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Stanley Jordan se apresenta no Teatro Municipal de Niterói

Foto: Joe Mabel

Um dos músicos mais consagrados da música mundial, o guitarrista Stanley Jordan, vai se apresentar em um palco nobre: o Teatro Municipal de Niterói, na próxima sexta-feira (8/5). Dono de uma técnica virtuosa (tapping), Jordan é apaixonado pelo Brasil, sua música e seu público.

– Fico muito feliz toda vez que venho ao Brasil, país que tem uma musicalidade única e onde o público é aberto para todo tipo de ritmo e experimentações – disse o músico em 2010, durante uma de suas várias passagens pelo país.

São mais de 200 shows em palcos tupiniquins e, dessa vez, Jordan vem acompanhado de dois músicos de muito respeito: Ivan “Mamão” Conti, baterista do lendário grupo Azymuth, e Dudu Lima no baixo. O repertório inclui clássicos da carreira de Jordan, como releituras de músicas dos Beatles, Mozart e Led Zeppelin, além de canções da nossa MPB.

Com uma discografia rica – desde a estreia com Touch Sensitive (1982), até o mais recente Duets (2015) – Jordan construiu um repertório admirado tanto pelo público quanto pela crítica, passando por vários ritmos, como o jazz, rock e bossa nova.

Serviço

Stanley Jordan Jazz trio
Local: Teatro Municipal de Niterói – Rua XV de Novembro, 35, Centro – Tel.: 2620-1624
Data: 8 de junho (sexta-feira)
Hora: 20 horas
Censura: Livre
Ingresso: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 anos e pessoas com deficiência).

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia.

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Léo Gandelman no Teatro Municipal de Niterói

O saxofonista Léo Gandelman, um dos mais requisitados músicos brasileiros e que já tocou com gente como Guilherme Arantes, Lulu Santos, Gilberto Gil e Paralamas do Sucesso, para citar alguns, chega ao Teatro Municipal de Niterói amanhã para apresentar o seu último trabalho, Vip Vop, neste sábado, às 21 horas.

Na verdade, Gandelman volta ao local onde gravou o DVD ao vivo que leva o mesmo nome do disco – título inspirado em um jogo de palavras com as expressões VIP (Very Important People) e VOP (Very Ordinary People) que brinca com a fama imediata conseguida por certas celebridades atuais.

“Durante dois anos eu tive um programa de rádio chamado Instrumental MPB e, uma vez por mês, fazíamos uma apresentação com algum convidado no Teatro Municipal. Em 2011 – no meu aniversário – eu resolvi me convidar e fazer uma premier do que seria o meu próximo trabalho. Minha intenção original era fazer clipes para o programa, mas, depois de ver o resultado final, decidi lançar o DVD. Foi uma apresentação única, que eu pretendo reproduzir neste sábado”, conta Gandelman.

Outra razão para a escolha do Municipal como local para a gravação do DVD foi a admiração de Gandelman pelo cenário musical de Niterói.

“Niterói é, antes de mais nada, um celeiro de ótimos músicos. Não sei bem explicar o porquê disso. Além do mais, o público de Niterói é extremamente musical e o Municipal é perfeito para a apresentação de música de Câmara”, conta Léo.

Sem lançar um disco com composições inéditas desde 2004, o músico se mostra preocupado com o futuro da profissão e do mercado da música.

“Prever o futuro da música é muito difícil. Se há 20 anos me dissessem que a carreira seria assim eu não acreditaria. A profissão de músico praticamente foi destruída com a plataforma digital. Hoje, qualquer um grava em qualquer lugar e por qualquer preço. Acho que a democratização dos meios de produção também banalizou a produção”, diz Léo.

Ao lado de uma banda formada por Serginho Trombone (Trombone), Eduardo Farias (Piano), Renato Massa (Bateria) e Alberto Continentino (Baixo) – Gandelman levará, não apenas o jazz, mas um apanhado musical da MPB durante as últimas décadas, principalmente os anos 50 e 60, em composições como Sinal Vermelho, Nêgo tá Sabendo, Vip Vop, Luz Azul, Numa Boa e Reza (Edu Lobo e Ruy Guerra).

“Procuro nunca fazer um roteiro totalmente fechado. Apesar da ideia ser reproduzir o DVD, surpresas sempre podem acontecer”, explica o músico.

Um mosaico de influências

“Ouço jazz e clássicos, música que contém improviso e choro. Não ouço música das quais eu não gosto. Música é uma árvore com muitos galhos, que serve até para vender. Eu acredito na música ao vivo. A música é um esporte coletivo e os músicos tocarem juntos faz toda a diferença”, filosofa.


Com esse pensamento de reproduzir essa ideia, Léo Gandelman juntou a banda, foi para o estúdio e gravou Vip Vop, em um clima de apresentação ao vivo, com todos tocando ao mesmo tempo, sem acréscimos posteriores e dando tons coloridos a temas aparentemente simples, em contrapartida a elegância em preto e branco das imagens captadas pelo DVD, onde apenas duas músicas registradas em estúdio não fazem parte do repertório.

Composto quase na totalidade em parceria com o pianista David Feldman, Vip Vop é um apanhado de influências que traduzem o painel multiétnico da música brasileira, que passa longe do comum, seja nas faixas mais influenciadas pelo samba, pelo jazz ou pela bossa nova.

Apesar do saxofone não ser um instrumento que se encaixe bem na função de acompanhar – é basicamente um instrumento para solos – as intervenções de Gandelman passam longe das babas de artistas como Kenny G, que tanto servem para popularizar quanto para criar preconceitos.

Nas dez faixas de Vip Vop não há concessões para nada que lembre “música de elevador”, que, erradamente, grande parte dos ouvintes imagina ser grande parte da produção da música instrumental. O que se encontra são temas delicados e sofisticados, sem ser de difícil entendimento.

Serviço: O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua XV de Novembro, 35 – Centro. Às 21h. Mais informações: 2620-1624.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense