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Roger Daltrey aposta no soul e se dá bem

As Long as I Have You traz canções originais e outras que inspiraram Daltrey na sua juventude

Uma das vozes mais marcantes do rock em todos os tempos, Roger Daltrey lança o seu 9º disco solo – ou 10º, se considerarmos o excelente Going Back Home (2014), feito em parceria com Wilko Johnson – dessa vez apostando no soul e no R&B, e se sai muito bem. Daltrey, que já passeou pelo e sempre será lembrado pelo trabalho com o The Who, mostra que, aos 74 anos, ainda tem muita lenha para queimar. A voz continua potente e afinada (apesar de algumas oitavas mais baixa) e ele consegue imprimir uma emoção genuína em todas as faixas.

Com a nobre presença do violão de Pete Townshend em sete das 11 faixas do disco, o frontman do The Who nos proporciona uma viagem por canções que fazem parte da sua vida desde jovem e por novas composições como Certified Rose, escrita para sua filha. Mas os destaques ficam mesmo com as regravações de How Far (Stephen Stills), Into My Arms (Nick Cave) e, principalmente, a faixa-título. As Long as I Have You é, inclusive, uma das canções que os High Nunbers (que depois se tornariam o The Who) tocavam em seus shows.

– Esse é um retorno ao tempo no qual Pete ainda não havia começado a compor, um tempo quando éramos uma banda de adolescentes tocando soul music para pequenas plateias em bailes de igreja – conta Daltrey.

Clima Who By Numbers

Townshend é, aliás, responsável por um clima Who by Numbers. How Far, por exemplo, poderia muito bem ter sido gravada pelo quarteto britânico em meados dos anos 70. Mas se o violão de Townshend remete aos anos 70, a inclusão de backing vocals gospel e o uso de metais em alguns arranjos fazem o disco soar denso e com a força de ícones como Otis Redding, que não é citado, mas está lá, em espírito.

Foto: Jo Nunes

O peso grave da voz de Daltrey é presença em números como Into My Arms, mas como mostrou na sua passagem pelo Brasil ano passado, ela ainda é versátil e potente o suficiente para segurar as canções mais balançadas, mostrando uma força e suingue bem maiores que os demonstrados no bom Endless Wire (2006), do The Who, e o já citado Going Back Home.

Mas nem tudo são flores. You Haven’t Done Nothing (Stevie Wonder) é um daqueles momentos que poderiam e deveriam ser evitados. Parece que faltou alguém avisar que ela destoa do resto do álbum, soando forçada e sem acrescentar nada ao disco ou a sua versão original.

Rumo ao topo

As Long as I Have You é uma prova de que o que é bom ainda faz sucesso. O disco – lançado no Brasil em CD e disponível nas plataformas de streaming – já alcançou o 3º lugar nas paradas britânicas, na frente até do moderninho Drake. Segundo as previsões, o álbum deve alcançar o topo até o início da próxima semana.

Coração: ****

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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Os músicos mais ricos do Reino Unido

Adele e Paul McCartney estão na lista dos mais ricos. O velho Sir Macca é o primeiro colocado

Antiguidade é posto. A frase é antiga e batida, mas se encaixa perfeitamente no contexto dos músicos mais ricos do Reino Unido. Berço do melhor do rock (e outros ritmos) desde os anos 60, Inglaterra e adjacências também produziram alguns dos mais bem-sucedidos artistas do planeta. E, embora os mais jovens desdenhem do som que marcou e até hoje influencia o mundo, a maioria dos nomes é da velha guarda, com alguns que nem são tão levados a sério como talentos, mas que estão lá, marcados na história. Assim, membros dos Beatles, Stones, Pink Floyd e Queen, por exemplo, estão lá no topo da lista.

O ranking, produzido pelo jornal Sunday Times, é feita levando-se em conta vários fatores como terras, propriedades, bens móveis e ações em empresas públicas. Os valores guardados nos bancos não entram nessa conta. As cifras estão na moeda da Terra da Rainha (libras esterlinas), claro.

Chupa, garotada!

PS: O valor da libra está quase R$ 5

Os nomes e as cifras:

Eric Clapton, com £ 175 milhões, está na posição 12

1. Paul McCartney e Nancy Shevell – £ 820 milhões
2. Lord Lloyd Webber – £ 740 milhões
3. U2 – £ 569 milhões
4. Elton John – £ 300 milhões
5. Mick Jagger – £ 260 milhões
6. Keith Richards – £ 245 milhões
7. Olivia e Dhani Harrison – £ 230 milhões
8. Ringo Starr – £ 220 milhões
9. Michael Flatley – £ 202 milhões
10. Sting – £ 190 milhões
11. Rod Stewart – £ 180 milhões
12. Roger Waters – £ 175 milhões
12. Eric Clapton – £ 175 milhões
14. Robbie Williams – £ 165 milhões
15. Tom Jones – £ 163 mihões
16. Tim Rice – £ 152 milhões
17. Ozzy Ousbourne e Sharon Ousbourne – £ 145 milhões
18. Adele – £ 140 milhões
18. Calvin Harris – £ 140 milhões
18. Charlie Watts – £ 140 milhões
21. Brian May – £ 135 milhões
22. Roger Taylor – £ 130 milhões
23. Jimmy Page – £ 125 milhões
24. Phil Collins – £ 120 milhões
25. David Gilmour – £ 115 milhões
26. Robert Plant – £ 105 milhões
26. John Deacon – £ 105 milhões
28. Enya – £ 104 milhões
29. Chris Martin – £ 94 milhões
30. Nick Mason – £ 92 milhões
31. Pete Townshend – £ 82 milhões
31. Will Champion – £ 82 milhões
31. Jonny Buckland – £ 82 milhões
31. Guy Berryman – £ 82 milhões
35. Ed Sheeran – £ 80 milhões
35. Gary Barlow – £ 80 milhões

 

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Who Came First faz 45 anos e ganha nova reedição

Who Came First, para muitos o primeiro disco solo de Pete Townshend (o gênio por trás do The Who) fez 45 anos e ganhou uma nova reedição remasterizada e estendida. O disco pode ser considerado uma forçação de barra da gravadora, que juntou demos (a maioria para o abortado projeto Lifehouse, que acabou tendo várias canções servindo como base do LP Who’s Next) e algumas faixas já lançadas por Townshend nos seus dois (verdadeiros) primeiros discos solo – Happy Birthday e I Am, ambos em homenagem ao seu guru: Meher Baba. Esses dois discos chegaram a ser lançados em CD pelo próprio Townshend  – em um box chamado Avatar, que também continha o álbum With Love (1976) e um DVD – em seu (falecido) site. Infelizmente, a edição foi limitada e foram poucos os que conseguiram uma cópia (eu, incluído).

Lançado originalmente em 1972, Who Came First era composto por apenas nove faixas. Dessas, Townshend não compôs três delas, participou como músico em duas e não teve nenhuma participação em uma (Forever’s No Time at All, cantada por Billie Nicholls e com instrumentação por conta de Caleb Quaye). Portanto, considerar esse um disco solo tem lá suas controvérsias.

