Os Correios e os pobres cariocas

O grande assunto do dia, pelo menos entre os colecionadores, consumidores e usuários dos Correios é o anúncio da implementação de uma Taxa de Violência de R$ 3. O inacreditável é que uma empresa estatal que detém um monopólio sobre um determinado serviço cobre uma taxa extra sobre um ouro serviço que, pelo menos no momento, também é de responsabilidade do Governo Federal. Isso, sem contar que a empresa, cuja função é entregar correspondências e encomendas, já tinha estabelecido a inacreditável Taxa de Armazenamento! Ou eu estou louco ou uma das funções da entrega de encomendas é armazená-las antes da entrega. Mas, como já detectei décadas atrás, o Brasil é um país muito peculiar.

Como ainda teremos um aumento das tarifas, os cariocas ficarão duplamente penalizados pelo mau serviço e incompetência da direção do nosso país. Infelizmente, enquanto não conseguirmos encontrar melhores opções para nossos dirigentes e opções para a execução de certos serviços, vamos ter que conviver com esses absurdos.

Espero que logo apareçam empresas e serviços que consigam burlar de alguma maneira esse monopólio e ofereçam a população a chance de fugir dessa verdadeira arapuca na qual se transformou os Correios, que já foi uma das empresas mais admiradas do Brasil.

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Mais burradas do Sistema Globo de Rádio

Adoro rádio (AM e FM), embora tenha tido poucas experiências no veículo, e sofro toda vez que vejo (ou ouço) as decisões que tiram do rumo o que estava dando certo.

Faz um bom tempo eu escrevi sobre a derrocada da CBN. Na época, falava sobre várias decisões equivocadas tomadas pela direção da emissora. Passado um bom tempo, o panorama parece não ter mudado, principalmente no Rio de Janeiro. Depois de alguns indícios de que a Central Brasileira de Notícias – sim, esse é o nome original da emissora, lembram? – poderia voltar ao primeiro lugar no Ibope das emissoras de notícias – todos os dados divulgados mostram que Ricardo Boechat e a BandNews estão na liderança com alguma folga há algum tempo -, a coisa parece que piorou.

A contratação de Fernando Molica como âncora do CBN Rio foi um acerto que, se não compensava os erros das demissões de gente do calibre do Sydney Rezende, Carolina Morand e Maurício Martins, para citar apenas alguns, mas deixava as manhãs do Rio de Janeiro com uma opção diferente da BandNews FM e do ótimo Ricardo Boechat e equipe, na faixa das rádios de notícias.

Os números não mentem e, seja lá qual for a razão da demissão de Molica – falaram em salário alto demais – a única verdade da qual não se pode escapar é da lavada que a rádio está levando das concorrentes em vários quesitos. Na verdade, o problema não está apenas na CBN, mas sim em todo o Sistema Globo de Rádio (SGR), que vai só caindo. A competição no segmento de notícias mostra que a BandNews nada de braçada, mas o pior mesmo é ver que no geral a rádio não consegue nem ficar entre as dez mais ouvidas e que a Rádio Globo segue a mesma trilha.

Bola fora no esporte

Alguns anos atrás os entendidos do SGR chegaram a conclusão de que manter equipes esportivas e programação exclusiva nas principais praças custava muito caro. Para diminuir os custos, juntaram as programações esportivas, fazendo programas que falavam de times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas e outros estado para toda a rede. Além disso, juntaram as equipes da Rádio Globo e da CBN em transmissões que passaram a ter dois comentaristas (geralmente um de cada emissora e, em muitos casos, um de cada estado). O resultado? Um fracasso total, que teve que ser desfeito depois de um curto tempo.

Que o futebol em AM precisa ser engraçado, popular e descontraído, ninguém discute, mas que o FM tem outro público e que a CBN já tinha estabelecido um estilo próprio e mais sóbrio, principalmente pela presença (no Rio) de narradores como Evaldo José e comentaristas como Carlos Eduardo Éboli, além de profissionais como Marcos Gyuotti (MG) – dispensado após o fim da Globo MG, outra decisão para lá de desastrada. Mas, voltando ao assunto do parágrafo anterior, após o fracasso da experiência de unificação das equipes esportivas, o tempo passou, a direção do SGR mudou e aí tiveram uma ideia brilhante para diminuir os custos e melhorar a audiência: unificar as equipes de esporte!

