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Uma grande ideia – Os 71 anos de Sir Paul McCartney

Paul McCartney BRASIL 2013O dia 18 de junho ficará para sempre marcado na história como a data onde nasceu o maior gênio da música popular de todos os tempos: James Paul McCartney. Aos 71 anos, Sir Paul está vivendo uma das fases mais produtivas da vida, lançando novos trabalhos, relançando obras antigas e fazendo shows pelos quatro cantos do mundo, felizmente, incluindo o Brasil. Brasil, diga-se, que já tem o seu lugar no coração do eterno beatle, seja pelos 184 mil presentes em seu show do dia 21 de abril de 1990 (no velho Maracanã) seja pela abertura de sua nova turnê (Out There), em Belo Horizonte, seja pelos gafanhotos de Goiânia ou pelas inúmeras surpresas das plateias brasileiras em seus shows. Paul anda tão brasileiro que até vem falando um pouco de português em alguns shows fora do Brasil!

São pelo menos 5 décadas de uma música que mudou e ainda encanta o mundo.

Happy Birthday, Macca!

Love me Do


Get Back


My Love

Silly Love Songs


Venus and Mars/Rockshow/Jet


Press


No More Lonely Nights


Vídeo comigo


Vídeo Comigo II


Hey Jude (Rio de Janeiro 2011)


Gafanhotos

Pedido de casamento


Paul falando em português

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Paul McCartney in Fortaleza – 9 de maio de 2013

Paul McCartney BRASIL 2013Finalmente o fim” da saga de Paul McCartney em terras brasileiras nesse primeiro semestre. Infelizmente não pude estar presente ao último concerto de Paul, que mais uma vez não mudou o setlist e o mais inusitado ficou por conta de um casal que subiu ao palco para que o namorado pedisse a namorada em casamento (veja o vídeo).

Paul termina o giro pelo Brasil com um show pronto, embora ainda devam aparecer surpresas no repertório. A estada por aqui foi tão boa que Paul enviou uma mensagem ao público brasileiro (leia abaixo).


Aproveito para colocar também a página em português que foi incluída no programa da turnê brasileira e que conta com alguns pitacos meus.

O público brasileiro é incrível, e essa é a razão de nós voltarmos. Todos os shows dessa semana foram incríveis. A multidão foi simplesmente maravilhosa e é claro que em Goiânia, com a presença dos gafanhotos, foi inacreditável. Ninguém viu que eles estavam vindo!

Eu quero agradecer a todos que vieram nos ver, nós tivemos um grande momento. Eu, a banda e toda a equipe tivemos uma experiência maravilhosa, e em parte o mérito é da reação da plateia. Então, obrigado a todos por serem tão legais, por estarem sempre prontos para se divertir e por amar nossa música.

Paul McCartney

Programa Out There em português

Leia sobre os shows de Belo Horizonte e Goiânia

Foto: Marcos Hermes/Divulgação

 

Paul McCartney em Goiânia – 6/5/2013 ou O Ataque dos Gafanhotos Assassinos

Paul McCartney BRASIL 2013Depois da parada em Belo Horizonte, Paul e sua trupe foram para Goiânia, para um show no Serra Dourada, em uma improvável segunda-feira. Confesso que tive medo do show se tornar um fracasso de público, pelo local, pela distância, os preços e a falta de tradição da cidade em receber um evento desse porte. Jamais imaginaria que o show acabaria se transformando em um dos momentos mais marcantes de todas as apresentações de Paul por essas bandas.

Se o repertório não mudou nem uma vírgula, a banda estava bem mais ajustada e as canções novas foram executadas com muito mais segurança, embora Paul tenha errado duas vezes na abertura de Hi Hi Hi, provando, segundo ele, “que estamos tocando ao vivo“, o concerto foi marcado pela invasão de uma nuvem de gafanhotos que tomou conta do palco e dividiu o espetáculo com os músicos da banda e, principalmente, Paul. Minha impressão de que havia algo estranho começou logo ao entrar na pista vip e olhar para os telões. Eles estavam cheios de pontos escuros que pareciam buracos, coisa pouco comum para os shows de Macca, que sempre utiliza material de primeira, mas…vai que… Quando Chris Holmes – DJ que faz um esquenta antes do show de Sir Paul – começou o seu set alguns insetos (que até ai eu achava que eram mariposas) começaram a voar, de maneira inocente. Porém, quando o filme que antecede a entrada dos músicos começou é que eu tive noção de que eram insetos mais parrudos. Preocupação total!

