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As mudanças do novo Álbum Branco

Novas mixagens, demos e outtakes revelam um universo paralelo dos Beatles em 1968

Já se passaram alguns dias desde o lançamento da caixa comemorativa dos 50 anos do Álbum Branco, tempo mais que suficiente para várias audições de todo o material e para tirar algumas conclusões.

Remix, demos e outtakes

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A nova edição é dividida em compartimentos – o remix feito por Giles Martin e o engenheiro de som Sam Okell, os demos gravados pelo grupo no bangalô de George Harrison (em Esher), outtakes e ensaios das canções e, claro, a mixagem original em mono.

Difícil dizer o que é mais impactante. Portanto, vamos por partes, como diria Jack.

A nova mixagem

Primeiro vamos deixar claro que, ao contrário do que aconteceu com a caixa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, que se baseou na mixagem original mono – a única na qual os Beatles e George Martin estiveram envolvidos – para o Álbum Branco foi usada como modelo a mixagem estéreo, com todas as suas falhas e erros.

Dito isto, vamos ao que interessa.

Cozinha quente

Para resumir, a grande diferença na nova mixagem é o maior peso do baixo e da bateria. A cozinha formada por Paul McCartney e Ringo Starr ganhou maior destaque em quase todas as faixas, onde ficavam mais ao fundo, provavelmente por conta das limitações técnicas da época.

Mas não é apenas isso. Há muitos fades que ficaram mais longos e instrumentos que estão bem mais claros e destacados, surpreendendo quem já conhece o disco.

Um bom exemplo disso é While My Guitar Gently Weeps, onde a guitarra de Eric Clapton está mais baixa, mas é possível ouvir melhor as notas tocadas por Deus.

Porém, a maior diferença fica mesmo por conta de outra composição de George Harrison: Long, Long, Long. A canção, que na sua versão original tem um clima sombrio e um volume bastante baixo, ganhou punch e destaque no vocal de George. O resultado é bastante diferente das versões lançadas anteriormente.

Há diferenças bastante nítidas em várias outras canções como Honey Pie, Dear Prudence e Helter Skelter. Dizem até que é possível detectar diferenças em Revolution 9, mas isso eu deixo para os meus bravos leitores.

Na verdade, a impressão é a de que Martin e Okell fizeram questão de deixar sua marca em todas as canções, sempre com um acorde de guitarra ou violão, um martelar no piano ou backing vocal com alguma diferença que vai surpreender os fãs.

Esher Demos, o primeiro Unplugged

George fotografado na sua casa em Esher

Esher é a localidade onde George Harrison vivia com a esposa Pattie em um bangalô que, segundo relatos, era bem pouco confortável. Foi lá que os quatro Beatles se reuniram para gravar demos das canções compostas na Índia, durante sua estadia com o guru Maharishi Mahesh Yogi.

Reza a lenda que 1968 marcou o início do fim da banda, mas o que se ouve nesses demos é reveladoramente diferente. Para início de conversa, a qualidade de som das gravações feitas no equipamento portátil de George Harrison é absurdamente boa e apresentada aqui em estéreo

Também merece registro que, apesar de mutas dessas gravações já circularem entre os colecionadores faz anos, aqui estão todos os registros, editados na ordem do disco, além de todas as que não fizeram parte do Álbum Branco.

Para finalizar, o clima parece mais que alegre, com várias músicas já praticamente prontas. Na verdade, se algumas delas fossem lançadas nessas versões acústicas, não fariam feio.

Clique e encomende a versão nacional (tripla)

Mais que as canções lançadas pelos Beatles no White Album, merecem uma audição atenciosa as sobras Child of Nature – que mais tarde ganhou nova letra de Lennon e foi rebatizada de Jealous Guy -, Jubilee – que foi lançada pr Paul McCartney como Junk –, além de Circles e Not Guilty – que receberam novos registros durante a carreira solo de George Harrison.

Há também canções que foram parar no disco Abbey Road, mas não vou contar para não acabar com a surpresa.

Outtakes e ensaios

Os destaques dessa partição são muitos, mas se tiver pouco tempo e quiser realmente ser impactado pelo que vai ouvir, vá logo para as versões de Good Night.

A canção de ninar escrita por Lennon e cantada por Ringo é de arrepiar nessas novas versões. A que conta com backing vocals de John, Paul e George (nunca antes ouvida) vale o disco inteiro.