Versão definitiva?

Dito isso, vamos ao relançamento. De um disco de nove faixas, Who Came First se transformou em um CD duplo, com mais 17 faixas, oito delas inéditas. Estas inéditas, juntamente com as originais Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, já valeriam a compra. Se esse relançamento é a versão definitiva? Em termos de qualidade de som, sim. Em termos de conteúdo, talvez. Desta vez o álbum – que já havia sido alvo de relançamentos nos anos 90 e em 2006 – foi remasterizado a partir das fitas máster por Jon Astley, colaborador de longa data de Towshend e que foi o responsável pelas (controversas) remixagens dos álbuns do Who. O som é muito superior ao das versões anteriores, mas ainda há material que poderia ter feito parte do setlist, mas foi deixado de fora (Lantern Cabin, por exemplo), além de vários outros demos que podem ser encontradas na Lifehouse Chronicles, uma caixa de seis CDs que Townshend lançou em 2000 e que também foi lançada em edição limitada e está fora de catálogo.

A edição de 45 anos também conta com novas liner notes escritas pelo próprio Townshend, uma reprodução do poster que acompanhava o LP original e um livreto de 24 páginas com fotos de Townshend e Meher Baba no estúdio de gravação, tornando o lançamento bastante relevante para os fãs de carteirinha e para os que apenas conhecem o básico da obra do guitarrista.

Pontos altos

Além das já citadas Pure and Easy, Nothing is Everything (Let’s See Action) e Sheraton Gibson, There’s a Heartache Following Me e Parvardigar são os pontos altos do disco original. Já o segundo CD oferece aos fãs pérolas como uma nova edição do demo de The Seeker, uma versão instrumental de Baba O’Reilly (com mais de 9 minutos de duração) e duas canções que parecem um pouco fora de contexto: a versão de Evolution, cantada no memorial de Ronnie Lane, em 2014, e Drowned, gravada na Índia, em 1976.

Mas, o verdadeiro ponto alto é a qualidade de som. A nova edição (mesmo em streaming) deixa no chinelo todos os relançamentos anteriores – fiz a comparação. Desta vez Astley fez um trabalho exemplar. O som está mais alto e muito mais claro, melhor até do que o encontrado nas versões da série Scoop, na qual Townshend despejou grande parte dos seus demos.

A edição comemorativa dos 45 anos de lançamento do Who Came First deve ser a última (espero), já que não faz sentido obrigar os fãs a comprarem um material já amplamente divulgado. O lançamento – da Universal Music – ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Só nos resta encomendar lá fora (a Amazon inglesa está com um bom preço) e torcer para que a sua encomenda não seja roubada no meio do caminho.

Que venham os relançamentos dos demais álbuns solo de Townshend.

As faixas

CD 1
1. “Pure and Easy”
2. “Evolution”
3. “Forever’s No Time At All”
4. “Let’s See Action”
5. “Time Is Passing”
6. “There’s a Heartache Following Me”
7. ” “Sheraton Gibson”
8. “Content”
9. “Parvardigar”

CD2
1. “His Hands”
2. “The Seeker” (2017 edit)
3. “Day Of Silence”
4. “Sleeping Dog”
5. “Mary Jane” (Stage A Version)
6. “I Always Say” (2017 Edit)
7. “Begin The Beguine” (2017 edit)
8. “Baba O’Reilly” (Instrumental)
9. “The Love Man” (Stage C)*
10. “Content” (Stage A)*
11. “Day Of Silence” (Alternate Version)*
12. “Parvardigar” (Alternate take)*
13. “Nothing Is Everything”*
14. “There’s A Fortune In Those Hills”*
15. “Meher Baba In Italy”*
16. “Drowned” (live in India)*
17. “Evolution” (live at Ronnie Lane Memorial)
(* Versões ou canções inéditas)

Leia também: Documentário escancara os demônios e os dramas da vida de Eric Clapton

A música do dia: April Fool

Ronnie Lane era o baixista do Faces e a canção April Fool foi lançada no disco Rough Mix (1977), que lançou em parceria com Pete Townshend.

Feliz 1° de abril.

 

She said I’ll see you in the morning, darling
I’ll see you when the kids have gone to school
But well I know tomorrow is your birthday
I know you know that you’re an April Fool
We used to roam so freely. It’s been so long
I’ll take my dreams to bed now, where they belong

She said there’s dust and cobwebs on your north star
There’s no more frost and campfire in your hair
I see your wheels they’re rustin’ in the backyard
I know that we’re not going anywhere
We used to roam so freely. It’s been so long
I’ll take my dreams to bed now, where they belong

Classic Quadrophenia Live – NY, 10/09/17

O dia 10 de setembro de 2017 vai ficar marcado para sempre na minha vida (pessoal e profissional). Neste dia, Jo Nunes me proporcionou a oportunidade de ir até o Metropolitan Opera House de Nova York para assistir ao último dos artistas que faziam parte da minha lista obrigatória para ver antes de morrer: Pete Townshend. Era o último que faltava antes de (se quiser) me aposentar da vida de concertos musicais.

Já tendo assistido gente como Les Paul (o inventor da guitarra), Eric Clapton (uma meia dúzia de vezes), Elton John (outra meia dúzia de vezes), Paul McCartney (umas duas dezenas de vezes), Steve Winwood, Brian Wilson, Police, Roger Waters, Sting, Rolling Stones, John Mayall, Supertramp, Tears for Fears, Oasis, Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Albert King, Dr. John, B. B. King, Robert Cray, Buddy Guy, Johnny Rivers, Johnny Winter, Bajofondo, Gothan Project, Roger Hodgson, Ron Carter, T.M. Stevens, Coco Montoya, Jethro Tull, Van Halen, Ringo Starr, Micky Dolenz, Bruce Springsteen, Yes, Chuck Berry, Al Jarreou, Madonna, U2, Dione Warwick, Rod Stewart, Cindy Lauper, Pearl Jam, Kiss, Jeff Healey, Al Di Meola, José Feliciano, Iron Maiden, Scorpions, Steve Wonder, Air Suply e, sem modéstia, muitos outros, ficava faltando apenas Pete Townshend para completar a minha lista antes da aposentadoria. E falo de Pete e não necessariamente do The Who.

Admito que tinha poucas esperanças em conseguir estar na plateia de um show do guitarrista até que o empresário da banda deu uma entrevista para uma das rádios da BBC (em meados de 2017) informando que a banda iria tocar na América do Sul. Isso, em conjunto com o anúncio de Townshend que iria se afastar por um ano de qualquer atividade musical, deixou o comparecimento a um show do Who obrigatório. Porém, antes disso, uma viagem para Nova York – essa história ainda vai ser contada em uma série de posts – iria proporcionar uma experiência única: assistir Pete Townshend participando da versão sinfônica do disco/ópera rock, com direito as participações de Billy Idol, Alfie Boe, uma orquestra de 90 músicos, um coro de 40 vozes, além de uma banda de rock. O presente, proporcionado pela minha noiva Jo Nunes nunca vai sair da minha memória, mesmo que não tenha conseguido ver boa parte do espetáculo por conta da enorme e absurda quantidade de lágrimas derramadas (ainda bem que tudo foi filmado e gravado).

