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Blues com a chancela dos Rolling Stones

Confessin’ The Blues é uma coletânea com clássicos do blues escolhidos pelos membros dos Stones

Os Rolling Stones, que antes de se tornarem a maior banda de rock de todos os tempos eram mais uma banda que fazia covers de clássicos do blues, não perdeu a sua essência.

Dois anos depois do excelente Blue & Lonesome, onde recriavam algumas das suas canções favoritas do blues, os Stones enveredam novamente pelos campos de colheita de algodão dos Estados Unidos com o lançamento de Confessin’ The Blues, uma coletânea de canções de artistas que são ícones do gênero.

O repertório escolhido por Ron Wood, Keith Richards, Mick Jagger e Charlie Watts não poderia ser mais certeiro. Elmore James, B.B King, Howlin’ Wolf e John Lee Hooker são alguns dos nomes que aparecem nas 42 faixas do CD duplo.

Capa caprichada

Clique na imagem e encomende a sua cópia

Confessin’ The Blues ganhou, além do repertório, um trabalho cuidadoso no campo visual. Aproveitando o talento de Ron Wood como pintor, a banda decidiu colocar um de seus desenhos na capa do CD/vinil.

A ideia por trás do projeto é educar as novas gerações sobre um gênero que, infelizmente, não tem tanto espaço nas rádio, TVs e serviços de streaming.

Para isso, a banda decidiu doar 10% dos lucros com a venda do álbum para a Willie Dixon’s Blues Heaven Foundation, uma organização sem fins lucrativos baseada nos Estados Unidos.

O álbum já está disponível nas principais lojas que ainda vendem CDs pelo mundo. Lançamento no Brasil? Streaming? Por enquanto, nada, mas você pode ouvir algumas playlists bastante aproximadas com o produto oficial.

Disco 1
1. Rollin’ Stone – Muddy Waters
2. Little Red Rooster – Howlin’ Wolf
3. Boogie Chillen – John Lee Hooker
4. I Hate to See You Go – Little Walter
5. Little Queenie – Chuck Berry
6. You Can’t Judge A Book By It’s Cover – Bo Diddley
7. Ride ‘Em On Down – Eddie Taylor
8. I’m A King Bee – Slim Harpo
9. All Your Love – Magic Sam
10. Dust My Broom – Sonny Boy Williamson
11. Just Your Fool – Little Walter
12. I Want to Be Loved – Muddy Waters
13. Key to the Highway – Big Bill Broonzy
14. Love In Vain Blues – Robert Johnson
15. You Gotta Move – Mississippi Fred McDowell
16. Bright Lights, Big City – Jimmy Reed
17. Worried Life Blues – Big Maceo Merriweather
18. Everybody Knows About My Good Thing (Pt. 1) – Little Johnny Taylor
19. Commit a Crime (1991 Chess Box Version) – Howlin’ Wolf
20. I Can’t Quit You Baby – Otis Rush
21. Confessin’ the Blues (with Walter Brown) [Single Version] – Jay McShann

Disco 2
1. Just Like I Treat You – Howlin’ Wolf
2. I Got to Go – Little Walter
3. Carol – Chuck Berry
4. Mona – Bo Diddley
5. I Just Want to Make Love to You – Muddy Waters
6. Blues Before Sunrise – Elmore James & The Broom Dusters
7. Bad Boy – Eddie Taylor
8. Boogie Children – Boy Blue
9. Little Rain – Jimmy Reed
10. Stop Breakin’ Down Blues – Robert Johnson
11. The Prodigal Son – Reverend Robert Wilkins
12. Hoodoo Blues – Lightnin’ Slim
13. Don’t Stay Out All Night – Billy Boy Arnold
14. Crawdad. – Bo Diddley
15. Suzie Q – Dale Hawkins
16. Down The Road Apiece – Amos Milburn
17. Little Baby – Howlin’ Wolf
18. Blue and Lonesome – Little Walter
19. Rock Me Baby – B.B. King
20. Damn Right I Got The Blues – Buddy Guy
21. Mannish Boy – Muddy Waters

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Agenda de shows internacionais no Rio em 2016

Ok, está um pouco atrasada, mas chegou a agenda de shows internacionais no Rio de Janeiro em 2016. Como sempre, ela será atualizada ao longo do ano que. assim como 2015, mesmo com todo o calor e crise econômica, promete.

Caso tenham contribuições, elas são muito bem-vindas.

Rolling Stones divulgação

Quem está certo:

16 de janeiro: David Guetta (Riocentro)

28 de janeiro: Exodus (Circo Voador)

20 de fevereiro: Rolling Stones (Maracanã)

06 de março: Bring me the Horizon (Circo Voador)

08 de março: Lionel Richie (HSBC Arena)

17 de março: Iron Maiden (HSBC Arena)

17 de março: Simply Red (Metropolitan)

20 de março: Maroon 5 (Praça da Apoteose)

10 de abril: Cold Play (Metropolitan)

Relembre os melhores shows internacionais que passaram pelo Rio em 2015!

“Vovôs” do rock ganham lançamentos históricos

Grupos de rock dos anos 60 e 70 se destacam nos lançamentos e mostram que boa música não tem idade. Led Zeppelin, Rolling Stones e Queen estão entre eles

Led-ZeppelinMesmo com o vigor da juventude pulsando em veias juvenis e cheias de energia, foram alguns dos grupos mais consagrados das décadas de 60 e 70 os protagonistas de grandes lançamentos atuais. E, boa notícia para os atrasadinhos, seus lançamentos continuam em catálogo, garantindo doses intensas de solos de guitarras e canções clássicas. Led Zeppelin, Rolling Stones, Queen, Cream, The Who e a inusitada dobradinha Paul McCartney & Nirvana, se destacaram em registros audiovisuais que mostram que boa música não tem idade.

Provavelmente o lançamento de mais impacto no Olimpo do rock clássico, o CD/DVD Celebration Day (Warner), do Led Zeppelin, gravado durante a última apresentação da banda – com Jason Bonham segurando as baquetas no lugar do pai, John Bonham -, em 10 de dezembro de 2007 na 02 Arena, em Londres, como parte do show em tributo ao fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun (1923 – 2006), é a prova de que o bom e velho rock’n’roll dos anos 70 ficaria muito melhor com a tecnologia atual, que permite que as apresentações se transformem em experiências quase sinfônicas.

Led Zeppelin IIO filme, que chegou a ser exibido nos cinemas, inclusive no Brasil, mostra uma banda ainda com cacife para lotar arenas e estádios em qualquer lugar do planeta. As rugas de Robert Plant e os cabelos brancos de Jimmy Page não deixam dúvidas de que o tempo passou, mas, mesmo com canções sendo tocadas alguns tons abaixo, Plant, Page e o baixista John Paul Jones desfilam 16 canções como um craque do passado usando equipamento moderno. Ou seja, jogando muito mais que os pseudo craques de hoje, mesmo com a ausência do mão pesada John Bonham.

O show está disponível em CD, DVD e Blu-ray, som 5.1 e inclui a maioria dos clássicos da banda como Black Dog, Stairway To Heaven e Rock and Roll.

O canto do cisne da Nata

cream-live-at-the-royal-albert-hall-import-blu-ray-lacrado_MLB-F-205595534_5625Em 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker tocavam juntos o que seria (até então) o último concerto do Cream, grupo que, ao lado do Jimmy Hendrix Experience, elevou o conceito de power trio a um patamar icônico. Os músicos, seus talentos e seus egos eram enormes (e com razão). Em apenas três anos de vida, o grupo lançou discos brilhantes (Disrealy Gears), canções inesquecíveis (Sunshine of Your Love e White Room) e viveu muitas brigas internas, principalmente entre Baker e Bruce.

O tempo passou, cada um seguiu o seu caminho e, em maio de 2005, Clapton reuniu os ex-companheiros para uma série de quatro shows no Royal Albert Hall, em Londres – mesmo local da apresentação final, em 1968. O registro dessas apresentações chega em versão Blu-ray em Cream Live at the Royal Albert Hall (ST2). O filme mostra muito possivelmente a última grande performance de Clapton, que parece um pouco acomodado nos últimos trabalhos, mas precisa suar a camisa e gastar sua Fender para não ser engolido pelo virtuosismo dos companheiros de banda.

As mudanças são visíveis na bateria de Baker (com menos elementos, mas ainda poderosa), na saúde de Bruce (que precisou fazer um transplante de fígado após ser diagnosticado com um câncer) e nos cabelos de Clapton. Musicalmente, o trio resgata a magia das jams e solos que os tornaram referência. Canções como I’m so Glad, White Room, Badge e Crossroads, soam melhores do que nunca. Em algumas delas, o baixo de Bruce, a bateria de Baker e a guitarra de Clapton soam até melhor que nas canções originais!

Infelizmente, os problemas pessoais nunca foram superados e, segundo Ginger Baker, não há chance desses shows se repetirem. Uma pena, já que Live at the Royal Albert Hall mostra que grandes músicos inspiram uns aos outros.

Stones comemoram 50 anos com documentário sobre turnê de 1965

STONES_3_ Um dos membros da Santíssima Trindade do rock inglês (juntamente com os Beatles e o The Who), os Rolling Stones comemoram os 50 anos de carreira com uma coletânea, duas canções inéditas, uma turnê e o lançamento de vários vídeos, incluindo o documentário Charlie is my Darling (Universal), que mostra a banda em sua turnê pela Irlanda, em setembro de 1965, logo após o lançamento de (I can’t get no) Satisfaction.

O filme mostra cenas dos shows da banda, quando a segurança era mínima e permitia que fãs chegassem até os músicos e literalmente tirassem a banda do palco. Há entrevistas com cada um dos membros – Charlie Watts, Bill Wyman, Brian Jones, Mick Jagger e Keith Richards -, mas o melhor mesmo são as cenas onde os Stones são mostrados na intimidade dos quartos de hotel, brincando e mostrando que eram antenados com os lançamentos dos rivais (cantarolam canções dos Beatles, entre outros). Engraçado também ver o desconforto de Jones com a condição de astro pop, embora fosse impossível prever o fim trágico de sua história, poucos anos depois.

Charlie is my Darling é uma espécie de A Hard Day’s Night (Os Reis do Iê-Iê-Iê), com uma trilha sonora onde se destacam Play with fire, The Last Time, Time is on my side e Satisfaction.

The Who demolidor

The Who Live in Texas coverOutro da Santíssima Trindade Inglesa, o The Who Pete Townshend (vocais, guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo e vocais) e Keith Moon (bateria, percussão e vocais) – é representado pelo ótimo DVD Live in Texas ‘75 (ST2).

Se o Led Zeppelin de 2007 já não tinha seu bate estacas, o The Who de 1975 está completo, com o mais louco e criativo baterista de todos os tempos, mais Townshend em grande forma (e com cabelos) e Daltrey chegando aos agudos que já ficaram mesmo no passado. Chega a ser covardia comparar as apresentações – tanto em termos de desempenho, quanto de qualidade de som e imagem -, já que foram gravados com décadas de diferença, mas a batalha é boa.

Substitute, I Can’t Explain e Squeeze Box, no mesmo set de My Generation, Behind Blue Eyes e Won’t Get Fooled Again. Não tem como dar errado. Guitarras sendo destruídas, baterias demolidas e uma banda tocando apenas o melhor e mais barulhento rock de sua época. Se a filmagem não é um primor em termos técnicos (lembrem-se que estamos falando de um concerto gravado em 1975), o que a banda faz no palco é de deixar qualquer grupo da nova geração inglesa com vergonha de suas caras e bocas. Dinamite pura!

A Rainha em Budapeste

Queen hungarian rhapsodyOutro concerto de rock que chegou às telonas em 2012 foi o Hungarian Rhapsody – Queen Live in Budapest (Universal). Na verdade, Hungarian Rhapsody (ao contrário de Live at Wembley) é um documentário sobre um concerto e não o registro de um show do Queen, o que pode deixar um ou outro fã um pouco decepcionado, mas vale como complemento do registro dos shows de Wembley.

Gravado durante a Kind of Magic Tour, o DVD mostra Freddie Mercury, John Deacon, Brian May e Roger Taylor no melhor da forma e com um repertório matador, com hits como Under Pressure, Who Wants to Live Forever, Love of My Life, Crazy Little Thing Called Love e We Are the Champions, entre muitos outros.

Não importa se você achava o som do grupo pop demais, não há como negar o talento de Mercury em comandar uma plateia de mais de 30 mil pessoas. Hungarian Rhapsody pode não estar no patamar de um Last Waltz, mas dá um banho na maioria dos documentários de rock atuais.

O beatle no Nirvana

paul-mccartney-nirvana-1212Para terminar, uma mistura inusitada. Paul McCartney e os sobreviventes do Nirvana se reuniram para gravar uma canção, que foi apresentada em primeira mão no concerto em prol das vítimas da tempestade Sandy, em 12/12/12. Cut Me Some Slack (disponível na iTunes Store por US$ 1,29) traz um McCartney com vocal raivoso e Dave Grohl arrebentando na bateria, ao lado de um inspirado Krist Novoselic. O trio também apresentou a canção ao vivo durante um episódio do programa, causando furor nos fãs da banda, já que Grohl e Novoselic não tocavam juntos fazia mais de 20 anos.

Os jovens têm todo o direito de terem seus ídolos, mas mesmo o menos saudosista rockeiro da humanidade não tem como deixar de admitir que os velhinhos batem um bolão!







Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues

Warner relança álbum clássico de Buddy Guy e Junior Wells
Disco, originalmente lançado em 1972, tem participações de vários astros e chega em edição de luxo

Originalmente lançado em 1972, depois de uma espera de quase dois anos, quando apenas oito faixas foram gravadas, Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues chega ao mercado brasileiro em edição dupla, trazendo 23 faixas, 13 a mais que o LP que desembarcou nas lojas dos Estados Unidos no início dos anos 70. O disco uniu novamente a guitarra quente de Buddy Guy e a gaita de Junior Wells – dois gênios do blues – repetindo uma parceria que havia começado nos anos 60 e que iria seguir até o fim da década de 80, quando Wells morreu.

