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Fim do R7 e da Record News?

Após um ano de liberdade, ontem (17 de fevereiro) circulou a notícia de que a Record iria descontinuar dois de seus produtos: a Record News e o R7. Os boatos sobre a Record News já são antigos e a possível decisão sobre o R7 bastante plausível, por conta dos rumos que foram escolhidos pelos gestores do projeto.

Tanto o hardnews quanto as sessões mais light se perdem em apurações mal feitas, pautas estapafúrdias, ideias sem sentido, além claro, de edições sofríveis (ache, por exemplo, uma notícia sobre música – que não seja fofoca – na sessão correspondente).

Muitos profissionais poderão perder seus empregos e terão muitas dificuldades em se reposicionar, levando em consideração os salários pagos pela Record e a qualidade das pessoas que os recebem.

Abaixo segue a íntegra da notícia publicada no Adnews. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

Ah, a empresa do Bispo Macedo negou o fato.

Record News e R7 serão encerrados
17 de fevereiro de 2012 · 10h03

O martelo foi batido: a Record News será descontinuada e, junto com ela, vai também o R7. A notícia já circula entre funcionários da Record e foi oficializada à alta cúpula do grupo. A decisão partiu diretamente dos donos.

Segundo informações apuradas pela reportagem do Adnews, os dois produtos não conseguem justificar os investimentos, por isso serão encerrados. O grupo, no entanto, nega, diz que “continua normalmente a programação da Record News e o R7, também”.

A Record News foi lançada em 27 de setembro de 2007, mas em quatro anos de atividades não conseguiu alavancar na audiência, o que consequentemente a transformou em fracasso comercial.

Em janeiro, já havia circulado a informação de que a emissora sairia do ar no dia 31 daquele mês, mas o grupo desmentiu dizendo que “alcança resultados satisfatórios em faturamento e audiência” com o produto e garantiu sua permanência pelo menos até julho, quando terá uma cobertura especial durante os Jogos Olímpicos de Londres.

Já o R7 apareceu também em um 27 de setembro, mas dois anos depois. O portal nasceu com um time de 160 jornalistas e hoje conta com 300; no total, mais de 500 pessoas trabalham para o R7. Ainda não se sabe como a Record tratará a internet. O mais provável é que entre no lugar do R7 um site institucional.

Entenda

Os planos da Record para o segmento “all news” não deram certo. Em fevereiro de 2011, mais de três anos depois do lançamento do Record News, o grupo tirou da CBN o jornalista Heródoto Barbeiro para empreender um novo projeto.

Além de âncora na TV, Barbeiro comandaria uma rede nacional de rádios que surgiria com a criação da Rádio Record News. Chegou-se inclusive a se especular que havia conversas com a Rede Transamérica para viabilizar a ideia. Mas acabou por naufragar a tentativa de Edir Macedo de bater de frente com as grandes que só transmitem notícias no rádio.

Por Leonardo Pereira e Marcelo Gripa

Matéria originalmente publicada no Adnews

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Cantor do America promete divertir os fãs brasileiros

A dupla America, formada por Gerry Beckley e Dewey Bunnell e responsável por sucessos como A Horse With No Name e I Need You, desembarca mais uma vez no Brasil – a última foi em 2008 – para uma série de shows, desta vez dividindo o palco com outro ícone dos anos 70 e 80, a banda Chicago.

Antes de aterrissar por aqui, Gerry Beckley falou ao comigo por telefone, da Califórnia, e prometeu muita diversão ao público brasileiro. O America toca no Rio neste sábado (25), na Arena HSBC, na Barra da Tijuca. Apesar do pouco tempo, deu pra sentir que o cara é gente boa e muito bem educado. Nada parecido com a maioria dos artistas que fazem sucesso nowadays,

Vocês fazem shows no Brasil constantemente desde 1995. Como encaram a fidelidade do público brasileiro?

Beckley – As plateias são sempre incríveis, sabem todas as nossas canções e nos tratam com muito carinho. Adoro tocar aí.

