Elis Monteiro: Buzz, Wave, Facebook, Orkut e outras Redes Sociais

25/02/2010 1 Por Fernando de Oliveira

Havia separado esse texto da querida e super competente Elis Monteiro (um beijão pra você) e as enrolações do Carnaval quase me fizeram deixar de publicá-lo. Assim como eu, Elis parece não se empolgar muito com as novas tentativas de redes sociais. São muitas e os atrativos poucos.

Só eu já estou em umas 10 (muitas por conta da profissão e por curiosidade tecnológica) e não me empolgo com quase nenhuma delas (como são mal aproveitadas, não?).

Vamos ao que diz a nossa Elis, em texto publicado no dia 16 de fevereiro, no ótimo site Fórum Pcs.

Se alguém te perguntasse, neste minuto, se o Orkut é ou não um sucesso o que você responderia? Se você for brasileiro e mora no Brasil, provavelmente dirá que sim. A verdade, no entanto, é que a rede social que deu (e ainda dá) as cartas nas redes sociais com sotaque português do Brasil só deu certo por aqui – está certo, também conquistou uns indianos. Nos Estados Unidos, o Orkut começou a ser visto com maus olhos a partir da entrada massiva dos brasileiros, com seu português invasor, seus hábitos espalhafatosos e, claro, sua educação internética ainda um tanto quanto atrasada. Enquanto o Orkut fazia sucesso aqui, os americanos buscavam uma alternativa por lá.

Depois de tentarem o MySpace, que acabou virando nicho de músicos ou candidatos a, os americanos adotaram, felizes, o Facebook, assim como os europeus e o resto do planeta. O Orkut continuou sendo usado aqui – são mais de 40 milhões de usuários – mas foi sendo abandonado pelos “formadores de opinião”, na verdade uma galera ciberneticamente antenada (ou que se acha isso) que abre as portas dos novos serviços para os meros mortais, depois de testá-los e aprová-los.

São os chamados “early adopters”, que no caso do Facebook acabaram comendo a maior mosca. Foi só em 2009 que a rede criada por Mark Zuckerberg começou a despontar no Brasil como candidato sério a sucessor do Orkut no coração e no dia-a-dia dos mouses e touchpads brasileiros das classes A e B e um pouco da C.

Enquanto isso, a adoção cada vez maior do Twitter no país bagunçava tudo. Mesmo sem ser uma rede social, este bem que pode substituir uma, ainda mais quando casado com um legítimo representante da categoria, como o Facebook. Assim, muitos têm instalado o aplicativo de Twitter dentro do Facebook e recebido as atualizações do segundo via e-mail, sem precisar abrir mais um programa todos os dias.

A ideia é, então, casar uma rede com a outra e tudo dá certo, o céu fica azul e os gênios de Mountain View ficam rindo à toa, certo? Não é bem assim. Simplesmente porque, desde o lançamento do Orkut, mais de cinco anos atrás, o Google não acerta uma bola dentro quando o assunto é rede de relacionamento na internet. Um exemplo rápido: o Google Wave, que chegou com ares de revolução, a quantas anda? Confuso demais? Muito evoluído para o nosso tempo? O que deu errado na rede que chegava a dar água na boca dos usuários, desesperados que ficaram por um convite? Faltou gente para “movimentar” o ambiente?

Robert Scoble, um dos mais conhecidos blogueiros de tecnologia do planeta, resumiu bem sua opinião sobre o Google Wave. Em artigo publicado em plena efervescência do desespero virtual por um convite, ele disparou: “Eu acabei de receber o meu convite para o Google Wave. Não, eu já estou fora. Assim, eu não posso mandar um para você, me desculpe”. Scoble foi enfático ao afirmar que o Wave mescla de forma improdutiva duas das principais ferramentas virtuais necessárias hoje: o e-mail e os programas de mensagens instantâneas. Assim, disse ele, o melhor é sair fora antes de começar a perder tempo.

Scoble tem a mesma opinião que eu sobre o Wave: à primeira vista, observar as pessoas conversando num grande chat parece ser bem interessante. Mas só vale mesmo à pena se você estiver trabalhando em conjunto num trabalho importante – usando, vamos lá, o Google Docs. Eu cheguei a usar o Wave para traduzir um texto junto com um amigo indiano, que ia corrigindo o arquivo enquanto eu mexia nele também. Acabamos bem mais rápido porque fizemos juntos. Mesmo assim, achei a aplicação bem chata e não quis compartilhar mais nenhum trabalho online com ninguém. Ok, minha vida anda corrida, mas nem tanto que não me sobre um tempo para fazer uma tradução, enviar para o meu amigo – por e-mail porque passei dos 30 – e esperar suas considerações.

O blogueiro americano tocou, no artigo, em outro ponto importante sobre o qual também temos a mesma opinião: o Wave é muito, muito “barulhento”. Mesmo que tenha poucas pessoas na minha lista, elas sempre vão criar “ondas” que não me interessam e na qual eu não estarei interessada em imergir. O resultado é uma tela confusa, com nomes conhecidos e outros dos quais nunca ouvi falar. A vontade que dá é sair correndo e ir para o Twitter, onde reconheço os nomes, os rostos e posso decidir quando devo intervir, sem pensar em invasão de privacidade.