O projeto começou depois que a dupla fez a abertura dos shows da turnê dos Rolling Stones e Eric Clapton sugeriu que a dupla fosse contratada para gravar um disco, que ele produziria. Mas 1970 era uma época conturbada no cenário musical e, principalmente, para Clapton, afogado em heroína e num amor mal resolvido (Pattie Harrison). O que deixou tudo muito confuso e lento.

Com participações de Ahmet Ertegun, Tom Dowd, Dr. John e do núcleo do Derek and the DominosEric Clapton, Carl Radle e Jim Gordon – o disco levanta discussões calorosas. Para muitos é uma perda de tempo (e talento). Para outros, simplesmente o melhor disco já gravado por astros do blues elétrico de Chicago. Definitivamente não é um desperdício de talento. Canções como A Man of Many Words, T-Bone Shuffle e Messin’ With the Kid são ótimos exemplos do que Wells e Guy eram capazes quando inspirados. Guitarras ferozes, vocais sensuais (ou vice-versa) e uma gaita que guia, sem cansar.

A versão lançada agora no Brasil pela Warner foi compilada pela Rhyno (selo norte-aericano especializado em reedições de luxo) e tem algumas faixas que não foram lançadas sabe-se lá o porquê. Dirty Money for You, Sweet Home Chicago e Stone Crazy já valem o preço do CD. Além das músicas extras, que praticamente dobram o tempo de audição do disco original, o CD vem com um encarte especial (em inglês), com notas sobre as faixas especiais e as novidades. Leitura muito interessante.

As novas canções tem a presença do slide de Clapton e um feeling de que todos estavam se divertindo, deixando ainda mais enigmático o atraso de quase dois anos para o seu lançamento. Buddy Guy é hoje uma lenda, Junior Wells não está mais entre nós mas também galga um lugar alto no pódio do blues, mas em 1970, ambos estavam on fire.

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues é um disco para todos (iniciados ou não no gênero). Boas canções, algumas regravações de clássicos e dois mestres do gênero. Mesmo que você considere o CD muito comercial e produzido – adjetivos que com os quais não concordo -, não há como não admirar a guitarra de Buddy Guy e a gaita poderosa e elegante de Junior Wells. Uma aula de blues.

Serviço:

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues
Gravadora: Warner
Preço: R$ 49

Uma versão editada deste texto foi publicada no Portal R7

Ruby Tuesday – Rolling Stones

Don’t question why she needs to be so free / She’ll tell you it’s the only way to be

Tem gente que realmente acredita nisso.

Ruby Tuesday
Jagger / Richards

She would never say where she came from
Yesterday don’t matter if it’s gone
While the sun is bright
Or in the darkest night
No one knows
She comes and goes

Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I’m gonna miss you…

Don’t question why she needs to be so free
She’ll tell you it’s the only way to be
She just can’t be chained
To a life where nothing’s gained
And nothing’s lost
At such a cost

Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I’m gonna miss you…

There’s no time to lose, I heard her say
Catch your dreams before they slip away
Dying all the time
Lose your dreams
And you will lose your mind.
Ain’t life unkind?

Goodbye, Ruby Tuesday
Who could hang a name on you?
When you change with every new day
Still I’m gonna miss you…

O Exílio dos Rolling Stones – Exile On Main ST é relançado e ganha documentário

Continuando a série de relançamentos remasterizados do catálogo dos Rolling Stones (leia sobre os lançamentos anteriores Sticky Fingers (1971), Goats Head Soup (1973), It’s Only Rock’n’Roll (1974) e Black And Blue (1976), Some Girls, Emotional Rescue, Tatoo You e Undercorver, Dirty Work (1986), Steel Wheels (1991), Voodoo Lounge (1994) e Bridges to Babylon (1997) e Flashpoint), a gravadora Universal desembarca no Brasil a nova versão de Exile On Main ST, álbum lançado em 1972 e que, lá fora, ainda ganhou uma versão de luxo, com um DVD mostrando os bastidores da gravação do disco. Em terras brasilis, a gravadora ST2 – representante da Eagle Roc – lança o documentário Stones In Exile de maneira independente.

Considerado um marco na carreira do grupo, sempre considerei Exile como o símbolo do som sujo do grupo. Desde a primeira vez que ouvi o disco – numa versão em vinil de prensagem nacional – consegui entender porque o disco foi recebido com críticas no máximo razoáveis. Não devia mesmo ser fácil imaginar que qualquer uma daquelas canções pudesse se transformar em um clássico. Mas o que interessa é a nova versão e nela a coisa muda. Para quem já conhecia o disco a diferença é gritante. A nova remasterização melhorou demais a qualidade do som, embora alguns defeitos não pudessem ser consertados devido as estranhas condições nas quais Exile foi gravado. Não pense que vai ouvir a voz de Mick Jagger de forma limpa em todas as faixas. Seria demais. Para os mais novos é a chance de ouvir e julgar se Exile On Main ST merece ou não o posto de um dos discos mais emblemáticos do rock.