Como surgiu a ideia de dividir o palco com o Chicago?

Beckley – Somos amigos há muito tempo. Já havíamos feito uma turnê alguns anos atrás e achamos que era um bom momento para nos encontrarmos novamente. Agora, depois da América do Sul, levaremos nosso show para a Austrália.

Em 2008, Dewey Bunnell ficou doente e não pode acompanhá-lo. Como foi fazer a turnê sem ele?

Beckley – Um desafio [risos]. Tive que cantar todas as músicas, mas recrutei o velho amigo Hank Linderaman, e tudo correu bem.

Há algum artista brasileiro com o qual gostaria de trabalhar?

Beckley – Sei que a música brasileira é maravilhosa. Adoro os sons, mas não tenho tanto conhecimento assim. Mas sempre fico fascinado com a riqueza dos ritmos de vocês.

Recentemente, o America gravou com nomes da nova geração do rock. Como foi isso?

Beckley – Gravamos com vários, como Ryan Adams, Smashing Pumpkins e membros do My Morning Jacket. Isso aconteceu para um projeto grandioso, chamado Here and Now [2007]. Foi uma experiência maravilhosa e colocou a banda novamente nas rádios e nas paradas de sucesso depois de muito tempo.

Quem você costuma ouvir no rádio, no seu carro?

Beckley – Ouço música o tempo todo, todo tipo de música. Há vários bons cantores e músicos, dificil citar algum.

Alguns dos sus maiores sucessos foram produzidos por George Martin (produtor dos Beatles). Como foi trabalhar com ele?

Beckley – Sensacional. Ele é uma pessoa maravilhosa e um produtor muito sensível. Fizemos alguns álbuns produzidos por ele e alguns dos nossos maiores sucessos saíram dessa parceria. Foi uma época muito boa para o grupo e para ele, que queria coisas novas depois de trabalhar tanto tempo com os Beatles. Hoje ele é o apresentador de uma série sobre a história das gravações, mas ainda trabalhamos com Geff Emerick, que foi seu engenheiro de som e também produziu vários discos de Paul McCartney etc.

Por qual canção gostaria de ser lembrado?

Beckley – A Horse With no Name. Ela é especial para mim por ter sido o nosso primeiro grande hit.

O que gostaria de dizer aos fãs brasileiros?

Beckley – Que podem ter certeza de que vão se divertir muito. Nosso show é daqueles onde pode-se cantar à vontade. Espero vocês lá.

Esse texto também foi publicado no Portal R7

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues

Warner relança álbum clássico de Buddy Guy e Junior Wells
Disco, originalmente lançado em 1972, tem participações de vários astros e chega em edição de luxo

Originalmente lançado em 1972, depois de uma espera de quase dois anos, quando apenas oito faixas foram gravadas, Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues chega ao mercado brasileiro em edição dupla, trazendo 23 faixas, 13 a mais que o LP que desembarcou nas lojas dos Estados Unidos no início dos anos 70. O disco uniu novamente a guitarra quente de Buddy Guy e a gaita de Junior Wells – dois gênios do blues – repetindo uma parceria que havia começado nos anos 60 e que iria seguir até o fim da década de 80, quando Wells morreu.

O projeto começou depois que a dupla fez a abertura dos shows da turnê dos Rolling Stones e Eric Clapton sugeriu que a dupla fosse contratada para gravar um disco, que ele produziria. Mas 1970 era uma época conturbada no cenário musical e, principalmente, para Clapton, afogado em heroína e num amor mal resolvido (Pattie Harrison). O que deixou tudo muito confuso e lento.

Com participações de Ahmet Ertegun, Tom Dowd, Dr. John e do núcleo do Derek and the DominosEric Clapton, Carl Radle e Jim Gordon – o disco levanta discussões calorosas. Para muitos é uma perda de tempo (e talento). Para outros, simplesmente o melhor disco já gravado por astros do blues elétrico de Chicago. Definitivamente não é um desperdício de talento. Canções como A Man of Many Words, T-Bone Shuffle e Messin’ With the Kid são ótimos exemplos do que Wells e Guy eram capazes quando inspirados. Guitarras ferozes, vocais sensuais (ou vice-versa) e uma gaita que guia, sem cansar.