A expectativa

Quem ouviu a versão de estúdio do Classic Quadrophenia não teria grandes expectativas sobre o show. As canções são ótimas, mas perderam muito da sua força. Já o vídeo da apresentação no Royal Albert Hall é bem melhor, mas não faz jus ao que foi apresentado ao vivo em NY e, provavelmente no próprio RAH.

O show

Só entrar no Metropolitan Opera House – onde um mineiro nos atendeu na lojinha da casa de espetáculos – já foi uma emoção. Localizada no Lincoln Center, um dos locais de visita obrigatória em NY – onde existem escolas de teatro, dança, galeria de arte, etc – a casa estava tomada por um público bastante diferente dos de óperas. Eram pessoas com camisas do Who ou outras bandas e até algumas vestidas com ternos ou casacos elegantes, mas a maioria era mesmo de rockers.

O lugar é lindo e a acústica já podia ser conferida apenas pelo som das conversas da plateia e no momento da afinação dos instrumentos da orquestra. Dividido em dois atos, o show, que não deve ser mais apresentado, teve os arranjos criados por Rachel Fuller (atual mulher de Townshend). Pete, nesses shows em NY, participou como o pai, o avô e ainda tocou violão em canções como Drowned e I’m One. Alfie Boe, que cantou a maioria das músicas, fez um trabalho brilhante e em que nada lembrava Roger Daltrey (deixo claro que isso é um grande elogio), trazendo uma identidade própria para suas interpretações. Billy Idol (velho amigo de Townshend) também esteve ótimo, parecendo se divertir muito e sabendo de cor todas as letras (inclusive as partes de Boe e Townshend).

Ouvir uma orquestra de 90 peças e um coral de 40 vozes sempre vai ser uma experiência mágica. Ainda mais quando todos os participantes parecem estar se divertindo. Como já disse, não tive como ver muita coisa da primeira parte do show (apenas ouvi), mas a segunda parte (quando estava mais recomposto) mostrou que o ingresso (muito mais barato que assistir a gravação do DVD de um artista brasileiro) foi um dinheiro muito bem investido.

Os pontos altos? 5:15, Love, Reign O’er Me, The Real Me e todas as participações de Townshend.

Voltei par o hotel com os olhos inchados e a alma leve.

Obrigado, Jo. Nunca poderei retribuir o bastante.

PS: Quem puder deve assistir ao DVD.

 

Pete Townshend: um gênio que completa 70 anos

Pete Townshend 70 I
Não é incomum chamar uma pessoa de gênio, principalmente na música. Alguns deles – John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Hendrix, Chico Buarque, Paul Simon e Muddy Waters, são mesmo – outros são pessoas super talentosas – Milton Nascimento, Keith Richards e Jack Bruce, por exemplo – e ainda há aqueles que viram deuses – Eric Clapton. Peter Dennis Blandford Townshend, que nesta terça-feira (19 de maio) completa 70 anos, faz parte do time dos gênios.

Para muitos, Pete Townshend é sinônimo de The Who e nada mais. Engano grave! A obra de Townshend não se resume a óperas-rock e clássicos adolescentes como I Can’t Explain ou Anyway, Anyhow, Anywhere. Também não fica apenas nos experimentos eletrônicos de Baba O’Riley ou We Won’t Get Fooled Again, e muito menos se restringe a personagens como Tommy. Ele trabalhou em editoras, teve um dos melhores websites do mundo e aventurou em muitos outros caminhos artísticos.

Para comemorar a data há o lançamento de uma nova coletânea com canções de sua discografia solo e duas novas composições. Mas disso falamos mais adiante.

Pete Townshend 70 IIITownshend não tinha um parceiro. Ele é/era uma fusão de personalidades – que em outras bandas eram representadas por duplas como Lennon e McCartney e Jagger e Richards. Portanto, sua evolução é impressionante. Do rapaz que escrevia canções para o público Mod até o homem que expunha suas amarguras em canções como Slit Skirts, do álbum All The Best Cowboys Have Chinese Eyes.

Se discos como Quadrophenia, Tommy, Who’s Next e Who By Numbers, são sempre lembrados quando se fala de Townshend, é a excelência de sua carreira solo que gostaria de destacar (é muito fácil falar do The Who, até mesmo para quem conhece a banda apenas pelas aberturas da série CSI). Pode parecer estranho que esse narigudo de voz anasalada se arriscasse em trabalhos sem a segurança do vozeirão de Roger Daltrey ou do talento do amigo John Entwistle, mas quem conhece algum dos demos que ele entregava a banda sabe que as canções já vinham praticamente perfeitas e que em algumas delas (Love Reign O’er Me, para citar um exemplo) seus vocais eram (quase) tão bons quanto os de Daltrey.

A força do seu talento também pode ser medida pela quantidade de nomes que aceitaram fazer parte de seus projetos ou que o recrutaram. Eric Clapton, Paul McCartney, David Gilmour, Charlie Watts, Phil Collins, Paul WellerBill Wyman, Nina Simone, John Lee Hooker e muitos outros. Só fera!

Carreira solo

Se o seu primeiro disco – Who Came First (1972) – é um apanhado de demos do abortado projeto Lifehouse (que acabou tendo canções aproveitadas no clássico Who’s Next) e de músicas que gravou para o seu mestre espiritual (Meher Baba), o resto de sua produção solo mostrou que o The Who não era o veículo apropriado para muitas de suas composições.

Pete Townshend on stage in New York, February 2013Rough Mix (1977), gravado em parceria com Ronnie Lane (do Small Faces), já mostrava que o talento de Pete não podia ficar preso nas paredes do The Who. A maioria das canções tinham um elemento folk e mesmo as mais pops (Keep Me Turning) não se encaixariam no rock de Keith Moon & Cia. Difícil imaginar que uma melodia e um arranjo tão melodicamente intricado como o de Street in the City pudesse fazer parte de algum dos álbuns de uma das bandas mais barulhentas do mundo.

Em 1980 Townshend lança aquele que ele mesmo considera seu primeiro disco solo e que, para muita gente boa, é seu melhor disco (discordo): Empty Glass, um disco cheio de álcool, solos de guitarra e uma boa dose de raiva. A maioria das canções foi composta e gravada na mesma época que o The Who preparava o material para o disco Face Dances, o que deixa muito claro que a esta altura da vida Townshend (mesmo que inconscientemente) já separava seu melhor material para si e não mais para sua banda. Surpreendentemente o single de maior sucesso do disco (Let My Love Open The Door) é uma canção de amor que não representa o espírito do disco, recheado de bons rocks como Gonna Get Ya, Cat’s in the Cupboard, Jools and Jim e a canção-título.

