoter’s in the pay box wondering where the band’s gone,
Back in the pub the governor stops the clock,
Rock is dead, they say,
Long live rock.

Long live rock, I need it every night,
Long live rock, come on and join the line,
Long live rock, be it dead or alive.

longliverockIILandslide, rocks are falling,
Falling down ‘round our very heads,
We tried but you were yawning,
Look again, rock is dead, rock is dead, rock is dead.
The place is really jumping to the Hiwatt amps,
‘Til a 20-inch cymbal fell and cut the lamps,
In the blackout they dance right into the aisle,
And as the doors fly open even the promoter smiles,

Someone takes his pants off and the rafters knock,
Rock is dead, they say,
Long live rock, long live rock, long live rock.
Long live rock, long live rock, long live rock,
Long live rock, long live rock, long live rock.

The Who ainda longe do Brasil

Daltrey Tour finalSão mais de 40 anos de estrada e milhares de shows em dezenas de países e nada de Brasil. O The Who (hoje representados por apenas dois de seus quatro membros originais, Pete Townshend e Roger Daltrey) continua na ativa – com pequenos intervalos -, levando rock de raiz para ouvidos e mentes de humanos normais.

Já foram vários os rumores da vinda do grupo ao Brasil mas parece que as boas lembranças de amigos como Eric Clapton e Paul McCartney não foram suficientes para sensibilizar Townshend.

Pé na estrada e nova ópera rock

Enquanto o grupo experimenta mais um recesso, Roger Daltrey vocalista e ator bissexto prepara uma turnê pelos EUA onde, além de cantar os sucessos do The Who vai apresentar alguns dos seus sucessos solo e ainda promete entoar músicas de artistas como Paul McCartney, Bruce Sprinsteen e Queen.

Para quem não sabe, Daltrey coleciona algumas canções que fizram bonito nas paradas. Without Your Love, Giving It All Away e After the Fire, que devem The Who Hamilton outubro 08fazer parte do repertório, são alguns exemplos. Nos concertos Roger será acompanhado por Frank Simes (guitarras), Loren Gold (teclados), Jon Button (baixo) e Scott Devours (bateria), além do companheiro de Who, Simon Townshend (guitarrista, backing vocal e irmão do outro Towshend já citado aqui).

Enquanto isso, irmão Pete anuncia que está escrevendo uma nova ópera rock para o The Who. Floss não terá uma história muito original (pelo menos para os padrões de Townshend) mas pode render um belo disco, planejado para 2010.

Abaixo o anúncio oficial de Townshend:

I am writing a new musical.

FLOSS is an ambitious new project for me, in the style of TOMMY and QUADROPHENIA. In this case the songs are interspersed with surround-sound ‘soundscapes’ featuring complex sound-effects and musical montages. FLOSS will be a son-et-lumiére musical piece, intended for outdoor performance, or arenas. Several of the more conventional songs from FLOSS will be featured on a forthcoming Who recording for release in 2010. FLOSS will be heard in concert for the first time in 2011, at a venue and date yet to be established. I am already having talks with producers in New York.

Townshend 2008 The collected music and sound for FLOSS convey the story of a married couple whose relationship gets into difficulty. Walter, a straight-cut pub rock musician, is able to retire when one of his songs becomes the TV anthem of a big car company. He becomes a house-husband while his wife Floss devotes herself to a riding stables and stud. When he tries to return to music after a fifteen year hiatus, he finds that what he hears and what he composes evoke the ecologically rooted, apocalyptic mindset of his generation. Shaken by this and torn by personal difficulties, he and Floss become estranged. A series of dramatic events in a hospital emergency ward bring them both to their senses.

While Roger Daltrey exercises his ageing vocal chords by embarking on a two month USE OR LOSE IT solo tour, my focus is on FLOSS, which touches on the current issues faced by the Boomer generation. It also addresses their uneasy relationship with their parents, children and grandchildren. As a 19 year old – with My Generation – I wrote the most explicitly ageist song in rock. At 64, I now want to take on ageing and mortality, using the powerfully angry context of rock ‘n’ roll.

Se a idéia de Daltrey é manter sua voz em forma (embora ela já sinta os efeitos da idade), é bom saber que a força criativa de Townshend ainda existe.

Pelo jeito precisarei vê-los longe da Terra Brasilis.