A nova versão vem com um ótimo encarte, com detalhes das gravações e 10 canções extras, entre títulos inéditos e outtakes. Tudo no mesmo climão bluseiro – provavelmente influenciados pela presença de Mick Taylor, guitarrista que substituiu Brian Jones e que tinha um currículo ligado ao gênero – das gravações que fazem parte do disco original. A capa segue fielmente a arte do LP, um outro grande ponto para a gravadora.

Exile On Main ST mistura soul, blues, rock e country e várias outras influências. É um disco onde é fácil notar que a situação confusa da banda (em meio a problemas financeiros e o uso pesado de drogas, também pesadas) influenciou todo o processo criativo. Mesmo assim, canções como Tumbling Dice continuam sendo algumas das preferidas da banda e dos fãs. Eu, como muitos, estou redescobrindo o prazer de ouvir o álbum.

Outra grande novidade é o documentário Stones In Exile. Lá fora ele vem junto de uma versão de luxo do CD, enquanto no Brasil é vendido separadamente. O filme mostra, através de imagens de arquivo e entrevistas atuais, a zona criativa feita pelos Stones. Como disse, eles passavam por problemas financeiros e decidiram dos impostos ingleses (Taxman, lembram?). Então, foram para uma antiga casa usada pelos nazistas, na França. O estúdio foi montado num porão úmido e mofado, o que explica muito da sujeira do som produzido lá.

Há registros feitos durante as gravações e muitas fotos de arquivo que ajudam a reconstruir o clima de 1971. Se Keith Richars era o cara, também era claro que o uso de heroína tornava todos o processo de criação e gravação caótico, não deixando que a cozinha formada por Chalie Watts e Bill Wyman era mesmo muito sólida, além da presença dos Stones Invisíveis, Bobby Keys (saxofone), Nicky Hopkins e Ian Stewart (pianos).

Uma surpresa a cada minuto. Vale até mesmo para quem viu a versão que já passou em canais a cabo no Brasil e no exterior.

Minhas canções preferidas do disco? Vou precisar de mais tempo para ouvir tudo novamente muitas e muitas vezes.

PS: As legendas do DVD são em português, de Portugal.

Os 10 discos que levaria para uma ilha deserta (internacional)

Sempre faço uma brincadeira com amigos, músicos e famosos. Pergunto quais seus 10 discos favoritos e peço para listá-los. A última vez foi no (ainda) falecido Mistura Interativa.

Para nimar um pouco os comentários do blog, coloco abaixo meus 10 mais internacionais de todos os tempos.

Mandem os seus, reclamem, discordem, critiquem. A idéia é essa mesma.

Não há ordem de preferência!

1- Who’s Next – The Who

2- Tug Of War – Paul McCartney

3- Layla and Other Assorted Love Songs– Derek and the Dominos (aka, Eric Clapton)

4- Goodbye Tellow Brick Road – Elton John

5- Sweet Baby James – James Taylor

6- Bridge Over Trouble Water – Simon & Garfunkel

7- 1984 – Van Halen

8- Abbey Road – Beatles

9- Pet Sounds – Beach Boys

10- Joshua Tree – U2

A lista muda de tempos emtempos, e os discos que ficaram como reservas dessa vez foram:

All The Best Cowboys Have Chinese Eyes – Pete Townshend

Ringo – Ringo Starr

Tatoo You – Rolling Stones

PS: Confira a lista de shows internacionais que passarão pelo Rio.

PS”: A lista dos discos nacionais será publicada em um futuro não muito distante.

Flashpoint, mais um Stones remasterizado

Dando continuidade ao momento musical do blog e da série de remasterizações do catálogo dos Rolling Stones (de meados dos anos 70 para cá) pela Universal, chegou a hora de mais um (bom) CD ao vivo do grupo: Flashpoint.

Flashpoint foi gravado durante 1989 e 1990 e conta com alguns bons momentos. A bela versão de Ruby Tuesday, a interpretação do blues Little Red Rooster (com a participação de Eric Clapton) e os bons registros das conhecidíssimas Start Me Up e Jumping Jack Flash são audições mais do que recomendadas.

O som do novo lançamento não parece tão superior ao do último relançamento (ainda pela Virgin), mas só por manter o título em catálogo a Universal já merece aplausos.

Há um registro em vídeo de um dos shows da turnê, onde os grandes destaques ficam por conta das participações de Eric Clapton e do falecido bluseiro John Lee Hooker. Vale procurar, até porque é a última turnê com Bill Wyman no baixo.