Pete Townshend All the best cowboys have chinese eyesEntão chega o ano de 1982 e com ele All The Best Cowboys Have Chinese Eyes, o trabalho mais profundo e bem produzido pelo artista até então. O disco veio acompanhado do lançamento de um vídeo (VHS) com clipes das canções Prelude, Face Dances, Pt. 2, Communication, Uniforms, Stardom in Acton, Exquisitely Bored e Slit Skirts. Era a época da MTV.

O disco foi um dos que mais causou impacto na minha vida, primeiro pelas melodias e arranjos (não sabia inglês naquela época) e depois pelas letras. Até hoje tenho certeza de que o segundo verso de Slit Skirts foi escrito para mim.

Let me tell you some more about myself, you know I’m sitting at home just now.
The big events of the day are passed and the late TV shows have come around.
I’m number one in the home team, but I still feel unfulfilled.
A silent voice in her broken heart complaining that I’m unskilled.

And I know that when she thinks of me, she thinks of me as him,
But, unlike me, she don’t work off her frustration in the gym.

Recriminations fester and the past can never change
A woman’s expectations run from both ends of the range

Once she walked with untamed lovers’ face between her legs
Now he’s cooled and stifled and it’s she who has to beg

http://www.youtube.com/watch?v=q1D_XNYTUGg

Mas a qualidade do material de Chinese Eyes é a comprovação da genialidade ambiciosa de Townshend (que foi massacrado pelos críticos por ser muito pretensioso). Todas as canções são de um nível tão alto que é praticamente impossível destacar alguma. Um disco para se levar para uma ilha deserta!

Pete Townshend 70 IIDepois de Chinese Eyes Pete ainda lançou White City: A Novel (1985), The Iron Man: The Musical by Pete Townshend (1989) e Psychoderelict (1993), voltando a flertar com a ópera-rock, teatro, literatura e até mesmo retomando o personagem principal do abortado e já mencionado projeto Lifehouse. Nesses discos há melodias letras e arranjos que poderiam criar um ótimo álbum duplo, já que em todos eles há momentos onde a inspiração não mantém a mesma pegada, mas músicas como Give Blood, Face the Face, Secondhand Love, White City Fighting, A Friend Is a Friend, Was There Life, A Fool Says…, English Boy, Let’s Get Pretentious, I Want That Thing, Predictable e Fake it, precisam ser citadas.

Além dos discos de carreira, Pete fez a felicidade dos fãs abrindo seus arquivos e lançando uma série de discos com demos e canções inéditas chamados Scoop. São três volumes até agora e ainda há muito para ser revelado. Scoop (1983) e Another Scoop (1987) têm algumas preciosidades imperdíveis.

Coletânea e novas canções

PeteTownshend-Truancy-front
Como disse no início do texto, uma nova coletânea – Truancy: The Very Best of Pete Townshend – que traz 15 sucessos e duas novas composições de Townshend chega ao mercado no fim do mês. A seleção pode até ser questionável – Street in the City e Slit Skirts ficaram de fora, por exemplo -, mas a remasterização feita em Abbey Road promete um ganho na qualidade de som bastante considerável. Outra boa notícia é que esse lançamento é só o primeiro de uma série que vai rever toda a discografia solo do criador de Tommy, que deve chegar ao mercado no ano que vem.

Tracklist 

Pure And Easy (from Who Came First)

Sheraton Gibson (from Who Came First)

Let’s See Action (Nothing Is Everything) (from Who Came First)

My Baby Gives It Away (from Rough Mix)

A Heart To Hang On To (from Rough Mix)

Keep Me Turning (from Rough Mix)

Let My Love Open The Door (from Empty Glass)

Rough Boys (from Empty Glass)

The Sea Refuses No River (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

Face Dances (Pt. 2) (from All The Best Cowboys Have Chinese Eyes)

White City Fighting (from White City)

Face The Face (from White City)

I Won’t Run Anymore (from The Iron Man)

English Boy (from Psychoderelict)

You Came Back (from Scoop)

Guantanamo (Inédita)*

How Can I Help You (Inédita)*

Provavelmente Pete Townshend será sempre lembrado pelo seu legado com o The Who (com que continua gravando e fazendo shows pelo mundo), mas quem quiser realmente entender a grandeza de sua obra os Spotifys da vida estão aí para ajudar.

Ainda sonho com o dia de ver Townshend no palco (no Brasil ou em qualquer lugar).

Letras: Secondhand Love

Uma letra amarga e que traduz brilhantemente aquele sentimento doído que vez por outra esbarra conosco. Esse é (acho) o primeiro post no qual repito uma música já publicada. Mas ela merece!

unfaithful-man-and-womanDon’t bring me secondhand love
Don’t bring me secondhand love

Now, you went out tonight
Who you been hanging around this time?
I don’t care if he’s black or white
I just don’t like his kind

I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
Don’t bring me secondhand love

He’s been leaving his scent on you
I can sense it from a mile
All my money is spent on you
But you’re still selling your smile

Don’t bring me secondhand love
Don’t bring me secondhand love
I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love

Give your love
And keep blood between brothers
Give your love
And keep blood between brothers

I don’t want your secondhand love
Don’t bring me secondhand love
Don’t bring me secondhand love

I can guess where you’ve been tonight, yeah
You’ve been hanging out on the street
Wearing your dress too tight
Showin’ out to anyone you meet

But I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
Don’t bring me your secondhand love
Don’t bring me your secondhand love

I want the first call on your kiss
Answer me one question, can you promise me this
I want my defenses laying in your hands
I don’t want to rest in the palm of another man

I don’t want your secondhand love
Don’t want, don’t want your secondhand love
I don’t want, I don’t want your secondhand love
I don’t want, I don’t want your secondhand love

I don’t want, I don’t want your secondhand love

 

Música do Dia: Mary (Pete Townshend)

Pete Townshend ScoopMary, you are everything a man could want,
And I want you, Mary.
Did you know when you pushed me once away from you
The thing I knew grew inside me.

People are dancing for you now,
But I can’t see why.
Can’t they see that they can’t beat
Nothing I have for you.

Mary, you are everything a man could need.
How I need you, Mary.
Yeah.
How I need you.

When I look at the hole in your coat.
I have to love you more.
I remember when I was a child
And my brother slept on the floor.

Oh, I know that the sun don’t shine
Down on every man.
But when women let the my brother down.
I swore one day I’d land
Me one Mary
Swore I’d land me one Mary.
Oh, Mary.

When I look at the hole in your coat.
I have to love your more.
I remember when I was a child.
My brother slept on the floor.

Oh, I know that the sun don’t shine.
Down on every man.
But when the woman let my brother down.
I swore one day, I’d land me mary.
I swore I’d land me mary.

