Jornalistas paulistas vivem em São Paulo ou no Brasil?

02/03/2012 11 Por Fernando de Oliveira

Vez ou outra discuto aqui o bairrismo no jornalismo. Normalmente, fico surpreso com o constante hábito dos coleguinhas paulistas em trabalharem como se a sua cidade – chamada por eles de capital – fosse o centro do universo.

Na manhã desta sexta-feira, voltei a ser atacado com uma matéria do Bom Dia Brasil na qual falavam de uma pesquisa que mostrava um bom percentual da população mundial sofre de algum transtorno mental, seja depressão, perda de concentração ou males menos graves. Até ai, tudo bem. Mas…. eis que colocam alguns gráficos na tela, todos comparando São Paulo com os Estados Unidos, Canadá, Suíça, Bósnia, etc. Estarei louco ou São Paulo se separou do Brasil e se transformou em uma nação independente?

Essa mentalidade obtusa produz profissionais que acham que, devemos comparar a Empresa de Energia Elétrica do Equador com a Eletropaulo ou que é certo fazer um box falando do segundo McDonald’s do Brasil (e o primeiro de São Paulo), em uma matéria sobre o aniversário da rede de fast food no país. Ou, ainda melhor, nos faça ouvir a seguinte declaração:

– O seu lead está errado. O mais importante da matéria não são os dez bairros sem luz ou as 20 vias alagadas na cidade. O mais importante é que os aeroportos estão fechados e ninguém consegue ir de São Paulo para o Rio porque os voos estão atrasados!

Os coleguinhas sentem, imagino eu, um misto de despeito com auto-suficiência e síndrome de metrópole (sim, São Paulo pensa que um dia será Nova York) que tornam alguns textos ou matérias televisivas difíceis de engolir ou entender.

Claro que há muita gente boa na imprensa paulista/paulistana, mas parece que os piores estão em alguns dos cargos de chefia mais influentes do mercado, escoltados por imbecis que, por puxação de saco ou falta de erros (até porque não trabalham), são promovidos.

Erros todos cometemos, mas manter essa mentalidade é triste.