A versão lançada agora no Brasil pela Warner foi compilada pela Rhyno (selo norte-aericano especializado em reedições de luxo) e tem algumas faixas que não foram lançadas sabe-se lá o porquê. Dirty Money for You, Sweet Home Chicago e Stone Crazy já valem o preço do CD. Além das músicas extras, que praticamente dobram o tempo de audição do disco original, o CD vem com um encarte especial (em inglês), com notas sobre as faixas especiais e as novidades. Leitura muito interessante.

As novas canções tem a presença do slide de Clapton e um feeling de que todos estavam se divertindo, deixando ainda mais enigmático o atraso de quase dois anos para o seu lançamento. Buddy Guy é hoje uma lenda, Junior Wells não está mais entre nós mas também galga um lugar alto no pódio do blues, mas em 1970, ambos estavam on fire.

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues é um disco para todos (iniciados ou não no gênero). Boas canções, algumas regravações de clássicos e dois mestres do gênero. Mesmo que você considere o CD muito comercial e produzido – adjetivos que com os quais não concordo -, não há como não admirar a guitarra de Buddy Guy e a gaita poderosa e elegante de Junior Wells. Uma aula de blues.

Serviço:

Buddy Guy & Junior Wells – Play the Blues
Gravadora: Warner
Preço: R$ 49

Uma versão editada deste texto foi publicada no Portal R7

Tom Jones – Praise & Blame

Um Tom Jones gospel

Dono de uma das vozes mais poderosas e únicas do pop. Tom Jones é daqueles artistas que, gostando ou não do seu trabalho, temos que respeitar. O hoje setentão, já foi uma espécie de Elvis, baladeiro com toques bregas e até astro de canções dançantes. Um verdadeiro camaleão (apelido que lhe cairia melhor do que em muitos artistas que o recebem). Seu novo trabalho – Praise & Blame (Universal) – é mais uma dessas reviravoltas musicais. Embora também tenha riffs de guitarras e rockabillies, é calcado em canções com o espírito gospel, dando destaque a sua – ainda potente – voz.

Praise & Blame, o 36º álbum da carreira de Jones, vem depois do ótimo 24 Hours (2008), onde interpretava canções de gente como Bruce Springsteen e da dupla Bono/The Edge, e não segura a onda. Com arranjos mais simples, Tom Jones desfila canções de Bod Dylan (What Good Am I?) e John Lee Hooker (Burning Hell), mas sem conseguir alcançar o mesmo padrão. Com registros de voz diferentes em cada uma das faixas, os produtores acabaram conseguindo um resultado pouco coeso e sem muita emoção.

– Nós quisemos voltar as raízes. Sou apenas eu cantando com uma sessão rítmica, sem overdubs ou truques. Sem metais ou arranjos de cordas, apenas as canções gravadas de uma só vez, para acpturar o sentido de cada canção.

Apesar de não alcançar totalmente o objetivo, Praise & Blame ainda é melhor que muita coisa lançada por ai e alcançou o 2º lugar nas paradas britânicas. Aos 70, Tom Jones ainda mostra disposição para mudar e se manter atual.

Esse texto também foi publicado no Portal R7

Lionel Richie – HSBC Arena – 29/08/10

Lionel Richie – uma noite nem tão longa no Rio

Show na Arena HSBC é sempre complicado. Trânsito, distância e aquela confusão básica na hora de tentar entrar no estacionamento (amplo) do local. Estando em Niterói tudo piora. Tem a Ponte e mais distância. Sendo assim, resolvi sair com 1h30 de antecedência, para o show de Lionel Richie, marcado para as 20h30. Inacreditavelmente, não houve trânsito, confusão na chegada e até mesmo encontrar o local do credenciamento foi fácil.