 

Livros para o Dia do Rock

Há vários ótimos livros sobre astros de rock no mercado. Indico as biografias de Eric Clapton e Pete Townshend e o Man On the Run (que conta a trajetória de Paul McCartney nos anos 70). Porém, não poderia deixar de citar os bons títulos da editora Nossa Cultura.

Abaixo os releases dos três últimos lançamentos.

Livro Caro MorriseyBruce: No livro, o autor Peter Ames Carlin engloba a amplitude da carreira assombrosa de Bruce Springsteen e explora o íntimo de um homem que conseguiu redefinir gerações de música. Obrigatório para os fãs, BRUCE é uma biografia minuciosamente pesquisada, de leitura quase compulsiva, sobre um dos artistas mais complexos e fascinantes da história da música norte-americana.

Ficha técnica – Bruce
Editora: Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-119-4
Tradução: Paulo Roberto Maciel Santos
Páginas: 518 Páginas
Formato: 16 x 23
Preço: R$ 59,00

Caro Morrissey: Raymond despeja no papel as desgraças de sua vida numa série de cartas a seu ídolo, o ex-astro dos Smiths, Morrissey. Corre o ano de 1991 e a banda ainda é uma lembrança viva (como até hoje) no coração de fãs como Raymond. Raymond Marks, pois, é um menino normal, de uma família normal, do norte da Inglaterra. Até que, às margens do Canal de Rochdale, jogando o inocente jogo do caça-moscas, Raymond começa a derrocada trágica – mas sempre cômica – de seus anos de adolescência, e a vida dele e de sua mãe nunca mais vai ser a mesma. A Raymond só resta pegar a estrada e, a cada parada, abrir o caderno em que escreve suas letras e, naquelas páginas quase todas em branco, confessar tudo – a história completa da sua tragicômica vida – sempre começando por: “Caro Morrissey…”

Ficha Técnica – Caro Mossissey
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-806-6113-2
Formato: 15 x 23
Páginas: 364 páginas
Preço: R$ 55,00

A batalha pela alma dos BeatlesA batalha pela alma dos Beatles: Nesta cativante narrativa, Peter Doggett documenta os dramas humanos da rica e envolvente história do império criativo e financeiro dos Beatles, formado para salvaguardar seus interesses, mas fadado a controlar suas vidas. Da tragédia até o retorno triunfal, dos confrontos judiciais aos sucessos nas paradas, A Batalha pela Alma dos Beatles retrata a história não contada de uma banda e de um legado que nunca serão esquecidos.

Ficha Técnica – A batalha pela alma dos Beatles
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-095-1
Formato: 16 x 22,7
Páginas: 512 páginas
Preço: R$ 59,90

O homem deu nome a todos os bichos: A voz rouca de Bob Dylan somada à batida marcante da música Man Gave Names to All the Animals, em português O homem deu nome a todos os bichos, conquistou pessoas de todas as idades pelo mundo a fora. Nela, Dylan descreve e nomeia diversos bichos e brinca com as características marcantes de cada um. Publicada pela editora Nossa Cultura, a obra é toda ilustrada pelos desenhos de Jim Arnosky que misturam a natureza com o lúdico e conquistam o leitor pelo seu humor e detalhismo. Acompanhado de um CD com a canção original, o livro O homem deu nome a todos os bichos promete propiciar uma experiência única que irá divertir e ensinar toda a família.

Ficha Técnica – O homem deu nome a todos os bichos
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-096-8
Páginas: 32 Páginas
Formato: 24,8 x 28,5
Preço: R$ 43,00

I Put a Spell on You

I-Put-A-Spell-On-YouAlgumas vezes sentimos mesmo uma vontade de enfeitiçar alguém, da mesma maneira e com a mesma intensidade com a qual nos enfeitiçam. O problema é achar as palavras corretas, o momento oportuno e o local que não permita fugas. Afinal, um feitiço sempre pode ser potencializado com uma boa “armadilha”, mesmo que isso demore a acontecer.

All in Love is Fair.

Blue, Red and Grey: Para quem gosta de todos os minutos do dia

Como o próprio Pete diz: ‘Such a fucking liar’

1975

2006

Blue, Red and Grey (Pete Townshend)
The Who

Some people seem so obsessed with the morning
Get up early just to watch the sun rise
Some people like it more when there’s fire in the sky
Worship the sun when it’s high
Some people go for those sultry evenings
Sipping cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

I like every second, so long as you are on my mind
Every moment has its special charm
It’s all right when you’re around, rain or shine
I know a crowd who only live after midnight
Their faces always seem so pale
And then there’s friends of mine who must have sunlight
They say a suntan never fails
I know a man who works the night shift
He’s lucky to get a job and some pay
And I like every minute of the day

I dig every second
I can laugh in the snow and rain
I get a buzz from being cold and wet
The pleasure seems to balance out the pain

And so you see that I’m completely crazy
I even shun the south of France
The people on the hill, they say I’m lazy
But when they sleep, I sing and dance
Some people have to have the sultry evenings
Cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

Blue, Red and Grey
The Who

Some people seem so obsessed with the morning
Get up early just to watch the sun rise
Some people like it more when there’s fire in the sky
Worship the sun when it’s high
Some people go for those sultry evenings
Sipping cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

I like every second, so long as you are on my mind
Every moment has its special charm
It’s all right when you’re around, rain or shine
I know a crowd who only live after midnight
Their faces always seem so pale
And then there’s friends of mine who must have sunlight
They say a suntan never fails
I know a man who works the night shift
He’s lucky to get a job and some pay
And I like every minute of the day

I dig every second
I can laugh in the snow and rain
I get a buzz from being cold and wet
The pleasure seems to balance out the pain

And so you see that I’m completely crazy
I even shun the south of France
The people on the hill, they say I’m lazy
But when they sleep, I sing and dance
Some people have to have the sultry evenings
Cocktails in the blue, red and grey
But I like every minute of the day

Roger Daltrey vai para a estrada com Tommy

O vocalista do The Who confirmou várias datas da turnê onde vai interpretar a íntegra da ópera rock Tommy, clássico composto por Pete Townshend. O melhor, quem for fã de carteirinha (sócio do fã-clube do grupo) e tiver dinheiro, pode pagar por um pacote VIP, com direito a encontro e foto (no camarim) com o artista.

