Greve dos caminhoneiros muda datas do festival de jazz e blues de Rio das Ostras

O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival vai acontecer entre os dias 15 a 17 de junho. As novas datas dos shows serão divulgadas na próxima semana.

O bloqueio das estradas e o desabastecimento de combustíveis causaram uma série de transtornos ao povo brasileiro e afetaram até mesmo o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, que aconteceria de hoje (31) até o dia 3 de junho (no feriadão de Corpus Christi), teve que alterar as suas datas, passando para o período de 15 a 17 de junho. No último dia do festival o público poderá assistir a estreia do Brasil em um telão que será instalado na Lagoa de Iriry.

– Temos mais de 70% das atrações confirmadas para as novas datas. Stanley Jordan e Armandinho, Banda Black Rio, Marlon Sette, Rosa Marya Colin e Jefferson Gonçalves, Azymuth e DJ Nuts, Igor Prado & Just Groove, Fred Sun Walk & The Dog Brothers, Amaro Freitas e Big Gilson – conta Stenio Mattos, diretor do Festival.

A nova programação será divulgada na próxima semana, no site do festival.

Abaixo a nota oficial da produção da Prefeitura de Rio das Ostras:

É com bastante tristeza que viemos anunciar em nota oficial que o Rio das Ostras Jazz & Blues será realizado em nova data: 15 a 17 de junho.

A mudança se deu em função da gravidade do desabastecimento de combustíveis e seus reflexos no município. Em nota oficial, a Prefeitura de Rio das Ostras informa que a decisão foi tomada em conjunto com a produção do evento, representantes de hotéis, pousadas e restaurantes da cidade, durante uma reunião na tarde desta segunda-feira (28).

Ainda segundo a Prefeitura, o festival é de grande importância cultural e econômica para o município.

Para a produção do Festival, o adiamento torna-se necessário para garantir a qualidade do festival. Nós da produção não nos sentiríamos a vontade em manter o festival sem as condições ideais de infraestrutura, diz Stenio Mattos, diretor do Festival. Pedimos desculpas pelo transtorno, contamos com a compreensão de todos e esperamos vocês no dia 15 para comemorarmos finalmente os nossos 15 anos!

 

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Graham Nash vai ganhar nova coletânea com raridades

Além dos sucessos solo e com os companheiros David Crosby, Stephen Stills e Neil Young, novo álbum vai trazer demos e mixagens inéditas

A Rhino, gravadora especializada em resgatar raridades de vários artistas, vai lançar no fim de junho a coletânea Over The Years, com 30 canções e demos da carreira do cantor e compositor inglês Graham Nash, um dos mais importantes nomes do rock inglês desde os anos 60, quando fez parte dos Hollies e do Crosby, Stills & Nash – e, ocasionalmente, Young.

Segundo a gravadora, o verdadeiro atrativo do novo set são mesmo as 15 demos (12 inéditas) e as duas canções (Better Days e I Used To Be King) do maravilhoso primeiro disco solo (Songs For Beginners), em novas mixagens. Realmente a Rhino precisava colocar muito material novo para poder justificar uma nova coletânea, já que em 2009 o selo lançou Reflections, um CD triplo que engloba todas as fases da sua carreira, inclusive com os Hollies. Pelo jeito, conseguiram.

– Fico feliz de apresentar minhas canções desta maneira. Espero que as pessoas gostem de ouvir os demos das minhas músicas – como as de Our House, Teach Your Children, e outras, que mostram como eu iniciei as suas composições e como elas terminaram se tornando as versões que conhecemos – diz Nash.

Lá fora, Over The Years vai ser lançado no dia 29 de junho e a edição em vinil (que não vai incluir nenhum dos demos!) só sai no dia 31 de agosto.

Setlist – Over The Years – 2CD Edition

CD 1
1. Marrakesh Express – Crosby, Stills & Nash
2. Military Madness – Graham Nash
3. Immigration Man – Crosby/Nash
4. Just A Song Before I Go – Crosby, Stills & Nash
5. I Used To Be King – Graham Nash *
6. Better Days – Graham Nash *
7. Simple Man – Graham Nash
8. Teach Your Children – Crosby, Stills, Nash & Young
9. Lady Of The Island – Crosby, Stills & Nash
10. Wind On The Water – Crosby & Nash
11. Our House – Crosby, Stills, Nash & Young
12. Cathedral – Crosby, Stills & Nash
13. Wasted On The Way – Crosby, Stills & Nash
14. Chicago/We Can Change The World – Graham Nash
15. Myself At Last – Graham Nash

