A (má) cobertura jornalística de Paul McCartney em Recife

28/04/2012 0 Por Fernando de Oliveira

Paul McCartney sempre foi um ótimo alvo para críticos e jornalistas que gostam de aparecer. Seu pouco engajamento político, suas tolas canções de amor e aquele jeitão boa gente sempre sofreram críticas – algumas delas justas – que, na sua maioria tinham sempre cheiro de recalque ou marketing pessoal.

Os shows do ex-beatle no Recife em 2012 foram mais uma vez desculpa para coleguinhas que quiseram ter seu momento de fama. O pior, aparecer, mas sem se preocupar em, no mínimo, dar informações corretas. O que teve de gente colocando músicas que não foram tocadas no show foi uma festa.

Geralmente eu não cito ninguém de forma específica, mas Paul McCartney é um assunto que me tira do sério e tenho que dizer que fiquei impressionado com um texto publicado no UOL, que é um verdadeiro show de horrores. Não conheço a pessoa que escreveu, mas espero que seja uma estagiária ainda com tempo de aprender e que a publicação tenha passado pelos editores por conta do horário.

Assim como uma outra expert disse que Roger Waters era apenas o ex-baixista do Pink Floyd, a autora do texto sobre o show de McCartney mostrou que não tinha a menor condição de fazer a cobertura. Ela não sabia nada sobre o artista (mas poderia ter pesquisado), não sabia nada sobre a turnê (mas poderia ter pesquisado) e não sabe nada sobre como são shows de rock (mas poderia ter pesquisado).

Vamos lá:

É inadmissível errar o nome dos grupos pelos quais Paul passou – até porque foram apenas dois. “The” Wings (?????)! De onde saiu esse “The”?;

Usar as informações que o artista deu no palco e usar como verdade absoluta é outro erro primário. As canções inéditas – além de The Night Before, citada por Macca – foram: My Valentine, Junior’s Farm e Maybe I’m Amazed (informação que talvez nem Macca soubesse). A tríade – lá vem a mania de querer parecer inteligente – que fecha o disco Abbey Road ele já havia tocado em 1990!, fato que pode ter sido ignorado pela grande distância geográfica do Rio para os outros estados brasileiros;

“Paul ainda entregou toda sua simpatia a cinco mulheres que subiram ao palco para conhecê-lo, escolhidas por meio de uma promoção do programa “Fantástico”, levantou a bandeira de Pernambuco no bis e chamou a plateia de “povo arretado”, levando ao êxtase os “recifianos”, como ele também os nomeou”, diz o texto. Minha filha, as pessoas escolhidas para irem ao palco não participam de promoção alguma. São escolhidas ao acaso;

Outro erro absurdo é não ter noção das tribos que povoam qualquer show de rock, seja ele do U2, Iron Maiden, Roger Waters ou Paul McCartney. Há os fãs que cantam tudo, os fãs que não conseguem cantar de emoção, os que cantam alto (e desafinado, sempre), os que batem papo e os que preferem ficar perto do bar e dos banheiros, enchendo a cara de cerveja. Dizer que tinha gente tirando foto durante o show ou conversando, como se isso fosse algo extraordinário é de uma falta de ambientação impressionante. Quem escalou essa pessoa?;

Update (29 de abril): O texto reclama das filas em caracol do lado de fora do estádio. Só mesmo uma novata em shows não saberia que isso acontece não apenas no Brasil mas em qualquer país do mundo! Ou será que alguém imagina ser possível colocar 30, 40 ou 50 mil pessoas em fila iindiana?;

Por fim, informação errada. Dizer que em Paul havia tocado em São Paulo e Porto Alegre (2010) e que fãs aguardavam desde o show na capital paulista, é dose. Primeiro porque Porto Alegre começa com P, enquanto São Paulo com S. Sendo assim, pelo alfabeto, Porto Alegre deveria vir antes. Mas, se fosse o caso, Porto Alegre viria primeiro porque o show lá foi feito antes do realizado na outra cidade.

Enfim, o que não faltou foram textos ruins e com erros sobre a nova passagem de Paul pelo Brasil.

Na boa, dá raiva. Ainda bem que tive uma semana para me acalmar e não escrever nada acima do tom aceitável.

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