As datas são na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá

3 julho – Alcester (Ragley Hall)
4 julho – Gateshead (Sage)
6 julho – Glasgow (Clyde Auditorium)
7 julho – Manchester (Bridgewater Hall)
9 julho – Nottingham (Royal Centre)
10 julho – Newport (Centre)
12 julho – Bristol (Colston Hall)
13 julho – Southend (Cliffs Pavillion)
15 julho – Guilfest
16 julho – Hampshire (Broadlands)
17 julho – Harrogate (Ripley House)
19 julho – Hull (City Hall)
21 julho – London (Indigo 02)
22 julho – Norwich (Blickling Hall)
24 julho – Exeter (Powderham Castle)
26 julho – Dublin (Marlay Park)
30 julho – Belgium (Lokerse Festival)
13 de setembro – Hollywood, FL Hard Rock Live
15 de setembro – Alpharetta, GA Verizon Wireless Amphitheatre, Encore Park
17 de setembro – Boston, MA Agganis Arena
18 de setembro – Newark, NJ Prudential Center
21 de setembro – Philadelphia, PA The Mann Center
23 de setembro – Uniondale, NY Nassau Coliseum
24 de setembro – Hartford, CT XL Center
27 de setembro – Montréal, QC Place Des Arts
28 de setembro – Ottawa, ON Scotiabank Place
30 de setembro – Toronto, ON Sony Centre for the Performing Arts
1 de outubro – Windsor, ON The Colosseum at Caesars Windsor
5 de outubro – Minneapolis, MN Target Center
7 de outubro – Hammond, IN The Venue at Horseshoe Casino
8 de outubro – St Louis, MO Peabody Opera House
11 de outubro – Cedar Park, TX Cedar Park Center
12 de outubro – Grand Prairie, TX Verizon Theatre at Grand Prairie
14 de outubro – Kansas City, MO The Midland by AMC
16 de outubro – Broomfield, CO 1STBANK Center
19 de outubro – Los Angeles, CA Nokia Theatre L.A. LIVE
21 de outubro – San Jose, CA San Jose Civic
22 de outubro – Las Vegas, NV The Joint at Hard Rock Hotel
24 de outubro – Portland, OR Theater of the Clouds
25 de outubro – Seattle, WA KeyArena at Seattle Center
27 de outubro – Vancouver, BC Rogers Arena
29 de outubro – Edmonton, AB Rexall Place
30 de outubro – Calgary, AB Scotiabank Saddledome
1 de novembro – Saskatoon, SK Credit Union Centre
2 de novembro – Winnipeg, MB MTS Centre

Uma música pra lavar a alma – Secondhand Love – Pete Townshend

No dia que me livro de uma urucubaca, de um encosto, publico uma canção que lava a alma com dor e sinceridade. Uma aula de guitarra, arranjo e composição.

Don’t bring me secondhand love
Don’t bring me secondhand love

I know you went out tonight
Who’ve you been hanging around with this time?
I don’t care if he’s black or white
I just don’t like his kind.
I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
Don’t bring me secondhand love

He’s been leaving his scent on you
I can sense it from a mile
All my money is spent on you
But you’re still selling your smile
Don’t bring me secondhand love
Don’t bring me secondhand love
I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love

Give your love, and keep blood between brothers
Give your love, and keep blood between brothers
I don’t want your secondhand love

I can guess where you’ve been tonight
You’ve been hanging out on the street
Wearing your dress too tight
You’re showin’ out to anyone you meet
But I don’t want your secondhand love
I don’t want your secondhand love
Don’t bring me your secondhand love
Don’t bring me your secondhand love

I want the first call on your kiss
Answer me one question:can you promise me this
I want my defences laying in your hands
I don’t want to rest in the palm of another man
I don’t want your secondhand love
Don’t want, Don’t want, your secondhand love
I don’t want, I don’t want, your secondhand love
I don’t want,I don’t want your secondhand love
I don’t want,I don’t want your secondhand love

The Who ganha de Beyoncé (de goleada)


Quem ficou em casa e viu a emocionante vitória do New Orleans Saints no Superbowl ainda teve a chance de ver um set magnífico do The Who, durante o intervalo.

Se as pernas da musa são muito interessantes, a música perde longe para a dos veteranos ingleses.

Abaixo o anúncio da apresentação e a mesma (dividida em duas partes).

Os 10 discos que levaria para uma ilha deserta (internacional)

Sempre faço uma brincadeira com amigos, músicos e famosos. Pergunto quais seus 10 discos favoritos e peço para listá-los. A última vez foi no (ainda) falecido Mistura Interativa.

Para nimar um pouco os comentários do blog, coloco abaixo meus 10 mais internacionais de todos os tempos.

Mandem os seus, reclamem, discordem, critiquem. A idéia é essa mesma.

Não há ordem de preferência!

1- Who’s Next – The Who

2- Tug Of War – Paul McCartney

3- Layla and Other Assorted Love Songs– Derek and the Dominos (aka, Eric Clapton)

4- Goodbye Tellow Brick Road – Elton John

5- Sweet Baby James – James Taylor

6- Bridge Over Trouble Water – Simon & Garfunkel

7- 1984 – Van Halen

8- Abbey Road – Beatles

9- Pet Sounds – Beach Boys

10- Joshua Tree – U2

A lista muda de tempos emtempos, e os discos que ficaram como reservas dessa vez foram:

All The Best Cowboys Have Chinese Eyes – Pete Townshend

Ringo – Ringo Starr

Tatoo You – Rolling Stones

PS: Confira a lista de shows internacionais que passarão pelo Rio.

PS”: A lista dos discos nacionais será publicada em um futuro não muito distante.

Amor não é para se guardar

POde durar algumas horas, uma semana, anos ou a eternidade. A única coisa certa do amor é que ele não é uma coisa para ser guardada. Felizes os que acham o seu e conseguem mantê-lo.

Layin’ on my back
In the newly mown grass
Rain is coming down
But I know the clouds will pass
You bring me tea
Say “the babe’s a-sleepin'”
Lay down beside me
Love ain’t for keeping

Black ash from the foundry
Hangs like a hood
But the air is perfumed
By the burning firewood
The seeds are bursting
The spring is seeping
Lay down beside me
Love ain’t for keeping
Lay down beside me
Love ain’t for keeping

Lay down beside me
Love ain’t for keeping
Lay down my darling
Love ain’t for keeping

Rock para sempre – Long Live Rock

Long Live Rock
Pete Townshend / The Who

longliverockDown at the Astoria the scene was changing,
Bingo and rock were pushing out X-rating,
We were the first band to vomit in the bar,
And find the distance to the stage too far,
Meanwhile it’s getting late at ten o’clock,
Rock is dead they say,
Long live rock.

Long live rock, I need it every night,
Long live rock, come on and join the line,
Long live rock, be it dead or alive.

People walk in sideways pretending that they’re leaving,
We put on our makeup and work out all the lead-ins,
Jack is in the alley selling tickets made in Hong Kong,
Promoter’s in the pay box wondering where the band’s gone,
Back in the pub the governor stops the clock,
Rock is dead, they say,
Long live rock.

Long live rock, I need it every night,
Long live rock, come on and join the line,
Long live rock, be it dead or alive.

longliverockIILandslide, rocks are falling,
Falling down ‘round our very heads,
We tried but you were yawning,
Look again, rock is dead, rock is dead, rock is dead.
The place is really jumping to the Hiwatt amps,
‘Til a 20-inch cymbal fell and cut the lamps,
In the blackout they dance right into the aisle,
And as the doors fly open even the promoter smiles,

Someone takes his pants off and the rafters knock,
Rock is dead, they say,
Long live rock, long live rock, long live rock.
Long live rock, long live rock, long live rock,
Long live rock, long live rock, long live rock.