Assim como nas demos, há muitas brincadeiras e risos registrados. Difícil imaginar que eles estavam se engalfinhado por qualquer motivo, mas é isso que a história (e eles mesmos) contam.

Não há como não gostar dos takes escolhidos pelo novo Martin. Martha My Dear (sem o arranjo de cordas) ganha novo sabor, assim como é interessante ouvir a evolução de While My Guitar Gently Weeps e as improvisações durante os takes de I Will, que acabaram gerando Los Paranoias e Can You Take Me Back?.

Há até uma versão embrionária de Let it Be, mas o melhor são mesmo as gravações das versões iniciais da base de canções que acabou criando o Álbum Branco.

O disco original tem 30 faixas e tecer comentários sobre cada um dos outtakes tornaria esse texto longo, longo, longo.

Melhor não, né?

Mixagem mono

Muita gente vai estranhar o porquê da minha preferência pela mizagem mono, algo que pode até soar antiquado, mas é importante ter em mente que em 1968 a maioria das pessoas ainda não possuia equipamentos estéro e por isso os Beatles só se envolviam nas mixagens feitas em mono.

As diferenças são enormes. Vão desde o avião de Back in the USSR, passa pela ausência das palmas em Ob-La-Di-Ob-La-Da, a inexistência do fade in e do grito de Ringo Starr ao final de Helter Skelter. Até os pássaros e porcos são diferentes em Blackbrd e Piggies, respectivamente.

Praticamente todas as canções têm diferenças em relação ao que o grande público está acostumado a ouvir. Então, vá lá ouvir o verdadeiro Álbum Branco.

 

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The Beatles – Glass Onion – o vídeo

Falta apenas uma semana para o lançamento oficial da versão comemorativa dos 50 anos do Álbum Branco, dos Beatles.

Já encomendou a sua cópia? Clique na imagem!


Para dar mais um gostinho do que vem por aí, a Apple (dos Beatles) divulgou um vídeo da canção Glass Onion.

 

Álbum Branco ganha superedição pelos 50 anos

O disco The Beatles, que ficou conhecido como Álbum Branco, chega aos 50 anos e ganha caixa com 6 CDs, 1 Blu-ray, livro e mais

O ano era 1968, os Beatles — o maior, mais criativo e importante grupo de rock da época (e de todos os tempos) estava em ebulição.

Tinham perdido seu empresário (Brian Epstein), recebido críticas negativas (pelo filme Magical Mystery Tour) e começava a sofrer com as desavenças entre seus integrantes e a aparição de Yoko Ono.

Foi nesse cenário de início de caos que a banda voltou da Índia carregada de novas composições que acabaram se transformando no primeiro e único disco duplo da sua carreira.

Encomende a sua cópia aqui!

Clássicos e raridades

Nas suas 30 canções há clássicos como Back in the U.S.S.R., Blackbird, While My Guitar Gently Weeps, Sexy Sadie e Helter Skelter, sem contar com algumas loucuras que foram incluídas (e outras deixadas de lado) pelo produtor George Martin.

Depois de vários relançamentos comemorativos e raridades pinçadas em várias coletâneas (vide os três volumes do Anthology), o Álbum Branco ganha a sua versão definitiva (apesar da expressão estar bem batida).

Produzida por Giles Martin, filho de George Martin, o novo Álbum Branco vai ganhar uma nova mixagem, uma versão 5.1 e uma enxurrada de versões alternativas além das 27 demos gravados pelo grupo na casa de George Harrison.

São 6 CDs e 1 Blu-ray, livro, fotos e muita história e talento. O preço ultrapassa as 100 libras (R$ 500), mas, após o que vimos na versão comemorativa do álbum Sgt. Pepper’s, tenho certeza de que valerá a pena.

O disco chega ao mercado no dia 9 de novembro.

Versão mono

Quem conhece um pouco da história dos Beatles sabe que eles só davam atenção aos lançamentos em mono. Portanto, saber que a nova mixagem tomou como base a versão estéreo do disco é um pouco decepcionante.

As diferenças são tantas que citar todas elas seria trabalho para uma grande série de posts. Sendo assim, é melhor ouvir por você mesmo — a mixagem mono também estará na caixa.

PS: Ouvir a versão mono é ouvir o verdadeiro Álbum Branco.

O conteúdo e as versões

Apesar de algumas raridades esperadas pelos fãs não terem sido incluídas e permanecerem um mistério (como a canção Etcetera e a versão de 27 minutos de Helter Skelter) a lista de outtakes é de impressionar, principalmente um ensaio da canção Let it Be, que nunca havia sido citada em nenhum livro sobre a banda.