Saiba mais sobre os outros relançamentos dos Rolling Stones clicando nos links a seguir. Parte I, parte II e parte III.

Rolling Stones leva nº3

A Universal lança o último pacote de quatro CDs remasterizados dos Rolling Stones. Um tanto ofuscados pelos Beatles e pela própria qualidade (irregular) dos lançamentos. Dirty Work (1986), Steel Wheels (1991), Voodoo Lounge (1994) e Bridges to Babylon (1997) são uma prova de que a banda se transformou em uma grande fazedora de shows (sempre em clima greatest hits live).

Foi nessa época que Keith e Mick passaram por uma época de turbulência no relacionamento entre os Glimmer Twins, o que pode explicar não só a má qualidade de muitas faixas como o fato de uma da canção de trabalho de Dirty Work ser uma regravação do clássico soul Harlem Shuffle.

Stones parte 3Steel Wheels foi da fase onde um rompimento entre Mick e Keith parecia iminente. Apesar da série de singles lançados e da grande turnê, há pouco para se lembrar desde disco.

Voodoo Lounge também seria outro disco menor da banda e sem grande importância se não fosse o primeiro lançado após a saída do baixista Bill Wyman. A saída de Wyman, que acabava com uma das cozinhas mais competentes do rock, parece ter feito com que a banda tivesse a obrigação de que continuaria em frente. Solução: mais uma grande turnê.

O último lançamento do pacote, Bridges to Babylon, trouxe Don Was na produção para tentar levar o grupo para o topo do Olimpo do rock (a esta altura já ocupado pelo U2). Não deu.

Pode ser que alguns destes álbuns tenham um significado especial para os fãs brasileiros (que lembram das passagens do grupo por essas bandas), mas, deixando de lado o excelente trabalho técnico feito nas remasterizações, há muito pouco para ser guardado, comparando com os discos lançados nos pacotes anteriores. Mas, como disse, vale para quem quer lembrar dos shows da banda no Brasil. O som está realmente sensacional.

Nova pesquisa no F(r)ases da Vida

Mercado fonográfico em crise, cenário musical pobre de talento e mais um Natal chegando. Hora das cabeças premiadas imaginarem meios de levar o nosso dinheiro.

As grandes gravadores se movimentam e acenam com versões remasterizadas de artistas que vendem apenas pelo nome (criado devido à qualidade de sua produção):  Frank Sinatra, Jimmy Hendrix, Beatles e Rolling Stones. Todos, de uma maneira ou outra, grande parte das canções que estão no cancioneiro das mentes de grande parte da população mundial.

Eu já manifestei meu desespero diante dos preços dos relançamentos dos Beatles e venho escrevendo sobre os Stones. Hendrix tem a vantagem da pequena discografia (oficial), mas haja dinheiro.

Agora, a pergunta é: Você comprará CDs de alguns deles?

Rolling Stones remasterizados – Parte II

Some Girls, Emotional Rescue, Tatoo You e Undercorver

some girlsOs últimos anos da década de 70 foram ‘estranhos’ no mundo da música. Punk e Disco se misturavam e os grandes grupos – neste momento já entrando na categoria dinossauros – se desfazendo. Os Rolling Stones, no meio disso tudo, se mantinham como a maior banda de rock do planeta. Foi assim tambpem no início dos anos 80.

Is there nothing I can say
Nothing I can do
To change your mind
Im so in love with you

Lembrando cada disco

Depois da primeira leva de remasterizações – Sticky Fingers, Goats Head Soup, It’s Only Rock’n’Roll e Black and Blue – a Universal descarrega nas lojas mais quatro dos 14 relançamentos previstos do catálogo do grupo – Some Girls, Emotional Rescue, Tatoo You e Undercorver. Os quatro são discos que moldaram o que os Stones são hoje – com várias músicas ainda fazendo parte do setlist de qualquer dos seus shows.

The preacher said, “You know you always have the
Lord by your side”
And I was so pleased to be informed of this that I ran
Twenty red lights in his honor
Thank you Jesus, thank you lord

Some Girls (1978) é o pega o início da fase disco de Jagger e Richards, com músicas como Miss Yoo. O disco tem também o country Far Away Eyes (com direito a vídeo clipe), a excelente cover de Just My Imagination (muito melhor ao vivo) e o sucesso (nos EUA) Beast of Burden (mais tarde regravado por Betty Middler com participação de Mick Jagger no clipe promocional). Some Girls sempre me pareceu um disco de transição, apesar da entrada de Ron Wood e das mais de 6 milhões de cópias vendidas. Desde o fim dos vinis sinto que a obra perdeu muito do seu charme. Só quem viu a capa em vinil entenderá o que quero dizer.

