Estudo aponta que 70% da população sofre com estresse no trabalho

27/08/2011 0 Por Fernando de Oliveira

Fizeram um estudo meio óbvio. Agora, é enviar esse estudo aos pseudo chefes que gritam, são grossos, tocam terror e não fazem nada, apesar de sofrerem com o stress e o excesso de ordens dadas. Mas eles não devem ler essas coisas científicas.

Stress é algo que só quem trabalha de verdade deveria ter o direito de dizer que tem.

Apenas nos primeiros seis meses deste ano, 109 mil profissionais receberam auxílio-doença por conta de efeitos gerados pelo estresse, contra 85 mil casos registrados em 2010

Apenas nos primeiros seis meses deste ano, 109 mil profissionais receberam auxílio-doença por conta de efeitos gerados pelo estresse, contra 85 mil casos registrados no mesmo período de 2010. E não é só isso: estudo realizado pela unidade brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR), associação especializada na prevenção e estudo do estresse, aponta que 70% da população economicamente ativa do País já sofre com o problema.

Para o administrador de empresas Anderson Cavalcante, especialista em desenvolvimento das competências humanas, as práticas adotadas pelo mercado devem ser repensadas.

“Jornadas permanentes que ultrapassam 10 horas por dia e acúmulo de tarefas são fatores cada vez mais presentes no cotidiano das empresas e a pergunta que fica é: está valendo a pena? Ao que tudo indica, a resposta é não. Ao invés de verem seus resultados melhorando, as organizações estão fazendo com que seus colaboradores fiquem desmotivados, sem energia e incapacitados de buscarem as metas estabelecidas”, pondera.

Para se ter uma ideia, até junho, a Previdência já havia gastado R$ 147 milhões com o apoio prestado aos que sofrem com as consequências do estresse. Para Cavalcante, isso demonstra a dimensão do problema e evidencia que “remediar” não é mais a saída. “Pelo contrário, temos que ver o estresse como um mal da saúde pública e não apenas como algo relacionado ao trabalhador e às empresas.

“Caso a questão não seja tratada com seriedade em sua base, veremos os números aumentarem constantemente”, afirma.

O especialista dá dicas que podem ser aplicadas ao dia a dia.

“O trabalho deve ser uma atividade prazerosa, não uma tortura. Além de cuidados com pontos básicos, como alimentação e realização de atividades físicas, o profissional deve refletir sobre produtividade e a importância atribuída ao que se faz”, explica.

Para ele, as reflexões não podem ficar limitadas a reclamações.

“Questões como ‘trabalho com foco no resultado ou acabo desviando das minhas metas e acumulando tarefas com as quais não preciso me preocupar?’ e ‘meus valores e objetivos estão alinhados às exigências da empresa em que estou atualmente?’ podem ajudar a melhorar o rendimento e diminuir o estresse”, opina.
Para o setor de Recursos Humanos, a recomendação do especialista é tentar equilibrar de forma mais harmônica a quantidade de trabalho ao número de profissionais de cada área.

“Os gerentes, por exemplo, têm equipes cada vez mais enxutas e projetos sempre maiores. A equação não bate e um dos resultados disso é o estresse”, resume.

De olho nos sinais

Ficar atento aos sinais do estresse pode ajudar a tomar medidas preventivas antes da situação fugir do controle e exigir tratamentos complexos. De acordo com a pesquisa da International Stress Management Association (Isma-BR), ao se falar em sintomas físicos, 38% das pessoas passam por distúrbios do sono e 86% são afetadas por tensão muscular e dor de cabeça. Ansiedade e angústia atingem, respectivamente, 81% e 78%.

Para aliviar e combater o estresse, o psicólogo Luiz de Vasconcelos, membro do Conselho Regional de Psicologia, diz que, além de prestar atenção no corpo é necessário dar tempo para ele processar o estresse.

“Busque alguma atividade física que ocupe sua mente por pelo menos uma hora diária. Algo que dê prazer.

Cada pessoa gosta de uma coisa. Pode ser uma caminhada, andar de bicicleta ou até mesmo lutar box. O importante é que a atividade seja feita com entusiasmo e promova o relaxamento”, encerra.

Atenção para rotinas e o equilíbrio do corpo

A nutricionista Fabiana Machado Loureiro, especialista em dietas para atletas, que vivem sob estresse nos treinamentos, explica que é essencial termos uma rotina nos horários das refeições, e não ficar longos intervalos sem nos alimentarmos.

“O ideal são seis refeições ao dia. Se você está atrasado para a escola ou trabalho, um simples café preto não vai resolver a situação. Depois de uma noite de 8 horas de sono, que é o mínimo recomendado pelos médicos, nosso organismo precisa se abastecer de energia.

Segundo Fabiana, as fontes são conhecidas, mas não custa relembrar, não é mesmo?

“Os carboidratos estão mais presentes nas massas e cereais; As vitaminas e minerais, nas frutas e legumes; Proteínas podem ser encontradas nas carnes. O ideal é investir mais em carnes brancas, porque têm menor concentração de gordura. O equilíbrio é o segredo para manter o corpo em dia, equilibrado e longe do estresse”, aconselha.

Ela diz ainda que se ingerirmos cafeína em excesso, seja através de café, chá mate ou preto, refrigerantes à base de cola, nossa predisposição para a ansiedade e irritação será maior, o que pode comprometer os resultados na escola ou trabalho.

“Esta regra também se aplica ao almoço. Se o tempo é curto e não for possível apreciar comida caseira, não fique apenas no lanche. Procure compensar montando um cardápio variado e completo. Para isso, pode ser necessário pedir ajuda a um profissional de nutrição.”

A especialista avisa ainda que, para combater a sensação de cansaço após as refeições, o ideal é evitar frituras e massas pesadas em todas as refeições.

“Esses alimentos só acumulam gorduras, favorecendo o entupimento de veias coronárias, estimulando o enfarte.”

Escolhas acertadas

Alface: a lactucina e lactupicrina, encontradas principalmente nos talos das folhas, atuam como calmante.

Espinafre e brócolis: previnem a depressão. Contêm potássio e ácido fólico, importantes para o bom funcionamento das células, garantindo o bom funcionamento do sistema nervoso, devido ao magnésio, ao fosfato e às vitaminas A e C e ao Complexo B.

Castanha-do-pará: melhora sintomas de depressão, auxiliando na redução do estresse. É rica em selênio, um poderoso agente antioxidante. Uma unidade ao dia já fornece a quantia diária de selênio (350mg) recomendada.

Laranja: promove um melhor funcionamento do sistema nervoso. É um ótimo relaxante muscular e ajuda a combater o estresse e prevenir a fadiga.

Peixes e frutos do mar: diminuem o cansaço e a ansiedade, pois contêm zinco e selênio que agem diretamente no cérebro.

Texto de Simone Schettino, publicado no jornal O Fluminense