Silvio Santos: celebridade e bilionário

Silvio Santos“Conheça Silvio Santos, a primeira celebridade bilionária do Brasil”. É desta forma que a revista Forbes de fevereiro/março se referiu ao dono do SBT em uma reportagem, que ilustra a entrada do apresentador na tradicional lista das personalidades mais ricas do mundo, elaborada anualmente pela publicação. Segundo a revista, Silvio teria acumulado uma fortuna de US$ 1,3 bilhão.

A reportagem da Forbes destaca o carisma do apresentador, ressaltando que há anos ele comanda programas na TV e mantém uma relação de carinho e proximidade muito forte com o seu público. A Forbes ainda diz que ele comanda um grupo que já administrou mais de 30 empresas atuantes em diferentes áreas de negócios, nas quais trabalham mais de 8 mil funcionários. A matéria também resume a trajetória do dono do SBT, o trabalho como camelô nas ruas do Rio de Janeiro e a enorme vocação para a comunicação.

Os bilionários da mídia

A tradicional lista da Forbes continua permeada com diversas personalidades atuantes nas áreas de mídia e comunicação. Bill Gates, o fundador da Microsoft, continua sendo o segundo homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$61 bilhões. Ele só perde para o magnata mexicano Carlos Slim, atuante na área das telecomunicações e do petróleo e dono de mais de US$ 69 bilhões. Michael Bloomberg (Bloomberg), Sergey Brin e Larry Page (ambos do Google), David Thomson (Thomson Reuters) e Mark Zuckerberg também figuram na lista das Forbes. O brasileiro Eike Batista continua sendo o representante nacional mais bem classificado pelo ranking, com uma fortuna de US$ 30 bilhões.

Confira a lista das dez personalidades mais ricas do mundo e dos bilionários da mídia também listados pela Forbes:

1- Carlos Slim (Telmex -México) – US$ 69 bilhões
2- Bill Gates (Microsoft – Estados Unidos) – US$ 61 bilhões
3- Warren Buffett (Berkshire Hathaway – Estados Unidos) – US$ 44 bilhões
4- Bernard Arnault (LVMH – França) – US$ 41 bilhões
5- Amancio Ortega (Zara – Espanha) – US$ 37,5 bilhões
6- Larry Elison (Oracle- Estados Unidos) – US$ 36 bilhões
7- Eike Batista (EBX – Brasil) – US$ 30 bilhões
8- Stefan Persson (H&M – Suécia) – US$ 26 bilhões
9- Li Ka-shing (Diversos – Hong Kong) – US$ 25,5 bilhões
10- Karl Albrecht (Aldi-Alemanha) – US$ 25,4 bilhões

20- Michael Bloomberg (Bloomberg – Estados Unidos) – US$ 22 bilhões
24- Sergey Brin (Google – Estados Unidos) – US$ 18,7 bilhões
25- Larry Page (Google – Estados Unidos) – US$ 18,7 bilhões
35- Mark Zuckerberg (Facebook – Estados Unidos) – US$ 17,5 bilhões
35- David Thomson (Thomson Reuters – Canadá) – US$ 17,5 bilhões
37- Ricardo Salinas (TV Azteca – México) – US$ 17,4 bilhões
44- Steve Ballmer (Microsoft – Estados Unidos) – US$ 15,7 bilhões
61 – Anne Cox Chambers (Cox Enterprises – Estados Unidos) – US$ 12,5 bilhões
106 – Rupert Murdoch (News. Corp. – Estados Unidos) – US$ 8,3 bilhões

Fonte: Meio & Mensagem

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Sofrimento vascaíno 2013, a soberba do futebol brasileiro e o drama dos times cariocas

vasco_gamaO início da segunda rodada do Campeonato Brasileiro serviu para confirmar o que qualquer um – que nem precisa ser expert, escrever em jornal ou andar fantasiado – já sabia: o futebol brasileiro anda mal, em especial o carioca. Com a honrosa exceção do Botafogo (que venceu, mas também sofreu), o resto (Vasco e framengo) foi ruim de doer. O Vasco reafirmou o potencial de sua equipe, que vence apertado um adversário fraco como a Portuguesa em casa e é goleado pelo São Paulo, lá na cidade de São Paulo, sem piedade. O time até fez um primeiro tempo decente (mesmo sendo sufocado), mas se perdeu assim que levou um gol. Cinco a um foi pouco. O framengo…bem…perdeu e continua lá atrás na tabela.

Mas o problema não ficou apenas no Brasileiro, na Libertadores, mais um dos seis brasileiros que passaram da primeira fase ficou pelo caminho. O Fluminense (e seu rico time) amargou mais uma retranca (ou falta de ousadia) e sucumbiu diante do Olímpia, no Paraguai. Resultado que premiou a mentalidade pequena que vive rondando o competente Abel. Não sei se a crise não vai se instalar nas Laranjeiras.

Hoje é dia de ver se o Atlético Mineiro salva a pátria ou também vai ficar apenas na competição nacional.

Seleção? Deixa prá lá!

Mauro Senize e Gilson Peranzzetta – Jasmim – A crítica

Gravações do disco aconteceram na igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, no Rio

jasminseniseNada em Jasmim, gravado por Gilson Peranzzetta e Mauro Senize (com a participação do percussionista Amoy Ribas, e lançado pelo selo Biscoito Fino) é óbvio. Para começar, o local escolhido para a gravação do disco passou longe dos estúdios tradicionais ou da nova mania de gravações caseiras. As sessões aconteceram na igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso, no Rio, considerada a de melhor acústica da cidade.

Pianos, marimbas, flautas e saxes, ganham uma nova dimensão e profundidade, em temas que relaxam e nos levam por um viagem pelo jazz, o erudito, a MPB, em temas instrumentais que, mais uma vez, não são nada óbvios, onde simplicidade e complexidade se completam.

Jasmim conta também com outra participação especial, a dos sons da igreja – bancos rangendo, cristais vibrando e madeiras estalando -, o que só serve para tornar único um disco instrumental que foge do lugar comum.

Esse texto também foi publicado no Jornal O Fluminense

 

Jake Bugg – A crítica

Jake BuggA capa e o climão das músicas têm sim um quê de Bob Dylan, Everly Brothers e outros sons dos anos 60, mas seria injusto comparar o jovem Jake Bugg (de apenas 19 anos) com o velho Dylan.

O rapaz mostra potencial e reuniu uma série de inspiradas canções que vão emocionar. Logo no início do álbum, a ótima Lightning Bolt dá as boas vindas ao ouvinte. O disco passa pelo rock, o folk e conta até mesmo com uma bela balada Broken, o que serve para reafirmar o talento de Bugg como compositor. Vale ressaltar que as 14 faixas do disco têm a autoria do rapaz.