* Previously unreleased mixes

CD 2: The Demos

1. Marrakesh Express – London, 1968
2. Horses Through A Rainstorm – London, 1968
3. Teach Your Children – Hollywood, 1969
4. Pre-Road Downs – Hollywood, 1969
5. Our House – San Francisco, 1969
6. Right Between The Eyes – San Francisco, 1969 *
7. Sleep Song – San Francisco, 1969 *
8. Chicago – Hollywood, 1970 *
9. Man In The Mirror – Hollywood, 1970
10. Simple Man – Hollywood, 1970
11. I Miss You – San Francisco, 1972
12. You’ll Never Be The Same – San Francisco, 1972
13. Wind On The Water – San Francisco, 1975
14. Just A Song Before I Go – San Francisco, 1976
15. Wasted On The Way – Oahu, 1980

Conheça um pouco da obra de Graham Nash

Versão brasileira da revista Rolling Stone sai de cena

Depois de 12 anos a versão impressa brasileira deixa as bancas em agosto

Mais uma má notícia para quem gosta de ler e, principalmente, para quem gosta de ler sobre música: a revista Rolling Stone vai deixar de existir na sua versão impressa, embora o Grupo Spring de Comunicação, responsável pelo título, diga que ela vai seguir com a sua versão online.

Enquanto a versão americana segue firme e forte (parece) desde 1967, a revista brasileira, lançada em 2006, chega ao fim de maneira melancólica, mantendo apenas quatro edições especiais por ano, como já acontece atualmente. Estranhamente – segundo dados da própria editora – a versão brasileira é/era a de maior circulação, depois da edição norte-americana.

Ainda não há informações sobre o que vai acontecer com os profissionais que formavam a redação da publicação. Já os assinantes serão contatados para receberem os valores pagos.

Mais uma triste notícia para a combalida imprensa musical do país.

Esse texto também foi publicado na Revista Ambrosia.

Número de brasileiros deportados dos EUA aumenta 29% entre 2016 e 2017

Antes de passar para o tópico Seguro de Viagem, das nossas Dicas de Viagens, acho que vale mostrar que a coisa não está fácil para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e, por conseguinte, para os brasileiros que pretendem viajar para o país.

Segundo dados oficiais do governo norte-americano, entre 2016 e 2017 houve um aumento de 29% de brasileiros deportados dos EUA. Foram 1.095 deportados em 2016, contra 1.413 em 2017.

As razões

Segundo alguns especialistas, um dos motivos para o aumento do número de brasileiros deportados é a entrada nos EUA com visto errado, embora permanecer no país após o prazo permitido também seja uma razão relevante.

De acordo com um relatório divulgado em dezembro pela Human Rights Watch, durante os sete primeiros meses da presidência de Trump, o número de imigrantes detidos no interior e não nas fronteiras dos EUA – sendo muitos deles arrancados de suas famílias e comunidades – aumentou 43% em comparação com o mesmo período em 2016. As detenções de imigrantes sem antecedentes criminais quase triplicaram.

Vale lembrar que se o seu visto for negado, um outro só pode ser pedido depois de seis meses e, caso seja deportado, a pessoa ficará sujeita a impedimento de retorno aos EUA por um período que varia entre 3 e 10 anos.

Outras dicas de viagem

Dicas de Viagem Parte I – Programação

Dicas de Viagem Parte II – Orçamento

Dicas de Viagem Parte III – Transportes

Dicas de Viagem Parte IV(a) – Cuidados para não ser barrado em um país estrangeiro

Carl Palmer – Teatro Municipal de Niterói – 26/5/2018

Baterista termina turnê brasileira mostrando energia e que a magia do rock progressivo não morreu

Enquanto a história mostra que bandas de rock sofrem com a perda de seus bateristas (casos do The Who, com Keith Moon, e do Led Zeppelin, com John Bonham), algumas ficam com seu legado a cargo dos donos das baquetas. O Emerson, Lake and Palmer – formado pelos ingleses Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – entra nessa categoria.