So if you’re down on your luck and you can’t harmonize, Find a girl with far away eyes, And if you’re downright disgusted and life ain’t worth a dime, Get a girl with far away eyes

Nota: 8,5

emotional rescueEmotional Rescue (1980) nunca foi dos meus preferidos, apesar de conter duas canções essenciais: A faixa-título e o rockão, curto e grosso, She´s So Cold. Apesar de ter uma identidade dance, o disco fez muito sucesso, fazendo com que o grupo prepara-se o que seria a sua maior turnê até então, que aconteceria em 1981. Sempre que ouço acho um desperdício que a melhor cozinha do rock tenha sido usada para segurar riffs dance. Durante as sessões de gravação várias sobras foram deixadas de lado e usadas no álbum seguinte.

Assim como Some Girls, Emotional Rescue foi gravado praticamente com a participação de apenas os membros do grupo, com a adição de Nicky Hopkins, Ian Stewart, Bobby Keys (sax) e Sugar Blue (harmonica).

Nota: 7,5

Lord, I’ll find out anyway
Sure as Hell I’m going to find that girl someday
Till then I’m worried
Lord, I just can’t seem to find my way

tatoo youO último grande trabalho

E, para ter material ‘novo’ para a turnê (1981), o grupo decidiu lançar um novo trabalho. Como não tinham muito tempo, os Stones decidiram reciclar as sobras de vários trabalhos e das 11 músicas, apenas 2 podem ser consideradas inéditas. Inacreditavelmente, Tatoo You é considerado – e é mesmo – um dos melhores e mais coesos discos da banda. Talvez a sua última grande obra.

A decisão de colocar rocks no lado A e baladas no lado B (meninos, pensem em vinil e lembrem que antigamente os discos eram pensados para serem ouvidos em uma seqüência determinada). Start Me Up, Hang Fire, Neighbours e Little T&A, todas outtakes dos discos Emotional Rescue, Goats Head Soup, entre outros, são obras primas da confusão musical que caracterizava o som da banda. Difícil dizer se as baladas estão no lado B por serem consideradas menos interessantes que os rock (o que não é verdade) ou por algum tortuoso raciocínio artístico. Afinal, como explicar que músicas como Start me Up ou Waiting On a Friend e Tops – as duas últimas gravadas em 1972 – ficassem nos arquivos por anos?

Waiting On a Friend, por exemplo, teve parte dos seus direitos passados para Mick Taylor, responsável pelas guitarras dessa e de outras canções. O clipe da música tem a participação especial de Peter Tosh e uma locação que deve ser conhecida dos fãs do Led Zeppelin.


O disco também foi recheado de participações especiais como as de Pete Townshend, Billy Preston e, principalmente, do saxofonista de jazz Sonny Rollins, que abrilhanta Slave, Neighbours e Waiting On a Friend.

Nota: 10

Don’t need a whore
I don’t need no booze
Don’t need a virgin priest
But I need someone I can cry to
I need someone to protect
Making love and breaking hearts
It is a game for youth

Descendo a ladeira

undercoverLançado em 1983, depois de dois excelentes discos e uma super bem-sucedida turnê, Undercover foi uma decepção, apesar do sucesso comercial. Talvez pelo início de um momento conturbado na relação entre Mick Jagger e Keith Richards ou pelo surgimento da MTV e o uso de um produtor externo (Chris Kimsey), a verdade é que a safra de canções não seguiu o nível dos lançamentos anteriores.

Com canções que iam do rock ao reggae passando pela new wave e dance, Undercover parece sofrer exatamente pela variedade. Falta coesão. Pontos altos: Undercover Of The Night e She Was Hot.

Nota: 6,5

Sometime I wonder why you do these things to me
Sometime I worry girl that you ain’t in love with me

Quem já comprou algum relançamento dos Stones pode achar que mais uma remasterização será preciosismo. Não é, acredite. A próxima leva terá: Steel Wheels, Voodoo Lounge, Bridges To Babylon e A Bigger Bang.

Até lá!

Rolling Stones com som limpo

Discos dos anos 70 são remasterizados

41baK4LkzGL._SS500_Vira e mexe algum super astro ou grupo das antigas tem a sua carreira revisada, seja em forma de caixa, seja em forma de discos remasterizados. Em setembro, por exemplo, os Beatles vão ter duas caixas (leia aqui). Até agosto, quem está nos holofotes é a coleção dos anos 70 e 80 dos Rolling Stones a maior banda de rock do planeta e grandes rivais dos Garotos de Liverpool, nos anos 60.  São 14 álbuns que englobam – para muitos – o melhor da produção da banda, mais os discos Dirty Work, Steel Wheels, Voodoo Lounge, Bridges To Babylon e A Bigger Bang, todos agora no catálogo da Universal.