O resultado não podia ser outro: fracasso total (de novo). Nem mesmo a iniciativa de trazer globais como os bons Alex Escobar, Juninho Pernambucano e Júnior, pôde superar a rejeição as chegadas de nomes que sempre foram do segundo escalão do rádio AM do Rio e que em nada se encaixam no gosto dos ouvintes de futebol em FM como Luiz Penido e Dé (o Aranha). Prova disso é a surra que a CBN/Globo vem levando dos veteraníssimos, porém ainda competentes José Carlos Araújo, Gérson (o Canhotinha de Ouro), Jota Santiago, Gilson Ricardo e Washington Rodrigues.

Junte-se a má escolha da equipe esportiva (para o FM, deixo claro) com o fim da Globo BH e sua equipe de esportes, e a experiência má sucedida anteriormente e só poderia dar no que está dando. Se há tempo de reverter essa tendência? Não sei.

Sidney Rezende dá drible na CBN

Hoje – 29 de fevereiro de 2018 – o site do jornalista Sidney Rezende estreia um novo projeto que pode sepultar de vez o futebol da CBN. O portal montou uma equipe esportiva que transmitirá ao vivo por web rádio partidas de futebol com, basicamente, a equipe que foi dispensada pela Central Brasileira de Notícias: o jornalista e narrador Evaldo José, o comentarista Antonio Carlos Duarte, o repórter Felipe Santos e o jornalista Robson Aldir.

Provavelmente – apesar da esteeia seja transmitindo um jogo do framengu – essa nova opção vai causar ainda mais estragos na já combalida audiência do SGR e, muito provavelmente, até mesmo na líder Tupi.

Não sei quem escolhe os comandantes do SGR e de onde saem as brilhantes ideias para revitalizar a programação e a equipe (dispensando os melhores e mais experientes profissionais), mas sei que a coisa anda feia faz tempo.

Redes sociais são o futuro do jornalismo?

A discussão pode parecer velha e sem sentido, mas o retorno do Jornal do Brasil às bancas traz de volta dúvidas sobre a viabilidade ou não do jornalismo impresso. Um estudo, com dados de 2015, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism mostrou que 41% dos usuários de internet (de todas as faixas etárias) usam as redes sociais para acessar notícias. Acredito que, mesmo com as recentes mudanças no Facebook e a decisão de alguns meios de comunicação brasileiros de deixarem de promover seus conteúdos nas redes sociais, a tendência desse número é aumentar.

Infelizmente a propagação de fake news e a proliferação de veículos com orientações político-partidárias-econômicas e que não são divulgadas abertamente ao público, provocando direcionamentos de pensamento com o intuito de enganar o leitor. O que poderia ser considerado um avanço – assim como aconteceu com o rádio, que aumentou em muito a sua audiência -, no caso do jornalismo precisa ser analisado com muito mais cuidado e atenção.

A tão propagada crise dos veículos de comunicação parece ser muito mais fruto da incompetência dos setores comerciais de cada empresa, que parecem ter muito mais dificuldade em se adaptar ao novo cenário do que todos os outros departamentos (jornalismo, principalmente). Isso me parece estranho, já que ainda é comum encontrar pessoas mais experientes nas redações do que na captação de recursos.

Ser analógico, hoje em dia, é um pecado mortal e parece que o número de pessoas que não se preocupam em analisar os números da audiência e as tendências que devem ser seguidas em suas respectivas atribuições. Não há nenhuma explicação lógica ara que um veículo de comunicação, em ano de Copa do Mundo e eleições, não consiga arrecadar recursos com publicidade. Recursos suficientes para garantir uma vida longa e próspera. É só colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguir algumas regras básicas e lembrar que juventude nem sempre significa modernidade.

Concert for George é relançado

No dia 25 de fevereiro se comemora o aniversário de George Harrison, que completaria 75 anos em 2018. Foram muitas as lembranças e homenagens ao músico em publicações e nas redes sociais e, para marcar a data, foi relançado o que pode ser considerado um dos melhores concertos-tributo de todos os tempos: Concert for George.

Poderia perder um tempo explicando quem foi George Harrison, mas se alguém nunca ouviu falar dos Beatles ou escutou canções como Here Comes the Sun, My Sweet Lord, Something, Love Comes to Everyone ou Taxman, melhor se atualizar ou parar de ler por aqui.

O show – organizado pela viúva e pelo filho do ex-beatle (Olivia e Dhani) e tendo como diretor musical o amigo Eric Clapton– teve por objetivo celebrar a obra de Harrison, um ano após a sua morte. Realizado no Royal Albert Hall, em Londres, em novembro de 2002, Concert for George reuniu um elenco estrelar de amigos de George que incluía gente do calibre de Ray Cooper, Tom Petty, Billy Preston, Jools Holland, Albert Lee, Sam Brown, Gary Brooker, Joe Brown, Jeff Lynne, Klaus Voormann, os ex-beatles Ringo Starr e Paul McCartney, além de Eric Clapton e da banda que acompanhou Harrison em sua turnê pelo Japão em 1991, entre muitos outros, como os membros do Monty Phyton.

