A lágrima mais amarga derramada sobre túmulos é para palavras que não foram ditas e planos não realizados

22/06/2011 0 Por Fernando de Oliveira

Falar não é fácil. Falar coisas importantes e que envolvam sentimentos é ainda menos simples. Arrependimentos e decepções são mais freqüentes que alegrias e realizações. Por isso, devemos valorizar e prolongar tudo o que trouxer felicidade.Infelizmente, sorrisos são bem mais raros do que deveriam ser.

Já as lágrimas são muito mais freqüentes do que gostaríamos de admitir e, segundo Harriet Beecher Stowe, a lágrima mais amarga derramada sobre túmulos é para palavras que não foram ditas e planos não realizados. Não tenho tanta intimidade assim com túmulos (ainda bem), mas sei que planos frustrados de maneira inesperada e sem um bom motivo aparente deixam marcas que são difíceis de traduzir verbalmente.

A convivência humana em sociedade é uma teoria muito interessante, que fica anos luz do que acontece na realidade. Nem todos têm a habilidade da oratória (nem mesmo muitos que dizem falar tudo na cara).

Não sei se as lágrimas derramadas sobre túmulos são mais amargas, mas, com certeza, são mais melancólicas. Não pela perda de alguém querido, mas pela perda da oportunidade de pedir explicações. Sim, pedir, porque nossa natureza é cobrar, não dar explicações.

Algumas pessoas seguem a vida ao sabor dos ventos, das marés, das amizades, fazendo crer que o importante é seguir sem rumo (coisa boa para jovens e um tanto triste para a meia idade). Planos, scripts e reservas são sempre bem vindos (algumas vezes até mesmo no sexo, podem acreditar).