Um detalhe Scoble fez questão de ressaltar: se formos pensar no Wave como uma ferramenta de e-mail e compará-lo com um, digamos, Outlook, a criatura do Google deixa muito a desejar e peca feio no momento em que oferece as últimas mensagens na parte de baixo das “conversas”, enquanto novos e-mails sempre aparecem, na caixa de entrada, na parte de cima do programa. A subversão desta lógica, velha conhecida de todos, é perigosa e, claro, tende ao fracasso simplesmente porque exige que os usuários se acostumem a uma nova forma de receber e ler as mensagens.

Ok, ok, mas será que o Wave não pode vir a ser um novo Twitter? Diz Scoble (e eu assino embaixo, novamente): não há comparação entre um e outro porque o Twitter é dinâmico e as novidades aparecem na parte de cima da página. Ou seja, se eu comento alguma coisa, imediatamente ela aparece no topo de tudo, e não perdida em meio a uma discussão (caso do Wave). Além disso, os olhos chegam a doer quando você tenta observar as pessoas “conversando” em tempo real dentro do Wave.

Mas, afinal, se não é um Twitter nem uma rede social nem um e-mail, o que é o Google Wave? Para o blogueiro americano, ele chega quase a se aproximar de um programa de mensagem instantânea, mas que só serviria caso você só o compartilhasse com os amigos mais íntimos ou companheiros de trabalho. Com estranhos invadindo sua tela, nem pensar.

Concordo em gênero, número e grau com Scoble e, aqui, adianto que corri atrás para saber a opinião dele sobre o Buzz, a mais “nova novidade” do reino Google. E não é que, de novo, nosso amigo detesta um novo filhote da família Google? Pior ele diz que o Buzz não passa de uma “cópia” piorada do serviço FriendFeed.

O segundo problema, de acordo com Scoble? Para quem segue muita gente, ou seja, quem mantém contato com muitos dentro do Gmail (caso de Scoble e também o meu), o Buzz se torna “inusável”. De todos os defeitos encontrados pelo blogueiro, o mais grave para mim é “ele não permite que eu veja todos os comentários de uma única pessoa”, ou seja, ele espalha as conversações e, assim, eu preciso sair procurando por aquela pessoa no meio da multidão, o que dá um cansaço danado.

Assim como Scoble, eu achei o Buzz muito “barulhento”. Aliás, quem quiser 12 bons itens que o convencerão a não usar o Buzz, visite o post de Scoble sobre o assunto em http://tinyurl.com/yjlp6fe. Ah sim: a frase da qual eu mais gostei: “se você vai copiar outro sistema, pelo menos não o faça pior”.

A princípio, o Buzz foi criado para que o usuário possa ter uma experiência rápida de compartilhamento (seja de fotos, vídeos, links, páginas do Flickr, do Picasa e até do Twitter); para se integrar à caixa de entrada do Gmail, assim fica mais fácil receber notificações de atualizações e novos posts; para ganhar seguidores de forma automática, uma vez que os tais seguidores podem brotar da lista de contatos do Gmail.

Aqui entra um grande problema: além dos “buzzies” dos seus contatos, você pode acabar recebendo buzzies dos contatos dos seus contatos, ou seja, na sua tela poderá aparecer a conversa dos seus amigos com os amigos destes. E assim por diante, sem que você consiga entender em que momento você entrou naquela grande loucura.

Diz o Google que é possível separar, de forma muito simples, o conteúdo privado do conteúdo público, mas não foi bem o que o Google fez. Assim que lançou o Buzz, ele foi logo aparecendo na página inicial do Gmail e identificando as páginas que os usuários possuíam no Blogger, assim como as contas de Picasa, canais no YouTube e outras coisas que muitos podem considerar pessoais mas que ficaram ali, disponíveis para quem acessasse o Buzz um do outro.

Concordo que ainda é cedo para saber o que o Buzz vai oferecer aos usuários que outras ferramentas como o Twitter já não oferecem. E gosto de saber que o Google está batalhando para criar A aplicação, como já está acostumado. O problema é que agora ele lida com pesos-pesados. O Facebook já passa dos 500 milhões de usuários, enquanto o Twitter prossegue em sua trajetória de subida e não parece estar perdendo o fôlego. E o Google, claro, não está acostumado a perder ou a ficar em segundo, que dirá em terceiro plano…

Enquanto isso, a repaginada dada no Orkut não funcionou e o Buzz não parece ter agradado tanto assim – lembra o Facebook, mas o segundo é muito mais ágil e menos confuso. Eu ainda não desativei o meu Buzz e, confesso, pelo menos duas vezes por dia passo lá para ver se entendo. Mas também adianto que não me agrada o visual tumultuado, aquela página descendo e os “grupos de conversação” se formando, tal qual um e-mail do Gmail. Fico com preguiça só de pensar em dar meus pitacos por lá.

Decerto que tudo pode ser uma rejeição ao novo. Mas pelo que andei pesquisando – perguntei, por exemplo, aos meus seguidores de Twitter – o Buzz ainda não conseguiu agradar. Falta alguma coisa nele. Ou sobra. Vamos ver.