Monty Python ganha biografia

Talvez os mais jovens estejam se perguntando: “o que diabos é Monty Python?”. O Monty Python é/foi um grupo humorístico inglês que revolucionou o jeito de fazer graça na TV (entre 1969 e 1974) e no cinema (entre 1975 e 1983), influenciando gente como o ex-beatle George Harrison, o comediante e ator Tom Hanks, os comediantes do Saturday Night Live e as mentes que criaram o TV Pirata e Casseta & Planeta – afinal, o humor começou muito antes do Porta dos Fundos. Lançado originalmente em 2003, Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python, ganhou versão brasileira no início do ano, com prefácio do cronista Antonio Prata e de Gregório Duvivier, do já citado Porta dos Fundos.

As informações acima podem gerar uma outra dúvida: por que fazer uma crítica de um livro lançado em 2003 e que chegou ao Brasil em janeiro, quando já estamos em março? A resposta merece um parêntesis.

Abre parêntesis

Sempre que possível faço criticas de discos, filmes, shows, peças de teatro e livros. Porém, diferentemente de muitos veículos de comunicação que até gozam de certo prestígio, não escrevo sobre nada que não tenha lido, ouvido ou assistido. Não acho justo com o artista, escritor e, principalmente, com o leitor. Reproduzir as informações contidas em um release é fácil, mas está longe de poder ser considerado jornalismo. Portanto, você jamais irá ler uma crítica no F(r)ases sobre algo que não tenha sido verdadeiramente analisado. Se você vai concordar ou não é outra história.

Fecha parêntesis

 

Formado pelos britânicos Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones e pelo americano e Terry Gilliam (responsável pelas ilustrações que tornavam o humor do grupo ainda mais único), o sexteto mudou o mundo e tinha uma química tão poderosa que George Harrison dizia acreditar que o espírito dos Beatles havia reencarnado no Monty Python, já que eles se reuniram no mesmo ano no qual os Fab Four se separaram. Harrison era tão fã do grupo que chegou a criar uma produtora de cinema e a hipotecar a sua casa para produzir o filme A Vida de Brian, o que, segundo os Pythons, deve ter sido o ingresso de cinema mais caro da história.

Spam e outros quadros

Mas, provavelmente, a maior contribuição dos Pythons (como eles se chamavam) foi a inclusão da expressão spam na vida de praticamente todos os moradores da Terra que usem a internet. A expressão spam/caixa de spam foi adotado por cause de um esquete do grupo onde um casal vai até uma taberna viking onde todos os pratos são servidos com spam (uma marca de carne suína enlatada, popular e de má qualidade). Depois do esquete, o spam (Sending and Posting Advertisement in Mass, ou enviar e postar publicidade em massa, ou ainda Stupid Pointless Annoying Messages) foi incorporado aos leitores de e-mail de todo o mundo.

O livro – publicado pela editora Realejo – sofre com algums problemas de tradução, especialmente nos nomes dos quadros que fizeram a fama dos Pythons, mas nada que atrapalhe o entendimento do espírito da coisa, como A Inquisição Espanhola, O Papagaio Morto, O Ministério das Caminhadas Tolas ou a Canção do Lenhador (The Lumberjack Song), a minha preferida.

Outro detalhe do livro é que a narrativa, apesar de cronológica, não é linear. Todo o texto é baseado em entrevistas dos membros vivos e nos relatos do diário e de familiares de Graham, morto em 1989, o que faz com que cada tópico seja comentado por cada um dos membros do grupo, muitas vezes mais de uma vez, e exige uma atenção extra para lembrar quem falou o que. Uma bagunça organizada, bem ao estilo Python.

 

Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, John Cleese,, Terry Jones e Terry Gilliam

Flying Circus e a conquista do cinema

 

O legado do Monty Python vai desde as esquetes criadas para o Monty Python’s Flying Circus (transmitido pela BBC entre 1969 e 1974), como as citadas anteriormente, mas também pelos filmes produzidos para o cinema e que foram, em alguns aspectos ainda mais brilhantes que os exibidos no programa de TV. Em Busca do Cálice Sagrado (1975), A Vida de Brian (1979) e, em menor escala, O Sentido da Vida (1983), são obras que não envelhecem e que estão entre o melhor que o humor já levou para as telas. Há também o Monty Python Ao Vivo no Hollywood Bowl (1982), mas esse é uma coletânea de esquetes e não um filme propriamente dito.

Provavelmente você vai lembrar de algumas das cenas que espalhei pelo post ou, pelo menos, notar semelhanças em muitos outros quadros e piadas de humoristas mais jovens.

A vida após o Monty Python

Com a morte de Chapman uma reunião verdadeira dos Pythons se tornou impossível, embora os sobreviventes tenham, vez ou outra, se encontrado para algum projeto. Porém, a atividade dos comediantes após a sua separação oficial foi sempre intensa e muitas vezes contando com a participação de algum dos antigos companheiros. Filmes de sucesso como Um Peixe Chamado Wanda, Brazil, As Aventuras do Barão de Munchausen, são alguns dos projetos nos quais pelo menos um dos Pythons esteve envolvido. Além desses filmes, há de se destacar as participações de John Cleese como M em alguns filmes da série James Bond, o especial de TV Rutles: All You Need is Cash (no qual Idle e amigos fazer uma paródia dos Beatles, com a participação de gente como Paul Simon, Mick Jagger e, claro, George Harrison). Cleese, talvez o mais ativo dos Pythons, também protagonizou a série de TV Fawlty Towers e fez aparições em outros programas como Cheers e 3rd Rock from the Sun.

Reconhecimento da classe

Os membros do Monty Python ganharam o reconhecimento definitivo dos colegas de profissão quando, em 2005, uma pesquisa feita com 300 outros comediantes, produtores, escritoires e diretores, colocou três dos seis Pythons entre os 30 melhores comediantes em lingua inglesa de todos os tempos: Cleese na posição 2, Idle na 21, e Palin na número 30.

Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python conta muitos detalhes e curiosidades sobre a vida e carreira do grupo (quase totalmente) inglês e é uma leitura muito interessante, embora exija, como já foi dito, uma certa atenção. Creio que os vídeos e áudios que complementam esse post sirvam para ajudar a entender porque eles alcançaram o status de um dos melhores (senão o melhor) grupo humorístico de todos os tempos.

Monty Python – Uma Autobiografia Escrita Por Monty Python
Editora: Realejo
Páginas: 432 páginas
Preço sugerido: R$ 69,90

Mais dos Pythons

 

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