Cicatrizes são eternas

24/08/2010 1 Por Fernando de Oliveira

Cicatrizes nem sempre curam. A vida não ajuda e o tempo é sempre relativo e inimigo. Terapias e papos-cabeça servem apenas como cortina de fumaça, daquelas bem densas, que impedem de ver e, muitas vezes, de respirar.

Há mesmo momentos em que não respirar alivia, deixa a alma seguir seu caminho, sem ter que se virar para trás. Se o tilintar de um copo ou de uma taça de vinho servem como aviso de que a sobriedade é fulgaz e ineficiente, o silêncio serve para que ouçamos melhor as vozes que rondam nossas casas, estejam elas onde estiverem.

Só ou acompanhados, é fácil sentir as feridas que jamais fecharão, jamais criarão casca, daquelas que doem só de vez em quando.

Mais fácil fingir que se olha para frente, que se avista um futuro, do que admitir que os danos são grandes, profundos.

O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atençõesMartha Medeiros