Você poderá escolher entre os seguintes formatos:

6CD+blu-ray box set
4LP vinyl set (stereo remix + Esher Demos)
3CD deluxe (stereo remix + Esher Demos) – Versão que será lançada no Brasil
2LP vinyl (stereo remix)

CD 1: The BEATLES (‘White Album’) 2018 Stereo Mix

Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness is a Warm Gun
Martha My Dear
I’m so tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don’t Pass Me By
Why don’t we do it in the road?
I Will
Julia

CD 2 The BEATLES (‘White Album’) 2018 Stereo Mix

Birthday
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long
Revolution I
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night

CD 3: Esher Demos

Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness is a Warm Gun
I’m so tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Julia
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Revolution
Honey Pie
Cry Baby Cry
Sour Milk Sea
Junk
Child of Nature
Circles
Mean Mr. Mustard
Polythene Pam
Not Guilty
What’s the New Mary Jane

CD 4: Sessions

Revolution I (Take 18)
A Beginning (Take 4) / Don’t Pass Me By (Take 7)
Blackbird (Take 28)
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey (Unnumbered rehearsal)
Good Night (Unnumbered rehearsal)
Good Night (Take 10 with a guitar part from Take 5)
Good Night (Take 22)
Ob-La-Di, Ob-La-Da (Take 3)
Revolution (Unnumbered rehearsal)
Revolution (Take 14 – Instrumental backing track)
Cry Baby Cry (Unnumbered rehearsal)
Helter Skelter (First version – Take 2)

CD 5: Sessions

Sexy Sadie (Take 3)
While My Guitar Gently Weeps (Acoustic version – Take 2)
Hey Jude (Take 1)
St. Louis Blues (Studio jam)
Not Guilty (Take 102)
Mother Nature’s Son (Take 15)
Yer Blues (Take 5 with guide vocal)
What’s the New Mary Jane (Take 1)
Rocky Raccoon (Take 8)
Back in the U.S.S.R. (Take 5 – Instrumental backing track)
Dear Prudence (Vocal, guitar & drums)
Let It Be (Unnumbered rehearsal)
While My Guitar Gently Weeps (Third version – Take 27)
(You’re so Square) Baby, I Don’t Care (Studio jam)
Helter Skelter (Second version – Take 17)
Glass Onion (Take 10)

CD 6: Sessions

I Will (Take 13)
Blue Moon (Studio jam)
I Will (Take 29)
Step Inside Love (Studio jam)
Los Paranoias (Studio jam)
Can You Take Me Back? (Take 1)
Birthday (Take 2 – Instrumental backing track)
Piggies (Take 12 – Instrumental backing track)
Happiness is a Warm Gun (Take 19)
Honey Pie (Instrumental backing track)
Savoy Truffle (Instrumental backing track)
Martha My Dear (Without brass and strings)
Long, Long, Long (Take 44)
I’m so tired (Take 7)
I’m so tired (Take 14)
The Continuing Story of Bungalow Bill (Take 2)
Why don’t we do it in the road? (Take 5)
Julia (Two rehearsals)
The Inner Light (Take 6 – Instrumental backing track)
Lady Madonna (Take 2 – Piano and drums)
Lady Madonna (Backing vocals from take 3)
Across the Universe (Take 6)

Blu-ray: The BEATLES (‘White Album’)

Audio Features:
: PCM Stereo (2018 Stereo Mix)
: Mono Mix
: DTS-HD Master Audio 5.1 (2018)
: Dolby True HD 5.1 (2018)

Uma versão deste texto foi publicada na Revista Ambrosia

Álbum Branco Indie Version

Como última parte das homenagens pelos 40 anos do lançamento do Álbum Branco original (aquele, dos Beatles), a gravadora Coqueiro Verde e o selo Discobertas lançaram a terceira parte da homenagem na qual artistas brasileiros cantam as canções do disco e as compostas pelo grupo no ano de 1968.

Primeiro foi o CD com artistas consagrados regravando o disco (leia aqui), depois cantando as músicas compostas em 1968, mas que só foram gravadas depois – algumas apenas nas carreiras solo e até mesmo uma inédita – (leia aqui) e agora os músicos da cena indie dão seu recado. Clique aqui e confira minha opinião sobre o resultado (sim, preciso de acessos lá no Mistura Interativa também).

Abraços,