Paul McCartney Out There Tour 2013Entrando no palco com um terno rosa, Paul não parecia ter notado a presença dos seus amiguinhos alados. Como disse antes, Paul não inovou no repertório (coisa rara), parecendo mais preocupado em azeitar as novas canções e a estrutura do novo palco do que em acrescentar mais novidades ao set. Essa decisão reforça a minha tese de que os artistas não precisam se reinventar a cada novo lançamento, a cada nova turnê, basta fazer bem o que sabe, com uma pequena apimentada no molho. É infalível.

Se nas primeiras canções os insetos pareciam não incomodar (embora as fotos mostrem que já havia um deles no terno de Paul desde a primeira música), foi ele ir para o primeiro set ao piano que a coisa se complicou de vez. A luz sobre Paul, que a essa altura já estava apenas com sua camisa branca, foi mortal. Nuvens dos bichos alados voaram sobre e pousaram no ex-beatle, que levou tudo na boa – tenho certeza de que a maior parte dos grandes astros teria simplesmente desistido do concerto.

Paul McCartney Out There Tour 2013Vale ressaltar que o som de Goiânia foi o melhor que já ouvi em um concerto de McCartney até hoje. Simplesmente perfeita a qualidade e mixagem, provavelmente em decorrência do esporro que deve ter rolado depois dos problemas em Belo Horizonte e que foram algo totalmente incomum para um concerto de alguém tão perfecionista quanto Sir Paul.

Harold – O Gafanhoto – vira um astro

A coisa ficou tão fora de controle que um dos gafanhotos tentou entrar no ouvido de Macca, fazendo-o perder o rumo durante My Valentine. Paul aproveitou para adotá-lo e apresentá-lo ao público. Assim nasceu Harold (veja o vídeo abaixo), que virou celebridade em jornais de todo o mundo.

Harold acabou fazendo backing (bem, Paul tentou) em várias canções e, apesar do incômodo visível de Wix e Abe, o show foi bem até o fim, com Paul esticando algumas canções, como no solo de The End.

Goiânia I - MJ KimDepois do show, os músicos postaram tweets bem-humorados, perguntando se no próximo show iriam encontrar sapos voadores ou dizendo que se os gafanhotos quiserem entrar na banda, precisam ensaiar mais. Alguns dias depois, Paul postou um vídeo onde é possível ter uma ideia de como foi a invasão verde.

Um adendo

Sei que vou ser massacrado, mas tenho que comentar. O que é Goiânia? Uma cidade que tem várias ruas com o mesmo nome, pouquíssimos lugares abertos até tarde (mesmo com um show dessa envergadura e não contando os podrões) e uma total falta de atrativos. Vale pelo povo, super simpático e prestativo, mas só.


Fotos: Marcos Hermes e MJ Kim

“Ê trem bão, sô” ou Paul McCartney in Belo Horizonte – 4/5/2013 – A crítica

Paul McCartney BRASIL 2013Paul McCartney repaginou a sua Disneylândia musical nesse giro 2013 pelo Brasil. O show da noite do sábado (4 de maio) no Mineirão, em Belo Horizonte, levou os mais de 52 mil fãs presentes, muitos deles constituídos de pais que levaram seus filhos para conhecer o dono – pelo menos intelectual – de um dos maiores e mais amados catálogos musicais de todos os tempos. E quem esteve lá não se decepcionou. Paul, que subiu ao palco poucos minutos antes do horário previsto, 21h30, manteve a estrutura de suas últimas turnês, misturando canções dos Beatles, Wings e da carreira solo, todas amplamente conhecidas e cantadas a plenos pulmões por uma platéia, mas mostrou suas armas logo na primeira canção da noite, Eight Days a Week, que só havia sido tocada ao vivo uma vez pelos Beatles e nunca por Paul em sua carreira solo*- *essa informação foi divulgada até no site oficial do Paul, mas juro que nunca vi essa performance. Lembro apenas deles dublando a música em um programa de TV -, mas essa era apenas a primeira surpresa da noite!


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Hipnotizada pelo carisma e simpatia de um artista que faz questão de agradecer sempre, demonstrar a sua satisfação e ainda binda os locais com palavras e frases tipicamente mineiras – “Povo bão” e “Ê trem bão, sô”, por exemplo – o público foi brindado com várias novas canções, algumas delas tocadas pela primeira vez em qualquer lugar do planeta, como os casos de Your Mother Should Know, All Together Now, Being For The Benefit Of Mr. Kite e Lovely Rita, além de resgatar algumas canções que não eram interpretadas faz muito tempo, algumas delas esquecidas por mais de 30 anos, como Hi Hi Hi, Listen to What the Man Said e Another Day (que foi tocada pela última vez em 1993). Uma mudança de quase 1/3 do repertório das apresentações anteriores no país, um recorde em termos de Paul McCartney, que ainda tem algumas canções ensaiadas e guardadas na manga para os próximos shows. Mas, apesar de sua turnê Out There ser totalmente nova – alguns elementos, são similares a Up and Coming e On the Run, que passaram pelo Brasil em 2010, 2011 e 2012 – Paul surpreendeu. O palco, apesar de contar com uma plataforma que subia vários metros levando Paul literalmente as alturas, era distribuído de maneira similar, permitindo ao músico se dividir entre baixo, guitarra, violões e pianos com naturalidade. As novas canções funcionaram perfeitamente e trouxeram um ar de novidade para brinquedos que são mais que manjados mas que todos adoram, como Hey Jude e Yesterday.

Paul McCartney BRASIL 2013– Foi emocionante. Todas as vezes ele consegue fazer trazer algo novo que acaba nos deixando com um sorriso involuntário no rosto – disse Francisco Henrique Ribeiro, veterano de 12 shows de McCartney e que viajou do Rio para acompanhar mais essa apresentação.

A turnê de Paul McCartney segue ainda para Fortaleza, onde o ex-beatle se apresenta na quinta-feira, dia 9. Fica a torcida para que o músico continue vindo ao Brasil e resolva repetir o histórico concerto que realizou em 1990 no Maracanã, quando 184 mil pessoas lotaram o estádio, colocando o evento até mesmo no Livro dos Recordes.

Mantendo o legado Beatle, Paul McCartney surpreendeu com as mudanças no repertório. Não mostrou nenhuma canção do novo disco – que será lançado ainda este ano – e usou como base para as novidades o período mais psicodélico dos Beatles, entre 1967 e 1968. Dessa época o músico buscou de seu catálogo canções como Your Mother Should Know, All Together Now, Lovely Rita e Being For The Benefit Of Mr. Kite (essa do eterno parceiro John Lennon).  Os outros números que debutaram em Belo Horizonte foram pinçadas da sua carreira solo e do seu período com os Wings, com destaque para a versão de Hi Hi Hi, fiel ao compacto e bastante diferente da tocada em 1976.. As escolhas foram certeiras, pois além de surpreenderem, mostraram total compreensão de como dominar uma platéia.

Depois de Ob-La-Di, Ob-La-Da e Mrs. Vandebilt – canções que estão longe de serem obras primas, mas que se tornaram preferidas do público – é a vez da simpática bobagem musical All Together Now cair nas graças do público. Com uma letra inofensiva, mas um refrão que sugere a participação de todos, a canção acabou sendo um dos pontos altos da apresentação de Paul. Segundo as más línguas, McCartney ainda teria mais surpresas preparadas para suas próximas apresentações.

*Confira os vídeos de algumas das novas canções apresentadas por Paul em primeira mão no Brasil






Paul McCartney BRASIL 2013Set list (Belo Horizonte)

** Eight Days a Week
Junior’s Farm
All My Loving
**Listen to What the Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
1985
The Long and Winding Roa
Maybe I’m Amazed
Hope of Deliverance
We Can Work It Out
**Another Day
And I Love Her
Here Today
**Your Mother Should Know
Lady Madonna
**All Together Now
Mrs. Vandebilt
Eleanor Rigby
**Being For The Benefit Of Mr. Kite
Something
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Band On The Run
**Hi Hi Hi
Back In The USSR
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Bis
Day Tripper
Lovely Rita
Get Back

Bis II
Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Imagina na Copa

Paul McCartney BRASIL 2013Mas nem tudo foi festa e alegria. O Mineirão voltou a apresentar vários problemas e até mesmo o som do espetáculo deu uma rateada, falhando durante as canções Ob-La-Di, Ob-La-Da e Band On The Run. Quem chegou antes das 17h encontrou um ótimo esquema de trânsito e tranqüilidade do lado de fora do estádio, nenhum cambista ou camelô. Porém, essa situação foi mudando a medida que a hora do show se aproximava.

A primeira reclamação foi por conta da falta de ordem das filas, com muita falta de informação por conta da organização e falta de educação do público, que teimava em furar fila, protagonizando episódios que só terminaram com a intervenção da polícia. Depois, a constatação de que esqueceram de pensar na iluminação do entorno do Mineirão. Por volta das 18h já era praticamente impossível enxergar algo com clareza e os poucos postes com lâmpadas se mostraram totalmente insuficientes – um convite aos ladrões. Dentro do estádio, as mesmas reclamações dos eventos anteriores: banheiros insuficientes, sem água, comida cara e, para piorar, um encanamento de esgoto estourou, deixando parte de um dos corredores impraticável, literalmente na merda. Na saída, outro caos. O trânsito deu um nó e um percurso de pouco mais de 15 minutos se transformou em uma maratona de mais de 1h30. As autoridades terão muito trabalho para superar essas deficiências ou o bordão “imagina como vai ser na Copa” vai ser mais do que adequado.

