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O engodo das Operações da Lei Seca no Rio de Janeiro

Passei o dia vendo reportagens e pessoas exaltando o aniversário de nove anos do início das chamadas blitz da Operação Lei Seca. Vamos deixar claro que sou totalmente favorável a Lei, que existe faz muito tempo, bem antes da modificação que a tornou um veículo para que governos mal-intencionados a usassem como desculpa para extorquir mais verbas dos já oprimidos contribuintes, principalmente no Estado do Rio de Janeiro, e que sei que devo ser uma voz quase solitária. As tais blitzen nunca tiveram por objetivo salvar vidas. Sempre foram realizadas com o dinheiro como alvo. O percentual de motoristas flagrados com excesso de álcool no sangue sempre foi pífio (muitas vezes menos de 2% dos motoristas autuados), o que significa que a grande maioria sempre foi multada ou rebocada por conta de multas ou IPVA atrasados, razões que não necessariamente causam acidentes. Portanto, se levarmos em consideração esses fatores, o número de vidas salvas é bem menor que o alardeado ou cada pseudo acidente teria um número de vítimas fatais que somente caberiam apenas em um micro-ônibus.

Foto: Paulo Vitor

Dizer que a redução no número de motoristas flagrados é uma consequência somente das blitzen é de uma ingenuidade sem descrição. Só a quantidade de pessoas que se utilizam de aplicativos e grupos de WhatsApp para se livrar do arrocho das autoridades – vale lembrar que o Rio é um dos poucos lugares do mundo onde é obrigatório fazer uma vistoria anual do seu veículo, pagando uma taxa, claro – é substancial o suficiente para ser considerado nessa equação.

O que mais me incomoda é a parafernália montada e o efetivo policial usados para extorquir dinheiro de motoristas que dirigem assustados e com medo em um estado onde a segurança é uma piada.

O governo do Rio de Janeiro divulgou um release sobre o aniversário. É surreal e infelizmente foi comprado por grande parte da mídia e da população.

Querem fazer blitz e rebocar carros com IPVA atrasado? Mudem o nome e deixem a Lei Seca em paz.

Quando começou a Operação, em 19 de março de 2009, o percentual de motoristas abordados embriagados nas blitzen era de 7,9%, e esta média caiu para 4,3% em 2017. A comparação entre o número de motoristas abordados e os flagrados com sinais de embriaguez reduziu 45% em nove anos.

Balanço atualizado

Desde a criação da Operação Lei Seca até o último dia 14/3, 2.801.642 motoristas foram abordados em 20.295 ações de fiscalização em todo o Estado do Rio de Janeiro. E, ainda, 521.316 veículos foram multados, 100.974 veículos foram rebocados, 174.509 motoristas tiveram a CNH recolhida e foi identificada embriaguez em 183.219 motoristas.

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Um ano de Crivella e a encruzilhada do Rio de Janeiro

Crivella só cumpre nove das 54 promessas de campanhaO estado e a cidade do Rio passam por uma grave crise e o aniversário da administração do bispo Marcelo Crivella mostra que o município chega a uma encruzilhada que pode ser ainda pior para a população, que pode se iludir com o péssimo governo que vem sendo feito pelo atual mandatário.

Levantamento do jornal O Globo mostra que o bispo só cumpriu nove das 54 promessas que fez (e assinou) durante a campanha. Não importando quais as razões (oficiais ou não) para esse péssimo desempenho, há duas prováveis consequências que devem ser sentidas nas próximas eleições. Uma boa – a não eleição de ninguém ligado a igrejas – e outra ruim – a eleição de algum idealista de esquerda, que não tenha condições de fazer um governo minimamente decente.

Os ideais podem ser diferentes, mas a ilusão de que quem ficou de fora é melhor do que a pessoa que está no governo é uma, como disse, ilusão. Os erros poderiam até ser diferentes, mas o péssimo resultado seria, muito provavelmente, igual. Essa conclusão passa longe do embate esquerda x direita. Baseia-se apenas nos programas e promessas feitas pelos candidatos que chegaram ao segundo turno nas últimas eleições municipais.

O país, o estado e a cidade estão divididos. Os índices de rejeição serão sempre grandes e os que são da situação, assim como os que são da oposição, sempre terão argumentos para defender ou atacar quem está na cadeira de governante.

Não sei quem serão os candidatos ao cargo de governador, mas espero que sejam (muito) melhores que os dois que chegaram ao segundo turno da disputa municipal e que me obrigaram (pela primeira vez na vida) a deixar em voto em branco.

Não sei quem serão os candidatos ao cargo de governador, mas espero que sejam (muito) melhores que os dois que chegaram ao segundo turno da disputa municipal e que me obrigaram (pela primeira vez na vida) a deixar em voto em branco.

Trilogia de Matías Molina pretende contar história dos jornais brasileiros

Ainda não li nenhum trecho, mas desde já recomendo.

molina-livroO jornalista Matías Molina colocará no mercado três livros sobre a história dos jornais brasileiros. O tema das obras é resultado de décadas de pesquisa. Com o trabalho, o autor pretende abarcar toda a história da imprensa no país, desde suas primeiras manifestações no Brasil colônia até os dias atuais. O primeiro volume da série, intitulado História dos Jornais do Brasil – Da Era Colonial à Regência (1500-1840), será lançado em 10 de março.

O primeiro livro chega ao mercado com 536 páginas e fala sobre a imprensa no período colonial, tempo em que o Rio de Janeiro era sede da Corte, e se estende até a época da Independência. A história de que os jornais foram palco de disputas políticas será contada.