Como cartão de visitas, esse primeiro álbum deixa uma grande expectativa sobre o futuro da carreira do jovem Bugg, que em nada se parece com os “astros” pré-fabricados. Um disco que pode emocionar os amantes do som dos anos 60.


Uma versão deste texto foi publicado no jornal O Fluminense

Um fim de semana de muito jazz e blues em Rio das Ostras

Logo_Jazz_2013Uma boa notícia para os amantes da boa música e dos eventos gratuitos: o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, que terá a sua 11ª edição que vai desta quarta-feira (29 de maio) até o dia 2 de junho, continua trazendo grandes nomes da música nacional e internacional e já tem a edição de 2014 garantida.

“O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival está garantido, uma vez que conseguimos ampliar a participação da iniciativa privada no patrocínio do festival. Além disso, esse evento é o que traz maior retorno financeiro ao município, cerca de R$ 8,5 milhões injetados na economia local”, argumenta Alcebíades Sabino, prefeito da cidade.

E os reais que serão gastos este ano na simpática cidade da Região dos Lagos, durante a realização do evento, terão como chamarizes astros como Stanley Clarke, Vernon Reid, Will Calhoun, Léo Gandelman, Fernando Vidal, Arthur Maia e Big Joe Manfra, entre muitas outras ótimas atrações.

32fa 1 ClarkeStevenParkeFDividido em quatro palcos, o festival, que entrou para o calendário oficial de eventos do Estado do Rio de Janeiro e é considerado um dos mais importantes do mundo, atrai fãs de várias partes do Brasil e a admiração dos músicos, que também fazem questão de vir até o País e (re)encontrar o público fluminense. No total, serão 28 shows gratuitos, contabilizando mais de 60 horas de música.

“O público brasileiro é sempre caloroso e apaixonado por música. Estou com muita expectativa em poder tocar no Festival de Rio das Ostras”, diz Stanley Clarke, um dos maiores baixistas vivos, que já tocou com feras do jazz e do rock, como Gil Evans, Stan Getz, Stevie Wonder, Rolling Stones, David Bowie, Paul Simon, James Taylor, Eric Clapton e Paul McCartney.

Na verdade, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival acaba se tornando uma fonte de arrecadação, mais do que um veículo para gastar as verbas dos royalties.

“Neste momento em que os royalties do petróleo são uma incerteza, é importante investir em eventos que geram empregos e estimulam a economia da cidade. Além disso, a realização do Festival contribui para consolidar a cidade como um destino turístico. A cada ano, segundo pesquisas, a cidade vem recebendo mais visitantes especialmente para o festival. Em 2011, recebemos 20 mil pessoas por dia durante o evento e em 2012, esse número subiu para 25 mil pessoas/dia. A ocupação hoteleira da cidade chega a 100% e hotéis de toda a região também se beneficiam. O festival é notícia nos principais veículos de imprensa do País e na mídia especializada internacional, projetando Rio das Ostras no Brasil e exterior”, explica Sabino.

32fa4x willc798O otimismo com a realização do festival também é compartilhada pelo empresário Stênio Mattos, idealizador e produtor do evento.

“A expectativa em relação a esta edição é enorme, o line up está muito forte e a novidades são muitas. O festival a cada ano fica mais conhecido pela mídia e pelas pessoas. Outro fator de grande expectativa positiva é a nova prefeitura, que vê o festival como a menina dos olhos na área de turismo, porque a cidade tem que retomar a sua vocação natural, que é ser uma cidade turística”, conta Mattos.

Uma das características do festival é dar peso igual para todos os músicos, sejam eles brasileiros ou não. Claro que sempre há as grandes atrações internacionais, mas até mesmo os artistas estrangeiros reconhecem a importância da música brasileira.

“Meu profundo respeito por músicos brasileiros começou em Nova York, quando eu era um jovem músico, cerca de 18 ou 19 anos de idade. Durante esse tempo, tive a sorte de viver parte do meu tempo com Flora Purim e Airto Moreira. Através deles, eu tive contato com seus amigos que os visitavam incluindo Antonio Carlos Jobim, Hermeto Pascoal, Sivuca e muitos outros. Stan Getz era um grande fã da música brasileira e eu tive a oportunidade de tocar uma semana com Stan e Astrud e João Gilberto. Uma das minhas melhores lembranças foi passar uma hora ao redor do piano com Antonio Carlos Jobim na década de 70”, lembra Stanley Clarke.

Um dos momentos que prometem emocionar o público é a homenagem que será feita ao músico Celso Blues Boy, considerado o melhor guitarrista de blues já surgido no Brasil e que faleceu em 2012. O tributo, que fecha a segunda noite do festival no palco principal, na Costa Azul, vai contar com as presenças de Márcio Saraiva (bateria e vocais), Marcos Amorim (guitarra) e Roberto Lly (baixo), além do gaitista Jefferson Gonçalves e de outro grande nome do blues nacional, o guitarrista Big Joe Manfra.

E, mesmo antes do início da edição de 2013, os planos para 2014 já se mostram ainda mais ambiciosos.

“O sonho é agora poder tirar do papel um grande sonho que é estender o festival por dois finais de semana, aumentando, com isto, o número de atrações e maior rentabilidade para a cidade através do maior fluxo de turistas”, conta Stênio Mattos.

Confira a programação completa

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Medo dos estádios da Copa

Cobertura Fonte NovaSe tinha algo sobre o qual não pairava nenhuma dúvida na minha mente era de que os estádios construídos para a Copa do Mundo estariam funcionando plenamente e que esse seria um item com os quais os brasileiros não precisariam se preocupar. Porém, os últimos acontecimentos já me deixam dúvidas de que eles podem acabar se tornando um grande mico para o país.

O que vi no Mineirão – falta de iluminação do lado de fora do estádio, encanamento de esgoto jorrando merda (literalmente) pelos corredores e engarrafamento monstro na saída do estádio -, aliado aos relatos da falta de infraestrutura no entorno do Castelão, até mesmo com ruas inacabadas, os problemas relatados por coleguinhas no Mané Garrincha – a mesma falta de iluminação externa encontrada no Mineirão, cadeiras numeradas inexistentes e total falta de informações para os torcedores de como encontrar seus lugares, deixam a gente assustado. Isso, sem contar no imenso canteiro de obras que existe no entorno do Maracanã e o inacreditável e inaceitável problema com a cobertura da Fonte Nova, que já teve problemas com menos de 1 semana de uso, por conta de uma chuva!

Merda no MineirãoO fechamento do Engenhão e a queda de uma grade no estádio do Grêmio (arena é um termo que não faz sentido ser usado por aqui), já deixavam dúvidas sobre a qualidade dos projetos, dos materiais utilizados nas construções e da seriedade dos responsáveis pelos clubes em relação à segurança dos torcedores.

Incrível pensar que nenhum dos novos e caríssimos estádios tenha uma cobertura retrátil, o que poderia minimizar os problemas com chuvas e ventos, embora pudesse criar novos “defeitos“. Essa “quebra” na Fonte Nova (que poderia ter ferido muita gente, caso ocorresse em dia de jogo) é motivo mais que suficiente para que todos (governantes, imprensa, empreiteiros e torcedores) liguem o alerta vermelho.

Um desempenho pífio da seleção pode ser aceitável, não ter aeroportos, ruas, rodovias e um sistema de transporte viário decente (nem vamos falar de metrô), também pode ser tolerado, mas estádios novos caindo na cabeça das pessoas é inadmissível.

Que Deus nos ajude.

Sky permite gravar programas pelo Twitter

Parece bem interessante!

Logo SkyOs assinantes da Sky ganharam uma ferramenta que permite gravar a programação através de comandos dados pelo Twitter. O projeto #Skyrec foi desenvolvido pela AgênciaClick Isobar em parceria com a operadora. Além de melhorar a experiência com o consumidor através das redes sociais, a Sky também levou em consideração os hábitos de vida das pessoas.

A operadora registrou que os assinantes costumam checar o Twitter e retuitar posts de interesse constantemente, e não visitam o site da operadora para agendar uma gravação. A ferramenta facilita a forma de gravar um programa, já que normalmente os telespectadores estão fazendo uso das redes sociais enquanto assistem a televisão.

Para gravar, o cliente Sky precisa se cadastrar no site da operadora e inserir seu nome de usuário do Twitter, que ficará linkado automaticamente com o número da assinatura. O cliente precisa seguir o perfil oficial da operadora no Brasil (@skybrasil), que tuíta toda a programação. Para agendar a gravação, basta retuitar a mensagem do perfil oficial com o conteúdo desejado com a hastag #skyrec. O programa será gravado no equipamento da cada do assinante.

Para Fred Saldanha, vice-presidente executivo de criação da AgênciaClick Isobar, o serviço dá um novo sentido para o Twitter da Sky, além de gerar mídia espontânea para a marca.


Fonte: Meio & Mensagem

Como foi o show de Eric Clapton no Royal Albert Hall em 24 de maio de 2013

Eric Clapton ar RAL maio 2013Conforme prometido no post Um Dia Triste, aqui vai um relato do show de Eric Clapton no Royal Albert Hall em 24 de maio de 2013

Continuando a sua turnê no Royal Albert Hall desse ano, quando completa 50 anos de carreira – Eric Clapton continua mostrando uma boa interação com a nova banda* e poucas mudanças no repertório que vem tocando desde o início da nova tour, nos Estados Unidos.

Os relatos dos fãs são unânimes em dizer que a decisão de dar espaço para que os companheiros de palco solem com mais destaque, fazendo com que Eric tenha menos e mais brilhantes momentos comandando a banda.

Eric Clapton at RAL maio 2013 IINão há mudanças na maneira de tratar o público. Para aqueles que reclamaram das poucas palavras dirigidas por EC aos brasileiros durante os shows, fica o comentário de uma fã londrina: “Eric continua com seus poucos Thank You, o que é mais que suficiente. Afinal, somos ingleses“.

Posto um filme de 30 minutos com pedaços do show do dia 23 e uma música do dia 24 para que vocês mesmos possam tirar suas conclusões sobre como deve ter sido estar lá.



See you next time.

Setlist

Setlist
1. Hello Old Friend
2. My Father’s Eyes
3. Tell The Truth
4. Gotta Get Over
5. Black Cat Bone
6. Got To Get Better In A Little While
7. Come Rain Come Shine
8. Badge
9. Driftin’
10. Nobody Knows You When You’re Down And Out
11. Ain’t Easy (ft. PauI Carrack)
12. Layla
13. Tears In Heaven
14. Stones In My Passway
15. Wonderful Tonight
16. Blues Power
17. Love In Vain
18. Crossroads
19. Little Queen of Spades
20. Cocaine
Encore:
21. Sunshine Of Your Love (with Gary Clark Jr.)
22. High Time We Went (ft. Paul Carrack) (with Gary Clark Jr.)

*Banda

Guitar, Vocals – Eric Clapton
Guitar – Doyle Bramhall II
Pedal Steel Guitar – Greg Leisz
Bass Guitar – Willie Weeks
Keyboards – Chris Stainton
Keyboards – Paul Carrack
Drums – Steve Jordan
Backing Vocals – Sharon White
Backing Vocals – Michelle John

Thiago Varze – Tempo de Ser

ThiagoVarze_TempodeSer_CapaO cantor e compositor Thiago Varze lança seu segundo CD, Tempo de Ser e deixa nos ouvintes aquela sensação de estarmos diante de um artista com muito para dizer. Está certo que também deixa uma sensação familiar, com alguns momentos bastante djavanescos, como nos melhores momentos do compositor alagoano.

Com letras que encaixam bem nas melodias e que falam de temas do nosso cotidiano, Thiago mostra que ainda é possível, por exemplo, falar de amor sem cair em lugares comuns (Quero Ver/O Nascer do Sol com Você/Sentir o Mar Tocar Nossos Pés/Despertar Para Tudo o Que se Quer Viver/Notar Que Somos Muito Mais e Ir Além). Mas Thiago vai além. Na boa A Voz do Brasil – que conta com a participação de Pedro Mariano e tem cara e jeito de hit – ele aproveita para falar de um Brasil que é tão atual hoje quanto era décadas atrás (Diz ai Meu Irmão/A Barra Tá Pesando Pra Todo Cidadão/Nunca Vi Tanta Miséria/Nem na Escola se Tem Educação/Tem Criança com Fome/É o Carro do Brasil na Contramão).

Com arranjos bem resolvidos e um inegável apelo pop da melhor qualidade, Thiago Varze vai contando histórias e criando um disco que cresce a cada audição. Em um país onde costuma-se dizer que nasce uma cantora a cada minuto, é muito bom ver o amadurecimento de um novo talento masculino da MPB. Se algumas semelhanças com os compassos, as divisões rítmicas e até mesmo o cantar de Djavan podem surgir aqui e ali, fica claro que Thiago Varze tem talento para encontrar o seu Tempo de Ser, se é que já não o encontrou.

