Eric Clapton – HSBC Arena – Rio de Janeiro – 9/10/11 – A Crítica

10/10/2011 3 Por Fernando de Oliveira

Uma noite de recital musical

Não teve coreografias, efeitos especiais, bailarinos, playback, roupas modernosas, nem mesmo os quase obrigatórios ‘tudo bom? Tudo bem?’. Eric Clapton subiu ao palco da HSBC Arena com mais de 15 minutos de atraso – uma eternidade para os padrões do  artista, mas que mesmo assim ainda pegou muita gente acostumada com a falta de respeito com os horários de calça curta. Era fácil ver gente que pagou caro procurando seus lugares lá pela terceira música do show.

Musicalmente falando o show de uma redundância incômoda. Clapton estava inspirado e tocou demais e a banda tinha apenas Chris Stainton e Steve Gadd. Falar o que sobre esses músicos? Stainton acompanha (com idas e vindas) Eric desde o fim dos anos 70 e Gadd é daqueles que tocaram com todos os grandes do rock. É ele nas baquetas do histórico concerto de Simon & Garfunkel no Central Park, por exemplo.

Como disse, Clapton estava inspirado, embora pouco falante, como é o seu normal. Foram alguns poucos ‘thank you’ e um ‘good evening’. Nada de apresentação dos músicos ou conversinhas entre as canções. Era uma música após a outra. Em pouco menos de 2 horas, o homem que já foi chamado de Deus da Guitarra desfilou blues, rocks e baladas que hora levantaram o público, hora contribuiram para manter o silêncio e maximizar a degustação da música oferecida.

O repertório tocado no Rio teve apenas uma modificação em relação ao que foi apresentado em Porto Alegre. Uma pequena troca que se mostrou muito oportuna: Saiu Tearing Us Apart – canção dançante gravada em dueto com Tina Turner – e entrou o reggae I Shot the Sheriff – clássico de Bob Marley, eternizado na versão do Slowhand.

As interpretações de Hoochie Coochie Man, Old Love e Little Queen of Spades foram os pontos altos do show, que ainda teve Cocaine, Wonderful Tonight (em uma versão muito mais parecida com a original do que a baseada em sintetizadores e que era tocada desde o fim dos anos 80), Badge e Layla. Layla, aliás, que suscitou reações divergentes do público. Apresentada em ritmo mais lento, numa mistura de valsa com funeral de Nova Orleans, a canções ficou definitivamente marcada pela inquietude de Clapton, que sempre arranja um jeito novo de interpretá-la.

Eric Clapton nunca foi o mais rápido, o mais versátil, o mais técnico ou o mais espalhafatoso dos guitarristas. Porém, era o melhor guitarrista do mundo até o surgimento de Jimmy Hendrix e depois disso se tornou o melhor guitarrista branco do mundo. Muito desse reconhecimento, que continua mesmo depois de cinco décadas de carreira, vem da emoção, respeito e seriedade com a qual se entrega no palco. Clapton faz um show para quem gosta de música.

Sempre haverá quem diga que faltou essa ou aquela canção. No caso de Eric Clapton, as ausências são tantas que ele poderia fazer três apresentações diferentes e ainda poderia ficar algo de fora, tantos são os pontos altos de sua carreira. Mas, fica para a próxima (que torcemos para que aconteça).

Nesta segunda-feira (10 de outubro) o músico estará novamente mostrando seu talento na Barra da Tijuca. Provavelmente com uma penca de celebridades e jornalistas especializados (que nem sempre escrevem uma linha sequer sobre o evento que presenciam) entre os convidados da produção. Definitivamente temos muito que melhorar em termos de produção e divulgação de concertos musicais.

O que foi tocado

Going Down Slow
Key To The Highway
Hoochie Coochie Man
Old Love
I Shot the Sheriff

Set Sentado
Driftin’ Blues
Nobody Knows You When You’re Down and Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You’re Wonderful
Layla

Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queen of Spades
Cocaine

Bis:
Crossroads

 


Fotos: Fernando de Oliveira / O Globo / AgNews

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