Cerca de 40 minutos antes do horário previsto para o início do show eram muitos os lugares vazios, mas isso já está se tornando um hábito na Arena. As pessoas nunca confiam que os artistas vão cumprir o horário. Gente chegando e fica o pensamento de quando mais artistas brasileiros poderão usar o espaço – que é ótimo – sem precisar cobrar os preços abusivos dos shows internacionais.

Mas o importante é que o bom público que foi até a Arena HBC,  na noite de domingo  saiu satisfeito, mas com um gostinho de quero mais. Richie, que entrou no palco após um atraso de mais de 40 minutos, apresentou seus maiores sucessos, distribuiu toalhas, sorrisos e beijos em econômicas 1h25.

Enquanto esperava pela aparição do artista, o público dos locais mais baratos – que custavam exorbitantes R$ 220 (havia ingressos de até R$ 750 – chegaram a ensaiar algumas vaias, que logo se transformaram em palmas e entusiasmo. Lá estavam os verdadeiros fãs do ex-vocalista e saxofonista dos Comodores e hitmaker de mão cheia. Era de lá que saiam os coros mais altos mesmo nas poucas  canções menos conhecidas.

O espetáculo, totalmente cronometrado e que pareceu não ter muito espaço para improvisação, seguiu exatamente o mesmo roteiro do dia anterior em São Paulo. As mesmas canções, figurino (camisa e calça pretas) e demonstrações de carinho pelo público e pela cidade. Também pareciam bem ensaiadas as idas dos componentes da banda para a frente do palco, dividir as luzes com Lionel, durante seus solos instrumentais.

Antes de disparar seu primeiro sucesso (All Around the World), uma versão remix dance de Hello (totalmente dispensável) deu a deixa de que a festa iria começar. Alternando baladas e hits dançantes, Richie deu ao público aquilo que ele esperava, numa rara combinação de repertório que funcionou perfeitamente. Logo no início da apresentação ele disparou:

– Esta noite vamos relembrar minha carreira. Comodores, anos 70, 80 e tudo o que vocês esperam.

Ele não mentiu, embora tenha tocado alguns sucessos em versões mais curtas que o normal, casos de Endless Love e My Love, o que ajuda a explicar a curta duração de sua apresentação, que literalmente não durou toda a noite e conseguiu deixar boas canções (como Truly) de fora do setlist.

Lionel Richie esbanjou carisma, bom humor, um inglês falado bem devagar e explicadinho – perfeito para plateias onde o inglês não é a língua mãe – e uma voz que, se em alguns momentos não alcançou as notas mais graves ou as mais agudas, mostrou-se limpa, afinada e com o timbre característico de sempre, embora alguns backing vocals gravados ficassem fora de lugar (melhor seria ter pelo menos uma cantora acompanhando a banda).

Banda, aliás, irretocável. Ben Mauro (guitarra), Bennie Edwards (baixo), Chuckii Brooker (teclados), André Delano (sax e teclados) e Oscar Seaton (bateria), reproduziram com fidelidade o som dos discos de Richie.  Ficou difícil escolher o ponto alto da noite. Three Times a Lady? O coro com a platéia feminina em Endless Love? Easy? Difícil de escolher.

No fim do show duas surpresas: a inclusão de We Are the World – hino composto com Michael Jackson para o Live Aid e as crianças da Etiópia – e uma despedida onde repetiu duas vezes a enigmática frase: “See you next year” (Vejo vocês ano que vem).

Será que a primeira passagem pelo Brasil já rendeu um caso de amor com o cantor? Tomara!

Uma versão editada deste texto foi publicado no Portal R7

Canções:

All Around The World
Penny Lover
Medley: Easy / My Love
Ballerina Girl
Running With The Night
Still
Oh No
Stuck On You
You Are
Three Times a Lady
Dancing On The Ceiling
Sail On
Say You, Say Me
Commodore Medley – Fancy Dancer / Lady You Bring Me Up

Endless Love
Brick House
Hello
All Night Long
We Are The World

Momentos do show

Fotos: Jo Nunes / Fernando de Oliveira / Ag.News

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