The Who ainda longe do Brasil

Daltrey Tour finalSão mais de 40 anos de estrada e milhares de shows em dezenas de países e nada de Brasil. O The Who (hoje representados por apenas dois de seus quatro membros originais, Pete Townshend e Roger Daltrey) continua na ativa – com pequenos intervalos -, levando rock de raiz para ouvidos e mentes de humanos normais.

Já foram vários os rumores da vinda do grupo ao Brasil mas parece que as boas lembranças de amigos como Eric Clapton e Paul McCartney não foram suficientes para sensibilizar Townshend.

Pé na estrada e nova ópera rock

Enquanto o grupo experimenta mais um recesso, Roger Daltrey vocalista e ator bissexto prepara uma turnê pelos EUA onde, além de cantar os sucessos do The Who vai apresentar alguns dos seus sucessos solo e ainda promete entoar músicas de artistas como Paul McCartney, Bruce Sprinsteen e Queen.

Para quem não sabe, Daltrey coleciona algumas canções que fizram bonito nas paradas. Without Your Love, Giving It All Away e After the Fire, que devem The Who Hamilton outubro 08fazer parte do repertório, são alguns exemplos. Nos concertos Roger será acompanhado por Frank Simes (guitarras), Loren Gold (teclados), Jon Button (baixo) e Scott Devours (bateria), além do companheiro de Who, Simon Townshend (guitarrista, backing vocal e irmão do outro Towshend já citado aqui).

Enquanto isso, irmão Pete anuncia que está escrevendo uma nova ópera rock para o The Who. Floss não terá uma história muito original (pelo menos para os padrões de Townshend) mas pode render um belo disco, planejado para 2010.

Abaixo o anúncio oficial de Townshend:

I am writing a new musical.

FLOSS is an ambitious new project for me, in the style of TOMMY and QUADROPHENIA. In this case the songs are interspersed with surround-sound ‘soundscapes’ featuring complex sound-effects and musical montages. FLOSS will be a son-et-lumiére musical piece, intended for outdoor performance, or arenas. Several of the more conventional songs from FLOSS will be featured on a forthcoming Who recording for release in 2010. FLOSS will be heard in concert for the first time in 2011, at a venue and date yet to be established. I am already having talks with producers in New York.

Townshend 2008 The collected music and sound for FLOSS convey the story of a married couple whose relationship gets into difficulty. Walter, a straight-cut pub rock musician, is able to retire when one of his songs becomes the TV anthem of a big car company. He becomes a house-husband while his wife Floss devotes herself to a riding stables and stud. When he tries to return to music after a fifteen year hiatus, he finds that what he hears and what he composes evoke the ecologically rooted, apocalyptic mindset of his generation. Shaken by this and torn by personal difficulties, he and Floss become estranged. A series of dramatic events in a hospital emergency ward bring them both to their senses.

While Roger Daltrey exercises his ageing vocal chords by embarking on a two month USE OR LOSE IT solo tour, my focus is on FLOSS, which touches on the current issues faced by the Boomer generation. It also addresses their uneasy relationship with their parents, children and grandchildren. As a 19 year old – with My Generation – I wrote the most explicitly ageist song in rock. At 64, I now want to take on ageing and mortality, using the powerfully angry context of rock ‘n’ roll.

Se a idéia de Daltrey é manter sua voz em forma (embora ela já sinta os efeitos da idade), é bom saber que a força criativa de Townshend ainda existe.

Pelo jeito precisarei vê-los longe da Terra Brasilis.

Pete Townshend – Slit Skirts

Há artistas que estão entre os meus heróis, há discos que estão entre os meus favoritos e, desde 1982, Pete Townshend e seu All the Best Cowboys Have Chinese Eyes, fazem parte da minha vida (bem antes de conhecer direito o The Who).

Pete é um gênio louco, ex-drogado, bêbado, mas sempre brilhante. Numa época na qual nem sabia inglês direito, fiquei apaixonado pelo segundo verso de uma das músicas mais belas que já ouvi e sempre senti que aquelas palavras foram escritas para mim (em negrito na letra).

Algumas frases são simplesmente muito bem sacadas e o vídeo (que tem um vocal diferente do disco) é direto e efetivo, uma performance em estúdio que valoriza o mais importante: a música.

Vejam, ouçam, leiam e digam se estou ou não certo.

Slit Skirts (Pete Townshend)

I was just thirty-four years old and I was still wandering in a haze
I was wondering why everyone I met seemed like they were
Lost in a maze

I don’t know why I thought I should have some kind of
Divine right to the blues
It’s sympathy not tears people need when they’re the
Front page sad news.

The incense burned away and the stench began to rise
And lovers now estranged avoided catching each others’ eyes

And girls who lost their children cursed the men who fit the coil
And men not fit for marriage took their refuge in the oil
No one respects the flame quite like the fool who’s badly burned
From all this you’d imagine that there must be something learned

Slit skirts, Jeanie never wears those slit skirts
I don’t ever wear no ripped shirts
Can’t pretend that growing older never hurts.

Knee pants, Jeanie never wears no knee pants
Have to be so drunk to try a new dance
So afraid of every new romance

Slit skirts, slit skirt
Jeanie isn’t wearing those slit skirts, slit skirt
She wouldn’t dare in those slit skirts, slit skirt
Wouldn’t be seen dead in no slit skirt

Slit skirts, slit skirt
Jeanie isn’t wearing those slit skirts, slit skirt
She wouldn’t dare in those slit skirts, slit skirt
Wouldn’t be seen dead in no slit skirt

Romance, romance, why aren’t we thinking up romance?
Why can’t we drink it up true heart romance
Just need a brief new romance

Let me tell you some more about myself, you know I’m sitting at home just now.
The big events of the day are passed and the late TV shows have come around.
I’m number one in the home team, but I still feel unfulfilled.
A silent voice in her broken heart complaining that I’m unskilled.

And I know that when she thinks of me, she thinks of me as him,
But, unlike me, she don’t work off her frustration in the gym.

Recriminations fester and the past can never change
A woman’s expectations run from both ends of the range

Once she walked with untamed lovers’ face between her legs
Now he’s cooled and stifled and it’s she who has to beg

Slit skirts, Jeanie never wears those slit skirts
And I don’t ever wear no ripped shirts
Can’t pretend that growing older never hurts

Knee pants, Jeanie never wears no knee pants
We have to be so drunk to try a new dance
So afraid of every new romance

Slit skirts, slit skirt
Jeanie isn’t wearing those slit skirts, slit skirt
She wouldn’t dare in those slit skirts, slit skirt
Wouldn’t be seen dead in no slit skirt

Slit skirts, slit skirt
Jeanie isn’t wearing those slit skirts, slit skirt
She wouldn’t dare in those slit skirts, slit skirt
Wouldn’t be seen dead in no slit skirt

Romance, romance, why aren’t we thinking up romance?