Lançado originalmente em 2002, Concert for George ganhou novas edições – inclusive em vinil – remasterizadas e ampliadas. Por que ver e ouvir Concert for George? Porque a celebração musical ultrapassa o conceito de homenagem e dos shows-reunião onde cada artista chega, canta sua canção e se vai, sem ensaio ou coerência. Eric Clapton fez três semanas de ensaio (o que causou até alguns atritos com outros astros) e produziu um setlist muito bem amarrado e tocado por gente que realmente conviveu e amou Harrison, o que proporcionou momentos verdadeiramente emocionantes, como Something (que foi a estréia da versão que Paul McCartney toca até hoje em seus shows) e Joe Brown fechando o show com I’ll See You in My Dreams (uma canção que não foi escrita por Harrison, mas que deixa lagrima nos olhos).

HGorge era considerado por todos os amigos uma pessoa cheia de humor, apesar de ter um lado ranzinza, principalmente em relação ao grupo que o catapultou para a fama e suas canções refletiam isso, indo da melancolia extrema ao escracho. Foi o beatle que fez mais sucesso nos primeiros anos após a separação do grupo e, apesar de uma certa preguiça na produção de álbuns, deixou um legado que vai durar por muitos anos.
Concert for George já está sendo vendido lá fora e pode ser encontrado nas Amazons da vida.

Arrependimento

Dizem que não devemos nos arrepender de nossas ações. MENTIRA! No início de 2002 – ainda sob o impacto do 11 de setembro – fiz uma viagem para a Inglaterra e os Estados Unidos. Com a impressão de que o mundo poderia acabar ou entrar em uma guerra, gastei e conheci razoavelmente bem cidades emblemáticas como Londres, Liverpool e Nova York.

De volta ao Brasil, ao trabalho e à realidade, fiquei sabendo do concerto, que poderia me fazer concretizar alguns sonhos (assistir um show no Royal Albert Hall, ver Paul McCartney novamente, ver Ringo Starr pela primeira vez e ouvir canções que dificilmente seriam tocadas novamente). Bem, no dia da venda de ingressos eu consegui chegar até a última tela de compra e, no último segundo, decidi não finalizar o processo (BURRO!). Pesou o fato de ainda estar pagando a viagem do início do ano e de ser difícil explicar para o então-imbecil-chefe que iria viajar de novo.

É, me arrependo muito dessa decisão.

As canções da edição em CD:

Disco 1

1. “Sarve Shaam” (traditional)
2. “Your Eyes (Sitar Solo)” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar
3. “The Inner Light” Jeff Lynne, Dhani Harrison and Anoushka Shankar4. “Arpan” (Ravi Shankar) Anoushka Shankar

Disco 2

1. “I Want to Tell You” Jeff Lynne
2. “If I Needed Someone” Eric Clapton
3. “Old Brown Shoe” Gary Brooker
4. “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)” Jeff Lynne
5. “Beware of Darkness” Eric Clapton
6. “Here Comes the Sun” Joe Brown
7. “That’s the Way It Goes” Joe Brown
8. “Taxman” Tom Petty and the Heartbreakers
9. “I Need You” Tom Petty and the Heartbreakers
10. “Handle With Care” Tom Petty and the Heartbreakers with Jeff Lynne and Dhani Harrison
11. “Isn’t It a Pity” Billy Preston & Eric Clapton
12. “Photograph” Ringo Starr
13. “Honey Don’t” Ringo Starr
14. “For You Blue” Paul McCartney

As versões originais

 

As versões do show

Phil Collins – Maracanã – 22/2/2018 (by Débora Thomé)

“I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
And I’ve been waiting for this moment for all my life, oh Lord
Can you feel it coming in the air tonight, oh Lord, oh Lord”

Dia 22 de fevereiro de 2018, guardem essa data: foi o dia em que o hitmaker Phil Collins atingiu 40 mil pessoas em cheio, de uma só vez, sem nem levantar da cadeira. Mas poderia ter sido mais, digamos assim, destruidor, caso o popstar britânico tivesse consultado minha página no Facebook — como “fizeram”, bem recentemente, os compatriotas do The Who.

(Explico. Sofro de alta-ansiedade-pré-mega-shows. O gatilho é a compra do ingresso; pesquiso setlists, assisto a shows, documentários e entrevistas antigos no YouTube, pesquiso a vida do artista/banda no Google, compro biografias. Mergulho de cabeça quando me interessa. Os mais recentes “music divings” desse tipo foram Rod Stewart, The Who e Phil Collins. Consulta às minhas sugestões de setlist não passa de uma brincadeira, que virou uma enorme coincidência no caso do The Who.