Editado pela Companhia das Letras, o volume traz epílogo com análise dos fatores que condicionaram o desenvolvimento da imprensa no país e ajudam a explicar a baixa penetração dos jornais na sociedade brasileira. A segunda obra vai falar sobre os jornais do Rio de Janeiro até o início do século XXI. O terceiro livro conta a história dos impressos de São Paulo no mesmo período.

Molina tem em seu currículo passagens pela Editora Abril, onde foi editor-chefe do grupo de revistas técnicas e lançou a revista Exame, pela Folha, como editor de Economia, e pela Gazeta Mercantil. No mercado editorial, é autor do livro Os melhores jornais do mundo.

Fonte: Comunique-se

A estupidez da biometria

Urnas biométricas IApesar desse espaço ser democraticamente meu, tendo sempre (quando eu quero) lugar para opiniões divergentes, evito falar de política, principalmente numa época onde todos os especialistas do Brasil entram em cena, até porque os candidatos (todos) têm defeitos. Entretanto, um pequeno comentário sobre um episódio das eleições se faz necessário.

Moro em Niterói e voto no Rio de Janeiro. Mesmo assim, vi o tumulto que a utilização das urnas biométricas causou na cidade sorriso. Filas enormes e muito sofrimento para os eleitores que são obrigados a votar. Isso sem contar que o problema fez com que o Rio de Janeiro fosse o último estado a ter o início dos resultados divulgados. Por conta disso, o TRE informou que não iria usar esse tipo de equipamento no 2º turno, já que a biometria veio “resolver um problema que não existia”! Aí começou o problema que pode muito bem ser caracterizado com um certo tipo de crise de ego.

Urnas biométricas IIO Ministério Público Eleitoral resolveu entrar com uma ação contra a decisão do TRE, alegando que somente o TSE poderia tomar tal decisão e o TSE, ontem, decidiu, por unanimidade, que a decisão do TRE era nula – que sopa de letrinhas chata. Não entro no mérito da alegação, mas apenas nas consequências que ela vai gerar. O presidente do TSE diz que vai mandar mais dez (10) técnicos para ajudar na votação da cidade e que apenas um pequeno percentual de eleitores não teve suas digitais reconhecidas.

Ora, senhor presidente (me nego a citar o nome da figura), esses eleitores foram responsáveis (indiretamente) pela perda de tempo de grande parte da população da cidade e vocês ficam discutindo competências? E dizer que a culpa foi dos mesários e dos eleitores?

Sinceramente? Está tudo errado.

Mudanças no trânsito podem prejudicar vendas no Centro do Rio

EngarrafamentoAs alterações no trânsito do Centro do Rio para as obras do Porto Maravilha estão preocupando os comerciantes da cidade. Depois da interdição total do Elevado da Perimetral, ocorrida no último sábado, a partir do dia 1º de fevereiro, a Avenida Rio Branco, entre a Praça Mauá e a Avenida Presidente Vargas, passa a operar apenas no sentido Praça Mauá. Já no dia 8, a Rio Branco, a partir da Presidente Vargas até a Beira-Mar, irá se transformar em uma via de mão-dupla, exclusiva para táxis e ônibus.

Com a proibição de circulação de veículos particulares, incluindo os de carga e descarga, que reabastecem o comércio da região, o presidente do Conselho Empresarial de Comércio de Bens e Serviços da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Aldo Gonçalves, estima que ocorra perda de faturamento nos próximos meses. Segundo Aldo, a prefeitura está realizando mudanças estratégicas no deslocamento dos cariocas sem levar em consideração as necessidades da categoria.

Ainda de acordo com Aldo, na tarde desta sexta-feira (24) ele esteve reunido com representantes da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) para debater como ficarão as operações de carga e descarga no Centro do Rio após as alterações no trânsito. Atualmente, elas são autorizadas somente entre 10h e 17h em toda a cidade, e com proibição de estacionamento em determinadas ruas. Segundo Aldo as entregas deverão passar a ser feitas com a ajuda de carrinhos leves. Com isso, os entregadores terão de percorrer um caminho maior entre o caminhão e o estabelecimento.

“O cenário econômico para o setor comercial na Região Central do Rio em 2014 não é favorável e provavelmente haverá um encarecimento das entregas. Com a proibição de veículos particulares e a precariedade do sistema de transporte público, as pessoas vão evitar se deslocar para o Centro da cidade, prejudicando o faturamento do comércio local”, avaliou Aldo Gonçalves que também preside o Sindicato dos Lojistas do Rio de Janeiro (Sindilojas-Rio) e o Clube de Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio).

Aldo Gonçalves ressaltou também outros fatores que vão agravar as perdas no comércio carioca, como a grande quantidade de feriados deste ano, “inclusive alguns que serão criados em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo”; a elevada carga tributária do setor; o déficit na balança comercial brasileira; e aumento da inflação e da taxa de juros, que está em 10,5% ao ano.

Outras alterações no trânsito

Na sexta-feira (24), começou a valer a proibição de estacionamento em diversas ruas do Centro do Rio, com redução de 1.000 vagas. No domingo (26), seis ruas e avenidas do Centro e Lapa tiveram seus sentidos invertidos.

No dia 8 de fevereiro, o Mergulhão da Praça XV também será fechado. A interdição do Mergulhão é necessária para readequar o traçado atual e incorporá-lo ao do Túnel da Via Expressa. Ele passará a contar com três faixas, como em toda a extensão da Via Expressa. A partir dessa data, os ônibus municipais também terão seus itinerários alterados.

Entre a Presidente Vargas e o Aterro do Flamengo, a faixa central da Avenida Rio Branco será destinada à circulação de táxis no sentido Cinelândia que não terão ponto para embarque e desembarque. As faixas laterais ficarão disponíveis para o tráfego de ônibus: duas no sentido Candelária e as outras duas no sentido contrário (Cinelândia).

Fonte: Associação Comercial do Rio de Janeiro