Ícone do rock progressivo, a banda tem sua música imortalizada pelo baterista Carl Palmer, que passou pelo Brasil com a sua Carl Palmer’s ELP Legacy Tour 2018, como parte da Top Cat Series, que também trouxe o guitarrista do Genesis, Steve Hackett e o grupo Premiata Forneria Marconi. Na sua última apresentação no país, o músico e seus dois ótimos escudeiros – Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Fitzpatrick (baixo) – fizeram uma apresentação de gala no Teatro Municipal João Caetano, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Clássicos

Seguindo um setlist bem próximo das apresentações anteriores, Palmer desfilou uma série de clássicos de seu ex-grupo, mostrando uma vitalidade e força surpreendentes para um senhor de 68 anos e viveu o auge do sexo, drogas e rock and roll. Peças musicais como Trilogy, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e Tarkuso ponto alto da noite -, foram executadas com precisão e muita energia.

Recuperando o fôlego

A energia do baterista era recarregada entre as músicas, quando o britânico aproveitava para contar algumas histórias sobre as canções e sobre o grupo, e ainda recuperava o fôlego antes de atacar furiosamente a sua bateria. Normalmente a parte mais chata de um show de rock fica dividido entre a hora do solo de baixo ou do solo de bateria. Nos dois casos a surpresa foi mais que agradável. Simon Fitzpatrick fez um solo onde incluiu o clássico From the Beginning, com uma técnica de dedilhado (a lá Stanley Jordan) impecáveis. Já Palmer fez seu tour de force durante Fanfare for the Common Man, quase no fim da apresentação, marcada por vários pequenos solos.

Ataque epilético ou músicos cheios de ego e talento?

Há quem diga que o ELP não era apenas a reunião de músicos talentosos tocando música complexa e pretensiosa (no bom sentido). Para muitos o estilo do grupo se aproximava mais de um ataque epilético coletivo, onde cada um tocava de maneira egoísta. Apesar de concordar que musicalmente eles tinham um grande ego (com razão), a química e entrosamento eram inegáveis. A produtividade da banda no início dos anos 70, com a gravação de 5 álbuns de extrema qualidade – Emerson, Lake & Palmer (1970), Tarkus (1971), Pictures at an Exhibition (1971), Trilogy (1972) e Brain Salad Surgery (1973) – dentro de um período de apenas três anos é típica de uma época onde mesmo as mais complexas produções eram realizadas em uma velocidade impensável para os dias de hoje, assim como alcançar vendas de 48 milhões de discos, nesses tempos de streaming.

Teatro cheio de “combustível”

– Obrigado por terem vindo nos assistir essa noite. Sei dos problemas que vocês estão tendo com combustível e outras coisas. Nós mesmos tivemos uma carreta com equipamento parada em uma estrada e tivemos que alugar alguns equipamentos – falou Palmer para a plateia em certo momento da apresentação.

Se o país sofre com o bloqueio das estradas realizado por caminhoneiros e empresários e com a total falta de habilidade e força do Governo para resolver o problema, o público de Niterói deu uma demonstração de que mesmo com os problemas no transporte e a escassez de gasolina, a boa música vence. O belíssimo Teatro Municipal de Niterói estava praticamente lotado e, tenho certeza, suas paredes – quase bicentenárias – foram revigoradas com uma energia e uma música não muito comum para o local.

No fim das contas, os que não tiveram a oportunidade de assistir ao ELP com os três integrantes ou alguma de suas reencarnações, teve uma boa mostra da magia que a sua música ainda possui.

Ainda há grandes nomes do progressivo vivos e fazendo história. Quem tiver a oportunidade de, por exemplo, assistir ao Yes (com Rick Wakeman), não deve deixar de aproveitá-la, mas quem presenciou o Carl Palmer de 2018 pode se orgulhar de um ídolo que soube envelhecer com a força de um rapaz de vinte e poucos anos.

O show

Abaddon’s Bolero (Emerson, Lake & Palmer cover)
Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tank (Emerson, Lake & Palmer cover)
Knife-Edge (Emerson, Lake & Palmer cover)
Trilogy (Emerson, Lake & Palmer cover)
From the Beginning (+ solo de baixo)
Canario (Emerson, Lake & Palmer cover)
21st Century Schizoid Man (King Crimson cover)
Solo de guitarra
Hoedown (Aaron Copland cover)
Lucky Man (Emerson, Lake & Palmer cover)
Tarkus (Emerson, Lake & Palmer cover)
Carmina Burana (Carl Orff cover)
Fanfare for the Common Man (Aaron Copland cover)
Solo de bateria
Nutrocker (Pyotr Ilyich Tchaikovsky cover)

Uma versão deste texto foi publicado na Revista Ambrosia