Publicado por: Fernando de Oliveira | 21/07/2011

Pesquisador brasileiro rastreia origem do Big Mac

Apesar da decadência do império do McDonald’s, parece que o fascínio sobre a outrora incontestável líder no ramo do fast food continua grande. No Brasil um pesquisador resolveu determinar as características do gado através da carne do Big Mac (entre outros aspectos). Leia a íntegra do texto publicado no Portal Terra.

A fim de identificar as características culturais da alimentação mundial, pesquisadores do Laboratório de Ecologia Isotópica do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), viajaram o mundo para analisar o Big Mac, principal e mais conhecido produto da rede de fast-food McDonald’s, presente em mais de 100 países. “O lanche, considerado o carro-chefe do McDonald’s, funciona como um poderoso traçador do sistema de produção de carne dos países. O hambúrguer fornece diversas e variadas informações”, informa o pesquisador Luiz Antonio Martinelli, responsável pela pesquisa divulgada pela USP.

Para descobrir onde e como é produzido o principal produto do Big Mac, o hambúrguer, a pesquisa rastreou a cadeia alimentar do gado. Martinelli chegou à conclusão que, apesar de o sanduíche ser uma comida global, seu sabor é local, pois a carne é originária do rebanho de cada país. “Mas isso não ocorre no mundo todo. Os isótopos estáveis do carbono e do nitrogênio da carne contida em cada um dos Big Macs estudados mostraram, por exemplo, que o lanche consumido no Japão é proveniente da Austrália, com gado alimentado com gramíneas do tipo fotossintético C4″. Os isótopos são o núcleo das reações químicas de um alimento. É o núcleo, espécie de DNA, onde estão as informações sobre as composições químicas.

Esta conclusão foi baseada no fato que as carnes dos lanches japoneses tinham uma razão isotópica do carbono-13/carbono-12 mais elevada do que os esperados num país baseado em uma agricultura de ciclo C3 (norma que caracteriza a forma como a planta faz sua fotossíntese). O fato comprova que o Japão importa carne da Austrália, onde prevalece o modo fotossintético C4 da lavoura, ou seja, das plantas que suportam altas luminosidades, fato que não ocorre no país nipônico.

Esta pesquisa permitiu chegar a três conclusões. “A primeira é que com um simples hambúrguer é possível rastrear o que o gado come pelo mundo todo. A segunda confere a possibilidade de estabelecer como carnes produzidas em diferentes países viajam. E a terceira é que, por uma questão de mercado, o igual não é tão semelhante assim”, relata Martinelli, que empregou o conceito “glocal” (global + local) para caracterizar o Big Mac.

É curioso que até existe um índice econômico que calcula o preço do Big Mac em todos os países em que é consumido, com o intuito de medir o valor de uma moeda em relação ao dólar, o Big Mac Index. “O famoso lanche do McDonald’s tem a capacidade de estar, ao mesmo tempo, atualizado ao sistema mercadológico das empresas globais sem perder a influência cultural imposta pelo mercado local”, conclui o pesquisador.


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