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Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte III

Conheça os fatores mais importantes na hora de guardar o seu vinho. Saiba a temperatura ideal e outros aspectos importantes

Faz tempo que devo a última parte da série (meses, na verdade). Mas agora acaba essa espera. Depois de falarmos sobre quais vinhos devem e podem ser guardados e as razões para essas escolhas, chegou a hora de explicar como fazê-lo.

Fatores essenciais

Hoje já não é tão caro ter uma adega climatizada em casa. São várias as marcas e tamanhos. E os preços são bastante acessíveis.

Porém, mesmo quem não tem um desses aparelhos pode fazer um bom trabalho, desde que observe alguns fatores essenciais:

  • luz
  • temperatura
  • vibração
  • ventilação
  • umidade
  • posição

Vamos explicar cada um deles na sequência.

Luz

Os vinhos são criaturas noturnas. Quanto mais escuro o local de armazenamento, melhor para a sua saúde.

Algumas horas de sol diretamente na garrafa já podem ser suficientes para arruinar a qualidade do vinho.

Portanto, se for em alguma loja e vir garrafas expostas diretamente ao sol, NÃO COMPRE!

Em casa, escolha um local seguro.

Clique na imagem e veja essa sugestão de adega

Temperatura

Esta é uma das principais razões para a compra de uma adega climatizada, principalmente em cidades com temperaturas infernais como o Rio de Janeiro.

Porém, não ache que quanto mais frio melhor. Não é assim que a banda toca. Cada vinho tem sua temperatura ideal e, mesmo falando genericamente, há regras para seguir.

O ideal é colocar os vinhos em um ambiente entre os 12ºC e os 14ºC. Por quê?

Se a temperatura estiver muito baixa (abaixo dos 0ºC), o vinho pode congelar e perder toda a sua potência e frescor. Já entre 0ºC e 10ºC, o envelhecimento pode ser lento demais. O que também não favorece a maioria dos rótulos, embora uma temperatura até 9ºC seja admissível, principalmente para espumantes e vinhos brancos.

Também há opções de adegas não climatizadas

As temperaturas acima dos 15ºC proporcionam uma aceleração no envelhecimento, o que é menos indicado ainda que guardá-los em temperatura um pouco mais baixa. E, para finalizar, não deixe que a variação de temperatura ultrapasse os 5ºC. Inverno ou verão, tente manter seus vinhos em uma temperatura constante.

Dica importante: Nunca guarde seus vinhos na cozinha. Ela é o lugar da casa que mais sofre variações de temperatura, por conta da utilização de fornos e de geladeiras e freezers.

Vibração

Outra boa razão para ter uma adega de boa qualidade. Vinhos são criaturas (na maioria das vezes) tranquilas e não gostam de agitação. Portanto, caso vá guardar na geladeira, evite colocá-los na porta do refrigerador, que é o local mais movimentado das geladeiras.

Mesmo com uma adega, certifique-se de que ela está firme e não trepide — esse é um fator muito importante na hora de escolher uma adega.

Você pode escolher a adega que mais lhe agrada

Outra coisa: evite colocar garrafas de vinho perto de aparelhos que causem trepidação (máquinas de café, por exemplo). Fuja dos restaurantes que fazem isso (ou pelo menos não peça seus vinhos).

Ventilação

Já disse que vinhos são criaturas noturnas (não gostam de luz) e que precisam de uma temperatura constante e específica. Além disso, é importante saber que detestam lugares abafados.

Uma boa ventilação é muito importante para que se mantenham saudáveis. Também evite colocar perto deles qualquer produto químico que exale um odor muito forte.

As rolhas são de cortiça, lembra?

Umidade

Esse é um dos grandes desafios em um país com locais e temperaturas tão distintas quanto o Brasil.

O ideal para um vinho é que a umidade fique entre 60% e 75%. Porém, isso pode ser bastante complicado em cidades secas como Brasília ou úmidas como o Rio de Janeiro.

Existem opções baratas para guardar seus vinhos

Acima disso, existe o risco de formação de bolores, que podem danificar os rótulos e as rolhas.

A umidade excessiva pode ser combatida espalhando areia no chão, pondo sal de cozinha num recipiente (se for um espaço pequeno) ou utilizando um desumidificador.

Mas também se devem evitar valores muito baixos, pois as rolhas podem secar, favorecendo assim uma certa evaporação do vinho.

Posição

Como já citei em alguns textos anteriores, os vinhos (seja lá qual for o tipo e material da rolha) devem sempre estar na posição horizontal. Isso faz com que a rolha fique em contato com o líquido, não resseque e diminua a quantidade de oxigênio que entra na garrafa, que prejudica o vinho.

Isso significa que você também deve fugir das lojas e supermercados que guardam seus vinhos na posição vertical Se também estiverem em contato com a luz do sol, saia correndo do lugar!

