Publicado por: Fernando de Oliveira | 06/06/2013

A volta do bom e velho Rod Stewart

Rod Stewart TimeRoderick David Stewart, também conhecido como Rod the Mod ou simplesmente Rod Stewart, chega aos 68 anos se reinventando mais uma vez, com o lançamento de Time, seu primeiro disco de inéditas em 22 anos. O inglês – que morou boa parte da infância na Escócia e é apaixonado por futebol e pelo Celtic – já passou por várias fases na carreira, indo do rock ao soul, passando pelo pop escancarado das FMs dos anos 70 e 80, além de enfileirar uma série de álbuns onde recriava Standards da música norte-americana, sempre com seu timbre e rouquidão característicos.

Rod, que já foi enterrado por uma série de críticos várias vezes, parece ter sempre a fórmula para voltar aos holofotes e ao sucesso em grande estilo. Se em 1993, quando lançou o seu Unplugged, um jornalista inglês teve a humildade de escrever: “tudo bem que sabíamos que Rod Stewart ainda poderia fazer um bom disco, mas precisava ser tão bom?“, o mesmo serve para definir Time, que já chegou em 1º nas paradas inglesas.

Claro que não vão faltar críticas de “especialistas” que vão reclamar de que falta mais rock, mais blues, mais emoção, mais inspiração ou mais qualquer outra coisa. A verdade é que estamos em 2013 e ele não é mais um garotão do Jet set mundial. Esperar um disco inteiro como os da época que fazia parte dos Faces ou do Jeff Beck Group é ingenuidade. Rod conseguiu nesse Time reunir um pouco de cada uma de suas fases (excluindo a recriação de clássicos, ainda bem). É possível encontrar rock (Can’t Stop me Now – onde dá uma alfinetada na indústria fonográfica – e Finest Woman, por exemplo), o pop que o tornou um dos reis das FMs (She Makes Me Happy, primeiro single do álbum) e as baladas românticas (It’s Over e Pure Love).

She makes me happy on the coldest day
She makes me happy when the clouds are gray
Every day like Christmas when she’s in my house
She makes me happy and I wanna shout

Rod StewartMesmo com as baterias eletrônicas – Rod, os bateristas precisam trabalhar e ganhar dinheiro, além de dar mais peso ao seu som – há toques de canções como The First Cut is the Deepest ou Maggie Mae, ou outros clássicos do repertório do cantor, a maioria com temática romântica, fazendo com que Time caia logo no gosto de quem acompanha Rod desde os anos 60.

Por conta dessas similaridades – sutis, mas que estão lá – pode ser que Time soe datado ou pouco inspirado para alguns, mas na verdade é muito mais atual do que a grande maioria dos discos lançados pelos astros pop da atualidade. Além disso, fica difícil para alguém com tantos anos de estrada não se utilizar de alguns atalhos do campo musical. Isso só acentua a distância entre a categoria de um artista que novamente soube dar uma guinada em sua carreira e a fragilidade dos “grandes nomes” do cenário atual.

Como disse aquele jornalista inglês: “tudo bem que sabíamos que Rod Stewart ainda poderia fazer um bom disco, mas precisava ser tão bom?Graças a Deus que a resposta é sim.



Uma versão editada desse texto foi publicada no jornal O Fluminense


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