O sofrimento vascaíno – versão 2013

vasco-da-gamaO sofrimento vascaíno no Campeonato Brasileiro de 2013 começou com uma partida em casa contra a Portuguesa, equipe que disputou a segunda divisão de São Paulo. Sem o mito Dedé, a equipe que entrou em campo era recheado de rostos e nomes desconhecidos e, aqueles que já eram familiares, bem que poderiam ser esquecidos.

Éder Luís continua mal e a ausência do Carlos Alberto -não que ele seja um jogador imprescindível – por não estar bem fisicamente é inexplicável. O cara foi pego no antidoping, o time estava fora do carioca e ele não está bem condicionado?

Bem, com o time que se apresentou, a coisa vai ser dura. Devemos comemorar sempre que ficarmos acima do 15° lugar.

Até a primeira vitória.

The Doors Live at the Bowl ‘68 traz registro histórico da banda

the-doors-live-at-the-bowlO The Doors ficou famoso pelas loucuras de seu vocalista, Jim Morrison, que morreu em 1971, e, mesmo depois de alguns discos sem a sua presença, nunca conseguiu se desvencilhar da imagem do rebelde que soltava a voz em Light My Fire. Mas o grupo era bem mais que isso. O tecladista Ray Manzarek (morto nesta terça em decorrência de um câncer), o baterista John Densmore e o guitarrista Robby Krieger faziam uma cozinha (sem a presença de um baixo – pelo menos nos shows) da melhor qualidade, como pode ser conferido no DVD Live at the Bowl ‘68 (ST2), que traz o registro do concerto realizado no histórico palco do Hollywood Bowl.

Como tem acontecido com 99,37% dos relançamentos de concertos de rock, o trabalho de restauração de imagem e a inclusão do áudio 5.1 são mais do que suficientes para levar os fãs a gastarem seus suados reais, mas, além da melhora na qualidade, o DVD ainda traz documentários, entrevistas com membros do grupo e apresentações extras de Light My Fire e Wild Child, nos programas de TV norte-americanos Smothers Brothers e Jonathan Winters Show, respectivamente.


Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Um dia triste

Hoje eu deveria estar confortavelmente sentado no Royal Albert Hall para assistir a um dos concertos de Eric Clapton, que está comemorando 50 anos de carreira. Viagem cancelada, ingressos vendidos e uma tristeza profunda na alma.

Mais tarde conto aqui como foi o show que perdi.

EC Ticket

Mulher de 105 anos diz que o segredo para uma vida longa é bacon

BaconEssa eu postei primeiro no Facebook primeiro, mas merece entrar aqui no F(r)ases da Vida. Como já afirmei algumas vezes bacon é vida! Nunca vi alguém sofrer uma intoxicação alimentar por conta desse saudável e natural alimento. Isso é coisa para batata e outros legumes. Agora, vem uma anciã, no auge dos seus 105 anos, dizer que o segredo para a sua longevidade é o…BACON!

Pearl Cantrell, a nossa garotona de 105 anos, jura que a verdadeira fonte de juventude é o bacon. A norte-americana disse comer bacon todos os dias e que isso ajuda o seu coração.

É ou não é para sair correndo e subir no primeiro pé de bacon que encontrarmos pela frente?

Guilherme Arantes – Condição Humana – Crítica

Vomitando talento, Guilherme Arantes volta com álbum sem concessões e bem feito

GA_PROPOSTA-11032013-ROTACIONADO-out.inddO tom de independência e até mesmo alguma raiva do texto escrito pelo próprio Guilherme Arantes para apresentar seu novo trabalho – Condição Humana (Sobre o Tempo) – já dá uma pista da orientação do disco: um resgate ao som que o tornou famoso e moldou sucessos como Aprendendo a Jogar, Deixa Chover, Planeta Água, O melhor vai começar e Meu Mundo e Nada Mais.

“Desta vez foi mandatório não fazer nenhuma concessão e não ficar ouvindo abobrinha de nenhum produtor que tenha caído ‘de paraquedas’ no meu trabalho…”, sentencia.

A decisão fica clara logo nos primeiros acordes da faixa-título, que abre o álbum, onde realmente os sons das décadas de 70 e 80 vêm logo à mente. Versos como “Quando somos jovens/Tantos sonhos são para durar/Muitos só nos álbuns/De memória para guardar” poderiam sugerir pura nostalgia, mas Arantes está mais atual do que nunca.

Nesse primeiro disco em sete anos há romantismo, mas também há indignação com a corrupção e “os ratos dos governos invariavelmente por trás de toda a perversidade e sacanagem do mundo”.

O cantor/pianista dispara opiniões cheias de atitude e honestidade, em canções onde as melodias não ficam em segundo plano.

“Eu precisava vomitar um disco que viesse sanguinolento, com guts, com ‘culhões’ de quem tem o que dizer e está pouco se lixando se o mundo vai aceitar ou não”.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Os “mauricinhos e patricinhas” do Bolsa Família

Bolsa Família IINo último fim de semana uma série de boatos envolvendo o programa Bolsa Família inundou o país, através da internet e do bom e velho boca a boca. Os rumores eram vários – fim do programa, depósito de uma quantia extra, etc – e ocasionaram filas enormes nas agências bancárias, confusão e até quebra-quebra (com hífen?). Porém, o que mais me impressionou foi o nível das pessoas que foram procurar o seu benefício e as explicações sobre como souberam das notícias.

Até onde eu saiba, o Bolsa Família é destinado para pessoas de baixíssima renda (que recebem entre R$ 70 e R$ 140), o que me leva a crer que são pessoas humildes, que moram em locais distantes e, consequentemente, têm pouca instrução. Porém, o que se via eram pessoas bem vestidas, crianças muitíssimo bem alimentadas e cuidadas (ainda bem). Algumas delas chegaram a afirmar que souberam dos boatos pela internet?

INTERVALO

Como assim, soube pela internet?? Pessoas que recebem o Bolsa Família têm internet em casa?

FIM DO INTERVALO

Bolsa Família IPelo jeito o assistencialismo, o jeitinho e a corrupção estão falando bem mais alto na hora de escolher quem deve ter direito ao benefício. Aliás, a quantidade de Bolsas que existem é de assustar. O Auxílio Reclusão, por exemplo, é maior do que a maioria das aposentadorias pagas no país! Gente, na boa, até achava justo cotas para negros e pobres e alguns desses auxílios monetários, mas o uso desses mecanismos para beneficiar quem não merece e angariar votos é nojento.

Será que essas políticas populistas vão mesmo ajudar no desenvolvimento do nosso país?

PS: A culpa não é apenas dos políticos, mas também da parte da população que prefere chupar qualquer ganho fácil (eco da Lei de Gérson).

