A derrocada da CBN

04/04/2013 33 Por Fernando de Oliveira

CBNComo ouvinte regular de rádio e jornalista, fico triste com o rumo tomado pela Central Brasileira de Notícias (CBN) nos últimos tempos, principalmente em sua sucursal carioca. Desde a sua inauguração, em 1991, a rádio que toca notícia se transformou em audição obrigatória para todos os que gostam, queriam ou precisavam se manter bem informados. A velocidade da rádio, unida a boa apuração e competência na hora de passar a informação para os ouvintes, transformou a emissora em uma das mais conceituadas fontes de notícias do país.

Infelizmente, algumas decisões de cunho (aparentemente) administrativo vêm prejudicando a qualidade do produto que é o carro chefe da CBN: a informação. Uma das principais qualidades da emissora, a qualidade de sua equipe de jornalistas e, principalmente, âncoras, sofre com perdas constantes de profissionais da mais alta qualidade.

Desde 2008, com a demissão do jornalista Sidney Rezende, que a rádio passou a perder relevância e público. Experiências mal-sucedidas, como unir os esportes da Rádio Globo e da CBN, podem até ser compreensíveis do ponto de vista do corte de custos, mas mostraram que não havia sintonia entre o que os ouvintes esperam e querem e o que a direção da empresa achava eficiente. Voltando ao caso dos âncoras, a entrada da cientista política Lucia Hippólito foi um desastre, já que ela não tinha conhecimento ou a firmeza suficientes para apertar os entrevistados (políticos, principalmente), transformando as entrevistas em palcos nos quais fossem vendidas ações e ideias que passavam longe da realidade. Não havia mais o hábito de questionar ou expor dados que confrontassem afirmações desmedidas.

Infelizmente (para ela) e felizmente (para os ouvintes) um problema de saúde a afastou da programação da emissora. Para o seu lugar – interinamente – foi designado o jornalista Maurício Martins, que já atuava como escudeiro de Lucia e que, na verdade, era quem segurava o CBN Rio. No dia 1º de abril de 2013, Maurício anunciou que havia sido demitido e no mesmo dia a rádio anunciou que o novo âncora do programa seria Octavio Guedes, diretor de redação do Extra, mostrando que a decisão não foi algo repentino.

Não conheço o Maurício Martins e lamento sua saída da programação apenas pelo quesito competência. Não sei se ele é de difícil trato ou não (e isso pouco importa, perto das prima-donas que povoam as redações por ai), mas sei que sua saída é mais uma baixa que enfraquece a emissora, diante do trator chamado Bandnews FM, comandado por Ricardo Boechat e que, apesar de todas as críticas pela utilização de muitas informações vindas de ouvintes, dá um banho em agilidade e, principalmente, opinião.

Claro que durante todo esse tempo muita gente saiu e voltou da rádio e muitas mudanças (boas) também aconteceram, mas hoje, na minha modesta opinião, falta um rumo. Hoje, a CBN voltou a ter um Esporte próprio, mas peca pela fragilidade da maioria de seus principais âncoras. Torço para que essa situação seja revertida em toda a rede e em especial no Rio de Janeiro, onde a coisa anda feia para ela.

Update:

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