Os primeiros quatro discos que chegaram as minhas mãos – Sticky Fingers (1971), Goats Head Soup (1973), It’s Only Rock’n’Roll (1974) e Black And Blue (1976) – são daquela fase onde, além de ser uma bela banda de garagem que deu certo, os Stones tinham por característica o som pantanoso de seus discos, onde clareza era algo que não parecia fazer parte do dicionário do grupo. Também, nem sei como eram as coisas no Alabama (Sticky Fingers) ou na Jamaica (Goats Head Soup) nos anos 70.

51ivdOxh5CL._SS500_ Quem coleciona e/ou gosta dos Stones já deve ter comprado o mesmo disco várias vezes ou ter a mesma música em vários discos e caixas, sempre com uma mixagem melhor, alguma arte diferente ou similares. No caso de Sticky Fingers, já perdi a conta de quantas vezes tenho Brown Sugar ou Wild Horses na minha coleção de CDs. Mas, fui lá conferir, até porque o grande charme desses relançamentos são as artes originais (se é que um CD pode reproduzir bem uma capa de LP dos anos 60/70) e o som. Nada de faixas extras ou booklets com mais informações sobre as faixas, etc.

Onde está o som sujo?

51woNkTbasL._SS500_Ajeito os fones, coloco o CD para tocar e…ESPANTO! Logo nos primeiros acordes de Brown Sugar o som é muito mais limpo que em qualquer outra (re)edição que já tenha ouvido. Vou passando pelas faixas e lembrando como eram bons esses discos e como todos reclamavam da produção dos anos 70. Passo para o Goats Head Soup e me deparo com uma 100 Years Ago deslumbrante. Fica a pergunta: onde está o som sujo do grupo?

Dou um tempo, pego um refrigerante zero (sinal dos tempos) e sigo para os dois próximos CDs. It’s Only Rock’n’Roll e Black And Blue nunca estiveram entre os meus preferidos, mas admito que teria uma impressão muito melhor deles caso o som que tivesse ouvido da primeira vez fosse os desses novos CDs e não de uma má prensagem nacional em vinil. Memory Motel, Melody, Dance Little Sister e Crazy Mama nunca soaram tão bem.

413Fu008pRL._SS500_Pelo jeito estes são os CDs definitivos (espero não precisar trocar mais nenhuma vez por conta de novos tapes ou outtakes) e serviram para deixar aquela vontade de ouvir um Tatoo You ou Exile on Main Street com essa clareza.

A nova leva de CDs dos Rolling Stones está prevista agora para julho (Some Girls, Emotional Rescue, Tattoo You e Undercover) e termina em agosto, pouco antes do lançamento das caixas dos Beatles.

Aguardem a segunda leva, que chegana segunda-feira.

PS: Claro que fãs terão a opção de comprar um box para colecionadores com todos os 14 CDs. Claro.

Educação musical infantil

Esse texto eu publiquei hoje no Mistura Interativa, mas acho que ele merecia vir para cá também. Uma boa ação de utilidade pública.

27_beatlebbUma coisa que sempre tira o sono dos pais que gostam de música é como blindar seus filhos contra a grande quantidade de lixo que se ouve por ai. Uma boa solução é educar os ouvidos dos pequeninos desde que são bebês.

Certa vez uma colega de redação disse que estava sempre procurando um CD do tipo “Iron Maiden para Bebês“. Enquanto esse CD mais “pesado” não é editado, a gravadora Coqueiro Verde lança uma coleção de cinco CDs para a alegria dos pais roqueiros. Pink Floyd, Madonna, Elvis, Beatles e Rolling Stones ganharam disquinhos com capas desenhadas por crianças de até 12 anos, pacientes do Instituto do Câncer (Inca).

O projeto gráfico, coordenado pela designer Adriana Trigona, é apenas a primeira boa surpresa da coleção. As músicas são todas instrumentais com arranjos que, mesmo longe de serem sonolentos, são ótimos para embalar o sono das crianças.

27_stonesbbA escolha das canções foi feliz (a maioria baladas) e com certeza deve agradar a pais e filhos, impedindo que ritmos e artistas menos qualificados entrem no subconsciente da garotada.

Os cinco CDs serão vendidos separadamente, com preços entre R$ 10 e R$ 15. Melhor ainda, parte do dinheiro arrecadado com as vendas será revertido para o Inca.

Parabéns para a Coqueiro Verde e para os jovens ilustradores:

Beatles: Larissa Conceição dos Santos (10 anos)
Elvis Presley: Renato de Sousa Oliveira (15 anos)
Madonna: Karina Sousa dos Santos (9 anos)
Pink Floyd: Julio Maria de Mattos Junior (12 anos)
Rolling Stones: Thaysa Martins da Silva (10 anos)

Ouça trechos dos CDs

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