Além dos problemas relatados no parágrafo anterior, fica também a constatação de que a rede hoteleira também precisa se preparar melhor. O pós-show foi um avanço ao bar do hotel onde estava, que fechou mais cedo já que todos os produtos comestíveis foram devorados pelos fãs mais famintos e mais rápidos. Sobrou o velho e bom podrão!

Fãs sortudos e endinheirados pagam caro e assistem ao ensaio antes do show

EbonySe os preços dos ingressos normais para os shows de McCartney no Brasil já não são muito baratos – entre R$ 150 e R$ 600 – o que pensar em pagar mais de US$ 1,5 mil? Esse é o preço que se paga pelo pacote Hot Sound que dá o privilégio de, além de chegar mais cedo e almoçar um cardápio vegetariano especialmente preparado para esses abastados, assistir ao soundcheck (passagem de som) que Paul e a banda fazem antes das apresentações. Nesses pequenos shows particulares (nunca para mais de 250 pessoas e que duram entre 40 minutos e 1h30) McCartney toca canções que normalmente não fazem parte do repertório da apresentação que fará a noite e não economiza a garganta. Não são poucos os rocks e canções gritadas executadas por ele (Blue Suede Shoes, Birthday e Honey Don’t, são figurinhas fáceis nos soundchecks).

– Durante o show, sem dúvida é emocionante ouvir o Paul cantar músicas lendárias como Yesterday e outros grandes clássicos. Mas ainda que o som esteja perfeito, existem aproximadamente 60 mil pessoas gritando, chorando, falando e cantando. Na passagem de som, a sensação de ouvir o som de forma extremamente limpa e clara, é fenomenal. Isso sem falar na interatividade com o público, que sem dúvida é muito maior.”, explica o economista Raphael Xavier Gomes Alves, de 26 anos, um veterano de cinco hotsounds.

Outra possibilidade que atrai os fãs é a chance de Paul chamar alguém para cantar com ele no palco alguma canção ou aceitar a sugestão de alguém da plateia e cantar uma música específica.

– O momento mais marcante ocorreu no dia 22 de maio de 2011, aproximadamente às 16h30, quando, após ler o cartaz que eu estava segurando, O Paul olhou pra mim e  disse: “Ok, vou tocar para você então, ok? Para você…” e começou a tocar Ebony and Ivory, que estava escrito no meu cartaz. Como se soubesse que eu estava duvidando que aquilo estava acontecendo, logo após terminar a música ele disse “Foi pra você, ok? Pra você!”. Eu fiz um sinal de “Ok” com a mão e aplaudi”, conta Raphael.

Raphael soundcheck PaulMas, mesmo tendo bala na agulha para pagar mais de R$ 3 mil por um ingresso fica a dúvida: vale a pena?

– Sem dúvida. Depois de ir pela primeira vez em Porto Alegre (2010), resolvi repetir a loucura em 2011, quando ele foi tocar no Engenhão. Um amigo meu, que, como eu coleciona discos e vídeos de Paul McCarney e que tem bem mais dinheiro que eu, me ligou dizendo que era um absurdo gastar tanto dinheiro para ver mais 1h de apresentação. Expliquei que foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida e que essa era uma extravagância que alguém que coleciona a música de Paul por mais de 30 anos pode ter. No fim, ele foi e ainda levou a filha e a irmã”, diz um outro veterano de soundcheks que preferiu não ter seu nome divulgado.

Para quem não pôde ou pode bancar essa extravagância (que é vendida apenas através do site do próprio McCartney), fica o registro do que ele tocou em Belo Horizonte.

Soundcheck (Belo Horizonte)

Blue Suede Shoes
Got To Get You Into My Life
Sing The Changes
Let ‘Em In
Calico Skies We Can Work It Out
Eight Days A Week
Being For The Benefit Of Mr. Kite
Lovely Rita
Another Day
Hope Of Deliverance
Listen To What The Man Said
Hi Hi Hi
All Together Now
Your Mother Should Know
Blackbird

Fotos: Marcos Hermes e Pedro Carrilho/Divulgação

Vídeos: Jo Nunes

Uma versão editada desse texto também foi publicada no jornal O Fluminense