Duofel pulsando Música Popular Brasileira

capa em altaFormado em 1978 pelos músicos Fernando Melo e Luiz Bueno, o Duofel vem escrevendo um dos capítulos mais bonitos da música instrumental brasileira. Exímios violonistas, a dupla encanta com arranjos criativos e sonoridades nada óbvias, seja em composições próprias ou de mestres do erudito ou popular, como os Beatles.

O novo trabalho do duo é o elegante e excelente Duofel pulsando MPB (selo Fine Music), onde os diversos violões recriam canções de gênios da nossa música, como Chico Buarque (Construção/Cotidiano/Deus lhe Pague), Tom Jobim e Vinícius de Morais (Água de Beber), Dorival Caymmi (O Vento), Geraldo Vandré (Disparada) e Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro (Palhaço).

Sempre longe do lugar comum, Luiz e Fernando dão novas roupagens e encontram acordes escondidos e que se encaixam perfeitamente no contexto de cada uma das interpretações. Difícil explicar o que eles fazem com cada uma das canções, seja com os violões de seis ou 12 cordas, ou com o uso de arcos.

O resultado é sempre a abertura de um novo horizonte, mesmo para os temas mais familiares. Exatamente como diz o texto de divulgação que acompanha o disco. O Duofel constrói sons como verdadeiros artesãos.

O Duofel é daquelas coisas que nos dá orgulho de ser brasileiro.

Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

Miltinho – O rei do sambalanço revisado

Box MILTINHO 1 perspectivaContinuando o trabalho de resgate da memória musical de grandes nomes da MPB, o selo Discobertas reedita 12 discos lançados pelo cantor Miltinho, considerado o rei do sambalanço, na década de 60. Os discos vêm em duas caixas de seis CDs cada – Miltinho Anos 60 Vol. 1 e Miltinho Anos 60 Vol. 2 – e trazem alguns discos primordiais para entender o grande sucesso alcançado pelo artista.

Pode ser que muitos dos jovens fãs de samba apenas conheçam algumas das canções que se tornaram conhecidas por conta da interpretação cheia de bossa de Miltinho na voz de artistas da nova geração, mas músicas como Samba do Balanço dificilmente terão registro mais singular do que os de Miltinho.

Box MILTINHO 2 perspectivaNa primeira caixa estão os discos Um Novo Astro (1960), O Diploma do Astro (1960), Miltinho (1961), Poema do Adeus (1961), Miltinho é Samba (1962) e Poema do Olhar (1962). Já na segunda, encontramos Os grandes sucessos de Miltinho (1962), Eu… Miltinho (1963), Canção do nosso amor (1963), Bossa & Balanço (1964), Poema do Fim (1965) e Miltinho ao Vivo (1965), quase todos indispensáveis para o entendimento de uma época onde a quantidade de influências em nossa música era combustível para uma variedade de perfis que talvez nunca mais se repita.

Mas não pense que tudo é ritmo e balanço. Há lamentos, baladas e sambas tristes. Tudo com um belo trabalho de remasterização, que passam por cima de qualquer deficiência técnica dos estúdios de gravação tupiniquins daquele tempo.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

The Rolling Stones Crossfire Hurricane

Filme oficial conta os 50 anos de carreira da icônica banda de rock

stonescrossO filme oficial que conta os 50 anos de carreira dos Rolling StonesCrossfire Hurricane (ST2) – é bem a cara da banda: uma grande confusão que funciona. Ao contrário dos Beatles, que, assim como eram os “bons rapazes” e seu Anthology é uma perfeita cronologia, Crossfire Hurricane segue a lógica nem sempre correta dos Stones. Baseado em entrevistas recentes com todos os membros oficiais da banda em todas as suas formações (com exceção de Brian Jones, claro), o filme mostra em pouco mais de 2 horas a história da maior banda de rock de todos os tempos.

Com várias cenas tiradas dos DVDs lançados recentemente com material da banda – Stones in Exile, Ladies and Gentlemen, Charlie is My Darling e Some Girls – episódios da trajetória do grupo são narrados com o que resta de memória de Keith Richards, Mick Jagger, Charlie Watts, Bill Wyman, Ron Wood e Mick Taylor. Aliás, ótimo ver que os atuais Stones tiveram a humildade de usar Bill Wyman como consultor histórico. Não apenas o ex-baixista sempre foi o que mais se preocupou em preservar o legado da banda, como era o único que, por exemplo, passou ao largo do vasto coquetel de drogas que regava a vida dos seus companheiros, transformando-o em uma fonte bastante confiável.

Como todo produto oficial, a maior parte das podridões é deixada de lado ou amenizada. A decadência física e mental de Brian Jones, por exemplo, é até bastante comentada, mas bem pouco mostrada em imagens. O mesmo acontece com o episódio da saída de Mick Taylor, onde apenas o próprio guitarrista parece dar um depoimento verdadeiro sobre o caso.

Crossfire Hurricane é essencial para os que gostam do bom e velho rock’n’roll e para quem curte o som dos feiosos anti-Beatles.


Uma versão desse texto também foi publicado no jornal O Fluminense

A soberba do futebol brasileiro

Campeonato-Brasileiro-2012Ao contrário do que pregava Nelson Rodrigues, que dizia que tínhamos um “complexo de vira-latas“, o futebol brasileiro parece estar acometido (já faz um bom tempo) de uma inexplicável soberba. Depois de termos seleções, times e jogadores de primeira linha – apesar da péssima situação econômica do país -, nossos dirigentes, torcedores e jornalistas parecem viver em uma realidade paralela que em nada ajuda o desenvolvimento do velho esporte bretão.

Parece que as péssimas apresentações da Seleção Brasileira (que está na posição mais baixa no ranking da Fifa desde que este foi implantado) e as diversas transmissões de jogos da Europa (praticamente diários) não são suficientes para fazer com que técnicos dirigentes, torcedores e (mais uma vez) jornalistas parem para refletir sobre a razão desse nosso declínio. Declínio que é maquiado sempre que algo de importância duvidosa acontece a nosso favor, como foi a classificação de seis times brasileiros para a fase de mata-mata da Copa Libertadores.

Foi um festival de declarações exaltando a força de nossos elencos, a qualidade técnica de nossos jogadores, a excelência de nossos treinadores… Afinal, o Boca Juniors está meia boca, o Tijuana é fraco, assim como o Olimpia e todos os outros times da América do Sul. Era a prova de nossa superioridade e de que podemos, sim, entrar como favoritos em qualquer competição, mesmo que alemães, argentinos, espanhóis e italianos também estejam nela.

O resultado? Das seis potências, apenas quatro passaram pelos seus adversários, sendo que um dos confrontos era entre brasileiros. O único classificado contra estrangeiro – o Fluminense – teve de suar sangue para conseguir a sua vaga. Os três paulistas – São Paulo, Palmeiras e Corinthians – não mostraram força para superar adversários mais fraco” e agora falam até em complô contra brasileiros e não em má qualidade de jogadores ou esquemas.