Aguardando o Tim Festival

No sábado, 25 de outubro, o Tim Festival (versão carioca) vai receber sua melhor atração (na minha humilde opinião): Paul Weller. O ex-líder do Style Concil e do The Jam (ou vice-versa), é um dos músicos mais talentosos da Inglaterra, tendo uma carreira de sucesso mesmo sem a companhia de um grupo.

Mais do que um compositor, Weller é também um excelente cantor e aproveito para colocar o vídeo onde ele e o gênio Pete Townshend recriam de maneira muito inspirada So Sad About Us, uma música menor do The Who. O show é do ano de 2000 e prova que até os gênios podem ter mal-gosto, como pode ser comprovado olhando para a cor das camisas dos músicos.

So sad about us

La la la la la la la

So sad about us
So sad about us
Sad that the news is out now
Sad, suppose we can’t turn back now
Sad about us

So bad about us
So bad about us
Bad – never meant to break up
Bad – suppose we’ll never make up
Bad about us

Apologies mean nothing
When the damage is done
But you can’t switch off my loving
Like I can’t switch off the sun

La la la la la la la

La la la la la la la la la la

So sad about us
So sad about us
Sad – never meant to break up
Sad – suppose we’ll never make up
Sad about us

E para não deixar dúvidas de que Pete é um gênio, do mesmo show no Royal Albert Hall, em 2000, ele e Eddie Vedder destroem em I’m One.

Realmente espero morrer só depois de poder vê-lo ao vivo.

I’m One

Every year is the same
And I feel it again
I’m a loser – no chance to win
Leaves start falling
Come down is calling
Loneliness starts sinking in

But I’m one
I am one
And I can see
That this is me
And I will be
You’ll all see
I’m the one

Where do you get
Those blue blue jeans?
Faded patched secret so tight
Where do you get
That walk oh so lean?
Your shoes and your shirts
All just right

I got a Gibson
Without a case
But I can’t get that even tanned look on my face
Ill fitting clothes
I blend in the crowd
Fingers so clumsy
Voice too loud

Lennon e eu

Um dia falo sobre o fascínio que o grupo de Liverpool tem sobre a maioria do planeta (falo sobre isso outro dia). Hoje vou só contar uma historinha. Em outubro de 1979, Paul McCartney e o então secretário geral da ONU (Kurt Waldheim) resolveram organizar um concerto para angariar fundos para o povo do Cambodja (Concerts for Kampuchea) e corriam rumores de que Paul havia convidado John Lennon para participar da maratona de shows (que duraram quatro noites e incluíram artistas como The Who, Queen, The Clash e Pretenders) e que ele teria recusado.

Uma revista brasileira fez um apelo para que os fãs escrevessem para Lennon pedindo que ele mudasse de idéia e um jovem de 14 anos, morador do Andaraí e que não falava nada de inglês resolveu escrever, enviando um cartão postal e um envelope endereçado ara a resposta do ex-Beatle. Por três meses três cartas foram enviadas e três respostas recebidas (as respostas chegaram em novembro e dezembro de 79 e abril de 1980). Depois disso, foram anos até que tivesse certeza de que havia sido mesmo Lennon o autor das respostas. Só mesmo quando Lizzie Bravo (que cantou com os Beatles na música Across the Universe) confirmou que a letra era dele e anos mais tarde quando Yoko deu uma entrevista dizendo que John adorava responder cartas de locais exóticos como o Brasil!!

Esses cartões me fizeram pagar micos homéricos, como participar do Fantástico e de especiais do GNT, e até nutrir a inveja de muitos colecionadores e pseudo entendidos em Beatles, além de sair em revistas (sobre Beatles, claro) de vários locais do mundo. Nada mal para quem recebeu o primeiro cartão quando jogava bola na frente de casa.

O mais legal é que o destino ajudou mesmo. Um dos cartões simplesmente não foi selado ou passou por qualquer máquina do Correio americano e viajou de NY ao Brasil assim mesmo. Clique nas imagens e confira.

Explicando os cartões

No primeiro, Lennon escreveu: Buenos Dias Fernando, por cima do que havia escrito (errado) em inglês. No segundo, desejou Feliz Natal na sua linguagem típica. No terceiro eu havia pedido ‘algumas letras‘ e ele me mandou o alfabeto (bela sacaneada).

Abaixo o vídeo com Paul e a Rockestra (grupinho formado por Denny Laine, Laurence Juber, David Gilmour, Hank Marvin, Pete Townshend (guitaras), Steve Holly, John Bonham, Kenney Jones (bateria), Paul McCartney, John Paul Jones (pianos), Ronnie Lane, Bruce Thomas (baixo), Gary Brooker, Linda McCartney, Tony Ashton (teclados), Speedy Acquaye, Tony Carr, Ray Cooper, Morris Pert (percussão), Howie Casey, Tony Dorsey, Steve Howard, Thaddeus Richard e Robert Plant, entre outros).

Detalhe: Na noite anterior ao show Pete Townshend perguntou se podia ir com Paul para o Hammersmith Odeon(local do show). Paul concordou e falou para Pete aparecer na sua casa (ou hotel) por volta de 7 horas. Pete apareceu, 7 da MANHÃ e ficaram bebendo até a hora do show. Reparem no estado do rapaz.

PS: Sempre fui (sou e serei) muito mais fã do Paul.

Perguntas e respostas

Há perguntas que não devem ser feitas, mas que sempre devem ser respondidas. Pena dos que realmente acham que um gesto vale mais que mil palavras.

Never ask me
(Pete Townshend)

I passed her once, I passed her twice
Your first reply, just
seamed as cold as ice
You never ask me
If you loved me

I was in doubt, I begin to shout
She kept on laying the same line out
You never ask me
If you loved me

She said never ask me,
If I love you baby
What do you really think,
I’m going to say
You never asked me, If I loved you
Cause if you don’t know now
You’ll never will
My words are still, Just words until.

Just tell me once, just tell me twice
And baby baby I’ll fly to the heights
You never asked me
If you loved me

I have you near, I kiss your ear
But I’m so insecure, I just
gotta hear you saying
You never ask me
If you loved me

I just got to pin her down
My heart bleeds for the sound
Of her shouting out she loves me
As he is I sit in guess
My head’s in such a mess
What’s the use to hold truth above me
Does she really love me

Never ask me
Never ask me
Never ask me

You never asked me, If I loved you
Cause if you don’t know now
You’ll never will
And words are still, Just words until.

I asked you once, I asked you twice
Your first reply, just
seamed as cold as ice
Never asked me
If I love you

I’m in such doubt, I got to shout
You keep on laying the same lines out
Never ask me
If I love you

Please tell me
Never ask me
Please tell me
Never ask me
Please tell me
(whispers)
I love you
I love you

Never Ask Me está no meu Playlist. Ouçam!

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