Para finalizar esta série, uma outra dica: fique de olho no calendário. Anote as datas de compra e as safras de seus vinhos. Eles podem envelhecer, mas também podem passar do tempo, perder as qualidades ou até mesmo morrer.

Há dicas para manter um vinho depois de aberto, mas isso é assunto para outro post. Ou série.

Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte I

Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte II

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Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte II

Agora que já falamos sobre o básico do conceito de vinhos de guarda, vamos tentar entender quais vinhos realmente merecem serem bebidos depois de evoluídos.

Há vinhos que, por melhor que seja a sua qualidade, são produzidos para serem consumidos ainda jovens. Um ótimo exemplo são os vinhos verdes, produzidos em Portugal e que devem ser abertos o mais rápido possível.

O vinho, quanto mais envelhece mais calor ganha; pelo contrário, a nossa natureza quanto mais vive, mais vai esfriando — Lope de Veja

Mas vamos ao que interessa, os vinhos que devemos preservar.

As origens

França

Muitos dos vinhos produzidos no país têm grande potencial de guarda, mas não se iluda, a maioria não se encaixa nessa categoria.

Champagne: todas as bebidas produzidas nessa região podem ser consumidas quando chegam ao mercado, porém os safrados e os Cuvée Prestige ainda evoluem bastante com alguns anos de garrafa.

Rhône: segundo os especialistas que já tiveram a chance de prova-los, rótulos como Hermitage de Chave, Châteauneuf-du-Pape, Château Rayas, Paul Jaboulet e Côte-Rôtie de Guigal, para citar alguns, merecem um tempo de evolução na garrafa.

Borgonha: os grandes produtores da região lançam rótulos que normalmente alcançam o seu melhor após cerca de 15 anos, sem distinção de cor.

Bordeaux: aqui é a exceção que comprova a regra. Muitos vinhos produzidos na região merecem um tratamento especial. Rótulos como Pétrus, Latour, Mouton, Lafite, Haut-Brion, Margaux e até alguns os Sauternes (vinho doces) podem ficar bem por 40 anos ou mais, mas o normal é se manterem no auge por 10 ou 20 anos. Isso, sem citar os Gran Cru (brancos ou tintos).

Portugal

Os vinhos portugueses têm algumas características únicas — principalmente por conta das castas utilizadas e pelo método de produção, no caso dos Portos. São menos opções de guarda, mas não deixam de serem importantes.

Porto: produzidos desde sempre para durarem, alguns já saem das vinícolas com mais de 10 anos de guarda. O seu sabor muda muito e quem já experimentou um Porto de 40 anos sabe do que estou falando. Mas não é qualquer Porto que envelhece bem. Os mais básicos devem ser consumidos logo. Guarde os Colheita e os Vintage.

Setúbal e Ilha da Madeira: assim como os vinhos do Porto, os vinhos Madeira são bem longevos, podendo evoluir por décadas. Já os vinhos produzidos na região de Setúbal são menos afeitos ao tempo, mas há alguns — Bacalhôa (Moscatel), por exemplo — que resistem bem.

Espanha

Os Jerez são os principais vinhos de guarda produzidos no país, e os bons podem durar até 40 anos, mas há outros.

Rioja: os tintos Reserva e Gran Reserva da Rioja também estão entre os que podem se manter no auge por décadas. Se topar com um deles, pode guardar (ou beber).

Itália

Um dos maiores produtores de vinhos, o país também é rico na variedade de castas e denominações de origem controlada. Destaco os Amarone e os vinhos da Toscana.

Vêneto: os Amarone de Valpolicella, são vinhos potentes e que podem melhorar na garrafa por década, embora sejam deliciosos mesmo quando jovens. Há excelentes produtores na região e vinícolas como a Santa Sofia merecem uma visita. Seus vinhos são fantásticos.

Toscana: região, entre outros, dos Chianti, tem uma série de ótimas vinícolas produzindo Chianti Classico Riserva, que podem evoluir por até 10 anos.

Piemonte: os Barolo e Barbaresco —principais vinhos da região — normalmente chegam aos seu auge atingem com 15 anos. Novamente, há um grande número de produtores fazendo ótimos vinhos.

Novo Mundo

Estados Unidos, Argentina, Chile e Austrália também têm rótulos que podem se beneficiar do tempo. Infelizmente, os preços são muito altos para criar tradição ou permitir que mortais os provem.

Destaques: Opus One (EUA); Almaviva, Don Melchor e Clos Apalta (Chile) e Weinert (Argentina).

Outros países

Hungria: Terra dos Tokaji — inacreditáveis vinhos de sobremesa — tem alguns rótulos que se mantêm por mais de 30 anos. Vinícolas como Oremus, Royal Tokaj e Pendits merecem destaque.

Áustria: outro país especialista em vinhos de sobremesa. Alguns deles podem ser guardados por décadas. Procure por bons produtores, como a Kracher.

Agora que já sabemos quais vinhos devem ser guardados, vamos descobrir como fazê-lo. Aguarde o próximo post da série.

Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte I

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