Até quando vão insistir em comparar o Neymar ao Messi, em convocar o Julio Cesar, em ressuscitar o Felipão, em não mudar o colégio eleitoral da CBF, em não ver que tudo precisa mudar?

Até mesmo as diferenças regionais que poderiam nos dar alguma vantagem (ou causar problemas para as outras seleções na Copa) foram abandonadas. O gramado do Maracanã foi diminuído, a grama do Mineirão – que sempre foi muito alta e fazia o jogo ficar mais lento – foi aparado e ficou parecido com os gramados ingleses, o sol que faz no Norte do país, assim como a grande distância com o Sul, deixou de ser uma arma para “cansar” nossos adversários (dane-se a logística de deslocamento). Enfim, vencer vai ser (tomara que não) impossível.

Hora de vestir as Sandálias da Humildade!

Paul McCartney in Fortaleza – 9 de maio de 2013

Paul McCartney BRASIL 2013Finalmente o fim” da saga de Paul McCartney em terras brasileiras nesse primeiro semestre. Infelizmente não pude estar presente ao último concerto de Paul, que mais uma vez não mudou o setlist e o mais inusitado ficou por conta de um casal que subiu ao palco para que o namorado pedisse a namorada em casamento (veja o vídeo).

Paul termina o giro pelo Brasil com um show pronto, embora ainda devam aparecer surpresas no repertório. A estada por aqui foi tão boa que Paul enviou uma mensagem ao público brasileiro (leia abaixo).


Aproveito para colocar também a página em português que foi incluída no programa da turnê brasileira e que conta com alguns pitacos meus.

O público brasileiro é incrível, e essa é a razão de nós voltarmos. Todos os shows dessa semana foram incríveis. A multidão foi simplesmente maravilhosa e é claro que em Goiânia, com a presença dos gafanhotos, foi inacreditável. Ninguém viu que eles estavam vindo!

Eu quero agradecer a todos que vieram nos ver, nós tivemos um grande momento. Eu, a banda e toda a equipe tivemos uma experiência maravilhosa, e em parte o mérito é da reação da plateia. Então, obrigado a todos por serem tão legais, por estarem sempre prontos para se divertir e por amar nossa música.

Paul McCartney

Programa Out There em português

Leia sobre os shows de Belo Horizonte e Goiânia

Foto: Marcos Hermes/Divulgação

 

Paul McCartney em Goiânia – 6/5/2013 ou O Ataque dos Gafanhotos Assassinos

Paul McCartney BRASIL 2013Depois da parada em Belo Horizonte, Paul e sua trupe foram para Goiânia, para um show no Serra Dourada, em uma improvável segunda-feira. Confesso que tive medo do show se tornar um fracasso de público, pelo local, pela distância, os preços e a falta de tradição da cidade em receber um evento desse porte. Jamais imaginaria que o show acabaria se transformando em um dos momentos mais marcantes de todas as apresentações de Paul por essas bandas.

Se o repertório não mudou nem uma vírgula, a banda estava bem mais ajustada e as canções novas foram executadas com muito mais segurança, embora Paul tenha errado duas vezes na abertura de Hi Hi Hi, provando, segundo ele, “que estamos tocando ao vivo“, o concerto foi marcado pela invasão de uma nuvem de gafanhotos que tomou conta do palco e dividiu o espetáculo com os músicos da banda e, principalmente, Paul. Minha impressão de que havia algo estranho começou logo ao entrar na pista vip e olhar para os telões. Eles estavam cheios de pontos escuros que pareciam buracos, coisa pouco comum para os shows de Macca, que sempre utiliza material de primeira, mas…vai que… Quando Chris Holmes – DJ que faz um esquenta antes do show de Sir Paul – começou o seu set alguns insetos (que até ai eu achava que eram mariposas) começaram a voar, de maneira inocente. Porém, quando o filme que antecede a entrada dos músicos começou é que eu tive noção de que eram insetos mais parrudos. Preocupação total!

Paul McCartney Out There Tour 2013Entrando no palco com um terno rosa, Paul não parecia ter notado a presença dos seus amiguinhos alados. Como disse antes, Paul não inovou no repertório (coisa rara), parecendo mais preocupado em azeitar as novas canções e a estrutura do novo palco do que em acrescentar mais novidades ao set. Essa decisão reforça a minha tese de que os artistas não precisam se reinventar a cada novo lançamento, a cada nova turnê, basta fazer bem o que sabe, com uma pequena apimentada no molho. É infalível.

Se nas primeiras canções os insetos pareciam não incomodar (embora as fotos mostrem que já havia um deles no terno de Paul desde a primeira música), foi ele ir para o primeiro set ao piano que a coisa se complicou de vez. A luz sobre Paul, que a essa altura já estava apenas com sua camisa branca, foi mortal. Nuvens dos bichos alados voaram sobre e pousaram no ex-beatle, que levou tudo na boa – tenho certeza de que a maior parte dos grandes astros teria simplesmente desistido do concerto.

Paul McCartney Out There Tour 2013Vale ressaltar que o som de Goiânia foi o melhor que já ouvi em um concerto de McCartney até hoje. Simplesmente perfeita a qualidade e mixagem, provavelmente em decorrência do esporro que deve ter rolado depois dos problemas em Belo Horizonte e que foram algo totalmente incomum para um concerto de alguém tão perfecionista quanto Sir Paul.

Harold – O Gafanhoto – vira um astro

A coisa ficou tão fora de controle que um dos gafanhotos tentou entrar no ouvido de Macca, fazendo-o perder o rumo durante My Valentine. Paul aproveitou para adotá-lo e apresentá-lo ao público. Assim nasceu Harold (veja o vídeo abaixo), que virou celebridade em jornais de todo o mundo.

Harold acabou fazendo backing (bem, Paul tentou) em várias canções e, apesar do incômodo visível de Wix e Abe, o show foi bem até o fim, com Paul esticando algumas canções, como no solo de The End.

Goiânia I - MJ KimDepois do show, os músicos postaram tweets bem-humorados, perguntando se no próximo show iriam encontrar sapos voadores ou dizendo que se os gafanhotos quiserem entrar na banda, precisam ensaiar mais. Alguns dias depois, Paul postou um vídeo onde é possível ter uma ideia de como foi a invasão verde.

Um adendo

Sei que vou ser massacrado, mas tenho que comentar. O que é Goiânia? Uma cidade que tem várias ruas com o mesmo nome, pouquíssimos lugares abertos até tarde (mesmo com um show dessa envergadura e não contando os podrões) e uma total falta de atrativos. Vale pelo povo, super simpático e prestativo, mas só.


