Após 33 anos, “Supertramp Live in Paris `79” chega aos fãs da banda

14/11/2012 0 Por Fernando de Oliveira

DVD, que foi gravado em dezembro de 1979, mostra um grupo no topo de sua forma criativa e com uma seleção de canções que, atualmente, é quase um greatest hits

O DVD Supertramp Live in Paris ’79 (ST2) chega aos fãs 33 anos após sua gravação, em dezembro de 1979. Registro visual de um dos discos mais vendidos e cultuados do rock, o filme traz, quase na íntegra, o concerto da turnê Breakfast in America, com o qual o Supertramp correu o mundo por dez meses.

Gravado na terceira das quatro noites em que lotaram o Pavillon de Paris (o disco é uma mistura de canções das duas noites anteriores), o DVD mostra um grupo no topo de sua forma criativa e com um setlist que, hoje, é quase um greatest hits. Canções como The Logical Song, Breakfast In America, Hide In Your Shell, Dreamer, Take the Long Way Home e Give a Little Bit, são facilmente cantaroladas por qualquer passarinho com mais de 30 anos.

O trabalho de restauração da imagem é primoroso, levando-se em conta a idade do filme e as condições nas quais foi gravado – apenas quatro câmeras de 16mm e com uma iluminação de show de rock dos anos 70, ou seja, quase nenhuma. As imagens são nítidas e os poucos ‘efeitos especiais’ utilizados em nada atrapalham a edição.

Já o som – inclusive na mixagem 5.1 – é de cair o queixo, mostrando que – ao contrário do que dizem alguns produtores nacionais – é possível recriar de maneira fiel a atmosfera de um concerto. É praticamente uma nova edição do CD, com algumas pequenas diferenças na escolha das canções. Nunca Rick Davies (teclados, vocais e gaita), John Helliwell (saxophones, teclados e backing vocals), Roger Hodgson (guitarra, violão, teclados e vocais),  Bob Siebenberg (bateria) e Dougie Thomson (baixo), nunca soaram tão bem.

Algumas canções não foram filmadas por questões financeiras e para não deixar o filme longo demais. Entretanto, os áudios foram registrados e colocados como faixas extras em clipes criados com montagens de imagens da época, completando o setlist do show.

A mistura das influências jazzísticas de Rick Davies com o apelo melódico-pop-beatle de Roger Hodgson levaram o Supertramp a dominarem as paradas no fim da década de 70. O LP Breakfast in America vendeu milhões de cópias, mas seu sucesso não foi capaz de aplacar a briga de egos entre os dois principais compositores e cantores da banda.

Ainda houve um último disco de estúdio – Famous Last Words (1982) – antes que Hogson resolvesse deixar a banda para passar mais tempo com a família.

Hoje, Davies é o detentor dos direitos do nome Supertramp e ainda faz shows esporádicos com John Helliwell e outros músicos. Já Hodgson mantém um calendário mais consistente de apresentações – com algumas passagens pelo Brasil – com um repertório que inclui vários sucessos do Supertramp que, segundo ele, são “canções minhas, já que várias delas eu compus antes mesmo de entrar para a banda”.

Alguns fãs ainda sonham com a possibilidade de uma reunião entre os dois, chance que é totalmente descartada por Rick Davies.

“Eu sei que existem fãs que gostariam que isso acontecesse. Houve um tempo no qual eu mesmo sonhava com isso. Mas, para apresentarmos um grande show é preciso harmonia, tanto musical como pessoal. Infelizmente, isso não existe mais entre nós e eu prefiro não destruir as ótimas memórias que tivemos”, argumenta Rick Davies, com convicção.

Portanto, fiquemos com as memórias de um dos melhores shows de todos os tempos. Imperdível para os amantes do grupo.

Esse texto também foi publicado no jornal O Fluminense