E apesar de ter sido tudo lindo, maravilhoso, tio Phil meteu um pequeno engodo em geral. Não mentiu quando disse que a voz está em dia, apesar das limitações físicas. Nem um pouco; está tinindo mesmo o gogó. Mas não cumpriu o prometido, que era trazer um show maior para o público brasileiro, que aguarda esse encontro desde 1980.

O safadjenho cortou a “parada técnica” — a turnê realizada em 2017 teve shows divididos em dois sets, com um video engraçadíneo de autozoação no intervalo — e limou uma música de cada set. Ou seja. Em vez de marcar um gol de placa em pleno Maracanã, resolveu fazer “o técnico maluco do Framengo*” e mexeu errado.

Só que ele acusou o golpe, que eu vi. Tomou um susto quando, mesmo sem querer, já garrou a gente pelos cabelos nos primeiros acordes da balada arrasa-quarteirão Against all odds. Dali do meio-campo, quer dizer, da pista, eu olhava aqueles celularzinhos todos acesos, balançando no anel do Maraca naquele efeito maravilhosamente brega e pensava “nossa, esse cara fez essa música por absoluta encomenda, como pode?”.

Moro em frente ao estádio. Fui brindada com dois shows, porque rolou ensaio (aquilo não foi passagem de som, não) na quarta à noite, e anotei o setlist para preparar meu coraçãozinho. Segunda música, outro sucesso balada; estava batendo com o ensaio, eu feliz e esperançosa. Na terceira veio o drible pro lado errado. CADÊ One more night, cacete? Quase ouvi o Galvão gritar PRA FOOOOOOOOOOOOORAAAAAAAAAAAAA no sistema de som da Suderj que mora dentro da minha cabeça.

Mas ok, emendou I missed again e tinha muito jogo pela frente. Mas aí ele me mete as desnecessárias Hang in long enough e Wake up call em sequência, e o time perdeu um pouco o ritmo.

Sério. Consegui até avançar mais no meio do público, que abriu um clarão nessa hora. Só que talento é talento, né. Para não deixar escapar o controle sobre a turba, que pulou no colo do cara nas primeiras músicas, ele me manda um clássico do Genesis.

Juro pra vocês: houve um momento, durante a execução de Throwing it all away, em que vi Phil Collins abrir um sorrisão enquanto a torcida (ops!) a plateia cantava o refrão a plenos pulmões, aquele monte de mãozinha batendo palmas pra cima. Show de bola. E foi só alegria dali até o fim, apesar de eu ter considerado desnecessário Dance into the light na sequência final dançante.

Se ele presta atenção em mim tinha incluído dois petardos ali naquela meiuca, para lavar a alma e correr pro abraço! Enfim, como ele mesmo canta, “it’s just another day for you and me in paradise“. Para quem vai assistir aos shows em São Paulo (dias 24 e 25) ou Porto Alegre (dia 27), desejo apenas que ele leia este post e faça os devidos (e pequenos, vamos combinar) ajustes!

COMO ENSAIOU

– Against all odds
– Another day in paradise
One more night
– Wake up call
– Follow you, follow me
Can’t turn back the years
– I missed again
– Hang in long enough
– Separate lives
I don’t care anymore
– Something happened on the way to heaven
You know what I mean
– In the air tonight
– You can’t hurry love
– Dance into the light
Don’t lose my number
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

COMO FOI

– Against all odds
– Another day in paradise
– I missed again
Hang in long enough
Wake up call
– Throwing it all away
– Follow you, follow me
– Only you know and I know
– Separate lives
– Something happened on the way to heaven
– In the air tonight
– You can’t hurry love
Dance into the light
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

O QUE EU SONHAVA PRESENCIAR

– Against all odds
– Another day in paradise
– One more night
– Tonight, tonight, tonight
– Follow you, follow me
– Land of confusion
– I missed again
– I wish it would rain down
– A groovy kind of love
– I don’t care anymore
– Something happened on the way to heaven
– You know what I mean
– In the air tonight
– You can’t hurry love
– I cannot believe it’s true
– Don’t lose my number
– Invisible touch
– Easy lover
– Sussudio
– Take me home

* Mudança feita pelo editor do site, que é limpinho.

Sobre a autora: Débora Thomé é jornalista talentosa, escocesa por opção e amiga por toda  vida. Como não pude ir ao show, escalei essa  enviada mais que especial.

Fotos: Marcos Serra Lima

Fotos da galeria: Marcos Hermes