Fotos: Marcos Hermes e MJ Kim

“Ê trem bão, sô” ou Paul McCartney in Belo Horizonte – 4/5/2013 – A crítica

Paul McCartney BRASIL 2013Paul McCartney repaginou a sua Disneylândia musical nesse giro 2013 pelo Brasil. O show da noite do sábado (4 de maio) no Mineirão, em Belo Horizonte, levou os mais de 52 mil fãs presentes, muitos deles constituídos de pais que levaram seus filhos para conhecer o dono – pelo menos intelectual – de um dos maiores e mais amados catálogos musicais de todos os tempos. E quem esteve lá não se decepcionou. Paul, que subiu ao palco poucos minutos antes do horário previsto, 21h30, manteve a estrutura de suas últimas turnês, misturando canções dos Beatles, Wings e da carreira solo, todas amplamente conhecidas e cantadas a plenos pulmões por uma platéia, mas mostrou suas armas logo na primeira canção da noite, Eight Days a Week, que só havia sido tocada ao vivo uma vez pelos Beatles e nunca por Paul em sua carreira solo*- *essa informação foi divulgada até no site oficial do Paul, mas juro que nunca vi essa performance. Lembro apenas deles dublando a música em um programa de TV -, mas essa era apenas a primeira surpresa da noite!


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Hipnotizada pelo carisma e simpatia de um artista que faz questão de agradecer sempre, demonstrar a sua satisfação e ainda binda os locais com palavras e frases tipicamente mineiras – “Povo bão” e “Ê trem bão, sô”, por exemplo – o público foi brindado com várias novas canções, algumas delas tocadas pela primeira vez em qualquer lugar do planeta, como os casos de Your Mother Should Know, All Together Now, Being For The Benefit Of Mr. Kite e Lovely Rita, além de resgatar algumas canções que não eram interpretadas faz muito tempo, algumas delas esquecidas por mais de 30 anos, como Hi Hi Hi, Listen to What the Man Said e Another Day (que foi tocada pela última vez em 1993). Uma mudança de quase 1/3 do repertório das apresentações anteriores no país, um recorde em termos de Paul McCartney, que ainda tem algumas canções ensaiadas e guardadas na manga para os próximos shows. Mas, apesar de sua turnê Out There ser totalmente nova – alguns elementos, são similares a Up and Coming e On the Run, que passaram pelo Brasil em 2010, 2011 e 2012 – Paul surpreendeu. O palco, apesar de contar com uma plataforma que subia vários metros levando Paul literalmente as alturas, era distribuído de maneira similar, permitindo ao músico se dividir entre baixo, guitarra, violões e pianos com naturalidade. As novas canções funcionaram perfeitamente e trouxeram um ar de novidade para brinquedos que são mais que manjados mas que todos adoram, como Hey Jude e Yesterday.

Paul McCartney BRASIL 2013– Foi emocionante. Todas as vezes ele consegue fazer trazer algo novo que acaba nos deixando com um sorriso involuntário no rosto – disse Francisco Henrique Ribeiro, veterano de 12 shows de McCartney e que viajou do Rio para acompanhar mais essa apresentação.

A turnê de Paul McCartney segue ainda para Fortaleza, onde o ex-beatle se apresenta na quinta-feira, dia 9. Fica a torcida para que o músico continue vindo ao Brasil e resolva repetir o histórico concerto que realizou em 1990 no Maracanã, quando 184 mil pessoas lotaram o estádio, colocando o evento até mesmo no Livro dos Recordes.

Mantendo o legado Beatle, Paul McCartney surpreendeu com as mudanças no repertório. Não mostrou nenhuma canção do novo disco – que será lançado ainda este ano – e usou como base para as novidades o período mais psicodélico dos Beatles, entre 1967 e 1968. Dessa época o músico buscou de seu catálogo canções como Your Mother Should Know, All Together Now, Lovely Rita e Being For The Benefit Of Mr. Kite (essa do eterno parceiro John Lennon).  Os outros números que debutaram em Belo Horizonte foram pinçadas da sua carreira solo e do seu período com os Wings, com destaque para a versão de Hi Hi Hi, fiel ao compacto e bastante diferente da tocada em 1976.. As escolhas foram certeiras, pois além de surpreenderem, mostraram total compreensão de como dominar uma platéia.

Depois de Ob-La-Di, Ob-La-Da e Mrs. Vandebilt – canções que estão longe de serem obras primas, mas que se tornaram preferidas do público – é a vez da simpática bobagem musical All Together Now cair nas graças do público. Com uma letra inofensiva, mas um refrão que sugere a participação de todos, a canção acabou sendo um dos pontos altos da apresentação de Paul. Segundo as más línguas, McCartney ainda teria mais surpresas preparadas para suas próximas apresentações.

*Confira os vídeos de algumas das novas canções apresentadas por Paul em primeira mão no Brasil






Paul McCartney BRASIL 2013Set list (Belo Horizonte)

** Eight Days a Week
Junior’s Farm
All My Loving
**Listen to What the Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
1985
The Long and Winding Roa
Maybe I’m Amazed
Hope of Deliverance
We Can Work It Out
**Another Day
And I Love Her
Here Today
**Your Mother Should Know
Lady Madonna
**All Together Now
Mrs. Vandebilt
Eleanor Rigby
**Being For The Benefit Of Mr. Kite
Something
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Band On The Run
**Hi Hi Hi
Back In The USSR
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Bis
Day Tripper
Lovely Rita
Get Back

Bis II
Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Imagina na Copa

Paul McCartney BRASIL 2013Mas nem tudo foi festa e alegria. O Mineirão voltou a apresentar vários problemas e até mesmo o som do espetáculo deu uma rateada, falhando durante as canções Ob-La-Di, Ob-La-Da e Band On The Run. Quem chegou antes das 17h encontrou um ótimo esquema de trânsito e tranqüilidade do lado de fora do estádio, nenhum cambista ou camelô. Porém, essa situação foi mudando a medida que a hora do show se aproximava.

A primeira reclamação foi por conta da falta de ordem das filas, com muita falta de informação por conta da organização e falta de educação do público, que teimava em furar fila, protagonizando episódios que só terminaram com a intervenção da polícia. Depois, a constatação de que esqueceram de pensar na iluminação do entorno do Mineirão. Por volta das 18h já era praticamente impossível enxergar algo com clareza e os poucos postes com lâmpadas se mostraram totalmente insuficientes – um convite aos ladrões. Dentro do estádio, as mesmas reclamações dos eventos anteriores: banheiros insuficientes, sem água, comida cara e, para piorar, um encanamento de esgoto estourou, deixando parte de um dos corredores impraticável, literalmente na merda. Na saída, outro caos. O trânsito deu um nó e um percurso de pouco mais de 15 minutos se transformou em uma maratona de mais de 1h30. As autoridades terão muito trabalho para superar essas deficiências ou o bordão “imagina como vai ser na Copa” vai ser mais do que adequado.

