Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte II

Agora que já falamos sobre o básico do conceito de vinhos de guarda, vamos tentar entender quais vinhos realmente merecem serem bebidos depois de evoluídos.

Há vinhos que, por melhor que seja a sua qualidade, são produzidos para serem consumidos ainda jovens. Um ótimo exemplo são os vinhos verdes, produzidos em Portugal e que devem ser abertos o mais rápido possível.

O vinho, quanto mais envelhece mais calor ganha; pelo contrário, a nossa natureza quanto mais vive, mais vai esfriando — Lope de Veja

Mas vamos ao que interessa, os vinhos que devemos preservar.

As origens

França

Muitos dos vinhos produzidos no país têm grande potencial de guarda, mas não se iluda, a maioria não se encaixa nessa categoria.

Champagne: todas as bebidas produzidas nessa região podem ser consumidas quando chegam ao mercado, porém os safrados e os Cuvée Prestige ainda evoluem bastante com alguns anos de garrafa.

Rhône: segundo os especialistas que já tiveram a chance de prova-los, rótulos como Hermitage de Chave, Châteauneuf-du-Pape, Château Rayas, Paul Jaboulet e Côte-Rôtie de Guigal, para citar alguns, merecem um tempo de evolução na garrafa.

Borgonha: os grandes produtores da região lançam rótulos que normalmente alcançam o seu melhor após cerca de 15 anos, sem distinção de cor.

Bordeaux: aqui é a exceção que comprova a regra. Muitos vinhos produzidos na região merecem um tratamento especial. Rótulos como Pétrus, Latour, Mouton, Lafite, Haut-Brion, Margaux e até alguns os Sauternes (vinho doces) podem ficar bem por 40 anos ou mais, mas o normal é se manterem no auge por 10 ou 20 anos. Isso, sem citar os Gran Cru (brancos ou tintos).

Portugal

Os vinhos portugueses têm algumas características únicas — principalmente por conta das castas utilizadas e pelo método de produção, no caso dos Portos. São menos opções de guarda, mas não deixam de serem importantes.

Porto: produzidos desde sempre para durarem, alguns já saem das vinícolas com mais de 10 anos de guarda. O seu sabor muda muito e quem já experimentou um Porto de 40 anos sabe do que estou falando. Mas não é qualquer Porto que envelhece bem. Os mais básicos devem ser consumidos logo. Guarde os Colheita e os Vintage.

Setúbal e Ilha da Madeira: assim como os vinhos do Porto, os vinhos Madeira são bem longevos, podendo evoluir por décadas. Já os vinhos produzidos na região de Setúbal são menos afeitos ao tempo, mas há alguns — Bacalhôa (Moscatel), por exemplo — que resistem bem.

Espanha

Os Jerez são os principais vinhos de guarda produzidos no país, e os bons podem durar até 40 anos, mas há outros.

Rioja: os tintos Reserva e Gran Reserva da Rioja também estão entre os que podem se manter no auge por décadas. Se topar com um deles, pode guardar (ou beber).

Itália

Um dos maiores produtores de vinhos, o país também é rico na variedade de castas e denominações de origem controlada. Destaco os Amarone e os vinhos da Toscana.

Vêneto: os Amarone de Valpolicella, são vinhos potentes e que podem melhorar na garrafa por década, embora sejam deliciosos mesmo quando jovens. Há excelentes produtores na região e vinícolas como a Santa Sofia merecem uma visita. Seus vinhos são fantásticos.

Toscana: região, entre outros, dos Chianti, tem uma série de ótimas vinícolas produzindo Chianti Classico Riserva, que podem evoluir por até 10 anos.

Piemonte: os Barolo e Barbaresco —principais vinhos da região — normalmente chegam aos seu auge atingem com 15 anos. Novamente, há um grande número de produtores fazendo ótimos vinhos.

Novo Mundo

Estados Unidos, Argentina, Chile e Austrália também têm rótulos que podem se beneficiar do tempo. Infelizmente, os preços são muito altos para criar tradição ou permitir que mortais os provem.

Destaques: Opus One (EUA); Almaviva, Don Melchor e Clos Apalta (Chile) e Weinert (Argentina).

Outros países

Hungria: Terra dos Tokaji — inacreditáveis vinhos de sobremesa — tem alguns rótulos que se mantêm por mais de 30 anos. Vinícolas como Oremus, Royal Tokaj e Pendits merecem destaque.

Áustria: outro país especialista em vinhos de sobremesa. Alguns deles podem ser guardados por décadas. Procure por bons produtores, como a Kracher.

Agora que já sabemos quais vinhos devem ser guardados, vamos descobrir como fazê-lo. Aguarde o próximo post da série.

Como e porque conservar um (bom) vinho – Parte I

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