Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer

28/05/2010 2 Por Fernando de Oliveira

Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazerTácito

Essa é daquelas verdades incontestáveis. Das que confirmam os maus instintos do ser humano. Nada pior que dever algo para alguém, um favor. Melhor manter a raiva, o ódio. Quem disse que quero ser seu amigo?

Mais fácil nunca mais perguntar, citar, pensar, do que lembrar de que pode dever algo, de que alguma parte sua pode não ser só sua. Revidar uma agressão é tarefa rápida, muito planejada e bastante prazerosa.

Olhar para a parede e ver que não existe aquele buraco, assar uma massa longe do fogão, relaxar com uma taça de espumante nas borbulhas quentes. Tudo pode ser um fardo.

Dever um favor é algo que deveríamos ter a permissão de esquecer. Não importa o quanto chovia naquela tarde ou quantos não responderam os nossos chamados.

Ter que retribuir um favor é algo doloroso. Mais doloroso ainda se a retribuição tenha que ser algo que agrade o outro. Melhor sempre pensar que ‘isso que estou fazendo é um favor‘.

Melhor cuidar da aparência, armar um sorriso aberto, subir o tom da voz e rir bem alto, pelo menos enquanto ninguém aparece com uma torta para jogar na cara. Afinal, por que retornar uma ligação, desejar feliz aniversário ou dar os parabéns por alguma conquista, se é mais fácil só pedir favores?

Será que sabemos quando casamos danos?