Além dos problemas relatados no parágrafo anterior, fica também a constatação de que a rede hoteleira também precisa se preparar melhor. O pós-show foi um avanço ao bar do hotel onde estava, que fechou mais cedo já que todos os produtos comestíveis foram devorados pelos fãs mais famintos e mais rápidos. Sobrou o velho e bom podrão!

Fãs sortudos e endinheirados pagam caro e assistem ao ensaio antes do show

EbonySe os preços dos ingressos normais para os shows de McCartney no Brasil já não são muito baratos – entre R$ 150 e R$ 600 – o que pensar em pagar mais de US$ 1,5 mil? Esse é o preço que se paga pelo pacote Hot Sound que dá o privilégio de, além de chegar mais cedo e almoçar um cardápio vegetariano especialmente preparado para esses abastados, assistir ao soundcheck (passagem de som) que Paul e a banda fazem antes das apresentações. Nesses pequenos shows particulares (nunca para mais de 250 pessoas e que duram entre 40 minutos e 1h30) McCartney toca canções que normalmente não fazem parte do repertório da apresentação que fará a noite e não economiza a garganta. Não são poucos os rocks e canções gritadas executadas por ele (Blue Suede Shoes, Birthday e Honey Don’t, são figurinhas fáceis nos soundchecks).

– Durante o show, sem dúvida é emocionante ouvir o Paul cantar músicas lendárias como Yesterday e outros grandes clássicos. Mas ainda que o som esteja perfeito, existem aproximadamente 60 mil pessoas gritando, chorando, falando e cantando. Na passagem de som, a sensação de ouvir o som de forma extremamente limpa e clara, é fenomenal. Isso sem falar na interatividade com o público, que sem dúvida é muito maior.”, explica o economista Raphael Xavier Gomes Alves, de 26 anos, um veterano de cinco hotsounds.

Outra possibilidade que atrai os fãs é a chance de Paul chamar alguém para cantar com ele no palco alguma canção ou aceitar a sugestão de alguém da plateia e cantar uma música específica.

– O momento mais marcante ocorreu no dia 22 de maio de 2011, aproximadamente às 16h30, quando, após ler o cartaz que eu estava segurando, O Paul olhou pra mim e  disse: “Ok, vou tocar para você então, ok? Para você…” e começou a tocar Ebony and Ivory, que estava escrito no meu cartaz. Como se soubesse que eu estava duvidando que aquilo estava acontecendo, logo após terminar a música ele disse “Foi pra você, ok? Pra você!”. Eu fiz um sinal de “Ok” com a mão e aplaudi”, conta Raphael.

Raphael soundcheck PaulMas, mesmo tendo bala na agulha para pagar mais de R$ 3 mil por um ingresso fica a dúvida: vale a pena?

– Sem dúvida. Depois de ir pela primeira vez em Porto Alegre (2010), resolvi repetir a loucura em 2011, quando ele foi tocar no Engenhão. Um amigo meu, que, como eu coleciona discos e vídeos de Paul McCarney e que tem bem mais dinheiro que eu, me ligou dizendo que era um absurdo gastar tanto dinheiro para ver mais 1h de apresentação. Expliquei que foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida e que essa era uma extravagância que alguém que coleciona a música de Paul por mais de 30 anos pode ter. No fim, ele foi e ainda levou a filha e a irmã”, diz um outro veterano de soundcheks que preferiu não ter seu nome divulgado.

Para quem não pôde ou pode bancar essa extravagância (que é vendida apenas através do site do próprio McCartney), fica o registro do que ele tocou em Belo Horizonte.

Soundcheck (Belo Horizonte)

Blue Suede Shoes
Got To Get You Into My Life
Sing The Changes
Let ‘Em In
Calico Skies We Can Work It Out
Eight Days A Week
Being For The Benefit Of Mr. Kite
Lovely Rita
Another Day
Hope Of Deliverance
Listen To What The Man Said
Hi Hi Hi
All Together Now
Your Mother Should Know
Blackbird

Fotos: Marcos Hermes e Pedro Carrilho/Divulgação

Vídeos: Jo Nunes

Uma versão editada desse texto também foi publicada no jornal O Fluminense

Paul, eu também estarei lá – “Out There”

??????????????Está chegando a hora. Neste sábado, pelo quarto ano consecutivo, Paul McCartney me faz viajar pelo Brasil para assistir alguns de seus shows (alguns apenas como público e outros “a serviço“). Para quem achava que a vinda em 1993 (SP) poderia ter sido a última, já que foram 17 anos antes da volta (antes apenas dois shows no Maracanã), Sir Paul já está se tornando (graças a Deus) figurinha fácil em terra brasilis.

Se das vezes anteriores tudo era mais ou menos previsível, dessa há um frisson muito maior por conta das mudanças prometidas para a nova turnê. Ninguém sabe com certeza como será o pré-show, o palco ou quais músicas ele irá tocar. O mundo vira os olhos para o Brasil, não apenas por conta do ex-beatle, mas também para saber como vai funcionar um evento desse porte na estrutura montada em um dos “novos” estádios da Copa do Mundo.

Os que se aventurarem em ler este blog vão ter relatos sobre o show e o seu entorno. Espero que me leiam!

Relembre como foram as turnês de Paul pelo Brasil em 2010, 2011 e 2012

See you in Belo Horizonte!

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Stray Cats Live at Montreux 1981

STRAY CATS - LIVE AT MONTREUX 1981O rockabilly, ritmo que embalou muitas danças nas décadas de 1950 e 1960, é irresistivelmente dançante. O Stray Cats, formado em 1980 pelo guitarrista Brian Setzer, o baixista Lee Rocker e o baterista Slim Jim Phantom, logo se tornou ultrapopular ao resgatar o gênero. Agora, a ST2 coloca no mercado brasileiro o DVD Stray Cats Live at Montreux 1981, capturando o grupo no auge da fama.

Claro que o sucesso não era apenas por conta do saudosismo. O Stray Cats juntava um visual meio punk com boas canções de rock e, claro, clássicos como Be Bop a Lula, numa mistura explosivamente energética.

O repertório conta com os sucessos de início de carreira – Runaway Boys, Stray Cat Strut e Rock This Town – e coloca a plateia de Montreux em estado de graça.



Um versão deste texto também foi publicado no jornal O Fluminense